ZLATAN LEXOTAN - ARQUIVOS 2006

Sem essa de regional!
Zlatan Lexotan - 19/12

Acabaram de vez as piadas. Desde que Renato Gaúcho levou o Grêmio ao título Mundial em 1983, em final disputada diante do Hamburgo, que os torcedores colorados tinham de conviver com os gracejos dos adversários: Interegional. Enquanto o Grêmio conquistava o Mundo, o Inter vivia na ressaca dos anos dourados, de Falcão e cia.

A temporada passada, quando o Inter brigou rodada a rodada pelo título Brasileiro contra o Corinthians, campeonato que acabou decidido a favor dos paulistas de forma no mínimo sombria, o Inter garantiu vaga na Libertadores deste ano, na qual entrou sem grandes alardes.

Afinal, na competição estava o São Paulo, queridinho de impresa e críticas, mas que não passava de uma equipe cujo principal destaque é um goleiro duvidoso que bate faltas. E, para a grande final do torneio, encontrariam-se justamente Internacional e São Paulo.

Na primeira partida, disputada em Porto Alegre, os Colorados venceram os tricolores por 2 a 1. Na volta, no Morumbi, 2 a 2 no placar e festa do título para a equipe de Fernandão, Rafael Sóbis, Tinga e compania.

Após a conquista Continental, a equipe perdeu alguns de seus principais jogadores, como Sóbis, Tinga, Bolívar e Jorge Wagner. Mesmo classificado para a disputa do Mundial de Clubes, seguiu lutando no Campeonato Brasileiro e mais uma vez conquistou o segundo posto.

Porém, os jogadores que deixaram a equipe contribuíram para que o nível técnico dos comandados de Abel Braga caísse consideralvemente, e, consequentemente, colocou o Internacional como uma equipe com poucas chances de vencer no Japão.

A estréia diante dos egípcios do Al Ahly foi tensa. Enquanto todos colocavam o Inter como franco favorito, o que se viu em campo foi um time africano muito aplicado com a posse de bola, tocando em velocidade e com poucos erros. A festa criada em tornodo jovem Alexandre Pato, de apenas 17 anos, mostrou-se precipitada. Sem condições físicas e sem nenhuma experiência, o jovem conseguiu marcar um gol num lance de sorte e mostrou habilidade num lance com o ombro, e nada mais.

A partida acabou em 2 a 1 a favor dos brasileiros, com o gol dos africanos acontecendo em uma pane defensiva e num erro de Clemer. No dia seguinte, o Barcelona enfentou os mexicanos do América e venceu sem dificuldades por 4 a 0. Sem dificuldades, diga-se de passagem, graças aos mexicanos, que entraram em campo sem intenção de marcar e pensando em jogar de igual para igual.

Na final, Inter e Barcelona se encontrariam. Enquanto todos claramente destinavam os votos de favorito aos catalães, os jogadores do Barça empurravam para o adversário. Seria um mal presságio?

O confronto deste domingo foi de poucas chances de gol. Na primeira etapa, apenas um lance de destaque, num chute de Iniesta que Clemer quase entregou. Na etapa final, o Barcelona ensaiou uma pressão, mas sem qualidade e criatividade para superar a boa marcação e a atuação inspirada dos zagueiros colorados.

O gol no final, marcado através de um contra-ataque puxado pelo sensacional Iarley, setenciou o destino da taça: o Beira Rio. O título traz novamente uma lição que vimos frequentemente este ano, mas poucos parecem ter assimilado: de nada adianta entrar no gramado acreditando que a qualquer momento a habilidade individual vai decidir o encontro.

No final das contas, leva o troféu quem aplica-se melhor taticamente, quem sabe anular os pontos fortes do adversário e aproveitar os pontos fracos. O talento individual resolve quando há no gramado uma equipe coesa e ciente da função, da missão dentro das quatro linhas.

Assim foi o Internacional neste ano. Soube aproveitar, com uma visão de jogo privilegiada, as chances criadas diante de adversários que eram, teoricamente, superiores. E, ao final do ano, podemos descobrir que na verdade quem foi superior foi o Internacional. Mais internacional do que nunca...

E lá vem o mata-mata
Zlatan Lexotan - 12/12

Terminada a fase de Grupos da Liga dos Campeões, terá início no final de fevereiro os confrontos das oitavas-de-final, quando veremos as dezesseis principais equipes do continente enfrentando-se para descobrirmos quem é o melhor clube do Velho Mundo.

Chelsea, Barcelona, Bayern Munique, Internazionale, Liverpool, PSV, Valencia, Roma, Lyon, Real Madrid, Manchester United, Celtic, Arsenal, Proto, Milan e Lille estão entre os sobreviventes, clubes que estarão no sorteio desta sexta-feira, que definirá os confrontos das oitavas.

O sorteio é dirigido, obedecendo as seguintes regras: um primeiro colocado enfrenta um segundo, desde que não seja do mesmo grupo ou do mesmo país. Alguns times, segundo essas regras, terão vida difícil. Os quatro clubes ingleses, que terminaram em primeiro em sua chaves, são os que tem mais possibilidades: sete adversários, ou seja, todos os segundos excluindo os de suas chaves.

Confira abaixo quais são os possíveis adversários de cada agremiação no sorteio desta sexta-feira:

Chelsea - Inter, PSV, Roma, Porto, Real Madrid, Celtic, Lille
Bayern Munique - Barcelona, PSV, Roma, Porto, Real Madrid, Celtic, Lille
Liverpool - Barcelona, Inter, Roma, Porto, Real Madrid, Celtic, Lille
Valencia - Inter, PSV, Porto, Celtic, Lille
Arsenal - Barcelona, Inter, PSV, Roma, Real Madrid, Celtic, Lille
Lyon - Barcelona, Inter, PSV, Roma, Porto, Celtic
Manchester United - Barcelona, Inter, PSV, Roma, Porto, Real Madrid, Lille
Milan - Barcelona, PSV, Porto, Real Madrid, Celtic
Barcelona - Bayern, Liverpool, Arsenal, Lyon, Manchester United, Milan
Inter - Chelsea, Liverpool, Valencia, Arsenal, Lyon, Manchester United
PSV - Chelsea, Bayern, Valencia, Arsenal, Lyon, Manchester United, Milan
Roma - Chelsea, Bayern, Liverpool, Arsenal, Lyon, Manchester United
Porto - Chelsea, Bayern, Liverpool, Valencia, Lyon, Manchester United, Milan
Real Madrid - Chelsea, Bayern, Liverpool, Arsenal, Manchester United, Milan
Celtic - Chelsea, Bayern, Liverpool, Valencia, Arsenal, Lyon, Milan
Lille - Chelsea, Bayern, Liverpool, Valencia, Arsenal, Manchester United

Ao observar as situações acima, podemos afirmar que seguramente teremos uma porção de grandes confrontos neste primeiro momento das oitavas-de-final. Exceção a Lille e Celtic, que podem enfrentar basicamente todos os grandes clubes, os demais protagonizarão confrontos de alto nível. Como teremos apenas dois confrontos com Lille e Celtic, os outros seis jogos serão de alto nível.

Basta observar a situação dos demais segundos colocados: Barcelona, Internazionale, PSV, Porto, Roma e Real Madrid tem apenas pedregulhos como possíveis adversários. Seja qual for o resultado, estes seis times já podem esperar muita dificuldade.

Mas e se fosse diferente este método de definição de adversários? Utilizando como parâmetro a Libertadores, por exemplo: os times classificados são rankeados de 1 a 16, contabilizando seus desempenhos na fase de grupos para definir a lista.

Se assim fosse, teríamos os seguintes confrontos:
Lyon x Celtic
Milan x Barcelona
Chelsea x Lille
Bayern x Roma
Valencia x Inter
Arsenal x Real Madrid
Liverpool x PSV
Manchester United x Porto

Exceção ao confronto entre Liverpool e PSV, que pertenciam ao mesmo grupo na fase anterior, todos os demais jogos são possíveis de acordo com as possibilidade do sorteio desta sexta-feira.

Vamos utilizar também como comparação a Copado Mundo. No Mundial, a tabela diz que o primeiro de determinado grupo enfrenta o segundo de outro, já determinado desde o príncipio. Se assim fosse na UCL, teríamos:

Chelsea x Internazionale (1º A x 2º B)
Liverpool x Roma (1º C x 2º D)
Lyon x Celtic (1º E x 2º F)
Arsenal x Lille (1º G x 2º H)
Bayern x Barcelona (1º B x 2º A)
Valencia x PSV (1º D x 2º C)
Manchester United x Real Madrid (1º F x 2º E)
Milan x Porto (1º H x 2º G)

Agora, resta saber qual será o resultado do sorteio desta sexta-feira e comparar com as possibilidades acima para sabermos qual modelo seria o mais indicado. Independente disso, teremos belos embates nas oitavas.

Em busca da fama
Zlatan Lexotan - 06/12

A briga pelas vagas espanholas na Liga dos Campeões tem os favoritos Barcelona e Real Madrid, o Sevilla que se consolida como nova força, o Atlético de Madri querendo se reerguer e o Zaragoza, essa sim uma feliz surpresa. O clube aragonês tem tradição e já conquistou competições internacionais (uma Recopa e uma Copa de Feiras), mas andava em baixa e sem perspectiva de grandes mudanças. Mas elas vieram e La Romareda vive um momento de euforia.

O símbolo desse processo é o meia Pablo Aimar. O argentino foi um dos destaques do Valencia na última temporada e, apesar de receber algumas desconfianças do técnico Quique Sánchez Flores e de sofrer com problemas físicos constantes, era protagonista sempre que entrava em campo. Assim, não seria de se estranhar se decidisse ir a uma grande equipe européia que decidisse apostar em seu talento. E ele aportou em Zaragoza.

A decisão foi tão inusitada que, na época de sua contratação, o "Palhaço", não conseguiu explicar direito o porquê de ir para um clube mediano da Espanha. Sua melhor declaração foi um pouco convincente “eles apostaram em mim, me chamaram e eu aceitei a proposta”, como se bastasse isso para um jogador trocar de clube. Ainda mais nesse caso, em que se sai de uma equipe que disputaria a Liga dos Campeões para ir a outra quem nem vaga na Copa Intertoto tinha.

Uma possível justificativa para o caso seria uma eventual aposta pesada da diretoria zaragocista em um jogador de nome. Mas não foi bem isso o que aconteceu. Andrés D’Alessandro, meia argentino bastante conhecido dos corintianos na época em que jogava no River Plate que teve passagem apagada pelo Wolfsburg, também apareceu em La Romareda. Em seu caso, ele deu de ombros para uma proposta do Benfica, clube que também está na Liga dos Campeões.

O Zaragoza não recebeu um mecenas ou vendeu algum terreno para encher os cofres. O que houve foi uma mudança na direção. Em junho, Alfonso Soláns Soláns, presidente e proprietário do Zaragoza, colocou o clube à venda. Era o fim de uma administração desgastada, que nunca teve boa receptividade por parte da torcida. Soláns Soláns esteve à frente dos ‘blanquillos’ por dez anos, sempre adotando uma política tímida em investimentos que levou o Zaragoza há várias temporadas insossas. Muito diferente de seu pai, Alfonso Soláns Serrano, que comprou o clube em 1991 para salvá-lo da falência e o levou ao título da Copa do Rei em 1994 e da Recopa européia no ano seguinte.

Com a saída de Soláns filho, o empresário de construção civil Agapito Iglesias comprou as ações do clube e deixou a presidência com Eduardo Bandrés. A chegada da dupla não significa que o Zaragoza esteja cheio de dinheiro para investir, mas a filosofia mudou. Com mais ousadia financeira, conseguiu manter as principais figuras da equipe – os irmãos Diego e Gabriel Milito, Sérgio García, César, Ewerthon, Ponzio e Zapater – e ainda trouxe a dupla de meias argentinos.

Fica claro que o modelo é o Villarreal. Os aragoneses são um enclave sul-americano (sobretudo argentino) no futebol espanhol. Victor Fernández é um treinador competente e deu um pouco mais de consistência a um time que, na temporada passada, foi muito instável (fez uma campanha maravilhosa na Copa do Rei – vencendo Atlético de Madri, Barcelona e Real Madrid, com direito a 6 x 1 nos últimos – e acumulou 16 empates na liga).

Por enquanto, D’Alessandro ainda decepciona e Ewerthon está contundido. No entanto, o trio Aimar-Diego Milito-Sérgio García está em grande fase e tem feito os gols que colocam o Zaragoza nas primeiras posições. César, Ponzio e Gabriel Milito são garantias atrás. A dependência de Aimar ainda incomoda e deve minar os zaragocistas até o final da competição. Mas é um time perigoso pelos talentos que reuniu e pela vontade destes talentos de se consagrarem em terreno europeu.

Mundo Novo
Zlatan Lexotan - 29/11

Hoje vou sair do tradicional. Assistindo ao confronto entre Pachuca e Atlético-PR pelas semifinais da Copa Sul-Americana, o narrador mostrou-se inconformado pelo alto número de atletas sul-americanos nos clubes mexicanos, com o argumento de que eles vão para o México porque os clubes brasileiros falham na busca destes talentos de países como Uruguai, Colômbia, Chile, Paraguai e Venezuela. O comentarista foi rápido ao explicar que os clubes mexicanos tem mais condições financeiras, mas a justificativa acabou ai.

O futebol mexicano é um mistério para os brasileiros. Afinal, os clubes têm dinheiro para concorrer até com os grandes centros europeus na contratação de alguns jogadores e disputa competições sul-americanas como as forças mais tradicionais do continente. E não dá nem para dizer que é um país de Primeiro Mundo como Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha e Japão. A receita é outra, e dificilmente se aplicaria ao Brasil por terem como base características bem peculiares do México.

O histórico mexicano, desde o início do século, fez com que a economia mexicana tivesse um perfil tradicionalmente liberal, com grande participação da iniciativa privada e forte concentração de mercado em poucas empresas. Ainda ajudou o surgimento de poucos, mas gigantescos grupos empresariais, que monopolizam o mercado interno e têm porte para concorrer com multinacionais de seu setor. No Brasil, salvo exceções como o Grupo Globo, os grandes monopólios são de origem estatal.

Esse espírito liberal também passou ao futebol. A proximidade com os Estados Unidos e a cultura de clubes sociais dos ibéricos fez com que o esporte mexicano tivesse um perfil intermediário entre o clube como é conhecido no Brasil – com associados, sede social etc. – e a franquia norte-americana – uma empresa privada cujo negócio é ter uma equipe de um esporte. Assim, por mais que sejam clubes com sede social, eles têm proprietários.

E nem sempre são empresários, mas empresas. É um pouco diferente do que ocorre em clubes ucranianos, russos e o Chelsea (e o Corinthians?), em que um milionário usa o futebol como hobby ou como forma de propaganda política, para não falar em motivações mais suspeitas. No caso mexicano, os times são um negócio dentro de um grupo empresarial, sendo mais correta uma comparação com a J-League ou a K-League. Por exemplo, Necaxa, Atlante e América fazem parte do Grupo Televisa, que monopoliza os meios de comunicação do México (mais ou menos como a Globo no Brasil) e exporta novelas de qualidade duvidosa.

Essa abertura dos clubes a investimentos dificilmente seria aceita no Brasil, já que a cultura de clubes sociais está enraizada a ponto de os torcedores se sentirem, de alguma maneira, proprietários do clube e uma venda seria vista como nociva. Tanto que, no máximo, os grandes clubes fizeram parcerias ou vendas maquiadas em parcerias.

