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Essa é a sensação que melhor resume
o sonolento GP de Abu Dhabi, e que poderia
muito bem ser aplicada para a temporada
2009 de Fórmula-1 como um todo. Neste final
de semana, na última corrida do ano, pouco
pode ser aproveitado para uma análise. Afinal,
foi um GP em que o cenário foi o protagonista,
fato proporciondo por um entediante traçado,
mais um desenvolvido por Hermann Tilke,
que segue os mesmos moldes: muita atração
nas cercanias, pouca emoção na pista.
Esse
sentimento é muito claro e óbvio: os fatos
que cercaram as corridas nesta temporada
ganharam uma proporção maior do que os grandes
prêmios, como a rebelião separatista das
equipes e a revelação dos acontecimento
relativos ao GP de Cingapura de 2008.
Outro fato constante foi a instabilidade
das equipes. A BMW anunciou sua retirada
da Fórmula-1 com o campeonato em andamento,
e a Toyota seguiu os mesmos passos nesta
semana. A Renault, com o precedente aberto
pela Toyota - as duas equipes haviam assinado
o pacto de Concórdia, que garantia
a permanência até 2012 - pode em breve também
anunciar sua saída.
A Toyota deixa
a Fórmula-1 com um clara indicação de fracasso.
Um projeto em que muito dinheiro foi investido,
mas o ambicioso projeto de lutar por títulos
ficou relegado a posições intermediárias,
com pilotos intermediários e despesas na
casa dos 400 milhões de dólares por temporada.
A Toyota então não fará falta, foi a reação
inicial de boa parte da impresa especializada.
Do
ponto de vista esportivo, a Toyota era uma
equipe séria e estruturada, com um projeto
que já durava oito temporadas e que competia
limpamente por pontos. O esporte não
é feito apenas de vitórias, em um universo
de 40 pilotos não há espaço para que todos
vençam. Faltou ousadia na escolha de pilotos?
Muito provavelmente a falta de um piloto
de primeira grandeza contribuiria para o
desenvolvimento da equipe na luta por vitórias.
Além
disso, a Toyota tinha uma fábrica bem montada
na Alemanha, com 450 funcionários. Kamui
Kobayashi, o único novato que realmente
empolgou na temporada, agora procura uma
equipe para 2010, ou então, por falta de
recursos, terá de voltar a trabalhar no
restaurante de seu pai enrolando sushis.
A
equipe Toyota e Kobayashi certamente farão
falta para a Fórmula-1 em 2010. A visão
mercadológica de quem trata o esporte como
uma simples vitrine de marketing é, de fato,
o item que deveria ser dispensado. Assim
funcionam as montadoras, que compram um
espaço, usam pelo tempo que for interessante
e, quando o brinquedo deixa de ser divertido,
simplesmente o joga fora. No final do dia,
Max Mosley é quem tinha razão em sua batalha
contra as montadoras.
A
volta da mediocridade 26/10
Com sete rodadas ainda por disputar,
pode-se dizer que esta é uma das edições
mais equilibradas do Campeonato Brasileiro.
Palmeiras, Atlético-MG, Internacional, São
Paulo, Flamengo, Cruzeiro e Goiás ocupam
as sete primeiras colocações da tabela,
e apenas sete pontos separam as equipes.
Isso
representa também uma grande irregularidade
das equipes ponteiras, que engatam sérias
invictas e outras sem vitórias, embolando
a tabela e deixando uma impossibilidade
de apontar um favorito, ou até mesmo pensar
em quais equipes obterão vaga na Libertadores.
Com
sete rodadas restando, ainda há uma série
de confrontos diretos que podem ajudar a
resolver ou complicar ainda mais o desfecho
do Campeonato Brasileiro. De uma forma geral,
pensando unicamente na frieza dos números,
este torneio deveria ser uma ode os pontos
corridos.
Uma pena que, quem manda
no futebol nacional, infelizmente não partilha
do mesmo pensamento. Marcelo Campos Pintos,
presidente da Globo Esportes, assumiu publicamente
o desejo de sua empresa de retornar ao sistema
de "mata-mata", com a justificativa de que
"futebol é negócio, e não entretenimento".
Ninguém duvida dessa afirmação, assim como
ninguém questiona o fato de que é a Globo
quem manda no futebol nacional, e não a
CBF.
Porém, o futebol como negócio
pode também falhar. O mata-mata viu aberrações
por toda sua história, como um oitavo colocado
sendo campeão ou a gloriosa presença do
São Caetano em uma decisão nacional. Quando
tudo resume-se a uma única partida, um clube
pequeno e sem nenhum apelo pode repetir
os passos do Azulão.
O fato é que
o torneio em pontos corridos anula esta
possibilidade. É preciso muito mais do que
apenas sorte, é preciso planejamento, talento,
regularidade. Clubes sem estrutura, como
o próprio São Caetano, não resistem a este
tipo de pressão e desaparecem.
É
necessário levar o esporte em consideração,
mas os mandatários do esporte nacional não
parecem imaginar que um novo anti-fenômeno
de audiência como o São Caetano possa acontecer.
Se aplicado à atual temporada, o Grêmio
Barueri, que vive sob um projeto muito similar
ao do São Caetano, poderia chegar entre
os oito melhores e, como acontece no futebol,
ser campeão e ninguém entender como um clube
pequeno obteve tal façanha.
Se a
Globo imagina que, com o mata-mata, só os
grandes clubes fariam as finais, será preciso
combinar com muita gente. Não que isso seja
muito difícil de imaginar, vindo de quem
vem...
Com
todos os méritos 19/10
Em suas 59 temporadas, a Fórmula-1 consagrou
31 pilotos como Campeões do Mundo. Nesta
lista, gênios contemporâneos como Michael
Schumacher e Fernando Alonso dividem atenções
com lendas históricas, como Alain Prost,
Ayrton Senna, Jackie Stewart, Juan Manuel
Fangio, Niki Lauda.
Porém, não só
de gênios imortais é feita a lista de campeões.
Assim como nem todos os gênios foram campeões.
Isso é algo comum a todos os esportes. Stirling
Moss e Gilles Villeneuve são os grandes
injustiçados da Fórmula-1, como Cruyff e
George Best são no futebol.
O campeão
de 2009 obviamente não integra a lista dos
maiores nomes da Fórmula-1, mas Jenson Button
conquistou um título que o coloca na história
de um dos esportes mais populares do planeta.
Button confirmou, em Interlagos, um título
justo, sem contestações, após um início
de temporada arrasador. Foram sete pódios
nas sete primeiras corridas, sendo seis
vitórias e um terceiro lugar.
Essa
supremacia explica-se pelo excepcional projeto
desenvolvido por Ross Brawn com enormes
recursos da Honda e com o confiabilíssimo
motor Mercedez, sendo que Button adaptou-se
rapidamente ao carro e guiou com regularidade,
sem cometer erros. Quando as demais equipes
alcançaram o ritmo da Brawn, Button manteve-se
sempre marcando pontos, e não completou
apenas o GP da Bélgica, quando foi abalroado
por Romain Grosjean.
Jenson Button,
com isso, impediu que seu nome se tornasse
integrante de um lista menos gloriosa: a
de pilotos que surgiram como grandes talentos,
mas que nunca confirmaram-se como possíveis
vencedores. Isso esteve próximo de ocorrer,
após a Honda comprar a BAR e transformar
uma equipe que brigava por pódios no pior
carro do grid.
Aos 29 anos, Button
enfim viu mudar seu estigma de "piloto
certo no carro errado". Desta vez,
todas as circunstâncias estiveram a seu
favor. Além disso, Button atingiu o auge
de seu talento, o momento em que o piloto
mantêm sua velocidade e motivação, somando
com experiência e a inteligência que
o tempo lhe proporciona. Button pode não
ser um gênio, mas é um bom piloto, e ninguém
teve tantos momentos bons em 2009 quanto
o inglês.
Toco
y me voy 12/10
A emissora oficial do futebol brasileiro,
através de seu locutor principal, sempre
fez uso do termo "Toco y me voy"
como uma característica da Seleção Argentina.
E, para que até mesmo essas pessoas possam
ter percebido algo que foge dos jargões
comuns, é porque se trata de um elemento
sempre presente nos argentinos.
Obviamente,
não se trata de mero acaso. Os jogadores
argentinos têm um histórico de agilidade
e habilidade, combinando os dois elementos
para tocar rapidamente a bola e realizar
as tradicionais jogadas de 1-2. Não se trata,
claramente, de um mistério futebolístico.
É uma opção de criar jogadas de forma até,
digamos, primária.
Para quem sofreu
acompanhando a Argentina de Maradona, sobretudo
nas vitórias diante de Peru e Uruguai, pôde
ter a certeza de que nem ao menos essa troca
rápida de passes ocorreu. Um time perdido,
sem nenhum entrosamento ou esquema de jogo,
nenhuma jogada previamente ensaiada. Nada.
Apenas um amontoado de jogadores mal dispostos
em campo, e até mesmo longe de demonstrar
algum espírito de luta.
Para a Argentina,
a sorte é a mesma que sorriu para o Brasil
em outras oportunidades: mesmo em crise
técnica, o baixo nível técnico dos adversários
favorece. Ou alguém esqueceu que o Brasil
classificou-se para 2002 com mesmo com Luizão
e Edilson no ataque, vencendo a Venezuela
na partida final?
As convocações
e escalações de Maradona são outro ponto
de grande relevância. Foram testados dezenas
de jogadores, e nenhuma base foi formada.
Jogadores como Lucho Gonzalez, Diego Milito,
Maxi Rodriguez e Sergio Agüero são obviamente
merecedores de uma vaga na equipe titular,
mas Maradona os ignora.
Maradona
conseguiu o básico: classificar a Argentina
para a Copa. E perdeu a razão ao ter um
ataque "zagallístico" ao dirigir-se
as jornalistas bradando "Chupem! Chupem
todos!". Agora seria, certamente, a
hora de Maradona entender que seu trabalho
é incapaz de levar sua Seleção ao nível
superior e, com a cabeça no lugar, fazer
jus às tradições com um simples "toco
y me voy". A Argentina agradeceria.
Sem
explicação 05/10
Desde 2005, e lá se vão cinco temporadas,
o Internacional é um dos clubes considerados
como forte candidato ao título brasileiro.
Naquele ano, o título não decidiu-se a favor
do Inter por circunstâncias obscuras. Porém,
nos quatro anos seguintes, incluindo 2009,
o clube gaúcho decepcionou seus torcedores
e contrariou, e muito, as precisões dos
especialistas.
No meio deste percurso
tortuoso no Brasileirão, o Inter obteve
as duas maiores glórias de sua história,
conquistando a Libertadores e o Mundial
de Clubes, em 2006. Pode então entender
que, um clube que conquista a competição
continental e visa o torneio Mundial no
final do ano, planeja-se sem contar com
o Brasileirão no meio do caminho. É normal
e perfeitamente aceitável, portanto.
