ZLATAN LEXOTAN - ARQUIVOS 2007

Campeão do Mundo
19/12

No último domingo, o Milan sagrou-se campeão Mundial da FIFA, superando o Boca Juniors por 4 a 2 na decisão do torneio. Além disso, tornou-se o primeiro clube a ser quatro vezes campeão do Mundo e conquistou seu 18º título internacional, ultrapassando o próprio Boca, que soma 17 troféus.

Apesar de todas as críticas direcionadas ao elenco rubro-negro e sua direção, a postura adotada pelo clube em relação a competição foram impecáveis. Desde a conquista da Liga dos Campeões, não foram poucas as declarações que deixavam claro o desejo de priorizar a competição disputada em solo oriental, contrariando o pensamento popular de que os clubes europeus não dão o devido valor ao torneio.
Essa postura fez-se clara com a prévia chegada do elenco ao Japão, com o intuito de adaptar-se ao fuso horário, que interfere em termos fisiológicos, como alimentação, sono e descanso muscular. Pensando também em descanso, o Milan acertou novamente ao utilizar o decepcionante Gilardino na semifinal, frente ao Urawa Reds, poupando o talismã Inzaghi para a decisão.

Em campo, na grande final, o técnico Carlo Ancelotti soube enxergar os espaços vazios proporcionados pelo Boca e usou seus dois maiores talentos ofensivos, Kaká e Seedorf, às costas dos laterais argentinos, ao contário do que geralmente ocorre, com o brasileiro próximo à área adversário e o holandês com liberdade para atuar pelo centro.  

A variação tática foi uma novidade, já que, invariavelmente, o Milan peca pela falta de modificação e movimentação. Ainda em termos táticos, o meio-campo rossonero provou novamente ser um dos melhores do mundo. Pirlo e Ambrosini são igualmente discretos, apesar da enorme diferença técnica entre ambos, mas a segurança que ambos proporcionam aliada à garra e liderança de Gatusso, além da volatilidade de Seedorf e da incontestável condição de destaque Mundial de Kaká, tornam o setor completo.

Se as laterais são um problema crônico, o ataque com Inzaghi rende muito mais. Caso Ronaldo ou Pato estivessem em campo, fica a sensação de que poderia acontecer uma goleada histórica. Porém, nada disso realmente importa no momento. A comemoração pelo título rende tranquilidade ao grupo e ainda mais alegria aos torcedores.

Mudança de patamar
14/12

Há algumas semanas atrás, comentamos nesta coluna sobre a situação da Seleção da Inglaterra após o vexame nas Eliminatórias da Eurocopa. Sabia-se que somente um milagre divino poderia manter Steve McClaren no comando do English Team, e naquela mesma semana o treinador foi demitido do cargo.

Após a confirmação da saída de McClaren, muitos nomes passaram a ser especulados como alvos da FA. O primeiro da lista era, por motivos óbvios, José Mourinho. O português, desempregado desde que deixou o Chelsea, declarou não ter interesse no cargo. Porém, antes mesmo de Mourinho rejeitar um eventual convite, Martin O'Neill, conceituado técnico do Aston Villa, retirou seu nome da lista de especulações tão logo McClaren caiu.

Após a recusa de ambos, as portas se abriram para o italiano Fabio Capello. Sem clube desde junho, quando deixou o Real Madrid, o italiano terá a missão de reerguer o English Team e, pautado por sua fama de vencedor, transformar a Inglaterra em uma equipe realmente competitiva.

Capello assumiu um Real Madrid sem conquistar um título por vários anos. A pressão por uma conquista era enorme, e Capello invariavelmente sabe como levar suas equipes a um título. Então, antes de apresentar um futebol impressionante, que encantasse os torcedores, os Merengues precisavam voltar a vencer, e o italiano conseguiu.

Apesar da conquista, Capello foi intensamente criticado por ter abdicado de Ronaldo e, recentemente, em encontro com o brasileiro, voltou a mencionar a forma do atacante. Hoje, ao observar a sequência inativa de Ronaldo e a profusão de gols de Van Nistelrooy, pode-se ver claramente que Capello tinha razão.

Outro ponto que coloca o trabalho de Capello em dúvida é seu esquema defensivo de jogo, alegando-se que as equipes armadas pelo italiano não apresentam um bom futebol, com uma grande fluência ofensiva. Mas pode-se dizer o mesmo de José Mourinho e Felipão, e ambos são elogiados pela aura vencedora que também rodeia o trabalho de Capello.

Nesta quinta-feira, o nome de Fabio Capello foi aprovada em uma reunião com os membros da FA, que endossaram a proposta feita ao italiano no dia anterior: um salário anual em torno de 5,8 milhões de euros. A comissão técnica é algo que ainda causa desacordo, já que Capello gostaria de contar com Franco Baldini como diretor esportivo, assunto que ainda será discutido com a FA.

A oficialização de Fabio Capello no comando do English Team deve ocorrer em breve, e sua estréia deverá ocorrer em fevereiro, em amistoso contra a Suíça em Wembley. Prever a Inglaterra conquistando títulos é uma tarefa imaginária, mas Capello tem a experiência necessária para evitar os erros cometidos por McClaren e, certamente, não deixar os torcedores ingleses envergonhados.

Golpes, falhas e quedas
05/12

No início dos anos 90, o Palmeiras firmou com a multinacional Parmalat um acordo de co-gestão, no qual a empresa administrava o futebol do clube. O sucesso obtido pelo clube nos anos seguintes, com a contratação de jogadores que viriam a se tornar grandes nomes do futebol brasileiro, a conquista de títulos expressivos e a contínua exibição de um futebol de extrema categoria, serviu para alertar muitos dirigentes locais: a glória estava em uma "galinha dos ovos de ouro".

Nos anos seguintes, choveram acordos e supostas quantias exorbitantes, mas até hoje, nada que se equipare ao sucesso do alviverde paulistano. Flamengo e Grêmio são clubes que sofreram nas mãos da ISL, que faliu pouco após firmar acordo com os dois clubes. Outro caso famoso é a Matonense, que firmou acordo com a Futura Sports e chegou a enviar dois times à campo: um da empresa e outro formado às pressas pelo clube, devido à divergências entre ambos. Hoje, o presidente do clube é Israel de Jesus, à época técnico da Futura Sports e famoso por criar o esquema tático  "roleta-russa", que nem ele sabe explicar como funciona.

Porém, nenhum clube apostou tanto em parcerias quanto o Corinthians. Até por isso, é difícil saber quais conquistas do alvinegro vieram pelas mãos do clube e quais foram possíveis somente por investimentos externos, posterioremente mal sucedidos.

A primeira tentativa do Corinthians, presidido por Alberto Dualib desde 1993, aconteceu em 1997. Por 12 milhões de reais, sendo 5 milhões no primeiro ano e o restante parcelado no ano seguinte, o Timão acertou acordo de patrocínio com o Banco Excel, que patrocinaria sua camisa e investiria em contratações, gerenciadas inicialmente pelo ex-jogador Mário Sérgio. 

Porém, após os títulos Paulista de 97 e o Brasileiro de 1998, o Banco Excel faliu no primeiro semestre de 1998 e foi comprado pelo Bilbao Viscaya, que apenas cumpriu o contrato vigente sem seguir o investimento, até o final daquele ano. Então, o Timão esteve próximo de acertar acordo com o Banco Icatú, mas desentendimentos sobre valores emperraram a negociação. Porém, a aproximação de ambos valeu ao Corinthians o patrocínio da Embratel.

Com o fracasso na negociação com o Icatú, o Corinthians firmou acordo com o HTMF (Hicks, Muse, Tate & Furst), um fundo de pensão norte-americano, em abril de 1999. O Corinthians tinha uma grande base construída com a ajuda do Excel, mas o HTMF foi fundamental. Apesar de a verba ser maior do que a de Icatú e Excel (R$ 100 milhões só no primeiro ano, incluindo despesas para sanar dívidas, acertar contratações e finalizar o CT de Itaquera), os moldes eram parecidos e duraria, inicialmente, dez anos - com chance de renovação por mais dez

A principal medida decorrente da parceria foi a transformação do departamento de futebol corintiano em empresa, com o nome "Corinthians Licenciamento Limitada Hicks Muse". Todo o setor ficou a cargo do grupo estadunidense, que não se envolvia na parte social e em decisões ligadas à disputa dos jogos. A HTMF certamente foi a principal parceira do Corinthians. Com a base montada já pelo Excel, trouxe mais reforços e transformou o time num verdadeiro esquadrão. A equipe faturou o Brasileirão-1999 e ganhou o título mais importante de sua história, em 2000: o Mundial.

Certamente, o acordo firmado com a HTMF era excelente para o Corinthians. Porém, a ganância falou mais alto, e os valores referentes a negociações de jogadores desgradavam os dirigentes corintianos, que tinham óbvias dificuldades em enriquecer com as transferências, já que boa parte da renda pertencia à HTMF. Então, com uma série de desavenças e um crescente desinteresse dos americanos, a parceria encerrou-se em Agosto de 2002.

Pouco mais de dois anos depois, em Novembro de 2004, outra parceria, desta vez com a nebulosa MSI. Apesar de todos os claros sinais de que o dinheiro da empresa era ilícito, a parceria foi aprovada e as cifras milionárias começaram a aparecer. Com os gordos cheques, veio a conquista do título Brasileiro de 2005.

No entanto, um esquema simples de lavagem de dinheiro não dura, ainda mais com tantas suspeitas e investigações externas. Com a saída dos jogadores pertencentes à empresa e a interrupção na injeção do dinheiro, o Corinthians viu-se, após dez anos, sem sua galinha dos ovos de ouro. O resultado disto é conhecido dos torcedores e desnecessário citar.

Vale sempre lembrar que o acordo entre Palmeiras e Parmalat teve fim em 2000, e pouco depois o clube foi rebaixado para a Segunda Divisão. Portanto, pode-se ver que a ambição corintiana de assemelhar-se ao grande rival teve enorme sucesso. Nada como a incompetência aliada à falta de visão.

Fortes emoções, mas nem tanto
29/11

No último domingo, 25 de novembro, foram sorteados os grupos para as Eliminatórias Européias para a Copa de 2010. O sorteio ocorreu sem grandes surpresas, e ainda sob o "calor" das Eliminatórias para a Euro, que terminaram na última quarta-feira, quatro dias antes.

Como sabe-se, a única zebra de fato foi a Inglaterra, que caiu diante de Croácia e Rússia. Nas outras chaves, apesar de certas dificuldades, os classificados ficaram dentro do esperado.

No grupo A, a ascendente Polônia garantiu vaga ao lado de Portugal, que tropeçou algumas vezes, mas superou Sérvia e a surpreendente Finlândia. No B, Itália e França sofreram muito, mas conseguiram suas vagas à frente da sensação Escócia, que por toda a competição manteve a possibilidade de eliminar um dos fortes concorrentes, mas naufragou ao perder em casa para a melhor Itália dos últimos anos.

No Grupo C, o mais fraco de todos, também reinou o previsível, com Grécia e Turquia classificando-se à frente da Noruega, que apresentou uma evolução em relação aos últimos anos. No Grupo D, a emoção, qualquer que seja, ficou de lado. Alemanha e República Tcheca não deram qualquer chance aos adversários (Irlanda, Eslováquia, País de Gales).

No Grupo E, a grande zebra, com a Inglaterra perdendo sua vaga em casa diante da Croácia, ao tempo que a Rússia vencia Andorra. Nos Grupos F e G, nenhuma surpresa nos classificados: Espanha e Suécia, Romênia e Holanda garantiram suas vagas, com apenas a Irlanda do Norte causando certo furor no grupo F.

Agora, o sorteio das Eliminatórias para a Copa do Mundo voltou a nos presentear com um cenário de poucas emoções. Na cidade de Durban, na África do Sul, a FIFA realizou o emparelhamento das chaves, e seu sistema é diferente da Euro: 9 grupos, com os primeiros colocados e o melhor segundo com vagas asseguradas nu Mundial. Na repescagem, os oito segundo colocados restantes enfrentam-se em jogos de ida e volta, garantindo mais quatro participantes na Copa.

Dos grupos sorteados, um dos mais equilibrados é o Grupo 1, com Portugal, Suécia e Dinamarca, além de Hungria Albânia e Malta. Portugueses e suecos brigarão pela vaga direta, mas serão incomodados pela Dinamarca. Maus resultados nos confrontos diretos podem complicar um dos favoritos.

No grupo 2, o mais fraco, reúnem-se Grécia, Israel, Suíça, Moldávia, Letônia e Luxemburgo. Aqui, há duas equipes em crescimento, Israel e Suíça, enquanto a Grécia segue estabilizada como uma seleção de segundo escalão, mas com certa força. Porém, essa estagnação dos atuais campeões da Euro custará, mais uma vez, a vaga no Mundial.

 O grupo 3 tem equipes do leste europeu e ex-companheiros. República Tcheca e Eslováquia formavam a temida Tchecoslováquia. Além dos “irmãos separados”, a chave reúne também Polônia, Irlanda do Norte, Eslovênia e San Marino. Os poloneses são, certamente, a força do grupo ao lado da República Tcheca, que passa por longo processo de renovação. A Irlanda do Norte, com um crescimento assombroso nos últimos dois anos, pode complicar se manter sua linha atual.

Alemanha, Rússia, Finlândia, País de Gales, Azerbaijão e Liechtenstein foram o Grupo 4. Aqui, não há segredo algum: Alemanha e Rússia são os dois primeiros, mas os germânicos são muito superiores.

O grupo 5 tem Espanha, Turquia, Bélgica, Bósnia, Armênia e Estônia. Turcos e espanhóis monopolizam a chave, e a Bélgica tenta retornar aos velhos tempos, mas ainda está longe de suas tradições.

No grupo 6, um reencontro que dará calafrios nos criadores do esporte. Croácia e Inglaterra voltam a encontrar-se, ao lado de Ucrânia, Bielorrúsia, Cazaquistão e Andorra. A previsão para esta chave depende do rumo que o English Team terá após a saída de Steve McClaren. Caso um técnico de nome aporte em Wembley, a Inglaterra é favorita. Do contrário, corre o risco de perder a vaga para os ucranianos. A Croácia é a segunda força e uma equipe em clara escalada no cenário europeu.

França, Romênia, Sérvia, Lituânia, Áustria e Ilhas Faroe dividem as atenções no Grupo 7. Novamente, não há muito segredo, com franceses e romenos nas duas primeiras colocações. No grupo 8, a Itália reina sozinha frente à Bulgária, Irlanda, Chipre, Géorgia e Montenegro.

Para finalizar, o Grupo 9 será um dos mais disputados, com Holanda, Escócia, Noruega, Macedônia  e Islândia. Sem nenhum grande saco de pancadas, Holanda e Escócia terão grandes problemas ao jogar fora de casa. A Noruega apresentou sintomas de melhoras na eliminatória para a Euro, e a Macedônia é uma equipe que cresce a cada ano, com seus jogadores ganhando melhor destaque em clubes maiores pela Europa. A Islândia, além do enorme frio em suas terras, não tem a mesma fragilidade de outras seleções dos potes mais fracos, como Andorra e Malta.

Certamente, como em toda eliminatória longa, haverão momentos de transição, com equipes em remodelação após a Euro e outras possíveis trocas de técnico. A dúvida ficará para o pla-yoff entre os segundos colocados, mas, novamente, esta fase apresentou poucas surpresas até hoje. Salvo alguma grande tragédia, a próxima Copa verá as principais equipes do continente na competição.

Vergonha nacional
22/11

O que parecia certo, e muita vezes óbvio, aconteceu: a Inglaterra ficará de fora da Eurocopa de 2008. A vergonhosa e irregular campanha do English Team culminou com a eliminação em um grupo com equipes boas tecnicamente, mas totalmente acessível: Israel, Macedônia, Andorra, Estônia, Rússia e Croácia.

A eliminação ocorreu nesta quarta-feira, em pleno Wembley. Aos ingleses, bastava vencer a Croácia para não depender de um tropeço da Rússia, que enfrentaria a inexistente Andorra fora de casa. Em outras palavras, os ingleses tinham a obrigação de obter os três pontos em casa e festejar com seus torcedores. Então, com falhas de atenção e do arqueiro Carsson, a Croácia venceu por 3 a 2, a Rússia superou Andorra e ambos se classificaram, deixando os inventores do esporte em terceiro lugar. Apenas os dois primeiros de cada grupo se classificariam.

Historicamente, o English Team deixa a desejar em momentos de maior pressão. Excessão ao conturbado Mundial de 1966, quando conquistou a taça jogando em casa, os ingleses fracassam no momento decisivo. O atual desaire, o primeiro retumbante desde a não classificação para a Copa de 1994, revela claramente que a Seleção Inglesa não é um time.

Uma equipe base formada por jogadores como Ashley Cole, Micah Richards, Rio Ferdinand, John Terry, Steven Gerrard, Frank Lampard, Joe Cole, David Beckham, Michael Owen e Wayne Rooney seria suficiente para fazer frente a qualquer equipe do Mundo, sem sombra de dúvidas. Então, porque isso, de fato, não ocorre?

O primeiro motivo para o péssimo futebol apresentado é o técnico Steve McClaren. Bons resultados à frente do inexpressivo Middlesbrough seriam suficientes para uma chance em uma equipe de maior poderio no cenário inglês, mas jamais serviria como parâmetro para uma escolha nacional. A recusa de Felipão abriu as portas para McClaren, numa óbvia escolha tampão. O problema é que, apesar de se tratar apenas de uma escolha temporária, a Federação Inglesa esperava que McClaren conseguisse a classificação pelo grupo que teria em mãos.

O segundo motivo está diretamente relacionado ao primeiro. A escolha de McClaren reduziria as chances do English Team apresentar um belo futebol, mas o que viu-se foi ainda pior: sem um padrão e sem qualquer tipo de trabalho tático, a Inglaterra viveu de lampejos de seus grandes talentos. O problema é que McClaren não soube, pelas suas limitações, fazer os seus talentos individuais brilharem. A utilização de Lampard e Gerrard, jogadores que ocupam o mesmo espaço e desempenham a mesma função, jamais foi resolvida. Além disso, a teimosia em deixar Beckham fora de seus planos por um longo período foi crucial para vários tropeços.

O terceiro fator que complicou a vida inglesa foram lesões. Muito raramente os principais nomes do país conseguiam reunir-se sem baixas. Joe Cole, Terry, Owen, Rooney e Beckham conviveram com lesões na reta final das eliminatórias. No caso de Owen, o erro é contar com ele, já que o outrora "menino de ouro" é um caso perdido.

Nestes momentos de lesões, McClaren perdeu-se definitivamente, apelando a jogadores como Gareth Barry e o grotesco Emile Heskey, abdicando de jovens valores como Walcott e Darren Bent, por exemplo. A única novidade bem-vinda nas convocações era o lateral direito Micah Richards, muito pouco em termos de renovação após dois anos de trabalho na Seleção.

