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Campeão
do Mundo 19/12
No último domingo, o Milan sagrou-se
campeão Mundial da FIFA, superando o
Boca Juniors por 4 a 2 na decisão do
torneio. Além disso, tornou-se o primeiro
clube a ser quatro vezes campeão do
Mundo e conquistou seu 18º título internacional,
ultrapassando o próprio Boca, que soma
17 troféus.
Apesar de todas as
críticas direcionadas ao elenco rubro-negro
e sua direção, a postura adotada pelo
clube em relação a competição foram
impecáveis. Desde a conquista da Liga
dos Campeões, não foram poucas as declarações
que deixavam claro o desejo de priorizar
a competição disputada em solo oriental,
contrariando o pensamento popular de
que os clubes europeus não dão o devido
valor ao torneio. Essa postura fez-se
clara com a prévia chegada do elenco
ao Japão, com o intuito de adaptar-se
ao fuso horário, que interfere em termos
fisiológicos, como alimentação, sono
e descanso muscular. Pensando também
em descanso, o Milan acertou novamente
ao utilizar o decepcionante Gilardino
na semifinal, frente ao Urawa Reds,
poupando o talismã Inzaghi para a decisão.
Em
campo, na grande final, o técnico Carlo
Ancelotti soube enxergar os espaços
vazios proporcionados pelo Boca e usou
seus dois maiores talentos ofensivos,
Kaká e Seedorf, às costas dos laterais
argentinos, ao contário do que geralmente
ocorre, com o brasileiro próximo à área
adversário e o holandês com liberdade
para atuar pelo centro.
A
variação tática foi uma novidade, já
que, invariavelmente, o Milan peca pela
falta de modificação e movimentação.
Ainda em termos táticos, o meio-campo
rossonero provou novamente ser um dos
melhores do mundo. Pirlo e Ambrosini
são igualmente discretos, apesar da
enorme diferença técnica entre ambos,
mas a segurança que ambos proporcionam
aliada à garra e liderança de Gatusso,
além da volatilidade de Seedorf e da
incontestável condição de destaque Mundial
de Kaká, tornam o setor completo.
Se
as laterais são um problema crônico,
o ataque com Inzaghi rende muito mais.
Caso Ronaldo ou Pato estivessem em campo,
fica a sensação de que poderia acontecer
uma goleada histórica. Porém, nada disso
realmente importa no momento. A comemoração
pelo título rende tranquilidade ao grupo
e ainda mais alegria aos torcedores.
Mudança
de patamar 14/12
Há algumas semanas atrás, comentamos
nesta coluna sobre a situação da Seleção
da Inglaterra após o vexame nas Eliminatórias
da Eurocopa. Sabia-se que somente um
milagre divino poderia manter Steve
McClaren no comando do English Team,
e naquela mesma semana o treinador foi
demitido do cargo.
Após a confirmação
da saída de McClaren, muitos nomes passaram
a ser especulados como alvos da FA.
O primeiro da lista era, por motivos
óbvios, José Mourinho. O português,
desempregado desde que deixou o Chelsea,
declarou não ter interesse no cargo.
Porém, antes mesmo de Mourinho rejeitar
um eventual convite, Martin O'Neill,
conceituado técnico do Aston Villa,
retirou seu nome da lista de especulações
tão logo McClaren caiu.
Após
a recusa de ambos, as portas se abriram
para o italiano Fabio Capello. Sem clube
desde junho, quando deixou o Real Madrid,
o italiano terá a missão de reerguer
o English Team e, pautado por sua fama
de vencedor, transformar a Inglaterra
em uma equipe realmente competitiva.
Capello
assumiu um Real Madrid sem conquistar
um título por vários anos. A pressão
por uma conquista era enorme, e Capello
invariavelmente sabe como levar suas
equipes a um título. Então, antes de
apresentar um futebol impressionante,
que encantasse os torcedores, os Merengues
precisavam voltar a vencer, e o italiano
conseguiu.
Apesar da conquista,
Capello foi intensamente criticado por
ter abdicado de Ronaldo e, recentemente,
em encontro com o brasileiro, voltou
a mencionar a forma do atacante. Hoje,
ao observar a sequência inativa de Ronaldo
e a profusão de gols de Van Nistelrooy,
pode-se ver claramente que Capello tinha
razão.
Outro ponto que coloca
o trabalho de Capello em dúvida é seu
esquema defensivo de jogo, alegando-se
que as equipes armadas pelo italiano
não apresentam um bom futebol, com uma
grande fluência ofensiva. Mas pode-se
dizer o mesmo de José Mourinho e Felipão,
e ambos são elogiados pela aura vencedora
que também rodeia o trabalho de Capello.
Nesta
quinta-feira, o nome de Fabio Capello
foi aprovada em uma reunião com os membros
da FA, que endossaram a proposta feita
ao italiano no dia anterior: um salário
anual em torno de 5,8 milhões de euros.
A comissão técnica é algo que ainda
causa desacordo, já que Capello gostaria
de contar com Franco Baldini como diretor
esportivo, assunto que ainda será discutido
com a FA.
A oficialização de
Fabio Capello no comando do English
Team deve ocorrer em breve, e sua estréia
deverá ocorrer em fevereiro, em amistoso
contra a Suíça em Wembley. Prever a
Inglaterra conquistando títulos é uma
tarefa imaginária, mas Capello tem a
experiência necessária para evitar os
erros cometidos por McClaren e, certamente,
não deixar os torcedores ingleses envergonhados.
Golpes,
falhas e quedas 05/12
No início dos anos 90, o Palmeiras firmou
com a multinacional Parmalat um acordo de
co-gestão, no qual a empresa administrava
o futebol do clube. O sucesso obtido pelo
clube nos anos seguintes, com a contratação
de jogadores que viriam a se tornar grandes
nomes do futebol brasileiro, a conquista
de títulos expressivos e a contínua exibição
de um futebol de extrema categoria, serviu
para alertar muitos dirigentes locais: a
glória estava em uma "galinha dos ovos
de ouro".
Nos anos seguintes,
choveram acordos e supostas quantias exorbitantes,
mas até hoje, nada que se equipare ao sucesso
do alviverde paulistano. Flamengo e Grêmio
são clubes que sofreram nas mãos da ISL,
que faliu pouco após firmar acordo com os
dois clubes. Outro caso famoso é a Matonense,
que firmou acordo com a Futura Sports e
chegou a enviar dois times à campo: um da
empresa e outro formado às pressas pelo
clube, devido à divergências entre ambos.
Hoje, o presidente do clube é Israel de
Jesus, à época técnico da Futura Sports
e famoso por criar o esquema tático "roleta-russa",
que nem ele sabe explicar como funciona.
Porém, nenhum clube apostou tanto
em parcerias quanto o Corinthians. Até por
isso, é difícil saber quais conquistas do
alvinegro vieram pelas mãos do clube e quais
foram possíveis somente por investimentos
externos, posterioremente mal sucedidos.
A
primeira tentativa do Corinthians, presidido
por Alberto Dualib desde 1993, aconteceu
em 1997. Por 12 milhões de reais, sendo
5 milhões no primeiro ano e o restante parcelado
no ano seguinte, o Timão acertou acordo
de patrocínio com o Banco Excel, que patrocinaria
sua camisa e investiria em contratações,
gerenciadas inicialmente pelo ex-jogador
Mário Sérgio.
Porém, após os
títulos Paulista de 97 e o Brasileiro de
1998, o Banco Excel faliu no primeiro semestre
de 1998 e foi comprado pelo Bilbao Viscaya,
que apenas cumpriu o contrato vigente sem
seguir o investimento, até o final daquele
ano. Então, o Timão esteve próximo de acertar
acordo com o Banco Icatú, mas desentendimentos
sobre valores emperraram a negociação. Porém,
a aproximação de ambos valeu ao Corinthians
o patrocínio da Embratel.
Com o fracasso
na negociação com o Icatú, o Corinthians
firmou acordo com o HTMF (Hicks, Muse, Tate
& Furst), um fundo de pensão norte-americano,
em abril de 1999. O Corinthians tinha uma
grande base construída com a ajuda do Excel,
mas o HTMF foi fundamental. Apesar de a
verba ser maior do que a de Icatú e Excel
(R$ 100 milhões só no primeiro ano, incluindo
despesas para sanar dívidas, acertar contratações
e finalizar o CT de Itaquera), os moldes
eram parecidos e duraria, inicialmente,
dez anos - com chance de renovação por mais
dez
A principal medida decorrente
da parceria foi a transformação do departamento
de futebol corintiano em empresa, com o
nome "Corinthians Licenciamento Limitada
Hicks Muse". Todo o setor ficou a cargo
do grupo estadunidense, que não se envolvia
na parte social e em decisões ligadas à
disputa dos jogos. A HTMF certamente foi
a principal parceira do Corinthians. Com
a base montada já pelo Excel, trouxe mais
reforços e transformou o time num verdadeiro
esquadrão. A equipe faturou o Brasileirão-1999
e ganhou o título mais importante de sua
história, em 2000: o Mundial.
Certamente,
o acordo firmado com a HTMF era excelente
para o Corinthians. Porém, a ganância falou
mais alto, e os valores referentes a negociações
de jogadores desgradavam os dirigentes corintianos,
que tinham óbvias dificuldades em enriquecer
com as transferências, já que boa parte
da renda pertencia à HTMF. Então, com uma
série de desavenças e um crescente desinteresse
dos americanos, a parceria encerrou-se em
Agosto de 2002.
Pouco mais de dois
anos depois, em Novembro de 2004, outra
parceria, desta vez com a nebulosa MSI.
Apesar de todos os claros sinais de que
o dinheiro da empresa era ilícito, a parceria
foi aprovada e as cifras milionárias começaram
a aparecer. Com os gordos cheques, veio
a conquista do título Brasileiro de 2005.
No
entanto, um esquema simples de lavagem de
dinheiro não dura, ainda mais com tantas
suspeitas e investigações externas. Com
a saída dos jogadores pertencentes à empresa
e a interrupção na injeção do dinheiro,
o Corinthians viu-se, após dez anos, sem
sua galinha dos ovos de ouro. O resultado
disto é conhecido dos torcedores e desnecessário
citar.
Vale sempre lembrar que o
acordo entre Palmeiras e Parmalat teve fim
em 2000, e pouco depois o clube foi rebaixado
para a Segunda Divisão. Portanto, pode-se
ver que a ambição corintiana de assemelhar-se
ao grande rival teve enorme sucesso. Nada
como a incompetência aliada à falta de visão.
Fortes
emoções, mas nem tanto 29/11
No último domingo, 25 de novembro, foram
sorteados os grupos para as Eliminatórias
Européias para a Copa de 2010. O sorteio
ocorreu sem grandes surpresas, e ainda sob
o "calor" das Eliminatórias para
a Euro, que terminaram na última quarta-feira,
quatro dias antes.
Como sabe-se,
a única zebra de fato foi a Inglaterra,
que caiu diante de Croácia e Rússia. Nas
outras chaves, apesar de certas dificuldades,
os classificados ficaram dentro do esperado.
No
grupo A, a ascendente Polônia garantiu vaga
ao lado de Portugal, que tropeçou algumas
vezes, mas superou Sérvia e a surpreendente
Finlândia. No B, Itália e França sofreram
muito, mas conseguiram suas vagas à frente
da sensação Escócia, que por toda a competição
manteve a possibilidade de eliminar um dos
fortes concorrentes, mas naufragou ao perder
em casa para a melhor Itália dos últimos
anos.
No Grupo C, o mais fraco de
todos, também reinou o previsível, com Grécia
e Turquia classificando-se à frente da Noruega,
que apresentou uma evolução em relação aos
últimos anos. No Grupo D, a emoção, qualquer
que seja, ficou de lado. Alemanha e República
Tcheca não deram qualquer chance aos adversários
(Irlanda, Eslováquia, País de Gales).
No
Grupo E, a grande zebra, com a Inglaterra
perdendo sua vaga em casa diante da Croácia,
ao tempo que a Rússia vencia Andorra. Nos
Grupos F e G, nenhuma surpresa nos classificados:
Espanha e Suécia, Romênia e Holanda garantiram
suas vagas, com apenas a Irlanda do Norte
causando certo furor no grupo F.
Agora,
o sorteio das Eliminatórias para a Copa
do Mundo voltou a nos presentear com um
cenário de poucas emoções. Na cidade de
Durban, na África do Sul, a FIFA realizou
o emparelhamento das chaves, e seu sistema
é diferente da Euro: 9 grupos, com os primeiros
colocados e o melhor segundo com vagas asseguradas
nu Mundial. Na repescagem, os oito segundo
colocados restantes enfrentam-se em jogos
de ida e volta, garantindo mais quatro participantes
na Copa.
Dos grupos sorteados, um
dos mais equilibrados é o Grupo 1, com Portugal,
Suécia e Dinamarca, além de Hungria Albânia
e Malta. Portugueses e suecos brigarão pela
vaga direta, mas serão incomodados pela
Dinamarca. Maus resultados nos confrontos
diretos podem complicar um dos favoritos.
No
grupo 2, o mais fraco, reúnem-se Grécia,
Israel, Suíça, Moldávia, Letônia e Luxemburgo.
Aqui, há duas equipes em crescimento, Israel
e Suíça, enquanto a Grécia segue estabilizada
como uma seleção de segundo escalão, mas
com certa força. Porém, essa estagnação
dos atuais campeões da Euro custará, mais
uma vez, a vaga no Mundial.
O
grupo 3 tem equipes do leste europeu e ex-companheiros.
República Tcheca e Eslováquia formavam a
temida Tchecoslováquia. Além dos “irmãos
separados”, a chave reúne também Polônia,
Irlanda do Norte, Eslovênia e San Marino.
Os poloneses são, certamente, a força do
grupo ao lado da República Tcheca, que passa
por longo processo de renovação. A Irlanda
do Norte, com um crescimento assombroso
nos últimos dois anos, pode complicar se
manter sua linha atual.
Alemanha,
Rússia, Finlândia, País de Gales, Azerbaijão
e Liechtenstein foram o Grupo 4. Aqui, não
há segredo algum: Alemanha e Rússia são
os dois primeiros, mas os germânicos são
muito superiores.
O grupo 5 tem Espanha,
Turquia, Bélgica, Bósnia, Armênia e Estônia.
Turcos e espanhóis monopolizam a chave,
e a Bélgica tenta retornar aos velhos tempos,
mas ainda está longe de suas tradições.
No
grupo 6, um reencontro que dará calafrios
nos criadores do esporte. Croácia e Inglaterra
voltam a encontrar-se, ao lado de Ucrânia,
Bielorrúsia, Cazaquistão e Andorra. A previsão
para esta chave depende do rumo que o English
Team terá após a saída de Steve McClaren.
Caso um técnico de nome aporte em Wembley,
a Inglaterra é favorita. Do contrário, corre
o risco de perder a vaga para os ucranianos.
A Croácia é a segunda força e uma equipe
em clara escalada no cenário europeu.
França,
Romênia, Sérvia, Lituânia, Áustria e Ilhas
Faroe dividem as atenções no Grupo 7. Novamente,
não há muito segredo, com franceses e romenos
nas duas primeiras colocações. No grupo
8, a Itália reina sozinha frente à Bulgária,
Irlanda, Chipre, Géorgia e Montenegro.
Para
finalizar, o Grupo 9 será um dos mais disputados,
com Holanda, Escócia, Noruega, Macedônia
e Islândia. Sem nenhum grande saco
de pancadas, Holanda e Escócia terão grandes
problemas ao jogar fora de casa. A Noruega
apresentou sintomas de melhoras na eliminatória
para a Euro, e a Macedônia é uma equipe
que cresce a cada ano, com seus jogadores
ganhando melhor destaque em clubes maiores
pela Europa. A Islândia, além do enorme
frio em suas terras, não tem a mesma fragilidade
de outras seleções dos potes mais fracos,
como Andorra e Malta.
Certamente,
como em toda eliminatória longa, haverão
momentos de transição, com equipes em remodelação
após a Euro e outras possíveis trocas de
técnico. A dúvida ficará para o pla-yoff
entre os segundos colocados, mas, novamente,
esta fase apresentou poucas surpresas até
hoje. Salvo alguma grande tragédia, a próxima
Copa verá as principais equipes do continente
na competição.
Vergonha
nacional 22/11
O que parecia certo, e muita vezes óbvio,
aconteceu: a Inglaterra ficará de fora da
Eurocopa de 2008. A vergonhosa e irregular
campanha do English Team culminou com a
eliminação em um grupo com equipes boas
tecnicamente, mas totalmente acessível:
Israel, Macedônia, Andorra, Estônia, Rússia
e Croácia.
A eliminação ocorreu nesta
quarta-feira, em pleno Wembley. Aos ingleses,
bastava vencer a Croácia para não depender
de um tropeço da Rússia, que enfrentaria
a inexistente Andorra fora de casa. Em outras
palavras, os ingleses tinham a obrigação
de obter os três pontos em casa e festejar
com seus torcedores. Então, com falhas de
atenção e do arqueiro Carsson, a Croácia
venceu por 3 a 2, a Rússia superou Andorra
e ambos se classificaram, deixando os inventores
do esporte em terceiro lugar. Apenas
os dois primeiros de cada grupo se classificariam.
Historicamente,
o English Team deixa a desejar em momentos
de maior pressão. Excessão ao conturbado
Mundial de 1966, quando conquistou a taça
jogando em casa, os ingleses fracassam no
momento decisivo. O atual desaire, o primeiro
retumbante desde a não classificação para
a Copa de 1994, revela claramente que a
Seleção Inglesa não é um time. Uma
equipe base formada por jogadores como Ashley
Cole, Micah Richards, Rio Ferdinand, John
Terry, Steven Gerrard, Frank Lampard, Joe
Cole, David Beckham, Michael Owen e Wayne
Rooney seria suficiente para fazer frente
a qualquer equipe do Mundo, sem sombra de
dúvidas. Então, porque isso, de fato, não
ocorre?
O primeiro motivo para o
péssimo futebol apresentado é o técnico
Steve McClaren. Bons resultados à frente
do inexpressivo Middlesbrough seriam suficientes
para uma chance em uma equipe de maior poderio
no cenário inglês, mas jamais serviria como
parâmetro para uma escolha nacional. A recusa
de Felipão abriu as portas para McClaren,
numa óbvia escolha tampão. O problema é
que, apesar de se tratar apenas de uma escolha
temporária, a Federação Inglesa esperava
que McClaren conseguisse a classificação
pelo grupo que teria em mãos. O
segundo motivo está diretamente relacionado
ao primeiro. A escolha de McClaren reduziria
as chances do English Team apresentar um
belo futebol, mas o que viu-se foi ainda
pior: sem um padrão e sem qualquer tipo
de trabalho tático, a Inglaterra viveu de
lampejos de seus grandes talentos. O problema
é que McClaren não soube, pelas suas limitações,
fazer os seus talentos individuais brilharem.
A utilização de Lampard e Gerrard, jogadores
que ocupam o mesmo espaço e desempenham
a mesma função, jamais foi resolvida. Além
disso, a teimosia em deixar Beckham fora
de seus planos por um longo período foi
crucial para vários tropeços.
O terceiro
fator que complicou a vida inglesa foram
lesões. Muito raramente os principais nomes
do país conseguiam reunir-se sem baixas.
Joe Cole, Terry, Owen, Rooney e Beckham
conviveram com lesões na reta final das
eliminatórias. No caso de Owen, o erro é
contar com ele, já que o outrora "menino
de ouro" é um caso perdido.
Nestes
momentos de lesões, McClaren perdeu-se definitivamente,
apelando a jogadores como Gareth Barry e
o grotesco Emile Heskey, abdicando de jovens
valores como Walcott e Darren Bent, por
exemplo. A única novidade bem-vinda nas
convocações era o lateral direito Micah
Richards, muito pouco em termos de renovação
após dois anos de trabalho na Seleção.
