ZLATAN LEXOTAN - ARQUIVOS 2009

Fim de feira
02/11

Essa é a sensação que melhor resume o sonolento GP de Abu Dhabi, e que poderia muito bem ser aplicada para a temporada 2009 de Fórmula-1 como um todo. Neste final de semana, na última corrida do ano, pouco pode ser aproveitado para uma análise. Afinal, foi um GP em que o cenário foi o protagonista, fato proporciondo por um entediante traçado, mais um desenvolvido por Hermann Tilke, que segue os mesmos moldes: muita atração nas cercanias, pouca emoção na pista.

Esse sentimento é muito claro e óbvio: os fatos que cercaram as corridas nesta temporada ganharam uma proporção maior do que os grandes prêmios, como a rebelião separatista das equipes e a revelação dos acontecimento relativos ao GP de Cingapura de 2008.

Outro fato constante foi a instabilidade das equipes. A BMW anunciou sua retirada da Fórmula-1 com o campeonato em andamento, e a Toyota seguiu os mesmos passos nesta semana. A Renault, com o precedente aberto pela Toyota - as duas equipes haviam assinado o pacto de Concórdia, que garantia a permanência até 2012 - pode em breve também anunciar sua saída.

A Toyota deixa a Fórmula-1 com um clara indicação de fracasso. Um projeto em que muito dinheiro foi investido, mas o ambicioso projeto de lutar por títulos ficou relegado a posições intermediárias, com pilotos intermediários e despesas na casa dos 400 milhões de dólares por temporada. A Toyota então não fará falta, foi a reação inicial de boa parte da impresa especializada.

Do ponto de vista esportivo, a Toyota era uma equipe séria e estruturada, com um projeto que já durava oito temporadas e que competia limpamente por pontos. O esporte não é feito apenas de vitórias, em um universo de 40 pilotos não há espaço para que todos vençam. Faltou ousadia na escolha de pilotos? Muito provavelmente a falta de um piloto de primeira grandeza contribuiria para o desenvolvimento da equipe na luta por vitórias.

Além disso, a Toyota tinha uma fábrica bem montada na Alemanha, com 450 funcionários. Kamui Kobayashi, o único novato que realmente empolgou na temporada, agora procura uma equipe para 2010, ou então, por falta de recursos, terá de voltar a trabalhar no restaurante de seu pai enrolando sushis.

A equipe Toyota e Kobayashi certamente farão falta para a Fórmula-1 em 2010. A visão mercadológica de quem trata o esporte como uma simples vitrine de marketing é, de fato, o item que deveria ser dispensado. Assim funcionam as montadoras, que compram um espaço, usam pelo tempo que for interessante e, quando o brinquedo deixa de ser divertido, simplesmente o joga fora. No final do dia, Max Mosley é quem tinha razão em sua batalha contra as montadoras.

A volta da mediocridade
26/10

Com sete rodadas ainda por disputar, pode-se dizer que esta é uma das edições mais equilibradas do Campeonato Brasileiro. Palmeiras, Atlético-MG, Internacional, São Paulo, Flamengo, Cruzeiro e Goiás ocupam as sete primeiras colocações da tabela, e apenas sete pontos separam as equipes.

Isso representa também uma grande irregularidade das equipes ponteiras, que engatam sérias invictas e outras sem vitórias, embolando a tabela e deixando uma impossibilidade de apontar um favorito, ou até mesmo pensar em quais equipes obterão vaga na Libertadores.

Com sete rodadas restando, ainda há uma série de confrontos diretos que podem ajudar a resolver ou complicar ainda mais o desfecho do Campeonato Brasileiro. De uma forma geral, pensando unicamente na frieza dos números, este torneio deveria ser uma ode os pontos corridos.

Uma pena que, quem manda no futebol nacional, infelizmente não partilha do mesmo pensamento. Marcelo Campos Pintos, presidente da Globo Esportes, assumiu publicamente o desejo de sua empresa de retornar ao sistema de "mata-mata", com a justificativa de que "futebol é negócio, e não entretenimento". Ninguém duvida dessa afirmação, assim como ninguém questiona o fato de que é a Globo quem manda no futebol nacional, e não a CBF.

Porém, o futebol como negócio pode também falhar. O mata-mata viu aberrações por toda sua história, como um oitavo colocado sendo campeão ou a gloriosa presença do São Caetano em uma decisão nacional. Quando tudo resume-se a uma única partida, um clube pequeno e sem nenhum apelo pode repetir os passos do Azulão.

O fato é que o torneio em pontos corridos anula esta possibilidade. É preciso muito mais do que apenas sorte, é preciso planejamento, talento, regularidade. Clubes sem estrutura, como o próprio São Caetano, não resistem a este tipo de pressão e desaparecem.

É necessário levar o esporte em consideração, mas os mandatários do esporte nacional não parecem imaginar que um novo anti-fenômeno de audiência como o São Caetano possa acontecer. Se aplicado à atual temporada, o Grêmio Barueri, que vive sob um projeto muito similar ao do São Caetano, poderia chegar entre os oito melhores e, como acontece no futebol, ser campeão e ninguém entender como um clube pequeno obteve tal façanha.

Se a Globo imagina que, com o mata-mata, só os grandes clubes fariam as finais, será preciso combinar com muita gente. Não que isso seja muito difícil de imaginar, vindo de quem vem...

Com todos os méritos
19/10

Em suas 59 temporadas, a Fórmula-1 consagrou 31 pilotos como Campeões do Mundo. Nesta lista, gênios contemporâneos como Michael Schumacher e Fernando Alonso dividem atenções com lendas históricas, como Alain Prost, Ayrton Senna, Jackie Stewart, Juan Manuel Fangio, Niki Lauda.

Porém, não só de gênios imortais é feita a lista de campeões. Assim como nem todos os gênios foram campeões. Isso é algo comum a todos os esportes. Stirling Moss e Gilles Villeneuve são os grandes injustiçados da Fórmula-1, como Cruyff e George Best são no futebol.

O campeão de 2009 obviamente não integra a lista dos maiores nomes da Fórmula-1, mas Jenson Button conquistou um título que o coloca na história de um dos esportes mais populares do planeta. Button confirmou, em Interlagos, um título justo, sem contestações, após um início de temporada arrasador. Foram sete pódios nas sete primeiras corridas, sendo seis vitórias e um terceiro lugar.

Essa supremacia explica-se pelo excepcional projeto desenvolvido por Ross Brawn com enormes recursos da Honda e com o confiabilíssimo motor Mercedez, sendo que Button adaptou-se rapidamente ao carro e guiou com regularidade, sem cometer erros. Quando as demais equipes alcançaram o ritmo da Brawn, Button manteve-se sempre marcando pontos, e não completou apenas o GP da Bélgica, quando foi abalroado por Romain Grosjean.

Jenson Button, com isso, impediu que seu nome se tornasse integrante de um lista menos gloriosa: a de pilotos que surgiram como grandes talentos, mas que nunca confirmaram-se como possíveis vencedores. Isso esteve próximo de ocorrer, após a Honda comprar a BAR e transformar uma equipe que brigava por pódios no pior carro do grid.

Aos 29 anos, Button enfim viu mudar seu estigma de "piloto certo no carro errado". Desta vez, todas as circunstâncias estiveram a seu favor. Além disso, Button atingiu o auge de seu talento, o momento em que o piloto mantêm sua velocidade e motivação, somando com  experiência e a inteligência que o tempo lhe proporciona. Button pode não ser um gênio, mas é um bom piloto, e ninguém teve tantos momentos bons em 2009 quanto o inglês.

Toco y me voy
12/10

A emissora oficial do futebol brasileiro, através de seu locutor principal, sempre fez uso do termo "Toco y me voy" como uma característica da Seleção Argentina. E, para que até mesmo essas pessoas possam ter percebido algo que foge dos jargões comuns, é porque se trata de um elemento sempre presente nos argentinos.

Obviamente, não se trata de mero acaso. Os jogadores argentinos têm um histórico de agilidade e habilidade, combinando os dois elementos para tocar rapidamente a bola e realizar as tradicionais jogadas de 1-2. Não se trata, claramente, de um mistério futebolístico. É uma opção de criar jogadas de forma até, digamos, primária.

Para quem sofreu acompanhando a Argentina de Maradona, sobretudo nas vitórias diante de Peru e Uruguai, pôde ter a certeza de que nem ao menos essa troca rápida de passes ocorreu. Um time perdido, sem nenhum entrosamento ou esquema de jogo, nenhuma jogada previamente ensaiada. Nada. Apenas um amontoado de jogadores mal dispostos em campo, e até mesmo longe de demonstrar algum espírito de luta.

Para a Argentina, a sorte é a mesma que sorriu para o Brasil em outras oportunidades: mesmo em crise técnica, o baixo nível técnico dos adversários favorece. Ou alguém esqueceu que o Brasil classificou-se para 2002 com mesmo com Luizão e Edilson no ataque, vencendo a Venezuela na partida final?

As convocações e escalações de Maradona são outro ponto de grande relevância. Foram testados dezenas de jogadores, e nenhuma base foi formada. Jogadores como Lucho Gonzalez, Diego Milito, Maxi Rodriguez e Sergio Agüero são obviamente merecedores de uma vaga na equipe titular, mas Maradona os ignora.

Maradona conseguiu o básico: classificar a Argentina para a Copa. E perdeu a razão ao ter um ataque "zagallístico" ao dirigir-se as jornalistas bradando "Chupem! Chupem todos!". Agora seria, certamente, a hora de Maradona entender que seu trabalho é incapaz de levar sua Seleção ao nível superior e, com a cabeça no lugar, fazer jus às tradições com um simples "toco y me voy". A Argentina agradeceria.

Sem explicação
05/10

Desde 2005, e lá se vão cinco temporadas, o Internacional é um dos clubes considerados como forte candidato ao título brasileiro. Naquele ano, o título não decidiu-se a favor do Inter por circunstâncias obscuras. Porém, nos quatro anos seguintes, incluindo 2009, o clube gaúcho decepcionou seus torcedores e contrariou, e muito, as precisões dos especialistas.