A falha nas Eliminatórias para a Euro deixam grandes dúvidas sobre o futuro do English Team. Acreditar que McClaren sobreviverá a este imenso fracasso é surreal, assim como é pensar em um substituto que torne os ingleses em um time que represente o futebol que seus jogadores são capazes de executar. O técnico é um dos grandes responsáveis pelo desapontamento que hoje assola os torcedores, mas sua escolha foi tão descabida quanto as atuações da Inglaterra em campo.

Passado e presente
07/11

Quando fala-se de futebol, costumeiramente existe um grande saudosismo, e quanto a isso já nos posicionamos anteriormente. Porém, há certas verdades inexoráveis, e nem o mais crítico do futebol de anos atrás seria capaz de discordar.

Um claro exemplo disso está no atual Milan, por exemplo. A equipe comandada por Carlo Ancelotti prima por um futebol defensivo, que abusa dos contra-ataques, visando as grandes qualidades de seus dois maiores nomes: a visão de Pirlo e a velocidade de Kaká. Nada mais. Quando não consegue encaixar suas jogadas em profundidade, não há jogo para os rubro-negros. Resta apenas um sistema defensivo sem um grande desarmador, que utiliza-se de faltas para impedir os avanços adversários e obrigá-los a usar bolas alçadas, que favorece os altos zagueiros Nesta e Kaladze. Quando os "destruidores de jogadas" falham, o Milan invariavelmente sofre gols.

Ao pensar nesta realidade de um clube enorme como o Milan, a morte de uma figura emblemática como Nils Liedholm faz-nos pensar em quanto os saudosistas tem razão em alguns momentos. O sueco Liedholm, para aqules que não o conhecem, foi capitão da Suécia na Copa de 1958, que acabou com o vice-campeonato frente ao Brasil, e marcou época no futebol italiano, principalmente em Milan e Roma. Também pela Suécia, foi campeão Olímpico em 1948.

No Milan, passou doze temporadas como jogador, fez parte da equipe técnica e trabalhou como treinador. Foram quatro títulos como jogador, um deles tendo marcado 37 gols, e um como treinador, o décimo da história do Milan, que lhe valeu a primeira estrela dourada na camisa. Na Roma, foi campeão como técnico e levou o time ao vice-campeonato europeu em 1984, organizando a equipe que tinha Falcão e Conti. No Milan, como jogador, formou o mítico ataque Gre-No-Li, que marcou 118 gols em 1949/50.

Sobre este futebol defensivo que vemos hoje, Liedholm disse: "Não se deve criticar apenas o 'catenaccio'. Defende-se também no meio-campo, com mil faltas táticas. Eu repetia para os meus jogadores: 'se você comete falta, erra duas vezes'. A bola continua com eles, e você passa uma mensagem de fraqueza. Eu treinava muito, contra um jogador ou dois, para roubar a bola sem cometer falta".

Liedholm, reza a lenda, demorou dois anos para errar o primeiro passe no Milan. Quando errou, foi ovacionado. Aos 85 anos, Liedholm se foi. E um pedacinho do belo futebol de décadas atrás também. Que sirva de inspiração para que o Milan de hoje reviva os velhos tempos

A Copa do Mundo é... de quem mesmo?
31/10

Nesta terça-feira, o Brasil foi oficializado pela FIFA como organizador da Copa do Mundo de 2014. A escolha não gerou nenhuma surpresa, já que a candidatura brasileira era única, não tinha adversários. Estamos há pouco menos de sete anos do pontapé inicial do Mundial, mas pode-se tirar certas conclusões desde já.

Primeiramente, a presença exclusiva do Brasil neste processo seletivo revela o poder que Ricardo Teixeira realmente têm em suas mãos. Imaginar que a Argentina tenha abrido mão dos benefícios financeiros e comerciais de uma Copa do Mundo sem receber nada em troca é inocência.

Outro discurso que levanta polêmica é o investimento a ser realizado. O Pan-Americano deste ano mostrou ao povo que, quando se trata de organizar eventos de grande porte, falta experiência ao brasileiro. Os gastos excederam as expectativas mais de dez vezes, e as melhorias na infra-estrutura carioca não existiram. Para a Copa do Mundo, fala-se que a "iniciativa privada" se responsabilizará pelos investimentos.

Ou seja, uma empresa assume os gastos de construção ou modernização dos estádios, cabendo ao governo apenas tratar das questões de ordem pública, como transportes, saúde, vias públicas, turismo e etc. Provavelmente, empresas envolverão-se no processo, pois é uma excelente oportunidade para exposição de sua marca, marketing. Porém, acreditar que nenhum centavo sairá dos cofres públicos para reforma ou construção de estádios é, mais uma vez, inocência.

Outro ponto que reforça a teoria do interesse público em financiar o Mundial é a presença dos Governadores Estaduais na cerimônia. A CBF sabe muito bem que tem em mãos algo que renderá muito dinheiro a seus aliados, e certamente, à própria entidade. Seguramente, quanto maior a representatividade e poder econômico do Estado, maior serão os benefícios recebidos. Então, não haverá pudor em fornecer uma "pequena" ajuda financeira ao comite organizador, mesmo que utilizando laranjas e etc...

O movimento "chapa-branca" da imprensa nacional, presente no anúncio desta terça-feira, chegou a ser enojante. Em certo ponto, coube a um dos jornalistas presentes indagar Ricardo Teixeira se "esta seria a Copa do Povo". Mais uma questão que ilude o torcedor comum. Os ingressos para uma Copa do Mundo tem preços exorbitantes, e certamente o "povo" não terá presença garantidas nos jogos do Mundial.

Para reforçar esta ajuda que a imprensa oferecerá, basta lembrar da cobertura dada ao Pan-Americano. Em todos seus noticiários, a Rede Globo manipulava sua audiência com o simples fato de não noticiar o andamento das obras para a competição. Em nenhum momento falou-se dos rombos financeiros e do orçamento estuporado, seja antes, durante ou depois.

Então, com uma mídia de grande apelo pouco preocupada em investigar, os poucos veículos que são críticos são vistos como inimigos da pátria, pessoas desgostosas que estão sempre contra tudo e todos. E, quando a Copa acabar e o Brasil for campeão, tudo será esquecido e aqueles que mostrarem a parcela da realidade possível, receberão o velho tratamento ufanista do "vocês vão ter que me engolir".

Caindo pelas tabelas. E divisões.
25/10

Na última semana, o Corinthians comemorou os 30 anos de um título marcante de sua história, o Paulista de 1977. Para o torcedor alvinegro, apenas um fato do passado pode o animar diante da tenebrosa posição do clube no atual Campeonato Brasileiro.

Nos últimos anos, o Corinthians jamais teve tranquilidade: ou lutou pelo título ou contra o rebaixamento. Quem não lembra-se daquela salvadora vitória contra o Goiás, em 1996? Ou então a ajuda que Grafite deu ao Timão, vencendo o Juventus e impedindo que o clube fosse rebaixado no Paulistão?

No ano passado, a situação foi parecida, mas uma reação nas últimas rodadas e uma sequêcia de vitórias colocou o Corinthians nas posições intermediárias. Porém, nesta ano, este milagre parece difícil de ocorrer. Com um elenco fraco e um ataque inexistente, as vitórias não aparecem. Quando surgem, como no clássico diante do São Paulo, o gol acontece em um lance ocasional de bola parada ou então em cruzamentos para Finazzi.

O atacante, ex-Ponte Preta, representa bem a qualidade do grupo alvinegro. Jogadores que são, no máximo, esforçados. Exceção ao arqueiro Felipe, único em reais condições de obter uma carreira internacional, os restantes são jovens medianos que não foram negociados (ainda) ou jogagores experientes em final de carreira, casos de Vampeta e Ricardinho.

Existem ainda os que não se encaixam em outro grupo: as contratações equívocadas. Aílton passou toda sua carreira no México, e, acima do peso, chegou ao Timão como um craque que não foi observado anteriormente. Clodoaldo, atacante do Fortaleza, chegou ao Parque São Jorge como promessa de gols, graças a uma compilação de lances em DVD que o classificavam como o "Nistelrooy negro", segundo um programa de rádio.

As instabilidades na diretoria parecem próximas do fim, com o fim da parceria com a MSI e o afastamento de Alberto Dualib. Porém, o sucessor é Andrés Sanchez, que tinha ligação com o ex-presidente e apoiava a parceria. Seria ele o mais indicado para esclarecer as nebulosidades que cercam as finanças e problemas estruturais? Provavelmente não.

O torcedor corintiano, triste, não consegue consolo nem mesmo ao assistir a Liga dos Campeões. Afinal, em uma rodada com gols de Jô, Bobô e Liédson e outros em campo, como Eduardo Ratinho, Éwerthon, Ânderson, Deivid, Tevez, Mascherano, Ricardinho, Edu e Willian, fica difícil encontrar alegria. Quando até o Bobô deixa saudades, a situação é mesmo desesperadora.

Listas e polêmicas
17/10

Na última semana, a FIFA anunciou a lista dos 30 jogadores indicados ao prêmio de Melhor do Mundo, oferecido pela entidade desde o início dos anos 90. Houve uma grande polêmica em torno da ausência de alguns jogadores que tiveram uma grande temporada, mas a questão que desejamos abordar é um pouco diferente.

De fato, uma lista que contempla os melhores jogadores da temporada não pode ficar sem Zlatan Ibrahimovic, Francesco Totti, Daniel Alves, Fábregas e David Villa. Porém, há algo a se observar em listas desse gênero: existem hoje 30 jogadores que poderiam vencer este um prêmio de "melhor do Mundo"?

Na lista da FIFA, há uma série de jogadores que não poderiam ser indicados a um prêmio referente a temporada. Lilian Thuram, Carlos Tevez, Ronaldinho, Nesta, Rafa Márquez, Frank Lampard, Juninho, Thierry Henry, Gattuso e Samuel Eto'o são dez nomes que, para o momento, são totalmente questionáveis.

Antes que alguém tire suas conclusões: Thuram passou boa parte da temporada entre os reservas do Barcelona; Nesta, Eto'o e Henry sofreram com contusões que impediram uma boa sequência; Tevez, Ronaldinho, Juninho e Lampard viveram um ano apático, de brilhos ocasionais; Gattuso e Rafa Márquez, por fim, podem ser jogadores úteis, mas não são integrantes para uma lista de destaques individuais.

Seguindo neste pensamento, há outros nomes que tiveram algum sucesso com suas equipes, mas sem um pleno destaque: Canavarro, Deco, Essien, Lahm, Riquelme, Rooney, Terry, Fernando Torres e Patrick Vieira. Nomes de qualidade indiscutível, mas que não foram destaques em seus clubes na última temporada.

Então, da lista sobram: Buffon, Cech, Cristiano Ronaldo, Drogba, Gerrard, Kaká, Klose, Messi, Pirlo, Ribéry e Nistelrooy. Os arqueiros citados estão certamente entre os grandes nomes do futebol atualmente, mas imaginar um goleiro premiado é algo bastante surreal.

Gerrard, Klose, Drogba, Pirlo e Ribéry tiveram ou tem grandes momentos, mas estão um degrau abaixo dos demais: Kaká, Messi, Cristiano Ronaldo e Nistelrooy foram os principais nomes da temporada e continuam sendo.

O holandês teve, no Campeonato Espanhol, atuações que o colocam tranquilamente como o melhor homem de área do futebol atualmente. Além de marcar gols decisivos, esteve sempre em campo com enorme motivação. O argentino, por sua vez, vive o melhor momento de sua carreira e, com atuações destacadas, é a grande estrela do Barcelona no momento.

Cristiano Ronaldo estava entre os principais favoritos, mas o tropeço na Liga dos Campeões frente ao Milan na Liga dos Campeões fez com que muitas dúvidas se dissipassem: o melhor da temporada estava do outro lado. Kaká foi artilheiro, melhor atacante e melhor jogador da competição. Em seu melhor momento físico e técnico, tornou-se quase impossível parar o brasileiro em suas arrancadas.

Não há nenhuma dúvida quanto ao favoritismo de Kaká. A única dúvida é: por que reclamar de uma lista com os 30 melhores da temporada se não existem 30 grandes destaques individuais por ano? Com muitos nomes incluídos por questão de importância regional e popularidade, a eleição acaba criando polêmicas inúteis. Como essa coluna, por exemplo...

Mudando de assunto quando convém
18/09

No domingo, a rodada do Campeonato Brasileiro presenciou uma partida acima do nível normal do torneio. No Mineirão, Atlético e Cruzeiro enfrentaram-se em diferentes situações: enquanto um é assombrado pelo fantasma do rebaixamento, outro ainda luta pelo título.

A enorme diferença técnica entre as duas equipes surgiu quando, com dois gols de Roni, a Raposa abriu vantagem no placar. Porém, Marinho marcou duas vezes, Gerson mais uma, e o Atlético surpreendentemente assumiu a liderança no confronto. Quando a reviravolta parecia garantida, Guilherme marcou duas vezes e deu a vitória ao Cruzeiro, fundamental para que sua equipe mantenha-se sonhando com a conquista do título.

No entando, a bela partida disputada virou assunto periférico. Tudo porque, mais uma vez, o atacante cruzeirense Kérlon resolveu faezr a jogada conhecida como Drible da Foca, instalando a confusão no gramado. O lateral Coelho não gostou e agrediu o adversário, que, no chão, foi cercado pelos atleticanos que o xingavam.

Após alguns dias deste episódio, todo tipo de reação já foi vista, menos a esperada. Alguns discursaram sobre a morte do "futebol arte" e outros falaram sobre o menosprezo da jogada. A versão esperada, compartilhada pelos membros do FL!, não foi publicada ou divulgada em lugar algum.

No final das contas, falar em futebol arte neste caso é absurdo. Equilibrar a bola na cabeça pode ser lance circense, mas não é arte, muito menos futebol. Futebol arte é um jogo bem jogado, com passes, lances individuais e coletivos. Não há dúvidas que o lance é menosprezo, afinal, ninguém lembra-se de Kérlon fazendo suas embaixadas quando estava perdendo um jogo. Com a vantagem no placar, Kerlón faz seu truque e causa confusão, expulsando um adversário, cavando uma falta lateral, ganhando tempo. Malandragem, mas um tipo que vai além do que é aceitável.

O jovem Kérlon pode não perceber, mas deixou de ser um atleta promissor para ser um "malabarista causador de confusão". Talvez em um lance isolado, Kerlón poderia usar sua habilidade para criar um lance de perigo, fazer um gol. Mas isso jamais aconteceu, e uma característica alternativa acaba sendo sua única capacidade reconhecida publicamente. Triste...

Enquanto isso, os rivais festejam. A derrota sofrida no clássico foi sobrepujada por um discurso de "mantivemos nossa honra, não aceitamos menosprezo". E o futebol brasileiro, como sempre, lamenta. Quando finalmente uma partida poderia ser festejada nos noticiários por um futebol empolgante, fala-se de um lance isolado e que deixou de ser novidade.

Mercado pacato...
04/09

Na última semana, encerrava-se o ciclo de contratações no mercado europeu. Havia uma grande expectativa em torno de alguns jogadores que passaram todo o mês de agosto sendo especulados em outos clubes, mas que passaram inatingíveis até o último dia do mercado.

O dia iniciou-se com a certeza de que os casos de Adriano, Daniel Alves, Riquelme, Chevantón e até mesmo alguma possibilidade envolvendo uma possível contratação de última hora do Milan, a incerteza sobre a permanência de Shevchenko no Chelsea, a chegada de um atacante para fechar o elenco no Manchester United, a saída de Fred do Lyon e outra surpresa que sempre ocorre no dia final das transferências européias.

Porém, a expectativa foi tornando-se em desânimo durante a última sexta-feira, quando lentamente os nomes foram sendo descartados pelos clubes e o fechamento do mercado europeu tornou-se em um evento entediante.

Adriano, rejeitado pelo Arsenal, não se interessou em defender Parma e West Ham por empréstimo e acabou encostado na Inter. Havia ainda possibilidade de ser melhor aproveitado no clube neoazzurro, mas o técnico Roberto Mancini optou por o deixar de fora da relação inscritos na Liga dos Campeões. 

Riquelme esteve próximo de assinar com o Atlético de Madrid, mas sua fama de desagregador criada nos tempos de Villarreal ecoou no Vicente Calderón. Visto como "negócio arriscado", Riquelme terá de permanecer no Villarreal contra sua vontade, já que até mesmo um eventual retorno ao Boca foi descartado.

Daniel Alves reclamou de permanecer no Sevilla, Chevantón preferiu ficar sem jogar no Sevilla do que ir para a Turquia (o clube contratou o senegalês Koné e utilizou a vaga de extra-comunitário do uruguaio, que não poderá jogar), Shevchenko permanceu nos Blues, Milan e Manchester não movimentaram o mercado e Fred, visto como garoto problema, manteve-se no Lyon.

O balanço final do mercado de transferências é positivo se lembramos do início da janela, quando Bayern, Real Madrid, Barcelona e Manchester contraram jogadores seguidamente, não dando chances aos adversários de atravessarem alguma negociação, como quase aconteceu no caso de David Suazo, reforço da Inter, mas que esteve próximo do Milan.

Porém, ao verificar a listagem de negociações no último dia do versão europeu de contratações, vemos que a transferência mais cara do dia foi a do brasileiro Grafite, que deixou o Le Mans e reforça agora o Wolfsburg, por € 8 milhões. O mercado, que sempre teve um encerramento agitado, teve um clima de final de feira. Quem será que comprou o repolho estragado?

Maria do Bairro
28/08

Como em todo verão europeu, uma novela envolvendo a transferência de um atleta ocupa as manchetes jornalísticas até o final de agosto, quando o caso chega ou não a uma conclusão. Porém, apesar do mercado de transferências proporcionar alguns casos dignos de novela mexicana, poucas vezes viu-se um episódio semelhante ao do lateral Daniel Alves.

O brasileiro, destaque na ala direita do Sevilla nas últimas temporada sempre tem seu nome ligado ao grandes clubes do continente quando a janela de transferências é iniciada. Na temporada passada, após a conquista da Copa da Uefa pela primeira vez, Daniel esteve próximo de trocar o Sevilla pelo Real Madrid, mas Cicinho não aceitou ser incluído na negociação, cancelando o negócio.

Como o clube havia aceitado a transferência, o brasileiro encarou com naturalidade e continuou sua carreira no clube rojiblanco normalmente. Com atuações destacadas, ajudou o Sevilla a conquistar novamente a competição continental, vencer a Copa do Rei e obter a vaga na Liga dos Campeões, lutando pelo título espanhol até a última rodada.

Com o fim da mais bem sucedida temporada do Sevilla, Daniel Alves voltou a negociar sua saída do clube. Desta vez seu destino seria o Chelsea. Seria. Os Blues ofereceram aos espanhóis 36 milhões de euros, valor satisfatório e consideravelmente alto. No entanto, o presidente José Maria del Nido, famoso por endurecer ao negociar e obter bons resultados, acreditou que a proposta não era satisfatória, abaixo de suas pretensões.