A
falha nas Eliminatórias para a Euro deixam
grandes dúvidas sobre o futuro do English
Team. Acreditar que McClaren sobreviverá
a este imenso fracasso é surreal, assim
como é pensar em um substituto que torne
os ingleses em um time que represente o
futebol que seus jogadores são capazes de
executar. O técnico é um dos grandes responsáveis
pelo desapontamento que hoje assola os torcedores,
mas sua escolha foi tão descabida quanto
as atuações da Inglaterra em campo.
Passado
e presente 07/11
Quando fala-se de futebol, costumeiramente
existe um grande saudosismo, e quanto a
isso já nos posicionamos anteriormente.
Porém, há certas verdades inexoráveis, e
nem o mais crítico do futebol de anos atrás
seria capaz de discordar.
Um claro
exemplo disso está no atual Milan, por exemplo.
A equipe comandada por Carlo Ancelotti prima
por um futebol defensivo, que abusa dos
contra-ataques, visando as grandes qualidades
de seus dois maiores nomes: a visão de Pirlo
e a velocidade de Kaká. Nada mais. Quando
não consegue encaixar suas jogadas em profundidade,
não há jogo para os rubro-negros. Resta
apenas um sistema defensivo sem um grande
desarmador, que utiliza-se de faltas para
impedir os avanços adversários e obrigá-los
a usar bolas alçadas, que favorece os altos
zagueiros Nesta e Kaladze. Quando os "destruidores
de jogadas" falham, o Milan invariavelmente
sofre gols.
Ao pensar nesta realidade
de um clube enorme como o Milan, a morte
de uma figura emblemática como Nils Liedholm
faz-nos pensar em quanto os saudosistas
tem razão em alguns momentos. O sueco Liedholm,
para aqules que não o conhecem, foi capitão
da Suécia na Copa de 1958, que acabou com
o vice-campeonato frente ao Brasil, e marcou
época no futebol italiano, principalmente
em Milan e Roma. Também pela Suécia, foi
campeão Olímpico em 1948.
No Milan,
passou doze temporadas como jogador, fez
parte da equipe técnica e trabalhou como
treinador. Foram quatro títulos como jogador,
um deles tendo marcado 37 gols, e um como
treinador, o décimo da história do Milan,
que lhe valeu a primeira estrela dourada
na camisa. Na Roma, foi campeão como técnico
e levou o time ao vice-campeonato europeu
em 1984, organizando a equipe que tinha
Falcão e Conti. No Milan, como jogador,
formou o mítico ataque Gre-No-Li, que
marcou 118 gols em 1949/50.
Sobre
este futebol defensivo que vemos hoje, Liedholm
disse: "Não se deve criticar apenas
o 'catenaccio'. Defende-se também no meio-campo,
com mil faltas táticas. Eu repetia para
os meus jogadores: 'se você comete falta,
erra duas vezes'. A bola continua com eles,
e você passa uma mensagem de fraqueza. Eu
treinava muito, contra um jogador ou dois,
para roubar a bola sem cometer falta".
Liedholm,
reza a lenda, demorou dois anos para errar
o primeiro passe no Milan. Quando errou,
foi ovacionado. Aos 85 anos, Liedholm se
foi. E um pedacinho do belo futebol de décadas
atrás também. Que sirva de inspiração para
que o Milan de hoje reviva os velhos tempos
A
Copa do Mundo é... de quem mesmo? 31/10
Nesta terça-feira, o Brasil
foi oficializado pela FIFA como organizador
da Copa do Mundo de 2014. A escolha não
gerou nenhuma surpresa, já que a candidatura
brasileira era única, não tinha adversários.
Estamos há pouco menos de sete anos do pontapé
inicial do Mundial, mas pode-se tirar certas
conclusões desde já.
Primeiramente,
a presença exclusiva do Brasil neste processo
seletivo revela o poder que Ricardo Teixeira
realmente têm em suas mãos. Imaginar que
a Argentina tenha abrido mão dos benefícios
financeiros e comerciais de uma Copa do
Mundo sem receber nada em troca é inocência.
Outro
discurso que levanta polêmica é o investimento
a ser realizado. O Pan-Americano deste ano
mostrou ao povo que, quando se trata de organizar
eventos de grande porte, falta experiência
ao brasileiro. Os gastos excederam as expectativas
mais de dez vezes, e as melhorias na infra-estrutura
carioca não existiram. Para a Copa do Mundo,
fala-se que a "iniciativa privada"
se responsabilizará pelos investimentos.
Ou
seja, uma empresa assume os gastos de construção
ou modernização dos estádios, cabendo ao
governo apenas tratar das questões de ordem
pública, como transportes, saúde, vias públicas,
turismo e etc. Provavelmente, empresas envolverão-se
no processo, pois é uma excelente oportunidade
para exposição de sua marca, marketing.
Porém, acreditar que nenhum centavo sairá
dos cofres públicos para reforma ou construção
de estádios é, mais uma vez, inocência.
Outro
ponto que reforça a teoria do interesse
público em financiar o Mundial é a presença
dos Governadores Estaduais na cerimônia.
A CBF sabe muito bem que tem em mãos algo
que renderá muito dinheiro a seus aliados,
e certamente, à própria entidade. Seguramente,
quanto maior a representatividade e poder
econômico do Estado, maior serão os benefícios
recebidos. Então, não haverá pudor em fornecer
uma "pequena" ajuda financeira
ao comite organizador, mesmo que utilizando
laranjas e etc...
O movimento "chapa-branca"
da imprensa nacional, presente no anúncio
desta terça-feira, chegou a ser enojante.
Em certo ponto, coube a um dos jornalistas
presentes indagar Ricardo Teixeira se "esta
seria a Copa do Povo". Mais uma questão
que ilude o torcedor comum. Os ingressos
para uma Copa do Mundo tem preços exorbitantes,
e certamente o "povo" não terá
presença garantidas nos jogos do Mundial.
Para
reforçar esta ajuda que a imprensa oferecerá,
basta lembrar da cobertura dada ao Pan-Americano.
Em todos seus noticiários, a Rede Globo
manipulava sua audiência com o simples fato
de não noticiar o andamento das obras para
a competição. Em nenhum momento falou-se
dos rombos financeiros e do orçamento estuporado,
seja antes, durante ou depois.
Então,
com uma mídia de grande apelo pouco preocupada
em investigar, os poucos veículos que são
críticos são vistos como inimigos da pátria,
pessoas desgostosas que estão sempre contra
tudo e todos. E, quando a Copa acabar e
o Brasil for campeão, tudo será esquecido
e aqueles que mostrarem a parcela da realidade
possível, receberão o velho tratamento ufanista
do "vocês vão ter que me engolir".
Caindo
pelas tabelas. E divisões. 25/10
Na última semana, o Corinthians
comemorou os 30 anos de um título marcante
de sua história, o Paulista de 1977. Para
o torcedor alvinegro, apenas um fato do
passado pode o animar diante da tenebrosa
posição do clube no atual Campeonato Brasileiro.
Nos
últimos anos, o Corinthians jamais teve
tranquilidade: ou lutou pelo título ou contra
o rebaixamento. Quem não lembra-se daquela
salvadora vitória contra o Goiás, em 1996?
Ou então a ajuda que Grafite deu ao Timão,
vencendo o Juventus e impedindo que o clube
fosse rebaixado no Paulistão? No
ano passado, a situação foi parecida, mas
uma reação nas últimas rodadas e uma sequêcia
de vitórias colocou o Corinthians nas posições
intermediárias. Porém, nesta ano, este milagre
parece difícil de ocorrer. Com um elenco
fraco e um ataque inexistente, as vitórias
não aparecem. Quando surgem, como no clássico
diante do São Paulo, o gol acontece em um
lance ocasional de bola parada ou então
em cruzamentos para Finazzi.
O atacante,
ex-Ponte Preta, representa bem a qualidade
do grupo alvinegro. Jogadores que são, no
máximo, esforçados. Exceção ao arqueiro
Felipe, único em reais condições de obter
uma carreira internacional, os restantes
são jovens medianos que não foram negociados
(ainda) ou jogagores experientes em final
de carreira, casos de Vampeta e Ricardinho.
Existem
ainda os que não se encaixam em outro grupo:
as contratações equívocadas. Aílton passou
toda sua carreira no México, e, acima do
peso, chegou ao Timão como um craque que
não foi observado anteriormente. Clodoaldo,
atacante do Fortaleza, chegou ao Parque
São Jorge como promessa de gols, graças
a uma compilação de lances em DVD que
o classificavam como o "Nistelrooy
negro", segundo um programa de rádio.
As
instabilidades na diretoria parecem próximas
do fim, com o fim da parceria com a MSI
e o afastamento de Alberto Dualib. Porém,
o sucessor é Andrés Sanchez, que tinha ligação
com o ex-presidente e apoiava a parceria.
Seria ele o mais indicado para esclarecer
as nebulosidades que cercam as finanças
e problemas estruturais? Provavelmente não.
O
torcedor corintiano, triste, não consegue
consolo nem mesmo ao assistir a Liga dos
Campeões. Afinal, em uma rodada com gols
de Jô, Bobô e Liédson e outros em campo,
como Eduardo Ratinho, Éwerthon, Ânderson,
Deivid, Tevez, Mascherano, Ricardinho, Edu
e Willian, fica difícil encontrar alegria.
Quando até o Bobô deixa saudades, a situação
é mesmo desesperadora.
Listas
e polêmicas 17/10
Na última semana, a FIFA
anunciou a lista dos 30 jogadores indicados
ao prêmio de Melhor do Mundo, oferecido
pela entidade desde o início dos anos 90.
Houve uma grande polêmica em torno da ausência
de alguns jogadores que tiveram uma grande
temporada, mas a questão que desejamos abordar
é um pouco diferente.
De fato, uma
lista que contempla os melhores jogadores
da temporada não pode ficar sem Zlatan Ibrahimovic,
Francesco Totti, Daniel Alves, Fábregas e
David Villa. Porém, há algo a se observar
em listas desse gênero: existem hoje 30
jogadores que poderiam vencer este um prêmio
de "melhor do Mundo"?
Na
lista da FIFA, há uma série de jogadores
que não poderiam ser indicados a um prêmio
referente a temporada. Lilian Thuram, Carlos
Tevez, Ronaldinho, Nesta, Rafa Márquez,
Frank Lampard, Juninho, Thierry Henry, Gattuso
e Samuel Eto'o são dez nomes que, para o
momento, são totalmente questionáveis.
Antes
que alguém tire suas conclusões: Thuram
passou boa parte da temporada entre os reservas
do Barcelona; Nesta, Eto'o e Henry sofreram
com contusões que impediram uma boa sequência;
Tevez, Ronaldinho, Juninho e Lampard viveram
um ano apático, de brilhos ocasionais; Gattuso
e Rafa Márquez, por fim, podem ser jogadores
úteis, mas não são integrantes para uma
lista de destaques individuais.
Seguindo
neste pensamento, há outros nomes que tiveram
algum sucesso com suas equipes, mas sem
um pleno destaque: Canavarro, Deco, Essien,
Lahm, Riquelme, Rooney, Terry, Fernando
Torres e Patrick Vieira. Nomes de qualidade
indiscutível, mas que não foram destaques
em seus clubes na última temporada.
Então,
da lista sobram: Buffon, Cech, Cristiano
Ronaldo, Drogba, Gerrard, Kaká, Klose, Messi,
Pirlo, Ribéry e Nistelrooy. Os arqueiros
citados estão certamente entre os grandes
nomes do futebol atualmente, mas imaginar
um goleiro premiado é algo bastante surreal.
Gerrard,
Klose, Drogba, Pirlo e Ribéry tiveram ou tem
grandes momentos, mas estão um degrau abaixo
dos demais: Kaká, Messi, Cristiano Ronaldo
e Nistelrooy foram os principais nomes da
temporada e continuam sendo.
O holandês
teve, no Campeonato Espanhol, atuações que
o colocam tranquilamente como o melhor homem
de área do futebol atualmente. Além de marcar
gols decisivos, esteve sempre em campo com
enorme motivação. O argentino, por sua vez,
vive o melhor momento de sua carreira e,
com atuações destacadas, é a grande estrela
do Barcelona no momento.
Cristiano
Ronaldo estava entre os principais favoritos,
mas o tropeço na Liga dos Campeões frente
ao Milan na Liga dos Campeões fez com que
muitas dúvidas se dissipassem: o melhor
da temporada estava do outro lado. Kaká
foi artilheiro, melhor atacante e melhor
jogador da competição. Em seu melhor momento
físico e técnico, tornou-se quase impossível
parar o brasileiro em suas arrancadas.
Não
há nenhuma dúvida quanto ao favoritismo
de Kaká. A única dúvida é: por que reclamar
de uma lista com os 30 melhores da temporada
se não existem 30 grandes destaques individuais
por ano? Com muitos nomes incluídos por
questão de importância regional e popularidade,
a eleição acaba criando polêmicas inúteis.
Como essa coluna, por exemplo...
Mudando
de assunto quando convém 18/09
No domingo, a rodada do
Campeonato Brasileiro presenciou uma partida
acima do nível normal do torneio. No Mineirão,
Atlético e Cruzeiro enfrentaram-se em diferentes
situações: enquanto um é assombrado pelo
fantasma do rebaixamento, outro ainda luta
pelo título.
A enorme diferença técnica
entre as duas equipes surgiu quando, com
dois gols de Roni, a Raposa abriu vantagem
no placar. Porém, Marinho marcou duas vezes,
Gerson mais uma, e o Atlético surpreendentemente
assumiu a liderança no confronto. Quando
a reviravolta parecia garantida, Guilherme
marcou duas vezes e deu a vitória ao
Cruzeiro, fundamental para que sua equipe
mantenha-se sonhando com a conquista do
título.
No entando, a bela partida
disputada virou assunto periférico. Tudo
porque, mais uma vez, o atacante cruzeirense
Kérlon resolveu faezr a jogada conhecida
como Drible da Foca, instalando a confusão
no gramado. O lateral Coelho não gostou
e agrediu o adversário, que, no chão, foi
cercado pelos atleticanos que o xingavam.
Após
alguns dias deste episódio, todo tipo de
reação já foi vista, menos a esperada. Alguns
discursaram sobre a morte do "futebol
arte" e outros falaram sobre o menosprezo
da jogada. A versão esperada, compartilhada
pelos membros do FL!, não foi publicada
ou divulgada em lugar algum.
No final
das contas, falar em futebol arte neste
caso é absurdo. Equilibrar a bola na cabeça
pode ser lance circense, mas não é arte,
muito menos futebol. Futebol arte é um jogo
bem jogado, com passes, lances individuais
e coletivos. Não há dúvidas que o lance
é menosprezo, afinal, ninguém lembra-se
de Kérlon fazendo suas embaixadas quando
estava perdendo um jogo. Com a vantagem
no placar, Kerlón faz seu truque e causa
confusão, expulsando um adversário, cavando
uma falta lateral, ganhando tempo. Malandragem,
mas um tipo que vai além do que é aceitável.
O
jovem Kérlon pode não perceber, mas deixou
de ser um atleta promissor para ser um "malabarista
causador de confusão". Talvez em um
lance isolado, Kerlón poderia usar sua habilidade
para criar um lance de perigo, fazer um
gol. Mas isso jamais aconteceu, e uma característica
alternativa acaba sendo sua única capacidade
reconhecida publicamente. Triste...
Enquanto
isso, os rivais festejam. A derrota sofrida
no clássico foi sobrepujada por um discurso
de "mantivemos nossa honra, não aceitamos
menosprezo". E o futebol brasileiro,
como sempre, lamenta. Quando finalmente
uma partida poderia ser festejada nos noticiários
por um futebol empolgante, fala-se de um
lance isolado e que deixou de ser novidade.
Mercado
pacato... 04/09
Na última semana, encerrava-se
o ciclo de contratações no mercado europeu.
Havia uma grande expectativa em torno de
alguns jogadores que passaram todo o mês
de agosto sendo especulados em outos clubes,
mas que passaram inatingíveis até o último
dia do mercado.
O dia iniciou-se
com a certeza de que os casos de Adriano,
Daniel Alves, Riquelme, Chevantón e até
mesmo alguma possibilidade envolvendo uma
possível contratação de última hora do Milan,
a incerteza sobre a permanência de Shevchenko
no Chelsea, a chegada de um atacante para
fechar o elenco no Manchester United, a
saída de Fred do Lyon e outra surpresa que
sempre ocorre no dia final das transferências
européias.
Porém, a expectativa foi
tornando-se em desânimo durante a última
sexta-feira, quando lentamente os nomes
foram sendo descartados pelos clubes e o
fechamento do mercado europeu tornou-se
em um evento entediante.
Adriano,
rejeitado pelo Arsenal, não se interessou
em defender Parma e West Ham por empréstimo
e acabou encostado na Inter. Havia ainda
possibilidade de ser melhor aproveitado
no clube neoazzurro, mas o técnico Roberto
Mancini optou por o deixar de fora da relação
inscritos na Liga dos Campeões.
Riquelme
esteve próximo de assinar com o Atlético
de Madrid, mas sua fama de desagregador
criada nos tempos de Villarreal ecoou no
Vicente Calderón. Visto como "negócio
arriscado", Riquelme terá de permanecer
no Villarreal contra sua vontade, já que
até mesmo um eventual retorno ao Boca foi
descartado.
Daniel Alves reclamou
de permanecer no Sevilla, Chevantón preferiu
ficar sem jogar no Sevilla do que ir para
a Turquia (o clube contratou o senegalês
Koné e utilizou a vaga de extra-comunitário
do uruguaio, que não poderá jogar), Shevchenko
permanceu nos Blues, Milan e Manchester
não movimentaram o mercado e Fred, visto
como garoto problema, manteve-se no Lyon.
O
balanço final do mercado de transferências
é positivo se lembramos do início da janela,
quando Bayern, Real Madrid, Barcelona e
Manchester contraram jogadores seguidamente,
não dando chances aos adversários de atravessarem
alguma negociação, como quase aconteceu
no caso de David Suazo, reforço da Inter,
mas que esteve próximo do Milan.
Porém,
ao verificar a listagem de negociações no
último dia do versão europeu de contratações,
vemos que a transferência mais cara do dia
foi a do brasileiro Grafite, que deixou
o Le Mans e reforça agora o Wolfsburg, por
€ 8 milhões. O mercado, que sempre teve
um encerramento agitado, teve um clima de
final de feira. Quem será que comprou o
repolho estragado?
Maria
do Bairro 28/08
Como em todo verão europeu,
uma novela envolvendo a transferência de
um atleta ocupa as manchetes jornalísticas
até o final de agosto, quando o caso chega
ou não a uma conclusão. Porém, apesar do
mercado de transferências proporcionar alguns
casos dignos de novela mexicana, poucas
vezes viu-se um episódio semelhante ao do
lateral Daniel Alves.
O brasileiro,
destaque na ala direita do Sevilla nas últimas
temporada sempre tem seu nome ligado ao
grandes clubes do continente quando a janela
de transferências é iniciada. Na temporada
passada, após a conquista da Copa da Uefa
pela primeira vez, Daniel esteve próximo
de trocar o Sevilla pelo Real Madrid, mas
Cicinho não aceitou ser incluído na negociação,
cancelando o negócio.
Como o clube
havia aceitado a transferência, o brasileiro
encarou com naturalidade e continuou sua
carreira no clube rojiblanco normalmente.
Com atuações destacadas, ajudou o Sevilla
a conquistar novamente a competição continental,
vencer a Copa do Rei e obter a vaga na Liga
dos Campeões, lutando pelo título espanhol
até a última rodada.