No meio deste percurso tortuoso no Brasileirão, o Inter obteve as duas maiores glórias de sua história, conquistando a Libertadores e o Mundial de Clubes, em 2006. Pode então entender que, um clube que conquista a competição continental e visa o torneio Mundial no final do ano, planeja-se sem contar com o Brasileirão no meio do caminho. É normal e perfeitamente aceitável, portanto.

Porém, a mesma desculpa não pode-se ser aplicada aos anos de 2007, 2008 e 2009. O Inter montou elencos fortes, contratou jogadores caros, trouxe um técnico com boa reputação, mas naufragou em seus maiores objetivos: uma vaga na Libertadores em 2008, a Copa do Brasil e o Brasileirão em 2009. Sim, pode-se considerar o ano de 2009 como perdido após a demissão de Tite e a contratação de Mário Sérgio, um profissional que mal poderia ser chamado de técnico.

Analisando o Inter, é difícil entender qual foi o motivo que levou o clube a campanhas dignas de notas negativas. Problemas internos, possivelmente. Em sua entrevista final, Tite admitiu que houveram problemas de vestiário com D'Alessandro, mas não entrou em maiores detalhes. Um elenco desunido, com rachaduras ou conflitos com o técnico poderia explicar os fracassos do Inter, mas então porque a diretoria teria demorado tanto em tomar alguma atitude?

Quando trata-se de futebol, apenas os leigos acreditam fielmente que todos os problemas de um clube sejam de exclusiva responsabilidade de seu treinador. Porém, é sempre o elo mais fraco quando falamos de futebol, sobretudo o brasileiro. E, pensando no campeonato, é realmente lamentável que um clube com tantos talentos em seu elenco não participe ativamente da luta pelo título. Os rivais, por outro lado, agradecem.

Novo Schumacher
28/09

Ainda não é oficial, mas é apenas uma questão de dias para Fernando Alonso ser oficializado como novo piloto da Ferrari. Os detalhes do contrato, que estaria assinado desde o ano passado, apontam para um salário anual de 25 milhões de euros, com duração de cinco anos e opção para mais um. Além disso, Alonso indicou uma série de profissionais que formarão seu staff particular, engenheiros e técnicos da McLaren, Renault e Red Bull.

A Ferrari repete, obviamente, a receita que tirou a scuderia do ostracismo nos anos 90 e a transformou em uma equipe sem rivais à altura quando fez uma aposta de longo prazo semelhante em Michael Schumacher e seu staff de confiança. À época, aos 27 anos, Schumacher era bicampeão e considerado o melhor piloto do grid, tendo como grande rival o finlandês Mika Hakkinen, e também o desafeto Damon Hill, inglês.

Pode-se notar, certamente, uma série de coincidências entre os dois capítulos. A começar pelo fato de Schumacher e Alonso terem tido seus primeiros momentos de brilho na Benetton/Renault, equipes comandadas por Flávio Briatore, incentivador de ambos no início de suas carreiras na F-1. Outra coincidência interessante dá-se pelo fato de Alonso ter como grande desafeto outro inglês, Lewis Hamilton, e seu grande rival em termos de talento ser Kimi Raikkonen, finlandês.

Curiosidades a parte, Fernando Alonso, aos 28 anos, é o melhor piloto do grid atual da F-1, em desenvolvimento e pilotagem. Mesmo com uma combalida Renault, segue obtendo bons resultados, e poderia até mesmo ter sido tricampeão, não fosse a má vontade da McLaren para com o espanhol em 2007. Na McLaren, Alonso encontrou uma equipe focada em Lewis Hamilton, e agora será a vez de Felipe Massa lidar com situação semelhante, já que Alonso chega com status de primeiro piloto. Neste sentido, ao menos, a convivência deve ser mais amistosa.

A aposta da Ferrari em Schumacher pagou-se com juros, depois de cinco títulos com o alemão e a construção de uma estrutura sólida para os anos seguintes. Alonso, o responsável justamente por quebrar a hegemonia de Schumacher, tem em suas mãos a oportunidade de repetir e até mesmo superar os sete títulos do alemão, caso cumpra os seis anos de contrato com a Ferrari. Parece uma tarefa impossível, mas ninguém imaginava que, um dia, a F-1 moderna veria um piloto ser sete vezes campeão. É improvável, mas não impossível. Cabe agora a Alonso o fardo de ser, para a Ferrari, o novo Schumacher. E, quem sabe, para a história da Fórmula-1 também.

Caso encerrado
21/09

Após denúncias, acusações e especulações, finalmente o caso de manipulação de resultado envolvendo a Renault no GP de Cingapura de 2008 chegou ao seu fim. A FIA divulgou nesta segunda-feira as punições para os envolvidos e, dentro de um cenário realista, ficou a sensação de que foram tomadas as medidas cabíveis.

Flávio Briatore foi banido da Fórmula-1 e de qualquer outra competição gerida pela FIA. Não poderá sequer comparecer os autódromos e os pilotos que são agenciados pelo italiano, como Alonso, Webber e Kovalainen, terão de buscar outro empresário sob pena de não terem suas licenças renovadas. Briatore é o ponto crucial deste caso, e certamente a grande motivação da investigação realizada pela FIA (leia-se Max Mosley). É uma última vitória moral para o presidente da Federação, que viu grande parte dos seus desafetos caírem recentemente.

Pat Symonds teve punição semelhante, mas que vigorará por penas cinco anos. Sua confissão, ainda que não tenha sido integral, foi o suficiente para a FIA puni-lo de forma mais branda. Symonds declarou estar arrependido, enquanto Briatore segue negando o óbvio. Portanto, a FIA decidiu ser apropriado não punir de forma igual casos diferentes.

Fernando Alonso foi considerado inocente. Difícil imaginar que Alonso não soube do que aconteceu, antes ou depois. Afinal, sua estratégia para o GP não fazia o menor sentido dentro de uma corrida normal. Por outro lado, Alonso não teria nenhuma vantagem clara em idealizar tal manobra, já que estava fora da luta pelo título. De uma forma ou outra, é curioso notar que o espanhol está sempre cercado por ações duvidosas e eventos de caráter duvidoso.

Nelsinho Piquet, por sua vez, admitiu que sua colisão foi premeditada e proposital, mas como denunciou o esquema, não recebeu qualquer punição. Esta, certamente já lhe está garantida pelas demais equipes do grid, que só o aceitarão mediante uma enorme contribuição financeira. Afinal, sua desgastada imagem não é a que os patrocinadores buscam neste momento, e Nelsinho pouco mostrou nas pistas que valha um grande esforço por alguma equipe para contratá-lo.

A equipe Renault recebeu uma suspensão de dois anos, mas que será aplicada somente em caso de reincidência, uma vez que a equipe tomou as medidas necessárias contra os envolvidos, demitindo-os antes do julgamento da FIA. Uma estratégia simples e certeira, visando uma menor degradação da marca pelo envolvimento no episódio. Aqui, houve muita controvérsia pela não aplicação de ao menos uma multa à equipe francesa, mas cabe uma reflexão: multas nunca servem para ensinar nada a ninguém, apenas recheando os já recheados cofres das entidades. Não iria mudar nada, portanto. Até porque, nos tempos atuais, uma eventual multa pesada representaria a demissão de funcionários ou fechamento de fábricas para compensação, o que significa punição para empregados que estão longe do caso.

Agora, falta apenas ligar o último ponto: porque real motivo Nelsinho teria sido obrigado a colidir? Com Alonso fora de qualquer disputa no campeonato, não seria nenhum beneficiamento para a equipe na luta pelo título. As suspeitas de um esquema de apostas crescem, e seria irrealista imaginar que pessoas planejassem algo que poderia lhes causar riscos, tanto físicos quanto profissionais, sem ganhar absolutamente nada em troca. Nelsinho teve seu contrato renovado, mas o que ganharam Briatore e Symonds? Certamente, o troféu para a equipe vencedora não é a resposta mais apropriada.

E ele tem chances, sim...
14/09

Por mais que pareca estranho, Rubens Barrichello tem chances reais de, enfim, sagrar-se Campeão Mundial de Fórmula-1. Após sua segunda vitória no ano, o piloto brasileiro voltou a diminuir a diferença para seu companheiro de equipe, Jenson Button, sendo agora de 14 pontos.

Obviamente, não entramos na onda de considerar Barrichello favorito. Jenson Button ainda tem a vantagem em suas mãos, e basta manter-se imediatamente atrás de Rubens que o inglês será campeão pela primeira vez. Além disso, faltam apenas quatro corridas, e é pouco provável imaginar que Rubens vencerá os quatro GP's restantes.

Há dois lados nesta moeda: Na Hungria, a diferença era de 26 pontos. Agora, em três provas, Barrichello diminuiu a diferença em 12 pontos. Em média, quatro por corrida. Ou seja, se manter a mesma média de pontos, Rubens será campeão. Por outro lado, há outra questão matemática: antes, eram 16 pontos a descontar em 50 a disputar. Ou seja, a vantagem relativa de Jenson Button era de 32% dos pontos a disputar. Hoje, com 14 pontos em 40, a vantagem cresceu para 35%.

Deixando a matemática de lado, surge uma análise simples das corridas restantes: Cingapura e Brasil sugere, pelo clima, uma vantagem da Brawn. No Japão e Abu Dhabi, com o frio, a Brawn deve ter dificuldades. Além disso, Rubens sofreu com seu câmbio no último final de semana, e o equipamento deve ser trocado antes da próxima prova, rendendo uma punição de cinco posições no grid.

No começo do ano, Jenson Button estava em uma fase iluminada onde tudo dava certo. Agora, os papéis se inverteram na equipe Brawn. Após a sexta prova, todos davam o título do inglês como certo. Agora, está realmente aberto entre os dois pilotos da equipe inglesa.

Rubens Barrichello, de qualquer forma, pode ser considerado o protagonista de um das maiores viradas da história do esporte brasileiro, mesmo que não seja campeão. Basta lembrar que, no começo do ano, estava desempregado. Agora, trouxe alguma emoção para um campeonato que parecia definido.

Erros são erros
24/08

Futebol é um esporte conduzido, pasmem, por seres humanos. E pessoas em geral, muitas vezes, são passíveis de erros. Quantas vezes um jogador errou um passe, um drible, uma finalização diante do gol aberto? E em quantas ocasiões o goleiro sofreu um gol escandaloso, o zagueiro ficou derrubado no gramado, um lateral passou a partida errando todos os cruzamentos? O que dizer então de técnicos e dirigentes?