O Chelsea cansou-se de esperar, além de agora não exagerar nos valores de transferências como na chegada de Abramovic. Para mostrar que as negociações estariam de fato encerradas, contratou junto ao Barcelona outro brasileiro, Belletti, por 5 milhões de euros. A contratação também mandou outra mensagem clara: o Chelsea não aceitará mais abusos de outros clubes em negociações pelo fato de ter um dono milionário.

Se os clubes deram por encerradas a negociação, Daniel Alves teria de conformar-se e retornar a sua rotina, mas o brasileiro resolveu forçar sua saída de todas as formas. Criticou o clube e Del Nido, dizendo-se desrespeitado. Nesta segunda, recusou-se a viajar com a delegação para a Grécia, onde o Sevilla enfrentará o AEK pela partida de volta da terceira eliminatória da Liga dos Campeões. Caso entrasse em campo, Daniel não poderia atuar por outro clube na competição continental. A decisão gerou outro par de críticas, desta vez do técnico Juande Ramos, declarando que isso era suficiente para exemplificar o tipo de profissional que Daniel seria.

Daniel de fato é um jogador talentoso, mas o episódio deixará grandes marcas na carreira do ala direito, e imaginar o que pode acontecer é algo que serve apenas para comentaristas visionários da televisão nacional. Nesta semana, o mercado fechará-se e uma solução para o caso parece cada vez mais obscura. Pelo menos nesta novela ninguém poderá queixar-se de que o final da trama era previsível.

Surpresa bem-vinda
23/08

Após três tempodaras até certo ponto entediantes, a Premier League tem um início de temporada animador. Boa parte deste ânimo é resultado do excelente desempenho do Manchester City até o momento, vencendo as três primeiras partidas e isolando-se na liderança.

Em julho, o City foi vendido ao magnata Tailandês Thaksin Shinawatra, ex-primeiro ministro de seu país. Sua situação assemelha-se a de Abramovic, apesar de sua riqueza ser muito menor se comparada à do russo. Thaksin passui negócios nebulosos e chegou a ter parte de sua fortuna congelada devido investigações de corrupção.

Logo, com questões financeiras não muito claras, o tailandês abriu os cofres e buscou o técnico sueco Sven-Goran Ekisson, altamente capacitado e com uma carreira de grande sucesso em clubes. Então, turbinado pela grana de Shinawatra, o Manchester City foi às compras neste verão. O time até que trouxe alguns bons nomes para seu nível, mas é um pouco estranho os valores altos pagos por jogadores que não chegam a ser exatamente astros do futebol mundial. Sinal das questões financeiras mal resolvidas de seu novo presidente?

Para o torcedor, isso pouco importa. Apesar de uma série de protestos iniciais contra a chegada do tailandês, nomes como Elano, Bojinov, Bianchi e Petrov representaram uma melhora significativa para o elenco do City. Some-se a isso a experiência de Sven Goran Eriksson e a torcida do Manchester passou então a ficar animada.

Porém, nem o mais otimista torcedor esperava este início fulgurante. Com tantas contratações e outras saídas, era natural que a euiqpe demorasse algum certo tempo para entrosar-se e adaptar-se a nova metodologia de trabalho de Eriksson. Contrariando as expectativas, a campanha é irrepreensível: 2 a 0 no West Ham em Londres, 1 a 0 no Dervy County em casa e outra vitória no Stadium of Light, desta vez sobre o grande rival Manchester United por 1 a 0.

A vitória sobre o United possibilita uma série de observações sobre o atual líder da Premiership. Primeiramente, Eriksson prova ser realmente um técnico um técnico de muita visão. O lateral direito Micah Richards, revelação da última temporada, foi transformado em zagueiro central devido a sua estatura, velocidade e porte físico. Sua atuação no clássico foi excelente, sendo considerado o melhor em campo.

Outro acerto de Eriksson é a confiança depositada no brasileiro Geovanni. O atacante está há anos longe de sua melhor forma e futebol, mas parece renascer atuando no City com mobilidade no ataque, caindo pelas pontas e buscando o jogo na região central, concretizando um estilo de jogo quase inexistente entre os times ingleses.

Assim, Eriksson abre Elano e Petrov pelas pontas, deixando Geovanni próximo do atacante central, Bojinov ou Bianchi, com o veterano Hamann protegendo a defesa, fortemente armada por Eriksson, sem ter sido vazada nos três primeiros compromissos.

Claramente, pensar em título, ou até mesmo uma vaga na Liga dos Campeões, é muito prematuro e arriscado. O elenco do City não é volumoso, fato que pode prejudicar a equipe durante o certame. Porém, se a mentalidade for mantida, o City surge como um dos candidatos, desde já, a disputar a ponta na próxima temporada.

De volta para o passado
15/08

Nas últimas semanas, ainda aproveitando o final das férias dos clubes europeus, acompanhei, ainda que superficialmente, o andamento do campeonato brasileiro. Não que subitamente eu tenha me tornado um admirador do futebol praticado em gramados tupiniquins, mas serviu para alimentar o desejo futebolístico.

Assistindo ao programa noturno de debates de uma emissora da TV fechada, um dos comentaristas bradava que os jogadores contratados pelo Flamengo não eram dignos de vestir a camisa rubro-negra. Insinuou ainda que, se os mesmos jogadores vestissem a camisa do Figueirense ou Ipatinga, seria mais apropriado, mas jamais a sagrada camisa carioca.

Inicialmente, os colegas discordaram, mas o comentarista em questão resolveu então aumentar o número de clubes sagrados: Corinthians, Atlético-MG, Cruzeiro, Vasco, Palmeiras, São Paulo... Então, os demais integrantes passaram a ignorar o que era dito, continuando a discussão como se o companheiro não houvesse dito nada.

Por um lado, há uma certa ponta de verdade neste discurso, mas nenhum realismo. Não há um jogador hoje que não sonhe em, um dia, defender um clube europeu. Na impossibilidade de uma carreira no Velho Mundo, qualquer ponto do Planeta onde há uma melhor fonte de renda é suficiente.

Com os clubes nacionais endividados e com uma mentalidade nacional que não deixa de privilegiar aqueles que devem e não negam, ninguém procupa-se muito com questões importantes, como salários pagos em dia. Além disso, há de se considerar que há apenas uma elite que receba salários acima do padrão, enquanto a grande maioria tem ganhos humildes.

Então, o jogador tem em suas mãos uma questão simples: continuar em solo nacional sob estas condições para atuar em um clube de tradição ou aproveitar sua curta carreira profissional e garantir seu futuro com uma transação para o exterior? Não me parece algo difícil de decidir.

Além disso, vale sempre lembrar que, há menos de vinte anos, as regras para estrangeiros atuarem na Europa eram muito mais rígidas, fato que restringia o êxodo de boleiros. Então, é normal que clubes conseguissem manter seus atletas por mais tempo. Na Itália, por exemplo, a Série A permitia apenas três estrangeiros no elenco. Era a época de ouro do futebol italiano, pois apenas atletas de alto nível eram contratados.

Hoje, qualquer garoto com passaporte comunitário, ou seja, parentes com raízes no Velho Mundo, pode assinar com um clube europeu mesmo antes de completar um ano em seu clube formador. Casos como o de Alexandre Pato não são raros. Pepe, Deco, Naldo, Élber e outros fizeram fama na Europa e sequer eram conhecidos em seus país natal.

Esta não é uma nova tendência. Este processo vem aumentando a cada ano e deixou de ser novidade. Porém, os saudosistas ainda acreditam que este Mundo não existe, e que os clubes não contratam Rolnaldo, Kaká, Henry e Nesta por pura incopetência. Pior do que acreditar, eles não deixam de lembrar aos telespectadores que isso é verdade.

Para quem compreende um pouco mais o Mundo, a reação provavelmente foi a mesma: bocejos irritados para esta baboseira que apenas prejudica um futebol por demais enfraquecido.

Raio duas vezes no mesmo lugar?
08/08

No mercado de transferências, Ariedo Braida e Leonardo, dirigentes do Milan desembarcam no Brasil, ainda em festa pelo título conquistado continental, para negociar com um clube local a maior revelação do futebol nacional. Há uma forte concorrência do Chelsea, mas o clube rossonero supera os milionários ingleses e concretiza a transferência.

A breve história inserida em nosso primeiro parágrafo é comum, e poderia referir-se a dois jogadores contratados pelo gigante italiano: Kaká, negociado pelo São Paulo no verão de 2003 por cerca de 8 milhões de euros, e Alexandre Pato, vendido pelo Internacional no verão de 2007 por valor não revelado, mas que estaria em torno de 10 milhões de euros.

A aposta do Milan em Pato aplica-se ao mesmo caso de Kaká. Porém, o ex-atacante do Inter é muito mais jovem e tem uma experiência profissional que resume-se a 27 partidas. Na época, Kaká havia disputado duas temporadas pelo São Paulo e foi incluído por Felipão no grupo brasileiro que conquistou a Copa do Mundo de 2002. Enquanto Kaká era claramente um jogador que se afirmava pessoal e profissionalmente no cenário nacional e teria grandes chances em qualquer clube do Mundo, Pato é ainda um juvenil.

Ciente desta situação, o Milan exigiu a apresentação imediata de Alexandre, mesmo que, por não ter dezoito anos completos, apenas pudesse atuar a partir de janeiro. Com isso, o Milan terá seis meses para iniciar o trabalho físico e de ambientação, preparando o hoje frágil adolescente em um atleta que agüente a força da Série A.

Para Pato, este tempo fora dos gramados será muito útil em termos pessoais. Ele terá tempo de acomodar-se em Milão, iniciar com tranqüilidade o processo de adaptação e entender melhor o clube, os companheiros e o futebol italiano em geral. Quando entrar em campo, Pato não terá em seus ombros a responsabilidade de carregar o time nas costas e, com isso, poderá trabalhar melhor longe da pressão que o afligia no Inter desde o Mundial de Clubes. Considerando estes fatores e analisando o que, até hoje, Pato demonstrou dentro de campo, não há dúvida que o garoto reúne todas as características para se tornar uma grande estrela do futebol contemporâneo.

No grande balanço deste capítulo do mercado de transferências, todos saíram beneficiados. O Inter ganhou uma boa porção de euros, e dificilmente negocia-se um atleta nacional por um valor maior que dez milhões. Pato garantiu seu futuro ao acertar com um clube milionário e que protege suas jovens apostas, além de não esconder-se em um clube de menor porte onde seria jogado na fogueira na primeira oportunidade. O Milan contratou novamente a maior revelação do futebol brasileiro sem precisar abrir os cofres, apostando que seu desenvolvimento trará maiores divisas no futuro.

Novamente, o futebol tentará ultrapassar a barreira da ciência ao provar que um raio pode sim cair duas vezes no mesmo lugar. Como diria o saudoso Vicente Matheus,  “bom mesmo é o Pato...”.

Fim do mundo se aproxima.
01/08

Há décadas, surgem sempre boatos sobre o fim do mundo. Nostradamus foi o precursor deste esporte boateiro, com uma série de profecias que culminariam no final dos tempos.

Hoje, os intelectuais afirma que as profecias de nostradamus eram apenas frases bem construídas, uma vez que boa parte delas não possuía uma situação clara, mas apenas uma insinuação, que poderia se aplicar a diversos acontecimentos, como por exemplo: "Na Cidade de Deus haverá um grande trovão, Dois irmãos serão destruídos pelo Caos. Enquanto a fortaleza resiste, o grande líder sucumbirá".

A dita profecia acima ganhou notoriedade na época do ataque terrorista ao World Trade Center. O ceticismo de alguns rivaliza com a ingenuidade de muitos, e mitos como este ganham espaço por séculos.

Porém, o que temos agora não são frases pretensiosas nem chalatanismo. De fato, temos acontecimentos que nos colocam frente com o apocalipse. Fatos concretos e que, semana após semana, crescem. Vamos lá:

O Corinthians enfrentou o São Paulo e não demitiu Carpeggiani Após anos derrubando treinadores de seu rival, os tricolores presenciaram um dos fatos que atestam o fim do mundo. Pior do que não demitir o comandante alvinegro, o empate tve pouco impacto na rotina corintiana. Uma tragédia...

A Copa América é outro simbolo do final das eras. O Brasil, desacreditado, bateu a Argentina na final com autoridade tendo Julio Baptista como um de seus destaques, ofuscando rivais como Messi e Riquelme. Doni, com defesas importantes contra o Uruguai, tanto no tempo normal quanto nas penalidades, são outra prova irrefutável de que há algo de errado no Mundo.

Na Europa, o Zaragoza pagou ao Villarreal € 6 milhões pelo zagueiro Ayala, de 34 anos. Em final de contrato, Ayala havia deixado o Valencia e assinado contrato com o Submarino Amarelo, mas não chegou nem a entrar em campo. O Zaragoza pagou a rescisão contratual e contratou o veterano argentino. Bizarro...

Para finalizar este série de eventos sobrenaturais, o Iraque sagrou-se campeão da Copa da Ásia. Austrália, Japão, Coréia do Sul, Arábia Saudita e etc sucumbiram frente ao destruído país iraquiano. Com um elenco rachado, contando com atletas sunitas e xiitas, que não passavam a bola pra jogadores de outro grupo. Com o trabalho de Jorvan Vieira transformou os dois grupos em uma única família e avançou rumo ao título continental.

O triunfo significa que, na Copa das Confederações, Iraque e Estados Unidos podem enfrentar-se. De certo veremos, como na Copa de 1998, os dois times unidos em fotos, trocando flores, como foi o confronto entre Irã e americanos. Ingenuidade...

Diante destes fatos alarmantes, difícil não crer que o fim do mundo realmente se aproxima. Diante destes sinais, Nostradamus ficaria envergonhado de suas profecias.

Tradição a ser mantida
25/07

Lehmann; Lauren, Campbell, Touré e Ashley Cole; Gilberto Silva, Patrick Vieira, Robert Pires e Ljungberg; Bergkamp e Thierry Henry. A escalação, familiar aos torcedores do Arsenal, remete à temporada 2003/04. Na ocasião, os Gunners conquistaram a Premier League de forma invicta, somando incríveis 26 vitórias, 12 empates e 73 gols marcados.

Era uma época de um futebol vistoso, com velozes contra-ataques, uma intensa troca de passes e jogadas trabalhadas de forma bela e perfeita. Ljungberg, Pires e Vieira chegavam com facilidade ao ataque, Ashley Cole dava fluidez à ala esquerda, Bergkamp regia o ataque com sua incrível capacidade e Henry marcava gols, muitos gols.

Para quem conhece a história do Arsenal, este foi um capítulo a parte. Para aqueles que não conhecem, recomendo a leitura do genial livro "Febre de Bola", abordado na estréia de nossa sessão Cultura. Os Gunners sempre foram uma equipe feia, basicamente. Chutões para frente, jogadores medianos, poucas conquistas e uma semestral obrigação de cumprir tabela após janeiro marcavam o cotidiano do torcedor londrino.

Aquela equipe de Arsène Wenger, por outro lado, era algo completamente diferente. Não apenas na história do Arsenal, mas na chamada era moderna do futebol. De time odiado por todos os ingleses, o Arsenal passou a ser vedete no Mundo todo. Não à toa, o clube angariou muitos fãs e torcedores nesta época, que agora tem de conviver com uma situação diferente para eles, mas tradicional para o clube e para os velhos torcedores: a falta de competitivade.

Na temporada passada, sem Henry, constantemente machucado, o Arsenal limitou-se a ganhar alguns jogos sem grande importância e logo encontrava-se longe da luta pelo título. Com muitos jogadores promissores, mas sem um jogador capaz de resolver, os Gunners emperraram. Aquele futebol rápido de 03/04 há tempos está longe, mas a completa falta de atrativos confirmou a história inclinação do Arsenal.

A escalação que abriu esta coluna resta somente na memória. Apenas Lehmann, Touré e Silva seguem no clube: Lauren e Campbell foram para o Portsmouth, Cole rumou para o Chelsea, Vieira foi para a Juventus e depois Inter, Pires mudou-se para o Villarreal e Bergkamp se aposentou. Henry e Ljungberg, os remanescentes do setor ofensivo, foram os últimos a sair. Henry, por 24 milhões de euros, agora encantará os torcedores do Barcelona. Ljungberg, nesta semana, assinou com o West Ham.

A saída de Ljungberg é apenas simbólica, uma vez que o sueco estava às voltas com problemas físicos e lesões. De qualquer forma, tratava-se de um ícone para os torcedores, que concordam com sua declaração final, afirmando deixar o clube diante de sua falta de ambição no mercado de transferências, algo que vai contra o que lhe foi prometido e ficou evidente com a saída de Henry.

Para o torcedor, a esperança é de que finalmente os jovens talentos rendam o que deles é esperado, fato que cria uma pressão sobre jogadores ainda inexperientes. Arsène Wenger está próximo do fim de seu contrato, levantando ainda mais sombras em Londres. A temporada dos Gunners passam por estas duas questões. Se veremos um futebol envolvente ou uma obrigação em cumprir tabela após janeiro, apenas o tempo dirá. O Arsenal tentou mudar sua história, deixou até mesmo o lendário Highbury para trás, mas tradição é algo difícil de mudar.

Um novo símbolo?
18/07

A Premier League conta com alguns jogadores que são símbolos de seus clubes. Para citar alguns exemplos famosos, no Chelsea há Lampard, no Manchester United há Ryan Giggs e Scholes, no Liverpool há Gerrard e Carragher.

Alguns permanecem com suas imagens ligadas mesmo após uma transferência, como é o caso de Owen e Liverpool, Beckham e Manchester United, Henry no Arsenal, e muitos outros.

Henry, por sinal, era o grande expoente deste quadro após consolidar-se como um jogador de primeiro nível nos Gunners. Henry chegou ao Highbury ainda jovem após uma frustrada passagem pela Juventus. Com Arsène Wenger, Henry desenvolveu seu melhor futebol, ganhou espaço e transformou-se no jogador mais completo da atualidade.

Sua saída para o Barcelona deixou a Premier League carente de um grande atacante que se encaixe neste quadro atual. Crouch, Rooney, Drogba são bons nomes, mas não chegam a ser jogadores que tenham a enorme capacidade ou potencial de Henry.

O Liverpool está disposto a não deixar este espaço vago por muito tempo. Por uma bagatela de 30 milhões de euros, os Reds buscaram a contratação de Fernando Torres, junto ao Atlético Madrid. Curiosamente, Torres era o grande representante dos Colchoneros, capitaneando a equipe com somente 23 anos e impressionantes sete temporadas como profissional.

Torres surgiu como um possível fenômeno, mas a pouca envergadura do Atlético não permitiu que "El Niño", como é conhecido, desenvolvesse todo seu potencial ao não disputar competições continentais ou não conseguir fazer frente aos grandes do país. O baixo nível do campeonato espanhol freou o crescimento de Torres, mas a baixa competitividade do Atlético foi fundamental.