Com o fim da
mais bem sucedida temporada do Sevilla,
Daniel Alves voltou a negociar sua saída
do clube. Desta vez seu destino seria
o Chelsea. Seria. Os Blues ofereceram aos
espanhóis 36 milhões de euros, valor satisfatório
e consideravelmente alto. No entanto, o
presidente José Maria del Nido, famoso por endurecer
ao negociar e obter bons resultados, acreditou
que a proposta não era satisfatória, abaixo
de suas pretensões. O Chelsea cansou-se
de esperar, além de agora não exagerar nos
valores de transferências como na chegada
de Abramovic. Para mostrar que as negociações
estariam de fato encerradas, contratou junto
ao Barcelona outro brasileiro, Belletti,
por 5 milhões de euros. A contratação também
mandou outra mensagem clara: o Chelsea não
aceitará mais abusos de outros clubes em
negociações pelo fato de ter um dono milionário.
Se
os clubes deram por encerradas a negociação,
Daniel Alves teria de conformar-se e retornar
a sua rotina, mas o brasileiro resolveu
forçar sua saída de todas as formas. Criticou
o clube e Del Nido, dizendo-se desrespeitado.
Nesta segunda, recusou-se a viajar com a
delegação para a Grécia, onde o Sevilla
enfrentará o AEK pela partida de volta da
terceira eliminatória da Liga dos Campeões.
Caso entrasse em campo, Daniel não poderia
atuar por outro clube na competição continental.
A decisão gerou outro par de críticas, desta
vez do técnico Juande Ramos, declarando
que isso era suficiente para exemplificar
o tipo de profissional que Daniel seria.
Daniel
de fato é um jogador talentoso, mas o episódio
deixará grandes marcas na carreira do ala
direito, e imaginar o que pode acontecer
é algo que serve apenas para comentaristas
visionários da televisão nacional. Nesta
semana, o mercado fechará-se e uma solução
para o caso parece cada vez mais obscura.
Pelo menos nesta novela ninguém poderá queixar-se
de que o final da trama era previsível.
Surpresa
bem-vinda 23/08
Após três tempodaras até
certo ponto entediantes, a Premier League
tem um início de temporada animador. Boa
parte deste ânimo é resultado do excelente
desempenho do Manchester City até o momento,
vencendo as três primeiras partidas e isolando-se
na liderança.
Em julho, o City foi
vendido ao magnata Tailandês Thaksin Shinawatra,
ex-primeiro ministro de seu país. Sua situação
assemelha-se a de Abramovic, apesar de sua
riqueza ser muito menor se comparada à do
russo. Thaksin passui negócios nebulosos
e chegou a ter parte de sua fortuna congelada
devido investigações de corrupção.
Logo,
com questões financeiras não muito claras,
o tailandês abriu os cofres e buscou o técnico
sueco Sven-Goran Ekisson, altamente capacitado
e com uma carreira de grande sucesso em
clubes. Então, turbinado pela grana de Shinawatra, o Manchester City foi às
compras neste verão. O time até que trouxe alguns bons nomes para seu nível, mas
é um pouco estranho os valores altos pagos por jogadores que não chegam a ser
exatamente astros do futebol mundial. Sinal das questões financeiras mal resolvidas
de seu novo presidente?
Para o torcedor,
isso pouco importa. Apesar de uma série
de protestos iniciais contra a chegada do
tailandês, nomes como Elano, Bojinov, Bianchi e Petrov representaram uma melhora
significativa para o elenco do City. Some-se a isso a experiência de Sven Goran
Eriksson e a
torcida do Manchester passou então a ficar animada.
Porém, nem o mais
otimista torcedor esperava este início fulgurante.
Com tantas contratações e outras saídas,
era natural que a euiqpe demorasse algum
certo tempo para entrosar-se e adaptar-se
a nova metodologia de trabalho de Eriksson.
Contrariando as expectativas, a campanha
é irrepreensível: 2 a 0 no West Ham em Londres,
1 a 0 no Dervy County em casa e outra vitória
no Stadium of Light, desta vez sobre o grande
rival Manchester United por 1 a 0.
A
vitória sobre o United possibilita uma série
de observações sobre o atual líder da Premiership.
Primeiramente, Eriksson prova ser realmente
um técnico um técnico de muita visão. O
lateral direito Micah Richards, revelação
da última temporada, foi transformado em
zagueiro central devido a sua estatura,
velocidade e porte físico. Sua atuação no
clássico foi excelente, sendo considerado
o melhor em campo.
Outro acerto de
Eriksson é a confiança depositada no brasileiro
Geovanni. O atacante está há anos longe
de sua melhor forma e futebol, mas parece
renascer atuando no City com mobilidade
no ataque, caindo pelas pontas e buscando
o jogo na região central, concretizando
um estilo de jogo quase inexistente entre
os times ingleses.
Assim, Eriksson
abre Elano e Petrov pelas pontas, deixando
Geovanni próximo do atacante central, Bojinov
ou Bianchi, com o veterano Hamann protegendo
a defesa, fortemente armada por Eriksson,
sem ter sido vazada nos três primeiros compromissos.
Claramente,
pensar em título, ou até mesmo uma vaga
na Liga dos Campeões, é muito prematuro
e arriscado. O elenco do City não é volumoso,
fato que pode prejudicar a equipe durante
o certame. Porém, se a mentalidade for mantida,
o City surge como um dos candidatos, desde
já, a disputar a ponta na próxima temporada.
De
volta para o passado 15/08
Nas últimas semanas, ainda
aproveitando o final das férias dos
clubes europeus, acompanhei, ainda que superficialmente,
o andamento do campeonato brasileiro. Não
que subitamente eu tenha me tornado um admirador
do futebol praticado em gramados tupiniquins,
mas serviu para alimentar o desejo futebolístico.
Assistindo
ao programa noturno de debates de uma emissora
da TV fechada, um dos comentaristas bradava
que os jogadores contratados pelo Flamengo
não eram dignos de vestir a camisa rubro-negra.
Insinuou ainda que, se os mesmos jogadores
vestissem a camisa do Figueirense ou Ipatinga,
seria mais apropriado, mas jamais a sagrada
camisa carioca.
Inicialmente, os
colegas discordaram, mas o comentarista
em questão resolveu então aumentar o número
de clubes sagrados: Corinthians, Atlético-MG,
Cruzeiro, Vasco, Palmeiras, São Paulo...
Então, os demais integrantes passaram a
ignorar o que era dito, continuando a discussão
como se o companheiro não houvesse dito
nada.
Por um lado, há uma certa
ponta de verdade neste discurso, mas nenhum
realismo. Não há um jogador hoje que não
sonhe em, um dia, defender um clube europeu.
Na impossibilidade de uma carreira no Velho
Mundo, qualquer ponto do Planeta onde há
uma melhor fonte de renda é suficiente.
Com
os clubes nacionais endividados e com uma
mentalidade nacional que não deixa de privilegiar
aqueles que devem e não negam, ninguém procupa-se
muito com questões importantes, como salários
pagos em dia. Além disso, há de se considerar
que há apenas uma elite que receba salários
acima do padrão, enquanto a grande maioria
tem ganhos humildes.
Então, o jogador
tem em suas mãos uma questão simples: continuar
em solo nacional sob estas condições para
atuar em um clube de tradição ou aproveitar
sua curta carreira profissional e garantir
seu futuro com uma transação para o exterior?
Não me parece algo difícil de decidir.
Além disso, vale sempre lembrar que, há
menos de vinte anos, as regras para estrangeiros
atuarem na Europa eram muito mais rígidas,
fato que restringia o êxodo de boleiros.
Então, é normal que clubes conseguissem
manter seus atletas por mais tempo. Na Itália,
por exemplo, a Série A permitia apenas três
estrangeiros no elenco. Era a época de ouro
do futebol italiano, pois apenas atletas
de alto nível eram contratados.
Hoje,
qualquer garoto com passaporte comunitário,
ou seja, parentes com raízes no Velho Mundo,
pode assinar com um clube europeu mesmo
antes de completar um ano em seu clube formador.
Casos como o de Alexandre Pato não são raros.
Pepe, Deco, Naldo, Élber e outros fizeram
fama na Europa e sequer eram conhecidos
em seus país natal.
Esta não é uma
nova tendência. Este processo vem aumentando
a cada ano e deixou de ser novidade. Porém,
os saudosistas ainda acreditam que este
Mundo não existe, e que os clubes não contratam
Rolnaldo, Kaká, Henry e Nesta por pura incopetência.
Pior do que acreditar, eles não deixam de
lembrar aos telespectadores que isso é verdade.
Para quem compreende um pouco mais o
Mundo, a reação provavelmente foi a mesma:
bocejos irritados para esta baboseira que
apenas prejudica um futebol por demais enfraquecido.
Raio
duas vezes no mesmo lugar? 08/08
No mercado de transferências,
Ariedo Braida e Leonardo, dirigentes do
Milan desembarcam no Brasil, ainda em festa
pelo título conquistado continental, para
negociar com um clube local a maior revelação
do futebol nacional. Há uma forte concorrência
do Chelsea, mas o clube rossonero supera
os milionários ingleses e concretiza a transferência.
A
breve história inserida em nosso primeiro
parágrafo é comum, e poderia referir-se
a dois jogadores contratados pelo gigante
italiano: Kaká, negociado pelo São Paulo
no verão de 2003 por cerca de 8 milhões
de euros, e Alexandre Pato, vendido pelo
Internacional no verão de 2007 por valor
não revelado, mas que estaria em torno de
10 milhões de euros. A aposta do
Milan em Pato aplica-se ao mesmo caso de
Kaká. Porém, o ex-atacante do Inter é muito
mais jovem e tem uma experiência profissional
que resume-se a 27 partidas. Na época, Kaká
havia disputado duas temporadas pelo São
Paulo e foi incluído por Felipão no grupo
brasileiro que conquistou a Copa do Mundo
de 2002. Enquanto Kaká era claramente um
jogador que se afirmava pessoal e profissionalmente
no cenário nacional e teria grandes chances
em qualquer clube do Mundo, Pato é ainda
um juvenil.
Ciente desta situação,
o Milan exigiu a apresentação imediata de
Alexandre, mesmo que, por não ter dezoito
anos completos, apenas pudesse atuar a partir
de janeiro. Com isso, o Milan terá seis
meses para iniciar o trabalho físico e de
ambientação, preparando o hoje frágil adolescente
em um atleta que agüente a força da Série
A.
Para Pato, este tempo fora dos
gramados será muito útil em termos pessoais.
Ele terá tempo de acomodar-se em Milão,
iniciar com tranqüilidade o processo de
adaptação e entender melhor o clube, os
companheiros e o futebol italiano em geral.
Quando entrar em campo, Pato não terá em
seus ombros a responsabilidade de carregar
o time nas costas e, com isso, poderá trabalhar
melhor longe da pressão que o afligia no
Inter desde o Mundial de Clubes. Considerando
estes fatores e analisando o que, até hoje,
Pato demonstrou dentro de campo, não há
dúvida que o garoto reúne todas as características
para se tornar uma grande estrela do futebol
contemporâneo.
No grande balanço
deste capítulo do mercado de transferências,
todos saíram beneficiados. O Inter ganhou
uma boa porção de euros, e dificilmente
negocia-se um atleta nacional por um valor
maior que dez milhões. Pato garantiu seu
futuro ao acertar com um clube milionário
e que protege suas jovens apostas, além
de não esconder-se em um clube de menor
porte onde seria jogado na fogueira na primeira
oportunidade. O Milan contratou novamente
a maior revelação do futebol brasileiro
sem precisar abrir os cofres, apostando
que seu desenvolvimento trará maiores divisas
no futuro.
Novamente, o futebol tentará
ultrapassar a barreira da ciência ao provar
que um raio pode sim cair duas vezes no
mesmo lugar. Como diria o saudoso Vicente
Matheus, “bom mesmo é o Pato...”.
Fim
do mundo se aproxima. 01/08
Há décadas, surgem sempre
boatos sobre o fim do mundo. Nostradamus
foi o precursor deste esporte boateiro,
com uma série de profecias que culminariam
no final dos tempos.
Hoje, os intelectuais
afirma que as profecias de nostradamus eram
apenas frases bem construídas, uma vez que
boa parte delas não possuía uma situação
clara, mas apenas uma insinuação, que poderia
se aplicar a diversos acontecimentos, como
por exemplo: "Na Cidade de Deus haverá um
grande trovão, Dois irmãos serão destruídos pelo Caos. Enquanto a
fortaleza resiste, o grande líder sucumbirá".
A dita profecia acima
ganhou notoriedade na época do ataque terrorista
ao World Trade Center. O ceticismo de alguns
rivaliza com a ingenuidade de muitos, e
mitos como este ganham espaço por séculos.
Porém,
o que temos agora não são frases pretensiosas
nem chalatanismo. De fato, temos acontecimentos
que nos colocam frente com o apocalipse.
Fatos concretos e que, semana após semana,
crescem. Vamos lá:
O Corinthians
enfrentou o São Paulo e não demitiu Carpeggiani
Após anos derrubando treinadores de seu
rival, os tricolores presenciaram um dos
fatos que atestam o fim do mundo. Pior do
que não demitir o comandante alvinegro,
o empate tve pouco impacto na rotina corintiana.
Uma tragédia...
A Copa América é
outro simbolo do final das eras. O Brasil,
desacreditado, bateu a Argentina na final
com autoridade tendo Julio Baptista como
um de seus destaques, ofuscando rivais como
Messi e Riquelme. Doni, com defesas importantes
contra o Uruguai, tanto no tempo normal
quanto nas penalidades, são outra prova
irrefutável de que há algo de errado no
Mundo.
Na Europa, o Zaragoza pagou
ao Villarreal € 6 milhões pelo zagueiro
Ayala, de 34 anos. Em final de contrato,
Ayala havia deixado o Valencia e assinado
contrato com o Submarino Amarelo, mas não
chegou nem a entrar em campo. O Zaragoza
pagou a rescisão contratual e contratou
o veterano argentino. Bizarro...
Para
finalizar este série de eventos sobrenaturais,
o Iraque sagrou-se campeão da Copa da Ásia.
Austrália, Japão, Coréia do Sul, Arábia
Saudita e etc sucumbiram frente ao destruído
país iraquiano. Com um elenco rachado, contando
com atletas sunitas e xiitas, que não passavam
a bola pra jogadores de outro grupo. Com
o trabalho de Jorvan Vieira transformou
os dois grupos em uma única família e avançou
rumo ao título continental.
O triunfo
significa que, na Copa das Confederações,
Iraque e Estados Unidos podem enfrentar-se.
De certo veremos, como na Copa de 1998,
os dois times unidos em fotos, trocando
flores, como foi o confronto entre Irã e
americanos. Ingenuidade...
Diante
destes fatos alarmantes, difícil não crer
que o fim do mundo realmente se aproxima.
Diante destes sinais, Nostradamus ficaria
envergonhado de suas profecias.
Tradição
a ser mantida 25/07
Lehmann; Lauren, Campbell,
Touré e Ashley Cole; Gilberto Silva, Patrick
Vieira, Robert Pires e Ljungberg; Bergkamp
e Thierry Henry. A escalação, familiar aos
torcedores do Arsenal, remete à temporada
2003/04. Na ocasião, os Gunners conquistaram
a Premier League de forma invicta, somando
incríveis 26 vitórias, 12 empates e 73 gols
marcados. Era uma época de um futebol
vistoso, com velozes contra-ataques, uma
intensa troca de passes e jogadas trabalhadas
de forma bela e perfeita. Ljungberg, Pires
e Vieira chegavam com facilidade ao ataque,
Ashley Cole dava fluidez à ala esquerda,
Bergkamp regia o ataque com sua incrível
capacidade e Henry marcava gols, muitos
gols.
Para quem conhece a história
do Arsenal, este foi um capítulo a parte.
Para aqueles que não conhecem, recomendo
a leitura do genial livro "Febre de
Bola", abordado na estréia de nossa
sessão Cultura. Os Gunners sempre foram
uma equipe feia, basicamente. Chutões para
frente, jogadores medianos, poucas conquistas
e uma semestral obrigação de cumprir tabela
após janeiro marcavam o cotidiano do
torcedor londrino.
Aquela equipe
de Arsène Wenger, por outro lado, era algo
completamente diferente. Não apenas na história
do Arsenal, mas na chamada era moderna do
futebol. De time odiado por todos os ingleses,
o Arsenal passou a ser vedete no Mundo todo.
Não à toa, o clube angariou muitos fãs e
torcedores nesta época, que agora tem de
conviver com uma situação diferente para
eles, mas tradicional para o clube e para
os velhos torcedores: a falta de competitivade.
Na
temporada passada, sem Henry, constantemente
machucado, o Arsenal limitou-se a ganhar
alguns jogos sem grande importância e logo
encontrava-se longe da luta pelo título.
Com muitos jogadores promissores, mas sem
um jogador capaz de resolver, os Gunners
emperraram. Aquele futebol rápido de 03/04
há tempos está longe, mas a completa falta
de atrativos confirmou a história inclinação
do Arsenal.
A escalação que abriu
esta coluna resta somente na memória. Apenas
Lehmann, Touré e Silva seguem no clube:
Lauren e Campbell foram para o Portsmouth,
Cole rumou para o Chelsea, Vieira foi para
a Juventus e depois Inter, Pires mudou-se
para o Villarreal e Bergkamp se aposentou.
Henry e Ljungberg, os remanescentes do setor
ofensivo, foram os últimos a sair. Henry,
por 24 milhões de euros, agora encantará
os torcedores do Barcelona. Ljungberg, nesta
semana, assinou com o West Ham.
A
saída de Ljungberg é apenas simbólica, uma
vez que o sueco estava às voltas com problemas
físicos e lesões. De qualquer forma, tratava-se
de um ícone para os torcedores, que concordam
com sua declaração final, afirmando deixar
o clube diante de sua falta de ambição no
mercado de transferências, algo que vai
contra o que lhe foi prometido e ficou evidente
com a saída de Henry.
Para o torcedor,
a esperança é de que finalmente os jovens
talentos rendam o que deles é esperado,
fato que cria uma pressão sobre jogadores
ainda inexperientes. Arsène Wenger está
próximo do fim de seu contrato, levantando
ainda mais sombras em Londres. A temporada
dos Gunners passam por estas duas questões.
Se veremos um futebol envolvente ou uma
obrigação em cumprir tabela após janeiro,
apenas o tempo dirá. O Arsenal tentou mudar
sua história, deixou até mesmo o lendário
Highbury para trás, mas tradição é algo
difícil de mudar.
Um
novo símbolo? 18/07
A Premier League conta com
alguns jogadores que são símbolos de seus
clubes. Para citar alguns exemplos famosos,
no Chelsea há Lampard, no Manchester
United há Ryan Giggs e Scholes, no Liverpool
há Gerrard e Carragher.
Alguns permanecem
com suas imagens ligadas mesmo após uma
transferência, como é o caso de Owen e Liverpool,
Beckham e Manchester United, Henry no Arsenal,
e muitos outros.
Henry, por sinal,
era o grande expoente deste quadro após
consolidar-se como um jogador de primeiro
nível nos Gunners. Henry chegou ao Highbury
ainda jovem após uma frustrada passagem
pela Juventus. Com Arsène Wenger, Henry
desenvolveu seu melhor futebol, ganhou espaço
e transformou-se no jogador mais completo
da atualidade.
Sua saída para o Barcelona
deixou a Premier League carente de um grande
atacante que se encaixe neste quadro atual.
Crouch, Rooney, Drogba são bons nomes, mas
não chegam a ser jogadores que tenham a
enorme capacidade ou potencial de Henry.