Há um consenso futebolístico que diz que apenas acontecem gols quando alguém falha. È uma teoria simplória, mas que reflete bem uma característica intrínseca do esporte. Porque, então, todos estes erros são logo esquecidos, mas um árbitro é visto como uma desejosa máquina infalível, que quando erra trata-se de malícia?

Este é o caso de Arílson Bispo da Anunciação, responsável pela intermediação de Corinthians 3x3 Botafogo, no último domingo no Pacaembú. Após a repercussão dos lances polêmicos, foi suspenso por tempo indeterminado. Arílson certamente não subiu ao gramado projetando quantos erros cometeria, embora muitas vezes  casos similares tenham ocorrido com outros apitadores.

Árbitros erram. E com muita freqüência. Outros erros são discutíveis, afinal hoje a maioria dos lances é tratada com viés interpretativo. Ou seja, a não ser que seja algo escandaloso, há sempre como justificar como uma questão de ponto de vista momentâneo do árbitro, que tem apenas um segundo e dois olhos para decidir os lances, e não vinte câmeras e trezentos replays para apitar.

O ponto principal, neste caso, é que o árbitro tornou-se a "síndrome do pânico" do futebol. Todo torcedor, todo jogador, todo técnico, todo dirigente, acredita cegamente que está sendo prejudicado intencionalmente. Talvez alguns não vejam isso dessa forma, mas é um belo discurso para amenizar as cobranças e atribuir as responsabilidades para um elemento fora do clube.

Os erros vão continuar existindo, não importa qual rumo o esporte tome. Mesmo que a arbitragem seja profissionalizada, mesmo que sejam utilizados meios eletrônicos, haverá sempre um replay que terá um ângulo e mostrará algo que ninguém conseguiu ver. Portanto, não perca tempo culpando o árbitro. Culpe o atacante, o goleiro, o zagueiro. Se eles não errassem tanto, seu time venceria muito mais.

A bola volta
17/08

Agosto chegou, e com o oitavo mês do ano teve início a temporada européia 2009/10. As grandes contratações deste período de transferências já ocorreram, e apenas ajustes devem acontecer nos elencos dos principais clubes do Velho Mundo.

Certamente, todas as atenções estarão destinadas à dupla Barcelona-Real Madrid, que relizaram as maiores contratações do ano. Não apenas pelos nomes, mas pelo impacto comecial e mercadológico que suas ações causarão nesta temporada.

As chegadas de Kaká, Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic servem não somente para reforçar seus clubes, mas para elevar novamente o Campeonato Espanhol à condição de vedete do continente. Com a saída de Cristiano Ronaldo, a Premier League perdeu seu maior chamariz de marketing, enquanto a Série A perdeu seus dois grandes craques.

O impacto será óbvio também nas transmissões televisivas. Ninguém deixará de acompanhar o clube do coração, mas as atenções da mídia e dos torcedores estarão todas voltadas para Real Madrid e Barcelona. É uma curiosidade natural imaginar como serão os duelos de Cristiano Ronaldo e Kaká contra Lionel Messi e Ibrahimovic.

Esportivamente, é lamentável o enfraquecimento claro de equipes que poderiam engrossar a lsta de favoritos nos campeonatos nacionais e na Liga dos Campeões. Para suprir essa lacuna, apenas duelos épicos entre os rivais espanhóis serão suficientes. Essa é a esperança de todos aqueles que acompanham futebol.

Hora do show
03/08

A notícia de que Michael Schumacher seria o substituto de Felipe Massa arrebatou o universo da Fórmula-1. Não poderia ser diferente, afinal trata-se de um breve retorno do maior campeão da categoria em todos os tempos e detendor da grande maioria dos recordes positivos.

O acidente de Felipe Massa na Hungria foi trágico mas, para todas as partes envolvidas, trará resultados mais do que satisfatórios. Ninguém há de comemorar o episódio com felicidade, e sim explorar da melhor forma possível uma possibilidade única esportiva, comercial e de marketing.

A FIA certamente ficou feliz com a indicação de Michael Schumacher. O retorno de uma lenda como o alemão é a certeza de grande audiência televisiva e um bom retorno em venda de ingressos, ao contrário do que ocorrera na Hungria, por exemplo. Além disso, sua participação, mesmo que apenas em um único GP, atrairá holofotes para um campeonato sem grandes atrativos.

A Ferrari, certamente, tem motivos mais do que óbvios para comemorar. Em uma temporada de resultados medíocres e com um projeto apenas competitivo de segundo escalão, a Ferrari terá um piloto experiente que poderá fazer avaliações precisas sobre o carro e fornecer informações preciosas para o desenvolvimento do novo modelo.

Para Schumacher, será uma possibilidade sem grandes riscos. Qualquer fracasso será reduzido pelo tempo que está fora das pistas, por sua forma física natural de um atleta de 40 anos, pelo pouco tempo de prática com o carro e, principalmente, pelo fato da Ferrari não ser a protagonista da temporada.

No entanto, todos os espectadores e amantes da Fórmula-1 estão ansiosos para rever o heptacampeão novamente à bordo de uma Ferrari. Se nada acontecer, mesmo assim será o momento mais marcante da temporada. Se Schumacher conseguir um resultado positivo, será mais um motivo para o alemão ganhar contornos além de sobrenaturais.

Supremacia?
20/07

Há um mal-comum ao brasileiro, sobretudo ao torcedor: a soberba. Não raro, há sempre o discurso envolvendo a superioridade do futebol brasileiro, sua técnica insuperável e até mesmo seu campeonato. Não há nada melhor no mundo, segundo os torcedores.

Obviamente, muitos fatos são ignorados para quem segue esta linha de pensamento. Porém, nada é mais flagrante do que o histórico de clubes brasileiros na Libertadiores qundo confrontados com os argentinos. Nas suas 50 edições, a Libertadores viu um clube argentino sagrar-se campeão em 22 oportunidades, contra apenas 13 dos brasileiros. Por mais que sejam frios, os números são absolutos.

Com base nestes números e histórico, virou lugar comum citar uma "mística argentina" na Libertadores, sobretudo nas finais que envolveram clubes dos dois países. O Velez superou o São Paulo em 1994, e tinha uma quipe tão bem qualificada que superou o Milan em Tóquio, e seu arqueiro era Chilavert em excelente forma. Depois disso, o Boca Juniors dançou sobre Palmeiras, Santos duas vezes e Grêmio. Neste caso, era uma equipe superior tecnicamente que tinha Riquelme como um maestro ainda inconestável e um grupo temido.

Além disso, tivemos São Caetano e Fluminense derrotados em finais, diante de Olimpia e LDU. Neste caso, qual a explicação sobrenatural? Só há uma: o São Caetano jamais foi um clube real, e hoje luta para não descer à terceira divisão. Já o Fluminense não é um clube sério e desde o ano passado luta para não cair para a Segunda Divisão. Foram momentos simplesmente atípicos, vividos também por Atlético Paranaense

Por fim, chegamos à 2009. Ainda antes da decisão, o Cruzeiro era dado como favorito e virtual campeão. A soberba, velha conhecida, ganhou ainda mais força após o empate sem gols na Argentina, apesar do Estudiantes não ter vencido por um placar tranquilo apenas por uma série de defesas do goleiro cruzeirense Fábio. Na partida de volta, o Estudiantes venceu por 2x1 e conquistou a Libertadores pela quarta vez em sua história. E, ao analisar friamente a partida, os fatos anulam qualquer teoria mística ou astral.

Primeiramente, a equipe do Cruzeiro não estava preparada psicologicamente para uma final de Libertadores. O nervosismo exacerbado de seus jogadores ficou evidente, e não houve nenhum preparo para as tradicionais provocações argentinas. Em segundo lugar, não havia superioridade técnica do elenco do Cruzeiro; o Estudiantes comprovou isso ao ter muito mais chances de gol nos dois confrontos. E, para finalizar, dar liberdade para Verón é fatal. Por mais que o meio-campist esteja longe de seu auge, ainda assim é muito competente e tem excelente passe e visão de jogo. Com a liberdade proporcionada por uma marcação inócua, Verón deu origem ao primeiro gol argentino no Mineirão e arrefeceu os ânimos cruzeirenses.

Creditar estas derrotas apenas a um fator sobrenatural apenas reforça a tese da soberba, um vez que, segundo esta teoria, os clubes brasileiros jamais perdem por serem inferiores, por méritos de quem está do outro lado ou simplesmente por não terem até hoje aprendido a cultura de seu adversário, acostumada a utilizar a "catimba" como parte de seu jogo.

Para que a vitória tenha um paramêtro real, é preciso aprender a lidar com a derrota e com o fato de que não há DNA destinado apenas à títulos e sucesso. Usar chavões como "mítica", "amarelismo" ou "pedigree" é a maneira mais fácil de não dizer nada fundamentado e isentar-se de qualquer análise clara e objetiva. É o papo de bar levado às últimas consequências.

Cenário nada definido
13/07

Em Nurbruging, a temporada 2009 da Fórmula-1 ultrapassou a metade das provas de seu calendário e exibiu um cenário de completa indefinição sobre qual piloto e qual equipe irá encerrar o ano como grande campeão.

Após um início devastador da Brawn e Button, agora tudo favorece à Red Bull. Entender isso é muito simples: ao ver que seu carro de 2008 era uma desgraça sem precedentes, a Honda começou a desenvolver seu carro pra este ano. Quando a Honda decidiu abandonar a categoria, Ross Brawn herdou um carro desenvolvido durante oito meses com enormes recursos dos japoneses.

O que estava bom ficou ainda melhor justamente com a retirada da Honda. Com isso, a Brawn recebeu os motores da Mercedez-Benz, comprovamente os melhores da atualidade. O conjunto carro-motor foi ainda melhor conjurado com a reluzante fase de Jenson Button nas primeiras sete corridas da temporada.

Porém, não há como melhorar o projeto de forma significativa. A sensação nítida é de que o carro da Brawn nasceu já próximo de seu auge, onde apenas pequenos acertos podem ser realizados, mas sem grande impacto, até porque a equipe não tem mais os infindáveis recursos da Honda. De um forma geral, a equipe tem em seu cofrinho o valor necessário pra completar a temporada.