No Liverpool, com o competente trabalho de Rafa Benítez, Fernando Torres terá a oportunidade de consolidar seu nome e afirmar-se definitivamente no cenário europeu. Certamente, Torres reúne todas as qualidades para tornar-se este ícone dos Reds. Porém, apenas o tempo dirá se "El Niño" será um fenomêno ou apenas uma chuva de verão.

Copa América. Copa?
Zlatan Lexotan - 10/07

Neste hiato futebolístico europeu, as opções para o apaixonado pelo futebol do Velho Mundo são seriamente restringidas. Ainda é possível acompanhar o desenrolar do mercado de transferências, alguns clubes que reforçam-se, técnicos trocando de cadeiras e etc.

Porém, apenas este tipo de acompanhamento não satisfaz um apaixonado. O Campeonato Brasileiro não é, obviamente, algo que motive os admiradores do esporte a passar algumas sofríveis horas diante do televisor. Sem Copa do Mundo, sem Eurocopa, os amantes da bola estavam quase perdendo os dedos de apreensão.

Eis que surge a notícias: Copa América. A princípio, nosso comum torcedor empolga-se em um enorme bocejo. Basta olhar as equipes e tudo ficará claro, afinal, apenas a Argentina importou-se devidamente com o torneio e fez questão de convocar seus principais jogadores. De resto, apenas informações desoladoras: a competição é disputada na Venezuela, uma potência mundial (ironia, percebem?); até mesmo seleções mais fracas, como a dos Estados Unidos, decide poupar seus principais jogadores; o técnico do Brasil é o Dunga.

Passado este momento de primeira análise, teremos agora as semifinais do torneio, momento em que a competição torna-se interessante de fato. Brasil e Uruguai enfrentarão-se numa das partidas, enquanto México e Argentina decidirão a vaga restante.

Até o momento, Argentina e México foram as seleções com um melhor futebol apresentado e que enfrentaram testes um pouco mais complexos. Os hermanos são franco favoritos e estão largos passos a frente de qualquer equipe do continente no momento. Os mexicanos evoluem a cada ano, e certamente são a terceira força das Américas na atualidade.

Por outro lado, o confronto entre Uruguai e Brasil colocará frente a frente uma grande escola em total estagnação após sua decadência e um selecionado sem opções criativas, sem jogadores de destaque e com um técnico sem qualquer recurso técnico ou tático. Na única ocasião em que o Brasil foi colocado à prova, na estréia diante do México, o Brasil caiu com facilidade.

O balanço prévio das semifinais então aponta para um difícil confronto com favoritismo argentino e outro duelo difícil entre Brasil e Uruguai. Difícil de ver, obviamente.

Da glória à desgraça
Zlatan Lexotan - 03/07

A Liga dos Campeões é o sonho de consumo de todos os clubes pela exposição proporcionada e pela premiação obtida. Como participar da competição seriamente, porém, são poucos clubes que aprenderam a planejar. Ainda mais quando, no caso, a equipe não está entre as principais forças de seu país.

A temporada atual, que viu o Milan levantar mais um troféu, contou com equipes como Chievo e Osasuna. O Chievo, por exemplo, acabou rebaixado na Série A e o Osasuna cumpriu campanha discreta na Espanha. O Leeds United, porém, é o grande exemplo de clube que afundou-se na própria ambição continental.

Na temporada 00/01, Leeds e Valencia decidiram uma das semifinais da Liga do Campeões. Era o auge de uma equipe que tinha selecionáveis como Paul Robinson, Rio Ferdinand, Woodgate, Mills, Bowyer, Kewell, Dacourt, Robbie Keanie, Viduka e Alan Smith. O Leeds acabou eliminado pelos Ches e deu adeus à Liga dos Campeões.

Nesta mesma época, o Leeds amargava a quinta posição da Premier League, ficando de fora da LC do ano seguinte. O mesmo aconteceu na temporada 01/02. Com um elenco extremamente caro e mais de 100 milhões em investimentos, duas temporadas fora da LC acabariam com as pretensões da equipe de Elland Road. Os jogadores foram negociados, o grupo renovado para jogadores mais baratos e o Leeds passou a cair vertiginosamente.

Contando com craques sagrados como Roque Júnior, o Leeds acabou rebaixado para a Segundona em 03/04. Na época, os cofres já estavam vazios e as contas bancárias já estavam no vermelhos: mais de 50 milhões em dívidas. Após duas temporadas na Segundona, o Leeds decretou falência antes que a atual temporada terminasse e acabou rebaixado para a terceira divisão. Livre das dívidas, o clube reiniciará os trabalhos onde está outro gigante inglês afogado em problemas financeiros: o Nottingham Forrest, bicampeão europeu em 79/80.

Do outro lado desse pesadelo, há o Valencia, exemplo de clube que iniciou a caminhada lentamente e hoje é a terceira força do futebol espanhol. O Valencia manteve-se no auge por saber negociar os atletas na hora certa e investir em jovens talentos e em jogadores fora dos grandes clubes. Como exemplo de seu sucesso, chegou ao título espanhol e está sempre presente na Liga dos Campeões.

Hoje, o futebol espanhol assiste ao surgimento do Sevilla como um grande clube. Duas temporadas conquistando a Copa Uefa trouxeram a equipe uma experiência internacional valorosa, bem como uma boa quantia para manutenção de seu elenco. Na temporada atual, o Sevilla manteve-se na disputa de todas as competições que disputou e não seria um absurdo vê-lo como campeão espanhol. Porém, o grande teste virá na próxima temporada: a Liga dos Campeões. Então saberemos se o clube seguirá o exemplo de seu compatriota ou cairá na desgraça inglesa.

Top 10 - Pipocadas do Ano
Zlatan Lexotan - 27/06

A temporada européia chegou ao fim. Como não há muito assunto a ser abordado, iniciaremos a fazer pequenos rankings com os principais assuntos separados por temas. Como nosso colunista Mark Luftal desapareceu em um sáfari, não haverão reclamações quanto a cópia e etc.

Nesta semana, falamos sobre as dez maiores amareladas da temporada européia, em se tratando de clubes, jogadores e etc.

10 – Palermo
O clube da sicília teve um início de torneio arrasador e candidatava-se ao título, juntamente com Inter e Roma. Com o atacante Amauri em fase esplendorosa, o Palermo vencia partidas importantes e tinha sua classificação para a Liga dos Campeões, o grande sonho do presidente, praticamente garantida. Porém, Amauri lesionou-se e o time começou a cair de produção vertiginosamente. A vitória conquistada na ocasião do grande confronto de torcedores e policiais em Catania foi o início de uma série de onze partidas sem vitórias. Com os resultados negativos acumulando-se, o Palermo foi lentamente superado pelo crescimento de Lazio, Milan e Fiorentina, além da surpresa Empoli. No final, conseguiu garantir, na última rodada, uma vaga na Copa UEFA.

9 – Punições do CalcioCaos
A temporada italiana, antes do início da Copa do Mundo, era um nevoeiro de incertezas. A revelação do escândalo de manipulação de resultados manchou a imagem do futebol italiano como um todo, envolvendo clubes, dirigentes, jogadores, árbitros, federação. As punições severas eram aguardadas, e decepcionaram desde o princípio. Primeiramente, por colocar a Juventus na Série B, onde teria um fácil acesso à elite novamente, e por não rebaixar os demais envolvidos. Todos foram penalizados em pontos, mas as multas foram progressivamente sendo reduzidas. Milan e Lazio conseguiram, ao final, classificar-se para a próxima Liga dos Campeões, a Juventus subiu sem grandes problemas e a Fiorentina brigou onde lhe era possível. Resumindo: não mudou muita coisa e, rigorosamente, não há muita esperança nesse sentido futuramente.

8 – Platini na UEFA
Uma proposta revolucionária de mudanças na Liga dos Campeões, privilegiando equipes de menor expressão, ao invés de fornecer lugar cativo aos milhonários de plantão. O discurso convenceu a minoria, que sempre se ilude com promessas de mudanças, e votou em peso no francês na eleição para novo Presidente da UEFA. Pouco tempo após a posse, mudou o discurso, decratando ter ouvido e entendido coisas que o fizeram mudar seus pensamentos. Platini podia até sonhar com seu mundo igualitário franco-burgês, mas sua tentativa de encarar o poderoso G-14 não foi tão eficaz quanto tentar efetuar uma Revolução na França.

7 – Inter
Na Série A, a Inter foi soberada. Porém, a caminhada em solo europeu mais uma vez foi decepcionante. Não que a tradição seja diferente, já que a Inter é conhecidamente um time que amarela nas competições européias, mas a expectativa gerada com o belo elenco montado era grande. Inútil. A expectativa tornou-se novamente decepção com a eliminação sofrida diante do Valencia, logo nas oitavas de final. Após um empate em 2 a 2 no Giuseppe Meazza, a Inter viu sua aspiração continental esvair-se com um empate sem gols no Mestalla. Ainda na Inter, destaque para Adriano Churrasco e a sua afirmação como "Gascoige wannabe".

6 – Chelsea
O Chelsea conseguiu, desde a contratação de Mourinho, sua temporada mais irrelevante. As contratações de Ashley Cole, Ballack e Shevchenko deixava claro que havia um franco favorito à conquista das grandes competições da temporada. Como sabemos, não foi bem assim. Mourinho, com suas reclamações, deixou claro que não era ele quem montava o plantel, o que já demonstra que algum problema existe na estrutura dos Blues. Além dos problemas extra-campo, o time jamais apresentou um futebol com algum padrão ou esforço coletivo, sendo salvo por gols decisivos de Drogba ou algum lampejo individual. Os Blues avançaram até as semifinais da Liga dos Campeões, mas foram novamente superados pelo Liverpool. Na Premier League, o Manchester United não deixou dúvidas de quem merecia a conquista. Restou ao Chelsea o insoso consolo da Carling Cup e FA Cup.

5 – Bayern Munique
Para os bávaros, foi uma temporada sensacional. Claramente, isto se trata de uma ironia. As saídas de Ballack e Zé Roberto traziam ao clube algumas incertezas que acabaram confirmando-se, pois o meio de campo esteve orfão de critividade e liderança. Somada a falta de capacidade técnica com o esgotamento físico causado pelos treinamentos extenuantes descabidos de Felix Magath, o desastre aconteceu. A eliminação na Copa da Alemanha diante do Alemania Aachen já serviria de exemplo, mas a quarta colocação na Bundesliga, o prematuro afastamento da briga pelo título e o fracasso de não conseguir classificação para a Liga dos Campeões foram suficientes para derrubar Magath e a filosofia por ele implantada. O resultado deste desastre é a agitada janela de tranferência dos bávaros, que montam agora um esquedrão com Ribéry, Toni, Zé Roberto, Klose... Porém, a vergonha dificilmente será apagada.

4 – Schalke 04
Pela segunda vez em um espalo curto em sua história, o Schalke amarelou novamente na reta decisiva da Bundesliga e ficou sem a taça. Na penúltima rodada, os Azuis Reais enfrentariam seu grande rival Borussia Dortmund, no dérby do Ruhr, e poderia sagrar-se campeão caso vencesse e o Stuttgart fosse derrotado. A possibilidade de conquista tornou-se pesadelo ao Stuttgart vencer seu compromisso e assistir ao Schalke pipocar no clássico. O resultado permitiu ao Stuttgart partir para a última rodada dependendo apenas de uma vitória para ser campeão, vitória esta que aconteceu. Ao Schalke restou apenas trocar de apelido: de Azuis Reais para Amarelos Reais.

3 – Werder Bremen
Seis meses de futebol atraente, convincente e... ilusório. O Werder jogava como uma máquina de atropelar adversários, encarou Chelsea e Barcelona de igual para igual e esteve muito próximo de eliminar o Barça na Liga dos Campeões. As exibições atraentes atraíram os olhos dos grandes clubes europeus e a atenção da imprensa especulatória. Klose no Bayern? Klose no Barcelona? Diego no Real Madrid? Frings na Juventus? Borowski no Chelsea? Naldo em uma dezena de clubes? A situação passou a ser calamitosa, metade do grupo queria sair, a outra metade queria que a outra realmente fosse embora e a alegria deu lugar a incerteza. O técnico Thomas Schaaf não soube controlar o incêndio e mantinha em campo um desmotivado Klose, que se arrastava, enquanto o recém chegado Rosenberg treinava excepcionalmente bem e entreva marcando gols importantes. O conjunto da obra grante com facilidade o terceiro lugar.

2 – Lyon
Hexacampeão francês. A sequência de seis títulos seguidos na França podem impressionar pelo domínio, mas é altamente ilusório. Dominar um dos campeonatos de pior nível técnico da Europa não é motivo para grande festa e destaque. O projeto desenvolvido pelo Lyon é bom, mas faltava sempre uma grande participação na Liga dos Campeões para confirmar a ascenção do clube francês. Um início de temporada avassalador parecia acabar com a sina de pipocadas, mas o encontro com a Roma nas oitavas de final acabou com o sonho. A Roma dominou sem dificuldades a equipe comandada pro Juninho Pernambucano e mostrou que, realmente, falta ao Lyon uma série de confrontos com adversários de nível superior.

1 – Barcelona e Ronaldinho
Uma temporada bizarra. O Barcelona, querido da imprensa nacional graças ao seu jogador/foca de circo Ronaldinho, conseguiu atrair para sí o favoritismo absoluto em todas as competições e alcançou uma inesperada sequência de fracassos. A maldição inicou-se com as lesões de Samuel Eto'o e Lionel Messi. Ronaldinho recebeu toda a pressão e tentou livrar-se dela com algumas embaixadas e chapéus em zagueiros do Levante, mas não deu certo. O primeiro tropeço veio no Japão, com a vitória do Inter no Mundial, quando o clube brasileiro não encontrou muitas dificuldades em anular o estilo de jogo catalão. Depois, uma sequência de resultados ruins na Liga que permitiram ao improvável Real Madrid alcançar a liderança. Veio a eliminação diante do Liverpool nas oitavas de final da Liga dos Campeões e a sensacional eliminação da Copa do Rei diante do esquadrão do Getafe. Para terminar, a pipocada diante do Espanyol, na penúltima rodada da Liga sepultou de vez toda e qualquer esperança blaugrana. Ronaldinho perdeu seu posto de "maior jogador marketeiro do mundo", entrou em atrito com Samuel Eto'o e esteve perto de deixar o clube ao final da temporada. Sem contar sua brilhante contribuição na Copa do Mundo a serviço do Brasil. Ou seja, a temporada blaugrana foi um jogo dos Sete Erros completo.

Top 10 - Melhores do Ano
Zlatan Lexotan - 19/06

A temporada européia chegou ao fim. Como não há muito assunto a ser abordado, iniciaremos a fazer pequenos rankings com os principais assuntos separados por temas. Como nosso colunista Mark Luftal desapareceu em um sáfari, não haverão reclamações quanto a cópia e etc.

Nesta semana, falaremos sobre os dez grandes destaques individuais da temporada. Se esquecemos de alguém, mande-me emails.

10 – Nakamura
Eleito melhor jogador da temporada escocesa em todas eleições (de jogadores, torcedores, jornalistas e patrocinadores) o meia japonês Nakamura colecionou gols, assistências e elogios na Premier League. Com a enorme colaboração de Nakamura, o Celtic revalidou seu título nacional e fez um bom papel na Liga dos Campeões, sobretudo com grandes atuações em casa. Nakamura marcou belos gols de falta, que o colocaram como um dos mais perigosos cobradores do continente. A caminhada do Celtic na UCL foi interrompida pelo campeão Milan, mas é improvável que a equipe fosse tão longe sem Nakamura em seu elenco.

9 – Pavel Pardo
O Stuttgart, campeão alemão, foi uma agradável surpresa na temporada européia. O clube soube se reforçar com atletas que encaixavam-se no esquema da equipe, sempre respeitando o ideal de um grupo coeso sem estrelas. Pavel Pardo chegou ao Stuttgart sem alarde após a Copa do Mundo e conseguiu um sucesso incomum para os mexicanos que atuaram no Velho Mundo nos últimos anos. O experiente volante protegeu incansavelmente a defesa e contribuiu no ataque com oito assistências. Com a ajuda de Pardo, o Stuttgart teve a terceira melhor defesa e o segundo melhor ataque da Bundesliga. Certamente, Pardo não estará na lista dos mais votados da FIFA, mas é o tipo de jogador que cairia bem em qualquer time.


8 – Samir Nasri
A grande promessa do futebol francês se chama Samir Nasri. Provavelmente você nunca deve ter ouvido falar neste jogador e dificilmente o viu atuar, mas o renascimento do Olympique Marseille se deve muito a Nasri. Ribéry era o grande nome do OM e, conseqüentemente, era mais visado pelos adversários. Nasri assumiu a responsabilidade mostrando toda sua técnica e agilidade, conduzindo o OM para a vaga na Liga dos Campeões. Como todo talento francês, foi efusivamente comparado com Zidane, tanto dentro quanto fora de campo. Arsenal, Real Madrid e Internazionale estariam estapeando-se pelo jovem de 19 anos, que já estreou pela França e a salvou os Bleus diante da Geórgia marcando o gol da vitória.

7 – Michael Carrick
Sua contratação pelo Manchester United junto ao Tottenham em agosto passado rendeu as mais variadas críticas a Sir Alex Ferguson. Primeiramente, pelo alto valor investido, 27 milhões de euros. Depois, por ser considerado um jogador abaixo do nível dos Red Devils. Porém, sua contratação foi mais do que acertada. Antes um meia no Tottenham, Carrick firmou-se como volante, protegendo a defesa e ajudando no ataque. Sua atuação diante da Roma, na goleada por 7 a 1 na semifinal da UCL, foi uma das mais completas da temporada, tendo sido coroado ainda com dois gols. Assim como Pavel Pardo, discreto e fundamental.

6 – Diego
De grande revelação a mico em apenas duas temporadas. Assim era a situação de Diego quando chegou ao Werder Bremen após duas frustrantes temporadas no Porto, onde era pouco utilizado e, quando estava em campo, pouco (ou nada) produzia. Sua contratação, para substituir o francês Micoud, foi encarada com desconfiança. Porém, em poucas partidas, Diego largou a máscara de super craque e começou a jogar eficientemente. Marcou gols, deu assistências, dedicava-se em campo. O Werder era a sensação da temporada européia, até que alguns jogadores passaram a preocupar-se mais com os boatos de transferências. Diego seguiu regular, marcando até gol do meio do campo e conseguindo retornar à seleção brasileira. Acabou eleito como o melhor jogador da Bundesliga e com a fama de eterna promessa.