Vale dizer que não há certo e errado nessa história. Por exemplo, soa estranho a um brasileiro saber que três dos principais clubes da Cidade do México pertencem à mesma empresa. Já pensou se uma grande empresa nacional, como a Votorantim ou a Embraer, decidisse comprar Corinthians, Palmeiras e Santos ou Flamengo, Vasco e Botafogo ao mesmo tempo? Se já houve gente reclamando dos jogos entre Palmeiras e Juventude na década de 1990, quando ambos eram patrocinados pela Parmalat...

Aliás, um grupo empresarial ter mais de um time no mesmo torneio não é apenas estranho, chega a ser suspeito. Na Europa, a Uefa proibiu que clubes que pertençam ao mesmo grupo disputem a mesma competição no continente. Os mexicanos, por mais que estranhem, deixam isso acontecer. A partir daí, vê-se a forte influência da cultura norte-americana no esporte profissional do México. Na MLS, mais da metade das franquias é controlada por uma única empresa, a Anschutz Entertainment, e ninguém põe em dúvida a lisura dos resultados da liga estadunidense.

Outra conseqüência de levar a idéia de clube-empresa às últimas conseqüências é deixar as raízes do time em um nível de importância abaixo da necessidade financeira. No Brasil, em busca de dinheiro, o Flamengo chegou a mandar partidas no Nordeste e, mais recentemente, em Volta Redonda. Mas em nenhum momento deixou de ser uma equipe carioca.

Os mexicanos não pensam o mesmo. Lá, como nas ligas profissionais dos Estados Unidos, os times migram de uma temporada para outra. O Cruz Azul foi fundado pela Cementos Cruz Azul em Jasso, mas a empresa quis mudar a sede do clube para a Cidade do México e assim foi feito. Sem espaço na capital, o Necaxa se mudou para Aguascalientes em 2003. Há casos em que as equipes chegam a mudar de nome. O Atlético Celaya virou Colibries depois de aportar em Xochitepec. O La Piedad, de La Piedad de Cavadas, foi para Querétaro e se transformou nos Gallos Blancos. O Querétaro original, que estava na Segundona, fugiu da concorrência e passou a jogar em Irapuato (novo nome do clube). O Irapuato original aproveitou o rebaixamento do Tiburones de Veracruz para adotar a cidade litorânea como casa e novo nome. Com a volta à elite dos Tiburones, o Veracruz ex-Irapuato mudou-se novamente, agora para Tluxla Gutiérrez, e virou Jaguares Chiapas.

Tamanha liberdade de ação e possibilidade de fazer casar os interesses (por exemplo, a Televisa pode transmitir várias partidas de América e Atlante e ganhar tanto na audiência, quanto na exposição de seus clubes), não é difícil entender porque o futebol mexicano recebe tantos investimentos privados. Algo que não ocorre no Brasil por resistência (justificada, no caso) dos torcedores e pela estrutura complicada da política de cada clube.

No final da década passada, outro fator fez com que o futebol do México se colocasse em posição estratégica melhor que o brasileiro e argentino. Enquanto as potências regionais sul-americanas passaram por graves crises e desvalorização acentuada da moeda, o México se segurava na Nafta. Não que o acordo com os vizinhos norte-americanos seja uma maravilha, pois esse crescimento azteca se deveu muito ao aumento da quantidade de empresas maquiladoras, não de desenvolvimento econômico próprio. De qualquer forma, hoje, a economia mexicana é a maior da América Latina (US$ 658,2 bilhões em 2004, contra US$ 578,2 bilhões do Brasil e US$ 149,4 bilhões da Argentina).

Esse cenário deve mudar com o crescimento de Brasil e Argentina e a valorização de suas moedas em relação ao dólar. Mas, por enquanto, o poder aquisitivo dos clubes mexicanos é maior. É natural que se formasse uma verdadeira comunidade latino-americana na liga azteca, o que torna aceitável a idéia de que atacantes com mercado até na Europa como Cláudio López, Reinaldo Navia, César Delgado, Patrício Galaz e Luciano Figueroa fiquem por lá.

Para Sempre Ferenc Puskas
Zlatan Lexotan - 21/11

Um físico que não serviria de exemplo para os atletas de hoje em dia - a barriga atropelava o calção. Um pé direito que só servia para que não perambulasse em campo como um saci. Os atributos, acreditem, se encaixam na descrição de um dos maiores jogadores da história do futebol, falecido no dia 17 de novembro de 2006.

O húngaro Ferenc Puskas, com sua letal esquerda, foi o mais impressionante dos Mágicos Magiares que encantaram nos anos 50. Nas duas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, Puskas colecionou títulos e recordes. Em um período de Europa dividida, foi brilhante tanto no Leste quanto na parte ocidental. A marca de 83 gols em 84 jogos pela Hungria passou 50 anos sem ser superada.

"The Galloping Major", o major galopante. "Puskas Ocsi", irmão mais novo, para os húngaros. "Cañoncito Pum", canhão explosivo, para os espanhóis. As referências mostram o respeito e o carinho proporcionados por seu talento em campo e pelas qualidades humanas.

Puskas ilustra as lembranças de uma época em que os gols choviam pelos grandes jogos, e cautela era uma palavra séria demais para se usar na abordagem do esporte. Não por acaso, ele participou de dois dos jogos mais marcantes da história: a vitória da Hungria por 6 a 3 sobre a Inglaterra, em Wembley, em 1953, e os 7 a 3 do Real Madrid sobre o Eintracht Frankfurt na final da Copa dos Campeões (atual Liga dos Campeões) de 1960.

Nascido como Ferenc Purczeld em abril de 1927, Puskas adotaria apenas mais tarde o novo "sobrenome", que significa "atirador". A convivência com o futebol existiu desde os primeiros anos em Kispest, vila próxima a Budapeste que se tornaria fundamental para o desenvolvimento da grande seleção húngara.

Ele morava em um apartamento vizinho ao estádio do Kispest FC. Seu pai foi jogador e treinador do time. A família contava que Ferenc havia dado seus primeiros chutes na bola assim que começou a andar. Aos 12 anos, já era jogador do Kispest, em companhia de József Bozsik, com quem jogaria na seleção.

Obstinado, Puskas sabia que o futebol era uma válvula de escape para o controle do estado no regime comunista e uma dura realidade financeira. Aos 18 anos, já estava na seleção, convocado para os dois primeiros jogos do pós-guerra, em agosto de 1945. Fez sua estréia no segundo, deixando sua marca na vitória por 5 a 2 sobre a Áustria.

Em 1946, com 19 anos, já era capitão do Kispest, que começava a melhorar seus resultados. Três anos depois, o governo pró-soviético determinou a nacionalização dos clubes, e o Kispest tornou-se o Kispest Honved FC, time do exército húngaro.

Gusztáv Sebes assumiu o comando técnico da seleção e percebeu a grande oportunidade que se apresentava. O ministério da Defesa podia impor a ida dos jogadores que desejasse para o Honvéd, e o clube passou a ser a base da seleção. O time ganhou força, e conquistou cinco títulos nacionais entre 1950 e 1955. Puskas foi artilheiro de quatro campeonatos.

Com a Hungria, Puskas foi campeão olímpico em 1952, nos Jogos de Helsinque. Ainda assim, em uma época na qual a informação não circulava com a facilidade e a velocidade dos dias de hoje, poucos poderiam prever que a Hungria, no ano seguite, causaria um autêntico choque nos inventores do esporte.

O estádio de Wembley nunca havia presenciado a vitória de uma seleção de fora das ilhas britânicas sobre a Inglaterra. A partida era aguardada com ansiedade pelo que se conhecia sobre os húngaros, que vinham invictos desde 1950, mas o clima entre os locais era de confiança em mais uma vitória.

Quem se mostrou invencível, no entanto, foi a hungria de Puskas, Bozsik, Nandor Hidegkuti e Sandor Kocsis. O inovador esquema 4-2-4 livrava seus jogadores de obrigações com a marcação individual, e no ataque garantia fluidez e velocidade ao jogo. Puskas marcou dois gols, um deles necessariamente reprisado em qualquer vídeo biográfico.

Ele tinha a bola pela direita da área, próximo à linha de fundo, quando notou a chegada de Billy Wright para a marcação. Com agilidade, Puskas puxou a bola com as travas da chuteira e viu Wright passar batido. O goleiro Gil Merrick nada pôde fazer para evitar que o disparo de esquerda entrasse no ângulo. No fim do jogo, aplausos dignos do cavalheirismo inglês - e, sobretudo, justíssimos.

No ano seguinte, a Hungria reencontrou os ingleses, desta vez em Budapeste, e aplicou uma sonora goleada de 7 a 1. Os magiares estavam credenciados como favoritos para a Copa do Mundo da Suíça, meses depois.

O fato de a Hungria não ter cumprido o favoritismo na final contra a Alemanha Ocidental persiste na galeria dos casos de difícil explicação. Na primeira fase, os húngaros golearam os alemães por 8 a 3, jogo em que Puskas se machucou. Ele voltou para a decisão em Berna, e marcou um dos gols que ajudaram a Hungria a abrir 2 a 0.

A Alemanha tirou forças para obter uma surpreendente virada, e no final Puskas ainda teve um gol duvidosamente anulado por impedimento. Aquela seria a única derrota da Hungria em seis anos. A série invicta de 32 partidas ainda é um recorde.

Em 1956, o Honved entrou na segunda edição da Copa dos Campeões. Na primeira fase, o time enfrentaria o Athletic Bilbao. Após a derrota por 3 a 2 no jogo de ida, na Espanha, explodiu a Revolução Húngara contra o governo pró-soviético, e os jogadores decidiram não retornar ao país.

A partida de volta se disputou no estádio Heysel, em Bruxelas, e Puskas marcou no empate por 3 a 3 que selou a eliminação do Honved. Após uma situação inicial de incerteza, os jogadores decidiram retirar suas famílias de Budapeste e, apesar da oposição da FIFA e das autoridades do futebol húngaro, organizaram uma turnê para arrecadar fundos por Itália, Portugal, Espanha e Brasil.

Na Itália, bateu o Milan,
o Palermo (6x2 e 7x1) e o Catania (9x2). Na Espanha, um amistoso realizado no Santiago Bernabéu, em 29 de novembro de 1956, colocou frente a frente Real Madrid e Honved, os dois clubes mais festejados da época; a partida terminou 5 a 5. 

Na volta à Europa, o time se separou. Alguns, incluindo Bozsik, retornaram à Hungria, mas outros, como Czibor, Kocsis e Puskas, permaneceram na Europa Ocidental e buscaram novos clubes. A situação de Puskas se complicou com a suspensão de dois anos imposta pela FIFA. Ele tentou manter a forma no princípio, fez alguns jogos não-oficiais pelo Espanyol, mas acabou se descuidando.

Quando o Real Madrid decidiu contratar Puskas para a temporada 1958/59, o técnico Luis Carniglia reagiu com surpresa. Ele tinha 31 anos, vinha de uma longa inatividade e carregava consigo uma barriga. O presidente Santiago Bernabéu mandou um recado claro à comissão técnica: "Coloquem-no em forma. É responsabilidade de vocês".

Puskas trabalhou arduamente para perder 18 quilos. Era a cara nova de um time de estrelas como Alfredo Di Stéfano. E para quem pensava que o húngaro estava acabado, a resposta veio logo no segundo jogo pelo Madrid, com três gols diante do Sporting Gijón. Ele repetiria o "hat-trick" em outros três jogos daquela temporada.

O entendimento entre Puskas e Di Stéfano em campo era quase perfeito, e a final contra o Eintracht Frankfurt em 1960 seria o ponto alto. Puskas marcou quatro gols, e Di Stéfano os outros três, para garantir o quinto título europeu consecutivo do Real Madrid - o segundo com o húngaro, que já tinha 33 anos na ocasião.

Puskas terminaria com 35 gols em 37 jogos pela Copa dos Campeões com o Real Madrid, totalizando 36 com o gol marcado pelo Honved. O número só foi superado por Di Stéfano e por Eusébio, do Benfica, antes da criação da Liga dos Campeões, que aumentou o número de jogos e de oportunidades para os atacantes.

Na final de 1962 contra o Benfica, Puskas fez os três gols do Madrid na derrota por 5 a 3. Em sua última temporada - 1965/66 - marcou quatro vezes em uma goleada de 5 a 0 sobre o Feyenoord, primeiro adversário no caminho do título.

Puskas disputou 261 partidas oficiais e marcou 236 gols pelo Real Madrid ao longo de nove anos. Foi quatro vezes artilheiro do Campeonato Espanhol e cinco vezes campeão. Venceu ainda uma Copa do Rei (então Copa del Generalísimo) em 1962, e a Copa Intercontinental contra o Peñarol em 1960.

Durante o período no Real Madrid, Puskas chegou a jogar pela seleção da Espanha - ainda não era proibido defender seleções nacionais diferentes - na Copa do Mundo de 1962, mas não teve sucesso.

Após deixar os campos, Ferenc Puskas rodou o mundo como treinador. Foi do Egito à América do Sul, da Arábia Saudita ao Canadá, passou por Grécia e Austrália. O ponto alto foi em 1971, quando levou o Panathinaikos à final da Copa dos Campeões contra o poderoso Ajax. No ano seguinte, foi campeão grego.

No início dos anos 80, Puskas retornou à Hungria com a esposa Erzsebet. Em 1993, chegou a dirigir a seleção nacional nos últimos jogos das eliminatórias da Copa do Mundo.

Em julho de 1999, Puskas recebeu o título honorário de embaixador esportivo da Hungria. No ano seguinte, o Honved aposentou a camisa 10 em sua homenagem. Em setembro de 2000, foi hospitalizado com arteriosclerose, e posteriormente se descobriria que ele sofria do mal de Alzheimer.

Nem a enfermidade abalou o amor de Puskas pelo futebol. Em 2001, compareceu a um amistoso contra a Alemanha, que celebrava o centenário da federação húngara, para calorosos aplausos da torcida. Desde então, o estádio de Budapeste que recebe os jogos da seleção leva seu nome. Razão de orgulho e nostalgia para um país que nunca mais reviveu tamanho protagonismo no futebol.

Papo de hospício
Zlatan Lexotan - 14/11

O tema é velho, mas não custa lembrar. A imprensa é cheia de vontades e manias seculares. A especulação é a principal delas, seguida do puxa saquismo. As vezes, as especulações tem um certo fundo verídico, visto que muitos tem fontes próximas a clubes e trocam um furo por uma eventual puxada de saco no futuro. Isso não é surpresa para ninguém.

Troca-se uma boa dose de verdades e críticas para obter a manchete desejada e ver o nome estampado nas primeiras páginas como o autor da proeza. Abaixo vamos relembrar as grandes lorotas dos últimos tempos.

Saviola no Santos: Esta é clássica. A grande lorota precursora das mentiras internacionais. Então encostado no Barcelona, surgiu na imprensa paulista a possibilidade do jogador da seleção argentina reforçar o elenco santista. Obviamente, esta notícia surgiu apenas no Brasil mesmo. Ou seja, foi apenas para vender jornal e enganar torcedor mesmo.

Vágner Love no Corinthians: Sensacional. O ex-palmeirense alegou que não se adatava ao estilo de vida russo e que pretendia voltar ao Brasil. O seu destino seria o Corinthians e os milhões de doláres da poderosa MSI. O atacante chegou até a posar com a camisa do Timão e deu coletiva como sendo jogador alvinegro. Mas ninguém jamais o viu nem perto do Parque São Jorge. O são paulino viveu história semelhante com Renato Gaúcho.