Até por isso, não é difícil entender o porque de, em Nurbugring, a equipe ter realizado uma troca de posições entre seus dois piltos no momento do último pit-stop. Com o enorne crescimento da Red Bull, a certeza universal de que o campeonato estava decidido desapareceu. Agora, a Brawn precisa de todos os pontos possíveis para que Button possa ser o campeão e, com isso, atrair potenciais patrocinadores e investidores para 2010. Sem o título, a Brawn terá enormes dificuldades para manter-se na próxima temporada.

Enquanto isso, Rubens Barrichello reclama abertamente e chegou a mencionar que havia sido roubado. Um claro indício de que, desde já, o brasileiro sabe que não estará na equipe ano que vem, e por isso não importa-se com a sobrevivência da Brawn. E, diante das reações de dirigentes, pilotos e até mesmo do piloto reserva da Brawn, não estará em equipe nenhuma com suas cada vez mais frequentes demonstrações de falta de profissionalismo.

Enquanto isso, a Red Bull passa a dominar a temporada com o excelente desenvolvimento de Adrian Newey e o bom momento vivido por sua dupla de pilotos. Como a equipe não tem problemas de receita, a previsão é de um carro cada vez mais veloz até o final da temporada. Resta saber como desenvolverá-se a disputa interna entre Vettel e Webber.

Os demais, atualmente, são meros coadjuvantes. Mas a ascenção da Red Bull deixa claro que ninguém deve ser descartado, e até a matemática declarar os campeões, não deve haver celebração nem certeza absoluta. Felipe Massa que o diga.

Conclusões
29/06

A conquista do Brasil na Copa das Confederações, após a suada vitória sobre os Estados Unidos de virada, proporcionou muitas conclusões sobre o futuro da equipe comandada por Dunga.

A Copa das Confederações, como sabe-se, tem como único valor a experimentação das equipes e do país um ano antes da Copa do Mundo. A Espanha e sua eliminação precoce serve como claro exemplo de um momento de experiência e aprendizado, sem nenhuma consequência esportiva. Para reforçar, basta a memória do Brasil campeão em 2005 e o desastre em 2006.

Voltando ao presente, a equipe comandada por Dunga reforçou sua imagem de um grupo com alguma impressão de união, onde os egos individuais, salvo um excessão que abordaremos depois, não superam o coletivo. Também ficou óbvia a momentânea fragilidade defensiva do esquema de Dunga: Lúcio e Juan são excelentes zagueiros, mas Gilberto Silva e Felipe Melo não proporcionam a proteção que dois volantes deveriam fornecer. Os três gols sofridos diante do Egito e os dois frente aos Estados Unidos mostraram isso. Não se trata de uma fraqueza, mas de uma instabilidade. O buraco defensivo na ala esquerda certamente colaborou.

Este mês de competição serviu também para Felipe Melo e Ramires garantirem sua vaga no grupo que irá à Copa. Sobretudo Ramires, que ocupou o lugar de um inócuo Elano. Por outro lado, Kléber e André Santos parecem apenas ter fortalecido a opinião de que não seria nenhum absurdo ter Daniel Alves improvisado na esquerda, tamanha a falta de talento de ambos para ocupar uma vaga de titular. Até mesmo Dunga pareceu convencido disso ao, por duas vezes seguidas, ter sacado André Santos e colocado Daniel Alves na lateral canhota.

No restante, salvo algum jogador que surja subitamente, não deverão ocorrer mudanças na equipe de Dunga. Os fantasmas de Adriano, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho assombram pelo poder de mídia e a pressão que haverá se um dos três viver um bom momento de forma antes da Copa, mas ainda é cedo para especular sobre isso. Trata-se de uma possibilidade, claramente.

Quem deveria preocupar-se com isso seria Robinho, o único que claramente coloca seu ego à frente do espírito de grupo. Deveria, porque seu futebol não condiz com sua fama ou com a posição que ocupa, mas é intocável, mesmo com atuações obscuras segue titular e é sequer substituido durante a partida. Além disso, é venerado pela emissora oficial, e essa manipulação de opinião é feroz e eficiente.

Há um ano da Copa, há muito para acontecer, mas pouco deve ser alterado no cenário da Seleção Brasileira. O título traz esta confiança e evita um cenário de desespero e insegurança que é comum a Seleção após fracassos, mas ao mesmo tempo não fez do Brasil a equipe imbatível que muitos diziam ser após o título de 2005. Desta vez, não há "quadrado mágico". Sorte do Brasil.

Diferenciado?
22/06

Após quatro anos, Muricy foi demitido do São Paulo após mais uma eliminação diante de um clube brasileiro na Libertadores. Mesmo os três títulos brasileiros consecutivos não foram suficientes para assegurar a permanência de Muricy, que foi imediatamente substituído por Ricardo Gomes, que trabalhou os últimos anos na França, comandando Bordeux e Monaco.

O trabalho de Muricy no São Paulo foi semelhante em todos os anos, qundo o clube enfrentou dificuldades durante o primeiro semestre e acertou-se no segundo, disparando rumo ao título Brasileiro. Em 2008, vieram os primeiros sinais de que o trabalho estava chegando ao seu limite, quando o resultado demorou ainda mais para aparecer, e o São Paulo chegou à liderança do campeonato em suas rodadas finais.

Para 2009, o elenco não sofreu nenhuma perda e ainda foi capaz de adicionar nomes teoricamente interessantes, mas que não renderam nada sob o comando de Muricy. Washington, um goleador confiável em todos os clubes que passou, tornou-se um fardo. Arouca, considerado um promissor meio-campista, acostumou-se com o banco de reservas. Até mesmo os pontos altos do time, como Rogério Ceni, Jorge Wagner e Hernanes perderam o brilho.

A contratação de Marlos, do Coritiba, foi a última tentativa de Muricy para revertar o quadro de palidez de sua equipe. Não houve tempo para que o meia pudesse mostrar que seu futebol poderia alterar a falta de fluidez e o excesso de previsibilidade do São Paulo.

Faltou a Muricy algo no trato motivacional com seus jogadores, bem como um melhor aproveitamento dos jogadores da base neste processo. A rotatividade, desde que não seja excessiva, motiva o jogador a atuar da melhor maneira para que um jovem, sendento por oportunidades, não ocupe seu lugar. A acomodação acabou criando conflitos entre os atacantes, reclamações públicas e deu mais um sinal que o espírito de grupo havia acabado.

Muricy deixou sua marca no São Paulo pelos três títulos Barsileiros e a consolidação de uma base de trabalho sólida, mas com resultados lentos. O futebol brasileiro, como se sabe, não costuma tolerar, nem perdoar, algo que ande em passes curtos. O mata-mata, idolatrado por muitos e considerado o ápice do nosso futebol, matou Muricy.

Nem termometro, nem prévia
15/06

A Copa das Confederações é, certamente, um dos maiores engodos de todo calendário futebolístico. Provavelmente, sua única utilidade realmente interessante é analisar o desempenho do Comitê Organizador em relação ao Mundial no ano seguinte. Ponto final.

O restante resume-se a um torneio de inter-termporda entediante, cuja única esperança é uma final ou uma semifinal entre seleções de grande porte que possa ser convertido em um amistoso de luxo de bom valor técnico.

Para confirmar esta tese, basta analisar o resultado da última edição do torneio, em 2005. O Brasil foi campeão com uma goleada sobre a Argentina em uma fase única de Adriano, em um torneio que a Alemanha pouco pôde produzir diante dos seus rivais. Um ano depois, Adriano estava arrastando-se acima do peso, o Brsil era uma equipe desastrada e a Alemanha seguiu forte até às semifinais do torneio.

Além disso, o nível técnico da Copa das Confederações é baixo, visto que apenas três participantes são tradicionais e outros cinco são medíocres. Com isso, a participação do público é restrita à fase final, quando os grandes se enfrentam e criam o já citado "amistoso de luxo".

Como um todo, a Copa das Confederações faz bocejar. Nenhuma novidade quando pensamos que a FIFA é sua organizadora.

Lugar comum
08/06

O que não era mais novidade confirmou-se: Carlo Ancelotti teve seu contrato com o Milan encerrado um ano antes de seu término, sendo substituído por Leonardo, que há anos trabalha ns bastidores do clube.

Após sete anos de Carlo Ancelotti no comando, o Milan esteve três vezes na final da Liga dos Campeões, tendo a conquistado em duas oportunidades. Na Série A, no entando, o clube foi apenas uma vez campeão, e ainda amargou uma temporada fora da Liga dos Campeões e tantas outras longe de sonhar com o título de forma concreta.

Além disso, Ancelotti falhou naquele que deveria ser seu grande trabalho no Milan: a renovação de elenco. Talvez o maior exemplo tenha sido a contratação do francês Gourcuff. O meia passou uma temporada no Milan e teve poucas chances, e não raramente atuou longe de sua posição ideal. Foi para o Bordeux, tornou-se campeão e foi eleito o melhor jogador da Ligue 1.

A indicação de Leonardo é uma escolha pessoal de Silvio Berlusconi. Nomes como Van Basten foram ventilados, mas nada que pudesse entusiasmar os torcedores, dados os fracassos do holandês na Holanda e no Ajax. Aleggri, técnico do Cagliari, também foi cotado, mas Berlusconi já havia tomado sua decisão.

Desde já, a desconfiança é natural, afinal Leonardo não tem qualquer experiência como técnico de futebol. Porém, há um série de fatores favoráves sobre sua nova função. Obviamente, Leonardo sabe como funciona o clube e não teria qualquer problema de adaptação. Além disso, sempre teve forte influência nas contratações do clube, como Kaká, Alexandre Pato e Thiago Silva.

O futuro desta nova função de Leonardo é certamente uma incógnita, pois depende também de uma maior ação do clube na reformulação de seu elenco. Outro fator que aumenta a desconfiança é óbvio: vender Kaká é um erro que refletirá por anos. É impossível substituir um jogador deste nível, e mesmo que seja formado um grande time, perde-se o diferencial, o jogador capaz de resolver jogos improváveis.

Por mais que Leonardo seja uma figura identificada com o clube, não se trata de um ídolo incontestável da torcida. Diante disso, a pressão por resultados imediatos pode ser maior. Sem Kaká, isso ficará ainda mais difícil. Leonardo, certamente, terá mais desafios do que gostaria.