Porém,
a mesma desculpa não pode-se ser aplicada
aos anos de 2007, 2008 e 2009. O Inter montou
elencos fortes, contratou jogadores caros,
trouxe um técnico com boa reputação, mas
naufragou em seus maiores objetivos: uma
vaga na Libertadores em 2008, a Copa do
Brasil e o Brasileirão em 2009. Sim, pode-se
considerar o ano de 2009 como perdido após
a demissão de Tite e a contratação de Mário
Sérgio, um profissional que mal poderia
ser chamado de técnico.
Analisando
o Inter, é difícil entender qual foi o motivo
que levou o clube a campanhas dignas de
notas negativas. Problemas internos, possivelmente.
Em sua entrevista final, Tite admitiu que
houveram problemas de vestiário com D'Alessandro,
mas não entrou em maiores detalhes. Um elenco
desunido, com rachaduras ou conflitos com
o técnico poderia explicar os fracassos
do Inter, mas então porque a diretoria teria
demorado tanto em tomar alguma atitude?
Quando
trata-se de futebol, apenas os leigos acreditam
fielmente que todos os problemas de um clube
sejam de exclusiva responsabilidade de seu
treinador. Porém, é sempre o elo mais fraco
quando falamos de futebol, sobretudo o brasileiro.
E, pensando no campeonato, é realmente lamentável
que um clube com tantos talentos em seu
elenco não participe ativamente da luta
pelo título. Os rivais, por outro lado,
agradecem.
Novo
Schumacher 28/09
Ainda não é oficial, mas é apenas uma
questão de dias para Fernando Alonso ser
oficializado como novo piloto da Ferrari.
Os detalhes do contrato, que estaria assinado
desde o ano passado, apontam para um salário
anual de 25 milhões de euros, com duração
de cinco anos e opção para mais um. Além
disso, Alonso indicou uma série de profissionais
que formarão seu staff particular, engenheiros
e técnicos da McLaren, Renault e Red Bull.
A
Ferrari repete, obviamente, a receita que
tirou a scuderia do ostracismo nos anos
90 e a transformou em uma equipe sem rivais
à altura quando fez uma aposta de longo
prazo semelhante em Michael Schumacher e
seu staff de confiança. À época, aos 27
anos, Schumacher era bicampeão e considerado
o melhor piloto do grid, tendo como grande
rival o finlandês Mika Hakkinen, e também
o desafeto Damon Hill, inglês.
Pode-se
notar, certamente, uma série de coincidências
entre os dois capítulos. A começar pelo
fato de Schumacher e Alonso terem tido seus
primeiros momentos de brilho na Benetton/Renault,
equipes comandadas por Flávio Briatore,
incentivador de ambos no início de suas
carreiras na F-1. Outra coincidência interessante
dá-se pelo fato de Alonso ter como grande
desafeto outro inglês, Lewis Hamilton, e
seu grande rival em termos de talento ser
Kimi Raikkonen, finlandês.
Curiosidades
a parte, Fernando Alonso, aos 28 anos, é
o melhor piloto do grid atual da F-1, em
desenvolvimento e pilotagem. Mesmo com uma
combalida Renault, segue obtendo bons resultados,
e poderia até mesmo ter sido tricampeão,
não fosse a má vontade da McLaren para com
o espanhol em 2007. Na McLaren, Alonso encontrou
uma equipe focada em Lewis Hamilton, e agora
será a vez de Felipe Massa lidar com situação
semelhante, já que Alonso chega com status
de primeiro piloto. Neste sentido, ao menos,
a convivência deve ser mais amistosa.
A
aposta da Ferrari em Schumacher pagou-se
com juros, depois de cinco títulos com o
alemão e a construção de uma estrutura sólida
para os anos seguintes. Alonso, o responsável
justamente por quebrar a hegemonia de Schumacher,
tem em suas mãos a oportunidade de repetir
e até mesmo superar os sete títulos do alemão,
caso cumpra os seis anos de contrato com
a Ferrari. Parece uma tarefa impossível,
mas ninguém imaginava que, um dia, a F-1
moderna veria um piloto ser sete vezes
campeão. É improvável, mas não impossível.
Cabe agora a Alonso o fardo de ser, para
a Ferrari, o novo Schumacher. E, quem sabe,
para a história da Fórmula-1 também.
Caso
encerrado 21/09
Após denúncias, acusações e especulações,
finalmente o caso de manipulação de resultado
envolvendo a Renault no GP de Cingapura
de 2008 chegou ao seu fim. A FIA divulgou
nesta segunda-feira as punições para os
envolvidos e, dentro de um cenário realista,
ficou a sensação de que foram tomadas as
medidas cabíveis.
Flávio Briatore
foi banido da Fórmula-1 e de qualquer outra
competição gerida pela FIA. Não poderá sequer
comparecer os autódromos e os pilotos que
são agenciados pelo italiano, como Alonso,
Webber e Kovalainen, terão de buscar outro
empresário sob pena de não terem suas licenças
renovadas. Briatore é o ponto crucial deste
caso, e certamente a grande motivação da
investigação realizada pela FIA (leia-se
Max Mosley). É uma última vitória moral
para o presidente da Federação, que viu
grande parte dos seus desafetos caírem recentemente.
Pat
Symonds teve punição semelhante, mas que
vigorará por penas cinco anos. Sua confissão,
ainda que não tenha sido integral, foi o
suficiente para a FIA puni-lo de forma mais
branda. Symonds declarou estar arrependido,
enquanto Briatore segue negando o óbvio.
Portanto, a FIA decidiu ser apropriado não
punir de forma igual casos diferentes.
Fernando
Alonso foi considerado inocente. Difícil
imaginar que Alonso não soube do que aconteceu,
antes ou depois. Afinal, sua estratégia
para o GP não fazia o menor sentido dentro
de uma corrida normal. Por outro lado, Alonso
não teria nenhuma vantagem clara em idealizar
tal manobra, já que estava fora da luta
pelo título. De uma forma ou outra, é curioso
notar que o espanhol está sempre cercado
por ações duvidosas e eventos de caráter
duvidoso.
Nelsinho Piquet, por sua
vez, admitiu que sua colisão foi premeditada
e proposital, mas como denunciou o esquema,
não recebeu qualquer punição. Esta, certamente
já lhe está garantida pelas demais equipes
do grid, que só o aceitarão mediante uma
enorme contribuição financeira. Afinal,
sua desgastada imagem não é a que os patrocinadores
buscam neste momento, e Nelsinho pouco mostrou
nas pistas que valha um grande esforço por
alguma equipe para contratá-lo.
A
equipe Renault recebeu uma suspensão de
dois anos, mas que será aplicada somente
em caso de reincidência, uma vez que a equipe
tomou as medidas necessárias contra os envolvidos,
demitindo-os antes do julgamento da FIA.
Uma estratégia simples e certeira, visando
uma menor degradação da marca pelo envolvimento
no episódio. Aqui, houve muita controvérsia
pela não aplicação de ao menos uma multa
à equipe francesa, mas cabe uma reflexão:
multas nunca servem para ensinar nada a
ninguém, apenas recheando os já recheados
cofres das entidades. Não iria mudar nada,
portanto. Até porque, nos tempos atuais,
uma eventual multa pesada representaria
a demissão de funcionários ou fechamento
de fábricas para compensação, o que significa
punição para empregados que estão longe
do caso.
Agora, falta apenas ligar
o último ponto: porque real motivo Nelsinho
teria sido obrigado a colidir? Com Alonso
fora de qualquer disputa no campeonato,
não seria nenhum beneficiamento para a equipe
na luta pelo título. As suspeitas de um
esquema de apostas crescem, e seria irrealista
imaginar que pessoas planejassem algo que
poderia lhes causar riscos, tanto físicos
quanto profissionais, sem ganhar absolutamente
nada em troca. Nelsinho teve seu contrato
renovado, mas o que ganharam Briatore e
Symonds? Certamente, o troféu para a equipe
vencedora não é a resposta mais apropriada.
E
ele tem chances, sim... 14/09
Por mais que pareca estranho, Rubens
Barrichello tem chances reais de, enfim,
sagrar-se Campeão Mundial de Fórmula-1.
Após sua segunda vitória no ano, o piloto
brasileiro voltou a diminuir a diferença
para seu companheiro de equipe, Jenson Button,
sendo agora de 14 pontos.
Obviamente,
não entramos na onda de considerar Barrichello
favorito. Jenson Button ainda tem a vantagem
em suas mãos, e basta manter-se imediatamente
atrás de Rubens que o inglês será campeão
pela primeira vez. Além disso, faltam apenas
quatro corridas, e é pouco provável imaginar
que Rubens vencerá os quatro GP's restantes.
Há
dois lados nesta moeda: Na Hungria, a diferença
era de 26 pontos. Agora, em três provas,
Barrichello diminuiu a diferença em 12 pontos.
Em média, quatro por corrida. Ou seja, se
manter a mesma média de pontos, Rubens será
campeão. Por outro lado, há outra questão
matemática: antes, eram 16 pontos a descontar em 50 a disputar. Ou seja, a vantagem
relativa de Jenson Button era de 32% dos pontos a disputar. Hoje, com
14 pontos em 40, a vantagem cresceu para 35%.
Deixando a matemática de
lado, surge uma análise simples das corridas
restantes: Cingapura e Brasil sugere, pelo
clima, uma vantagem da Brawn. No Japão e
Abu Dhabi, com o frio, a Brawn deve ter
dificuldades. Além disso, Rubens sofreu
com seu câmbio no último final de semana,
e o equipamento deve ser trocado antes da
próxima prova, rendendo uma punição de cinco
posições no grid.
No começo do ano,
Jenson Button estava em uma fase iluminada
onde tudo dava certo. Agora, os papéis se
inverteram na equipe Brawn. Após a sexta
prova, todos davam o título do inglês como
certo. Agora, está realmente aberto entre
os dois pilotos da equipe inglesa.
Rubens
Barrichello, de qualquer forma, pode ser
considerado o protagonista de um das maiores
viradas da história do esporte brasileiro,
mesmo que não seja campeão. Basta lembrar
que, no começo do ano, estava desempregado.
Agora, trouxe alguma emoção para um campeonato
que parecia definido.
Erros
são erros 24/08
Futebol é um esporte conduzido, pasmem,
por seres humanos. E pessoas em geral, muitas
vezes, são passíveis de erros. Quantas vezes
um jogador errou um passe, um drible, uma
finalização diante do gol aberto? E em quantas
ocasiões o goleiro sofreu um gol escandaloso,
o zagueiro ficou derrubado no gramado, um
lateral passou a partida errando todos os
cruzamentos? O que dizer então de técnicos
e dirigentes?