Ronaldo e Riquelme no Flamengo: Este episódio é mais recente. Em entrevista, o presidente do Flamengo Marcio Braga falava sobre os reforços que sonhava para o elenco rubronegro, para a disputa da Libertadores do ano que vem. Segundo ele, faltavam jogadores chaves para zaga, meio de campo e ataque. Braga, ciente da fase atual do clube, foi humilde: Juan, Riquelme e Ronaldo eram os alves do desejo.

Ronaldo e Ronaldinho no Milan: Essa ilusão foi causada pela própria diretoria do Milan. Antes do início da temporada passada, o Milan liderava o ranking das especulações insanas de possíveis transferências. Ronaldo, Ronaldinho, Ljungberg e Buffon eram os cotados para reforçar o alvinegro. Nenhum deles veio. Ronaldinho e Buffon voltaram a lista de reforços do Milan, ao lado de Ibrahimovic e outros. Nas duas temporadas, quem acabou chegando foi Amoroso e Ricardo Oliveira.

Carlos Alberto no Chelsea: Para finalizar, o absurdo da semana, publicado hoje nos principais jornais e noticiários esportivos. O meia Carlos Alberto, dispensado do Corinthians, teria sido oferecido ao Chelsea e poderia se juntar ao elenco multimilionário dos Blues. A justificativa encontrada foi que o meia havia trabalhado com o técnico José Mourinho no Porto. Porém, o português não caiu na piada e recusou o "futebol" de Carlos Alberto.

Precursor de uma nova era
Zlatan Lexotan - 08/11

O ano era 1998. Naquela época surgiu uma grande febre na internet, o Elifoot. a princípio, todos achavam o jogo sem graça. Afinal, os jogos de futebol estavam iniciando a era 3D, ninguém queria perder tempo com uma tela que lembrava um jogo de Atari.

Porém, aos poucos aquele jogo conquistava a todos. A carreira de técnico e manager de um time chamava a atenção pelo fato de não haver nenhum jogo do estilo disponível.

O grande desafio do jogo em sí era erguer um time da última divisão, a quarta, até a primeira. De acordo com seu desempenho no cargo, uma equipe de maior prestígio poderia o convidar para ser o novo técnico.

Nesse cenário, me apaixonei pelo futebol. Na época até gostava, mas não tratava com a importância que passou a ter depois do Elifoot. Passava horas e horas jogando. Mas o jogo já não bastava mais, tinha de acompanhar as mais variadas partidas na televisão a procura de novos esquemas táticos que pudessem ser utilizados, ou então a busca de novos jogadores que pudessem ser contratados.

O tempo passou e muito mudou. Minha paixão pelo futebol ultrapassou os limites do aceitável, e nem mesmo o Elifoot resistiu. Não resistiu também ao tempo, já que novos jogos do estilo surgiram, mas com uma complexidade muito maior e uma proximidade absurda com o mundo real.

Mas não ficou por ai. O Elifoot inspirou muita gente, acredite. Além de jovens mancebos que passavam dias a frente do computador, aquele jogo deu uma idéia a muita gente: "Porque não fazer tudo isso de verdade?".

E então surgiu Roman Abramovic. A tentação de comandar um time de futebol é mesmo tentadora. E Abramovic tinha em seu poder o Cheat O'Matic, um programa que colocava ilegalmente dinheiro no clube desejado no Elifoot.

Com tantos recursos, o Chelsea domina o futebol inglês, onde existem outros que seguiram os passos de Abramovic, como os famosos Alexandre Gaydamak (atual dono do Portsmouth), Milan Mandaric (ex-dono do Portmouth e em negociação para compra do Leicester), John Madejski (dono do Reading, que deu o próprio nome ao estádio do clube), Mohamed Al Fayed (dono do Fulham e de metade de Londres) e a família Glazer (que assumiu o controle do Manchester United).

Claro que, de todos estes, apenas Abramovic conseguiu a proeza de utilizar o Cheat O'Matic. Ele conseguiu tanto sucesso que comprou até mesmo um Boeing para suas viagens pela Euopa, acompanhando os Blues.

O tempo vai passar ainda mais, mas todos sempre lembrarão que a onda de fanfaronices no mundo da Bola só começou por conta do Elifoot. Claro...

Novos artistas
Zlatan Lexotan - 31/10

O momento do futebol em geral é de renovação. Quase todas as seleções atuais consideradas como potências vivem fase de transição em seus elencos. Exceção a Holanda, que parece viver sempre em renovação, todos os grandes expoentes do futebol Mundial possuíam elencos envelhecidos no último Mundial.

Agora, com os jogadores perto da aposentadoria, os técnicos pela Europa estão coçando a cabeça para acharem novos talentos para suas equipes. abaixo, vamos listar os mais promissores novos jogadores.

Jérémy Toulalan: Quando o Lyon recebeu a proposta do Real Madrid por Diarra, não dificultou muito a negocição. Com a venda do volante se aproximando, o Lyon foi buscar no Nantes Toulalan. O mais novo reforço do Lyon carrega todas as características de um volante moderno: marcação, agilidade, técnica e visão, podendo também atuar na linha de frente do meio campo. Tendo completado 23 anos no mês passado, Toulalan certamente estará nos Bleus desta temporada em diante.

Yoann Gourcuff: A França parece mesmo destinada a manter o bom nível de sua seleção. O meia ofensivo Gourcuff é tratado como a mais certa das apostas futuras do futebol europeu. Aos vinte anos completados a pouco, ele foi um dos reforços do Milan para a atual temporada, após uma bela época a serviço do Rennes. Criatividade, chute forte, visão de jogo, bom senso de marcação, um bom drible e uma excelente improvisação em espaços curtos, que chega mesmo a lembrar Zidane. No Milan certamente vai desenvolver o seu ponto fraco: o condicionamento físico.

David Silva: Nascido na desconhecida Ilhas Canárias, território espanhol, David Silva é um baixinho habilidoso, muito rápido, habilidoso e com grande poder de finalização. Além disso, atua tanto como um ala quanto como um segundo atacante. Este é David Silva, o jogador que ocupou a vaga deixada por Aimar no Valencia. Revelado pelo próprio Valencia, Silva destacou-se pelo Celta na temporada passada. Aos 20 anos, David Silva tem entrado aos poucos na equipe de Quique Flores, seja para segurar a bola ou então para tentar mudar um resultado adverso. O problema é um só: no Valencia a concorrência por um lugar é muito maior que no Celta, e Silva pode ter problemas para aprimorar seu futebol e ganhar experiência.

Nani: Nani é a grande revelação do futebol português na atualidade, sendo observado de perto pelos maiores clubes da Europa. Se Liédson anda em baixa, Nani é o novo queridinho do Sporting. O atacante tem um grande poder de finalização e vem aprimorando a parte física, além de contar com uma grande habilidade. Próximo de completar 20 anos, Nani se tornou a esperança de gols dos Tugas após a aposentadoria de Pauleta, e ele não decepcionou: em sua estréia na equipe de Felipão, marcou até gol olímpico.

Klaas Jan-Huntelaar: O atacante, atualmnte no Ajax, é aos 23 anos um dos melhores nomes do ataque no Velho Mundo atualmente. Além de possuir todas as características de um goleador nato, possui também uma grande habilidade. Foi artilheiro do último campeonato holandês com a impressionante marca de 33 gols em 34 partidas. Ninguém sabe porque ele não foi para a Copa, mas Van Basten aprendeu a lição: Huntelaar é nome certo nas convocações da Orange após o Mundial.

Na próxima semana, caso nada de mais importante aconteça no mundo da Bola, seguiremos com esta listagem.

Para a eternidade
Zlatan Lexotan - 24/10

Aproveitando a falta des assuntos futebolísticos de impacto, recebi autorização do patrão para escrever sobre a aposentadoria de mais um gênio do esporte Mundial neste ano de 2006. Após Zinedine Zidane pendurar as chuteiras, agora é a vez de Michael Schumacher deixar de lado o capacete e aproveitar as belezes que sua gorda poupança lhe proporcionará.

A carreira de Schumacher na Fórmula 1 começou em 1991, quando disputou apenas seis corridas pela Benetton. Sua melhor colocação foi um expressivo quinto lugar no GP de Monza, o suficiente para mantê-lo na equipe para a temporada seguinte.

Em sua segunda temporada, em 1992, Schumacher já mostrava que seu futuro na categoria seria interessante. Venceu seu primeiro GP, na Bélgica, e terminou o Mundial em terceiro lugar, atrás apenas das poderosas Williams de Malsell e Patrese.

Após mais uma boa temporada em 1993, quando venceu novamente uma corrida, desta vez em Portugal, Schumacher começava seu "Era" na Fórmula 1 no ano seguinte, quando conquistou o título pela Benetton. Porém, 1994 ficou marcado como o ano do terror na F-1, com as mortes de Ratzemberger e Senna em Ímola.

E o título de Schumacher ainda veio com uma das maiores polêmicas da história da categoria, quando o alemão jogou seu carro sobre o de Damon Hill na Autrália e conquistou então o campeonato. O ano seguinte comprovou a superioridade da Bentton, que acertou na troca dos motores V8 por V10, e Schumacher então ficou com o bicampeonato. Com mais um título, o alemão assina contratocom a Ferrari.

As quatro temporadas seguintes foram de frustração para Schumacher. Em 1996, a Ferrari ainda tinha um carro fraco, que não foi páreo para as Williams de Damon Hill, o campeão, e Jacques Villeneuve, vice. Schumi acaba o ano em terceiro e consegue ainda somar três vitórias.

Em 1997, Schumacher disputa o título com Villeneuve e acaba desqualificado do Mundial após tentar tirar Villeneuve da corrida no Japão. A manobra já tinha dado errado na pista, e Schumacher viu mais um título da Williams. Com o fim da era da Williams, a MacLaren passou a dominar a categoria nos dois anos seguintes. Mika Hakkinen, o piloto que não sabia dirigir com chuva, acabou bicampeão. Schumacher ficou com o vice em 1998 e, com uma perna quebrada, fica em 5º em 1999.

Porém, nas cinco temporadas seguintes, o alemão chegou ao auge de sua carreira e a Ferrari chegou ao máximo de seu carro. Michael Schumacher entrou para a história ao conquistar cinco títulos consecutivos, de 2000 a 2004, chegando a marca de sete títulos, marca impensada há anos atrás. Em 2001 e 2002, ele fez mais que o dobro dos pontos do segundo e terceiro colocados somados.

2005 foi o ano de surgimento de Fernando Alonso e da Renault, o bicho papão do momento. Schumacher teve problemas o ano todo e venceu apenas uma vez, terminando o Mundial na terceira colocação. Um erro de projeto da Ferrari acabou jogando for a toda a temporada da escuderia de Maranello.

Porém, Schumacher estava disposto a destronar Alonso em 2006. Mas a cada corrida o sonho do oitavo título ficava cada vez mais longe. A Ferrari teve mais um péssimo início de ano, e Alonso disparou no ranking. Porém, uma súbita melhora no desempenho levou Schumacher e Alonso a estarem empatados quando a penúltima corrida começou. Schumacher esbanjou genialidade ao tirar uma vantagem de mais de vinte pontos.

Mas uma improvável quebra do motor Ferrari tirou do alemão o sonho de se aposentar mais uma vez campeão. Mas nem por isso Schumacher perdeu a majestade: no Brasil, a última etapa de sua carreira, largou em décimo, pulou para quarto. Uma manobra estranha de Fisichella, companheiro de Alonso, acabou rendendo a Schumacher um pneu traseiro furado. Schumacher voltou a pista em último, quase uma volta atrás.

E então o alemão mostrou a todos que sua ausência será por demais sentida: de último o alemão pulou para quarto, com ultrapassagens arrojadas e voltas rápidas repetidamente. Nada se comparado a ultrapassagem sobre Raikkonen, espremido entre o finlandês e o muro dos boxes. Simplesmente genial.

Alonso foi bicampeão, mas deu-se pouca importância. Muito se fala agora em sucessão. Oras, como se encontrassemos Einsteins em toda esquina, Pelés em todo campo de futebol, Jordans em toda quadra de basquete. Alonso pode ser campeão dez vezes seguidas que jamais terá para sí o rótulo de "melhor de todos os tempos".

Schumacher foi capaz de chorar e rir em entrevistas coletivas. Alonso esbanja arrogância e não tem a mesma simpatia, o mesmo carisma, que tanto caracteriza os grandes campeões. Porque, afinal, ser um grande campeão vai muito além das retas e curvas de um circuito.

Hora de dançar o vira
Zlatan Lexotan - 17/10

Os clubes portugueses e a Seleção de Portugal passaram a ganhar mais destaque nos últimos anos. Desde que o Porto sagrou-se campeão da Liga dos Campeões em 2004 e Portugal chegou à final da Eurocopa em 2004, o futebol luso passou a chamar mais atenção no cenário internacional. No Brasil, fala-se muito dos Tugas desde que Felipão e Deco passaram a defender a seleção européia. No Velho Mundo, o sucesso do Porto impulsionou a carreira daquele elenco, que espalhou-se pelos principais clubes do continentes, e de José Mourinho, comandante daquela equipe dos Dragões.

Porém, desde então, o cenário vem lentamente alterando-se. Os clubes portugueses, obviamente, não tem tantas condições de repetir o feito dos Dragões, e os três grandes limitam-se a disputar o título da SuperLiga. A Seleção de Portugal, por sua vez, empolgou na última Copa do Mundo, quando atuando de forma vibrante, chegou às semifinais da competição e acabou derrotada pelos franceses. Mas após a vitória sobre a Holanda nas oitavas, o encanto parece ter quebrado-se para os Tugas.

Desde a ocasião, os Tugas já não empolgam mais. Após o confronto frente aos holandeses, Felipão conquistou apenas uma vitória: 3 a 0 em casa sobre o poderoso Azerbaijão. Há de levar em consideração que os Tugas perderam seu capitão, Figo, e seu artilheiro, Pauleta, que se aposentaram após o Mundial. Porém, o torcedor luso está, desde os últimos sucessos, empolgado com as possibilidades futuras de Portugal. Felipão, mais uma vez, começa a ser alvo de críticas por parte da torcida e da imprensa lusas, que não entendem por que faltou tanta ambição ao treinador antes das partidas com a Finlândia e a Polônia (Scolari chegou a dizer que se contentava com o empate). Diante da Polônia, Portugal foi amplamente dominado e escapou de uma goleada histórica. Sinal de alerta...

Para continuar neste episódio de casos portugueses, o campeonato português segue em sua rotina de casos exdrúxulos intermináveis. Após o imbróglio que envolveu Gil Vicente e a justiça desportiva do país, que culminou com o rebaixamento da equipe para a segunda divisão, na última semana foi a vez de o Estrela Amadora e a Liga de Clubes protagonizarem um episódio pra lá de anedótico: a três dias de enfrentar o Sporting em casa, no Estádio da Reboleira, o Amadora simplesmente possuía o campo em obras (foto da capa), à espera da colocação do gramado. A diretoria do clube, situado nos arredores de Lisboa, insistia em dizer que o recinto teria condições de jogo para a rodada de domingo, 15 de outubro. E, de fato, no dia anterior o gramado estava todo pronto. Porém, a comissão da Liga Portuguesa de clubes, após uma vistoria realizada no dia 13 de outubro, decidiu que o campo do Estrela não reunia condições para sediar a partida, e o transferiu para o campo do Estoril-Praia. Como reusltado, o Sporting venceu por 1 a 0.