Lingua solta, pé preso
25/05

Rubens Barrichello, sabe-se, é o segundo piloto da Brawn GP, escuderia que lidera o Mundial de Equipes e tem Jenson Button, seu piloto principal, como líder absoluto do campeonato e vencedor de cinco das seis etapas até o momento realizadas.

Neste final de semana, Rubinho foi o segundo colocado no GP de Monco, vencido por Jenson Button com sobras. Após o GP da Espanha, em Jerez, Rubinho deu declarações fortes de que não aceitaria favorecimentos ao seu companheiro e que manteria seu estilo "faca nos dentes".

Até o momento, este dito estilo agressivo não deu nenhum resultado maior do que um segundo lugar. Nas seis corridas disputadas, Rubens largou apenas uma vez à frente de seu companheiro, e terminou todas trás de Button. Enquanto isso, segue abusando em suas entrevistas, nas quais culpou até mesmo o fato de ter ficado muito tempo atrás de Button como fator para não vencer, já que guiar atrás do inglês teria desgastado mais seus pneus.

Obviamente, Rubens tem seus méritos na Brawn, ou não teria sido o escolhido para a vaga na escuderia. Porém, perde-se em reclamações em um momento em que deveria celebrar a última oportunidade de obter algum brilho em sua carreira.

Quando descobriu-se sentado em um carro competitivo, Rubens imediatamente fixou sua ira em quem o dava fora da Fórmula-1. Ele mesmo deve ter esquecido, seja por conveniência, que a equipe realizou testes com Button, Bruno Senna e Lucas di Grassi. Ninguém poderia esperar pela reviravolta no caso Honda-Brawn, e era óbvio e lógico apontar a saída de Rubinho.

Até mesmo o emprego de Button era colocado em dúvida. E aqui está o abismo que separa os dois companheiros da Brawn. Button não veio à mídia disparar discursos em alto-defesa quando passou a vencer corridas, nem vangloriou-se atacando quem o havia declarado como desempregado. Button vence corridas, celebra e aproveita este momento único de sua carreira. Sabe-se, claramente, que Button não é um gênio do volante, mas pilota sem exercer pressão demasiada em si mesmo e sem ter o peso de promessas infundadas em suas costas. Rubens, porém, carrega em seu cockpit um peso enorme: o da amargura.

Planejanada
18/05

Há alguns anos, a palvra de ordem do futebol moderno é planejamento. Para todo título conquistado ou a falta de sucesso, o planejamento de cada caso é festejdo ou amaldiçoado. No Brasil, esta moda ganhou contornos mais firmes nos últimos anos, com a afirmação de São Paulo e Interncional como as maiores potências do país.

Na Inglaterra, este tipo de assunto é mais delicado. A Premier League revolucionou o Universo futebolístico de uma forma que as outras ligas européias ainda não conseguiram chegar nem próximas de copiar o feito dos ingleses. Por mais que as posições superiores da tabela sejam de ocupação permantente do quarteto Manchester United, Chelsea, Arsenal e Liverpool, há um grande equilíbrio entre os demais participantes que não raramente endurecem a vida dos quatro já citados.

Porém, é justamente este o problema que gostaria de abordar. A exceção dos quatro principais clubes do país, nenhum outro clube que surge como uma possível potência consegue manter-se no mesmo ritmo dos demais. Recentemente, clubes como Everton, Aston Villa e Manchester City ocuparam posições de destaque na tabela, mas não conseguem suportar o mesmo rirmo dos rivais. Existem exemplos ainda piores, como Tottenham, Newcastle e Leeds, que possuem ou possuíram orçamentos altíssimos e hoje vêem a ascenção do pequenino Fulham na tabela da Premier League.

O Leeds, que amarga na terceira divisão, falhou em sua tentativa de promoção e seguirá por mais um temporada muito longe do sucesso. O caso do Leeds é o mais famoso, até pelo fato do clube ter estado perto de conquistar uma Liga dos Campeões, mas não chega a ser absurda a comparação com o Newcastle. Contratações envolvendo cifras astronômicas, salários que beiram a insanidade, jogadores que não correspondem aos valores investidos, situação obscura em seus bastidores. Assim começou a derrocada do Leeds, e este é o caminho que o Newcastle segue rumo à despromoção e, que longe, parece próximo do Tottenham.

Certamente, todos gostariam de ouvir as experiências do Everton. Com um orçamento muito mais limitado, David Moyes mantêm seu clube por mais uma temporada entre os classificados para as competições européias, sem sustos. Aos demais, resta repensar no falado planejamento. Gastar milhões em jogadores medianos como Robbie Keane, Jermaine Defoe, Michael Owen, Oba-Oba Martins e etc certamente não fará nenhum clube desbancar o top 4 da Premier League. No máximo, fará amargar algumas temporadas no inferno da Terceirona. Perguntem ao Leeds.

Passando para trás
11/05

Há quase um mês atrás, Adriano anunciou que estava deixando o futebol para buscar a felicidade que havia perdido na Itália e que recuperaria apenas com o convício de seus amigos e familiares de sua comunidade no Rio de Janeiro.

Agora, com menos de trinta dias passados, Adriano já havia anunciado seu retorno ao Flamengo. Com a ajuda de um patrocinador ainda não revelado, o clube carioca pagará os altos salários de Adriano e terá o atacante em seu elenco para o Brasileiro e etc.

Na ocasião de seu anuncio, este colunista declarou seu apoio à iniciativa de Adriano, afinal, nada mais desalentador do que um jogador atuando sem vontade em seu clube. Agora, nada daquilo vale mais. Adriano fez valer a fama brasileira do "jeitinho", forçando sua saída da Inter antes do término de seu contrato para retornar ao Brasil.

Uma atitude que comprova o receio dos clubes europeus em contratar brasileiros, cujo histórico de transações forçadas e realizadas de má vontade cada vez mais atesta a péssima noção de profissionalismo de nossos compatriotas.

Quando o brasileiro deixa o país para a Europa, é taxado como mercenário, sem amor à camisa, etc... Quando ocorre o movimento inverso, há enorme festejos pela tendência de jogadores de voltar ao país para revitalizar a carreira. No fundo, é a mesma coisa: falta de ética e profissionalismo.

15 anos
04/05

Em minhas memórias infantis, não há nenhuma recordação de como haveria iniciado minha fixação por carros e Fórmula-1. Era uma época, e perdoe-me não saber precisar exatamente quando, onde qualquer mínimo pedaço de papel deveria ser colecionado caso tivesse uma foto automobilística.

Neste mesmo período de minha infância, surge minha primeira lembrança envolvendo Fórmula-1. Da televisão ouvi algo que tratava da última corrida do ano, e perguntei à minha irmã se aquela era a última corrida de todos os tempos. Desespero comum infantil, finalizado ao saber que começaria tudo novamente no próximo ano.

Para uma criança que acompanhava corridas no final dos anos 80 e início dos 90, era comum que as atenções estivessem voltadas para Ayrton Senna e as disputas emocionantes com Alain Prost, Nigel Mansell, Nelson Piquet... As vitórias de Senna no Brasil em 91, Monaco em 92 e Donnington e Brasil em 93 são imagens mais claras, lembranças orgulhosas de dias marcantes na história do esporte.

Em 1994, o mês de maio começou de forma preocupante. Enquanto o austríaco Roland Ratzenberger falecia em um acidente nos treinos de sábado, eu estava internado no Hospital das Clínicas, aguardando uma cirurgia de apendicite emergencial. Aos 10 anos, eu não tinha a real noção do significado disso. A realidade bateu à porta no dia seguinte.

A cirurgia ocorreu sem dificuldades no início da madrugada do dia primeiro, um domingo. Poucas horas depois, estava acordado acompanhando o Grande Prêmio de Imola pelo rádio, ainda um tanto desnorteado pela anestesia geral. O acidente fatal de Ayrton não demorou a ocorrer, assim como a certeza de muitos de que ele não teria escapado com vida.

No horário de visita, os parentes não sabiam como lidar com aquela informação, e formulavam uma maneira de contar-me, sem imaginar que não seria mais surpresa. Tudo que havia era um enorme sentimento de tristeza, decepção com a vida, falta de esperança. Claro, a morte de Ayrton Senna foi um enorme choque não apenas para mim, mas para todo o país e todos amantes do automobilismo, mas apenas quinze anos depois eu entendo o que realmente havia nesses sentimentos e suas consequências.

Ayrton havia tornado-se mais do que um ídolo. Era uma figura paterna que preenchia um espaço abandonado. Os pôsteres na parede do quarto, as corridas e entrevistas gravadas em vídeo, as fotos e matérias recortadas eram um claro exemplo que nunca foi percebido. Por muito tempo, de várias maneiras, esse culto manteve-se fiel e feliz.

Porém, tudo mudou naquele primeiro de maio. Enquanto a morte de Ayrton o transformou em um fenômeno trans-geracional, o choque causou em mim uma reação contrária. Lentamente abandonei o universo automotivo, deixando de lado a enorme coleção de revistas, carrinhos, vídeos. Para mim, não havia razão em Ayrton ter perdido sua vida e eu ter escapado da morte. Era uma injustiça tamanha que imediatamente bloqueou tudo aquilo que havia antes.

O futebol foi o substituto encontrado como hobby. Até então, nem mesmo partidas da Copa do Mundo eram suficientes para atrair minha atenção. O jogo foi ganhando importância, assim como cresceu minha certeza em fazer disso uma profissão, construir o futuro. Tornar-me um jornalista futebolístico passou a ser a única opção profissional viável.

Quinze anos depois, minha indignação com o esquecimento da data fez com que eu começasse essa reflexão. Ayrton jamais deixou de ser a figura paterna, o ídolo que minha infância teve. Antes de chegar às conclusões deste texto, emocionei-me revendo as imagens de sua vitória no Brasil em 1991, ouvindo seus gritos dentro do carro, em um dos raros momentos em que houve uma rápida homenagem na televisão. Agora, consegui finalmente juntar os pontos destes anos em que tudo pareceu desprendido, fora de sintonia com minha infância e lembranças.