Há um consenso futebolístico
que diz que apenas acontecem gols quando
alguém falha. È uma teoria simplória, mas
que reflete bem uma característica intrínseca
do esporte. Porque, então, todos estes erros
são logo esquecidos, mas um árbitro é visto
como uma desejosa máquina infalível, que
quando erra trata-se de malícia?
Este
é o caso de Arílson Bispo da Anunciação,
responsável pela intermediação de Corinthians
3x3 Botafogo, no último domingo no Pacaembú.
Após a repercussão dos lances polêmicos,
foi suspenso por tempo indeterminado. Arílson
certamente não subiu ao gramado projetando
quantos erros cometeria, embora muitas vezes
casos similares tenham ocorrido com
outros apitadores.
Árbitros erram.
E com muita freqüência. Outros erros são
discutíveis, afinal hoje a maioria dos lances
é tratada com viés interpretativo. Ou seja,
a não ser que seja algo escandaloso, há
sempre como justificar como uma questão
de ponto de vista momentâneo do árbitro,
que tem apenas um segundo e dois olhos para
decidir os lances, e não vinte câmeras e
trezentos replays para apitar.
O
ponto principal, neste caso, é que o árbitro
tornou-se a "síndrome do pânico"
do futebol. Todo torcedor, todo jogador,
todo técnico, todo dirigente, acredita cegamente
que está sendo prejudicado intencionalmente.
Talvez alguns não vejam isso dessa forma,
mas é um belo discurso para amenizar as
cobranças e atribuir as responsabilidades
para um elemento fora do clube.
Os
erros vão continuar existindo, não importa
qual rumo o esporte tome. Mesmo que a arbitragem
seja profissionalizada, mesmo que sejam
utilizados meios eletrônicos, haverá sempre
um replay que terá um ângulo e mostrará
algo que ninguém conseguiu ver. Portanto,
não perca tempo culpando o árbitro. Culpe
o atacante, o goleiro, o zagueiro. Se eles
não errassem tanto, seu time venceria muito
mais.
A
bola volta 17/08
Agosto chegou, e com o oitavo mês do
ano teve início a temporada européia 2009/10.
As grandes contratações deste período de
transferências já ocorreram, e apenas ajustes
devem acontecer nos elencos dos principais
clubes do Velho Mundo.
Certamente,
todas as atenções estarão destinadas à dupla
Barcelona-Real Madrid, que relizaram as
maiores contratações do ano. Não apenas
pelos nomes, mas pelo impacto comecial e
mercadológico que suas ações causarão nesta
temporada.
As chegadas de Kaká, Cristiano
Ronaldo e Ibrahimovic servem não somente
para reforçar seus clubes, mas para elevar
novamente o Campeonato Espanhol à condição
de vedete do continente. Com a saída de
Cristiano Ronaldo, a Premier League perdeu
seu maior chamariz de marketing, enquanto
a Série A perdeu seus dois grandes craques.
O
impacto será óbvio também nas transmissões
televisivas. Ninguém deixará de acompanhar
o clube do coração, mas as atenções da mídia
e dos torcedores estarão todas voltadas
para Real Madrid e Barcelona. É uma curiosidade
natural imaginar como serão os duelos de
Cristiano Ronaldo e Kaká contra Lionel Messi
e Ibrahimovic.
Esportivamente, é
lamentável o enfraquecimento claro de equipes
que poderiam engrossar a lsta de favoritos
nos campeonatos nacionais e na Liga dos
Campeões. Para suprir essa lacuna, apenas
duelos épicos entre os rivais espanhóis
serão suficientes. Essa é a esperança de
todos aqueles que acompanham futebol.
Hora
do show 03/08
A notícia de que Michael Schumacher seria
o substituto de Felipe Massa arrebatou o
universo da Fórmula-1. Não poderia ser diferente,
afinal trata-se de um breve retorno do maior
campeão da categoria em todos os tempos
e detendor da grande maioria dos recordes
positivos.
O acidente de Felipe Massa
na Hungria foi trágico mas, para todas as
partes envolvidas, trará resultados mais
do que satisfatórios. Ninguém há de comemorar
o episódio com felicidade, e sim explorar
da melhor forma possível uma possibilidade
única esportiva, comercial e de marketing.
A
FIA certamente ficou feliz com a indicação
de Michael Schumacher. O retorno de uma
lenda como o alemão é a certeza de grande
audiência televisiva e um bom retorno em
venda de ingressos, ao contrário do que
ocorrera na Hungria, por exemplo. Além disso,
sua participação, mesmo que apenas em um
único GP, atrairá holofotes para um campeonato
sem grandes atrativos.
A Ferrari,
certamente, tem motivos mais do que óbvios
para comemorar. Em uma temporada de resultados
medíocres e com um projeto apenas competitivo
de segundo escalão, a Ferrari terá um piloto
experiente que poderá fazer avaliações precisas
sobre o carro e fornecer informações preciosas
para o desenvolvimento do novo modelo.
Para
Schumacher, será uma possibilidade sem grandes
riscos. Qualquer fracasso será reduzido
pelo tempo que está fora das pistas, por
sua forma física natural de um atleta de
40 anos, pelo pouco tempo de prática com
o carro e, principalmente, pelo fato da
Ferrari não ser a protagonista da temporada.
No
entanto, todos os espectadores e amantes
da Fórmula-1 estão ansiosos para rever o
heptacampeão novamente à bordo de uma Ferrari.
Se nada acontecer, mesmo assim será o momento
mais marcante da temporada. Se Schumacher
conseguir um resultado positivo, será mais
um motivo para o alemão ganhar contornos
além de sobrenaturais.
Supremacia? 20/07
Há um mal-comum ao brasileiro, sobretudo
ao torcedor: a soberba. Não raro, há sempre
o discurso envolvendo a superioridade do
futebol brasileiro, sua técnica insuperável
e até mesmo seu campeonato. Não há nada
melhor no mundo, segundo os torcedores.
Obviamente,
muitos fatos são ignorados para quem segue
esta linha de pensamento. Porém, nada é
mais flagrante do que o histórico de clubes
brasileiros na Libertadiores qundo confrontados
com os argentinos. Nas suas 50 edições,
a Libertadores viu um clube argentino sagrar-se
campeão em 22 oportunidades, contra apenas
13 dos brasileiros. Por mais que sejam frios,
os números são absolutos.
Com base
nestes números e histórico, virou lugar
comum citar uma "mística argentina"
na Libertadores, sobretudo nas finais que
envolveram clubes dos dois países. O Velez
superou o São Paulo em 1994, e tinha uma
quipe tão bem qualificada que superou o
Milan em Tóquio, e seu arqueiro era Chilavert
em excelente forma. Depois disso, o Boca
Juniors dançou sobre Palmeiras, Santos duas
vezes e Grêmio. Neste caso, era uma equipe
superior tecnicamente que tinha Riquelme
como um maestro ainda inconestável e um
grupo temido.
Além disso, tivemos
São Caetano e Fluminense derrotados em finais,
diante de Olimpia e LDU. Neste caso, qual
a explicação sobrenatural? Só há uma: o
São Caetano jamais foi um clube real, e
hoje luta para não descer à terceira divisão.
Já o Fluminense não é um clube sério e desde
o ano passado luta para não cair para a
Segunda Divisão. Foram momentos simplesmente
atípicos, vividos também por Atlético Paranaense
Por fim, chegamos à
2009. Ainda antes da decisão, o Cruzeiro
era dado como favorito e virtual campeão.
A soberba, velha conhecida, ganhou ainda
mais força após o empate sem gols na Argentina,
apesar do Estudiantes não ter vencido por
um placar tranquilo apenas por uma série
de defesas do goleiro cruzeirense Fábio.
Na partida de volta, o Estudiantes venceu
por 2x1 e conquistou a Libertadores pela
quarta vez em sua história. E, ao analisar
friamente a partida, os fatos anulam qualquer
teoria mística ou astral.
Primeiramente,
a equipe do Cruzeiro não estava preparada
psicologicamente para uma final de Libertadores.
O nervosismo exacerbado de seus jogadores
ficou evidente, e não houve nenhum preparo
para as tradicionais provocações argentinas.
Em segundo lugar, não havia superioridade
técnica do elenco do Cruzeiro; o Estudiantes
comprovou isso ao ter muito mais chances
de gol nos dois confrontos. E, para finalizar,
dar liberdade para Verón é fatal. Por mais
que o meio-campist esteja longe de seu auge,
ainda assim é muito competente e tem excelente
passe e visão de jogo. Com a liberdade proporcionada
por uma marcação inócua, Verón deu origem
ao primeiro gol argentino no Mineirão e
arrefeceu os ânimos cruzeirenses.
Creditar
estas derrotas apenas a um fator sobrenatural
apenas reforça a tese da soberba, um vez
que, segundo esta teoria, os clubes brasileiros
jamais perdem por serem inferiores, por
méritos de quem está do outro lado ou simplesmente
por não terem até hoje aprendido a cultura
de seu adversário, acostumada a utilizar
a "catimba" como parte de seu
jogo.
Para que a vitória tenha um
paramêtro real, é preciso aprender a lidar
com a derrota e com o fato de que não há
DNA destinado apenas à títulos e sucesso.
Usar chavões como "mítica", "amarelismo"
ou "pedigree" é a maneira mais
fácil de não dizer nada fundamentado e isentar-se
de qualquer análise clara e objetiva. É
o papo de bar levado às últimas consequências.
Cenário
nada definido 13/07
Em Nurbruging, a temporada 2009 da Fórmula-1
ultrapassou a metade das provas de seu calendário
e exibiu um cenário de completa indefinição
sobre qual piloto e qual equipe irá encerrar
o ano como grande campeão.
Após um
início devastador da Brawn e Button, agora
tudo favorece à Red Bull. Entender isso
é muito simples: ao ver que seu carro de
2008 era uma desgraça sem precedentes, a
Honda começou a desenvolver seu carro pra
este ano. Quando a Honda decidiu abandonar
a categoria, Ross Brawn herdou um carro
desenvolvido durante oito meses com enormes
recursos dos japoneses.
O que estava
bom ficou ainda melhor justamente com a
retirada da Honda. Com isso, a Brawn recebeu
os motores da Mercedez-Benz, comprovamente
os melhores da atualidade. O conjunto carro-motor
foi ainda melhor conjurado com a reluzante
fase de Jenson Button nas primeiras sete
corridas da temporada.
Porém, não
há como melhorar o projeto de forma significativa.
A sensação nítida é de que o carro da Brawn
nasceu já próximo de seu auge, onde apenas
pequenos acertos podem ser realizados, mas
sem grande impacto, até porque a equipe
não tem mais os infindáveis recursos da
Honda. De um forma geral, a equipe tem em
seu cofrinho o valor necessário pra completar
a temporada.