Para finalizar, pensam em criar mais uma competição em solo português: a Taça da Liga. A competição, que ocorre em países como Inglaterra e França, envolveria apenas clubes da primeira e segunda divisão, ao contrário da Taça de Portugal, que reúne equipes de todas as esferas futebolísticas do país. O novo presidente da Liga de clubes, Hermínio Loureiro, pretende verificar se há mercado (patrocinadores) e se os clubes têm disposição parta enfrentar mais uma competição doméstica – ao lado do campeonato nacional e da Taça de Portugal. No fundo, trata-se de uma nova batalha entre Liga de Clubes (responsável pelas competições profissionais) e a Federação Portuguesa de Futebol (responsável pela seleção, pelo futebol amador e pela Taça de Portugal). De fato, difícil imaginar que Porto, Sporting e Benfica estejam interessados em mais brigas particulares por mais um troféu caça níqueis que tem pouco valor e abarrotariam um calendário já inflado.

O futebol português, que caminhava para sair das sombras dos demais companheiros europeus, agora está à espera de mais uma reviravolta.

Listas e Prêmios
Zlatan Lexotan - 10/10

O futebol parece cada vez mais refém destes artifícios que de pouco valem realmente. A Bola de Ouro da France Football, oferecida ao melhor jogador eleito por jornalistas desde 1956, é a única premiação realmente levada a sério no Velho Mundo, pois é decidida por especialistas no assunto.

As demais premiações são um tanto quanto obscuras. A mais festejada de todas as premiações é a mais inútil delas: o prêmio de Melhor do Mundo da FIFA. Instituído em 1991, a premiação leva em conta os votos de treinadores de todas as seleções afiliadas à FIFA e um colegiado que tem votos secretos que nunca foram muito bem explicados. Ou seja, além de não ser transparente, este prêmio da FIFA sempre premia o mais famoso e não aquele que foi realmente o melhor. Invariavelmente, recebe o prêmio quem se destaca em uma Copa do Mundo ou algum jogador da Liga Espanhola, a mais assistida.

Agora, surgiu uma nova premiação imbecil: a eleição da FIFPro (federação internacional dos jogadores profissionais). São 55 indicados ao prêmio de melhor jogador do mundo oferecido pela entidade. Entre julho e agosto, 43 mil jogadores filiados às 40 organizações nacionais de jogadores que compõem a FIFPro votaram em suas seleções ideais, com um goleiro, quatro defensores, três meio-campistas e três atacantes. Aquele que receber o maior número de indicações será coroado como o melhor do mundo da FIFPro. Também será divulgada a seleção do mundo, com os mais votados em cada posição. Também haverá um prêmio ao melhor jogador jovem.

Entre os 55 indicados, há uma série de jogadores que nem de longe poderiam compor uma lista deste gênero. Dida (mal), Cafu (mal), Ashley Cole (mal), Miguel (esse é ruim mesmo), Makelele (outras opções), Adriano (péssimo), Ronaldo (horroroso) e Totti (seis meses machucado) são inconsistências tremendas, enquanto jogadores como Juninho, Malouda, Ribery, Diarra, Essien, Eboué, Daniel Alves, Touré, Joe Cole, David Villa, Xabi Alonso e Huntelaar tiveram temporadas muito boas e chegaram até mesmo a ter destaque na Copa do Mundo em alguns casos, como Malouda, Ribery, Essien Joe Cole e Villa.

Não dá pra entender muito bem, se você de fato conhece sobre o assunto sabe que Ronaldo e Adriano jamais poderiam estar em uma lista dessas. E depois querem reclamar do Pelé...

Seca de gols
Zlatan Lexotan - 04/10

O Milan vive momento complicado nos últimos anos. O clube parece perdido desde aquela trágica noite em Instambul, quando o Liverpool bateu a equipe rossonera nos pênaltis após uma reação emocionante, naquela final de Liga dos Campeões que jamais será esquecida.

A temporada passada foi reflexo claro daquela noite em terras Turcas, já que o Milan apresentou sempre grandes problemas psicológicos: bastava a menor reação do adversário em desvantagem para que toda a equipe rossonera se desmontasse como um castelo de areia.

Porém, mesmo com esse trauma na cabeça, o Milan marcava gols e era sempre apontado como a equipe italiana que tinha a maior característica ofensiva. Em seus últimos 41 jogos da temporada anterior, que representam boa parte da época, o Milan marcou 84 gols, com uma média pouco superior a dois gols marcados por partida.

Nestes 41 jogos, a equipe rossonera ficou em branco oito vezes, contando confrontos contra rivais tradicionais como Barcelona, Lyon, Juventus, Lazio, Roma e PSV. Nos demais 33 encontros, quando o ataque que tinha Shevchenko e Gilardino não resolvia, Kaká e Pirlo vinham de trás para dar tranquilidade ao conjunto milanês.

Porém, a saída de Shevchenko parece ser mais traumatizante do que qualquer derrota. Após a negociação do ucraniano com o Chelsea, muito se falou em reforços para o ataque, mas o esforço do Milan no mercado de transferências resumiu-se a contratação do mediano Ricardo Oliveira, nome que nem de longe poderia ser comparado ao do ucraniano.

Após a chegada do brasileiro, a temporada do Milan começou até que bem: nos seis primeiros jogos, seis vitórias e onze gols marcados, com apenas dois gols sofridos. Muito se falou num renascimento da equipe rossonera após os escândalos do Calciocaos, mas lentamente a realidade rossonera vem à tona. Os últimos três encontros acabaram com o encanto inicial: foram três jogos, com três empates sem gols.

E, após esses três jogos sem gols, outras questões surgiram: os seis primeiros jogos da temporada não mostraram um ataque eficiente, mas uma equipe de sorte: na vitória contra o Ascoli por 1 a 0, gol de Jankulovski, ala esquerda; na vitória sobre o Parma por 2 a 0, gols de Kaká e Seedorf, ambos de bola parada; na vitória por 3 a 0 sobre o AEK Athenas, gols de Gourcuff, Kaká e Inzaghi; na vitória por 2 a 1 sobre a Lazio, o único momento em que o ataque resolveu, com gols de Inzaghi e Oliveira; nas vitórias sobre o Estrela Vermelha que abriram a temporada (1a2 e 1a0), Inzaghi marcou duas vezes e Seedorf foi autor de outro tento.

Ou seja, Inzaghi marcou quatro vezes e Ricardo Oliveira marcou outro. De onze gols marcados, apenas cinco foram do ataque rubro-negro, sendo quatro de seu mais experiente e menos talentoso atacante. E Shevchenko, artilheiro da equipe nas últimas temporadas, chegou a marcar quatro gols em uma única partida, onde pode-se ter uma real noção do desparate entre o atual ataque e o anterior.

Mas não limita-se a isso: nos referidos 41 jogos anterioremente, jamais houve uma sequência negativa como esta, onde o time passou três jogos sem marcar e cinco sem que os atacantes pudessem comemorar um tento sequer.

Além da falta que um jogador world class, ou fuoriclasse como se diz na Itália, como Shevchenko faz, pode-se argumentar que o ataque rossonero era bom porque tinha Shevchenko como centro das atenções, enquanto os demais aproveitavam-se da atenção que o ucraniano exigia dos adversários para marcar gols. Sem ele, nenhum dos ponteiros consegue segurar a barra sozinho, e nem mesmo com os três juntos, como aconteceu na última partida, um gol consegue surgir.

Gilardino, após a boa temporada passada, parece estar sofrendo de um mal comum: achar que é muito melhor que realmente é. Oliveira entrou numa furada: além de substituir Shevchenko, veio de um dos campeonatos mais fáceis do mundo, onde até Júlio Baptista virou artilheiro. Na Itália, a marcação é outra, mas Oliveira é o mesmo. Inzaghi, mesmo idoso e não tendo técnica alguma, consegue destacar-se exatamante por saber de suas limitações.

Difícil imaginar qual será o destino da temporada rossonera. Restará a Ancelotti buscar alguém para o restante da temporada, mas a pressão em torno de um eventual reforço ou da falta dele devem resultar no que deveria ter acontecido logo após a derrota em Instambul: a demissão de Ancelotti. Não seria essa a exata solução, mas a este ponto é algo que poderia mexer com os brios do elenco, algo que Ancelotti não parece mais ser capaz de fazer.

Mundo da Lua
Zlatan Lexotan - 26/09

Alguns dirigentes do futebol brasileiro parecem viver em um mundo a parte, isolados de tudo que acontece no resto do planeta e, principalmente, alheio a sua própria realidade e condição.

Exemplos desse tipo de condição mental deficiente não faltam. A pretensão é um desses pontos. Todos os clubes que entram nas competições tem apenas um objetivo: o título. Diferentemente do que ocorre na Europa, onde os clubes pequenos ou com elencos deficitários sabem das suas limitações, na terra do futebol todos os times são tão bons que qualquer um pode ser campeão.

Mas não é só isso: o lanterna da competição, invariavelmente portador de um grupo de jogadores praticamente amadores ou então cheio de estrelismos injustificados, diz que aquilo é apenas passageiro, mas que o primeiro objetivo é somar pontos para subir na tabela. Subir como, meu amigo, se vocês não ganham de ninguém?

Exemplos mais recentes não faltam. Quem não se lembra da saga santista, que jurava que ia contratar o atacante argentino Saviola? Piada...

A polêmica mais recente envolveu Tite e Salvador Hugo Palaia, ex-técnico e dirigente do Palmeiras, respectivamente. A confusão chegou ao fim apenas quando, motivada pelo diretor (e bem paga, obviamente) foi ao Aeroporto encularar Tite, que foi embora apenas em carro da Polícia. Faz sentido conspirar contra o técnico que salvava a equipe do rebaixamento...

Hoje, ao navegar na internet, me deparo com mais um desses absurdos, que devem ser causados por uso de entorpecentes, pois nada mais justifica: o presidente do Flamengo dizendo que não acha o time do Fla ruim, mas que faltam três reforços: um zagueiro, um meia e um atacante.

Bom, fora achar que um time que tem como ataque Luião e Obina não ser ruim, tudo bem. Problema é quando ele disse quem são os três alvos: Juan para a zaga, Riquelme para o meio e Ronaldo para comandar o ataque.

E acredite, isso não é invensão. São apenas delírios de um país em que os cartolas vivem no Mundo da Lua.

Pendurando as chuteiras (ou não)
Zlatan Lexotan - 19/09

Surgimento, Auge, Decadência, Fim. Tudo na vida carrega estes quatro elementos como únicas certezas.

A carreira futebolística é um dos maiores exemplos deste ciclo vicioso. Todo jogador passa por estes momentos, guardadas as devidas proporções em seu auge e em sua decadência.

O Auge depende de muitos fatores, mas é guiado basicamente pelo talento e inteligência do atleta em saber como expor-se da forma correta. Já a decadência muitas vezes torna-se maior justamente pelo fato do jogador não saber como lidar com essa exposição, ou a falta dela.

Alguns preferem retirar-se quando o corpo ou a mente não conseguem mais acompanhar o ritmo imposto pelo esporte, que é o ideal. Os atributos técnicos mantêm-se inabaláveis por certo tempo, mas com a depreciação dos quesitos físicos, passa a ser difícil para o corpo acompanhar o que a técnica solicita. E então a decadência chega a seu limite. E este é um caminho que boa parte prefere seguir.

Para os brasileiros, não há caso mais notório que o do atacante Romário. O atacante surgiu nas categorias de base do Vasco da Gama, onde começou sua carreira profissional em 1984. Ou seja, há 22 anos atrás, quando boa parte das pessoas que leêm estas linhas eram pequenos mancebos ou sequer haviam nascido.

O artilheiro chegou ao auge de sua carreira dez anos depois, em 1994, quando carregou uma das piores seleções do Brasil ao título mundial da Copa nos Estados Unidos, quando um estrelado (e baqueado) time italiano perdeu nas penalidades. Nesta época, Romário defendia o Barcelona, onde ficou pouco mais de uma temporada e conquistou a Liga e foi artilheiro com 30 gols.

Depois, a carreira do baixinho passou alguns anos em ostracismo (Flamengo, Valencia, Flamengo) até que Romário viveu sua última grande temporada em 2000, quando marcou 67 gols e conquistou a Copa Mercosul e o Campeonato Brasileiro pelo Vasco. Aos 34 anos, seria o momento ideal de pendurar as chuteiras, um grande capítulo de sua carreira. Mas ele preferiu seguir.

Com a motivação de chegar ao milésimo gol, Romário passou a mendingar por uma vaga na Copa de 2002, mas teve de ver de longe o time comandado por Felipão conquistar o título sobre os alemães. Desde então, Romário perambulou por Fluminense, Al-Saad, Fluminense de novo, Al-Saad de novo, Fluminense pela terceira vez e retornou ao Vasco em 2005. Beirando os 40 anos, tornou-se artilheiro do campeonato nacional, quando marcou 22 gols. (Onde pode-se ter uma noção no nível inexistente do campeonato brasileiro...)

Terminar a carreira onde a começou? Nada disso! Ainda obcecado com a possibilidade de chegar ao gol 1000, Romário assinou com o Miami FC, da segunda divisão do futebol norte-americano.

Na USL Soccer, Romário marcou 19 gols, mas seu time foi eliminado no último domingo frente ao Vancouver Whitecaps, na primeira rodada dos play-offs. Como seu vínculo com o clube terminava com a participação do clube na Liga, Romário vê-se sem clube para continuar em sua saga, uma vez que a janela de transferências para jogadores do exterior encerrou-se, impossibilitando sua volta ao futebol brasileiro.

Segundo as contas do Vasco e do atacante, Romário contabiliza 984 gols em sua carreira, portanto, faltariam 16 para que ele alcance a tão sonhada marca. E não faltam clubes dispostos a ajudar: nesta segunda-feira, o jornal "The Sydney Morning Herald" publicou matéria na qual Romário estaria próximo de "reforçar" o elenco do fabuloso e grandioso Adelaide United.

Caso esta proposta confirme-se, fique atento para os jornais e noticiários nas próximas semanas. Você provavelmente verá a festa de Romário ao marcar seu milésimo gol em um canguru.

Liga dos Kapião!
Zlatan Lexotan - 13/09

E comeeeeçou a maior competição de clubes do universo! Teve início nesta terça-feira a sempre glamurosa e milionária Liga dos Campeões da Uefa. Até ai, nenhuma grande novidade. Como sou um colunista preguiçoso, deixei para escrever esta coluna depois das oito primeiras partidas terminarem.

Não tivemos grandes surpresas neste primeiro dia de competição e esta deverá ser a tônica para o restante. Zebras aparecerão, como de costume, mas dificilmente veremos uma final entre Lille e Levski Sofia. E os motivos para isso são claros: os abismos que separam as equipes grandes, médias e pequenas é cada vez mais assustador.

Prova clara disso foram os resultados desta terça-feira. Barcelona, Bayern Munique e Roma enfrentaram equipes de pequeno porte e venceram sem grandes problemas Levski Sofia, Spartak e Shakthar, tendo marcado 13 gols e nenhum sofrido.

Esses confrontos acima descritos exemplificam bem a disporidade entre os grupos de equipes: o Barcelona, do primeiro escalão, não marcou mais gols por clara falta de necessidade, já que enfrentou uma das piores equipes já vistas num gramado de Champions League.

Já Roma e Bayern Munique, do grupo secundário, tiveram mais dificuldades para superar seus adversários do bloco terciário, mas mesmo assim conseguiram formar um belo saldo de gols.

Enquanto isso, PSV e Liverpool, equipes que ocupam espaço no segundo grupo de força, empataram sem gols em jogo de dar sono. Ou seja, o equilíbrio de forças das equipes acabou ocasionando um jogo dos mais monótonos. O equivalente vale para o confronto entre Galatasaray e Bordeaux, também sem gols. Isso acabou dando ao grupo C da competição uma primeira rodada sem um gol sequer sendo marcado. Genial não?