O sentimento de injustiça não existe mais. A saudade e as memórias, mesmo que confusas em minha parcela infantil, encarregaram-se de apagar a raiva que existia com a balança do mundo. Ayrton deixou para muitos exemplos de caráter que hoje sigo e segui por muito tempo inconscientemente, e isso é um legado muito maior do que suas vitórias e poles-positions.

Defesa em linha
27/04

O futebol é recheado de artimanhas, truques, jogadas ensaiadas. Jogadores que atiram-se, enroscar braço no adversário para parecer que está sendo puxado, etc. A idéia de ludibriar a arbitragem é antiga, e muitas vezes uma boa encenação traz os resultados esperados.

Porém, uma das estratégias mais grotescas já criada é a famosa linha de impedimento. Está certo, muitas vezes funciona. Mas acaba funcionando mais pela covardia dos assistentes, cujo reflexo é feroz em levantar a bandeira sempre que surge um atacante livre.

O problema é que sempre há um zagueiro desatento que deixa o atacante em condições, ou um jogador habilidoso que sabe a hora exata de lançar seu companheiro que corre entre os defensores inertes levantando o braço

Porque não simplesmente recuar a linha defensiva nos momentos necessários? Uma cena emblemática sempre ocorre em uma bola parada na lateral. Prevendo o cruzamento na área, os defensores posicionam-se em linha na entrada da grande área. Então, quando os atacantes correm para cabecear, há uma enorme confusão entre os zagueiros, que começam a correr desodernadamente e longe dos atacantes que deveriam estar marcados.

A linha de impedimento funciona apenas com atacantes ou passadores dispersos, sem atenção. Mesmo jogadores não necessariamente velozes, como Filippo Inzaghi, exploram a defesa em linha à exaustão. Para alguém veloz como Samuel Eto'o ou para um criador versátil como Messi, a tarefa é ainda mais simples.

A defesa em linha funcionaria apenas em um Universo perfeito, onde os auxiliares não erram, os zagueiros estão sempre bem posicionados e atentos e os atacantes e meias são burros e lentos. Sendo assim, nunca haveria um gol, nem contra e nem a favor. Deve ser o sonho de muito técnico por ai...

O tal do Regional
20/04

Há alguns bons anos, os campeonatos estaduais são contestados pelo inchaço que causam no calendário nacional. Os clubes mal finalizam suas participações no Brasileiro e já estão representando-se para o início do Estadual. Logo depois, tem início a Libertadores e a Copa do Brasil, competições cuja importância não pode ser comparada aos duelos regionais.

Então, quando a temporada tem seu início, o discurso dos clubes que disputam duas competições simultâneas é o mesmo, de priorizar a Libertadores ou a Copa do Brasil. Porém, os clubes parecem esquecer o que realmente importa em questão de dois meses.

No Paulista, o São Paulo escalou os reservar em uma partida, e perdeu. A estratégia foi abandonada e o clube passou a usar o mesmos atletas que desgastam-se com as viagens da Libertadores, cujo regulamento privilegia quem faz mais pontos na fase de grupos. Pensando no confronto com o Corinthians, o São Paulo preferiu utilizar reservas na Libertadores, perder o jogo e ter um confronto mais difícil nas Oitavas, e certamente menos favorável em uma fase seguinte, quando terá que decidir fora de casa.

Outro exemplo é o Botafogo. Acabou eliminado da Copa do Brasil ainda na segunda fase pelo nanico Americano, e a torcida apoiou o elenco pensando na decisão diante do Flamengo pelo carioca. Vale lembrar que, no ano passado, o Botafogo caiu diante do Corinthians e o técnico foi demitido. Qual é a lógica? Por cair diante de um time grande, demissão; cair diante de um time de bairro, apoio incondicional.

No Sport, ocorreu o mesmo. Antes do primeiro confronto com o Palmeiras, o zagueiro Durval preferiu atuar pelo estadual ainda sem condições físicas ao retornar de lesão do que preservar-se para o duelo pela Libertadores. E o Palmeiras atropelou o Sport com uma defesa irreconhecível.

Em termos gerais, é difícil compreender o que passa na cabeça dos envolvidos em futebol. É algo como os clubes que não tem ambição no Brasileiro e dizem que vão lutar por vaga na Sul-Americana, e quando a competição chega, escala-se os reservas. Em resumo, pode-se dizer que o discurso interno mais sincero deveria ser "o que fizemos ano passado não importa, vamos lutar esse ano por vagas que não nos interessaremos no ano que vem".

Enquanto isso, o torcedor segue iludido como sempre e feliz. Basta um título, por mais sem valor que seja, para "salvar o ano". Não importa o rebaixamento no Brasileiro, fomos campeões estaduais. O que vale é a foto na parede com o mascote da federação local segurando a taça.

Melhor Assim
13/04

Na última semana, Adriano movimentou os noticiários esportivos e especulativos. Após a partida da Seleção Brasileira, Adriano simplesmente desapareceu e não reapresentou-se ao seu clube, a Internazionale.

Neste momento, surgiram as especulações. Envolvimento com drogas, álcool, até mesmo a morte de Adriano foi ventilada na impresa. Depois de três dias refletindo na favela em que cresceu no Rio de Janeiro, Adriano convocou uma entrevista coletiva e declarou que, no momento, não jogará mais futebol.

Seus motivos são justos: falta de motivação, infelicidade, tristeza longe de sua família e amigos. Apesar de qualquer pessoa considerar absurda uma "semi-aposentadoria" apenas aos 27 anos de um profissional com um contrato milionário vigente, Adriano tomou a decisão correta diante dos seus motivo declarados.

Certamente, há uma infinidade de pessoas que gostariam de fazer o mesmo, abandonando seus empregos e aproveitar o tempo livre para realizar as atividades que causam prazer e contentamento. Neste caso, Adriano acaba recebendo críticas por uma inveja inconsciente. A questão é que Adriano, caso tenha tido um visão aproveitável de sua carreira, tem reservas financeiras para o resto de sua vida com sobras. O trabalhador comum, infelizmente, não tem esta mesma sorte.

Analisando friamente as declarações, Adriano tomou a atitude correta. Sem motivação para continuar a praticar o esporte no momento, o clube faz um acordo simples com o atleta visando o lucro que terá ao não pagar mais os salários de Adriano no ano restante de seu contrato. Assim, Adriano consegue sua liberdade sem grandes empecilhos, já que seu valor de mercado despencou e os interessados, clubes pequenos como o West Ham, não teriam condições de pagar ao clube e para Adriano os valores por eles desejados caso ele tivesse algum interesse.

Como o "ex-Imperador" irá conduzir sua vida pessoal a partir deste momento, obviamente é um questão que deve interessar somente a ele. Porém, seria bom para o futebol que outros atletas que arrastam-se em campo apenas com o nome na camisa seguissem o mesmo exemplo. Desta forma, haveria espaço par novos jogadores com vontade e determinação para construir uma carreira. Pura utopia, no entanto.

Sorte
30/03

O Brasil, neste final de semana, enfrentou o Equador e empatou em 1x1. O resultado acabou sendo injusto perante o amplo domínio dos equatorianos, mas as defesas de Julio Cesar e a nítida falta de qualidade para finalizar dos avantes do Equador propiciaram o empate em Quito.

Fica cada vez mais clara a confusão mental de Dunga para escalar a Seleção. Além das bizarras presenças de Gilberto Silva e Josué, a insistência em Ronaldinho Gaúcho é incompreensível. Enquanto o meia é reserva do Milan e está mais preocupado com seu cabelo, Pato vive fase muito boa no Milan e não é aproveitado.

Felipe Melo é esforçado, mas certamente não é melhor que Ramires ou Hernanes. Kléber é convocado longe de seu melhor momento, enquanto Fábio Aurélio é ignorado enquanto vive sua melhor fase em Liverpool.

Robinho parece seguir o mesmo caminho de Ronaldinho Gaúcho. Criticado no Manchester City, o atacante está mais preocupado com suas festas do que com futebol. Como disse Pelé, usando drogas fica difícil.

Asim, a Seleção vai aos trancos e barrancos para a Copa. Vai vencer o Peru em Porto Alegre no sufoco e o futebol apresentado em Quito será esquecido. Com a Seleção é sempre assim.

Sobe, Desce
23/03

Há algumas semanas atrás, a discussão sobre uma quintupla coroa do Manchester United era comum e essa afirmação poderia ser feita sem muitas dúvidas. Agora, ninguém se espantaria se o Liverpool espertamente roubar a Premier League e a Liga dos Campeões dos Red Devils.

O United parece viver uma crise técnica. Vidic, que mantinha uma forma impressionante, fez uma partida bizarra contra o Liverpool e foi expulso. Cristiano Ronaldo está longe de ser o jogador que foi eleito melhor do mundo. E o grupo, que parecia estar em grande forma, não faz boas partidas há algum tempo.

Na contra-mão, vem o Liverpool. Mesmo sem ter um time recheado de craques, o clube parece beneficiar-se de ter Steven Gerrard como um dos melhores jogadores do Mundo na atualidade. Suas recentes atuações compensam as limitações dos companheiros, que parecem ficar melhores ao lado de Gerrard ou Torres.

Agora, o resultado de cada rodada é importante. A diferença entre ambos na ponta da tabela é de apenas um ponto, embora o United tenha uma partida a menos. Porém, o momento favorece ao Liverpool. Cabe ao United encontrar novamente seu melhor futebol para voltar a equilibrar a disputa na Premier League.

Fred chegol
16/03

A frase acima foi usada em camisas promocionais para festejar a contratação e a estréia de Fred, ex-Lyon, pelo Fluminense. O atacante foi tratado pela imprensa como a resposta carioca para Ronaldo. Respire.

Como de costume, a fanfarronice da imprensa carioca beira a sandice. Fred é um bom atacante, ponto. Vai fazer gols porque tem experiência internacional e é tecnicamente mais dotado que os concorrentes brasileiros, exceção a Ronaldo, Nilmar, Washington, Kléber Pereira, Keirrison...

No mais, vale lembrar o fiasco de sua passagem pelo Lyon. Chegou ao clube francês em 2005, mas jamais firmou-se como uma referência absoluta da equipe. Além disso, o Lyon é um dos clubes mais duros para negociar no planeta, e a liberação de Fred a custo zero é algo relevante.