Até por isso, não é
difícil entender o porque de, em Nurbugring,
a equipe ter realizado uma troca de posições
entre seus dois piltos no momento do último
pit-stop. Com o enorne crescimento da Red
Bull, a certeza universal de que o campeonato
estava decidido desapareceu. Agora, a Brawn
precisa de todos os pontos possíveis para
que Button possa ser o campeão e, com isso,
atrair potenciais patrocinadores e investidores
para 2010. Sem o título, a Brawn terá enormes
dificuldades para manter-se na próxima temporada.
Enquanto
isso, Rubens Barrichello reclama abertamente
e chegou a mencionar que havia sido roubado.
Um claro indício de que, desde já, o brasileiro
sabe que não estará na equipe ano que vem,
e por isso não importa-se com a sobrevivência
da Brawn. E, diante das reações de dirigentes,
pilotos e até mesmo do piloto reserva da
Brawn, não estará em equipe nenhuma com
suas cada vez mais frequentes demonstrações
de falta de profissionalismo.
Enquanto
isso, a Red Bull passa a dominar a temporada
com o excelente desenvolvimento de Adrian
Newey e o bom momento vivido por sua dupla
de pilotos. Como a equipe não tem problemas
de receita, a previsão é de um carro cada
vez mais veloz até o final da temporada.
Resta saber como desenvolverá-se a disputa
interna entre Vettel e Webber.
Os
demais, atualmente, são meros coadjuvantes.
Mas a ascenção da Red Bull deixa claro que
ninguém deve ser descartado, e até a matemática
declarar os campeões, não deve haver celebração
nem certeza absoluta. Felipe Massa que o
diga.
Conclusões 29/06
A conquista do Brasil na Copa das Confederações,
após a suada vitória sobre os Estados Unidos
de virada, proporcionou muitas conclusões
sobre o futuro da equipe comandada por Dunga.
A
Copa das Confederações, como sabe-se, tem
como único valor a experimentação das equipes
e do país um ano antes da Copa do Mundo.
A Espanha e sua eliminação precoce serve
como claro exemplo de um momento de experiência
e aprendizado, sem nenhuma consequência
esportiva. Para reforçar, basta a memória
do Brasil campeão em 2005 e o desastre em
2006.
Voltando ao presente, a equipe
comandada por Dunga reforçou sua imagem
de um grupo com alguma impressão de união,
onde os egos individuais, salvo um excessão
que abordaremos depois, não superam o coletivo.
Também ficou óbvia a momentânea fragilidade
defensiva do esquema de Dunga: Lúcio e Juan
são excelentes zagueiros, mas Gilberto Silva
e Felipe Melo não proporcionam a proteção
que dois volantes deveriam fornecer. Os
três gols sofridos diante do Egito e os
dois frente aos Estados Unidos mostraram
isso. Não se trata de uma fraqueza, mas
de uma instabilidade. O buraco defensivo
na ala esquerda certamente colaborou.
Este
mês de competição serviu também para Felipe
Melo e Ramires garantirem sua vaga no grupo
que irá à Copa. Sobretudo Ramires, que ocupou
o lugar de um inócuo Elano. Por outro lado,
Kléber e André Santos parecem apenas ter
fortalecido a opinião de que não seria nenhum
absurdo ter Daniel Alves improvisado na
esquerda, tamanha a falta de talento de
ambos para ocupar uma vaga de titular. Até
mesmo Dunga pareceu convencido disso ao,
por duas vezes seguidas, ter sacado André
Santos e colocado Daniel Alves na lateral
canhota.
No restante, salvo algum
jogador que surja subitamente, não deverão
ocorrer mudanças na equipe de Dunga. Os
fantasmas de Adriano, Ronaldo e Ronaldinho
Gaúcho assombram pelo poder de mídia e a
pressão que haverá se um dos três viver
um bom momento de forma antes da Copa, mas
ainda é cedo para especular sobre isso.
Trata-se de uma possibilidade, claramente.
Quem
deveria preocupar-se com isso seria Robinho,
o único que claramente coloca seu ego à
frente do espírito de grupo. Deveria, porque
seu futebol não condiz com sua fama ou com
a posição que ocupa, mas é intocável, mesmo
com atuações obscuras segue titular e é
sequer substituido durante a partida. Além
disso, é venerado pela emissora oficial,
e essa manipulação de opinião é feroz e
eficiente.
Há um ano da Copa, há
muito para acontecer, mas pouco deve ser
alterado no cenário da Seleção Brasileira.
O título traz esta confiança e evita um
cenário de desespero e insegurança que é
comum a Seleção após fracassos, mas ao mesmo
tempo não fez do Brasil a equipe imbatível
que muitos diziam ser após o título de 2005.
Desta vez, não há "quadrado mágico".
Sorte do Brasil.
Diferenciado? 22/06
Após quatro anos, Muricy foi demitido
do São Paulo após mais uma eliminação diante
de um clube brasileiro na Libertadores.
Mesmo os três títulos brasileiros consecutivos
não foram suficientes para assegurar a
permanência de Muricy, que foi imediatamente
substituído por Ricardo Gomes, que trabalhou
os últimos anos na França, comandando Bordeux
e Monaco.
O trabalho de Muricy no
São Paulo foi semelhante em todos os anos,
qundo o clube enfrentou dificuldades durante
o primeiro semestre e acertou-se no segundo,
disparando rumo ao título Brasileiro. Em
2008, vieram os primeiros sinais de que
o trabalho estava chegando ao seu limite,
quando o resultado demorou ainda mais para
aparecer, e o São Paulo chegou à liderança
do campeonato em suas rodadas finais.
Para
2009, o elenco não sofreu nenhuma perda
e ainda foi capaz de adicionar nomes teoricamente
interessantes, mas que não renderam nada
sob o comando de Muricy. Washington, um
goleador confiável em todos os clubes que
passou, tornou-se um fardo. Arouca, considerado
um promissor meio-campista, acostumou-se
com o banco de reservas. Até mesmo os pontos
altos do time, como Rogério Ceni, Jorge
Wagner e Hernanes perderam o brilho.
A
contratação de Marlos, do Coritiba, foi
a última tentativa de Muricy para revertar
o quadro de palidez de sua equipe. Não houve
tempo para que o meia pudesse mostrar que
seu futebol poderia alterar a falta de fluidez
e o excesso de previsibilidade do São Paulo.
Faltou
a Muricy algo no trato motivacional com
seus jogadores, bem como um melhor aproveitamento
dos jogadores da base neste processo. A
rotatividade, desde que não seja excessiva,
motiva o jogador a atuar da melhor maneira
para que um jovem, sendento por oportunidades,
não ocupe seu lugar. A acomodação acabou
criando conflitos entre os atacantes, reclamações
públicas e deu mais um sinal que o espírito
de grupo havia acabado.
Muricy deixou
sua marca no São Paulo pelos três títulos
Barsileiros e a consolidação de uma base
de trabalho sólida, mas com resultados lentos.
O futebol brasileiro, como se sabe, não
costuma tolerar, nem perdoar, algo que ande
em passes curtos. O mata-mata, idolatrado
por muitos e considerado o ápice do nosso
futebol, matou Muricy.
Nem
termometro, nem prévia 15/06
A Copa das Confederações é, certamente,
um dos maiores engodos de todo calendário
futebolístico. Provavelmente, sua única
utilidade realmente interessante é analisar
o desempenho do Comitê Organizador em relação
ao Mundial no ano seguinte. Ponto final.
O
restante resume-se a um torneio de inter-termporda
entediante, cuja única esperança é uma final
ou uma semifinal entre seleções de grande
porte que possa ser convertido em um amistoso
de luxo de bom valor técnico.
Para
confirmar esta tese, basta analisar o resultado
da última edição do torneio, em 2005. O
Brasil foi campeão com uma goleada sobre
a Argentina em uma fase única de Adriano,
em um torneio que a Alemanha pouco pôde
produzir diante dos seus rivais. Um ano
depois, Adriano estava arrastando-se acima
do peso, o Brsil era uma equipe desastrada e
a Alemanha seguiu forte até às semifinais
do torneio.
Além disso, o nível técnico
da Copa das Confederações é baixo, visto
que apenas três participantes são tradicionais
e outros cinco são medíocres. Com isso,
a participação do público é restrita à fase
final, quando os grandes se enfrentam e
criam o já citado "amistoso de luxo".
Como
um todo, a Copa das Confederações faz bocejar.
Nenhuma novidade quando pensamos que a FIFA
é sua organizadora.
Lugar
comum 08/06
O que não era mais novidade confirmou-se: Carlo Ancelotti teve seu
contrato com o Milan encerrado um ano antes
de seu término, sendo substituído por Leonardo,
que há anos trabalha ns bastidores do clube.
Após
sete anos de Carlo Ancelotti no comando,
o Milan esteve três vezes na final da Liga
dos Campeões, tendo a conquistado em duas
oportunidades. Na Série A, no entando, o
clube foi apenas uma vez campeão, e ainda
amargou uma temporada fora da Liga dos Campeões
e tantas outras longe de sonhar com o título
de forma concreta.
Além disso, Ancelotti
falhou naquele que deveria ser seu grande
trabalho no Milan: a renovação de elenco.
Talvez o maior exemplo tenha sido a contratação
do francês Gourcuff. O meia passou uma temporada
no Milan e teve poucas chances, e não raramente
atuou longe de sua posição ideal. Foi para
o Bordeux, tornou-se campeão e foi eleito
o melhor jogador da Ligue 1.
A indicação
de Leonardo é uma escolha pessoal de Silvio
Berlusconi. Nomes como Van Basten foram
ventilados, mas nada que pudesse entusiasmar
os torcedores, dados os fracassos do holandês
na Holanda e no Ajax. Aleggri, técnico do
Cagliari, também foi cotado, mas Berlusconi
já havia tomado sua decisão.
Desde
já, a desconfiança é natural, afinal Leonardo
não tem qualquer experiência como técnico
de futebol. Porém, há um série de fatores
favoráves sobre sua nova função. Obviamente,
Leonardo sabe como funciona o clube e não
teria qualquer problema de adaptação. Além
disso, sempre teve forte influência nas
contratações do clube, como Kaká, Alexandre
Pato e Thiago Silva.
O futuro desta
nova função de Leonardo é certamente uma
incógnita, pois depende também de uma maior
ação do clube na reformulação de seu elenco.
Outro fator que aumenta a desconfiança é
óbvio: vender Kaká é um erro que refletirá
por anos. É impossível substituir um jogador
deste nível, e mesmo que seja formado um
grande time, perde-se o diferencial, o jogador
capaz de resolver jogos improváveis.
Por mais que Leonardo seja uma figura identificada
com o clube, não se trata de um ídolo incontestável
da torcida. Diante disso, a pressão por
resultados imediatos pode ser maior. Sem
Kaká, isso ficará ainda mais difícil. Leonardo,
certamente, terá mais desafios do que gostaria.