O
Liverpool está disposto a não deixar este
espaço vago por muito tempo. Por uma bagatela
de 30 milhões de euros, os Reds buscaram
a contratação de Fernando Torres, junto
ao Atlético Madrid. Curiosamente, Torres
era o grande representante dos Colchoneros,
capitaneando a equipe com somente 23 anos
e impressionantes sete temporadas como profissional.
Torres
surgiu como um possível fenômeno, mas a
pouca envergadura do Atlético não permitiu
que "El Niño", como é conhecido,
desenvolvesse todo seu potencial ao não disputar
competições continentais ou não conseguir
fazer frente aos grandes do país. O baixo
nível do campeonato espanhol freou o crescimento
de Torres, mas a baixa competitividade do
Atlético foi fundamental.
No Liverpool,
com o competente trabalho de Rafa Benítez,
Fernando Torres terá a oportunidade de consolidar
seu nome e afirmar-se definitivamente no
cenário europeu. Certamente, Torres reúne
todas as qualidades para tornar-se este
ícone dos Reds. Porém, apenas o tempo dirá
se "El Niño" será um fenomêno
ou apenas uma chuva de verão.
Copa América. Copa? Zlatan Lexotan - 10/07
Neste hiato
futebolístico europeu, as opções para o apaixonado pelo futebol do Velho Mundo
são seriamente restringidas. Ainda é possível acompanhar o desenrolar do mercado
de transferências, alguns clubes que reforçam-se, técnicos trocando de cadeiras
e etc.
Porém, apenas este tipo de acompanhamento não satisfaz um
apaixonado. O Campeonato Brasileiro não é, obviamente, algo que motive os
admiradores do esporte a passar algumas sofríveis horas diante do televisor. Sem
Copa do Mundo, sem Eurocopa, os amantes da bola estavam quase perdendo os dedos
de apreensão.
Eis que surge a notícias: Copa América. A princípio, nosso
comum torcedor empolga-se em um enorme bocejo. Basta olhar as equipes e tudo
ficará claro, afinal, apenas a Argentina importou-se devidamente com o torneio e
fez questão de convocar seus principais jogadores. De resto, apenas informações
desoladoras: a competição é disputada na Venezuela, uma potência mundial
(ironia, percebem?); até mesmo seleções mais fracas, como a dos Estados Unidos,
decide poupar seus principais jogadores; o técnico do Brasil é o
Dunga.
Passado este momento de primeira análise, teremos agora as
semifinais do torneio, momento em que a competição torna-se interessante de
fato. Brasil e Uruguai enfrentarão-se numa das partidas, enquanto México e
Argentina decidirão a vaga restante.
Até o momento, Argentina e México
foram as seleções com um melhor futebol apresentado e que enfrentaram testes um
pouco mais complexos. Os hermanos são franco favoritos e estão largos passos a
frente de qualquer equipe do continente no momento. Os mexicanos evoluem a cada
ano, e certamente são a terceira força das Américas na atualidade.
Por
outro lado, o confronto entre Uruguai e Brasil colocará frente a frente uma
grande escola em total estagnação após sua decadência e um selecionado sem
opções criativas, sem jogadores de destaque e com um técnico sem qualquer
recurso técnico ou tático. Na única ocasião em que o Brasil foi colocado à
prova, na estréia diante do México, o Brasil caiu com facilidade.
O
balanço prévio das semifinais então aponta para um difícil confronto com
favoritismo argentino e outro duelo difícil entre Brasil e Uruguai. Difícil de
ver, obviamente.
Da glória à desgraça Zlatan Lexotan - 03/07
A Liga dos Campeões
é o sonho de consumo de todos os clubes pela exposição proporcionada e pela
premiação obtida. Como participar da competição seriamente, porém, são poucos
clubes que aprenderam a planejar. Ainda mais quando, no caso, a equipe não está
entre as principais forças de seu país.
A temporada atual, que viu o
Milan levantar mais um troféu, contou com equipes como Chievo e Osasuna. O
Chievo, por exemplo, acabou rebaixado na Série A e o Osasuna cumpriu campanha
discreta na Espanha. O Leeds United, porém, é o grande exemplo de clube que
afundou-se na própria ambição continental.
Na temporada 00/01, Leeds e
Valencia decidiram uma das semifinais da Liga do Campeões. Era o auge de uma
equipe que tinha selecionáveis como Paul Robinson, Rio Ferdinand, Woodgate,
Mills, Bowyer, Kewell, Dacourt, Robbie Keanie, Viduka e Alan Smith. O Leeds
acabou eliminado pelos Ches e deu adeus à Liga dos Campeões.
Nesta mesma
época, o Leeds amargava a quinta posição da Premier League, ficando de fora da
LC do ano seguinte. O mesmo aconteceu na temporada 01/02. Com um elenco
extremamente caro e mais de 100 milhões em investimentos, duas temporadas fora
da LC acabariam com as pretensões da equipe de Elland Road. Os jogadores foram
negociados, o grupo renovado para jogadores mais baratos e o Leeds passou a cair
vertiginosamente.
Contando com craques sagrados como Roque Júnior, o
Leeds acabou rebaixado para a Segundona em 03/04. Na época, os cofres já estavam
vazios e as contas bancárias já estavam no vermelhos: mais de 50 milhões em
dívidas. Após duas temporadas na Segundona, o Leeds decretou falência antes que
a atual temporada terminasse e acabou rebaixado para a terceira divisão. Livre
das dívidas, o clube reiniciará os trabalhos onde está outro gigante inglês
afogado em problemas financeiros: o Nottingham Forrest, bicampeão europeu em
79/80.
Do outro lado desse pesadelo, há o Valencia, exemplo de clube que
iniciou a caminhada lentamente e hoje é a terceira força do futebol espanhol. O
Valencia manteve-se no auge por saber negociar os atletas na hora certa e
investir em jovens talentos e em jogadores fora dos grandes clubes. Como exemplo
de seu sucesso, chegou ao título espanhol e está sempre presente na Liga dos
Campeões.
Hoje,
o futebol espanhol assiste ao surgimento
do Sevilla como um grande clube. Duas temporadas
conquistando a Copa Uefa trouxeram a equipe
uma experiência internacional valorosa,
bem como uma boa quantia para manutenção
de seu elenco. Na temporada atual, o Sevilla
manteve-se na disputa de todas as competições
que disputou e não seria um absurdo vê-lo
como campeão espanhol. Porém, o grande teste
virá na próxima temporada: a Liga dos Campeões.
Então saberemos se o clube seguirá o exemplo
de seu compatriota ou cairá na desgraça
inglesa.
Top 10 - Pipocadas do Ano Zlatan Lexotan - 27/06
A temporada européia
chegou ao fim. Como não há muito assunto a ser abordado, iniciaremos a fazer
pequenos rankings com os principais assuntos separados por temas. Como nosso
colunista Mark Luftal desapareceu em um sáfari, não haverão reclamações quanto a
cópia e etc.
Nesta semana, falamos sobre as dez maiores amareladas da
temporada européia, em se tratando de clubes, jogadores e
etc.
10 – Palermo O clube da sicília teve um início de torneio arrasador e
candidatava-se ao título, juntamente com Inter e Roma. Com o atacante Amauri em
fase esplendorosa, o Palermo vencia partidas importantes e tinha sua
classificação para a Liga dos Campeões, o grande sonho do presidente,
praticamente garantida. Porém, Amauri lesionou-se e o time começou a cair de
produção vertiginosamente. A vitória conquistada na ocasião do grande confronto
de torcedores e policiais em Catania foi o início de uma série de onze partidas
sem vitórias. Com os resultados negativos acumulando-se, o Palermo foi
lentamente superado pelo crescimento de Lazio, Milan e Fiorentina, além da
surpresa Empoli. No final, conseguiu garantir, na última rodada, uma vaga na
Copa UEFA.
9 – Punições do
CalcioCaos A temporada italiana, antes do início da
Copa do Mundo, era um nevoeiro de incertezas. A revelação do escândalo de
manipulação de resultados manchou a imagem do futebol italiano como um todo,
envolvendo clubes, dirigentes, jogadores, árbitros, federação. As punições
severas eram aguardadas, e decepcionaram desde o princípio. Primeiramente, por
colocar a Juventus na Série B, onde teria um fácil acesso à elite novamente, e
por não rebaixar os demais envolvidos. Todos foram penalizados em pontos, mas as
multas foram progressivamente sendo reduzidas. Milan e Lazio conseguiram, ao
final, classificar-se para a próxima Liga dos Campeões, a Juventus subiu sem
grandes problemas e a Fiorentina brigou onde lhe era possível. Resumindo: não
mudou muita coisa e, rigorosamente, não há muita esperança nesse sentido
futuramente.
8 – Platini na
UEFA Uma proposta revolucionária de mudanças na Liga
dos Campeões, privilegiando equipes de menor expressão, ao invés de fornecer
lugar cativo aos milhonários de plantão. O discurso convenceu a minoria, que
sempre se ilude com promessas de mudanças, e votou em peso no francês na eleição
para novo Presidente da UEFA. Pouco tempo após a posse, mudou o discurso,
decratando ter ouvido e entendido coisas que o fizeram mudar seus pensamentos.
Platini podia até sonhar com seu mundo igualitário franco-burgês, mas sua
tentativa de encarar o poderoso G-14 não foi tão eficaz quanto tentar efetuar
uma Revolução na França.
7 –
Inter Na Série A, a Inter foi soberada. Porém, a
caminhada em solo europeu mais uma vez foi decepcionante. Não que a tradição
seja diferente, já que a Inter é conhecidamente um time que amarela nas
competições européias, mas a expectativa gerada com o belo elenco montado era
grande. Inútil. A expectativa tornou-se novamente decepção com a eliminação
sofrida diante do Valencia, logo nas oitavas de final. Após um empate em 2 a 2
no Giuseppe Meazza, a Inter viu sua aspiração continental esvair-se com um
empate sem gols no Mestalla. Ainda na Inter, destaque para Adriano Churrasco e a
sua afirmação como "Gascoige wannabe".
6 – Chelsea O Chelsea conseguiu, desde a
contratação de Mourinho, sua temporada mais irrelevante. As contratações de
Ashley Cole, Ballack e Shevchenko deixava claro que havia um franco favorito à
conquista das grandes competições da temporada. Como sabemos, não foi bem assim.
Mourinho, com suas reclamações, deixou claro que não era ele quem montava o
plantel, o que já demonstra que algum problema existe na estrutura dos Blues.
Além dos problemas extra-campo, o time jamais apresentou um futebol com algum
padrão ou esforço coletivo, sendo salvo por gols decisivos de Drogba ou algum
lampejo individual. Os Blues avançaram até as semifinais da Liga dos Campeões,
mas foram novamente superados pelo Liverpool. Na Premier League, o Manchester
United não deixou dúvidas de quem merecia a conquista. Restou ao Chelsea o
insoso consolo da Carling Cup e FA Cup.
5 – Bayern Munique Para os bávaros, foi uma
temporada sensacional. Claramente, isto se trata de uma ironia. As saídas de
Ballack e Zé Roberto traziam ao clube algumas incertezas que acabaram
confirmando-se, pois o meio de campo esteve orfão de critividade e liderança.
Somada a falta de capacidade técnica com o esgotamento físico causado pelos
treinamentos extenuantes descabidos de Felix Magath, o desastre aconteceu. A
eliminação na Copa da Alemanha diante do Alemania Aachen já serviria de exemplo,
mas a quarta colocação na Bundesliga, o prematuro afastamento da briga pelo
título e o fracasso de não conseguir classificação para a Liga dos Campeões
foram suficientes para derrubar Magath e a filosofia por ele implantada. O
resultado deste desastre é a agitada janela de tranferência dos bávaros, que
montam agora um esquedrão com Ribéry, Toni, Zé Roberto, Klose... Porém, a
vergonha dificilmente será apagada.
4
– Schalke 04 Pela segunda vez em um espalo curto em
sua história, o Schalke amarelou novamente na reta decisiva da Bundesliga e
ficou sem a taça. Na penúltima rodada, os Azuis Reais enfrentariam seu grande
rival Borussia Dortmund, no dérby do Ruhr, e poderia sagrar-se campeão caso
vencesse e o Stuttgart fosse derrotado. A possibilidade de conquista tornou-se
pesadelo ao Stuttgart vencer seu compromisso e assistir ao Schalke pipocar no
clássico. O resultado permitiu ao Stuttgart partir para a última rodada
dependendo apenas de uma vitória para ser campeão, vitória esta que aconteceu.
Ao Schalke restou apenas trocar de apelido: de Azuis Reais para Amarelos
Reais.
3 – Werder
Bremen Seis meses de futebol atraente, convincente
e... ilusório. O Werder jogava como uma máquina de atropelar adversários,
encarou Chelsea e Barcelona de igual para igual e esteve muito próximo de
eliminar o Barça na Liga dos Campeões. As exibições atraentes atraíram os olhos
dos grandes clubes europeus e a atenção da imprensa especulatória. Klose no
Bayern? Klose no Barcelona? Diego no Real Madrid? Frings na Juventus? Borowski
no Chelsea? Naldo em uma dezena de clubes? A situação passou a ser calamitosa,
metade do grupo queria sair, a outra metade queria que a outra realmente fosse
embora e a alegria deu lugar a incerteza. O técnico Thomas Schaaf não soube
controlar o incêndio e mantinha em campo um desmotivado Klose, que se arrastava,
enquanto o recém chegado Rosenberg treinava excepcionalmente bem e entreva
marcando gols importantes. O conjunto da obra grante com facilidade o terceiro
lugar.
2 – Lyon Hexacampeão francês. A sequência de seis títulos seguidos na França
podem impressionar pelo domínio, mas é altamente ilusório. Dominar um dos
campeonatos de pior nível técnico da Europa não é motivo para grande festa e
destaque. O projeto desenvolvido pelo Lyon é bom, mas faltava sempre uma grande
participação na Liga dos Campeões para confirmar a ascenção do clube francês. Um
início de temporada avassalador parecia acabar com a sina de pipocadas, mas o
encontro com a Roma nas oitavas de final acabou com o sonho. A Roma dominou sem
dificuldades a equipe comandada pro Juninho Pernambucano e mostrou que,
realmente, falta ao Lyon uma série de confrontos com adversários de nível
superior.
1 – Barcelona e
Ronaldinho Uma temporada bizarra. O Barcelona,
querido da imprensa nacional graças ao seu jogador/foca de circo Ronaldinho,
conseguiu atrair para sí o favoritismo absoluto em todas as competições e
alcançou uma inesperada sequência de fracassos. A maldição inicou-se com as
lesões de Samuel Eto'o e Lionel Messi. Ronaldinho recebeu toda a pressão e
tentou livrar-se dela com algumas embaixadas e chapéus em zagueiros do Levante,
mas não deu certo. O primeiro tropeço veio no Japão, com a vitória do Inter no
Mundial, quando o clube brasileiro não encontrou muitas dificuldades em anular o
estilo de jogo catalão. Depois, uma sequência de resultados ruins na Liga que
permitiram ao improvável Real Madrid alcançar a liderança. Veio a eliminação
diante do Liverpool nas oitavas de final da Liga dos Campeões e a sensacional
eliminação da Copa do Rei diante do esquadrão do Getafe. Para terminar, a
pipocada diante do Espanyol, na penúltima rodada da Liga sepultou de vez toda e
qualquer esperança blaugrana. Ronaldinho perdeu seu posto de "maior jogador
marketeiro do mundo", entrou em atrito com Samuel Eto'o e esteve perto de deixar
o clube ao final da temporada. Sem contar sua brilhante contribuição na Copa do
Mundo a serviço do Brasil. Ou seja, a temporada blaugrana foi um jogo dos Sete
Erros completo.
Top 10 - Melhores do Ano Zlatan Lexotan - 19/06
A temporada européia
chegou ao fim. Como não há muito assunto a ser abordado, iniciaremos a fazer
pequenos rankings com os principais assuntos separados por temas. Como nosso
colunista Mark Luftal desapareceu em um sáfari, não haverão reclamações quanto a
cópia e etc.
Nesta semana, falaremos sobre os dez grandes destaques
individuais da temporada. Se esquecemos de alguém, mande-me
emails.
10 – Nakamura Eleito melhor jogador da temporada escocesa em todas eleições (de
jogadores, torcedores, jornalistas e patrocinadores) o meia japonês Nakamura
colecionou gols, assistências e elogios na Premier League. Com a enorme
colaboração de Nakamura, o Celtic revalidou seu título nacional e fez um bom
papel na Liga dos Campeões, sobretudo com grandes atuações em casa. Nakamura
marcou belos gols de falta, que o colocaram como um dos mais perigosos
cobradores do continente. A caminhada do Celtic na UCL foi interrompida pelo
campeão Milan, mas é improvável que a equipe fosse tão longe sem Nakamura em seu
elenco.
9 – Pavel
Pardo O Stuttgart, campeão alemão, foi uma agradável
surpresa na temporada européia. O clube soube se reforçar com atletas que
encaixavam-se no esquema da equipe, sempre respeitando o ideal de um grupo coeso
sem estrelas. Pavel Pardo chegou ao Stuttgart sem alarde após a Copa do Mundo e
conseguiu um sucesso incomum para os mexicanos que atuaram no Velho Mundo nos
últimos anos. O experiente volante protegeu incansavelmente a defesa e
contribuiu no ataque com oito assistências. Com a ajuda de Pardo, o Stuttgart
teve a terceira melhor defesa e o segundo melhor ataque da Bundesliga.
Certamente, Pardo não estará na lista dos mais votados da FIFA, mas é o tipo de
jogador que cairia bem em qualquer time.
8 – Samir Nasri A grande promessa do
futebol francês se chama Samir Nasri. Provavelmente você nunca deve ter ouvido
falar neste jogador e dificilmente o viu atuar, mas o renascimento do Olympique
Marseille se deve muito a Nasri. Ribéry era o grande nome do OM e,
conseqüentemente, era mais visado pelos adversários. Nasri assumiu a
responsabilidade mostrando toda sua técnica e agilidade, conduzindo o OM para a
vaga na Liga dos Campeões. Como todo talento francês, foi efusivamente comparado
com Zidane, tanto dentro quanto fora de campo. Arsenal, Real Madrid e
Internazionale estariam estapeando-se pelo jovem de 19 anos, que já estreou pela
França e a salvou os Bleus diante da Geórgia marcando o gol da
vitória.
7 – Michael
Carrick Sua contratação pelo Manchester United junto
ao Tottenham em agosto passado rendeu as mais variadas críticas a Sir Alex
Ferguson. Primeiramente, pelo alto valor investido, 27 milhões de euros. Depois,
por ser considerado um jogador abaixo do nível dos Red Devils. Porém, sua
contratação foi mais do que acertada. Antes um meia no Tottenham, Carrick
firmou-se como volante, protegendo a defesa e ajudando no ataque. Sua atuação
diante da Roma, na goleada por 7 a 1 na semifinal da UCL, foi uma das mais
completas da temporada, tendo sido coroado ainda com dois gols. Assim como Pavel
Pardo, discreto e fundamental.
6 –
Diego De grande revelação a mico em apenas duas
temporadas. Assim era a situação de Diego quando chegou ao Werder Bremen após
duas frustrantes temporadas no Porto, onde era pouco utilizado e, quando estava
em campo, pouco (ou nada) produzia. Sua contratação, para substituir o francês
Micoud, foi encarada com desconfiança. Porém, em poucas partidas, Diego largou a
máscara de super craque e começou a jogar eficientemente. Marcou gols, deu
assistências, dedicava-se em campo. O Werder era a sensação da temporada
européia, até que alguns jogadores passaram a preocupar-se mais com os boatos de
transferências. Diego seguiu regular, marcando até gol do meio do campo e
conseguindo retornar à seleção brasileira. Acabou eleito como o melhor jogador
da Bundesliga e com a fama de eterna promessa.