Para terminar, outra indagação: Fred veio jogar no Fluminense. Porque sair da Europa e voltar para o Brasil com apenas 25 anos? Sinal de que há algo com o que se preocupar. 

Retorno
09/03

Aos 47 minutos do segundo tempo, Ronaldo fez gol de cabeça para empatar o clássico diante do Palmeiras, marcando assim seu primeiro gol após o retorno ao futebol. Este fato estampa hoje os principais jornais esportivos de todos os países e conclama o retorno triunfal de Ronaldo Fenômeno.

Obviamente, o ânimo exacerbado dos torcedores é justificado. Ter em gramados brasileiros alguém como Ronaldo justifica tamanho entusiasmo. Porém, há alguns outros fatos consumados que gostaria de analisar.

1 - Fora de campo
Ronaldo atrai enorme atenção da mídia, seja qual for a ocasião. E, como qualquer pessoa, tem direito aos seus momentos de lazer. O ponto é que, com a enorme preocupação ao redor de sua imagem, talvez fosse o momento de chamar menos atenção. O que vale para Ronaldo vale para qualquer celebridade, em qualquer lugar: o menor escorregão ganha tanto destaque quanto seu gol neste final de semana. A imprensa, assim, ganha duas vezes: noticiando a desgraça e, depois, a redenção. É assim que o sistema funciona, e isso não é novidade.

2 - Dentro de campo
Ronaldo é, e sempre foi, um atacante de enorme capacidade técnica. Em quinze anos, todos notaram o processo pelo qual seu corpo passou, em um crescimento desordenado que resultou em suas lesões. Sua explosão muscular decresceu substancialmente de forma gradual. O Ronaldo de Cruzeiro, PSV e Barcelona é um jogador diferente do Ronaldo da Internazionale e campeão com a Seleção em 2002, assim como o Ronaldo do Real Madrid, de 2006 e do Milan é diferente dos dois anteriores. Agora, podemos ver um quarto estágio de sua carreira, onde a movimentação é mais lenta, menos intempestiva, mais racional. Mesmo assim, Ronaldo tem meios para fazer valer sua técnica. Vale lembrar de Romário, que com muito menos mobilidade, dominou os gramados nacionais até os 40 anos. Neste caso, o talento acima da média faz com que seu destaque seja mais fácil e simples.

3 - Sua relação com a imprensa e povo
Como qualquer outro ícone esportivo nacional, Ronaldo tem estreita relação com a Rede Globo. A associação da imagem de ambos traz amplos benefícios para os dois lados. Ronaldo atua no clube que traz as maiores audiências para a Rede no maior centro futebolístico e econômico do país. Em suma: qualquer tropeço ganha uma atenção menor, abafada com uma entrevista exclusiva, enquanto os louros são repetidos à exaustão. Já com o povo, Ronaldo sempre teve uma relação de adoração nacional e descrença. Ronaldo era um ídolo nacional em terras estrangeiras. Até seus grotescos cortes de cabelo viraram febre juvenil. Agora, Ronaldo está em um dos clubes com um número determinado de simpatizantes, e indeterminado de detratores. Ronaldo passa a ser ídolo do Corinthians e inimigo de seus algozes. A verificar, somente, a reação dos torcedores rivais se, eventualmente, Ronaldo voltar à Seleção. E, seguramente, isso vai acontecer justamente pela sua relação com a Rede Globo. As outras emissoras devem se contentar em coletivas ou a poucos segundos no pós-jogo.

4 - Seu retorno
O retorno de Ronaldo foi apressado. Longe da forma física ideal, Ronaldo foi empurrado a retornar justamente por sua relação com patrocinadores e a imprensa. Mesmo assim, neste caso não há muito a ser feito: retorna-se gradualmente para sentir a reação do corpo. Depois do jogo em Itumbiara, ficou nítido que Ronaldo não foi ainda cogitado para assumir a titularidade por questões físicas. O marketing foi muito bem feito neste ponto, e o Corinthians pode contar com três patrocinadores em seu uniforme somente para o clássico deste domingo. E, em dois deles, Ronaldo tem participação.

Desta forma, em todas as partes, todos ficam satisfeitos. Ronaldo voltou aos gramados, trouxe telespectadores, patrocinadores, notícias. O futebol brasileiro agradece: estava mesmo faltando movimentação diferenciada em nosso tedioso campeonato.

Valorização zero
02/03

Não é nenhuma novidade: a Copa da UEFA deixou de ser atrativa quando a Liga dos Campeões foi inchada e extinguiram a Recopa. Desta forma, a UEFA passou a receber clubes de médio porte e alguns visitantes de alto nível com pouca frequência e nenhum interesse.

Antigamente, quando a Liga dos Campeões era somente dos campeões, a Copa da UEFA recebia os segundos colocados nas ligas e os campeões das Copas Nacionais disputavam a Recopa. Portanto, clubes como Liverpool, Juventus, PSV, Hamburgo, Benfica, Real Madrid, Napoli, Inter, Roma, Ajax e Bayern de Munique foram campões da UEFA em uma época em que ser vencer a competição significava enfrentar rivais de grande nível em todas as temporadas.

Atualmente, um clube de grande porte participar da UEFA tornou-se uma inutilidade, com jogadores reservas e equipes sem nenhum interesse. A UEFA passou a ser o refúgio de clubes que buscavam um título, mas que não tem chances de lutar pela Liga dos Campeões. Sevilla, Zenit e CSKA foram os últimos de edições sem brilho, onde até mesmo o Parma escalou seu reservas, priorizando a luta contra o rebaixamento na Série A.

Na atual edição, os exemplos de Milan e Tottenham são os mais claros. O clube londrino conseguiu sua vaga ao ser campeão da Carling Cup, e nesta temporada poderia ser novamente campeão da competição, caso superasse o Manchester United na decisão. Como foi derrotado, o que era MUITO provável, sua única chance de ser campeão na temporada era a Copa da UEFA. Porém, o clube decidiu utilizar seu time B e acabou eliminado.

Por outro lado, o Milan perdeu vaga na Liga dos Campeões e teve de se contentar com a UEFA. Fora da LC, o clube declarou que a prioridade seria a conquista da Série A para amainar o vexame. Agora, sem chances de ser campeão italiano, o clube abriu mão da UEFA ao escalar jogadores reservas diante do Werder Bremen.

Outro caso é o Aston Villa. O clube poupou jogadores diante do CSKA visando sua luta por uma vaga na próxima Liga dos Campeões. Objetivo válido, claro. Porém, caso o Villa obtenha a vaga, todos ouvirão que há o obstáculo da falta de experiência internacional. Então se falta essa experiência, porque não levar a UEFA a sério? O clube sabia desde o início da temporada que iria disputar a UEFA, portanto deveria ter preparado um elenco que suportasse todas as competições a serem disputadas.

Há quem diga que a UEFA não tenha valor pela baixa premiação, e por conta disso os clubes não a privilegiam. Isso é um fato, mas é exatamente esta postura que desvaloriza a competição. O lado esportivo é ignorado pelos clubes, e a UEFA interessa-se pelo lado eleitoreiro, dando chance aos clubes de menor porte, mas sem os compensar devidamente por isso. Assim, a UEFA tornou-se uma competição para amistosos de luxo. No final das contas, ninguém importa-se com a Copa da UEFA. Nem a própria UEFA.

Futebol acima de tudo
23/02

O assunto pode ser de semana passada, mas vale a reflexão. No final de semana dos clássicos em São Paulo e Minas Gerais, notícias sobre violência foram novamente mais importantes do que o futebol. Confrontos com a polícia, feridos, bombas, mortes. Estes temas são corriqueiros nos grandes clássicos brasileiros. Para tentar deixar nossa intenção mais clara, dividirei em tópicos.

1 - O confronto no Morumbi
Durante a semana, muita polêmica surgiu entre as diretorias de São Paulo e Corinthians. A questão da carga de ingresso para a torcida visitante passou, subitamente, a ser tão importante quanto às escalações. Depois, falou-se do pouco espaço destinado aos corintianos, que foram colocados ao lado do setor VIP do estádio. Na seqüência, a PM teria segurado a torcida visitante e, em algum momento, o confronto teria começado sem nenhuma razão.

Primeiramente, o clima de hostilidade entre as diretorias não faz um torcedor querer matar o outro, para isso eles precisam apenas estar juntos em um mesmo espaço. Sobre o confronto, por mais que a polícia goste de usar de sua força, ninguém iria arriscar-se contra uma multidão a troco de nada.

Claramente, algo aconteceu. Imaginar acertadamente qual seria o fator desencadeador da confusão seria confiar demais nos clichês de torcedor violento e polícia despreparada, mas isso não é novidade para ninguém também.

2 - Torcida Organizada
Em um grande clássico, seu time pode levar apenas cinco mil torcedores ao estádio do inimigo. Esse fato já afasta, imediatamente, qualquer pessoa minimamente responsável do ingresso. Aqueles dispostos a encarar o adversário fora de seus domínios com um contingente seis vezes menor ou é um dos 300 de Sparta ou ao menos gostaria de ser.

Obviamente, os integrantes da parcela da torcida que foi ao Morumbi estão longe de ser da linhagem "o genro que eu sempre quis ter". Aqueles que estavam no Morumbi são os integrantes da ala mais radical, aqueles que compõem os cânticos de violência, que agridem outros torcedores nas ruas ou que simplesmente atira em um rapaz simplesmente por ele estar usando uma camisa de outro clube.

A Torcida Organizada, seja de qual clube for, é um vírus. Os integrantes têm vantagens, como viagens, ingressos, alimentação, e contam com a conivência da diretoria, seja por medo ou por interesse político. Claramente, nem todo integrante de torcida é um marginal, assim como nem todo político é corrupto. Porém, quando todos estão juntos, é impossível saber quem é quem. Além disso, se você é um político e sabe que ocorre algo ilegal, é seu dever como cidadão alertar as autoridades.

O mesmo vale para o torcedor de organizada que se diz limpo. Não informar é conivência, e conivência é ser parte do esquema. Afinal de contas, ninguém considerado comum deve gostar de agredir jogadores no estacionamento, invadir treinamento ou realizar uma tocaia no meio da estrada para tomar satisfações dos atletas. Se você fez parte disso, é parte de tudo.