5 – Francesco Totti
De jogador acabado a artilheiro da Europa. Assim foi a temporada de Totti. Com a perna fraturada, muitos colocavam em dúvida sua participação na Copa do Mundo e a crítica encarregava-se de dizer que sua carreira estaria próxima do fim. Então, Totti conquistou a Copa do Mundo com a Azzurra e foi o principal artilheiro da temporada, superando a concorrência de Afonso Alves e Nistelrooy na batalha pela Chuteira de Ouro, tendo marcado 26 vezes na Série A. Além disso, Totti ajudou a Roma a alcançar as quartas de final da Liga dos Campeões, apesar de desaparecer em campo na partida de volta, em Manchester, na esmagadora goleada sofrida diante do United. Além da Chuteira de Ouro, Totti conquistou também a Copa Itália, superando a Inter com um massacre na primeira partida por 6 a 2.

4 – Ruud Van Nistelrooy
Certamente a grande contratação da temporada européia. Nistelrooy saiu do Manchester United após Sir Alex Ferguson preferir escalar Louis Saha. Muitos questionaram a lucidez de Ferguson após essa escolha, inclusive o próprio Nistelrooy, que logo acabou negociado com o Real Madrid para a atual temporada. O holandês provou na Liga ser realmente um artilheiro de primeiro nível, mas sem as frescuragens de Galáctico e etc. Marcou 25 gols e acabou artilheiro do campeonato, bem como um dos principais nomes (se não o maior) da improvável conquista do Real Madrid. Será certamente o grande nome de um Real Madrid em transformação.

3 – Didier Drogba
Poucos imaginavam que Drogba teria a grande temporada de sua carreira após os Blues desembolsarem uma pequena fortuna para contratar Andriy Shevchenko ao Milan. Porém, o momento falou mais alto que a grana e, gradualmente, o marfinense tomou o lugar do ucraniano. Drogba acabou artilheiro da Premier League com 20 gols, marcou outros seis na Liga dos Campeões e foi o autor do gol do título da FA Cup sobre o Manchester United, na prorrogação. Em muitos momentos, com o Chelsea em sua pior temporada desde que José Mourinho assumiu o comando dos Blues, Drogba levou o time nas costas com seus gols, assistências e disposição para lutar em todos os lances.


2 – Cristiano Ronaldo
Houve um momento da temporada em que sua nomeação como melhor jogador era unânime. Porém, a falta de experiência e consistência acabaram por adiar o sonho do português que conquistar os prêmios individuais. A Premier League, porém, foi conquistada pelo Manchester United graças as suas exibições soberbas a partir de janeiro, quando chegou a disputar a artilharia da Premiership com Drogba. Porém, no confronto com o Milan na Liga dos Campeões, o português mostrou que ainda não está preparado para a alcunha de melhor do mundo. Com mais experiência, sua velocidade, explosão, objetividade e habilidade o colocarão neste posto naturalmente.

1 – Kaká
Se faltou experiência a Cristiano Ronaldo, o mesmo não pode-se dizer de Kaká. Suas exibições na Liga dos Campeões arrancaram os mais variados elogios de técnicos, adversários, grandes jogadores do passado... Até mesmo aqueles que outrora o criticavam, tiveram de admitir a sua alta capacidade de decisão. Com 10 gols marcados na Liga dos Campeões, Kaká não apenas foi o artilheiro como principal nome da sétima conquista continental rubro-negra. Apesar de ter tido pouco espaço na final diante do Liverpool, suas aparições foram decisivas, sofrendo a falta que originou o primeiro gol e a assistência para Inzaghi no segundo tento. Porém, foi contra o Manchester United que Kaká mostrou seu melhor momento, com uma atuação memorável e um dos gols mais espetaculares da temporada. Apenas uma tragédia impedirá Kaká de ganhar os prêmio individuais desta temporada.

Top 10 - Piores contratações
Zlatan Lexotan - 12/06

A temporada européia, exceção ao campeonato espanhol, chegou ao fim. Como não há muito assunto a ser abordado, iniciaremos a fazer pequenos rankings com os principais assuntos separados por temas. Como nosso colunista Mark Luftal desapareceu em um sáfari, não haverão reclamações quanto a cópia e etc.

Nesta semana, falaremos sobre as dez piores contratações da temporada. Se esquecemos de alguém, mande-me emails.

10 - Podolski no Bayern Munique
Lukas Podloski era reverenciado como grande revelação do futebol alemão. Na temporada passada, era o solitário destaque do Köln, que acabou rebaixado. Ao final da temporada, Podolski foi contratado pelo Bayern Munique por 10 milhões de euros. Na Copa do Mundo, Podolski fez um bom papel e acabou eleito melhor jogador jovem do torneio. Porém, no Bayern, Podolski esteve longe das redes e acabou no banco de reservas. Na temporada, esteve presente em 25 partidas e marcou apenas sete gols. Reclamou que, com Felix Magath, não era ouvido. Com a chegada de Ottmar Hitzfeld, sua situação em pouco mudou. De grande revelação, Podolski acabou se tornando um grande problema. Agora, especula-se que será emprestado ao gigante Bochum.

9 - Reyes no Real Madrid
Poucos depois de chegar ao Arsenal, Reyes começou a dar sinais que gostaria de voltar retornar á Espanha, mas desta vez para defender o Real Madrid. Reyes fez boas partidas no Arsenal, mas nunca justificou o alto investimento feito por Arsene Wenger. No começo da temporada, Arsenal e Real Madrid trocaram jogadores: Reyes iria para Madrid e o brasileiro iria para a Inglaterra. Reyes teve um bom início no Merengues, mas lentamente foi relegado ao banco de reservas. Agora, no final da temporada, vê o recém chegado Higuaín ocupar sua vaga e vê seu futuro incerto.

8 - Julio Baptista no Arsenal
Como poderia um craque do nível de Julio Baptista não adaptar-se ao futebol inglês? Pois o impensável aconteceu. Baptista teve suas grandes chances no time reserva do Arsenal, que disputou a FA Cup e a Carling Cup. A certo ponto da temporada, Baptista declarou não ter adaptado-se "porque o futebol inglês é muito rápido e ele não tem tempo para dar seus passes inteligentes". Afinal, quem se lembra de Julio Baptista logo pensa em suas grandes assistências e passes precisos.

7 - Christian Vieri na Atalanta
Vieri chegou à Atalanta prometendo retornar ao centro das atenções na Série A, mas aceitou o menor salário permitido para retomar a forma física. Essa retomada demorou pouco: onze meses. Vieri atuou pela Atalanta a partir de 18 de abril, quando entrou no segundo tempo no confronto com o Empoli fora de casa. Sempre entrando na segunda etapa, Vieri atuou em sete jogos e acabou marcando dois gols. Agora, especula-se que defenderá o Tottenham. Aos 33 anos, seria o 14º clube de sua carreira.

6 - Élton no Steua Bucareste
O pequeno grande craque do Corinthians foi negociado com os romenos do Steua Bucareste no início de 2007 e já está próximo de sair do clube. Com a fraca campanha do clube nas competições desta temporada, o presidente e sempre polêmico Gigi Becali declarou que iria negociar todos os estrangeiros imediatemente, pois eles estavam interessados apenas em dinheiro. Assim, em pouco menos de seis meses, deve se encerrar a aventura do gigante Élton na Romênia.

5 - Jardel no Anorthosis Famagusta
Reforçar um clube do Chipre já parece piada. Porém, Jardel e sua carreira vão a todo vapor rumo ao ostracismo. Felizmente, para ele, nós do FEC não nos esquecemos de suas declarações: "Vim para ajudar o Anorthosis a conquistar títulos com muitos gols". Ele deveria dar uma melhor olhada na tabela do campeonato cipriota que encerrou-se no mês passado: apenas o terceiro lugar, onze pontos atrás do campeão APOEL, dos craques Nichos Machlas (ex-Ajax) e Ronald Gomez (que foi à última Copa com a Costa Rica).

4 - Ricardinho no Besiktas
RMais uma vez tentando sorte em solo europeu, mais um fracasso. Assim pode-se definir a passagem de Ricardinho pelo Besiktas. Após o retumbante fracasso no Middlesbrough, quando foi considerado a pior contratação do ano na Premier League e colheu elogios como "É o jogador mais lento que já vi", de seu então técnico Steve Mclaren, era difícil imaginar que ele voltaria à Europa. O Besiktas apostou nele, e se deu mal. Ricardinho envolveu-se em polêmicas, brigas com adversários e até mesmo com colegas de clube. Com sua experiência, deveria destacar-se no clube. Acabou ofuscado pelo Bobô. Genial.

3 - Shevchenko no Chelsea
Shevchenko chegou ao Chelsea com grande expectativa, após anos no Milan sendo considerado um dos mais perigosos atacantes do Mundo. Em sua primeira partida nos Blues, marcou um golaço e deixou a mesma impressão em todos: com ele no time, seria uma máquina de atropelar adversários. Não foi. Com erta dificuldade para se adaptar ao esquema de jogo inglês, Shevchenko acabou ofuscado por Drogba em sua melhor temporada da carreira. Ao final da temporada, somou sete gols, três deles na Liga dos Campeões e quatro na Premier League.

2 - Ricardo Oliveira no Milan
Com a saída de Shevcheno para o Chelsea, o Milan apostou na contratação de Ricardo Oliveira para o substituir. O brasileiro jamais mostrou qualquer futebol, e acabou relegado a quarta opção para o ataque rossoneri. Terminou a temporada com a sensacional marca de três gols marcados, tendo atuado em 32 partidas. Em apenas duas oportunidades conseguiu manter-se em campo pelos noventa minutos. Sofreu também com problemas pessoais, mas quando estava dentro de campo, era um jogador a menos para o Milan.

1 - Tevez e Mascherano no West Ham
Os argentinos estão em qualquer tipo de ranking dos piores da temporada. Os dois chegaram ao West Ham no último dia de transferências provenientes do Corinthians. Seus contratos nebulosos renderam aos Hammers a mais pesada multa já sofrida por um clube na Premier League. Tevez chegou a completar seis meses sem marcar um gol sequer e Mascherano mandou-se para o Liverpool em janeiro. O West Ham não embalou em momento algum e passou perto do rebaixamento.

Top 10 - Micos do ano
Zlatan Lexotan - 05/06

A temporada européia, exceção ao campeonato espanhol, chegou ao fim. Como não há muito assunto a ser abordado, iniciaremos a fazer pequenos rankings com os principais assuntos separados por temas. Como nosso colunista Mark Luftal desapareceu em um sáfari, não haverão reclamações quanto a cópia e etc.

Nesta semana, falaremos sobre os dez grandes micos da temporada. Contratações, situações e declarações que certamente poderiam não ter ocorrido serão o tema deste ranking inicial.

10 - Líderes da Bundesliga
Ao começo da temporada, qualquer torcedor normal apostaria em Bayern Munique, Schalke 04 e Werder Bremen como favoritos ao título da Bundesliga e como únicos postulantes às vagas destinadas à Liga dos Campeões. Porém, uma sucessão de erros fez com que o troféu caísse no colo do Stuttgart, e nem o mais fanático torcedor schwaben imaginava conquistar o título. Primeiramente, o Bayern de Munique cometeu dois erros que o tiraram do páreo: não repôs as perdas de Ballack e Zé Roberto e consentiu com os puxados treinos físicos de Feliz Magath. Como quase todo o elenco esteve na Copa, o que se viu foi um time extenuado, sem alternativas criativas e desinteressado, que acabou em quarto na Bundesliga. O Werder Bremen era a sensação européia e decolou na lidedrança e brigou de igual para igual com Chelsea e Barcelona na Liga dos Campeões. O sucesso subiu à cabeça, assim como os boatos de transferências milionárias. O Schalke, por sua vez, fez o que sempre dele é esperado: amarelou na reta final. Com isso, o Stuttgart manteve sua regularidade e, com um elenco bem montado por um técnico promissor, faturou o título.

9 - Sucesso caseiro, fracasso continental
O que possuem em comum Lyon, Chelsea, Manchester United, Internazionale e Barcelona? Além dos jogadores estrelados, das grandes cifras publicitárias e de alguns problemas internos, os clubes citados dominaram os campeonatos nacionais, mas fracassaram na Liga dos Campeões. O Lyon era considerado um dos grandes nomes e um clube em afirmação, mas o fantasma das oitavas de final voltou a superar os franceses. Chelsea e Manchester cogitavam a possibilidade de uma nova Tríplice Coroa, mas ambos caíram nas semifinais. Barcelona e Internazionale foram os de sempre: times que tradicionalmente amarelam em decisões continentais.

8 - Time do futuro... Será?
Não há no Mundo hoje um clube com um potencial tão grande quanto o Arsenal. Arsene Wenger sempre gostou de trabalhar com jovens jogadores, e agora vem aprofundando ainda mais essa sua faceta, contratando grandes talentos e montando um time altamente promissor. Porém, após a temporada passada de destaque na Liga dos Campeões (muito graças a Henry), o Arsenal fracassou retumbantemente neste ano, sendo eliminado da LC frente ao limitado PSV. Henry, lesionado e cansado após a Copa, pouco jogou e deixou claro a dependência que o time tem de seu futebol. Além disso, o Arsenal perdeu na Premier League para West Ham, Man. City, Bolton, Fulham, Wigan, Everton e Sheffield. A garotada do time ainda não amadureceu, e já há quem comece a se perguntar se isso vai acontecer.

7 - Argentinos no West Ham
Uma história nebulosa, até hoje pouco explicada, deu o que falar na Premier League deste ano. No último dia da janela de transferências no início da temporada, o pequenino West Ham anunciou as contratações de Carlos Tevez e Javier Mascherano. Poucos podiam imaginar que, após terem disputado a Copa do Mundo, os ex-corintianos iriam acertar com um dos menos influentes clubes ingleses da Premiership. Apesar da grande expectativa criada em torno da equipe com o reforço de ambos, o West Ham não embalou. Tevez completou seis meses sem marcar um gol sequer e Mascherano mandou-se embora para o Liverpool em janeiro, com um contrato para lá de obscuro. Tevez permaneceu e cresceu de produção nas rodadas finais, ajudando os Hammers a escapar do rebaixamento. Na reta final, a Premier League aplicou pesada multa ao West Ham pela negociação com a MSI, já que as regras inglesas proíbem a participação de terceiros em contratações. Porém, a esperada punição em pontos não saiu e os demais times (rebaixados que se sentem prejudicados) seguem ensaiando protestos.

6 - Para europeu ver
Qual foi a última vez que você viu a Seleção Brasileira jogando no Brasil? Ou ouviu falar da Argentina jogando em sua terra natal. Difícil lembrar? Pois acostume-se, esta será uma lembrança cada vez mais distante, que será reanimada apenas com a Copa América e o início das Eliminatórias. Nesta temporada, Brasil e Argentina disputaram suas partidas amistosas em solo europeu. Para os leigos, fala-se que os principais jogadores estão na Europa e partidas no velho Mundo contribuem para um menor desgaste dos atletas. Não deixa de ser verdade, mas o fato é que AFA e CBF assinaram contratos com empresas para comercializar seus encontros amistosos. Assim, a Inglaterra assistiu a diversos amistosos durante a temporada com estádios cheios. Aos torcedores, restou acompanhar à distância. 

5 - O homem do povo
Platini concorreu à eleição para presidência da UEFA e ganhou importantes votos com suas promessas de campanha. Entre elas, a redistribuição de vagas para a Liga dos Campeões, o pote de ouro no fim do arco-íris para qualquer clube europeu. Platini prometeu reduzir as vagas de Inglaterra, Itália e etc, dando maiores chances à clubes que conseguem apenas chances nas fases eliminatórias. Porém, poucos tempo após assumir a presidência, Platini mudou o discurso e disse recuar em suas pretensões por ter conversado, ouvido e entendido. Fique mais tranquilo: políticos com promessas eleitorais fajutas não são exclusividade brasileira.

4 - Crise no Barcelona
Rival que se preze gosta de acompanhar o outro. Muitas vezes, o sucesso de um clube faz seu inimigo crescer para igualar-se e superar, isso não é novidade. Porém, a crise nos bastidores do Barcelona conseguiu ofuscar as eternas vaidades do Real Madrid. Eto'o em choque com Ronaldinho e Rijkaard, declarações de jogadores no sentido de "num grupo, nem todo mundo precisa ser amigo" e boataria desenfreada sobre saídas temperaram a temporada blaugrana. A supremacia espanhola está ameaçada e, mesmo que consiga o título nas duas últimas rodadas, será uma temporada frustrante. A eliminação diante do Liverpool na Liga dos Campeões, a goleada sofrida frente ao Getafe na Copa do Rei e a derrota para o Espanyol no primeiro turno da Liga não serão apagados mesmo com o troféu. Na Espanha, não há ninguém que acredite que nenhuma das estrelas sairá. Esperar para ver.

3 - Adriano
Em termos de jogador, o grande mico do ano. Após a cambaleante temporada passada, Adriano chegou à Copa do Mundo se arrastando. Conflitos com o ténico Mancini e com parte o elenco indicavam que o brasileiro estava de saída, mas a péssima exibição do atacante no Mundial e nos meses anteriores sepultaram qualquer negociação. Na temporada atual, Adriano conseguiu desvalorizar-se ainda mais. Os excessos de sua vida pessoal tomaram conta dos tablóides, bem como suas partidas grosseiras quando atuou na Inter. De titular da Seleção Brasileira e artilheiro da Inter, Adriano tornou-se reserva de Julio Cruz e viu jogadores como Vagner Love e Fred tomarem sua vaga na Seleção. Adriano, que era considerado o sucessor natural de Ronaldo, parecer ter confundido: era para substituir Ronaldo em campo e não nas festas e confusões.

2 - Pizza no calcio
Nennhum escândalo cortou tão fundo a carne no futebol italiano. O esquema de manipulação de resultados encabeçado pela Juventus manchou severamente a imagem do futebol italiano, mas a vitória na Copa do Mundo parece ter amenizado os fatos para a justiça local. As punições a clubes, árbitros e cartolas foram abrandadas lentamente. A Juventus, que inicialmente começaria a Série B com 30 pontos negativos, sorriu quando lhe acenaram com a redução para 9 pontos. O Milan foi o único clube que não teve punição alterada e, estranhamente, era um dos grandes prejudicados num equema que favorecia seu maior rival. As punições, que serviriam de exemplo para retirar a lama deixada pelo escândalo, acabaram apenas juntando-se as lamentações e negativismos que o calcio atraiu nesta temporada.

1 - Confronto em Catania 
Mesmo sem este episódio, a temporada italiana teria de tudo para ser, de longe, uma das mais lamentáveis de todos os tempos. Entretanto, as cenas de barbárie realizadas em Catania solidificaram ainda mais a aparência depressiva da Série A desta temporada. A partida entre Catania e Palermo, realizada em 2 de fevereiro, era um clássico da Sicília em uma data festiva. Porém, um confronto entre torcedores das duas equipes a e Polícia acabou com a morte de Filippo Raciti, que estava em seu carro e foi atingido por uma bomba. A partida teve de ser interrompida pois a névoa causada pelas bombas de gás lacrimogênio lançadas no confronto nas ruas era tão forte que invadiu o gramado e afetou os jogadores. O acontecimento paralisou a rodada da Série A, muito falou-se em medidas contra a violência similares às inglesas e ficou nisso. O presidente da Federcalcio chegou a dizer que "mortes são o preço que o futebol tem de pagar". Então tá...