5 – Francesco Totti De jogador acabado a
artilheiro da Europa. Assim foi a temporada de Totti. Com a perna fraturada,
muitos colocavam em dúvida sua participação na Copa do Mundo e a crítica
encarregava-se de dizer que sua carreira estaria próxima do fim. Então, Totti
conquistou a Copa do Mundo com a Azzurra e foi o principal artilheiro da
temporada, superando a concorrência de Afonso Alves e Nistelrooy na batalha pela
Chuteira de Ouro, tendo marcado 26 vezes na Série A. Além disso, Totti ajudou a
Roma a alcançar as quartas de final da Liga dos Campeões, apesar de desaparecer
em campo na partida de volta, em Manchester, na esmagadora goleada sofrida
diante do United. Além da Chuteira de Ouro, Totti conquistou também a Copa
Itália, superando a Inter com um massacre na primeira partida por 6 a
2.
4 – Ruud Van
Nistelrooy Certamente a grande contratação da
temporada européia. Nistelrooy saiu do Manchester United após Sir Alex Ferguson
preferir escalar Louis Saha. Muitos questionaram a lucidez de Ferguson após essa
escolha, inclusive o próprio Nistelrooy, que logo acabou negociado com o Real
Madrid para a atual temporada. O holandês provou na Liga ser realmente um
artilheiro de primeiro nível, mas sem as frescuragens de Galáctico e etc. Marcou
25 gols e acabou artilheiro do campeonato, bem como um dos principais nomes (se
não o maior) da improvável conquista do Real Madrid. Será certamente o grande
nome de um Real Madrid em transformação.
3 – Didier Drogba Poucos imaginavam que
Drogba teria a grande temporada de sua carreira após os Blues desembolsarem uma
pequena fortuna para contratar Andriy Shevchenko ao Milan. Porém, o momento
falou mais alto que a grana e, gradualmente, o marfinense tomou o lugar do
ucraniano. Drogba acabou artilheiro da Premier League com 20 gols, marcou outros
seis na Liga dos Campeões e foi o autor do gol do título da FA Cup sobre o
Manchester United, na prorrogação. Em muitos momentos, com o Chelsea em sua pior
temporada desde que José Mourinho assumiu o comando dos Blues, Drogba levou o
time nas costas com seus gols, assistências e disposição para lutar em todos os
lances.
2 – Cristiano
Ronaldo Houve um momento da temporada em que sua
nomeação como melhor jogador era unânime. Porém, a falta de experiência e
consistência acabaram por adiar o sonho do português que conquistar os prêmios
individuais. A Premier League, porém, foi conquistada pelo Manchester United
graças as suas exibições soberbas a partir de janeiro, quando chegou a disputar
a artilharia da Premiership com Drogba. Porém, no confronto com o Milan na Liga
dos Campeões, o português mostrou que ainda não está preparado para a alcunha de
melhor do mundo. Com mais experiência, sua velocidade, explosão, objetividade e
habilidade o colocarão neste posto naturalmente.
1 – Kaká Se faltou experiência
a Cristiano Ronaldo, o mesmo não pode-se dizer de Kaká. Suas exibições na Liga
dos Campeões arrancaram os mais variados elogios de técnicos, adversários,
grandes jogadores do passado... Até mesmo aqueles que outrora o criticavam,
tiveram de admitir a sua alta capacidade de decisão. Com 10 gols marcados na
Liga dos Campeões, Kaká não apenas foi o artilheiro como principal nome da
sétima conquista continental rubro-negra. Apesar de ter tido pouco espaço na
final diante do Liverpool, suas aparições foram decisivas, sofrendo a falta que
originou o primeiro gol e a assistência para Inzaghi no segundo tento. Porém,
foi contra o Manchester United que Kaká mostrou seu melhor momento, com uma
atuação memorável e um dos gols mais espetaculares da temporada. Apenas uma
tragédia impedirá Kaká de ganhar os prêmio individuais desta
temporada.
Top 10 - Piores contratações Zlatan Lexotan - 12/06
A temporada
européia, exceção ao campeonato espanhol, chegou ao fim. Como não há muito
assunto a ser abordado, iniciaremos a fazer pequenos rankings com os principais
assuntos separados por temas. Como nosso colunista Mark Luftal desapareceu em um
sáfari, não haverão reclamações quanto a cópia e etc.
Nesta semana,
falaremos sobre as dez piores contratações da temporada. Se esquecemos de
alguém, mande-me emails.
10 -
Podolski no Bayern Munique Lukas Podloski era
reverenciado como grande revelação do futebol alemão. Na temporada passada, era
o solitário destaque do Köln, que acabou rebaixado. Ao final da temporada,
Podolski foi contratado pelo Bayern Munique por 10 milhões de euros. Na Copa do
Mundo, Podolski fez um bom papel e acabou eleito melhor jogador jovem do
torneio. Porém, no Bayern, Podolski esteve longe das redes e acabou no banco de
reservas. Na temporada, esteve presente em 25 partidas e marcou apenas sete
gols. Reclamou que, com Felix Magath, não era ouvido. Com a chegada de Ottmar
Hitzfeld, sua situação em pouco mudou. De grande revelação, Podolski acabou se
tornando um grande problema. Agora, especula-se que será emprestado ao gigante
Bochum.
9 - Reyes no Real
Madrid Poucos depois de chegar ao Arsenal, Reyes
começou a dar sinais que gostaria de voltar retornar á Espanha, mas desta vez
para defender o Real Madrid. Reyes fez boas partidas no Arsenal, mas nunca
justificou o alto investimento feito por Arsene Wenger. No começo da temporada,
Arsenal e Real Madrid trocaram jogadores: Reyes iria para Madrid e o brasileiro
iria para a Inglaterra. Reyes teve um bom início no Merengues, mas lentamente
foi relegado ao banco de reservas. Agora, no final da temporada, vê o recém
chegado Higuaín ocupar sua vaga e vê seu futuro incerto.
8 - Julio Baptista no Arsenal Como poderia um craque do nível de Julio Baptista não adaptar-se ao
futebol inglês? Pois o impensável aconteceu. Baptista teve suas grandes chances
no time reserva do Arsenal, que disputou a FA Cup e a Carling Cup. A certo ponto
da temporada, Baptista declarou não ter adaptado-se "porque o futebol inglês é
muito rápido e ele não tem tempo para dar seus passes inteligentes". Afinal,
quem se lembra de Julio Baptista logo pensa em suas grandes assistências e
passes precisos.
7 - Christian Vieri
na Atalanta Vieri chegou à Atalanta prometendo
retornar ao centro das atenções na Série A, mas aceitou o menor salário
permitido para retomar a forma física. Essa retomada demorou pouco: onze meses.
Vieri atuou pela Atalanta a partir de 18 de abril, quando entrou no segundo
tempo no confronto com o Empoli fora de casa. Sempre entrando na segunda etapa,
Vieri atuou em sete jogos e acabou marcando dois gols. Agora, especula-se que
defenderá o Tottenham. Aos 33 anos, seria o 14º clube de sua
carreira.
6 - Élton no Steua
Bucareste O pequeno grande craque do Corinthians foi
negociado com os romenos do Steua Bucareste no início de 2007 e já está próximo
de sair do clube. Com a fraca campanha do clube nas competições desta temporada,
o presidente e sempre polêmico Gigi Becali declarou que iria negociar todos os
estrangeiros imediatemente, pois eles estavam interessados apenas em dinheiro.
Assim, em pouco menos de seis meses, deve se encerrar a aventura do gigante
Élton na Romênia.
5 - Jardel no
Anorthosis Famagusta Reforçar um clube do Chipre já
parece piada. Porém, Jardel e sua carreira vão a todo vapor rumo ao ostracismo.
Felizmente, para ele, nós do FEC não nos esquecemos de suas declarações: "Vim
para ajudar o Anorthosis a conquistar títulos com muitos gols". Ele deveria dar
uma melhor olhada na tabela do campeonato cipriota que encerrou-se no mês
passado: apenas o terceiro lugar, onze pontos atrás do campeão APOEL, dos
craques Nichos Machlas (ex-Ajax) e Ronald Gomez (que foi à última Copa com a
Costa Rica).
4 - Ricardinho no
Besiktas RMais uma vez tentando sorte em solo
europeu, mais um fracasso. Assim pode-se definir a passagem de Ricardinho pelo
Besiktas. Após o retumbante fracasso no Middlesbrough, quando foi considerado a
pior contratação do ano na Premier League e colheu elogios como "É o jogador
mais lento que já vi", de seu então técnico Steve Mclaren, era difícil imaginar
que ele voltaria à Europa. O Besiktas apostou nele, e se deu mal. Ricardinho
envolveu-se em polêmicas, brigas com adversários e até mesmo com colegas de
clube. Com sua experiência, deveria destacar-se no clube. Acabou ofuscado pelo
Bobô. Genial.
3 - Shevchenko no
Chelsea Shevchenko chegou ao Chelsea com grande
expectativa, após anos no Milan sendo considerado um dos mais perigosos
atacantes do Mundo. Em sua primeira partida nos Blues, marcou um golaço e deixou
a mesma impressão em todos: com ele no time, seria uma máquina de atropelar
adversários. Não foi. Com erta dificuldade para se adaptar ao esquema de jogo
inglês, Shevchenko acabou ofuscado por Drogba em sua melhor temporada da
carreira. Ao final da temporada, somou sete gols, três deles na Liga dos
Campeões e quatro na Premier League.
2 - Ricardo Oliveira no Milan Com a saída
de Shevcheno para o Chelsea, o Milan apostou na contratação de Ricardo Oliveira
para o substituir. O brasileiro jamais mostrou qualquer futebol, e acabou
relegado a quarta opção para o ataque rossoneri. Terminou a temporada com a
sensacional marca de três gols marcados, tendo atuado em 32 partidas. Em apenas
duas oportunidades conseguiu manter-se em campo pelos noventa minutos. Sofreu
também com problemas pessoais, mas quando estava dentro de campo, era um jogador
a menos para o Milan.
1 - Tevez e
Mascherano no West Ham Os argentinos estão em
qualquer tipo de ranking dos piores da temporada. Os dois chegaram ao West Ham
no último dia de transferências provenientes do Corinthians. Seus contratos
nebulosos renderam aos Hammers a mais pesada multa já sofrida por um clube na
Premier League. Tevez chegou a completar seis meses sem marcar um gol sequer e
Mascherano mandou-se para o Liverpool em janeiro. O West Ham não embalou em
momento algum e passou perto do rebaixamento.
Top 10 - Micos do ano Zlatan Lexotan - 05/06
A temporada
européia, exceção ao campeonato espanhol, chegou ao fim. Como não há muito
assunto a ser abordado, iniciaremos a fazer pequenos rankings com os principais
assuntos separados por temas. Como nosso colunista Mark Luftal desapareceu em um
sáfari, não haverão reclamações quanto a cópia e etc.
Nesta semana,
falaremos sobre os dez grandes micos da temporada. Contratações, situações e
declarações que certamente poderiam não ter ocorrido serão o tema deste ranking
inicial.
10 - Líderes da
Bundesliga Ao começo da temporada, qualquer torcedor
normal apostaria em Bayern Munique, Schalke 04 e Werder Bremen como favoritos ao
título da Bundesliga e como únicos postulantes às vagas destinadas à Liga dos
Campeões. Porém, uma sucessão de erros fez com que o troféu caísse no colo do
Stuttgart, e nem o mais fanático torcedor schwaben imaginava conquistar o
título. Primeiramente, o Bayern de Munique cometeu dois erros que o tiraram do
páreo: não repôs as perdas de Ballack e Zé Roberto e consentiu com os puxados
treinos físicos de Feliz Magath. Como quase todo o elenco esteve na Copa, o que
se viu foi um time extenuado, sem alternativas criativas e desinteressado, que
acabou em quarto na Bundesliga. O Werder Bremen era a sensação européia e
decolou na lidedrança e brigou de igual para igual com Chelsea e Barcelona na
Liga dos Campeões. O sucesso subiu à cabeça, assim como os boatos de
transferências milionárias. O Schalke, por sua vez, fez o que sempre dele é
esperado: amarelou na reta final. Com isso, o Stuttgart manteve sua regularidade
e, com um elenco bem montado por um técnico promissor, faturou o
título.
9 - Sucesso caseiro, fracasso
continental O que possuem em comum Lyon, Chelsea,
Manchester United, Internazionale e Barcelona? Além dos jogadores estrelados,
das grandes cifras publicitárias e de alguns problemas internos, os clubes
citados dominaram os campeonatos nacionais, mas fracassaram na Liga dos
Campeões. O Lyon era considerado um dos grandes nomes e um clube em afirmação,
mas o fantasma das oitavas de final voltou a superar os franceses. Chelsea e
Manchester cogitavam a possibilidade de uma nova Tríplice Coroa, mas ambos
caíram nas semifinais. Barcelona e Internazionale foram os de sempre: times que
tradicionalmente amarelam em decisões continentais.
8 - Time do futuro... Será? Não há no Mundo hoje um clube com um potencial tão grande quanto o
Arsenal. Arsene Wenger sempre gostou de trabalhar com jovens jogadores, e agora
vem aprofundando ainda mais essa sua faceta, contratando grandes talentos e
montando um time altamente promissor. Porém, após a temporada passada de
destaque na Liga dos Campeões (muito graças a Henry), o Arsenal fracassou
retumbantemente neste ano, sendo eliminado da LC frente ao limitado PSV. Henry,
lesionado e cansado após a Copa, pouco jogou e deixou claro a dependência que o
time tem de seu futebol. Além disso, o Arsenal perdeu na Premier League para
West Ham, Man. City, Bolton, Fulham, Wigan, Everton e Sheffield. A garotada do
time ainda não amadureceu, e já há quem comece a se perguntar se isso vai
acontecer.
7 - Argentinos no West
Ham Uma história nebulosa, até hoje pouco explicada,
deu o que falar na Premier League deste ano. No último dia da janela de
transferências no início da temporada, o pequenino West Ham anunciou as
contratações de Carlos Tevez e Javier Mascherano. Poucos podiam imaginar que,
após terem disputado a Copa do Mundo, os ex-corintianos iriam acertar com um dos
menos influentes clubes ingleses da Premiership. Apesar da grande expectativa
criada em torno da equipe com o reforço de ambos, o West Ham não embalou. Tevez
completou seis meses sem marcar um gol sequer e Mascherano mandou-se embora para
o Liverpool em janeiro, com um contrato para lá de obscuro. Tevez permaneceu e
cresceu de produção nas rodadas finais, ajudando os Hammers a escapar do
rebaixamento. Na reta final, a Premier League aplicou pesada multa ao West Ham
pela negociação com a MSI, já que as regras inglesas proíbem a participação de
terceiros em contratações. Porém, a esperada punição em pontos não saiu e os
demais times (rebaixados que se sentem prejudicados) seguem ensaiando
protestos.
6 - Para europeu
ver Qual foi a última vez que você viu a Seleção
Brasileira jogando no Brasil? Ou ouviu falar da Argentina jogando em sua terra
natal. Difícil lembrar? Pois acostume-se, esta será uma lembrança cada vez mais
distante, que será reanimada apenas com a Copa América e o início das
Eliminatórias. Nesta temporada, Brasil e Argentina disputaram suas partidas
amistosas em solo europeu. Para os leigos, fala-se que os principais jogadores
estão na Europa e partidas no velho Mundo contribuem para um menor desgaste dos
atletas. Não deixa de ser verdade, mas o fato é que AFA e CBF assinaram
contratos com empresas para comercializar seus encontros amistosos. Assim, a
Inglaterra assistiu a diversos amistosos durante a temporada com estádios
cheios. Aos torcedores, restou acompanhar à distância.
5 - O homem do povo Platini
concorreu à eleição para presidência da UEFA e ganhou importantes votos com suas
promessas de campanha. Entre elas, a redistribuição de vagas para a Liga dos
Campeões, o pote de ouro no fim do arco-íris para qualquer clube europeu.
Platini prometeu reduzir as vagas de Inglaterra, Itália e etc, dando maiores
chances à clubes que conseguem apenas chances nas fases eliminatórias. Porém,
poucos tempo após assumir a presidência, Platini mudou o discurso e disse recuar
em suas pretensões por ter conversado, ouvido e entendido. Fique mais tranquilo:
políticos com promessas eleitorais fajutas não são exclusividade
brasileira.
4 - Crise no
Barcelona Rival que se preze gosta de acompanhar o
outro. Muitas vezes, o sucesso de um clube faz seu inimigo crescer para
igualar-se e superar, isso não é novidade. Porém, a crise nos bastidores do
Barcelona conseguiu ofuscar as eternas vaidades do Real Madrid. Eto'o em choque
com Ronaldinho e Rijkaard, declarações de jogadores no sentido de "num grupo,
nem todo mundo precisa ser amigo" e boataria desenfreada sobre saídas temperaram
a temporada blaugrana. A supremacia espanhola está ameaçada e, mesmo que consiga
o título nas duas últimas rodadas, será uma temporada frustrante. A eliminação
diante do Liverpool na Liga dos Campeões, a goleada sofrida frente ao Getafe na
Copa do Rei e a derrota para o Espanyol no primeiro turno da Liga não serão
apagados mesmo com o troféu. Na Espanha, não há ninguém que acredite que nenhuma
das estrelas sairá. Esperar para ver.
3 - Adriano Em termos de jogador, o grande
mico do ano. Após a cambaleante temporada passada, Adriano chegou à Copa do
Mundo se arrastando. Conflitos com o ténico Mancini e com parte o elenco
indicavam que o brasileiro estava de saída, mas a péssima exibição do atacante
no Mundial e nos meses anteriores sepultaram qualquer negociação. Na temporada
atual, Adriano conseguiu desvalorizar-se ainda mais. Os excessos de sua vida
pessoal tomaram conta dos tablóides, bem como suas partidas grosseiras quando
atuou na Inter. De titular da Seleção Brasileira e artilheiro da Inter, Adriano
tornou-se reserva de Julio Cruz e viu jogadores como Vagner Love e Fred tomarem
sua vaga na Seleção. Adriano, que era considerado o sucessor natural de Ronaldo,
parecer ter confundido: era para substituir Ronaldo em campo e não nas festas e
confusões.
2 - Pizza no
calcio Nennhum escândalo cortou tão fundo a carne no
futebol italiano. O esquema de manipulação de resultados encabeçado pela
Juventus manchou severamente a imagem do futebol italiano, mas a vitória na Copa
do Mundo parece ter amenizado os fatos para a justiça local. As punições a
clubes, árbitros e cartolas foram abrandadas lentamente. A Juventus, que
inicialmente começaria a Série B com 30 pontos negativos, sorriu quando lhe
acenaram com a redução para 9 pontos. O Milan foi o único clube que não teve
punição alterada e, estranhamente, era um dos grandes prejudicados num equema
que favorecia seu maior rival. As punições, que serviriam de exemplo para
retirar a lama deixada pelo escândalo, acabaram apenas juntando-se as
lamentações e negativismos que o calcio atraiu nesta
temporada.
1 - Confronto em
Catania Mesmo sem este episódio, a temporada
italiana teria de tudo para ser, de longe, uma das mais lamentáveis de todos os
tempos. Entretanto, as cenas de barbárie realizadas em Catania solidificaram
ainda mais a aparência depressiva da Série A desta temporada. A partida entre
Catania e Palermo, realizada em 2 de fevereiro, era um clássico da Sicília em
uma data festiva. Porém, um confronto entre torcedores das duas equipes a e
Polícia acabou com a morte de Filippo Raciti, que estava em seu carro e foi
atingido por uma bomba. A partida teve de ser interrompida pois a névoa causada
pelas bombas de gás lacrimogênio lançadas no confronto nas ruas era tão forte
que invadiu o gramado e afetou os jogadores. O acontecimento paralisou a rodada
da Série A, muito falou-se em medidas contra a violência similares às inglesas e
ficou nisso. O presidente da Federcalcio chegou a dizer que "mortes são o preço
que o futebol tem de pagar". Então tá...