Lingua
solta, pé preso 25/05
Rubens Barrichello, sabe-se, é o segundo
piloto da Brawn GP, escuderia que lidera
o Mundial de Equipes e tem Jenson Button,
seu piloto principal, como líder absoluto
do campeonato e vencedor de cinco das seis
etapas até o momento realizadas.
Neste
final de semana, Rubinho foi o segundo colocado
no GP de Monco, vencido por Jenson Button
com sobras. Após o GP da Espanha, em Jerez,
Rubinho deu declarações fortes de que não
aceitaria favorecimentos ao seu companheiro
e que manteria seu estilo "faca nos
dentes".
Até o momento, este
dito estilo agressivo não deu nenhum resultado
maior do que um segundo lugar. Nas seis
corridas disputadas, Rubens largou apenas
uma vez à frente de seu companheiro, e terminou
todas trás de Button. Enquanto isso, segue
abusando em suas entrevistas, nas quais
culpou até mesmo o fato de ter ficado muito
tempo atrás de Button como fator para não
vencer, já que guiar atrás do inglês teria
desgastado mais seus pneus.
Obviamente,
Rubens tem seus méritos na Brawn, ou não
teria sido o escolhido para a vaga na escuderia.
Porém, perde-se em reclamações em um momento
em que deveria celebrar a última oportunidade
de obter algum brilho em sua carreira.
Quando
descobriu-se sentado em um carro competitivo,
Rubens imediatamente fixou sua ira em quem
o dava fora da Fórmula-1. Ele mesmo deve
ter esquecido, seja por conveniência, que
a equipe realizou testes com Button, Bruno
Senna e Lucas di Grassi. Ninguém poderia
esperar pela reviravolta no caso Honda-Brawn,
e era óbvio e lógico apontar a saída de
Rubinho.
Até mesmo o emprego de Button
era colocado em dúvida. E aqui está o abismo
que separa os dois companheiros da Brawn.
Button não veio à mídia disparar discursos
em alto-defesa quando passou a vencer corridas,
nem vangloriou-se atacando quem o havia
declarado como desempregado. Button vence
corridas, celebra e aproveita este momento
único de sua carreira. Sabe-se, claramente,
que Button não é um gênio do volante, mas
pilota sem exercer pressão demasiada em
si mesmo e sem ter o peso de promessas infundadas
em suas costas. Rubens, porém, carrega em
seu cockpit um peso enorme: o da amargura.
Planejanada 18/05
Há alguns anos, a palvra de ordem do
futebol moderno é planejamento. Para todo
título conquistado ou a falta de sucesso,
o planejamento de cada caso é festejdo ou
amaldiçoado. No Brasil, esta moda ganhou
contornos mais firmes nos últimos anos,
com a afirmação de São Paulo e Interncional
como as maiores potências do país.
Na
Inglaterra, este tipo de assunto é mais
delicado. A Premier League revolucionou
o Universo futebolístico de uma forma que
as outras ligas européias ainda não conseguiram
chegar nem próximas de copiar o feito dos
ingleses. Por mais que as posições superiores
da tabela sejam de ocupação permantente
do quarteto Manchester United, Chelsea,
Arsenal e Liverpool, há um grande equilíbrio
entre os demais participantes que não raramente
endurecem a vida dos quatro já citados.
Porém,
é justamente este o problema que gostaria
de abordar. A exceção dos quatro principais
clubes do país, nenhum outro clube que surge
como uma possível potência consegue manter-se
no mesmo ritmo dos demais. Recentemente,
clubes como Everton, Aston Villa e Manchester
City ocuparam posições de destaque na tabela,
mas não conseguem suportar o mesmo rirmo
dos rivais. Existem exemplos ainda piores,
como Tottenham, Newcastle e Leeds, que possuem
ou possuíram orçamentos altíssimos e hoje
vêem a ascenção do pequenino Fulham na tabela
da Premier League.
O Leeds, que amarga
na terceira divisão, falhou em sua tentativa
de promoção e seguirá por mais um temporada
muito longe do sucesso. O caso do Leeds
é o mais famoso, até pelo fato do clube
ter estado perto de conquistar uma Liga
dos Campeões, mas não chega a ser absurda
a comparação com o Newcastle. Contratações
envolvendo cifras astronômicas, salários
que beiram a insanidade, jogadores que não
correspondem aos valores investidos, situação
obscura em seus bastidores. Assim começou
a derrocada do Leeds, e este é o caminho
que o Newcastle segue rumo à despromoção
e, que longe, parece próximo do Tottenham.
Certamente,
todos gostariam de ouvir as experiências
do Everton. Com um orçamento muito mais
limitado, David Moyes mantêm seu clube por
mais uma temporada entre os classificados
para as competições européias, sem sustos.
Aos demais, resta repensar no falado planejamento.
Gastar milhões em jogadores medianos como
Robbie Keane, Jermaine Defoe, Michael Owen,
Oba-Oba Martins e etc certamente não fará
nenhum clube desbancar o top 4 da Premier
League. No máximo, fará amargar algumas
temporadas no inferno da Terceirona. Perguntem
ao Leeds.
Passando
para trás 11/05
Há quase um mês atrás, Adriano anunciou
que estava deixando o futebol para buscar
a felicidade que havia perdido na Itália
e que recuperaria apenas com o convício
de seus amigos e familiares de sua comunidade
no Rio de Janeiro.
Agora, com menos
de trinta dias passados, Adriano já havia
anunciado seu retorno ao Flamengo. Com a
ajuda de um patrocinador ainda não revelado,
o clube carioca pagará os altos salários
de Adriano e terá o atacante em seu elenco
para o Brasileiro e etc.
Na ocasião
de seu anuncio, este colunista declarou
seu apoio à iniciativa de Adriano, afinal,
nada mais desalentador do que um jogador
atuando sem vontade em seu clube. Agora,
nada daquilo vale mais. Adriano fez valer
a fama brasileira do "jeitinho",
forçando sua saída da Inter antes do término
de seu contrato para retornar ao Brasil.
Uma
atitude que comprova o receio dos clubes
europeus em contratar brasileiros, cujo
histórico de transações forçadas e realizadas
de má vontade cada vez mais atesta a péssima
noção de profissionalismo de nossos compatriotas.
Quando
o brasileiro deixa o país para a Europa,
é taxado como mercenário, sem amor à camisa,
etc... Quando ocorre o movimento inverso,
há enorme festejos pela tendência de jogadores
de voltar ao país para revitalizar a carreira.
No fundo, é a mesma coisa: falta de
ética e profissionalismo.
15
anos 04/05
Em minhas memórias infantis, não há nenhuma
recordação de como haveria iniciado minha
fixação por carros e Fórmula-1. Era uma
época, e perdoe-me não saber precisar exatamente
quando, onde qualquer mínimo pedaço de papel
deveria ser colecionado caso tivesse uma
foto automobilística.
Neste mesmo
período de minha infância, surge minha primeira
lembrança envolvendo Fórmula-1. Da televisão
ouvi algo que tratava da última corrida
do ano, e perguntei à minha irmã se aquela
era a última corrida de todos os tempos.
Desespero comum infantil, finalizado ao
saber que começaria tudo novamente no próximo
ano.
Para uma criança que acompanhava
corridas no final dos anos 80 e início dos
90, era comum que as atenções estivessem
voltadas para Ayrton Senna e as disputas
emocionantes com Alain Prost, Nigel Mansell,
Nelson Piquet... As vitórias de Senna no
Brasil em 91, Monaco em 92 e Donnington
e Brasil em 93 são imagens mais claras,
lembranças orgulhosas de dias marcantes
na história do esporte.
Em 1994,
o mês de maio começou de forma preocupante.
Enquanto o austríaco Roland Ratzenberger
falecia em um acidente nos treinos de sábado,
eu estava internado no Hospital das Clínicas,
aguardando uma cirurgia de apendicite emergencial.
Aos 10 anos, eu não tinha a real noção do
significado disso. A realidade bateu à porta
no dia seguinte.
A cirurgia ocorreu
sem dificuldades no início da madrugada
do dia primeiro, um domingo. Poucas horas
depois, estava acordado acompanhando o Grande
Prêmio de Imola pelo rádio, ainda um tanto
desnorteado pela anestesia geral. O acidente
fatal de Ayrton não demorou a ocorrer, assim
como a certeza de muitos de que ele não
teria escapado com vida.
No horário
de visita, os parentes não sabiam como lidar
com aquela informação, e formulavam uma
maneira de contar-me, sem imaginar que não
seria mais surpresa. Tudo que havia era
um enorme sentimento de tristeza, decepção
com a vida, falta de esperança. Claro, a
morte de Ayrton Senna foi um enorme choque
não apenas para mim, mas para todo
o país e todos amantes do automobilismo,
mas apenas quinze anos depois eu entendo
o que realmente havia nesses sentimentos
e suas consequências.
Ayrton havia
tornado-se mais do que um ídolo. Era uma
figura paterna que preenchia um espaço abandonado.
Os pôsteres na parede do quarto, as corridas
e entrevistas gravadas em vídeo, as fotos
e matérias recortadas eram um claro exemplo
que nunca foi percebido. Por muito tempo,
de várias maneiras, esse culto manteve-se
fiel e feliz.
Porém, tudo mudou naquele
primeiro de maio. Enquanto a morte de Ayrton
o transformou em um fenômeno trans-geracional,
o choque causou em mim uma reação contrária.
Lentamente abandonei o universo automotivo,
deixando de lado a enorme coleção de revistas,
carrinhos, vídeos. Para mim, não havia razão
em Ayrton ter perdido sua vida e eu ter
escapado da morte. Era uma injustiça tamanha
que imediatamente bloqueou tudo aquilo que
havia antes.
O futebol foi o substituto
encontrado como hobby. Até então, nem mesmo
partidas da Copa do Mundo eram suficientes
para atrair minha atenção. O jogo foi ganhando
importância, assim como cresceu minha certeza
em fazer disso uma profissão, construir
o futuro. Tornar-me um jornalista futebolístico
passou a ser a única opção profissional
viável.
Quinze anos depois, minha
indignação com o esquecimento da data fez
com que eu começasse essa reflexão. Ayrton
jamais deixou de ser a figura paterna, o
ídolo que minha infância teve. Antes de
chegar às conclusões deste texto, emocionei-me
revendo as imagens de sua vitória no Brasil
em 1991, ouvindo
seus gritos dentro do carro, em um dos raros momentos em que
houve uma rápida homenagem na televisão.
Agora, consegui finalmente juntar os pontos
destes anos em que tudo pareceu desprendido,
fora de sintonia com minha infância e lembranças.
O
sentimento de injustiça não existe mais.