Questão de sorte
Zlatan Lexotan - 29/05

Há certas lendas que tomamos conhecimentos desde que somos pequenos e que nos acompanham por toda a vida. Essas lendas dividem o povo: uma parte diz ser apenas crendice, filosofia de botequim, frase de pára-choque de caminhão, enquanto outros acreditam que se tratam de fatos atemporais, frases que se aplicam nas vidas e rotinas de cada um de nós. Apesar de existirem uma centena de ditos populares que poderíamos abordar, aquele que mais se aproxima é o tradicional “a sorte de um é o azar de outro”.

Alguns jogadores carregam em suas carreiras a fama de sortudo, assim como outros tem de viver sob a sombra do azar, chamados de pé-frios e etc. Filippo Inzaghi é, sem dúvida, um homem de muita sorte. O estádio Olímpico de Atenas e todo os apaixonados por futebol presenciaram, na última quarta-feira, Inzaghi e sua sorte em ação diante do Liverpool, na final da Liga dos Campeões.

Inzaghi está longe de ser um atacante ruim, mas certamente nunca foi um craque. Quando chegou ao Milan, na temporda 00/01 sendo negociado pela Juventus, Inzaghi era considerado um dos grandes atacantes da Europa. No Milan, viveu seu melhor momento em termos de forma na temporada 02/03, quando marcou 16 gols na Série A e 12 na Liga dos Campeões. Naquele ano, formou com Shevchenko uma das duplas de ataque mais temidas da Europa e acabou por conquistar a Liga dos Campeões.

Quatro anos depois, muitas lesões sofridas. O Milan iniciou a temporada rodeado de incertezas: escândalo, punições, saída de Shevchenko. Todas as apostas sinalizavam uma temporada nebulosa. O Milan tinha como opções de ataque Gilardino, Ricardo Oliveira, Inzaghi e Borrielo. Ricardo Oliveira sofreu problemas pessoais e de adaptação, e lentamente perdeu espaço até mesmo no banco de reservas. Boriello envolveu-se em problemas de doping.

Com Gilardino vivendo mais uma temporada inexpressiva e com lesões costumeiras de Inzaghi, o Milan contratou Ronaldo. Apesar de ser folgadamente o melhor atacante do elenco, Ronaldo estava impossibilitado de atuar na Liga dos Campeões por já ter sido inscrito pelo Real Madrid. Para a grande final, Ancelotti tinha duas opções: Gilardino ou Inzaghi para formar o ataque com Kaká.

Inzaghi e Liga dos Campeões é sinônimo de gols e sorte. Inzaghi foi protagonista de gols singulares e extremamente importantes: 02/03, o Milan estava sendo eliminado pelo Ajax, empatando em casa por 2a2 após um empate sem gols na Holanda. Nos acréscimos, no último segundo de jogo, Maldini cruza na entrada da área, Ambrosini desvia de cabeça e a bola sobra para Inzaghi, que encobre o arqueiro Lobont e comemora loucamente (veja aqui o gol). Houveram outros gols decisivos: Lyon, Celtic, Bayern...

Porém, nada superará sua sorte na final de Atenas. Seu gol de ombro após falta de Pirlo não era apenas o ombro de Inzaghi: era o ombro do Milan, pesado, desde a derrota em Istambul. Mas Inzaghi não é apenas um jogador de sorte. Seu segundo gol demonstrou isso claramente. Gol de um atacante que sabe posicionar-se entre os zagueiros e partir no momento exato. Um título merecido pela sua estrela, carisma e sua emoção, que transborda quando marca seus gols.

O técnico do Manchester United, Alex Ferguson, declarou em certa ocasião que "Inzaghi nasceu em impedimento". O Liverpool e seus torcedores não concordam, bem como os rubro-negros. Inzaghi nasceu foi com a bunda virada para a Lua. Sorte de uns, azar de outros...

Afonso Who?
Zlatan Lexotan - 22/05

Comparado a Van Nistelrooy, superando marcas de Ronaldo e Romário. Apesar destas informações preliminares, que já serviriam para qualificar um jogador como craque interplanetário de acordo com nossa imprensa descabida, Afonso Alves é um ilustre desconhecido em seu país. Convocado para a Seleção Brasileira pelo técnico Dunga para os amistosos contra Inglaterra e Turquia, seu nome gerou na grande maioria a mesma pergunta: Afonso Alves?

Em nossa comunidade no Orkut, a mesma dúvida foi rapidamente sanada por nosso patrão Fanático, um gênio futebolístico (te amo chefe!), mas aproveitarei estas linhas para elucidar melhor sobre este atacante que agora surge no cenário global. Afonso Alves surgiu nas categorias de base do Atlético Mineiro, de onde saiu aos vinte anos rumo ao obscuro futebol Sueco, contratado pelo Örgryte Is, de Gotemburgo. Sua estadia no Örgryte durou apenas uma temporada, já que suas atuações chamaram a atenção do Malmö, um grande clube no cenário nacional.

No Malmö, Afonso Alves desenvolveu melhor seu futebol e passou a ganhar mais destaque. Em 2004, recebeu a “Bola de Ouro” como melhor jogador do campeonato. Foi duas vezes vice-artilheiro do campeonato, em 2004 e 2005. Em 87 jogos realizados pela Liga, marcou 49 gols.

Porém, Afonso Alves jamais havia vivido um momento como o atual. O Heerenveen, clube que tradicionalmente conta com goleadores de alto nível, resolveu apostar no brasileiro após a venda de Klaas-Jan Huntelaar para o Ajax. No clube holandês, Afonso conseguiu um feito que nenhum outro jogador nacional havia atingido: marcou 34 gols na Eredivisie, superando Ronaldo, que havia marcado trinta vezes em 94/95. Outros jogadores, porém, fizeram mais gols que ele na Holanda. Mateja Kezman, por exemplo, marcou 35 vezes em 02/03.

Atualmente líder da Bola de Ouro, apenas outro nome que fez história no Heerenveen pode efetivamente o alcançar: Ruud Van Nistelrooy, revelado no Heerenveen, a quem Afonso é comparado constantemente pelos torcedores do clube. Antes de sua convocação, o Chelsea já havia enviado olheiros para o acompanhar, mas não houve interesse. Porém, a Inglaterra segue entre os prováveis destinos do jogador, uma vez que seu agente diz ter recebido uma proposta do Manchester United. O Barcelona também revelou interesse através de Ronaldinho Gaúcho, que disse ter solicitado sua contratação junto a diretoria.

Eleito melhor jogador da temporada holandesa, Alves teve seu passe fixado em vinte milhões de euros, valor suficientemente alto para tirar da jogada os clubes holandeses mais tradicionais.
  Porém, um valor que está fora dos padrões europeus atuais. Acabou a época de loucuras, ainda mais se tratando de um jogador com qualidades ainda a provar.

Afonso é, até agora, garantia de lucro: o Malmö pagou ao Örgryte 1,2 mihões, na maior transferência interna na Suécia até então. Por sua vez, o Heerenveen desembolsou 4,4 milhões de euros para o contratar. Caso sua negociação seja concretizada por 20 milhões, seu passe terá multiplicado-se quase 20 vezes em cinco anos.

Porém, os fatos descritos acima deixam alguns questionamentos em aberto. Mateja Kezman era considerado um novo fenômeno Mundial, mas hoje está no Fenerbahçe após passagens frustradas por Chelsea e Atlético de Madrid. Seria Afonso Alves apenas mais um caso de jogadores que passam por uma grande em uma liga sem muita competitividade e, quando testados em um maior desafio, falham? Ou então ele seguirá os passos de Ronaldo e Nistelrooy, que brilharam na Holanda e depois conquistaram a Europa? Essa reposta, fortuitamente, apenas o tempo poderá responder. Enquanto isso, que Afonso faça seus gols, seja onde for.

Burro!
Zlatan Lexotan - 15/05

A partida encaminha-se para um resultado que não favorece a equipe da casa. O estádio está lotado e a torcida pressiona pela vitória desesperadamente. Então, o técnico, sempre ele, resolve aprontar e realiza uma substituição que não faz sentido para ninguém, como trocar um volante por outro de mesma posição. A torcida enlouquece e o coro que ressoa por toda a cidade é previsível: “Burro... Burro.... Burro...”.

Casos como o citado acima acontecem toda semana, basicamente. Afinal, a torcida sempre espera ver seu time com dezoito atacantes e os técnicos insistem em, bem, eles insistem em ser burros mesmo. Deve ser da profissão, vai saber. Genético.

Porém, a Itália segue em sua temporada de suprema inovação das questões futebolísticas. Após o escândalo do CalcioCaos, onde a federação italiana usou toda sua criatividade para punir os times envolvidos e lentamente fazer de conta que nada aconteceu, reduzindo as punições gradativamente, os diretores dos clubes da Itália chegaram a conclusão de que havia ainda algo que poderia ser feito para dignificar ainda mais a Série A desta temporada.

Passados alguns meses e muitas idéias que não foram aprovadas, eis que genialmente os cartolas descobrem a fórmula secreta do sucesso: demitir o técnico e, meses depois, recontratá-lo. O conceito não faz muito sentido aos leigos que lêem estas linhas, mas os dirigentes italianos devem estar convictos que este é o caminho. Afinal, nesta temporada da Série A, quatro clubes resolveram adotar este novo estilo de comandar o clube. Torino e Cagliari resolveram começar a brincadeira juntos, no mesmo dia. Parece até combinado.

O Torino havia demitido Gianni De Biasi ainda na pré-temporada, contratando em seu lugar o famoso e renomado Alberto Zaccheroni. Porém, a pressão por resultados melhores acabou falando mais alto e, em 26 de fevereiro, De foi recontratado para comandar o Torino na Série A.

No Cagliari, Marco Giampaolo havia sido demitido do comando técnico em dezembro. Em seu lugar, assumiu Franco Colomba. Colomba comandou por dois meses e meio, mas não rendeu o esperado. Então, o Cagliari resolveu, em 26 de fevereiro, recontratar Marco Giampaolo, que antes de ser demitido havia conquistado apenas duas vitórias, dez empates e quatro derrotas.

O Messina foi mais longe: em 03 de janeiro, Bruno Giordano foi demitido do cargo, dando lugar a Alberto Cavasin. No início de abril, Giordano foi chamado a assumir novamente a equipe. O seu destino? Em 23 de abril, após quatro derrotas consecutivas, foi mandado embora de novo.

O último a entrar na moda foi o Palermo. E o clube rosa resolveu, como sempre, mostrar sua mania de querer ser melhor que os outros e os superou: mandou embora Francesco Guidolin em meados de abril, e após menos de um mês, contratou o antigo técnico novamente.

Em termos de questões extra-campo, a Itália está superando o Brasil com folga. Ao muito pensar, recordamos apenas do caso de Renato Gaúcho no Fluminense.

E para as torcidas fica uma pergunta: o coro de 'Burro' deve ser direcionado a quem? Aos técnicos demitidos ou aos dirigentes, que contratam e demitem o mesmo profissional diversas vezes? Na dúvida, façam o enterro simbólico do clube que toma tal medida.

Hora da decisão
Zlatan Lexotan - 08/05

Milan e Liverpool serão novamente protagonistas do grande evento futebolístico da temporada. Após o encontro épico ocorrido há duas temporadas atrás, em Istambul, a Liga dos Campeões verá seu campeão de 06/07 ser decidido entre os comandados de Rafa Benítez e Carlo Ancelotti mais uma vez.

A última oportunidade em que se enfrentaram ainda está fresca na memória dos torcedores: 25 de maio de 2005, na decisão da Liga dos Campeões no estádio Atatürk, em Istambul. No primeiro tempo um Milan arrasador ao marcar três vezes, com Maldini e Crespo, autor de dois gols. Na segunda etapa, um Liverpool histórico ao empatar o confronto com gols de Gerrard, Smicer e Xabi Alonso. Na prorrogação, manteve-se a igualdade, destinando às penalidades a responsabilidade de definir o campeão. O arqueiro Dudek defendeu as cobranças de Pirlo e Shevchenko, possibilitando ao Liverpool a conquista de sua quinta taça da Liga.

Duas temporadas depois do histórico confronto, é claro o efeito do inexorável tempo sobre os dois plantéis. Enquanto o Liverpool fortaleceu-se e ganhou corpo em alguns setores na época deficiente, o Milan perdeu seu referencial ofensivo e viu o restante de seu grupo apenas dirigir-se a uma nova decisão dois anos envelhecido, como se a alta média de idade rossonera não fosse já alta em 2005.

A comparação entre os dois setores ofensivos é crucial para sustentar este argumento: o Milan entrou naquela final de Istambul com Crespo e Shevchenko como dupla de ataque. Hoje, o Milan tem a disposição Inzaghi, Gilardino e Ricardo Oliveira, o que força Ancelotti a escalar apenas um dos três, já que o nível técnico é muito baixo. Do outro lado, o Liverpool entrou em campo com os hoje reservas Luís Garcia e Harry Kewell, acompanhados pelo negociado Milan Baros. Hoje, os Reds tem em seu elenco atacantes muito superiores: Peter Crouch, Dirk Kuyt e Craig Bellamy.

Qualquer previsão para a final será das mais incabidas. Afinal, o Milan era franco favorito e acabou sem a taça. Hoje, as forças se eqüilibraram, e os dois times mais copeiros da Europa estarão novamente frente a frente. Ao vencedor, as batatas.

Criando Monstros
Zlatan Lexotan - 01/05

Assim como a imprensa tem suas manias, este colunista tem as suas. Uma delas é falar das manias das imprensa nacional, e é possível conferir estes relatos nas colunas anteriores. Porém, a coluna desta semana é inspirada em algo maior: as manias da imprensa que contagiam os torcedores em escala nacional.

Freqüentemente, somos bombardeados por reportagens, matérias e notícias que nos parecem duvidosas a primeiro instante. Negociações milionárias, transações mirabolantes, clubes com grandeza exacerbada, craques criados do dia para a noite. Não há nada mais comum e cotidiano do que a criação de monstros sagrados no meio futebolístico por parte da imprensa sensacionalista.

O processo criativo deste personagem da vida real faz assustador sentido. Surge um jovem talento em um clube geralmente de grande apelo nacional, entre as maiores torcidas de seu Estado. Ele faz apresentações interessantes nas categorias e seleções de base, mas ainda é tratado como um garoto a ser observado.

Sua estréia na equipe principal geralmente é discreta, sem grandes alardes. Há muita pressão, pouca experiência e muita expectativa. O garoto ganha mais espaço e começa a aparecer na imprensa especializada como o mais novo craque do futebol brasileiro. Todos os olhos então se voltam para o garoto. Pressionado e com sua auto-estima que o coloca entre os Deuses da Bola, o garoto começa então a abusar de dribles, jogadas de efeito.

A torcida, carente de ídolos, delira de alegria e passa a ovacionar seu novo craque, aquele que fará o clube deixar as sombras do ostracismo e o conduzirá novamente às glórias. A imprensa então esquece que criou o monstro e passa a acreditar cegamente, noticiando e perseguindo o jogador a todo instante.

Na temporada passada, houve o caso Alexandre Pato. Após sua primeira partida como profissional, contra o Palmeiras, o atacante do Internacional foi tratado como a nova sensação do futebol brasileiro. Depois deste jogo, o primeiro de sua carreira profissional, Pato nada mais fez. Casos como o de Pato surgem constantemente: Kérlon, o garoto-foca, Robinho, o triatleta, Denílson, o Pelé do Morumbi. Fenômenos da mídia que jamais se confirmaram.

Do outro lado da moeda há Zé Roberto. O hoje craque santista foi sempre tratado como o patinho feio das convocações para a seleção brasileira, por ser considerado defensivo demais. Idiotas da subjetividade. Zé Roberto sempre foi um grande jogador, com extrema habilidade e visão. Foi necessário, já no fim de sua carreira, um técnico que o escalasse ofensivamente para que a mídia e massa percebessem. Como sempre, é tarde demais.

Classificados - Semana 2
Zlatan Lexotan - 24/04

Para quem não presenciou a coluna da última semana, iniciei aqui minha caminhada rumo ao sucessos, títulos, riquezas e fama ao ser escolhido como treinador de uma equipe de futebol contando com a ajuda de mais fiéis leitores, que irão espalhar minhas qualidades dia após dia, tornando-me num enorme sucesso mesmo sem nunca ter pisado em um clube.

Após elucidar rapidamente sobre meu revolucionário esquema tático, no qual juntarei as principais qualidades de Rinus Mitchels e José Mourinho, hoje darei maiores detalhes sobre como funcionaria isso na prática.

O esquema utilizado seria o 4-1-2-3, mas essa numerologia aplica-se somente para critérios de escalação. A defesa seria formada por dois zagueiros fixos e dois laterais de grande mobilidade ofensiva, mas com capacidade defensiva para fechar os espaços quando necessário.

O meio de campo, formado originalmente por 3 atletas, teria na verdade seis quando direcionado ao ataque, já que dois atacantes funcionam como meias de ligação ou médios-ala. O único volante tem como única função marcar, mas seria trabalhado desde a base para dar passes com precisão e ter certa visão de jogo.

A equipe teria quatro meiasem campo, mas dois deles com grande capacidade de finalização e outros dois com grande domínio dos fundamentos e inteligência para os momentos determinados. A depender, eles trocam de posição com freqüência e confundem loucamente a defesa adversária, que tem à sua frente sete jogadores que trocam de posição. No ataque, um matador. Não é necessário grande gabarito técnico, basta ter presença de área, um mínimo de noção com a bola nos pés e ser um finalizador de primeira.

Para atestar que tudo isso não é insanidade, poderia dizer que os dois alas são Lahm e Oddo, Vieira como volante, Gerrard e Deco no meio, Cristiano Ronaldo, Joe Cole e Nistelrooy na frente. Ou seja, é perfeitamente possível.

Na semana que vem seguiremos com nossa saga rumo à conquista do Mundo. Ainda não recebi contatos, o que quer dizer que nossos leitores não andam levando a sério esta história ou são frouxos que não pretendem ajudar.

Classificados
Zlatan Lexotan - 17/04

Vida de colunista é um tanto quanto monótona. Ainda mais quando se é basicamente anônimo e escreve para um site de repercussão inexistente (eu li isso. Vai sair do seu salário - o Editor). Porém, aproveitando uma pequena parcela de leitores ricos, influentes e de grande garbo e elegância, venho por meio deste oferecer meus estimados serviços de treinador.

Sim, você está lendo corretamente: procuro uma oportunidade no concorrido mercado de trabalho de treinadores de futebol e começarei aqui uma jornada rumo às glórias e títulos. Como vou fazer isso? Primeiramente, convencerei meus caros leitores de que tenho a capacidade necessária para alcançar tal objetivo e depois contarei com o bom e velho "telefone sem fio", no qual uma história é repassada de pessoa a pessoa até que todos saibam de tal fato.