Questão de sorte Zlatan Lexotan - 29/05
Há certas lendas que
tomamos conhecimentos desde que somos pequenos e que nos acompanham por toda a
vida. Essas lendas dividem o povo: uma parte diz ser apenas crendice, filosofia
de botequim, frase de pára-choque de caminhão, enquanto outros acreditam que se
tratam de fatos atemporais, frases que se aplicam nas vidas e rotinas de cada um
de nós. Apesar de existirem uma centena de ditos populares que poderíamos
abordar, aquele que mais se aproxima é o tradicional “a sorte de um é o azar de
outro”.
Alguns jogadores carregam em suas carreiras a fama de sortudo,
assim como outros tem de viver sob a sombra do azar, chamados de pé-frios e etc.
Filippo Inzaghi é, sem dúvida, um homem de muita sorte. O estádio Olímpico de
Atenas e todo os apaixonados por futebol presenciaram, na última quarta-feira,
Inzaghi e sua sorte em ação diante do Liverpool, na final da Liga dos
Campeões.
Inzaghi está longe de ser um atacante ruim, mas certamente
nunca foi um craque. Quando chegou ao Milan, na temporda 00/01 sendo negociado
pela Juventus, Inzaghi era considerado um dos grandes atacantes da Europa. No
Milan, viveu seu melhor momento em termos de forma na temporada 02/03, quando
marcou 16 gols na Série A e 12 na Liga dos Campeões. Naquele ano, formou com
Shevchenko uma das duplas de ataque mais temidas da Europa e acabou por
conquistar a Liga dos Campeões.
Quatro anos depois, muitas lesões
sofridas. O Milan iniciou a temporada rodeado de incertezas: escândalo,
punições, saída de Shevchenko. Todas as apostas sinalizavam uma temporada
nebulosa. O Milan tinha como opções de ataque Gilardino, Ricardo Oliveira,
Inzaghi e Borrielo. Ricardo Oliveira sofreu problemas pessoais e de adaptação, e
lentamente perdeu espaço até mesmo no banco de reservas. Boriello envolveu-se em
problemas de doping.
Com Gilardino vivendo mais uma temporada
inexpressiva e com lesões costumeiras de Inzaghi, o Milan contratou Ronaldo.
Apesar de ser folgadamente o melhor atacante do elenco, Ronaldo estava
impossibilitado de atuar na Liga dos Campeões por já ter sido inscrito pelo Real
Madrid. Para a grande final, Ancelotti tinha duas opções: Gilardino ou Inzaghi
para formar o ataque com Kaká.
Inzaghi e Liga dos Campeões é sinônimo de
gols e sorte. Inzaghi foi protagonista de gols singulares e extremamente
importantes: 02/03, o Milan estava sendo eliminado pelo Ajax, empatando em casa
por 2a2 após um empate sem gols na Holanda. Nos acréscimos, no último segundo de
jogo, Maldini cruza na entrada da área, Ambrosini desvia de cabeça e a bola
sobra para Inzaghi, que encobre o arqueiro Lobont e comemora loucamente (veja aqui o
gol). Houveram outros gols decisivos: Lyon, Celtic,
Bayern...
Porém, nada superará sua sorte na final de Atenas. Seu
gol de ombro após falta de Pirlo não era apenas o ombro de Inzaghi: era o ombro
do Milan, pesado, desde a derrota em Istambul. Mas Inzaghi não é apenas um
jogador de sorte. Seu segundo gol demonstrou isso claramente. Gol de um atacante
que sabe posicionar-se entre os zagueiros e partir no momento exato. Um título
merecido pela sua estrela, carisma e sua emoção, que transborda quando marca
seus gols.
O técnico do Manchester United, Alex Ferguson, declarou em
certa ocasião que "Inzaghi nasceu em impedimento". O Liverpool e seus torcedores
não concordam, bem como os rubro-negros. Inzaghi nasceu foi com a bunda virada
para a Lua. Sorte de uns, azar de outros...
Afonso Who? Zlatan Lexotan - 22/05
Comparado a Van Nistelrooy, superando marcas de Ronaldo e
Romário. Apesar destas informações preliminares, que já serviriam para
qualificar um jogador como craque interplanetário de acordo com nossa imprensa
descabida, Afonso Alves é um ilustre desconhecido em seu país. Convocado para a
Seleção Brasileira pelo técnico Dunga para os amistosos contra Inglaterra e
Turquia, seu nome gerou na grande maioria a mesma pergunta: Afonso
Alves?
Em nossa comunidade no Orkut, a mesma dúvida foi rapidamente
sanada por nosso patrão Fanático, um gênio futebolístico (te amo chefe!), mas
aproveitarei estas linhas para elucidar melhor sobre este atacante que agora
surge no cenário global. Afonso Alves surgiu nas categorias de base do Atlético
Mineiro, de onde saiu aos vinte anos rumo ao obscuro futebol Sueco, contratado
pelo Örgryte Is, de Gotemburgo. Sua estadia no Örgryte durou apenas uma
temporada, já que suas atuações chamaram a atenção do Malmö, um grande clube no
cenário nacional.
No Malmö, Afonso Alves desenvolveu melhor seu futebol e
passou a ganhar mais destaque. Em 2004, recebeu a “Bola de Ouro” como melhor
jogador do campeonato. Foi duas vezes vice-artilheiro do campeonato, em 2004 e
2005. Em 87 jogos realizados pela Liga, marcou 49 gols.
Porém, Afonso
Alves jamais havia vivido um momento como o atual. O Heerenveen, clube que
tradicionalmente conta com goleadores de alto nível, resolveu apostar no
brasileiro após a venda de Klaas-Jan Huntelaar para o Ajax. No clube holandês,
Afonso conseguiu um feito que nenhum outro jogador nacional havia atingido:
marcou 34 gols na Eredivisie, superando Ronaldo, que havia marcado trinta vezes
em 94/95. Outros jogadores, porém, fizeram mais gols que ele na Holanda. Mateja
Kezman, por exemplo, marcou 35 vezes em 02/03.
Atualmente líder da Bola
de Ouro, apenas outro nome que fez história no Heerenveen pode efetivamente o
alcançar: Ruud Van Nistelrooy, revelado no Heerenveen, a quem Afonso é comparado
constantemente pelos torcedores do clube. Antes de sua convocação, o Chelsea já
havia enviado olheiros para o acompanhar, mas não houve interesse. Porém, a
Inglaterra segue entre os prováveis destinos do jogador, uma vez que seu agente
diz ter recebido uma proposta do Manchester United. O Barcelona também revelou
interesse através de Ronaldinho Gaúcho, que disse ter solicitado sua contratação
junto a diretoria.
Eleito melhor jogador da temporada holandesa, Alves
teve seu passe fixado em vinte milhões de euros, valor suficientemente alto para
tirar da jogada os clubes holandeses mais tradicionais. Porém, um valor que está fora dos padrões europeus atuais.
Acabou a época de loucuras, ainda mais se tratando de um jogador com qualidades
ainda a provar.
Afonso é, até agora, garantia de lucro: o Malmö pagou ao
Örgryte 1,2 mihões, na maior transferência interna na Suécia até então. Por sua
vez, o Heerenveen desembolsou 4,4 milhões de euros para o contratar. Caso sua
negociação seja concretizada por 20 milhões, seu passe terá multiplicado-se
quase 20 vezes em cinco anos.
Porém, os fatos descritos acima deixam
alguns questionamentos em aberto. Mateja Kezman era considerado um novo fenômeno
Mundial, mas hoje está no Fenerbahçe após passagens frustradas por Chelsea e
Atlético de Madrid. Seria Afonso Alves apenas mais um caso de jogadores que
passam por uma grande em uma liga sem muita competitividade e, quando testados
em um maior desafio, falham? Ou então ele seguirá os passos de Ronaldo e
Nistelrooy, que brilharam na Holanda e depois conquistaram a Europa? Essa
reposta, fortuitamente, apenas o tempo poderá responder. Enquanto isso, que
Afonso faça seus gols, seja onde for.
Burro! Zlatan Lexotan - 15/05
A
partida encaminha-se para um resultado que
não favorece a equipe da casa. O estádio
está lotado e a torcida pressiona pela vitória
desesperadamente. Então, o técnico, sempre
ele, resolve aprontar e realiza uma substituição
que não faz sentido para ninguém, como trocar
um volante por outro de mesma posição. A
torcida enlouquece e o coro que ressoa por
toda a cidade é previsível: “Burro... Burro....
Burro...”.
Casos como o citado acima
acontecem toda semana, basicamente. Afinal,
a torcida sempre espera ver seu time com
dezoito atacantes e os técnicos insistem
em, bem, eles insistem em ser burros mesmo.
Deve ser da profissão, vai saber. Genético.
Porém,
a Itália segue em sua temporada de suprema
inovação das questões futebolísticas. Após
o escândalo do CalcioCaos, onde a federação
italiana usou toda sua criatividade para
punir os times envolvidos e lentamente fazer
de conta que nada aconteceu, reduzindo as
punições gradativamente, os diretores dos
clubes da Itália chegaram a conclusão de
que havia ainda algo que poderia ser feito
para dignificar ainda mais a Série A desta
temporada.
Passados alguns meses
e muitas idéias que não foram aprovadas,
eis que genialmente os cartolas descobrem
a fórmula secreta do sucesso: demitir o
técnico e, meses depois, recontratá-lo.
O conceito não faz muito sentido aos leigos
que lêem estas linhas, mas os dirigentes
italianos devem estar convictos que este
é o caminho. Afinal, nesta temporada da
Série A, quatro clubes resolveram adotar
este novo estilo de comandar o clube. Torino
e Cagliari resolveram começar a brincadeira
juntos, no mesmo dia. Parece até combinado.
O
Torino havia demitido Gianni De Biasi ainda
na pré-temporada, contratando em seu lugar
o famoso e renomado Alberto Zaccheroni.
Porém, a pressão por resultados melhores
acabou falando mais alto e, em 26 de fevereiro,
De foi recontratado para comandar o Torino
na Série A.
No Cagliari, Marco Giampaolo
havia sido demitido do comando técnico em
dezembro. Em seu lugar, assumiu Franco Colomba.
Colomba comandou por dois meses e meio,
mas não rendeu o esperado. Então, o Cagliari
resolveu, em 26 de fevereiro, recontratar
Marco Giampaolo, que antes de ser demitido
havia conquistado apenas duas vitórias,
dez empates e quatro derrotas.
O
Messina foi mais longe: em 03 de janeiro,
Bruno Giordano foi demitido do cargo, dando
lugar a Alberto Cavasin. No início de abril,
Giordano foi chamado a assumir novamente
a equipe. O seu destino? Em 23 de abril,
após quatro derrotas consecutivas, foi mandado
embora de novo.
O último a entrar
na moda foi o Palermo. E o clube rosa resolveu,
como sempre, mostrar sua mania de querer
ser melhor que os outros e os superou: mandou
embora Francesco Guidolin em meados de abril,
e após menos de um mês, contratou o antigo
técnico novamente.
Em termos de questões
extra-campo, a Itália está superando o Brasil
com folga. Ao muito pensar, recordamos apenas
do caso de Renato Gaúcho no Fluminense.
E
para as torcidas fica uma pergunta: o coro
de 'Burro' deve ser direcionado a quem?
Aos técnicos demitidos ou aos dirigentes,
que contratam e demitem o mesmo profissional
diversas vezes? Na dúvida, façam o enterro
simbólico do clube que toma tal medida.
Hora
da decisão Zlatan Lexotan - 08/05
Milan
e Liverpool serão novamente protagonistas
do grande evento futebolístico da temporada.
Após o encontro épico ocorrido há duas temporadas
atrás, em Istambul, a Liga dos Campeões
verá seu campeão de 06/07 ser decidido entre
os comandados de Rafa Benítez e Carlo Ancelotti
mais uma vez.
A última oportunidade
em que se enfrentaram ainda está fresca
na memória dos torcedores: 25 de maio de
2005, na decisão da Liga dos Campeões no
estádio Atatürk, em Istambul. No primeiro
tempo um Milan arrasador ao marcar três
vezes, com Maldini e Crespo, autor de dois
gols. Na segunda etapa, um Liverpool histórico
ao empatar o confronto com gols de Gerrard,
Smicer e Xabi Alonso. Na prorrogação, manteve-se
a igualdade, destinando às penalidades a
responsabilidade de definir o campeão. O
arqueiro Dudek defendeu as cobranças de
Pirlo e Shevchenko, possibilitando ao Liverpool
a conquista de sua quinta taça da Liga.
Duas
temporadas depois do histórico confronto,
é claro o efeito do inexorável tempo sobre
os dois plantéis. Enquanto o Liverpool fortaleceu-se
e ganhou corpo em alguns setores na época
deficiente, o Milan perdeu seu referencial
ofensivo e viu o restante de seu grupo apenas
dirigir-se a uma nova decisão dois anos
envelhecido, como se a alta média de idade
rossonera não fosse já alta em 2005.
A
comparação entre os dois setores ofensivos
é crucial para sustentar este argumento:
o Milan entrou naquela final de Istambul
com Crespo e Shevchenko como dupla de ataque.
Hoje, o Milan tem a disposição Inzaghi,
Gilardino e Ricardo Oliveira, o que força
Ancelotti a escalar apenas um dos três,
já que o nível técnico é muito baixo. Do
outro lado, o Liverpool entrou em campo
com os hoje reservas Luís Garcia e Harry
Kewell, acompanhados pelo negociado Milan
Baros. Hoje, os Reds tem em seu elenco atacantes
muito superiores: Peter Crouch, Dirk Kuyt
e Craig Bellamy.
Qualquer previsão
para a final será das mais incabidas. Afinal,
o Milan era franco favorito e acabou sem
a taça. Hoje, as forças se eqüilibraram,
e os dois times mais copeiros da Europa
estarão novamente frente a frente. Ao vencedor,
as batatas.
Criando
Monstros Zlatan Lexotan - 01/05
Assim
como a imprensa tem suas manias, este colunista
tem as suas. Uma delas é falar das manias
das imprensa nacional, e é possível conferir
estes relatos nas colunas anteriores. Porém,
a coluna desta semana é inspirada em algo
maior: as manias da imprensa que contagiam
os torcedores em escala nacional.
Freqüentemente,
somos bombardeados por reportagens, matérias
e notícias que nos parecem duvidosas a primeiro
instante. Negociações milionárias, transações
mirabolantes, clubes com grandeza exacerbada,
craques criados do dia para a noite. Não
há nada mais comum e cotidiano do que a
criação de monstros sagrados no meio futebolístico
por parte da imprensa sensacionalista.
O
processo criativo deste personagem da vida
real faz assustador sentido. Surge um jovem
talento em um clube geralmente de grande
apelo nacional, entre as maiores torcidas
de seu Estado. Ele faz apresentações interessantes
nas categorias e seleções de base, mas ainda
é tratado como um garoto a ser observado.
Sua
estréia na equipe principal geralmente é
discreta, sem grandes alardes. Há muita
pressão, pouca experiência e muita expectativa.
O garoto ganha mais espaço e começa a aparecer
na imprensa especializada como o mais novo
craque do futebol brasileiro. Todos os olhos
então se voltam para o garoto. Pressionado
e com sua auto-estima que o coloca entre
os Deuses da Bola, o garoto começa então
a abusar de dribles, jogadas de efeito.
A
torcida, carente de ídolos, delira de alegria
e passa a ovacionar seu novo craque, aquele
que fará o clube deixar as sombras do ostracismo
e o conduzirá novamente às glórias. A imprensa
então esquece que criou o monstro e passa
a acreditar cegamente, noticiando e perseguindo
o jogador a todo instante.
Na temporada
passada, houve o caso Alexandre Pato. Após
sua primeira partida como profissional,
contra o Palmeiras, o atacante do Internacional
foi tratado como a nova sensação do futebol
brasileiro. Depois deste jogo, o primeiro
de sua carreira profissional, Pato nada
mais fez. Casos como o de Pato surgem constantemente:
Kérlon, o garoto-foca, Robinho, o triatleta,
Denílson, o Pelé do Morumbi. Fenômenos da
mídia que jamais se confirmaram.
Do
outro lado da moeda há Zé Roberto. O hoje
craque santista foi sempre tratado como
o patinho feio das convocações para a seleção
brasileira, por ser considerado defensivo
demais. Idiotas da subjetividade. Zé Roberto
sempre foi um grande jogador, com extrema
habilidade e visão. Foi necessário, já no
fim de sua carreira, um técnico que o escalasse
ofensivamente para que a mídia e massa percebessem.
Como sempre, é tarde demais.
Classificados - Semana 2 Zlatan Lexotan - 24/04
Para quem não
presenciou a coluna da última semana, iniciei aqui minha caminhada rumo ao
sucessos, títulos, riquezas e fama ao ser escolhido como treinador de uma equipe
de futebol contando com a ajuda de mais fiéis leitores, que irão espalhar minhas
qualidades dia após dia, tornando-me num enorme sucesso mesmo sem nunca ter
pisado em um clube.
Após elucidar rapidamente sobre meu revolucionário
esquema tático, no qual juntarei as principais qualidades de Rinus Mitchels e
José Mourinho, hoje darei maiores detalhes sobre como funcionaria isso na
prática.
O esquema utilizado seria o 4-1-2-3, mas essa numerologia
aplica-se somente para critérios de escalação. A defesa seria formada por dois
zagueiros fixos e dois laterais de grande mobilidade ofensiva, mas com
capacidade defensiva para fechar os espaços quando necessário.
O meio de
campo, formado originalmente por 3 atletas, teria na verdade seis quando
direcionado ao ataque, já que dois atacantes funcionam como meias de ligação ou
médios-ala. O único volante tem como única função marcar, mas seria trabalhado
desde a base para dar passes com precisão e ter certa visão de jogo.
A
equipe teria quatro meiasem campo, mas dois deles com grande capacidade de
finalização e outros dois com grande domínio dos fundamentos e inteligência para
os momentos determinados. A depender, eles trocam de posição com freqüência e
confundem loucamente a defesa adversária, que tem à sua frente sete jogadores
que trocam de posição. No ataque, um matador. Não é necessário grande gabarito
técnico, basta ter presença de área, um mínimo de noção com a bola nos pés e ser
um finalizador de primeira.
Para atestar que tudo isso não é insanidade,
poderia dizer que os dois alas são Lahm e Oddo, Vieira como volante, Gerrard e
Deco no meio, Cristiano Ronaldo, Joe Cole e Nistelrooy na frente. Ou seja, é
perfeitamente possível.
Na semana que vem seguiremos com nossa saga rumo
à conquista do Mundo. Ainda não recebi contatos, o que quer dizer que nossos
leitores não andam levando a sério esta história ou são frouxos que não
pretendem ajudar.
Classificados Zlatan Lexotan - 17/04
Vida de colunista é
um tanto quanto monótona. Ainda mais quando se é basicamente anônimo e escreve
para um site de repercussão inexistente (eu li isso. Vai sair do seu salário
- o Editor). Porém, aproveitando uma pequena parcela de leitores ricos,
influentes e de grande garbo e elegância, venho por meio deste oferecer meus
estimados serviços de treinador.