A saudade e as memórias, mesmo que confusas
em minha parcela infantil, encarregaram-se
de apagar a raiva que existia com a balança
do mundo. Ayrton deixou para muitos exemplos
de caráter que hoje sigo e segui por muito
tempo inconscientemente, e isso é um legado
muito maior do que suas vitórias e poles-positions.
Defesa
em linha 27/04
O futebol é recheado de artimanhas, truques,
jogadas ensaiadas. Jogadores que atiram-se,
enroscar braço no adversário para parecer
que está sendo puxado, etc. A idéia de ludibriar
a arbitragem é antiga, e muitas vezes uma
boa encenação traz os resultados esperados.
Porém,
uma das estratégias mais grotescas já criada
é a famosa linha de impedimento. Está certo,
muitas vezes funciona. Mas acaba funcionando
mais pela covardia dos assistentes, cujo
reflexo é feroz em levantar a bandeira sempre
que surge um atacante livre.
O problema
é que sempre há um zagueiro desatento que
deixa o atacante em condições, ou um jogador
habilidoso que sabe a hora exata de lançar
seu companheiro que corre entre os defensores
inertes levantando o braço
Porque
não simplesmente recuar a linha defensiva
nos momentos necessários? Uma cena emblemática
sempre ocorre em uma bola parada na lateral.
Prevendo o cruzamento na área, os defensores
posicionam-se em linha na entrada da
grande área. Então, quando os atacantes
correm para cabecear, há uma enorme confusão
entre os zagueiros, que começam a correr
desodernadamente e longe dos atacantes que
deveriam estar marcados.
A linha
de impedimento funciona apenas com atacantes
ou passadores dispersos, sem atenção. Mesmo
jogadores não necessariamente velozes, como
Filippo Inzaghi, exploram a defesa em linha
à exaustão. Para alguém veloz como Samuel
Eto'o ou para um criador versátil como Messi,
a tarefa é ainda mais simples.
A
defesa em linha funcionaria apenas em um
Universo perfeito, onde os auxiliares não
erram, os zagueiros estão sempre bem posicionados
e atentos e os atacantes e meias são burros
e lentos. Sendo assim, nunca haveria um
gol, nem contra e nem a favor. Deve ser
o sonho de muito técnico por ai...
O
tal do Regional 20/04
Há alguns bons anos, os campeonatos estaduais
são contestados pelo inchaço que causam
no calendário nacional. Os clubes mal finalizam
suas participações no Brasileiro e já estão
representando-se para o início do Estadual.
Logo depois, tem início a Libertadores e
a Copa do Brasil, competições cuja importância
não pode ser comparada aos duelos regionais.
Então,
quando a temporada tem seu início, o discurso
dos clubes que disputam duas competições
simultâneas é o mesmo, de priorizar a Libertadores
ou a Copa do Brasil. Porém, os clubes parecem
esquecer o que realmente importa em questão
de dois meses.
No Paulista, o São
Paulo escalou os reservar em uma partida,
e perdeu. A estratégia foi abandonada e
o clube passou a usar o mesmos atletas que
desgastam-se com as viagens da Libertadores,
cujo regulamento privilegia quem faz mais
pontos na fase de grupos. Pensando no confronto
com o Corinthians, o São Paulo preferiu
utilizar reservas na Libertadores, perder
o jogo e ter um confronto mais difícil nas
Oitavas, e certamente menos favorável em
uma fase seguinte, quando terá que decidir
fora de casa.
Outro exemplo é o Botafogo.
Acabou eliminado da Copa do Brasil ainda
na segunda fase pelo nanico Americano, e
a torcida apoiou o elenco pensando na decisão
diante do Flamengo pelo carioca. Vale lembrar
que, no ano passado, o Botafogo caiu diante
do Corinthians e o técnico foi demitido.
Qual é a lógica? Por cair diante de um time
grande, demissão; cair diante de um time
de bairro, apoio incondicional.
No
Sport, ocorreu o mesmo. Antes do primeiro
confronto com o Palmeiras, o zagueiro Durval
preferiu atuar pelo estadual ainda sem condições
físicas ao retornar de lesão do que preservar-se
para o duelo pela Libertadores. E o Palmeiras
atropelou o Sport com uma defesa irreconhecível.
Em
termos gerais, é difícil compreender o que
passa na cabeça dos envolvidos em futebol.
É algo como os clubes que não tem ambição
no Brasileiro e dizem que vão lutar por
vaga na Sul-Americana, e quando a competição
chega, escala-se os reservas. Em resumo,
pode-se dizer que o discurso interno mais
sincero deveria ser "o que fizemos
ano passado não importa, vamos lutar esse
ano por vagas que não nos interessaremos
no ano que vem".
Enquanto isso,
o torcedor segue iludido como sempre e feliz.
Basta um título, por mais sem valor que
seja, para "salvar o ano". Não
importa o rebaixamento no Brasileiro, fomos
campeões estaduais. O que vale é a foto
na parede com o mascote da federação local
segurando a taça.
Melhor
Assim 13/04
Na última semana, Adriano movimentou
os noticiários esportivos e especulativos.
Após a partida da Seleção Brasileira, Adriano
simplesmente desapareceu e não reapresentou-se
ao seu clube, a Internazionale.
Neste
momento, surgiram as especulações. Envolvimento
com drogas, álcool, até mesmo a morte de
Adriano foi ventilada na impresa. Depois
de três dias refletindo na favela em que
cresceu no Rio de Janeiro, Adriano convocou
uma entrevista coletiva e declarou que,
no momento, não jogará mais futebol.
Seus
motivos são justos: falta de motivação,
infelicidade, tristeza longe de sua família
e amigos. Apesar de qualquer pessoa considerar
absurda uma "semi-aposentadoria"
apenas aos 27 anos de um profissional com
um contrato milionário vigente, Adriano
tomou a decisão correta diante dos seus
motivo declarados.
Certamente, há
uma infinidade de pessoas que gostariam
de fazer o mesmo, abandonando seus empregos
e aproveitar o tempo livre para realizar
as atividades que causam prazer e contentamento.
Neste caso, Adriano acaba recebendo críticas
por uma inveja inconsciente. A questão é
que Adriano, caso tenha tido um visão aproveitável
de sua carreira, tem reservas financeiras
para o resto de sua vida com sobras. O trabalhador
comum, infelizmente, não tem esta mesma
sorte.
Analisando friamente as declarações,
Adriano tomou a atitude correta. Sem motivação
para continuar a praticar o esporte no momento,
o clube faz um acordo simples com o atleta
visando o lucro que terá ao não pagar mais
os salários de Adriano no ano restante de
seu contrato. Assim, Adriano consegue sua
liberdade sem grandes empecilhos, já que
seu valor de mercado despencou e os interessados,
clubes pequenos como o West Ham, não teriam
condições de pagar ao clube e para Adriano
os valores por eles desejados caso ele tivesse
algum interesse.
Como o "ex-Imperador"
irá conduzir sua vida pessoal a partir deste
momento, obviamente é um questão que deve
interessar somente a ele. Porém, seria bom
para o futebol que outros atletas que arrastam-se
em campo apenas com o nome na camisa seguissem
o mesmo exemplo. Desta forma, haveria espaço
par novos jogadores com vontade e determinação
para construir uma carreira. Pura utopia,
no entanto.
Sorte 30/03
O Brasil, neste final de semana, enfrentou
o Equador e empatou em 1x1. O resultado
acabou sendo injusto perante o amplo domínio
dos equatorianos, mas as defesas de Julio
Cesar e a nítida falta de qualidade para
finalizar dos avantes do Equador propiciaram
o empate em Quito.
Fica cada vez
mais clara a confusão mental de Dunga para
escalar a Seleção. Além das bizarras presenças
de Gilberto Silva e Josué, a insistência
em Ronaldinho Gaúcho é incompreensível.
Enquanto o meia é reserva do Milan e está
mais preocupado com seu cabelo, Pato vive
fase muito boa no Milan e não é aproveitado.
Felipe
Melo é esforçado, mas certamente não é melhor
que Ramires ou Hernanes. Kléber é convocado
longe de seu melhor momento, enquanto Fábio
Aurélio é ignorado enquanto vive sua melhor
fase em Liverpool.
Robinho parece
seguir o mesmo caminho de Ronaldinho Gaúcho.
Criticado no Manchester City, o atacante
está mais preocupado com suas festas do
que com futebol. Como disse Pelé, usando
drogas fica difícil.
Asim, a Seleção
vai aos trancos e barrancos para a Copa.
Vai vencer o Peru em Porto Alegre no sufoco
e o futebol apresentado em Quito será esquecido.
Com a Seleção é sempre assim.
Sobe,
Desce 23/03
Há algumas semanas atrás, a discussão
sobre uma quintupla coroa do Manchester
United era comum e essa afirmação poderia
ser feita sem muitas dúvidas. Agora, ninguém
se espantaria se o Liverpool espertamente
roubar a Premier League e a Liga dos Campeões
dos Red Devils.
O United parece viver
uma crise técnica. Vidic, que mantinha uma
forma impressionante, fez uma partida bizarra
contra o Liverpool e foi expulso. Cristiano
Ronaldo está longe de ser o jogador que
foi eleito melhor do mundo. E o grupo, que
parecia estar em grande forma, não faz boas
partidas há algum tempo.
Na contra-mão,
vem o Liverpool. Mesmo sem ter um time recheado
de craques, o clube parece beneficiar-se
de ter Steven Gerrard como um dos melhores
jogadores do Mundo na atualidade. Suas recentes
atuações compensam as limitações dos companheiros,
que parecem ficar melhores ao lado de Gerrard
ou Torres.
Agora, o resultado de
cada rodada é importante. A diferença entre
ambos na ponta da tabela é de apenas um
ponto, embora o United tenha uma partida
a menos. Porém, o momento favorece ao Liverpool.
Cabe ao United encontrar novamente seu melhor
futebol para voltar a equilibrar a disputa
na Premier League.
Fred
chegol 16/03
A frase acima foi usada em camisas promocionais
para festejar a contratação e a estréia
de Fred, ex-Lyon, pelo Fluminense.
O atacante foi tratado pela imprensa como
a resposta carioca para Ronaldo. Respire.
Como
de costume, a fanfarronice da imprensa carioca
beira a sandice. Fred é um bom atacante,
ponto. Vai fazer gols porque tem experiência
internacional e é tecnicamente mais dotado
que os concorrentes brasileiros, exceção
a Ronaldo, Nilmar, Washington, Kléber Pereira,
Keirrison...
No
mais, vale lembrar o fiasco de sua passagem
pelo Lyon. Chegou ao clube francês em 2005,
mas jamais firmou-se como uma referência
absoluta da equipe. Além disso, o Lyon é
um dos clubes mais duros para negociar no
planeta, e a liberação de Fred a custo zero
é algo relevante.