Então, quando esta história chegar a seu segundo mês de vida e estiver largamente repassada, a técnica popular de aumentar a história cada vez que é contada me transformará automaticamente no novo Rinus Michels, no José Mourinho brasileiro. Ou seja, ofertas de emprego não me faltarão.

Agora, tratarei de os convencer de que tenho esta real possibilidade de sucesso. Meu estilo de jogo será um misto dos dois técnicos citados acima: a tática flutuante ofensiva de Michels e a preocupação defensiva do português, sem exagerar na adaptação e sem ir muito próximo do estilo exacerbado de cada um. 'Como assim?', pergunta-se nosso leitor. Explico: Michels popularizou o estilo ofensivo ao extremo, enquanto Mourinho defende-se ao ponto de dar sono. Portanto, a união desses dois esquemas traria ao torcedor um estilo atraente e seguro de jogo.

Não revelarei totalmente meus planos de imediato. Aos poucos, desvendarei os planejamentos técnicos, táticos e administrativos de meu futuro clube. Assim, crescerei junto com minha fama e minha popularidade instantânea. Portanto, comece a espalhar desde já esta notícia. Em breve seu clube contará com um genial técnico no comando. Só depende de você.

Acelerando a paixão
Zlatan Lexotan - 03/04

Que tal unir as duas maiores paixões esportivas do mundo? Pois em breve poderemos ver a união de futebol e automobilismo em nossas televisões. Antes que alguém pense sandices como carros correndo atrás de bolas gigantes e as mandando para o gol (temos leitores debilitados mentalmente), explicamos do que se trata esta coluna.

Há algum tempo ouve-se falar timidamernte sobre a Superleague Formula. Porém, pouco destaque se deu até agora e uma pesquisa aprofundada sobre o assunto se torna um grande suplício, poucas informações são localizadas sobre tal competição.

Nesta segunda-feira tivemos a prova concreta de que a Superleague Formula realmente acontecerá: o Milan lançou seu carro em Milão. A competição terá início em 2008, e até o momento Milan, PSV, Olympiakos e Porto já confirmaram suas presenças. Os pilotos serão ainda definidos, e a promessa é de serem escolhidos jovens promissores. Ou seja, o Automobilismo unido ao Futebol só poderia render mesmo isso: possível negociação de jovens talentos com a F1.

A idéia da organização é ter 20 carros representandos por 20 clubes. Inicialmente, nenhum clube terá de contribuir financeiramente. Ou seja, para os clubes é uma "win/win situation", como gostam de descrever os ingleses. Os clubes ganharão com a exposição, e, se der errado, não perderão absolutamente nada. Se der certo, estarão dentro de uma promissora competição que envolverá os amantes do automobilismo e os torcedores de cada clube, ambicionando os milhões oferecidos pelos patrocinadores e transmissão televisiva.

Todos os carros serão iguais em sua mecânica e tecnonolgia, produzidos pela Elan Motorsport Technologies, nos Estados Unidos, e contarão com motores de 750 cavalos e 12 cilindros.

Outras equipes estão em negociação para participar do campeonato, que começaria em 2008. O representante do Brasil poderia ser o Flamengo, mas ainda depende de um acerto com a organização da competição. Clubes como Barcelona, Valencia, Inter de Milão, Lyon e Boca Juniors também negociam sua participação. O objetivo dos organizadores é contar com 20 carros no grid.

"Pesquisas mostram que nosso conceito será apoiado pelos fãs dos dois esportes", disse o espanhol Alex Andreu, um dos idealizadores da nova categoria. "Desenvolvemos um grande pacote de investimentos, que atraiu investidores de todo o mundo. Nossa receita será dividida igualmente com todos os times", prometeu.

E as promessas não param por ai. Cada corrida teria como adicional um competo programa "fora das pistas", com shows e outros itens de entretenimento. Outro ponto é a política "aberto para todos", com os fãs tendo acesso ao paddock e ao dependências de cada escuderia, como os fundos da garagem. 

Voltando aos negócios, a idéia inicial da Superleague Formula é atrair os clubes com uma pomposa premiação de mais de um milhão de euros por grande prêmio. No Sábado, as tradicionais sessões de testes e qualificação. No domingo, duas corridas, uma delas com o grid invertido. Formato muito atraente e fora dos padrões da atual e chata Formula 1.

Combinar dois esportes de grande apelo, tanto de mídia como em termos de fãs, pode ser um grande acerto e uma idéia revolucionária. Para tanto, primeiramente seria necessário aumentar a divulgação (só encontrei maiores inforções no website oficial). Com a competição em curso, os pilotos tem de ser realmente muito bons, já que eles serão o fator que desequilibrarão a igualdade dos monopostos.

Difícil prever o que de fato acontecerá. Como fã das duas modalidades, torço para que dê certo. E muito...

Fã de verdade
Zlatan Lexotan - 27/03

A situação estava tão grave que foi necessária uma reunião de família para resolver a questão. Cláudia estava dois meses de luto após a morte de Frank Sinatra, chorando pelos cantos, usando apenas preto e tudo mais. Reinaldo, seu marido, não tinha mais ânimo para nada diante da humilhação que sua esposa o afligia. Cláudia se desculpou com o marido, mas a paixão por seu ídolo era mais antiga, o que ela podia fazer? Até o final daquele ano, após a reunião familiar , o casamento de Reinaldo e Cláudia, que ainda era recente, parecia caminhar para a normalidade.

Mas a paz de Reinaldo durou pouco. Assistindo televisão como fazia normalmente, Cláudia descobriu sua nova paixão: David Beckham. Ao ver uma matéria sobre o jogador inglês, ela encantou-se imediatamente pelo então atleta do Manchester United. Claudia passou a torcer pelos Red Devils como se fosse seu time desde pequena, comprou camisa do ídolo e chegou até mesmo a cogitar a possibilidade de visitar a Inglaterra, mas Reinaldo alertou a esposa de que a situação financeira do casal não permitiria tal estripulia.

Houve um momento em que a paixão de Cláudia ficou estremecida, logo após o casamento de Beckham com uma das Spice Girls. Por alguns dias, Cláudia andou deprimida novamente, mas rapidamente descobriu o culpado: Reinaldo, logicamente, que a impedira de conhecer o ídolo pessoalmente e encantar o inglês com seu charme brasileiro.

Reinaldo, o marido constantemente humilhado, já estava debandando para o álcool quando Claudia o brindou com uma bela novidade: estava grávida. A felicidade foi geral, já que eles encontravam problemas para ter seu primeiro filho. Dali para frente era Beckham todo dia, nem que fosse em vídeo tape.

Após nove meses de David Beckham em doses cada vez maiores, chegou o esperado dia do nascimento. O médico encarregado do parto anunciou:
- Menina!!
Foi muito chato. Era a cara do David Beckham.

Proibido criticar
Zlatan Lexotan - 21/03

O mundo esportivo brasileiro é cheio de manias seculares, e isso já foi comentado neste espaço por diversas vezes. Porém, existe uma nova moda entre torcedores e jornalistas que me causa a mais profunda incompreensão: o veto às críticas sobre desempenho abaixo do esperado de determinado clube ou jogador.

De um lado, há o mais absurdo exagero no momento de tecer elogios, enquanto de outro existe uma proibição ao comentário construtivo. Jogadores tornam-se mitos com apelidos memoráveis, como "O Príncipe", "Imperador", "Fenômeno", "Rei das Pedaladas", "Túlio Maravilha" e "Zidanilo", para citar só os mais famosos casos.

Basta um jogador ter uma atuação boa ou despontar como um provável talento que ninguém raciocina e logo, sem titubear, passa a rotular estes jogadores como "Novos Pelés/Maradonas/Zidanes". Outros, com um nome mais estabelecido na mídia, passam a ser melhores do que Maradona ou Pelé.

Cria-se um "auê" tão grande em torno destes jogadores que, quando eles tropeçam, a imprensa faz de conta que não vê. Idolatra de tal forma para vender suas transmissões e acaba por perder o senso crítico, a idoneidade. Deixa de ser jornalismo esportivo para ser fã clube ou compra de audiência, basicamente. "Veja o 'Malabarista da Bola' e concorra a um sensacional videogame", é o slogan hoje das transmissões de futebol.

Criticar passou a ser cornetagem, como costuma-se dizer com frequência, inclusive, por jornalistas durante transmissões. Exemplos não faltam, mas os jogadores brasileiros são os casos mais claros. Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Adriano não jogam nada há muito tempo, e no caso dos dois primeiros, de fato nunca jogaram. Porém, a imprensa ufanista ignora os fatos e, na clara tentativa de manipulação da massa, traz aos telespectadores apenas o que lhes convém.

Adriano envolve-se em mais confusão, não era nem relacionado para as últimas partidas da Inter, mas basta duas jogadas diante do GIGANTE Ascoli para Adriano ter ressurgido das cinzas e voltar a ser considerado como o jogador mais importante do clube italiano. Robinho passa meses sem fazer nada, e basta um goL, diante do GIGANTE Gimnàstic para ser aclamado novamente como a salvação do futebol alegre brasileiro.

Ronaldinho Gaúcho é um caso mais complicado. Indiscutivelmente, é um jogador que falha nos momentos decisivos e destaca-se apenas contra times inexpressivos ou cuja marcação é vacilante. Porém, ignora-se suas atitudes violentas e desagregadoras no elenco por um chapéu que ele dá num GIGANTE zagueiro do Osasuna. "Olha lá o Showman", costumam dizer. Engraçado lembrar é que os três não jogam nada há muito tempo, passaram por grandes problemas em seus clubes, mas são isentos pela imprensa brasileira. Para Ronaldinho, usam a desculpa de que ele não teve descanso por conta da Copa do Mundo. Ora, Cristiano Ronaldo também estava no Mundial e nem por isso se arrasta em campo, muito pelo contrário.

Já para Adriano e Robinho, é culpa do treinador que não gosta de brasileiros ou usa um esquema de jogo que ignora as melhores características dos novos baluartes do futebol arte.

Alguém precisa lembrar a jornalistas que o politicamente correto se aplica também a críticas construtivas, afinal, está muito longe de ser correto fazer o admirador do esporte de trouxa com afirmações que fogem da realidade. Para comentar, analisar, escrever, tem de se esquecer nacionalidade, clubistíca ou paixonite por jogador x ou y.

Se tecer críticas construtivas for um crime, este site terá todos seus integrantes na cadeira elétrica.

Não é nada pessoal. São apenas negócios.
Zlatan Lexotan - 13/03

Amigos amigos, negócios à parte. Até mesmo um ditado popular de séculos e séculos atrás deixa explícito que os negócios tem importância muito superior a outras questões, até mesmo a tão valorizada e difícil amizade. No mundo atual, onde a corrida desenfreada pelo lucro está em seu ápice histórico e as pessoas são classificadas de acordo com seus bens e contas bancárias, os negócios estão no centro do universo.

Por muito tempo, o esporte parecia alheio a este panorama. Priorizava-se, em primeiro lugar, a conquista de títulos. Porém, nos últimos anos, com a ligação de empresas aos clubes e empresários do ramo administrativo integrando a diretoria, os clubes passaram a enxergar o esporte, em primeiro lugar, como oportunidade de lucros, cifras e mais cifras.

A Premier League e a Liga dos Campeões foram os mais famosos precursores da modalidade em solo europeu. Com a intenção de aumentar a visibilidade de sua competição e dos clubes envolvidos, a FA e a UEFA buscaram grandes patrocínios e recebem fortunas em cotas de transmissão televisiva, para ser simplório na explicação. A lógica deste pensamento é um tanto quanto óbvia: utilizar a paixão dos torcedores e popularidade dos clubes para obter maiores receitas e, conseqüentemente, fortalecer a competição e os clubes com maiores premiações. Quanto maiores as premiações, mais os participantes se reforçam e aumentam o interesse do público pelos torneios em questão.

O modelo acima descrito é capital e comercialmente ideal. Muito dinheiro, crescimento e domínio local e global de sua marca. Mas nem sempre é assim. Muitos, com uma visão limitada em termos de negócios, acabam atropelando-se na busca ensandecida por receitas sem pensar nas conseqüências. Não há de causar nenhuma surpresa o maior exemplo deste caso de má visão empreendedora que descrevemos: o Real Madrid.

Tudo começou no longínquo ano 2000, quando Florentino Pérez assumiu a presidência do clube Merengue. Na época, Pérez encontrou um clube afundado em dívidas, mas com bons resultados dentro de campo. Em sua cabeça, havia um plano de fazer uma versão espanhola do Manchester United: administração com pensamento financeiro e marketing apurado. Para concretizar seu plano, Pérez vendeu o complexo esportivo no Paseo de la Castellana. Com a fortuna recebida, quitou as dívidas, iniciou as construções da Ciudad Deportiva, e, principalmente, iniciou as contratações de uma estrela por temporada: Figo, Zidane, Ronaldo, Beckham, Owen.

O problema é que o marketing, que seria um meio, se transformou em um fim em si próprio. Alimentar a aura de “galácticos” passou a ser tão importante que Pérez se afundou nessa política, criando um modelo difícil de mudar, pois toda a área gerencial do Real Madrid se moldara a isso.

Fora de campo, os planos de Pérez caminhavam bem, a exposição de suas estrelas gerava aos cofres madrileños uma boa quantia de euros. Porém, com uma equipe claudicante dentro de campo, a busca passou de uma política lucrativa a um tormento aos torcedores em questão de duas temporadas.

Ou seja, nem sempre os negócios por si resolvem a questão de um clube. Sem os títulos ou a evolução, torna-se impossível a seqüência do pensamento mercadológico. Para os negócios darem efetivamente certo, é necessário o respaldo de um personagem central, mas muitas vezes esquecido: o torcedor. Afinal, na pirâmide do clube, quem está na base são os torcedores, os apaixonados.

O ditado, de tão antigo, não compreende o mundo futebolístico. Para ter um equilíbrio entre finanças e títulos, os amigos (no caso os torcedores) são mais do que necessários neste mundo particular de negócios. São fundamentais.

Fidelidade à toda prova
Zlatan Lexotan - 06/03

Neste último final de semana, o futebol europeu presenciou mais uma bela marca alcançada por um jogador. Desta vez, o galês Ryan Giggs foi o protagonista de um grande feito: 700 jogos com a camisa do Manchester United.

No futebol atual, poucos jogadores tem seu nome relacionado à fidelidade e longevidade. Giggs é acompanhado de Paul Scholes no Manchester United, segundo e oitavo colocados, respectivamente, na lista de jogadores com maior número de participações na história do clube.

Nos últimos dez anos, casos como de Scholes e Giggs, de jogadores que iniciam sua carreira em um clube e mantém fiel a ele, foram mais frequentes no futebol italiano. Por se tratar de um campeonato importador de talentos, os melhores jogadores do país seguiam em apenas um clube, como nos casos de Maldini, Baresi, Del Piero e Totti, por exemplo, jogadores que declararam seu amor ao clube e juraram fidelidade a ele.

Em outras localidades, esta história dificilmente é repetida. O futebol italiano dá muito espaço ao veterano por seu estilo, e ele pode ser mantido até o final de sua carreira. Em outros centros, onde esta cultura não é tão freqüente, os jogadores acabam trocando de clube no momento final de sua trajetória. Rara exceção é Raúl, há dez anos no elenco titular do Real Madrid.

Por outro lado, há jogadores que parecem ignorar a aproximação com um clube e seu torcedor. Ignorando os jogadores de menor expressão, que são negociados com espantosa regularidade, o caso mais famoso de jogador que pla de galho em galho é o de Christian Vieri.

Vamos fazer a conta: Prato (89/90), Torino (90/92), Pisa (93/93), Ravenna (93/94), Venezia (94/95), Atalanta (95/96), Juventus (96/97), Atlético Madrid (97/98), Lazio (98/99), Internazionale (99/05), Milan (05/05), Monaco (06/06) e Atalanta (06/07). Ou seja, em dezoito temporadas como profissional, Vieri trocou de clube treze vezes!!! Exceção ao período em que defendeu a Internazionale e o Torino no início de sua carreira, Vieri permaneceu um ano ou menos nos demais clubes.
 
Num esporte (e no mundo) onde a identificação com clube e torcedor são cada vez mais raros, feitos como o de Giggs inspiram aqueles que acreditam que o futebol ainda pode carregar elementos de paixão para os jogadores em relação ao clube no qual atuam.

Nisso não há nenhum saudosismo ou desejo de que os times se mantenham sem alteração por várias temporadas. Mas se até mesmo onde o poder financeiro é alto, como o futebol europeu, difícil imaginar que veremos mais jogadores marcando seu nome na eternidade de um clube e um clube na eternidade de sua carreira.

Tudo aberto. Ou quase isso.
Zlatan Lexotan - 27/02

Na semana passada, tivemos o retorno da Liga dos Campeões. Foram disputadas as partidas de ida das Oitavas de Final da competição, e antes de prosseguirmos é prudente e necessário lembrar dos resultados: na terça-feira, o PSV derrotou o Arsenal por 1 a 0, o Lille foi derrotado pelo Manchester United por 1 a 0, o Real Madrid bateu o Bayern Munique por 3 a 2 e Milan e Celtic ficaram num empate sem gols; na quarta, Porto e Chelsea empataram em 1 a 1, Inter e Valencia empataram em 2 a 2, o Barcelona perdeu para o Liverpool por 2 a 1 e Roma e Lyon empataram sem alteração no placar inicial.

Ao observar os placares acima mencionados, podemos tirar duas conclusões: a primeira é a de que nenhum dos times que aturam como visitantes precisarão de muito esforço para se classificar quando jogarem em casa, na próxima semana. O Arsnal, derrotado na Holanda sem marcar gols, é o que precisará demonstrar um pouco mais de futebol, já que necessita de dois gols para garantir a vaga. Outro, como o Liverpool, pode se dar até mesmo o luxo de perder por 1 a 0 em Anfield que segue na competição.

A outra conclusão que pode-se observar é o frato de, até o momento, nenhum time ter alcançado ao posto de "grande favorito". O Barcelona, queridinho da mídia, segue em fase complicada e viu sua situação se tornar delicada com uma derrota em casa diante do Liverpool, que tem uma equipe com limitações mas com uma alma copeira. Real Madrid e Bayern Munique seriam grandes favoritos há algumas temporadas, mas hoje disputam quem lançará quem na mais profunda crise. Inter e Manchester United ainda não chegaram a convencer na Liga dos Campeões, apesar do forte domínio em suas ligas nacionais. Chelsea, Milan e Lyon são equipes que parecem estarem fora de cogitação pelo momento ruim que vivem.

Na última temporada que houve um cenário deste tipo, a final acabou sendo entre Porto e Monaco. Será que poderemos ver um sensacional confronto entre Lille e Celtic nesta temporada? Difícil de acreditar...

O mais provável é que algumas das chamadas "equipes de peso" acerte-se nos próximos meses e alcance melhores resultados na UCL. Resta agora no ar a pergunta: Quem???