Sim, você está lendo corretamente:
procuro uma oportunidade no concorrido mercado de trabalho de treinadores de
futebol e começarei aqui uma jornada rumo às glórias e títulos. Como vou fazer
isso? Primeiramente, convencerei meus caros leitores de que tenho a capacidade
necessária para alcançar tal objetivo e depois contarei com o bom e velho
"telefone sem fio", no qual uma história é repassada de pessoa a pessoa até que
todos saibam de tal fato.
Então, quando esta história chegar a seu
segundo mês de vida e estiver largamente repassada, a técnica popular de
aumentar a história cada vez que é contada me transformará automaticamente no
novo Rinus Michels, no José Mourinho brasileiro. Ou seja, ofertas de emprego não
me faltarão.
Agora, tratarei de os convencer de que tenho esta real
possibilidade de sucesso. Meu estilo de jogo será um misto dos dois técnicos
citados acima: a tática flutuante ofensiva de Michels e a preocupação defensiva
do português, sem exagerar na adaptação e sem ir muito próximo do estilo
exacerbado de cada um. 'Como assim?', pergunta-se nosso leitor. Explico:
Michels popularizou o estilo ofensivo ao extremo, enquanto Mourinho defende-se
ao ponto de dar sono. Portanto, a união desses dois esquemas traria ao torcedor
um estilo atraente e seguro de jogo.
Não revelarei totalmente meus planos
de imediato. Aos poucos, desvendarei os planejamentos técnicos, táticos e
administrativos de meu futuro clube. Assim, crescerei junto com minha fama e
minha popularidade instantânea. Portanto, comece a espalhar desde já esta
notícia. Em breve seu clube contará com um genial técnico no comando. Só depende
de você.
Acelerando a paixão Zlatan Lexotan - 03/04
Que tal unir as duas
maiores paixões esportivas do mundo? Pois em breve poderemos ver a união de
futebol e automobilismo em nossas televisões. Antes que alguém pense sandices
como carros correndo atrás de bolas gigantes e as mandando para o gol (temos
leitores debilitados mentalmente), explicamos do que se trata esta
coluna.
Há algum tempo ouve-se falar timidamernte sobre a Superleague
Formula. Porém, pouco destaque se deu até agora e uma pesquisa aprofundada sobre
o assunto se torna um grande suplício, poucas informações são localizadas sobre
tal competição.
Nesta segunda-feira tivemos a prova concreta de que a
Superleague Formula realmente acontecerá: o Milan lançou seu carro em Milão. A
competição terá início em 2008, e até o momento Milan, PSV, Olympiakos e Porto
já confirmaram suas presenças. Os pilotos serão ainda definidos, e a promessa é
de serem escolhidos jovens promissores. Ou seja, o Automobilismo unido ao
Futebol só poderia render mesmo isso: possível negociação de jovens talentos com
a F1.
A idéia da organização é ter 20 carros representandos por 20
clubes. Inicialmente, nenhum clube terá de contribuir financeiramente. Ou seja,
para os clubes é uma "win/win situation", como gostam de descrever os
ingleses. Os clubes ganharão com a exposição, e, se der errado, não perderão
absolutamente nada. Se der certo, estarão dentro de uma promissora competição
que envolverá os amantes do automobilismo e os torcedores de cada clube,
ambicionando os milhões oferecidos pelos patrocinadores e transmissão
televisiva.
Todos os carros serão iguais em sua mecânica e tecnonolgia,
produzidos pela Elan Motorsport Technologies, nos Estados Unidos, e contarão com
motores de 750 cavalos e 12 cilindros.
Outras equipes estão em
negociação para participar do campeonato, que começaria em 2008. O representante
do Brasil poderia ser o Flamengo, mas ainda depende de um acerto com a
organização da competição. Clubes como Barcelona, Valencia, Inter de Milão, Lyon
e Boca Juniors também negociam sua participação. O objetivo dos organizadores é
contar com 20 carros no grid.
"Pesquisas mostram que nosso conceito será
apoiado pelos fãs dos dois esportes", disse o espanhol Alex Andreu, um dos
idealizadores da nova categoria. "Desenvolvemos um grande pacote de
investimentos, que atraiu investidores de todo o mundo. Nossa receita será
dividida igualmente com todos os times", prometeu.
E as promessas não
param por ai. Cada corrida teria como adicional um competo programa "fora das
pistas", com shows e outros itens de entretenimento. Outro ponto é a política
"aberto para todos", com os fãs tendo acesso ao paddock e ao dependências de
cada escuderia, como os fundos da garagem.
Voltando aos negócios, a
idéia inicial da Superleague Formula é atrair os clubes com uma pomposa
premiação de mais de um milhão de euros por grande prêmio. No Sábado, as
tradicionais sessões de testes e qualificação. No domingo, duas corridas, uma
delas com o grid invertido. Formato muito atraente e fora dos padrões da atual e
chata Formula 1.
Combinar dois esportes de grande apelo, tanto de mídia
como em termos de fãs, pode ser um grande acerto e uma idéia revolucionária.
Para tanto, primeiramente seria necessário aumentar a divulgação (só encontrei
maiores inforções no website oficial). Com a competição em curso, os pilotos tem
de ser realmente muito bons, já que eles serão o fator que desequilibrarão a
igualdade dos monopostos.
Difícil prever o que de fato acontecerá. Como
fã das duas modalidades, torço para que dê certo. E muito...
Fã de verdade Zlatan Lexotan - 27/03
A situação estava
tão grave que foi necessária uma reunião de família para resolver a questão.
Cláudia estava dois meses de luto após a morte de Frank Sinatra, chorando pelos
cantos, usando apenas preto e tudo mais. Reinaldo, seu marido, não tinha mais
ânimo para nada diante da humilhação que sua esposa o afligia. Cláudia se
desculpou com o marido, mas a paixão por seu ídolo era mais antiga, o que ela
podia fazer? Até o final daquele ano, após a reunião familiar , o casamento de
Reinaldo e Cláudia, que ainda era recente, parecia caminhar para a normalidade.
Mas a paz de Reinaldo durou pouco. Assistindo televisão como fazia
normalmente, Cláudia descobriu sua nova paixão: David Beckham. Ao ver uma
matéria sobre o jogador inglês, ela encantou-se imediatamente pelo então atleta
do Manchester United. Claudia passou a torcer pelos Red Devils como se fosse seu
time desde pequena, comprou camisa do ídolo e chegou até mesmo a cogitar a
possibilidade de visitar a Inglaterra, mas Reinaldo alertou a esposa de que a
situação financeira do casal não permitiria tal estripulia.
Houve um
momento em que a paixão de Cláudia ficou estremecida, logo após o casamento de
Beckham com uma das Spice Girls. Por alguns dias, Cláudia andou deprimida
novamente, mas rapidamente descobriu o culpado: Reinaldo, logicamente, que a
impedira de conhecer o ídolo pessoalmente e encantar o inglês com seu charme
brasileiro.
Reinaldo, o marido constantemente humilhado, já estava
debandando para o álcool quando Claudia o brindou com uma bela novidade: estava
grávida. A felicidade foi geral, já que eles encontravam problemas para ter seu
primeiro filho. Dali para frente era Beckham todo dia, nem que fosse em vídeo
tape.
Após nove meses de David Beckham em doses cada vez maiores, chegou
o esperado dia do nascimento. O médico encarregado do parto anunciou: -
Menina!! Foi muito chato. Era a cara do David Beckham.
Proibido criticar Zlatan Lexotan - 21/03
O
mundo esportivo brasileiro é cheio de manias
seculares, e isso já foi comentado neste
espaço por diversas vezes. Porém, existe
uma nova moda entre torcedores e jornalistas
que me causa a mais profunda incompreensão:
o veto às críticas sobre desempenho abaixo
do esperado de determinado clube ou jogador.
De
um lado, há o mais absurdo exagero no momento
de tecer elogios, enquanto de outro existe
uma proibição ao comentário construtivo.
Jogadores tornam-se mitos com apelidos memoráveis,
como "O Príncipe", "Imperador",
"Fenômeno", "Rei das Pedaladas",
"Túlio Maravilha" e "Zidanilo",
para citar só os mais famosos casos.
Basta
um jogador ter uma atuação boa ou despontar
como um provável talento que ninguém raciocina
e logo, sem titubear, passa a rotular estes
jogadores como "Novos Pelés/Maradonas/Zidanes".
Outros, com um nome mais estabelecido na
mídia, passam a ser melhores do que Maradona
ou Pelé.
Cria-se um "auê"
tão grande em torno destes jogadores que,
quando eles tropeçam, a imprensa faz de
conta que não vê. Idolatra de tal forma
para vender suas transmissões e acaba por
perder o senso crítico, a idoneidade. Deixa
de ser jornalismo esportivo para ser fã
clube ou compra de audiência, basicamente.
"Veja o 'Malabarista da Bola' e concorra
a um sensacional videogame", é o slogan
hoje das transmissões de futebol.
Criticar
passou a ser cornetagem, como costuma-se
dizer com frequência, inclusive, por jornalistas
durante transmissões. Exemplos não faltam,
mas os jogadores brasileiros são os casos
mais claros. Ronaldinho Gaúcho, Robinho
e Adriano não jogam nada há muito tempo,
e no caso dos dois primeiros, de fato nunca
jogaram. Porém, a imprensa ufanista ignora
os fatos e, na clara tentativa de manipulação
da massa, traz aos telespectadores apenas
o que lhes convém.
Adriano envolve-se
em mais confusão, não era nem relacionado
para as últimas partidas da Inter, mas basta
duas jogadas diante do GIGANTE Ascoli para
Adriano ter ressurgido das cinzas e voltar
a ser considerado como o jogador mais importante
do clube italiano. Robinho passa meses sem
fazer nada, e basta um goL, diante do GIGANTE
Gimnàstic para ser aclamado novamente como
a salvação do futebol alegre brasileiro.
Ronaldinho
Gaúcho é um caso mais complicado. Indiscutivelmente,
é um jogador que falha nos momentos decisivos
e destaca-se apenas contra times inexpressivos
ou cuja marcação é vacilante. Porém, ignora-se
suas atitudes violentas e desagregadoras
no elenco por um chapéu que ele dá num GIGANTE
zagueiro do Osasuna. "Olha lá o Showman",
costumam dizer. Engraçado lembrar é que
os três não jogam nada há muito tempo, passaram
por grandes problemas em seus clubes, mas
são isentos pela imprensa brasileira. Para
Ronaldinho, usam a desculpa de que ele não
teve descanso por conta da Copa do Mundo.
Ora, Cristiano Ronaldo também estava no
Mundial e nem por isso se arrasta em campo,
muito pelo contrário.
Já para Adriano
e Robinho, é culpa do treinador que não
gosta de brasileiros ou usa um esquema de
jogo que ignora as melhores características
dos novos baluartes do futebol arte.
Alguém
precisa lembrar a jornalistas que o politicamente
correto se aplica também a críticas construtivas,
afinal, está muito longe de ser correto
fazer o admirador do esporte de trouxa com
afirmações que fogem da realidade. Para
comentar, analisar, escrever, tem de se
esquecer nacionalidade, clubistíca ou paixonite
por jogador x ou y.
Se tecer críticas
construtivas for um crime, este site terá
todos seus integrantes na cadeira elétrica.
Não
é nada pessoal. São apenas negócios. Zlatan
Lexotan - 13/03
Amigos
amigos, negócios à parte. Até mesmo um ditado
popular de séculos e séculos atrás deixa
explícito que os negócios tem importância
muito superior a outras questões, até mesmo
a tão valorizada e difícil amizade. No mundo
atual, onde a corrida desenfreada pelo lucro
está em seu ápice histórico e as pessoas
são classificadas de acordo com seus bens
e contas bancárias, os negócios estão no
centro do universo.
Por muito tempo,
o esporte parecia alheio a este panorama.
Priorizava-se, em primeiro lugar, a conquista
de títulos. Porém, nos últimos anos, com
a ligação de empresas aos clubes e empresários
do ramo administrativo integrando a diretoria,
os clubes passaram a enxergar o esporte,
em primeiro lugar, como oportunidade de
lucros, cifras e mais cifras.
A Premier
League e a Liga dos Campeões foram os mais
famosos precursores da modalidade em solo
europeu. Com a intenção de aumentar a visibilidade
de sua competição e dos clubes envolvidos,
a FA e a UEFA buscaram grandes patrocínios
e recebem fortunas em cotas de transmissão
televisiva, para ser simplório na explicação.
A lógica deste pensamento é um tanto quanto
óbvia: utilizar a paixão dos torcedores
e popularidade dos clubes para obter maiores
receitas e, conseqüentemente, fortalecer
a competição e os clubes com maiores premiações.
Quanto maiores as premiações, mais os participantes
se reforçam e aumentam o interesse do público
pelos torneios em questão.
O modelo
acima descrito é capital e comercialmente
ideal. Muito dinheiro, crescimento e domínio
local e global de sua marca. Mas nem sempre
é assim. Muitos, com uma visão limitada
em termos de negócios, acabam atropelando-se
na busca ensandecida por receitas sem pensar
nas conseqüências. Não há de causar nenhuma
surpresa o maior exemplo deste caso de má
visão empreendedora que descrevemos: o Real
Madrid.
Tudo começou no longínquo
ano 2000, quando Florentino Pérez assumiu
a presidência do clube Merengue. Na época,
Pérez encontrou um clube afundado em dívidas,
mas com bons resultados dentro de campo.
Em sua cabeça, havia um plano de fazer uma
versão espanhola do Manchester United: administração
com pensamento financeiro e marketing apurado.
Para concretizar seu plano, Pérez vendeu
o complexo esportivo no Paseo de la Castellana.
Com a fortuna recebida, quitou as dívidas,
iniciou as construções da Ciudad Deportiva,
e, principalmente, iniciou as contratações
de uma estrela por temporada: Figo, Zidane,
Ronaldo, Beckham, Owen.
O problema
é que o marketing, que seria um meio, se
transformou em um fim em si próprio. Alimentar
a aura de “galácticos” passou a ser tão
importante que Pérez se afundou nessa política,
criando um modelo difícil de mudar, pois
toda a área gerencial do Real Madrid se
moldara a isso.
Fora de campo, os
planos de Pérez caminhavam bem, a exposição
de suas estrelas gerava aos cofres madrileños
uma boa quantia de euros. Porém, com uma
equipe claudicante dentro de campo, a busca
passou de uma política lucrativa a um tormento
aos torcedores em questão de duas temporadas.
Ou
seja, nem sempre os negócios por si resolvem
a questão de um clube. Sem os títulos ou
a evolução, torna-se impossível a seqüência
do pensamento mercadológico. Para os negócios
darem efetivamente certo, é necessário o
respaldo de um personagem central, mas muitas
vezes esquecido: o torcedor. Afinal, na
pirâmide do clube, quem está na base são
os torcedores, os apaixonados.
O
ditado, de tão antigo, não compreende o
mundo futebolístico. Para ter um equilíbrio
entre finanças e títulos, os amigos (no
caso os torcedores) são mais do que necessários
neste mundo particular de negócios. São
fundamentais.
Fidelidade à toda prova Zlatan Lexotan - 06/03
Neste último final
de semana, o futebol europeu presenciou mais uma bela marca alcançada por um
jogador. Desta vez, o galês Ryan Giggs foi o protagonista de um grande feito:
700 jogos com a camisa do Manchester United.
No futebol atual, poucos
jogadores tem seu nome relacionado à fidelidade e longevidade. Giggs é
acompanhado de Paul Scholes no Manchester United, segundo e oitavo colocados,
respectivamente, na lista de jogadores com maior número de participações na
história do clube.
Nos últimos dez anos, casos como de Scholes e Giggs,
de jogadores que iniciam sua carreira em um clube e mantém fiel a ele, foram
mais frequentes no futebol italiano. Por se tratar de um campeonato importador
de talentos, os melhores jogadores do país seguiam em apenas um clube, como nos
casos de Maldini, Baresi, Del Piero e Totti, por exemplo, jogadores que
declararam seu amor ao clube e juraram fidelidade a ele.
Em outras
localidades, esta história dificilmente é repetida. O futebol italiano dá muito
espaço ao veterano por seu estilo, e ele pode ser mantido até o final de sua
carreira. Em outros centros, onde esta cultura não é tão freqüente, os jogadores
acabam trocando de clube no momento final de sua trajetória. Rara exceção é
Raúl, há dez anos no elenco titular do Real Madrid.
Por outro lado, há
jogadores que parecem ignorar a aproximação com um clube e seu torcedor.
Ignorando os jogadores de menor expressão, que são negociados com espantosa
regularidade, o caso mais famoso de jogador que pla de galho em galho é o de
Christian Vieri.
Vamos fazer a conta: Prato (89/90), Torino (90/92),
Pisa (93/93), Ravenna (93/94), Venezia (94/95), Atalanta (95/96), Juventus
(96/97), Atlético Madrid (97/98), Lazio (98/99), Internazionale (99/05), Milan
(05/05), Monaco (06/06) e Atalanta (06/07). Ou seja, em dezoito temporadas como
profissional, Vieri trocou de clube treze vezes!!! Exceção ao período em que
defendeu a Internazionale e o Torino no início de sua carreira, Vieri permaneceu
um ano ou menos nos demais clubes. Num esporte (e no mundo) onde a
identificação com clube e torcedor são cada vez mais raros, feitos como o de
Giggs inspiram aqueles que acreditam que o futebol ainda pode carregar elementos
de paixão para os jogadores em relação ao clube no qual atuam.
Nisso não
há nenhum saudosismo ou desejo de que os times se mantenham sem alteração por
várias temporadas. Mas se até mesmo onde o poder financeiro é alto, como o
futebol europeu, difícil imaginar que veremos mais jogadores marcando seu nome
na eternidade de um clube e um clube na eternidade de sua carreira.
Tudo aberto. Ou quase isso. Zlatan Lexotan - 27/02
Na semana passada,
tivemos o retorno da Liga dos Campeões. Foram disputadas as partidas de ida das
Oitavas de Final da competição, e antes de prosseguirmos é prudente e necessário
lembrar dos resultados: na terça-feira, o PSV derrotou o Arsenal por 1 a 0, o
Lille foi derrotado pelo Manchester United por 1 a 0, o Real Madrid bateu o
Bayern Munique por 3 a 2 e Milan e Celtic ficaram num empate sem gols; na
quarta, Porto e Chelsea empataram em 1 a 1, Inter e Valencia empataram em 2 a 2,
o Barcelona perdeu para o Liverpool por 2 a 1 e Roma e Lyon empataram sem
alteração no placar inicial.
Ao observar os placares acima mencionados,
podemos tirar duas conclusões: a primeira é a de que nenhum dos times que aturam
como visitantes precisarão de muito esforço para se classificar quando jogarem
em casa, na próxima semana. O Arsnal, derrotado na Holanda sem marcar gols, é o
que precisará demonstrar um pouco mais de futebol, já que necessita de dois gols
para garantir a vaga. Outro, como o Liverpool, pode se dar até mesmo o luxo de
perder por 1 a 0 em Anfield que segue na competição.
A outra conclusão
que pode-se observar é o frato de, até o momento, nenhum time ter alcançado ao
posto de "grande favorito". O Barcelona, queridinho da mídia, segue em fase
complicada e viu sua situação se tornar delicada com uma derrota em casa diante
do Liverpool, que tem uma equipe com limitações mas com uma alma copeira. Real
Madrid e Bayern Munique seriam grandes favoritos há algumas temporadas, mas hoje
disputam quem lançará quem na mais profunda crise. Inter e Manchester United
ainda não chegaram a convencer na Liga dos Campeões, apesar do forte domínio em
suas ligas nacionais. Chelsea, Milan e Lyon são equipes que parecem estarem fora
de cogitação pelo momento ruim que vivem.
Na última temporada que houve
um cenário deste tipo, a final acabou sendo entre Porto e Monaco. Será que
poderemos ver um sensacional confronto entre Lille e Celtic nesta temporada?