Para terminar,
outra indagação: Fred veio jogar no Fluminense.
Porque sair da Europa e voltar para o Brasil
com apenas 25 anos? Sinal de que há algo
com o que se preocupar.
Retorno 09/03
Aos 47 minutos do segundo tempo, Ronaldo
fez gol de cabeça para empatar o clássico
diante do Palmeiras, marcando assim seu
primeiro gol após o retorno ao futebol.
Este fato estampa hoje os principais jornais
esportivos de todos os países e conclama
o retorno triunfal de Ronaldo Fenômeno.
Obviamente,
o ânimo exacerbado dos torcedores é justificado.
Ter em gramados brasileiros alguém como
Ronaldo justifica tamanho entusiasmo. Porém,
há alguns outros fatos consumados que gostaria
de analisar.
1 - Fora de campo Ronaldo
atrai enorme atenção da mídia, seja qual
for a ocasião. E, como qualquer pessoa,
tem direito aos seus momentos de lazer.
O ponto é que, com a enorme preocupação
ao redor de sua imagem, talvez fosse o momento
de chamar menos atenção. O que vale para
Ronaldo vale para qualquer celebridade,
em qualquer lugar: o menor escorregão ganha
tanto destaque quanto seu gol neste final
de semana. A imprensa, assim, ganha duas
vezes: noticiando a desgraça e, depois,
a redenção. É assim que o sistema funciona,
e isso não é novidade.
2 - Dentro
de campo Ronaldo é, e sempre foi,
um atacante de enorme capacidade técnica.
Em quinze anos, todos notaram o processo
pelo qual seu corpo passou, em um crescimento
desordenado que resultou em suas lesões.
Sua explosão muscular decresceu substancialmente
de forma gradual. O Ronaldo de Cruzeiro,
PSV e Barcelona é um jogador diferente do
Ronaldo da Internazionale e campeão
com a Seleção em 2002, assim como o
Ronaldo do Real Madrid, de 2006 e do Milan
é diferente dos dois anteriores. Agora,
podemos ver um quarto estágio de sua carreira,
onde a movimentação é mais lenta, menos
intempestiva, mais racional. Mesmo assim,
Ronaldo tem meios para fazer valer sua técnica.
Vale lembrar de Romário, que com muito menos
mobilidade, dominou os gramados nacionais
até os 40 anos. Neste caso, o talento
acima da média faz com que seu destaque
seja mais fácil e simples.
3 -
Sua relação com a imprensa e povo Como
qualquer outro ícone esportivo nacional,
Ronaldo tem estreita relação com a Rede
Globo. A associação da imagem de ambos traz
amplos benefícios para os dois lados. Ronaldo
atua no clube que traz as maiores audiências
para a Rede no maior centro futebolístico
e econômico do país. Em suma: qualquer tropeço
ganha uma atenção menor, abafada com uma
entrevista exclusiva, enquanto os louros
são repetidos à exaustão. Já com o
povo, Ronaldo sempre teve uma relação de
adoração nacional e descrença. Ronaldo era
um ídolo nacional em terras estrangeiras.
Até seus grotescos cortes de cabelo viraram
febre juvenil. Agora, Ronaldo está em um
dos clubes com um número determinado de
simpatizantes, e indeterminado de detratores.
Ronaldo passa a ser ídolo do Corinthians
e inimigo de seus algozes. A verificar,
somente, a reação dos torcedores rivais
se, eventualmente, Ronaldo voltar à Seleção. E,
seguramente, isso vai acontecer justamente
pela sua relação com a Rede Globo. As outras
emissoras devem se contentar em coletivas
ou a poucos segundos no pós-jogo.
4
- Seu retorno O retorno de Ronaldo
foi apressado. Longe da forma física ideal,
Ronaldo foi empurrado a retornar justamente
por sua relação com patrocinadores e a imprensa.
Mesmo assim, neste caso não há muito a ser
feito: retorna-se gradualmente para sentir
a reação do corpo. Depois do jogo em Itumbiara,
ficou nítido que Ronaldo não foi ainda cogitado
para assumir a titularidade por questões
físicas. O marketing foi muito bem feito
neste ponto, e o Corinthians pode contar
com três patrocinadores em seu uniforme
somente para o clássico deste domingo. E,
em dois deles, Ronaldo tem participação.
Desta
forma, em todas as partes, todos ficam satisfeitos.
Ronaldo voltou aos gramados, trouxe telespectadores,
patrocinadores, notícias. O futebol brasileiro
agradece: estava mesmo faltando movimentação
diferenciada em nosso tedioso campeonato.
Valorização
zero 02/03
Não é nenhuma novidade: a Copa da UEFA
deixou de ser atrativa quando a Liga dos
Campeões foi inchada e extinguiram a Recopa.
Desta forma, a UEFA passou a receber clubes
de médio porte e alguns visitantes de alto
nível com pouca frequência e nenhum interesse.
Antigamente,
quando a Liga dos Campeões era somente dos
campeões, a Copa da UEFA recebia os segundos
colocados nas ligas e os campeões das Copas
Nacionais disputavam a Recopa. Portanto,
clubes como Liverpool, Juventus, PSV, Hamburgo,
Benfica, Real Madrid, Napoli, Inter, Roma,
Ajax e Bayern de Munique foram campões da
UEFA em uma época em que ser vencer a competição
significava enfrentar rivais de grande nível
em todas as temporadas.
Atualmente,
um clube de grande porte participar da UEFA
tornou-se uma inutilidade, com jogadores
reservas e equipes sem nenhum interesse.
A UEFA passou a ser o refúgio de clubes
que buscavam um título, mas que não tem
chances de lutar pela Liga dos Campeões.
Sevilla, Zenit e CSKA foram os últimos de
edições sem brilho, onde até mesmo o Parma
escalou seu reservas, priorizando a luta
contra o rebaixamento na Série A.
Na
atual edição, os exemplos de Milan e Tottenham
são os mais claros. O clube londrino conseguiu
sua vaga ao ser campeão da Carling Cup,
e nesta temporada poderia ser novamente campeão
da competição, caso superasse o Manchester
United na decisão. Como foi derrotado,
o que era MUITO provável, sua única chance de ser
campeão na temporada era a Copa da UEFA.
Porém, o clube decidiu utilizar seu time
B e acabou eliminado.
Por outro lado,
o Milan perdeu vaga na Liga dos Campeões
e teve de se contentar com a UEFA. Fora
da LC, o clube declarou que a prioridade
seria a conquista da Série A para amainar
o vexame. Agora, sem chances de ser campeão
italiano, o clube abriu mão da UEFA ao escalar
jogadores reservas diante do Werder Bremen.
Outro
caso é o Aston Villa. O clube poupou jogadores
diante do CSKA visando sua luta por uma
vaga na próxima Liga dos Campeões. Objetivo
válido, claro. Porém, caso o Villa obtenha
a vaga, todos ouvirão que há o obstáculo
da falta de experiência internacional. Então
se falta essa experiência, porque não levar
a UEFA a sério? O clube sabia desde o início
da temporada que iria disputar a UEFA, portanto
deveria ter preparado um elenco que suportasse
todas as competições a serem disputadas.
Há
quem diga que a UEFA não tenha valor pela
baixa premiação, e por conta disso os clubes
não a privilegiam. Isso é um fato, mas é
exatamente esta postura que desvaloriza
a competição. O lado esportivo é ignorado
pelos clubes, e a UEFA interessa-se pelo
lado eleitoreiro, dando chance aos clubes
de menor porte, mas sem os compensar devidamente
por isso. Assim, a UEFA tornou-se uma competição
para amistosos de luxo. No final das contas,
ninguém importa-se com a Copa da UEFA. Nem
a própria UEFA.
Futebol
acima de tudo 23/02
O assunto pode ser de semana passada,
mas vale a reflexão. No final de semana
dos clássicos em São Paulo e Minas Gerais,
notícias sobre violência foram novamente
mais importantes do que o futebol. Confrontos
com a polícia, feridos, bombas, mortes.
Estes temas são corriqueiros nos grandes
clássicos brasileiros. Para tentar deixar
nossa intenção mais clara, dividirei em
tópicos.
1 - O confronto no Morumbi Durante
a semana, muita polêmica surgiu entre as
diretorias de São Paulo e Corinthians. A
questão da carga de ingresso para a torcida
visitante passou, subitamente, a ser tão
importante quanto às escalações. Depois,
falou-se do pouco espaço destinado aos corintianos,
que foram colocados ao lado do setor VIP
do estádio. Na seqüência, a PM teria segurado
a torcida visitante e, em algum momento,
o confronto teria começado sem nenhuma razão.
Primeiramente,
o clima de hostilidade entre as diretorias
não faz um torcedor querer matar o outro,
para isso eles precisam apenas estar juntos
em um mesmo espaço. Sobre o confronto, por
mais que a polícia goste de usar de sua
força, ninguém iria arriscar-se contra uma
multidão a troco de nada.
Claramente,
algo aconteceu. Imaginar acertadamente qual
seria o fator desencadeador da confusão
seria confiar demais nos clichês de torcedor
violento e polícia despreparada, mas isso
não é novidade para ninguém também.
2
- Torcida Organizada Em um grande
clássico, seu time pode levar apenas cinco
mil torcedores ao estádio do inimigo. Esse
fato já afasta, imediatamente, qualquer
pessoa minimamente responsável do ingresso.
Aqueles dispostos a encarar o adversário
fora de seus domínios com um contingente
seis vezes menor ou é um dos 300 de Sparta
ou ao menos gostaria de ser.
Obviamente,
os integrantes da parcela da torcida que
foi ao Morumbi estão longe de ser da linhagem
"o genro que eu sempre quis ter".
Aqueles que estavam no Morumbi são os integrantes
da ala mais radical, aqueles que compõem
os cânticos de violência, que agridem outros
torcedores nas ruas ou que simplesmente
atira em um rapaz simplesmente por ele estar
usando uma camisa de outro clube.
A
Torcida Organizada, seja de qual clube for,
é um vírus. Os integrantes têm vantagens,
como viagens, ingressos, alimentação, e
contam com a conivência da diretoria, seja
por medo ou por interesse político. Claramente,
nem todo integrante de torcida é um marginal,
assim como nem todo político é corrupto.
Porém, quando todos estão juntos, é impossível
saber quem é quem. Além disso, se você é
um político e sabe que ocorre algo ilegal,
é seu dever como cidadão alertar as autoridades.
O
mesmo vale para o torcedor de organizada
que se diz limpo. Não informar é conivência,
e conivência é ser parte do esquema. Afinal
de contas, ninguém considerado comum deve
gostar de agredir jogadores no estacionamento,
invadir treinamento ou realizar uma tocaia
no meio da estrada para tomar satisfações
dos atletas. Se você fez parte disso, é
parte de tudo.