Esperança de dias melhores
Zlatan Lexotan - 21/02

Talvez você não saiba, principalmente se for um habitante de Marte, mas meu time é o Milan. Sou Milan em Moscou, sou Milan em Madrid, sou Milan em Atenas, Sou Milan em Hong Kong, sou Milan do Oiapoque ao Chuí!

Sou atraído pela força deste time por mais de uma década, quando me apaixonei assistindo ao Milan campeão italiano em 1996. Antes disso, era torcedor de um clube local de nenhuma expressão internacional, mas não passava de uma ilusão. Era apenas um namoro de verão, daqueles que não deixam lembranças. Em 1996 conheci meu verdadeiro amor. Mas isso não vem ao caso.

A contratação de Ronaldo foi encarada por quase todos com desconfiança. A exceção eram os ufanistas, que encarnam o “jeito Zagallo de ser”, como definiu bem nosso patrão. Em uma coluna anterior, descrevi sobre todas as possibilidades que Ronaldo poderia vivenciar em sua passagem no mais tradicional rubro-negro do Planeta, mas esqueci-me de fazer uma outra versão: o que poderia acontecer ao Milan com a chegada de Ronaldo.

E, no final de semana, Ronaldo fez sua primeira aparição como titular da equipe comandada por Carlo Ancelotti. Sua estréia, uma semana antes, havia sido promissora pela movimentação e aparente motivação. Neste sábado, contra o pequeno e retrancado Siena, Ronaldo teve uma atuação destacada, marcando dois gols e ainda dando passe para um terceiro tento. Porém, foi interessante observar a reação do Milan após Ronaldo ter aberto o placar aos quinze minutos.

A equipe multicampeã de temporadas atrás tinha como ponto de referência um atacante fixo, mas de muita movimentação, como era Shevchenko. Inzaghi ou outro qualquer ocupava um espaço dentro da área e guardava para si um elemento da zaga adversária. Assim, Sheva ajudava na criação e abria espaços com sua movimentação, marcando gols e possibilitando outros tantos por seu estilo de jogo. Com sua saída, o Milan buscava em vão por alguém que carregasse esta responsabilidade. Gilardino e Inzaghi eram apenas um dos outros qualquer que acompanhavam o ucraniano e não tinham o talento necessário para desequilibrar um encontro. Ricardo Oliveira é uma anomalia que não merecer nem ser comentada.

Sem encontrar alguém para participar do jogo ofensivo, o Milan adoeceu, como um apaixonado com saudades daquele tempo em que todos eram felizes. Kaká e Pirlo se apagaram, pois haviam perdido aquele que fazia suas qualidades surgirem: as tabelas e os lançamentos.

Quando Ronaldo cabeceou para as redes um sensacional passe de Pirlo aos quinze minutos, os olhos dos jogadores brilharam como uma criança que vê consertado aquele brinquedo que estava quebrado: “nós temos nossa referência novamente”. Os meio campistas passaram a se esforçar mais e lutaram incansavelmente. Pirlo passou a gerir mais o jogo com sua habitual técnica e visão. Kaká passou a ser aquele Kaká de outrora, quando encantou o calcio com arrancadas e tabelas, com jogadas de inteligência.

Porém, a defesa pregou os sustos de sempre. Cafu, Bonera, Kaladze e Jankulovski não são jogadores para compor aquela defesa de aço de duas temporadas atrás. Com o avanço constante dos dois alas, os volantes ficam sobrecarregados por terem de cobrir todos ao mesmo tempo, e os espaços surgem com mais facilidade. Como Jankulovski não é um grande marcador e Cafu hoje é apenas uma camisa com um grande nome do passado, a defesa fica exposta e não há nenhum Nesta ou Maldini.

Caberá agora à comissão técnica rossoneri encontrar formas de corrigir os sérios problemas defensivos. Caso contrário, teremos de passar pelas fortes emoções semanalmente de marcar 4 gols, mas sofrer 3.

Caso tudo caminhe como se desenhe, com o entrosamento e o ressurgimento de Ronaldo, o Milan passa a ser desde já um grande nome para a próxima temporada, uma vez que a atual já foi para o vinagre. Particularmente, não acreditava que o Milan estivesse acertando ao contratar o “ex-galáctico”. Colunista erra. E em casos como este fico feliz.

Violência demais, futebol de menos
Zlatan Lexotan - 06/02

A Itália foi campeã Mundial há sete meses, mas a atual temporada deverá ser esquecida tão logo a Inter conquiste o scudetto. A violência nos calcio é um problema crescente que até esta semana era desconhecido no Brasil.

As torcidas italianas em geral não são conhecidas por sua classe, educação e elegância. Torcidas de Roma, Lazio e boa parte dos times pequenos são terríveis, algo difícil de comparar com o futebol brasileiro, onde os maiores times tem as piores torcidas.

Há alguns dias atrás, o Ministério do Interior italiano publicou estudo que revelou que o público nos estádios sofreu um grande declício na atual temporada e a violência subiu consideravelmente. Antes que pense que a queda de público se dá pela ausência da poderosa Juventus, vale lembrar que raras vezes o Delle Alpi tem um grande público.

Um fator que incrementou o número de confrontos de risco foi a presença do microscópico Catania. Mesmo com um time que está muito mais acostumado às divisões inferiores, o Catania tem uma torcida terrível, notória por depredar trens, fazer emboscadas para torcedores rivais e, é claro, fechar o pau dentro do estádio.

Foi em seu estádio, na última sexta-feira, que ocorreu o caso mais absurdo desta temporada no calcio (o segundo iremos contar mais abaixo), quando sob circunstâncias ainda não muito claras, houve um grande enfrentamento que culminou com a morte de um policial.

O confronto se deu lado de fora do estádio onde se enfrentavam Catania e Palermo, no clássico da Sicília. Os torcedores do Palermo chegaram atrasados ao estádio, provavelmente por traçar uma rota segura alternativa, e teve sua entrada impedida pela polícia. A confusão teve início, e tão logo os torcedores do Catania perceberam, pediram permissão para participar. A polícia tentou conter a multidão com gás lacrimogênio, e uma nuvem chegou a cobrir o gramado interrompendo a partida, vencida pelo Palermo por 2 a 1 com dois gols irregulares (um em impedimento e outro utilizando a mão).

No meio da confusão, que teve bombas, pedras e todos os artefatos imagináveis e possíveis, um policial acabou por perder sua vida, que causou o cancelamento da rodada em toda a Itália.

Uma semana antes, o futebol na Bota viu um episódio ainda mais lamentável, que teve final tão trágico quanto o narrado acima. Em campeonato semiprofissional, da terceira categoria, enfrentavam-se Sanmartinese e Cancellese. Então, durante uma confusão generalizada no gramado, o dirigente do time visitante Ermano Licursi entrou no campo, tomou um violento golpe no rosto, teve um ataque cardíaco minutos depois e morreu.

Testemunhas do fato disseram que ele teria sido atingido por um dos jogadores da Cancellese (que foram posteriormente interrogados), mas até o momento nada foi concluído. A questão prática é: por causa de uma partida de futebol em um campeonato ridiculamente irrelevante, uma pessoa morreu, e de uma maneira que faz a palavra "fútil" ganhar novas conotações.

Incertezas e Dúvidas
Zlatan Lexotan - 31/01

Após quase um mês de especulações, a novela Real Madrid - Ronaldo - Milan chegou ao seu final. Nesta terça-feira o Milan chegou a um acordo com o clube espanhol para contar com o atacante brasileiro, pagando sete milhões e meio de euros mais o empréstimo de Ricardo Oliveira pelos próximos seis meses. ele usará a camisa de número 99, uma vez que Inzaghi tem posse da camisa 9.

A princípio, Ronaldo terá de entrar em forma para entrar nos gramados, uma vez que não vinha sendo utilizado no clube Merengue, já que era considerado membro negativo no elenco. Caso isso ocorra e ele entre em forma, não poderá entrar em campo na atual edição da Liga dos Campeões. Dentro deste cenário atual, a contratação de Ronaldo tem muitos significados e possibilidades. Vamos a elas:

Ronaldo em forma, bola na rede
Caso Ronaldo realmente entre em forma, poderá ser um bom nome na recuperação rossoneri na atual Série A, na luta por uma vaga na próxima Liga dos Campeões. Com um ataque limitado, com apenas Inzaghi, Gilardino e Ronaldo como opções, sendo que apenas os dois poderão atuar na LC, Ronaldo poderá se focar nas partidas locais e marcar gols importantes.

Ronaldo em forma e motivado, caos total para os adversários
Caso o atacante chegue ao Milan determinado a mais uma vez ressurgir dos mortos, o Milan concorre fortemente a uma vaga na Liga dos Campeões da próxima temporada e enche de moral uma equipe que parece vagar há duas temporadas pelo vale dos zumbis.

Fatos que comprovam esta tese: Ronaldo é tratado como mercenário, mas recusou ofertas financeiras melhores para ir para Milão: uma proposta de um clube árabe que lhe tornaria o futebolista com o mais alto salário do Mundo e outra de jogar no time de Nova York não seria muito menor e lá ele abriria um mercado para a sua marca que o levaria para um outro nível de faturamento. Dentre as opções, escolheu a mais difícil de todas, atuando na mais difícil disputa para os atacantes em solo europeu.

Ronaldo em forma, mas nem tanto
Ronaldo recupera-se, marca gols e logo dá pinta de ser novamente aquele jogador dos velhos tempos, como aconteceu no Real Madrid. Mas, com o tempo e seu nome ficado novamente na mídia, Ronaldo voltaria a viver em evidência e longe dos gramados, como costuma fazer.

Ronaldo fora de forma, caos para o Milan
O investimento financeiro efetuado pelo Milan foi relativamente baixo, afinal, gastou 7,5 milhões em um atleta que já custou 45 milhões. Porém, um retumbante fracasso do brasileiro deixaria ainda mais marcada uma equipe que vem na descendente e se afundaria ainda mais. Caso Ronaldo confirme em Milão a fama que obteve na Espanha, ganhará mais alguns milhões antes de se transferir para um clube alternativo por uma porção significativa de euros em seu bolso.

Finalizando, Ronaldo nunca pareceu ser burro. Longe disso. Aliás, depois de sua contusão terrível na Inter, ele se reergueu com um comportamento público muito mais frio e racional, não raro arrogante. Esse Ronaldo dificilmente combina com alguém que toparia uma aposta arriscadíssima se não tivesse certeza de ter condições físicas e psicológicas para tanto.

E é exatamente na questão psicológica que parecem estar as menores dúvidas. Nos últimos quatro anos, Ronaldo venceu um título espanhol. No mais, foi chamado de gordo, mulherengo, preguiçoso, acabado, refugo, velho e vários outros termos impublicáveis. Não é difícil de imaginar que sua cabeça esteja vigorosamente voltada em buscar vingança.

Ao contrário de Vieri ou Batistuta, ou outros jogadores que desapareceram rapidamente quando pareciam estar no auge, Ronaldo ainda tem o que provar – mas desta vez para si mesmo. Se ele encerrar sua carreira amanhã cedo, já terá sido um dos maiores atacantes de todos os tempos. Para ele, no entanto, ainda existem quatro anos de críticas e observações maldosas a serem vingadas. Será que ele consegue? Essa resposta só virá com o tempo, mas é bom não esquecer que ele já ressuscitou uma vez, quando todo mundo – como agora – o dava como carta fora do baralho.

Insanidades cotidianas
Zlatan Lexotan - 24/01

A história é sempre a mesma. Sempre que alguém me faz a fatídica pergunta, temos uma sequência de eventos que parecem ser combinados mundialmente. Esta semana mudei de emprego e a tal cena se repete diariamente quando o assunto desemboca em futebol, mulher, carros ou qualquer outra coisa:

- Então, que time você torce?
- Eu torço pro Milan.
- Milan? Aquele da Inglaterra? (Gargalhadas)
- Não, o da Itália mesmo.
- Sei sei. E não torce para nenhum time daqui?
- Não, eu torço para o Milan, como eu disse quando você me perguntou.
- Entendi. Mas e o Curintía hein?

Triste. No começo eu ficava um tanto quanto irritado, mas com o tempo passei a contribuir para esses diálogos pitorescos e comprovava como o povo domina com propriedade o futebol europeu em geral.

- E seu time, como vai?
- Não vai muito bem não, está em fase complicada. Começou o campeonato com uma pontuação negativa.
- Vishe, mas porque?
- Não ficou sabendo? O Dida tomou gol de um gândula, pendurou o rapaz na trave pelo saco e rolou uma grande bagunça, deu tribunal e tudo mais.
- Sei! Eu li isso num jornal.
- Pois é. Pelo menos vão trazer o Ronaldo para fazer dupla com o Adriano. Falaram em contratar o Romário, mas a FIFA vetou.
- O Adriano está bem né, voltando a fazer gol...
- Pois é, agora com o Ronaldo do lado dá para ser campeão da Libertadores no ano que vem...
- Libertadores?
- Não ficou sabendo? Se ficar em terceiro no Italiano ganha vaga na Libertadores. O quarto garante na Sulamericana.
- Ah é, eu lembro disso. Teve um que disputou esse ano né?
- Teve sim, o Bologna. Mas usou outro nome, Corognel Bolognesi se não me engano.

Coisas piores sempre acontecem. Enquanto alguns discutem fervorosamente sobre quem é melhor, Marinho ou Fabão, apenas escuto. Quando me perguntam algo como "O Fabão não tinha espaço no seu time não?", tenho apenas vontade de ser mudo, explodir ou coisa do genêro.

Enquanto isso, meu time se limita a contratar Massimo Oddo, um bom jogador, mas apenas um em um cenário gigantesco. Ronaldo? Pelamordedeus, prefiro que contratem o Iaquinta, Caracciolo, até o Gudjohnsen servia...

Hora de decidir
Zlatan Lexotan - 16/01

Para as potências européias, chegar à fase de oitavas-de-final da LC não é mais que uma obrigação. Passar por ela depende de competência e, também, de sorte – um oponente não muito complicado facilita muito o caminho rumo às quartas. Por isso, quando os sorteios das oitavas provocam as chamadas "finais antecipadas", o receio e a expectativa sobem à estratosfera. Nas oitavas da LC 2004/5, ocorreram quatro "decisões precoces" (e o campeão, Liverpool, não estava em nenhuma delas). Na temporada 2005/6, três duelos desse porte agitaram o mês de fevereiro; um deles foi Barcelona x Chelsea, que já havia estremecido a Europa no ano anterior.

Na atual LC, caiu para dois o número de embates de gigantes nas oitavas: São eles Barcelona x Liverpool, choque entre os dois últimos vencedores da competição, e Real Madrid x Bayern de Munique. A tendência, portanto, é que grandes forças do continente se mantenham por mais tempo vivas na competição. O Chelsea, por exemplo, vai se deparar com o Porto, ex-clube de José Mourinho, e só uma hecatombe pode abreviar a trajetória dos londrinos. O Manchester United tem a chance de se vingar do Lille, o pequeno algoz da temporada passada.

Até o Milan, apesar da fase tétrica, tem plenas condições de avançar às quartas – a recuperação de alguns importantes jogadores lesionados e a pavorosa performance do Celtic, adversário das oitavas, em partidas em fora de casa pela LC (onze derrotas e um empate em doze jogos), credenciam o rubro-negro de Milão a pensar, sim, em atingir a fase seguinte.

Os outros emparelhamentos são PSV x Arsenal, Internazionale x Valencia e Roma x Lyon. Dentre os oito confrontos das oitavas da atual LC, apenas o que reúne os times de Totti e Juninho Pernambucano é inédito na história da LC. Todos os outros aconteceram pela última (ou primeira) vez em edições bem recentes – Lille x Manchester em 2005/6, Porto x Chelsea, PSV x Arsenal, Inter x Valencia e Celtic x Milan em 2004/5, Real Madrid x Bayern em 2003/4, e Barcelona x Liverpool em 2001/2.

Na década passada, o advento do sistema de grupos, o aumento no número de participantes e a solidificação da hegemonia dos clubes mais ricos acabaram tornando os clássicos continentais muito mais freqüentes do que em outras épocas. Juventus x Bayern é o melhor exemplo disso: conservou sua "virgindade" até 2004/5, mas levou apenas mais uma temporada para rodar uma reprise.

A tática é a grande problemática
Zlatan Lexotan - 10/01

O mundo futebolístico é recheado de lemas, tradições e etc. Diarimente, quando entramos em contato com o esporte pelos mais variados meios, ouvimos uma porção de bordões que estamos acostumados e mais uma dezena que são criados a bel prazer.

Muitas vezes, estes ditos são verdadeiros. Muitas outras, não passa de mera loucura ou uma procura desesperada por audiência, uma carência sem fim por atenção. Algum tipo de frustração familiar, vá saber.

Temos muitos exemplos: todo início de campeonato as conclusões mais precipitadas são criadas, fala-se que fulano é um gênio, tal time vai ser campeão e no final das contas não se ouve falar do tal craque e o time em questão luta para não cair. Poderia descrever casos e casos, mas deixarei esta tarefa para sua imaginação e conhecimento.

Um destes dilemas que mais me incomoda se refere aos esquemas táticos. O primeiro tema que deixa o conhecedor do esporte irritado é a mania dos comentaristas e narradores em afirmar que os times e jogadores sulamericanos não levam a sério a tática imposta, enquanto o europeu é um cordeirinho que jamais sai do seu script. Pois então vem a pergunta: será que ninguém assistiu a partida entre Barcelona e Internacional?

No jogo em questão, o Inter passou os noventa minutos jogando de acordo com o que foi pedido, de forma devota e irrepreensível. O Barcelona e seus atletas tentaram por diversas vezes sair do normal e buscar outras alternativas, como inversão de posição e atletas fora de seu posicionamento original, mas em vão.

Logo em seguida temos a famosa perseguição aos jogadores defensivos do meio de campo, os volantes. Sempre que uma equipe está em desvantagem no placar, surge a brilhante idéia do comentarista: tire um volante e coloque em campo um meia ou um atacante. E ignora-se o fato de que a equipe em questão perde toda sua combatitividade, não marca mais ninguém e perde as oportunidades de um contra-ataque com uma bola roubada justamente pelo "cabeça de bagre" em questão.

Para finalizar a aversão dos comentaristas ao esquema tático, é fácil notar que quase nenhum deles consegue identificar como joga um time dentro de campo. Pega-se a escalação, despeja-se os atletas em suas determinadas posições e pronto. As variações durante os noventa minutos, porém, são totalmente ignoradas e o trabalho do treinador passa totalmente desapercebido.

Outra: a lenda dos três zagueiros. Os técnicos que adotam o esquema dos três defensores centrais são pessoas frustradas que odeiam o futebol e querem despejar sua indignação contra o futebol arte. Claro, deixa-se de lado o fato de ter laterais que não sabem marcar e que preferem gastar suas energias com jogadas ofensivas.

O mundo do futebol é realmente muito engraçado e cheio de peculiaridades. Mas tem algumas que enchem o saco...