Difícil de acreditar...
O mais provável é que algumas das chamadas
"equipes de peso" acerte-se nos próximos meses e alcance melhores resultados na
UCL. Resta agora no ar a pergunta: Quem???
Esperança de dias melhores Zlatan Lexotan - 21/02
Talvez você não
saiba, principalmente se for um habitante de Marte, mas meu time é o Milan. Sou
Milan em Moscou, sou Milan em Madrid, sou Milan em Atenas, Sou Milan em Hong
Kong, sou Milan do Oiapoque ao Chuí!
Sou atraído pela força deste time
por mais de uma década, quando me apaixonei assistindo ao Milan campeão italiano
em 1996. Antes disso, era torcedor de um clube local de nenhuma expressão
internacional, mas não passava de uma ilusão. Era apenas um namoro de verão,
daqueles que não deixam lembranças. Em 1996 conheci meu verdadeiro amor. Mas
isso não vem ao caso.
A contratação de Ronaldo foi encarada por quase
todos com desconfiança. A exceção eram os ufanistas, que encarnam o “jeito
Zagallo de ser”, como definiu bem nosso patrão. Em uma coluna anterior, descrevi
sobre todas as possibilidades que Ronaldo poderia vivenciar em sua passagem no
mais tradicional rubro-negro do Planeta, mas esqueci-me de fazer uma outra
versão: o que poderia acontecer ao Milan com a chegada de Ronaldo.
E, no
final de semana, Ronaldo fez sua primeira aparição como titular da equipe
comandada por Carlo Ancelotti. Sua estréia, uma semana antes, havia sido
promissora pela movimentação e aparente motivação. Neste sábado, contra o
pequeno e retrancado Siena, Ronaldo teve uma atuação destacada, marcando dois
gols e ainda dando passe para um terceiro tento. Porém, foi interessante
observar a reação do Milan após Ronaldo ter aberto o placar aos quinze minutos.
A equipe multicampeã de temporadas atrás tinha como ponto de referência
um atacante fixo, mas de muita movimentação, como era Shevchenko. Inzaghi ou
outro qualquer ocupava um espaço dentro da área e guardava para si um elemento
da zaga adversária. Assim, Sheva ajudava na criação e abria espaços com sua
movimentação, marcando gols e possibilitando outros tantos por seu estilo de
jogo. Com sua saída, o Milan buscava em vão por alguém que carregasse esta
responsabilidade. Gilardino e Inzaghi eram apenas um dos outros qualquer que
acompanhavam o ucraniano e não tinham o talento necessário para desequilibrar um
encontro. Ricardo Oliveira é uma anomalia que não merecer nem ser
comentada.
Sem encontrar alguém para participar do jogo ofensivo, o Milan
adoeceu, como um apaixonado com saudades daquele tempo em que todos eram
felizes. Kaká e Pirlo se apagaram, pois haviam perdido aquele que fazia suas
qualidades surgirem: as tabelas e os lançamentos.
Quando Ronaldo cabeceou
para as redes um sensacional passe de Pirlo aos quinze minutos, os olhos dos
jogadores brilharam como uma criança que vê consertado aquele brinquedo que
estava quebrado: “nós temos nossa referência novamente”. Os meio campistas
passaram a se esforçar mais e lutaram incansavelmente. Pirlo passou a gerir mais
o jogo com sua habitual técnica e visão. Kaká passou a ser aquele Kaká de
outrora, quando encantou o calcio com arrancadas e tabelas, com jogadas de
inteligência.
Porém, a defesa pregou os sustos de sempre. Cafu, Bonera,
Kaladze e Jankulovski não são jogadores para compor aquela defesa de aço de duas
temporadas atrás. Com o avanço constante dos dois alas, os volantes ficam
sobrecarregados por terem de cobrir todos ao mesmo tempo, e os espaços surgem
com mais facilidade. Como Jankulovski não é um grande marcador e Cafu hoje é
apenas uma camisa com um grande nome do passado, a defesa fica exposta e não há
nenhum Nesta ou Maldini.
Caberá agora à comissão técnica rossoneri
encontrar formas de corrigir os sérios problemas defensivos. Caso contrário,
teremos de passar pelas fortes emoções semanalmente de marcar 4 gols, mas sofrer
3.
Caso tudo caminhe como se desenhe, com o entrosamento e o
ressurgimento de Ronaldo, o Milan passa a ser desde já um grande nome para a
próxima temporada, uma vez que a atual já foi para o vinagre. Particularmente,
não acreditava que o Milan estivesse acertando ao contratar o “ex-galáctico”.
Colunista erra. E em casos como este fico feliz.
Violência demais, futebol de menos Zlatan Lexotan - 06/02
A Itália foi campeã
Mundial há sete meses, mas a atual temporada deverá ser esquecida tão logo a
Inter conquiste o scudetto. A violência nos calcio é um problema crescente que
até esta semana era desconhecido no Brasil.
As torcidas italianas em
geral não são conhecidas por sua classe, educação e elegância. Torcidas de Roma,
Lazio e boa parte dos times pequenos são terríveis, algo difícil de comparar com
o futebol brasileiro, onde os maiores times tem as piores torcidas.
Há
alguns dias atrás, o Ministério do Interior italiano publicou estudo que revelou
que o público nos estádios sofreu um grande declício na atual temporada e a
violência subiu consideravelmente. Antes que pense que a queda de público se dá
pela ausência da poderosa Juventus, vale lembrar que raras vezes o Delle Alpi
tem um grande público.
Um fator que incrementou o número de confrontos de
risco foi a presença do microscópico Catania. Mesmo com um time que está muito
mais acostumado às divisões inferiores, o Catania tem uma torcida terrível,
notória por depredar trens, fazer emboscadas para torcedores rivais e, é claro,
fechar o pau dentro do estádio.
Foi em seu estádio, na última
sexta-feira, que ocorreu o caso mais absurdo desta temporada no calcio (o
segundo iremos contar mais abaixo), quando sob circunstâncias ainda não muito
claras, houve um grande enfrentamento que culminou com a morte de um
policial.
O confronto se deu lado de fora do estádio onde se enfrentavam
Catania e Palermo, no clássico da Sicília. Os torcedores do Palermo chegaram
atrasados ao estádio, provavelmente por traçar uma rota segura alternativa, e
teve sua entrada impedida pela polícia. A confusão teve início, e tão logo os
torcedores do Catania perceberam, pediram permissão para participar. A polícia
tentou conter a multidão com gás lacrimogênio, e uma nuvem chegou a cobrir o
gramado interrompendo a partida, vencida pelo Palermo por 2 a 1 com dois gols
irregulares (um em impedimento e outro utilizando a mão).
No meio da
confusão, que teve bombas, pedras e todos os artefatos imagináveis e possíveis,
um policial acabou por perder sua vida, que causou o cancelamento da rodada em
toda a Itália.
Uma semana antes, o futebol na Bota viu um episódio ainda
mais lamentável, que teve final tão trágico quanto o narrado acima. Em
campeonato semiprofissional, da terceira categoria, enfrentavam-se Sanmartinese
e Cancellese. Então, durante uma confusão generalizada no gramado, o dirigente
do time visitante Ermano Licursi entrou no campo, tomou um violento golpe no
rosto, teve um ataque cardíaco minutos depois e morreu.
Testemunhas do
fato disseram que ele teria sido atingido por um dos jogadores da Cancellese
(que foram posteriormente interrogados), mas até o momento nada foi concluído. A
questão prática é: por causa de uma partida de futebol em um campeonato
ridiculamente irrelevante, uma pessoa morreu, e de uma maneira que faz a palavra
"fútil" ganhar novas conotações.
Incertezas e Dúvidas Zlatan Lexotan - 31/01
Após quase um mês de
especulações, a novela Real Madrid - Ronaldo - Milan chegou ao seu final. Nesta
terça-feira o Milan chegou a um acordo com o clube espanhol para contar com o
atacante brasileiro, pagando sete milhões e meio de euros mais o empréstimo de
Ricardo Oliveira pelos próximos seis meses. ele usará a camisa de número 99, uma
vez que Inzaghi tem posse da camisa 9.
A princípio, Ronaldo terá de
entrar em forma para entrar nos gramados, uma vez que não vinha sendo utilizado
no clube Merengue, já que era considerado membro negativo no elenco. Caso isso
ocorra e ele entre em forma, não poderá entrar em campo na atual edição da Liga
dos Campeões. Dentro deste cenário atual, a contratação de Ronaldo tem muitos
significados e possibilidades. Vamos a elas:
Ronaldo em forma, bola na
rede Caso Ronaldo realmente entre em forma, poderá ser um bom nome na
recuperação rossoneri na atual Série A, na luta por uma vaga na próxima Liga dos
Campeões. Com um ataque limitado, com apenas Inzaghi, Gilardino e Ronaldo como
opções, sendo que apenas os dois poderão atuar na LC, Ronaldo poderá se focar
nas partidas locais e marcar gols importantes.
Ronaldo em forma e
motivado, caos total para os adversários Caso o atacante chegue ao Milan
determinado a mais uma vez ressurgir dos mortos, o Milan concorre fortemente a
uma vaga na Liga dos Campeões da próxima temporada e enche de moral uma equipe
que parece vagar há duas temporadas pelo vale dos zumbis.
Fatos que
comprovam esta tese: Ronaldo é tratado como mercenário, mas recusou ofertas
financeiras melhores para ir para Milão: uma proposta de um clube árabe que lhe
tornaria o futebolista com o mais alto salário do Mundo e outra de jogar no time
de Nova York não seria muito menor e lá ele abriria um mercado para a sua marca
que o levaria para um outro nível de faturamento. Dentre as opções, escolheu a
mais difícil de todas, atuando na mais difícil disputa para os atacantes em solo
europeu.
Ronaldo em forma, mas nem tanto Ronaldo recupera-se,
marca gols e logo dá pinta de ser novamente aquele jogador dos velhos tempos,
como aconteceu no Real Madrid. Mas, com o tempo e seu nome ficado novamente na
mídia, Ronaldo voltaria a viver em evidência e longe dos gramados, como costuma
fazer.
Ronaldo fora de forma, caos para o Milan O investimento
financeiro efetuado pelo Milan foi relativamente baixo, afinal, gastou 7,5
milhões em um atleta que já custou 45 milhões. Porém, um retumbante fracasso do
brasileiro deixaria ainda mais marcada uma equipe que vem na descendente e se
afundaria ainda mais. Caso Ronaldo confirme em Milão a fama que obteve na
Espanha, ganhará mais alguns milhões antes de se transferir para um clube
alternativo por uma porção significativa de euros em seu
bolso.
Finalizando, Ronaldo nunca pareceu ser burro. Longe disso. Aliás,
depois de sua contusão terrível na Inter, ele se reergueu com um comportamento
público muito mais frio e racional, não raro arrogante. Esse Ronaldo
dificilmente combina com alguém que toparia uma aposta arriscadíssima se não
tivesse certeza de ter condições físicas e psicológicas para tanto.
E é
exatamente na questão psicológica que parecem estar as menores dúvidas. Nos
últimos quatro anos, Ronaldo venceu um título espanhol. No mais, foi chamado de
gordo, mulherengo, preguiçoso, acabado, refugo, velho e vários outros termos
impublicáveis. Não é difícil de imaginar que sua cabeça esteja vigorosamente
voltada em buscar vingança.
Ao contrário de Vieri ou Batistuta, ou outros
jogadores que desapareceram rapidamente quando pareciam estar no auge, Ronaldo
ainda tem o que provar – mas desta vez para si mesmo. Se ele encerrar sua
carreira amanhã cedo, já terá sido um dos maiores atacantes de todos os tempos.
Para ele, no entanto, ainda existem quatro anos de críticas e observações
maldosas a serem vingadas. Será que ele consegue? Essa resposta só virá com o
tempo, mas é bom não esquecer que ele já ressuscitou uma vez, quando todo mundo
– como agora – o dava como carta fora do baralho.
Insanidades cotidianas Zlatan Lexotan - 24/01
A história é sempre
a mesma. Sempre que alguém me faz a fatídica pergunta, temos uma sequência de
eventos que parecem ser combinados mundialmente. Esta semana mudei de emprego e
a tal cena se repete diariamente quando o assunto desemboca em futebol, mulher,
carros ou qualquer outra coisa:
- Então, que time você torce? - Eu
torço pro Milan. - Milan? Aquele da Inglaterra? (Gargalhadas) - Não, o da
Itália mesmo. - Sei sei. E não torce para nenhum time daqui? - Não, eu
torço para o Milan, como eu disse quando você me perguntou. - Entendi. Mas e
o Curintía hein?
Triste. No começo eu ficava um tanto quanto irritado,
mas com o tempo passei a contribuir para esses diálogos pitorescos e comprovava
como o povo domina com propriedade o futebol europeu em geral.
- E seu
time, como vai? - Não vai muito bem não, está em fase complicada. Começou o
campeonato com uma pontuação negativa. - Vishe, mas porque? - Não ficou
sabendo? O Dida tomou gol de um gândula, pendurou o rapaz na trave pelo saco e
rolou uma grande bagunça, deu tribunal e tudo mais. - Sei! Eu li isso num
jornal. - Pois é. Pelo menos vão trazer o Ronaldo para fazer dupla com o
Adriano. Falaram em contratar o Romário, mas a FIFA vetou. - O Adriano está
bem né, voltando a fazer gol... - Pois é, agora com o Ronaldo do lado dá para
ser campeão da Libertadores no ano que vem... - Libertadores? - Não ficou
sabendo? Se ficar em terceiro no Italiano ganha vaga na Libertadores. O quarto
garante na Sulamericana. - Ah é, eu lembro disso. Teve um que disputou esse
ano né? - Teve sim, o Bologna. Mas usou outro nome, Corognel Bolognesi se não
me engano.
Coisas piores sempre acontecem. Enquanto alguns discutem
fervorosamente sobre quem é melhor, Marinho ou Fabão, apenas escuto. Quando me
perguntam algo como "O Fabão não tinha espaço no seu time não?", tenho apenas
vontade de ser mudo, explodir ou coisa do genêro.
Enquanto isso, meu time
se limita a contratar Massimo Oddo, um bom jogador, mas apenas um em um cenário
gigantesco. Ronaldo? Pelamordedeus, prefiro que contratem o Iaquinta,
Caracciolo, até o Gudjohnsen servia...
Hora de decidir Zlatan Lexotan - 16/01
Para as potências
européias, chegar à fase de oitavas-de-final da LC não é mais que uma obrigação.
Passar por ela depende de competência e, também, de sorte – um oponente não
muito complicado facilita muito o caminho rumo às quartas. Por isso, quando os
sorteios das oitavas provocam as chamadas "finais antecipadas", o receio e a
expectativa sobem à estratosfera. Nas oitavas da LC 2004/5, ocorreram quatro
"decisões precoces" (e o campeão, Liverpool, não estava em nenhuma delas). Na
temporada 2005/6, três duelos desse porte agitaram o mês de fevereiro; um deles
foi Barcelona x Chelsea, que já havia estremecido a Europa no ano
anterior.
Na atual LC, caiu para dois o número de embates de gigantes nas
oitavas: São eles Barcelona x Liverpool, choque entre os dois últimos vencedores
da competição, e Real Madrid x Bayern de Munique. A tendência, portanto, é que
grandes forças do continente se mantenham por mais tempo vivas na competição. O
Chelsea, por exemplo, vai se deparar com o Porto, ex-clube de José Mourinho, e
só uma hecatombe pode abreviar a trajetória dos londrinos. O Manchester United
tem a chance de se vingar do Lille, o pequeno algoz da temporada
passada.
Até o Milan, apesar da fase tétrica, tem plenas condições de
avançar às quartas – a recuperação de alguns importantes jogadores lesionados e
a pavorosa performance do Celtic, adversário das oitavas, em partidas em fora de
casa pela LC (onze derrotas e um empate em doze jogos), credenciam o rubro-negro
de Milão a pensar, sim, em atingir a fase seguinte.
Os outros
emparelhamentos são PSV x Arsenal, Internazionale x Valencia e Roma x Lyon.
Dentre os oito confrontos das oitavas da atual LC, apenas o que reúne os times
de Totti e Juninho Pernambucano é inédito na história da LC. Todos os outros
aconteceram pela última (ou primeira) vez em edições bem recentes – Lille x
Manchester em 2005/6, Porto x Chelsea, PSV x Arsenal, Inter x Valencia e Celtic
x Milan em 2004/5, Real Madrid x Bayern em 2003/4, e Barcelona x Liverpool em
2001/2.
Na década passada, o advento do sistema de grupos, o aumento no
número de participantes e a solidificação da hegemonia dos clubes mais ricos
acabaram tornando os clássicos continentais muito mais freqüentes do que em
outras épocas. Juventus x Bayern é o melhor exemplo disso: conservou sua
"virgindade" até 2004/5, mas levou apenas mais uma temporada para rodar uma
reprise.
A tática é a grande problemática Zlatan Lexotan - 10/01
O mundo
futebolístico é recheado de lemas, tradições e etc. Diarimente, quando entramos
em contato com o esporte pelos mais variados meios, ouvimos uma porção de
bordões que estamos acostumados e mais uma dezena que são criados a bel
prazer.
Muitas vezes, estes ditos são verdadeiros. Muitas outras, não
passa de mera loucura ou uma procura desesperada por audiência, uma carência sem
fim por atenção. Algum tipo de frustração familiar, vá saber.
Temos
muitos exemplos: todo início de campeonato as conclusões mais precipitadas são
criadas, fala-se que fulano é um gênio, tal time vai ser campeão e no final das
contas não se ouve falar do tal craque e o time em questão luta para não cair.
Poderia descrever casos e casos, mas deixarei esta tarefa para sua imaginação e
conhecimento.
Um destes dilemas que mais me incomoda se refere aos
esquemas táticos. O primeiro tema que deixa o conhecedor do esporte irritado é a
mania dos comentaristas e narradores em afirmar que os times e jogadores
sulamericanos não levam a sério a tática imposta, enquanto o europeu é um
cordeirinho que jamais sai do seu script. Pois então vem a pergunta: será que
ninguém assistiu a partida entre Barcelona e Internacional?
No jogo em
questão, o Inter passou os noventa minutos jogando de acordo com o que foi
pedido, de forma devota e irrepreensível. O Barcelona e seus atletas tentaram
por diversas vezes sair do normal e buscar outras alternativas, como inversão de
posição e atletas fora de seu posicionamento original, mas em vão.
Logo
em seguida temos a famosa perseguição aos jogadores defensivos do meio de campo,
os volantes. Sempre que uma equipe está em desvantagem no placar, surge a
brilhante idéia do comentarista: tire um volante e coloque em campo um meia ou
um atacante. E ignora-se o fato de que a equipe em questão perde toda sua
combatitividade, não marca mais ninguém e perde as oportunidades de um
contra-ataque com uma bola roubada justamente pelo "cabeça de bagre" em
questão.
Para finalizar a aversão dos comentaristas ao esquema tático, é
fácil notar que quase nenhum deles consegue identificar como joga um time dentro
de campo. Pega-se a escalação, despeja-se os atletas em suas determinadas
posições e pronto. As variações durante os noventa minutos, porém, são
totalmente ignoradas e o trabalho do treinador passa totalmente
desapercebido.
Outra: a lenda dos três zagueiros. Os técnicos que adotam
o esquema dos três defensores centrais são pessoas frustradas que odeiam o
futebol e querem despejar sua indignação contra o futebol arte. Claro, deixa-se
de lado o fato de ter laterais que não sabem marcar e que preferem gastar suas
energias com jogadas ofensivas.
O mundo do futebol é realmente muito
engraçado e cheio de peculiaridades. Mas tem algumas que enchem o
saco...
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