No confronto do dia com mais gols, entre Olympiakos e Valencia, a categoria espanhola prevaleceu de tal forma que o decadente Fernando Morientes marcou três vezes na vitória por 4 a 2 diante dos gregos fora de casa. Mesmo fora de casa, o fato do conjunto blanco ser de um escalão pouco superior ao grego já ocasionou a vitória espanhola.

A única exceção do dia, como sempre, deu-se com a Internazionale, mas este é um caso que não necessita de maiores explicações.

Caso a lógica se mantenha, nas partidas desta quarta-feira teremos confrontos equilibrados no Grupo E, com duelos entre Dinamo e Steua e Lyon e Real Madrid, disparidades entre Manchester United e Celtic e Kopenhagen e Benfica, equilibrio entre Porto e CSKA e Hamburgo e Arsenal e uma fácil vitória do Milan sobre AEK e mais equilibrio entre Anderlecht e Lille. Mas nem tudo é tão fácil assim.

Começou a Liga dos Kapião! Que belessa hein kapião?

Olho por olho... Gato por gato!
Zlatan Lexotan - 05/09

Esqueçam todas as mais modernas teorias do marketing. Rasguem os livros e as teorias furadas de Philip Kotler, Sun Tzu e Carlos Alberto Parreira, ex-gurus do assunto. O novo papa do universo da propaganda e ídolo deste colunista se chama José Maria del Nido. Como assim vocês não o conhecem? Por isso estão aí, parados no tempo em vez de ganhar dinheiro fácil. O presidente do Sevilla já merecia uma estátua ao conseguir negociar Júlio Baptista e Reyes por uma boa grana para dois trouxas, Real Madrid e Arsenal. Mas agora, merece nosso destaque...

Reyes surgiu como mais um fenômeno espanhol, como geralmente acontece com os jovens que se destacam. Recebeu um tratamento de “novo Raúl” por parte da imprensa espanhola. Estreou na equipe aos 18 anos, e teve como ponto alto uma partida em que o Sevilla venceu o Real Madrid por 4 a 1. O diário esportivo Marca descreveu-o como 'simplesmente um superastro, espetacular - dribles, magia, visão e gols, tudo em um só jogador'. Na janela de transferências de janeiro de 2004, o Arsenal desembolsou U$ 31 milhões no jogador, sendo 19 milhões pagos no ato e outros 12 que dependiam do desempenho de Reyes. No final das contas, os Gunners pagaram € 26 milhões ao Sevilla.

No clube inglês, após um início arrasador na temporada 05/06, quando marcou seis gols nas seis primeiras partidas, Reyes micou com o restante do Arsenal. Foi contratado pelo seu estilo que aproximava-se do esquema de Wenger, de muita velocidade, mas o Arsenal chegou na final da última LC jogando na retranca. Reyes acabou no banco, e desde que chegou, sempre choramingou que gostaria de voltar à Espanha.

Julio Baptista chegou ao clube em 2003, procedente do São Paulo, onde carregava a reputação de um volante que não sabia marcar ou um atacante que não sabia chutar. Genial! Para adquiri-lo, o Sevilla desembolsou € 3 milhões. Foi escalado como atacante e marcou gols como água. Por seu estilo trombador, ganhou o apelido de "La Bestia". Na temporada 03/04, marcou 20 gols na Liga e acabou como vice artilheiro. A temporada seguinte não foi das melhores, mas o Sevilla conseguiu mais uma bela transação: vendeu Baptista por € 24,5 milhões. No Real Madrid, Baptista teve pouco destaque, mas ainda assim conseguiu marcar oito gols. Capello, assim que chegou, deixou claro que não contava com o grotesto jogador em seu elenco.

Se apenas por essa condição, de vender jogadores a preços estratosféricos, Del Nido já era idolatrado, agora conseguiu se superar - e sem se mexer um centímetro sequer. Real Madrid e Arsenal se convenceram da burrice que fizeram e tentaram corrigi-la ao trocar Júlio por Reyes. Ah, agora sim as coisas vão para frente.

E Del Nido ainda vai ganhar uma grana dos dois times por conta do troca-troca! Ou seja, eles perceberam que trocaram gato por lebre e ainda tiveram que pagar extra para se livrar do encosto, recebendo de volta outro encosto ex-Sevilla. Gênio! Mestre! Uma aula de como lucrar duplamente com mercadorias de baixa qualidade.

Uma história pessoal
Zlatan Lexotan - 29/08

Não sou um torcedor corneteiro. Sempre apoiei o Milan, sofri nas tristezas e comemorei nas conquistas. Porém, só descobri esta paixão rossonera quando tinha 12 anos, em 1996. Acompanhei uma equipe com George Weah e Zvonimir Boban ser campeão italiano, e a empatia foi imediata. Antes disso, tinha como time de meu coração uma equipe brasileira, mas que nunca realmente encheu meu peito de alegria ou orgulho. Era como um namoro bobo, que um dia acaba ao encontrar o verdadeiro amor para a vida toda.

Assim aconteceu comigo. Desde então, passei, graças ao advento da tevê à cabo, acompanhar sempre que podia os jogos do Milan. A temporada seguinte ao título foi desastrosa para mim: nenhum canal chegou a um acordo pelos direitos de transmissão e tive de contentar-me em acompanhar pela Internet. Fui tolo, já que desconhecia a possibilidade de assistir pela RAI. Porém, fui poupado de um grande sofrimento logo de cara, já que a equipe rossonera terminou a temporada em uma decepcionante décima primeira colocação, sofrendo inclusive uma goleada história frente a Juventus por 6 a 1 em pleno San Siro. A campanha na Liga dos Campeões também foi desastrosa: eliminado na fase de grupos, abaixo de Porto e Rosenborg.

A temporada 97/98 foi igualmente decepcionante: uma décima colocação, assistindo a mais uma conquista da Juventus. A época seguinte, a de 98/99, marcou a segunda ausência consecutiva da UCL, mas também o retorno do Milan a disputa das primeiras colocações, finalizando em terceiro lugar abaixo de Lazio e Juventus. Em 2000/01, o Milan voltou a decepcionar-me e finalizou a Série A em uma mediana sexta colocação. Na época seguinte, mais uma época de lamúrias: apenas a quarta colocação na Série A, mas a vaga garantida na Liga dos Campeões da temporada seguinte.

O Milan finalizou a Série A em 2002/03 na terceira colocação, mas desta vez não houve motivos de tristeza: celebramos a conquista da Liga dos Campeões sobre a Juventus nos pênaltis. A campanha consagrou jogadores como Filippo Inzaghi, Shevchenko e Dida, eliminando times como Ajax e Internazionale. Na temporada seguinte, o clube rossonero teve uma sorte muito menor na UCL, quando sofreu uma virada história do Deportivo: venceu o primeiro jogo por 4 a 1 e acabou derrotado na Galícia por 4 a 0. Na Série A, porém, o Milan sagrou-se campeão pela 17ª vez em campanha que revelou Kaká.

A temporada 04/05 mostrou-se uma das mais promissoras e acabou por ser a mais decepcionante. A Série A parecia um título garantido, mas a taça acabou nas mãos da Juventus. A Liga dos Campeões foi um episódio a parte: após estar vencendo o Liverpool por 3 a 0 ao final do primeiro tempo, a equipe italiana permitiu o empate e acabou derrotado nas penalidades. Um episódio de extremo sofrimento. Os torcedores que esperavam mudanças para a última temporada ficaram a ver navios. O Milan acabou mais uma temporada atrás da Juventus na Série A e, na Liga dos Campeões, caiu nas semifinais diante do Barcelona.

Ao final da temporada, surgiram os escândalos de corrupção envolvendo a Juventus que acabaram com uma punição de oito pontos negativos para o Milan na temporada 06/07 e ainda colocou a equipe italiana na 3 fase eliminatória da Liga dos Campeões. No sufoco, o Milan superou o Estrela Vermelha e classificou-se a fase de grupos da competição. Esta, até agora, foi a única vitória na temporada atual. O elenco perdeu Shevchenko e nada fez para repor: perdeu as disputas por jogadores como Ibrahimovic, Luca Toni e Ronaldo. O elenco sexagenário segue no clube, e até mesmo a contratação do mediano Ricardo Oliveira torna-se difícil.

A diretoria está de sacanagem, ou então trata-se de uma pegadinha que será desfeita no próximo dia 31, quando encerra-se a janela de transferências. Não custa acreditar. Ou então voltarei ao velho tempo sofrido das temporadas de 97 a 02. Pelo menos já conheço a sensação....

Previsões e Imprevistos
Zlatan Lexotan - 22/08

A temporada européia já começou, mas ainda há tempo de previsões para os campeonatos. Abaixo, falaremos sobre os times que disputarão o título e as vagas européias. Charlatanismo puro, mas não me importo. Confira abaixo os palpites infalíveis.

Alemanha

Título: Bayern Munique, Hamburgo, Schalke 04 e Werder Bremen lutarão pela conquista da Bundesliga, com os Azuis Reais correndo bem por fora. O Bayern perdeu a espinha dorsal de seu meio campo: Ballack e Zé Roberto saíram ao final de seus contratos, e o Bayern não contratou ninguém para repor. O Hamburgo perdeu sua dupla de zaga: Boulahrouz e Van Buyten foram negociados. O Werder Bremen perdeu Micoud, mas reforçou-se com Mertesacker e Diego. Como temos 33 vagas destinadas a Liga dos Campeões, um vai sobrar na Uefa. Palpite: Werder campeão.

Copa Uefa: Bayer Leverkusen, Borussia Dortmund, Hertha Berlim e Stuttgart brigarão por uma vaga na Uefa, mas terão de lembrar-se que, com apenas duas vagas destinadas a competição, terão de degladiar-se por uma vaga apenas, já que um dos postulantes ao título sobrará.

Rebaixamento: Alemania Aachen, Arminia Bielefeld, Bochum, Energie Cottbus e Mainz 05 lutarão para evitar a Bundesliga II.

Espanha

Título: Barcelona e Real Madrid disputarão o título e ponto. O Barcelona manteve a base e contratou Thuram e Emerson no saldão da Juventus. Porém, o Madrid não se limitou ao saldão: além de Cannavaro e Emerson, contratou Diarra e Van Nistelrooy, além do técnico Capello. Atlético de Madrid, Valencia Villarreal e Zaragoza brigarão por duas vagas na Liga dos Campeões. Palpite: Real Madrid campeão.

Copa Uefa: Betis, Celta de Vigo, Deportivo, Osasuna, Sevilla são os principais candidatos a uma vaga na Copa Uefa, não fosse o alto número de equipes lutando por uma vaga na Liga dos Campeões. Assim como as euqipes no topo podem se derrubar e dar espaço a equipes do escalão inferior. Será uma bela briga de foice no escuro.

Rebaixamento: Getafe, Gimnàstic, Levante, Mallorca e Recrativo Huelva serão os postulantes ao rebaixamento.

França

Título: Bordeaux, Lyon, Lille e Marseille lutarão pela conquista do título. Lutar é uma expressão forçada, já que dificilmente alguém impedirá mais uma conquista do Lyon. E nesse não precisa nem de palpite... O Lyon, mesmo enfraquecido com a saída de Diarra, manteve sua base. O Bordeaux conta com o reforço de Johan Mcoud, enquanto o Lille manteve seu base forte de jogadores sem grande fama e estrelismo. O Marseille passa por mudanças em seu elenco, mas a tradição, nesse caso, fala mais alto.

Copa Uefa: Auxerre, Lens, Mônaco, PSG e Rennes serão os grandes aspirantes a disputar uma vaga na Copa Uefa. O PSG luta por uma vaga na Liga dos Campeões, mas apostar nos parisienses sempre é arriscado.

Rebaixamento: Lorient, Sedan, Sochaux, Troyes e Valenciennes lutarão contra as três vagas destinadas a Ligue 2.

Itália

Título: Milan, Inter, Roma e Fiorentina são os postulantes ao título desta temporada, mas quem surge como verdadeiro favorito é a Inter. O Milan sairá com saldo devedor e perdeu Shevchenko, mas tem em seu favor o baixo nível de muitos competidores. A Inter, com os reforços de Ibrahimovic, Vieira e Grosso, a Inter não conquista a Série A só se não quiser...

Copa Uefa: Chievo, Lazio, Palermo, Sampdoria e Udinese lutarão para chegar a próxima Copa Uefa, disputando três vagas destinadas ao torneio.

Rebaixamento: Ascoli, Atalanta, Cagliari, Catania, Empoli, Livorno, Messina, Parma, Reggina, Siena, Torino. Impressionante o número de equipes que lutarão contra a Série B nessa temporada. Porpem, com elencos fracos, os clubes listados terão de lutar muito para evitar uma das quatro vagas destinadas a segunda divisão.

Inglaterra

Título: Arsenal, Chelsea, Liverpool e Manchester United lutarão pelo título, ou então tentarão impedir mais uma conquista do Chelsea. Difícil imaginar que alguém de fato impedirá: agora, os Blues contam com um atacante do nível de Shevchenko e ainda reforçou seu elenco com Boulahrouz, Ballack, Kalou e Mikel. O United, por sua vez, perdeu Nistelrooy e não contratou ninguém, enquanto o técnico Alex Ferguson insiste em dizer que tm um elenco tão bom quanto o dos Blues. Arsenal e Liverpool, por sua vez, aspiram o título mas modificaram muito pouco seu elenco para tal objetivo. Newcastle e Tottenham brigarão por uma vaga na Liga dos Campeões.

Copa Uefa: Blackburn, Bolton, Everton, Middlesbrough são os principais postulantes a vagas na Copa Uefa, mas teremos clubes sobrando na luta por vagas na Liga dos Campeões.

Rebaixamento: Reading, Sheffield United, Watford e Wigan lutarão contra o rebaixamento.

Portugal

Título
: Benfica, Porto e Sporting lutarão mais uma vez pela conquista da SuperLiga. Que novidade... Existem poucas diferenças nas três equipes em relação a temporada anterior: Benfica e Porto trocaam de técnico, enquanto o Sporting manteve no comando Paulo Bento. No Benfica, saiu Ronald Koeman e assumiu Fernando Santos, que já conquistou a SuperLiga com o Porto. Já no Porto, Co Adriaanse deixou a equipe na parte final da pré-temporada, sendo substituído por Jesualdo Ferreira, que fez duas belas temporadas no comando do Braga. Dentro de campo, serão poucas as diferenças. O Porto negociou Benny McCarthy, o Benfica repatriou Rui Costa e o Sporting trouxe os meias Farnerud e Romagnoli. Palpite: Porto campeão.

Copa Uefa: Braga, Boavista, Nacional e Vitória de Setúbal são os principais candidatos as duas vagas destinadas a competição.

Rebaixamento: Paços Ferreira, Estrela Amadora, Acadêmica, Beira-Mar e Desportivo das Aves são os grande candidatos a evitar o rebaixamento, mas dois deles serão despromovidos.