Aquele torcedor que
resolve unir-se a uma organizada deve sempre
lembrar-se de algo simples: se alguém é
burro o suficiente para andar na rua à noite
com um bloco de notas de R$50,00 à mão,
o ladrão não deixa de ser ladrão. Mas sua
parcela de burrice não deixa de existir.
3
- Problema social e cultural Quando
algo assim ocorre, há uma ampla discussão
sobre punições e exemplos europeus. Isso
é nítida hipocrisia. É necessário sempre
lembrar que o país é regido por leis inúteis,
onde bandidos condenados são soltos e presos
como se fosse normal. Além disso, a corrupção
está presente em todos os níveis da sociedade.
Diante
de tal cenário, imaginar que um bando de
cinco mil pessoas que movimenta-se em bloco
não tenha o pensamento de clara impunidade
é confiar no gato cuidando do peixe. Esse
tipo de confronto ou crime é freqüente porque
nada acontece. Meia dúzia é levada para
uma delegacia e posteriormente liberados.
O
jogo entre polícia e organizados é feito
para enganar o torcedor comum: os dois conseguem
colocar em prática seus lados violentos
e depois tudo fica bem. Jogos de guerra
são assim: sempre sobra pra alguém inocente.
4
- Soluções Simples: se você não quer
fazer parte disso, simplesmente não junte-se
a quem não tem os mesmos interesses que
você. Desfilie-se da organizada, denuncie
o que há de errado, faça valer seu caráter
e pense no seu futuro.
Todos nós
gostamos de futebol, mas o que todo mundo
quer no final do dia é voltar para casa
em paz e inteiro. Se seu interesse é briga,
filie-se a alguma instituição de luta-livre,
ao Exército Norte-americano ou vá para o
Oriente Médio. É satisfação garantida.
Mais
do mesmo 16/02
O Paulistão do ano passado, vencido pelo
Palmeiras, deveria ter sevido de lição para
a imprensa e seus torcedores. Com Henrique
e Valdívia em grande fase, o Palmeiras superou
o São Paulo na decisão e surgiu como provável
favorito para o Brasileirão.
Porém,
o clube capitaneado por Luxemburgo não passou
em nenhum momento a impressão de que poderia,
de fato, ameaçar a campanha de Grêmio e
São Paulo as duas primeiras colocações.
A queda de rendimento foi clara, e ocorreu
após as negociações dos principais nomes
do clube na conquista do Paulista: Henrique
e Valdívia.
O zagueiro foi negociado
pelo seu óbvio talento, razão essa que levou
a Traffic à contratá-lo junto ao Coritiba.
Já Valdívia, cujo passe pertencia à investidores,
foi vendido por desejo do clube em faturar
algum dinheiro.
Em 2009, o Palmeiras
começa a temporada exibindo um grande futebol,
e tem em Keirrison seu grande nome. O atacante,
tamém contratado pela Traffic junto ao Coritiba,
tem seu nome ligado a uma dezena de clubes
europeus e deve ser vendido no meio do ano.
Ou seja, repetirá-se o mesmo cenário de
2008, mas torcida e imprensa parecem esquecer
o que houve um ano atrás.
Desta fora,
o Palmeiras mais uma vez parece limitado
a celebrar conquista de Paulistas, deixando
o Brasileiro longe de suas aspirações. Natural
para quem fez de seu clube um claro e transparente
balcão de negócios.
Mal-humor
com razão 09/02
Depois da derrota para o Santo André,
Muricy Ramalho, técnico do São Paulo, dirigiu-se
à sala de imprensa para mais uma de suas
populares entrevistas coletivas. Suas reações
exageradas são freqüentes, misturas de um
mal-humor ácido e um pouco de marketing.
Na
ocasião em questão, Muricy acabou sendo
mais áspero que o comum com um repórter
da ESPN Brasil, que teria rido durante a
pergunta. Situação contornável, mas que
acabou por deflagrar um clima de guerra
entre os profissionais e o técnico tricolor.
Claro
que Muricy exagerou, mas serviu apenas para
deixar claro como alguém indisposto a fazer
média simplesmente não tolera a mediocridade
dos repórteres esportivos. As perguntas
que são feitas, geralmente, são para encurralar
o técnico e gerar manchetes populares em
jornais e programas televisivos. Não há
conteúdo que, com o mínimo de raciocínio,
qualquer um poderia chegar a sua própria
conclusão.
A entrevista coletiva
é feita para os técnicos, jogadores ou repórteres?
Ao que parece, todos esqueceram que as informações
ali deveriam ser dirigidas aos torcedores
de seus clubes, para esclarecer os motivos
do último resultado, explicar os fatos que
ocorreram dentro do campo e são imperceptíveis
durante a transmissão ou para quem está
no estádio.
Parece simples, mas muitos
acabam esquecendo seus papéis: o de jornalista
é apurar os fatos, não fazer especulações
ou gerar pressões despropositadas. Para
tanto, deve formular perguntas que sejam
de interesse dos torcedores, que tenha algum
valor informativo. Ao contrário desse lema
imaginário jornalístico, o que vemos são
os mesmos profissionais sempre com as mesmas
perguntas, ou pior, com questões que não
interessam a ninguém a não ser ao desejo
de ser atacado e posar posteriormente como
vítima e levantar questões corporativistas.
Não
é de se espantar que, algumas vezes, o mal-humor
de Muricy tenha razão. Para obter
boas respostas, é necessário ter boas perguntas.
Mais do que isso é pedir demais.
Brincadeira
de verdade? 19/01
Qualquer aficcionado por jogos do estilo
manager pensa: se eu tivesse 110 milhões
de euros, como podeira investir esse dinheiro
para transformar um clube médio em um time
com potencial para disputar títulos a curto
e médio-prazo?
Definitivamente, essa
resposta não resume-se a contratar um único
jogador, um dos melhores do mundo, e transmitir
toda a responsabilidade deste projeto à
sua recente contratação megalômana. E é
exatamente isso que tenta fazer o Manchester
City.
Claro, se você é um bilionário
ditador que domina um dos países que lideram
o ranking de extratores de petróleo, talvez
você não se importe de gastar essa bagatela
em um único jogador. A questão é que Kaká
não transformará, sozinho, o Manchester
City em um clube de ponta na Premier League.
Há
quem diga que o elenco do City não é ruim.
De fato não é, mas também não pode ser comparado
aos clubes tops da Inglaterra, mesmo se
Kaká for contratado. Os árabes precisam
atrair jogadores que atuem em clubes menores
ou em ligas menores. Ou seja, seguir o exemplo
do Chelsea quando foi comprado por Abramovic:
dado o pouco interesse das grandes estrelas,
o Chelsea buscou Drogba, Cech, Ricardo Carvalho,
Essien. Jogadores de enorme qualidade, mas
que estavam em clubes em ligas de menor
importância.
A contratação de Nigel
de Jong, volante marcador do Hamburgo, talvez
seja um indicador de que o City está no
caminho certo. Porém, ao mesmo tempo, o
City enumera craques como Buffon, Cristiano
Ronaldo, Torres e Villa como futuros alvos
no mercado. Ou seja, é difícil entender
qual a real intenção dos donos do clube.
Elencos
recheados de estrelas invariavelmente causam
problemas: Real Madrid, Barcelona, Chelsea...
Caso tenha essa visão de montar um clube
com jogadores que buscam afirmação aliados
com um grande nome como Kaká, o City tem
todas as possibilidades de juntar-se ao
seleto grupo dos grandes da Europa. Caso
contrário, será apenas mais um milionário
que logo cansará de brincar de "footbal
manager".
Feliz
ano velho 13/01
A Temporada 2009 do futebol brasileiro
está próxima de seu começo (não me venham
falar de Copa SP). Ainda faltam alguns dias
para o início dos torneios regionais, e
certamente algumas equipes ainda farão alguns
ajustes em seus elencos, mas já é possível
verificar a realidade dos grandes clubes
paulistas para este ano.
O Palmeiras
é, sem dúvida, a grande decepção em termos
de expectativa. Após firmar parceria com
a Traffic e sinalizar a formação de um novo
esquadrão palestrino, tudo não passou de
fumaça. A campanha em 2008 limitou-se apenas
à conquista do Paulistão, com uma discreta
quarta posição no Brasileiro. Luxemburgo,
por muitos ainda considerado um técnico
exemplar, não mostrou um trabalho capaz
de tornar o Palmeiras como um forte adversário.
A
decepção do torcedor palmeirense atravessou
2008 e chegou à 2009. O clube desfez-se
de uma imensidão de atletas que faziam parte
do time principal: Leo Lima, Elder Granja,
Leandro, Alex Mineiro, Martinez, Roque Júnior
e Denilson, entre outros, além das indefinidas
situações de Kléber e David. Pensando ainda
nas transferências de Valdívia e Gustavo
em meados de 2008, a equipe que disputará
o Paulistão está quase que inteiramente
modificada. Belo planejamento...
Quando
falamos em planejamento, é sempre válido
citar o São Paulo. O atual tricampeão brasileiro
iniciará a temporada de 2009 com ainda mais
ares de "Lyon brasileiro". Seu
elenco não sofreu nenhuma baixa considerável,
e ainda ganhou os acréscimos de Wágner Diniz,
Eduardo Costa, Renato Silva, Junior Cesar,
Washington e Arouca. O caso de Arouca é
emblemático: ciente de que, em breve, será
impossível manter Hernanes, Muricy terá
tempo para adaptar o carioca para a função.
Enquanto
isso, o Corinthians fez um inteligente trabalho
de marketing com a contratação de Ronaldo.
Dentro de campo, sua participação é uma
clara interrogação, mas é necessário destacar
o recente empenho do atacante em sua recuperação
física. Em sua posição e com seu saldo bancário,
ele não precisaria submeter-se a uma pesada
rotina de exercícios e à obrigatoriedade
de manter-se alerta em sua vida pessoal.
Afinal, qualquer novo escândalo neste momento
colocaria um ponto final na euforia dos
investidores que lucrarão com a imagem de
Ronaldo associada ao Corinthians.
Dentro
de campo, o Corinthians manteve os principais
jogadores de sua campanha na Série B e reforçou-se
para compensar as derradeiras fragilidades
de seu elenco, que sofreu alterações ainda
durante o último ano, como a chegada de
Morais. Mano Menezes terá mais tranquilidade
em seu trabalho do que Vanderlei Luxemburgo,
e a apresentação antecipada de seu elenco
em relação aos rivais pode ser importante
em um primeiro momento.
Ao lado do
Inter, Grêmio e do Cruzeiro, o trio paulista
costuma monopolizar a atenção dos noticiários
quando se trata dos favoritos ao Brasileiro.
Porém, nos últimos 11 anos, o campeão nacional
foi um clube de São Paulo em oito oportunidades.
Será difícil quebrar essa hegemonia novamente.
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