Aquele torcedor que resolve unir-se a uma organizada deve sempre lembrar-se de algo simples: se alguém é burro o suficiente para andar na rua à noite com um bloco de notas de R$50,00 à mão, o ladrão não deixa de ser ladrão. Mas sua parcela de burrice não deixa de existir.

3 - Problema social e cultural
Quando algo assim ocorre, há uma ampla discussão sobre punições e exemplos europeus. Isso é nítida hipocrisia. É necessário sempre lembrar que o país é regido por leis inúteis, onde bandidos condenados são soltos e presos como se fosse normal. Além disso, a corrupção está presente em todos os níveis da sociedade.

Diante de tal cenário, imaginar que um bando de cinco mil pessoas que movimenta-se em bloco não tenha o pensamento de clara impunidade é confiar no gato cuidando do peixe. Esse tipo de confronto ou crime é freqüente porque nada acontece. Meia dúzia é levada para uma delegacia e posteriormente liberados.

O jogo entre polícia e organizados é feito para enganar o torcedor comum: os dois conseguem colocar em prática seus lados violentos e depois tudo fica bem. Jogos de guerra são assim: sempre sobra pra alguém inocente.

4 - Soluções
Simples: se você não quer fazer parte disso, simplesmente não junte-se a quem não tem os mesmos interesses que você. Desfilie-se da organizada, denuncie o que há de errado, faça valer seu caráter e pense no seu futuro.

Todos nós gostamos de futebol, mas o que todo mundo quer no final do dia é voltar para casa em paz e inteiro. Se seu interesse é briga, filie-se a alguma instituição de luta-livre, ao Exército Norte-americano ou vá para o Oriente Médio. É satisfação garantida.

Mais do mesmo
16/02

O Paulistão do ano passado, vencido pelo Palmeiras, deveria ter sevido de lição para a imprensa e seus torcedores. Com Henrique e Valdívia em grande fase, o Palmeiras superou o São Paulo na decisão e surgiu como provável favorito para o Brasileirão.

Porém, o clube capitaneado por Luxemburgo não passou em nenhum momento a impressão de que poderia, de fato, ameaçar a campanha de Grêmio e São Paulo as duas primeiras colocações. A queda de rendimento foi clara, e ocorreu após as negociações dos principais nomes do clube na conquista do Paulista: Henrique e Valdívia.

O zagueiro foi negociado pelo seu óbvio talento, razão essa que levou a Traffic à contratá-lo junto ao Coritiba. Já Valdívia, cujo passe pertencia à investidores, foi vendido por desejo do clube em faturar algum dinheiro.

Em 2009, o Palmeiras começa a temporada exibindo um grande futebol, e tem em Keirrison seu grande nome. O atacante, tamém contratado pela Traffic junto ao Coritiba, tem seu nome ligado a uma dezena de clubes europeus e deve ser vendido no meio do ano. Ou seja, repetirá-se o mesmo cenário de 2008, mas torcida e imprensa parecem esquecer o que houve um ano atrás.

Desta fora, o Palmeiras mais uma vez parece limitado a celebrar conquista de Paulistas, deixando o Brasileiro longe de suas aspirações. Natural para quem fez de seu clube um claro e transparente balcão de negócios.

Mal-humor com razão
09/02

Depois da derrota para o Santo André, Muricy Ramalho, técnico do São Paulo, dirigiu-se à sala de imprensa para mais uma de suas populares entrevistas coletivas. Suas reações exageradas são freqüentes, misturas de um mal-humor ácido e um pouco de marketing.

Na ocasião em questão, Muricy acabou sendo mais áspero que o comum com um repórter da ESPN Brasil, que teria rido durante a pergunta. Situação contornável, mas que acabou por deflagrar um clima de guerra entre os profissionais e o técnico tricolor.

Claro que Muricy exagerou, mas serviu apenas para deixar claro como alguém indisposto a fazer média simplesmente não tolera a mediocridade dos repórteres esportivos. As perguntas que são feitas, geralmente, são para encurralar o técnico e gerar manchetes populares em jornais e programas televisivos. Não há conteúdo que, com o mínimo de raciocínio, qualquer um poderia chegar a sua própria conclusão.

A entrevista coletiva é feita para os técnicos, jogadores ou repórteres? Ao que parece, todos esqueceram que as informações ali deveriam ser dirigidas aos torcedores de seus clubes, para esclarecer os motivos do último resultado, explicar os fatos que ocorreram dentro do campo e são imperceptíveis durante a transmissão ou para quem está no estádio.

Parece simples, mas muitos acabam esquecendo seus papéis: o de jornalista é apurar os fatos, não fazer especulações ou gerar pressões despropositadas. Para tanto, deve formular perguntas que sejam de interesse dos torcedores, que tenha algum valor informativo. Ao contrário desse lema imaginário jornalístico, o que vemos são os mesmos profissionais sempre com as mesmas perguntas, ou pior, com questões que não interessam a ninguém a não ser ao desejo de ser atacado e posar posteriormente como vítima e levantar questões corporativistas.

Não é de se espantar que, algumas vezes, o mal-humor de Muricy  tenha razão. Para obter boas respostas, é necessário ter boas perguntas. Mais do que isso é pedir demais.

Brincadeira de verdade?
19/01

Qualquer aficcionado por jogos do estilo manager pensa: se eu tivesse 110 milhões de euros, como podeira investir esse dinheiro para transformar um clube médio em um time com potencial para disputar títulos a curto e médio-prazo?

Definitivamente, essa resposta não resume-se a contratar um único jogador, um dos melhores do mundo, e transmitir toda a responsabilidade deste projeto à sua recente contratação megalômana. E é exatamente isso que tenta fazer o Manchester City.

Claro, se você é um bilionário ditador que domina um dos países que lideram o ranking de extratores de petróleo, talvez você não se importe de gastar essa bagatela em um único jogador. A questão é que Kaká não transformará, sozinho, o Manchester City em um clube de ponta na Premier League.

Há quem diga que o elenco do City não é ruim. De fato não é, mas também não pode ser comparado aos clubes tops da Inglaterra, mesmo se Kaká for contratado. Os árabes precisam atrair jogadores que atuem em clubes menores ou em ligas menores. Ou seja, seguir o exemplo do Chelsea quando foi comprado por Abramovic: dado o pouco interesse das grandes estrelas, o Chelsea buscou Drogba, Cech, Ricardo Carvalho, Essien. Jogadores de enorme qualidade, mas que estavam em clubes em ligas de menor importância.

A contratação de Nigel de Jong, volante marcador do Hamburgo, talvez seja um indicador de que o City está no caminho certo. Porém, ao mesmo tempo, o City enumera craques como Buffon, Cristiano Ronaldo, Torres e Villa como futuros alvos no mercado. Ou seja, é difícil entender qual a real intenção dos donos do clube.

Elencos recheados de estrelas invariavelmente causam problemas: Real Madrid, Barcelona, Chelsea... Caso tenha essa visão de montar um clube com jogadores que buscam afirmação aliados com um grande nome como Kaká, o City tem todas as possibilidades de juntar-se ao seleto grupo dos grandes da Europa. Caso contrário, será apenas mais um milionário que logo cansará de brincar de "footbal manager".

Feliz ano velho
13/01

A Temporada 2009 do futebol brasileiro está próxima de seu começo (não me venham falar de Copa SP). Ainda faltam alguns dias para o início dos torneios regionais, e certamente algumas equipes ainda farão alguns ajustes em seus elencos, mas já é possível verificar a realidade dos grandes clubes paulistas para este ano.

O Palmeiras é, sem dúvida, a grande decepção em termos de expectativa. Após firmar parceria com a Traffic e sinalizar a formação de um novo esquadrão palestrino, tudo não passou de fumaça. A campanha em 2008 limitou-se apenas à conquista do Paulistão, com uma discreta quarta posição no Brasileiro. Luxemburgo, por muitos ainda considerado um técnico exemplar, não mostrou um trabalho capaz de tornar o Palmeiras como um forte adversário.

A decepção do torcedor palmeirense atravessou 2008 e chegou à 2009. O clube desfez-se de uma imensidão de atletas que faziam parte do time principal: Leo Lima, Elder Granja, Leandro, Alex Mineiro, Martinez, Roque Júnior e Denilson, entre outros, além das indefinidas situações de Kléber e David. Pensando ainda nas transferências de Valdívia e Gustavo em meados de 2008, a equipe que disputará o Paulistão está quase que inteiramente modificada. Belo planejamento...

Quando falamos em planejamento, é sempre válido citar o São Paulo. O atual tricampeão brasileiro iniciará a temporada de 2009 com ainda mais ares de "Lyon brasileiro". Seu elenco não sofreu nenhuma baixa considerável, e ainda ganhou os acréscimos de Wágner Diniz, Eduardo Costa, Renato Silva, Junior Cesar, Washington e Arouca. O caso de Arouca é emblemático: ciente de que, em breve, será impossível manter Hernanes, Muricy terá tempo para adaptar o carioca para a função.

Enquanto isso, o Corinthians fez um inteligente trabalho de marketing com a contratação de Ronaldo. Dentro de campo, sua participação é uma clara interrogação, mas é necessário destacar o recente empenho do atacante em sua recuperação física. Em sua posição e com seu saldo bancário, ele não precisaria submeter-se a uma pesada rotina de exercícios e à obrigatoriedade de manter-se alerta em sua vida pessoal. Afinal, qualquer novo escândalo neste momento colocaria um ponto final na euforia dos investidores que lucrarão com a imagem de Ronaldo associada ao Corinthians.

Dentro de campo, o Corinthians manteve os principais jogadores de sua campanha na Série B e reforçou-se para compensar as derradeiras fragilidades de seu elenco, que sofreu alterações ainda durante o último ano, como a chegada de Morais. Mano Menezes terá mais tranquilidade em seu trabalho do que Vanderlei Luxemburgo, e a apresentação antecipada de seu elenco em relação aos rivais pode ser importante em um primeiro momento.

Ao lado do Inter, Grêmio e do Cruzeiro, o trio paulista costuma monopolizar a atenção dos noticiários quando se trata dos favoritos ao Brasileiro. Porém, nos últimos 11 anos, o campeão nacional foi um clube de São Paulo em oito oportunidades. Será difícil quebrar essa hegemonia novamente.