Os favoritos
Zlatan Lexotan - 15/08

Com a derrocada da Juventus após todos as escândalos que já estamos cansados de saber de cor e salteado. Então, seus jogadores passaram a espalhar-se rapidamente em todas as especulações possíveis. Com pouco mais de quinze dias para o encerramento da janela de transferências, temos quatro equipes que reforçaram-se pesadamente para a disputa dos campeonatos nacionais e, principalmente, para a Liga dos Campeões: Barcelona, Chelsea, Internazionale e Real Madrid. Abaixo, analisamos as equipes que despontam com todo o favoritismo até o momento:

Barcelona
Quem chegou: Gudjohnsen, Zambrotta e Thuram
Quem foi: Larsson e Maxi López
Time base: Valdez; Zambrotta, Thuram, Puyol e Gio; Rafa Marquez, Xavi e Deco; Ronaldinho, Messi e Eto'o
Técnico: Frank Rijkaard
Ponto forte: Alto nível de criatividade
Ponto fraco: Marcação frouxa no ataque e meio de campo, sem combate 

O Barcelona corrigiu um de seus grandes, se não o principal problema: a froxidão de sua defesa. Belletti e Oleguer eram os principais expoentes de uma equipe com grande poder ofensivo, mas que penava com a baixa qualidade dos dois atletas. Com as chegadas de Zambrotta e Thuram, o Barça conseguiu, pelo menos no papel, formar um setor muito forte com as presenças de Puyol, Gio e Rafa Marquez.

No ataque, a mudança mais sensível foi a saída do sueco Henrik Larsson, que retornou a sua terra natal para aposentar-se. Larsson, então único centroavante de ofício, foi substituído pelo islandês Gudjohnsen no banco de reservas blaugrana. Outro que exercia tal função, Maxi López, foi emprestado ao Mallorca. Caso algum de seus atacantes tenha problemas, Rijkaard terá como opção Giuly ou Gudjohnsen. Fraco...

Chelsea
Quem chegou: Ballack, Kalou, Shevchenko e Obi Mikel
Quem foi: Gudjohnsen, Jarosik, Carlton Cole, Maniche, Del Horno, Duff e Crespo
Time base: Cech; Paulo Ferreira, Terry, Ricardo Carvalho e Wayne Bridge; Makelele, Lampard e Ballack; Joe Cole, Shevchenko e Robben
Técnico: José Mourinho
Ponto forte: Marcação
Ponto fraco: Falta de alternativas táticas

A equipe do Chelsea sempre penou por não ter em seu elenco um homem gol de primeira linha. Shevchenko foi contratado a peso de ouro para resolver esta questão, e provavelmente era a melhor opção para os Blues.

Porém, o estilo de jogo do Chelsea é mais do que previsível, uma vez que Mourinho o utiliza desde os tempos em que dirigia o Porto. Com a chegada de Ballack, o meio de campo do Chelsea ganha em técnica e visãod e jogo, mas perde a força de Essien.

Tecnicamente, o elenco do Chelsea é fortíssimo. O único ponto mais problemático segue sendo a ala esquerda, onde insiste-se na contratação de Ashley Cole. Gallas, que até então jogava impovisado, não será aproveitado no elenco do clube londrino nem mesmo como reserva para a zaga.

Internazionale
Quem chegou: Dacourt, Maxwell, Fabio Grosso, Maicon, Patrick Vieira, Crespo e Ibrahimovic
Quem foi: Mihajlovic, Cristiano Zanetti, Favalli, Womé, Kily Gonzalez, Verón e Zé Maria
Time base: Julio Cesar; Maicon, Córdoba, Samuel e Grosso; Vieira, Cambiasso, Stankovic e Figo; Adriano (Crespo) e Ibrahimovic
Técnico: Roberto Mancini
Ponto forte: Acerto nos reforços
Ponto fraco: Falta de um homem de criatividade

A Inter, em toda temporada, resolve contratar e dispensar uma dezena de jogadores. Mas nunca o clube neoazzurro acertou tão em cheio nas contratações. As chegadas de Grosso, Vieira e Ibrahimovic foram as ideais para as necessidades do elenco, que sofria com a falta de alas pela esquerda e um volante de categoria, além de um atacante de mobilidade.

Além disso, a Inter trouxe nomes de qualidade para reforçar o elenco e ter um banco de reservas forte para uma longa temporada: além de ser franca candidata ao scudetto, a Inter tem de provar suas estrelas na Liga dos Campeões, e o caminho será tortuoso.

A permanência de Adriano na equipe é a grande e única duvida neste momento, já que as chegadas de Crespo e Ibra deixam ainda mais em dúvida o futuro do brasileiro após sua péssima última temporada.

   
Real Madrid
Quem chegou: Cannavaro, Emerson e Nistelrooy
Quem foi: Zidane
Time base: Casillas; Salgado, Cannavaro, Sergio Ramos e Roberto Carlos; Emerson, Pablo García e Beckham; Raúl, Cassano e Nistelrooy.
Técnico: Fabio Capello
Ponto forte: O técnico
Ponto fraco: Fragilidade da defesa, exceção a Cannavaro

O Real Madrid tenta escapar de um jejum que já dura três anos. Os esforços para esta temporada mostraram-se acertados até o momento: reforços de peso para a marcação e um atacante que preste para a vaga de Ronaldo.

Obviamente, nem tudo são flores: Capello não conseguiu opções boas para a lateral esquerda e terá de ser conformar com Roberto Carlos. No meio de campo, os esforços ficaram sobre Kaká e o resultado esperado não apareceu. Ainda falta um homem de criação para ocupar a vaga de Zidane.

Porém, Capello vem tentando resgatar três jogadores que estavam encostados no elenco Merengue: Raúl, Cassano e Woodgate. Caso consiga, será mais uma amostra de todo poder que o ex-técnico da Juve tem. As chances de título do Real Madrid seriam poucas, mas com Capello no comando a história é bem diferente. 

Ambição
Zlatan Lexotan - 08/08

Frequentemente, clubes do futebol europeu resolvem adotar uma metodologia que invariavelmente os leva até o mais fundo poço de lama. Exemplos de clubes que afogaram-se na própria ambição não faltam.

A década de 90 foi onde o Velho Mundo acostumou-se a ver clubes de médio porte em seus países resolverem aplicar quantias absurdas em reforços com um sonho de disputar os títulos em seus países e garantir uma vaga em competições européias.

O Blackburn Rovers foi um dos primeiros exemplos disso. O milionário local Jack Walker adquiriu o clube no início da década sonhando em colocar novamente o clube na Premier League. Para isso, investiu pesado para contar com Kenny Dalglish como técnico para a temporada 91/92. A empreitada deu certo e o Blackburn foi promovido e se tornou um dos clubes fundadores da Premiership em 1992. Com a equipe na primeira divisão, Walker investiu pesado em contratações, como Alan Shearer e Chris Sutton, na época o jogador mais caro do futebol inglês. Em 93/94, os Rovers acabaram com o vice-campeonato, mas na temporada seguinte chegaram ao título na última rodada de forma espetacular e inesquecível, desbancando o Manchester United.

Porém, a grana de Walker acabou e lentamente o clube passou a afundar-se. O auge deste buraco chegou ao final da temporada 98/99, quando o Blackburn tornou-se o primeiro campeão da liga rebaixado. O clube voltou para a Premier League em 2001/2002, mas Walker havia falecido um ano antes e não pode ver seu amado Blackburn voltar a Premier League.

O futebol italiano viu-se cheio destes episódios no final da década de 90. Lazio, Fiorentina e Napoli foram os grandes expoentes deste tipo de caso. Fiorentina e Napoli acabaram rebaixado assim como o Blackburn, resultado de suas aberrações financeiras que tanto inflacionaram o mercado futebolístico. A Lazio chegou a investir uma fortuna para montar uma dupla de ataque com o chileno Marcelo Salas e o italiano Crhistian Vieri. Hoje, com a carreira de ambos no final, podemos ver o quanto foi errado o investimento do clube romano. A Lazio ainda conseguiu chegar ao título italiano na temporada 99/00, mas hoje amarga posições intermediárias e conta com jogadores de calibre muito mais discreto. Para ter-se uma idéia, a Lazio conta com duas das dez transferências mais caras da história: pagou 56,4 milhões para contratar Hernan Crespo em 2001 e desembolsou 45 milhões para contratar a enganation Mendieta em 2002. Com mais de cem milhões gastos nos dois, poderia formar-se um grupo muito mais equilibrado e forte.

Um dos últimos casos de clube médios tornar-se milionários do dia para a noite é o Chelsea. Quando o magnata russo Roman Ambramovic comprou o clube londrino, muitos imaginavam um novo Blackburn surgindo em terras britânicas. Porém, a grana que Abramovic tem no bolso é incalculável a ponto dos Blues não estarem com seus dias contados. Pelo contrário, o clube inglês firmou-se com uma das principais forças do continente e atrai jogadores de primeira linha. Sinal de um trabalho feito com muito mais planejamento e cuidado.

A bola da vez é o futebol espanhol. O Real Madrid bancou o plano dos Galacticos desde 2001, quando contratou Figo por 61,7 milhões de euros. Na temporada seguinte, investiu 76 milhões em Zidane. Desde então, anualmente o Madrid investiu pesado em jogadores com um alto valor de mercado, mas que pouco agregaram ao clube. Como resultado, amarga três temporadas sem ver a cor de uma taça no Santiago Bernabéu.

Com um poderio econômico e uma reputação infinitamente menor, a bola da vez na Espanha é o Zaragoza. Com um projeto interessante, neste temporda o clube atraiu talentos como D'Alessandro, Pablo Aimar e Piqué.

Em junho, Alfonso Soláns Soláns, presidente e proprietário do Zaragoza, colocou o clube à venda. Era o fim de uma administração desgastada, que nunca teve boa receptividade por parte da torcida. Soláns Soláns esteve à frente dos ‘blanquillos’ por dez anos, sempre adotando uma política tímida em investimentos que levou o Zaragoza há várias temporadas insossas. Muito diferente de seu pai, Alfonso Soláns Serrano, que comprou o clube em 1991 para salvá-lo da falência e o levou ao título da Copa do Rei em 1994 e da Recopa européia no ano seguinte.

Com a saída de Soláns filho, o empresário de construção civil Agapito Iglesias comprou as ações do clube e deixou a presidência com Eduardo Bandrés. A chegada da dupla não significa que o Zaragoza esteja cheio de dinheiro para investir, mas a filosofia mudou. Com mais ousadia financeira, conseguiu manter as principais figuras da equipe – os irmãos Diego e Gabriel Milito, Ewerthon, Ponzio e Zapater – e ainda trouxe a dupla de meias argentinos.

Em teoria, o Zaragoza já tem uma base de respeito. Até porque o técnico é o bom Victor Fernández, que começou sua carreira justamente nos ‘blanquillos’. A política lembra a do Villarreal, com jogadores de talento acessíveis financeiramente e com vontade de provar algo para os grandes. E foi esse projeto que seduziu D’Alessandro e Aimar, por mais improvável que pareçam as duas contratações.

Agora, resta esperar que o clube espanhol não caia na mesma armadilha de Blackburn, Leeds, Napoli, Lazio, Fiorentina e possa manter seus jogadores e seguir em frente em seu plano de crescer no cenário espanhol e passar a participar de formamais assídua nas competições continentais.

Campeã sem moral
Zlatan Lexotan - 01/08

Ser campeão no tapetão deve ser uma imensa prova de incompetência. Ainda mais quando seu time está em jejum há tantos anos. Isso aconteceu na última semana no país atual campeão do Mundo. Centro do grande episódio de corrupção que o futebol já viu, a Itália viu mais um capítulo deprimente desta novela que está longe de chegar ao fim.

O grande causador do atual momento foram as conversar telefônicas que denunciaram o esquema que ajudava a Juventus a ser campeã italiana na temporada 04/05, que contou com ajuda de jornalistas, árbitros, cartolas, jogadores, gandulas, narradores, torcedores e o raio que o parta. Como houve fraude, a conquista da Juventus foi cancelada e o título ficou vago.

Então, começou o grande esquema dominó. Como a Juventus pilantrou, mas não houveram indícios de roubo na temporada passada, a Juventus foi rebaixada. Como o Milan sabia da pilantragem, acabou perdendo um caminhão de pontos. Lazio e Fiorentina forma ajudadas pelo esquema e foram punidas também.

Ai entra o grande barato: como não houveram provas de pilantragem na temporada 05/06, o título teria de ir parar nas mãos de alguém. A Juventus, rebaixada, não poderia ser. O Milan, segundo colocado, foi punido e não poderia ficar com a taça. Sobrou no colo da Inter o scudetto, título que não era conquistado desde 1989. Não era e seguirá não sendo, afinal, duvido que o torcedor neoazzurro tenha ficado satisfeito: estava há 16 anos sem ver um título e, quando ele veio, foi numa decisão do tribunal dois meses depois do fim do campeonato.

Esta temporada será a grande chance da Inter conquistar um scudetto sem precisar de ajuda do tribunal. Com a queda da Juventus e com o enfraquecimento do Milan, pela saída de Shevchenko e pela falta de reforços em seu elenco sexagenário, a Inter será a grande equipe de um torneio em dúvida. A imagem de que tudo pode ser uma grande encenação demorará a sair da cabeça do torcedor.

Seleção de ninguém
Zlatan Lexotan - 25/07

Como em todo final de temporada, pensamos, naqueles dias em que tempos pouco assunto, em formular as mais variadas seleções. Os onze melhores da temporada, as decepções, a seleção da Copa e etc. Porém, ao me deparar com este tema, não cheguei a nenhuma conclusão.

Nunca uma temporada esteve tão desfalcada de talentos individuais. Nenhum clube destacou-se o suficiente graças a um determinado jogador. Pequenos destaques temporários levaram seus clubes mais longe. Obviamente, temos sim alguns nomes que seriam indiscutíveis, mas difícil chegar até mesmo nos onze melhores.

A Copa do Mundo, que poderia consagrar muitos jogadores, acabou servido apenas para chegar a conclusão de que, se há a obrigatoriedade de formar um selecionando, seria um misto de italianos com franceses e alguns intrusos. Porém, nenhum deles teve destaque de forma constante, ou seja, foi unanimidade durante toda a temporada.

Buffon é certamente o arqueiro deste time. Apesar de ter ficado marcado pelo episódio das apostas ilegais e atuar no time mais pilantra do Mundo, não há duvidas de que suas atuações, quando solicitado, são as melhores possíveis. As alas seriam dominadas por italianos também. Na direita, o improvisa Zambrotta mostrou que mesmo fora de sua posição original ele pode ser considerado um dos melhores no momento. Na esquerda, Fabio Grosso mostrou solidez e força, assim como sangue frio incomum a um jogador defensivo nos momentos decisivos no ataque. Curioso é que ambos forma negociados neste verão europeu: Grosso foi para a Inter e Zambrotta rumou para o Barcelona.

Na zaga, o capitão seria o indiscutível Fabio Cannavaro. Assim como Buffon, teve a imagem marcada pelos episódios de corrupção, que comprovaram que ele forçara sua saída da Inter dentro do esquema de Moggi. Porém, suas atuações na Copa do Mundo foram impecáveis, merecedoras de total reconhecimento, que veio em forma de taça: a Copa do Mundo, levantada por ele.

O outro posto na zaga é uma grande incógnita. Os destaques das temporadas anteriores, considerados grandes medalhões, decepcionaram. Terry, Nesta, Hyypia e etc tiveram temporada abaixo ou apenas na média. Daniel van Buyten, zagueiro belga do Hamburgo, teve mais destaque e foi muito bem na zaga da equipe alemã, que lhe valeu uma transferência para o Bayern de Munique. Na ausência de outros possíveis candidatos, van Buyten ocupa o miolo da zaga pela melhor fase.

O meio de campo foi um verdadeiro deserto nesta temporada. Maxi Rodriguez e Zidane poderiam ser facilmente escolhidos para as meias pela excelente Copa do Mundo disputada, assim como Andréa Pirlo e Patrick Vieira seriam escalados como volantes desta equipe. Nomes fortes como Gerrard, Lampard, Kaká, Robben, Cristiano Ronaldo, Deco e etc ficaram abaixo da expectativa, seja na Copa ou na temporada.

No ataque, um dos setores mais fáceis de ser escalado, teríamos a dupla artilheira Luca Toni e Miroslav Klose. O italiano Luca Toni foi o artilheiro da temporada européia e marcou um caminhão de gols no calcio, 31 ao total. Além disso, teve boa participação na Copa, marcando dois tentos. Já Klose foi artilheiro da Bundesliga com 25 gols, além de ser também o artilheiro da Copa com cinco gols marcados. Difícil contestar estes números.

Assim como é difícil contestar esta seleção formada acima. Muito mais pela falta de futebol...

O Esquadrão
Zlatan Lexotan - 18/07

Na última semana, o mundo do futebol presenciou as quedas de Lazio, Fiorentina e Juventus para a Série B do calcio, devido aos escândalos do CalcioCaos ou MoggiGate, como preferir. A ameaça disto ocorrer antes da sentença sair gerou uma avalanche de especulações em torno dos atletas dos clubes envolvidos.

Com a sentença firmada, veremos um verdadeiro time estelar sendo espalhado por toda a Europa. Até mesmo boatos de atletas na Turquia surgiu. Nestas horas queria ter a insanidade e a condição financeira de Romam Abramovic, patrono do Chelsea: compraria o tradicional Fulham, clube londrino de pequeno porte e que habita meu coração, e nele investiria toda minha fortuna com contratações de peso.

Imagine: Buffon; Oddo, Cannavaro, Thuram e Zambrotta; Emerson, Vieira, Nedved; Ibrahimovic, Trezeguet e Luca Toni. No banco, contaria com Frey, Ujfalusi, Jorgensen, Luciano Zauri, Kovac, Manfredini, Behrami, Blasi, Montolivo, Fiore, Mutu, Bojinov e Pandev. Ufa!

Trezeguet anda em má fase? Mande-o pro Brescia e busque o insatisfeito Van Nistelrooy! Nedved faz planos para aposentadoria? O que diz de ir buscar o compatiotra Tomas Rosicky? Thuram está próximo de sua aposentadoria? Vamos apostar em jovens: Vincent Kompany. Tranquillo Barnetta para a meia.

A Premier League poderia sair de seu marasmo. Chelsea, Arsenal, Manchester United, Tottenham, Liverpool, Fulham. Seis times brigando pelo título com as mais variadas estrelas. Porém, ao contrário de Abramovic, não me limitaria a apenas comandar as finanças: seria também o técnico.

Salários médios, mas um alto valor de premiação. Não alcançaram os objetivos? Corte salarial. Maneira mais interessante de motivar os jogadores do que mexer no bolso deles? Desconheço! Se ganharmos tem prêmio, folga, balada, festa, orgia. Não ligo, desde que vençamos. Se perdermos, ah, aguente as severas consequências...

Não haveria, realmente, momento mais adequado para ser um milionário de nível mundial. Porém, com o que o FEC me paga atualmente, não consigo comprar o passe nem do Gilmar Fubá no carnê das Casas Bahia a perder de vista...

Heróis e Vilões
Zlatan Lexotan - 11/07

O futebol é um esporte cruel e cheio de ironias. Aquele que hoje é o herói pode facilmente se tornar o grande vilão em questão de segundos. A história recente mais marcante era a de Roberto Baggio. O maior ídolo do futebol italiano na década de 90 ficou devidamente marcado pelo pênalti perdido diante do Brasil na final da Copa de 1994.

Poucos se lembram, mas Baggio jogou baleado aquela final, no sacrifício, como o companheiro Baresi. Apesar de ter sido ligeiramente execrado após aquela final, Baggio conseguiu dar a volta oito anos depois, quando todo o país exigiu sua convocação para a Copa de 2002. Em vão, Baggio não foi lembrado na convocação, mas seus dias de “vilão” haviam acabado.

Nesta Copa do Mundo, muitos heróis e vilões surgiram. O Brasil todo viu seus veteranos e grandes estrelas saírem do Mundial de forma vexaminosa. A Inglaterra teve seus dois grandes craques, Lampard e Gerrard, perdendo penalidade diante de Portugal. A Holanda foi toda uma vergonha. A Alemanha tinha em Oliver Kahn seu grande malfeitor, mas o arqueiro do Bayern redimiu-se apoiando publicamente o desafeto Lehmann durante a partida contra a Argentina.

Os finalistas, Itália e França, também tiveram seus altos e baixos marcados. A Itália chegou ao Mundial tentando apagar os escândalos do vilão de histórias cinematográficas Luciano Moggi. Os grandes craques do time, Totti e Del Piero, acabaram ofuscados por Cannavaro, Pirlo, Zambrotta, Grosso e Buffon. Estão coroados os novos heróis da Azzurra. O técnico Lippi, então, inspirou os deuses do futebol com um estilo vibrante entre seus comandados, exacerbando as qualidades individuais de cada um de seus atletas.

A França encaixa-se perfeitamente nas duas primeiras frases desta coluna. Trezeguet e Zidane, dois jogadores que dormiram de um lado da cama e acordaram do outro. Trezeguet chegou a final da Copa com boas lembranças: na Euro 2000, foi ele o autor do gol de ouro que deu o título aos Bleus diante da mesma Itália. Zidane, que havia começado mal a Copa, cresceu na fase decisiva e foi figura chave nas classificações diante de Espanha, Brasil e Portugal. Não por acaso acabou eleito o melhor atleta da Copa.

Porém, todas as histórias felizes tem um porém. Trezeguet ficou no banco a Copa toda. Quando jogou, nada fez. Nos últimos minutos da final, entrou em campo para substituir um exausto Henry. Mas o trevo de quatro folhas do atacante francês deve ter ficado no vestiário da Juventus. Trezeguet cobrou a terceira penalidade dos franceses e acertou o travessão.

Já Zidane é um episódio a parte. Sua atuação brilhante diante do Brasil deu a todos a impressão de que a França poderia vencer qualquer oponente, desde que seu talento sem fronteiras se manifestasse desta forma. Zidane então abriu o placar diante dos italianos com uma cobrança de pênalti magistral diante de Buffon, com um toque displicente no alto. Zidane então resolveu usar a cabeça: após jogada individual, viu Buffon fazer grande defesa. Na seqüência, ele perdeu a cabeça ao usá-la novamente, acertando golpe de dar inveja ao E. Honda, tradicional personagem do game Street Fighter, no peito de Materazzi.

Assim como Baggio, Zidane é o grande ídolo de toda uma geração para seu país. Mas não terá, como o italiano, a chance de se redimir de seu ato impensado. Cruel e irônico, sem dúvida...

Camisa 10
Zlatan Lexotan - 04/07

Nesta Copa do Mundo tivemos 32 jogadores de posse da tradicional Camisa 10. Alguns de grande talento, outros nem tanto. O polônes Szymkowiak, o tunisiano Ghodhbane e o togolês Mamam são belos exemplos de jogadores desta Copa que vestiram a camisa dez sem ter em seus pés um futebol equivalente ao número tradicional dos craques que carregam seu time.

Outros camisas dez desta Copa tinham fama e a esperança de fazer algo de bom por seus países, mas naufragaram nos momentos mais importantes. O sérvio Stankovic, atualmente na Internazionale, nada pode fazer para evitar o desastre de sua seleção na Copa, eliminada com três derrotas e uma humilhante goleada de 6 a 0 frente a Argentina. Tomas Rosicky, meia tcheco recentemente adquirido pelo Arsenal, teve bela atuação na estréia frente aos Estados Unidos marcando dois belos gols, mas sucumbiu juntamente com uma equipe sem atacantes de ofício ainda na primeira fase. Michael Owen, o 10 inglês, veio de lesão e acabou novamente lesionado. Naufragou junto com seus companheiros, eliminados nas quartas de final.

Zlatan Ibrahimovic foi uma das grandes decepções desta Copa. Era tido como a grande esperança sueca para o Mundial, mas suas ausências colaboraram para as melhores exibições da Suécia. Quando esteve em campo foi marrento, fominha e individualista, mas sem mostrar grande empenho. Kewell, o dez da Austrália, chegou com muita fama por atuar no Liverpool e acabou no banco de reservas. Reyes e Van der Vaart, os inscritos com a camisa 10 nos times de Espanha e Holanda, respectivamente, eram dois jogadores importantes em seleções consideradas favoritas, mas que acabaram no meio da caminho. Van der Vaart foi, como Ibrahimovic,  uma grande decepção pela temporada realizada no Hamburgo, mas pouco colaborou na seleção holandesa, que fracassou como de costume.

Chegamos as principais decepções desta copa: Riquelme e Ronaldinho. Riquelme foi bem nas duas primeiras partidas da seleção Argentina, sendo fundamental nas vitórias sobre Costa do Marfim e Servia e Montenegro. Daí em diante foi gradativamente sumindo. Contra o México foi quase um jogador a menos. Diante dos alemães, sua nulidade acabou com a substituição. JáRonaldinho Gaúcho é um caso a parte. Nunca me enganou realmente com seus malabarismos sem grande resultado. Porém, a imprensa nacional fez o povo crer que o jogador do Barcelona seria capaz de fazer chover, ser melhor que Maradona e Pelé. As expectativas criadas foram enormes, enquanto o futebol do brasileiro resume-se a firúlas que geralmente são ao adversário diversos contra ataques.

Neste último sábado, porém, a camisa dez deixou de ser uma decepção. Quem acompanhou a partida entre Brasil e França percebeu que, um verdadeiro camisa dez não pipoca, não se esconde e joga um futebol realmente vistoso, elegante e habilidoso. Zinedine Zidane, aos 34 anos, mostrou ao mundo que ser craque rompe as barreiras da idade e do físico. Colocou os brasileiros no bolso, driblou, marcou, lançou, deu o passe do gol e ainda aplicou um chapéu desmoralizante em Ronaldo.

Zidane mostrou, além de tudo, que para ganhar uma Copa é necessário muito mais do que estrelismo: é necessário ter uma estrela que brilhe no céu dos futebolistas de primeiro nível, os verdadeiros imortais do jogo. Os demais são apenas malabaristas, preocupados em excesso com sua carreira publicitária e com os dólares e euros na conta bancária. Com Zidane, a camisa dez está em boas mãos, segura e tranqüila.

Lendas e mitos
Zlatan Lexotan - 27/06

A carreira de treinador é das mais injustas e ingratas que existem. Em grande parte das ocasiões, todo trabalho e talento de um comandante de uma equipe de futebol resume-se ao resultados obtidos e deixa-se de lado todo o conhecimento e virtude mostrados no percurso.

Porém, com Guus Hiddink esta situação toma contornos diferentes. O holandês, que deixou hoje a seleção australiana, tem poucas conquistas em seu curriculo. Os títulos obtidos por ele se resumiram a suas passagens pelo PSV, entre 1983 e 1990, quando começou sua carreira, e entre 2002 e 2006, quando encerrou seu ciclo no clube holandês.

Mas hoje, difícil imaginar um treinador que entenda tanto de tática e motivação quanto ele. E Hiddink vem mostrando isso sempre, seja em clubes seja em seleções. Nas semifinais da Liga dos Campeões de 2004/2005, quando o PSV sufocou o Milan nas duas partidas e só não chegou a final da competição graças a um gol de Ambrosini. Naquele jogo, o time do Milan, badalado por todos, viu-se encurralado pelos comandados de Hiddink.

Hiddink teve motivos para comemorar em Liga dos Campeões, apesar da derrota acima: levou o PSV ao título da competição em 1988 sobre o Benfica. Hiddink ainda assume em suas entrevistas que um dos seus maiores acertos foi ter vindo pessoalmente ao Brasil para contratar Romário.

Com sua reputação crescente, Hiddink assumiu a Oranje em 1995. Levou a Holanda a Eurucopa de 1996, mas o time acabou por abater-se profundamente com o corte de Edgar Davids. A derrota nas quartas-de-final acabou esquecida dois anos mais tarde, quando uma bem armada equipe holandesa alcançou as semifinais da Copa da França. A derrota pelas mãos do arqueiro brasileiro Taffarel encerrou as chances de Hiddink chegar à final, mas ele tentaria novamente quatro anos mais tarde.

Em 2002, Hiddink mostrou que sua visão estava ainda mais elevada. Hiddink transformou um país de jogadores amontoados, que só sabiam correr, em uma equipe determinada e bem armada. Os erros da arbitragem marcaram a caminhada coreana até a semifinal, mas estava claro o trabalho de Hiddink a frente do país asiático. Hoje, é tratado como um herói nacional e possuí estatuas espalhadas pela Coréia do Sul.

Após três anos afastado das seleções, Hididnk assumiu a Austrália com a missão de levar os Socceroos a um Mundial após 32 anos. Com a vitória sobre os uruguaios na repescagem em novembro de 2005, Hiddink iria a sua terceira Copa do Mundo seguinda, dirigindo seleções distintas.

A missão australiana seria difícil, mas Hiddink mostrou que o sabe: uma vitória emocionante sobre os japoneses na estréia, quando perdia de 1 a 0 até os quarenta minutos da segunda etapa mas acabou com a vitória por 3 a 1. Contra a Croácia, mais um enorme domínio australiano, mas o empate em 2 a 2 foi marcado por erros da arbitragem que prejudicaram a Austrália.

A classificação como segundo lugar do grupo garantiu uma partida difícil frente aos italianos. Porém, ninguém sabia que a partida seria realmente difícil para a Itália. Faltou experiência e qualidade ao time australiano, que dominou a partida mas não conseguiu ameaçar a meta de Buffon. Porém, a mão de Hiddink era evidente: um time aberto e compacto, forçando os italianos a se livrar da bola, com uma marcação forte no campo do adversário.

O pênalti marcado acabou punindo o zagueiro Neill, que tinha até então atuação perfeita no Mundial. Seu carrinho foi imprudente, mas não houve falta. Hiddink tinha em Neill seu homem de confiança, e os dois acabaram por cair juntos.

Interessante notar que as duas equipes previamente treinadas por Hiddink não conseguiram reeditar os feitos do holandês. A Holanda não conseguiu sequer se classificar para o Mundial de 2002 e acabou, com uma atitude das piores, eliminado nas oitavas frente a Portugal.

Já a Coréia do Sul voltou a ser o que era antes: um amontoado de jogadores de qualidade técnica discutível. A campanha neste Mundial acabou com apenas uma vitória, sobre a frágil seleção de Togo.

Difícil imaginar que a seleção da Austrália terra rumo diferente. Agora disputando as competições asiáticas, os australianos terão difícil percurso a enfrentar para retornar a um Mundial.

Já Hiddink assumirá outra seleção com a missão de obter um retorno ao Mundial: a decadente Rússia, que não conseguiu classificação para este Mundial. Podemos imaginar que, com os últimos sucessos supreendentes do holandês, os russos voltarão a brilhar em breve.

Copa do Mundo - Fantasmas e Surpresas
Zlatan Lexotan - 20/06

Aproxima-se o encerramento da Primeira Fase da Copa do Mundo. Até o momento, tivemos poucas surpresas. Em termos de resultado, obviamente, porque o futebol apresentado tem nos trazido muito em que pensar partida após partida.

Pelo Grupo A, a Polônia foi uma das grandes decepções deste Mundial. Após complicar a vida da Inglaterra nas eliminatórias, os poloneses vem em uma decadência fenomenal. Após derrotas para Colômbia em amistoso e Equador em sua estréia, os poloneses foram derrotados pelos rivais alemães e estão sem qualquer chance. Se neste grupo temos uma grande decepção, também temos uma grande surpresa: o Equador, com um futebol vistoso, derrotou poloneses e costarriquenhos e garantiu sua inédita classificação. Se garantir o empate com a Alemanha nesta terça, será o primeiro da Chave! Do outro lado, nenhuma supresa com a Alemanha: um ataque com um bom poderio, mas uma defesa fraca demais.

No grupo B, decepção com suecos e ingleses. Os dois favoritos europeus mostraram um futebol fraco até o momento, apesar das vitórias. Maior prova disso é Trinidad & Tobago manter sua chance de classificação...

No Grupo C, deu a lógica. Argentina e Holanda espantaram os fantasmas e garantiram sua classificação com tranquilidade. Falando em fantasmas, a Argentina espantou o de 2002 e exibiu um futebol de encher os olhos. O massacre sobre a Sérvia deixa isso muito claro. Já a Holanda sofreu para derrotar Sérvia e Costa do Marfim. O futebol coletivo andou abaixo do esperado, valendo mais as individualidades.

No D, mais um grupo com tranqüilidade dos favoritos. Mas as vitórias contra Angola e Irã não foram fáceis para México e Portugal. Os mexicanos, por exemplo, não saíram do zero frente os africanos, enquanto Portugal suou para fazer 1 a 0 em sua ex-colônia.

O Grupo E revela-se realmente o Grupo da Morte. Itália, República Tcheca, Gana e Estados Unidos chegarão a última rodada com chances. Os dois primeiros, que venceram na estréia, decepcionaram na segunda rodada e embolaram o grupo. Agora, são contas e mais contas para cada um se classificar. Italianos e tchecos dependem só de si, mas o derrotado dependerá do outro resultado. Será emocionante!

Já o Grupo F foi um dos mais fracos tecnicamente. As quatro partidas até agora foram de dar sono. O Brasil conquistou duas vitórias, mas exibiu um futebol abaixo da média. Austrália baseia-se em sua força, enquanto Japoneses e Croatas são duas decepções até o momento.

No G, o fantasma de 2002 segue na cabeça dos franceses: duas partidas e dois empates, com apenas um gol marcado. Apesar de depender apenas de seus próprios esforços, um eventual empate entre suíços e coreanos pode complicar a conta, já que a decisão se daria no saldo de gols. Interessante...

No grupo H, a lógica também vai aparecendo. A Ucrânia foi massacrada pela Espanha, mas devolveu a dose sobre os árabes. Os espanhóis venceram seus dois encontros e garantiram sua vaga, com Torres se isolando na artilharia e Raúl no banco. Quem diria!

Começo incerto
Zlatan Lexotan - 13/05

Os primeiros jogos deste Mundial não trouxeram grandes surpresas, exceção feita ao decepcionante empate da Suécia frente a Trinidad e Tobado, em partida realizada no último sábado.

De resto, todas as equipes que entraram em campo sob os holofotes do favoritismo de sexta até esta segunda-feira, venceram. A Alemanha foi a primeira a entrar em campo, abrindo a Copa em partida contra a Costa Rica. A defesa alemã tentou entregar a partida e consagrar o atacante Wanchope, mas o ataque germânico parecia mais disposto a buscar a vitória: 4 a 2 para o Natioanelf.

Na outra partida de sexta-feira, o Equador venceu a Polônia por 2 a 0, mas depois da bizarra derrota dos poloneses frente a Colômbia, o feito dos equatorianos não pode ser considerado surpresa. Agora, as declarações de que o Equador vai longe na Copa parecem delírios de quem está sentido falta do ar rarefeito da atitude sulamericana.

No sábado, três encontros: a Inglaterra suou muito para derrotar o Paraguai, a Suécia não marcou contra Trinidad e a Argentina bateu a Costa do Marfim, para azar dos fabricantes de cerveja que gastaram aos tubos para torcer contra os hermanos.

No lado inglês, vale ressaltar a falta que Rooney faz no time. Um ataque com Crouch não pode ser levado muito a sério. O Paraguai, com um time envelhecido e lento, só não levou perigo porque é muito fraco tecnicamente. Já o ataque sueco bem que tentou, mas não superou o veterano arqueiro Shaka Hislop. Mesmo assim, esperava-se mais de Ibrahimovic, Larsson e Ljungberg. Quem jogou mesmo foi o meioc ampista Wilhelmsson.

No confronto do grupo da Morte, os argentinos derrubaram os elefantes por 2 a 1. Riquelme foi o grande nome do jogo, mas os africanos poderiam ter tido melhor sorte.

Nas partidas de domingo, tivemos a primeira atuação de real destaque: Robben. O atacante holandês infernizou a retranca da Sérvia e Montenegro, marcando o gol da vitória holandesa. Pelo Grupo D, o México enfrentou o Irã e bastou três minutos de besteira d adefesa do Irã para os mexicanos definirem o placar em 3 a 1. Na partida que fechou o dia, Portugal sofreu profundamente para vencer Angola por 1 a 0. Pauleta foi o autor do gol de um time pouco interessado, exceção a Figo, talvez.

Nesta segunda, mais três partidas sem grandes surpresas. A Seleção Australiana bateu a correria do Japão e venceu de virada por 3 a 1, com muita garra e uma boa atuação do técnico Guus Hiddink. A Itália bateu a incerteza da imprensa e venceu a seleção de Gana por 2 a 0 e deixou a impressão de que poderia ter feito melhor, sobretudo pela atuação discreta de Totti.

A grande sensação até agora no Mundial foi a República Tcheca. Os tchecos enfrentaram os Estados Unidos no Veltins Arena e goleou por 3 a 0, com atuação destacada do meia atacante Tomas Rosicky, que marcou duas vezes e ainda acertou outra finalização no travessão. Com um futebol ofensivo, os tchecos bateram sem dificuldades os americanos. E isso mesmo sem contar com o atacante Baros, artilheiro da última Eurocopa, que está lesionado.

Apesar das vitórias dos demais, o favoritismo aplicou-se apenas nas vitórias, já que dentro do gramado os grandes times tiveram problemas e pouco exerceram suas superioridades. Resta agora ainda as estréias de Brasil, Espanha, França e Ucrânia. Vamos ver o que o restante da Copa nos reserva.

Novo Carrossel
Zlatan Lexotan - 06/05

O ano é 1974. Ano de Copa do Mundo. Uma grande equipe chegou ao Mundial disputado na Alemanha com pouca pompa, mas viria a tornar-se a grande sensação daquela Copa. O famoso campeão moral. Mas que, no final das contas, acabou superada pela equipe da casa, que era liderada pelo genial Franz Beckenbauer.

A equipe em questão é a Holanda. Conhecida como Carrossel Holandês ou Laranja Mecânica, a equipe dirigida por Rinus Michels combinou uma geração jovem e genial com um esquema tático baseado em uma movimentação constante, em que seus jogadores trocavam de posição com frequência, confundindo a marcação adversária. Era o futebol total.

Porém, o esquema engenhoso de Michels não alcançaria o sucesso não fosse pela qualidade absurda de seus atletas, como Ruud Krol, Johan Neeskens, Rob Rensenbrink, e principalmente, o gênio Johan Cruyff. Apesar da supremacia holandesa, os alemães, com Beckenbauer, Breitner, Overath e Müller venceram a final por 2 a 1, de virada. Com ajuda da arbitragem caseira, diga-se de passagem.

Quatro anos mais tarde: 1978. O Carrossel Holandês chega à Copa da Argentina credenciada pelo vice campeonato e pela perda do domínio no futebol europeu, já que o Ajax havia sido ultrapassado pelo Bayern Munique na Liga dos Campeões: os holandeses venceram de 71 a 73, e os germânicos ficaram com a taça de 74 a 76.

A Holanda perdeu Cruyff, que se negou a disputar o Mundial por não aceitar a Ditadura que dominava o solo portenho. O povo argentino, em meio a uma grande repressão, passou a apoiar seu país desefreadamente, e mesmo com um time conhecidamente limitado, bateu os Holandeses na final com seu grande craque, Mario Kempes superando Michels e Neekens por 3 a 1.

Nos últimos anos, a Holanda penou com a sombra deste time estrelado, que acabou não conquistando os títulos esperados. A única exceção é a segunda geração de ouro, quando Van Basten, Rijkaard, Koeman e Gullit levaram a Orange ao título da Eurocopa de 1988, com o atacante rossoneri em fase estupenda, marcando um dos gols mais lindos e improváveis de todos os tempos.

Agora, este mesmo Van Basten mostra sua personalidade forte ao levar para o Mundial uma Holanda rejuvenescida, que abdicou dos medalhões que pouco faziam para ajudar o país. Sem contar a divisão racial, que agora, com um time formado basicamente por brancos, não existe mais. Sem jogadores como Davids, Seedorf, Makaay, poucos imaginavam que Van Basten chegaria tão longe. E a Orange chega com uma pinta diferente para esta Copa, com uma aura de equipe que pode sim surpreender.

E o futuro parece garantido: neste domingo, a Orange sagrou-se campeã do Europeu Sub-21. Os comentários de que Van Basten prepara uma equipe para 2010, na verdade, fazem mais sentido do que as pessoas, geralmente imediatistas, possam imaginar. Nicky Hofs e Klas-Jan Huntelaar são a grande prova de que, ao contrário do que se pensa, o Carrossel segue vivo.

Manias e Modas
Zlatan Lexotan - 30/05

Ano de Copa é sempre a mesma coisa: quanto mais perto chegamos do início do Mundial, mais produtos em uma larga escala de possibilidades é lançada a cada semana, deixando o torcedor cada vez mais liso, sem perceber.

Temos jornais com especiais, revistas que nos trazem guias quase sempre já desatualizados, camisas a um preço astronômico e uma diversidade de produtos de cunho ufanista, porque o povo só o é mesmo em ano de Copa: almofada, apito, bandeira, fogos de artifício, corneta, camiseta, blusa, tinta especial para pintar a pele com as cores da patria e etc.

Porém, nada chama tanto a atenção quanto o famoso álbum de figurinhas. Todo ano, uma dezena de álbuns são lançados no mercado, mas poucos tem tanto apelo comercial quanto o da Copa. E poucos se importam de ver algumas equipes com jogadores que não vão ao Mundial. O que importa mesmo é a sensação de participar do Mundial de alguma forma.

A mania das figurinhas já foi capa de todos jornais e revistas especializadas em esporte, assimo com foi tema de uma centena de reportagens especiais: clubes de colecioandores, encontro para trocas, como elas são produzidas, jogadores que também colecionam. Porém, perde-se a principal referência: a nostalgia.

Mesmo sendo um produto com um foco de vendas no público infantil, que leva as figurinhas para o colégio para jogar bafo com os coleguinhas, grande parte dos compradores em massa das figurinhas são sim, os adultos. As vezes compram para os filhos e acabam se interessando, lembrando de como era divertido fazer o mesmo alguns anos atrás.

Agora, a mania das figurinhas atingiu a internet. A Panini, fabricante dos cromos, disponibilizou em seu site a possibilidade de eternizar a própria imagem em uma de suas figurinhas, ao preço módico de dez euros. Porém, o esquema é burlável: o famoso print screen deixou todos com suas figurinhas espalhadas pela internet, entupindo o orkut com as mesmas imagens. Não era para tanto...

PS: Estou colecionando as malditas figurinhas, fui mordido também por esta terrível peste. Preciso de figurinhas, pois tenho uma pilha imensa de repetidas e meu filho não quer trocar comigo de forma alguma. Maldito fominha...

Fim de casamento
Zlatan Lexotan - 23/05

A Copa do Mundo de 2006 está perto de seu início, faltam poucos dias para abertura do torneio, apenas 17 para o pontapé inaugural. Todo Mundial carrega as suas peculiaridades ou histórias específicas a cada um, como por exemplo, o cachorro que invadiu o gramado em 1962, a trave que caiu em uma partida em 1994 ou as arbitragens tendenciosas em favor da Coréia em 2002, mas o deste ano trará uma situação inédita.

Neste domingo, um referendo aprovou a separação de Montenegro da Sérvia. Ou seja, a Copa contará com um país que, geográfica e politicamente, não existe mais. Porém, a FIFA já havia comunicado que Sérvia e Montenegro participaria do Mundial tranqüilamente, qualquer que fosse o resultado do referendo.

No referendo, foram apurados cerca de 400 mil das 462.937 cédulas. No resultado parcial, 55,4% dos eleitores votaram a favor da independência de Montenegro, e 44,6% optaram pela situação atual. A União Européia havia colocado uma margem de 55% para aceitar a separação. O novo país possui em torno de 650 mil habitantes, 15 vezes menos do que a Sérvia. As duas nações selaram a união em 2003, mas sem obter muitos sucessos.

Porém, futebolisticamente, Montenegro deverá disputar a sua primeira e última Copa do Mundo. Isso porque, do elenco convocado pelo técnico Ilija Petkovic para a disputa do Mundial, apenas o atacante do Lecce Mirko Vucinic nasceu em solo Montenegrino. Por melhor que seja Vucinic, cotado para defender o Milan antes da chegada de Amoroso, difícil imaginar que ele levará seu país para a próxima Copa do Mundo. Além do que, para tanto, UEFA e FIFA precisam reconhecer o país para que ele dispute suas competições oficiais, ou seja, será necessária muita burocracia. Vucinic, porém, não é o único “estrangeiro” a defender a Sérvia neste Mundial: a equipe ainda conta com três bósnios e quarto croatas.

O povo montenegrino disse, através de sua federação, que torcerá normalmente pela Sérvia e Montenegro no Mundial, mas é uma situação no mínimo insólita. Pior: se Sérvia e Montenegro conquistasse o Mundial e o campeão tivesse vaga garantida, quem ficaria com a vaga? Se Vucinic marcar, ele é considerado sérvio montenegrino ou apenas montenegrino? Se a união dos dois países, em 2003, já gerou muita confusão, a separação em plena preparação para a Copa do Mundo deve causar muitos problemas para os narradores, repórteres e claro, os colunistas...

Convocações e decepções
Zlatan Lexotan - 16/05

Nesta segunda-feira passamos pelo último dia de convocações para a Copa do Mundo. Como este dia 15 foi a data limite imposta pela FIFA, muitos técnicos deixaram para última hora a ardua tarefa de anunciar seus atletas preferidos e os preteridos. Muitas barbadas, outros tantos absurdos e ações inexplicáveis.

Nenhum absurdo maior do que a convocação da Inglaterra. Sven Goran-Eriksson parece ter largado mão de sua razão e resolver inovar em sua convocação. Deixou de for a atletas que pareciam certos no grupo, como o bom zagueiro/volante Ledley King, o habilidoso meia Shaun Wright-Phillips e o poderoso atacante Jermaine Defoe. Para seus lugares, Eriksson buscou Hargreaves, reserva no Bayern de Munique, Aaron Lennon, meia do Tottenham que nunca havia sido convocado antes e Theo Walcott, jovem atacante do Arsenal que nunca atuou pelos Gunners e que o próprio Erikkson declarou nunca ter visto em ação. A presença dos medalhões não foi suficiente para manter o ar de uma das seleções favoritas, pois Eriksson passou a impressão de um técnico que deixou de lado todo seu planejamento nas Eliminatórias por não ter mais nada a perder.

Portugal, por sua vez, trouxe poucas novidades em sua convocatória. Costinha, em litígio com o Dinamo Moscou, era um atleta que tinha sua presença em dúvida, mas Felipão optou por levar o experiente volante. Ricardo Costa, zagueiro do Porto, foi o único convocado do clube que dominou o futebol português na atual temporada, deixando de for a Vitor Baía e Ricardo Quaresma. Bruno Vale, arqueiro do Estrela Amadora, foi chamado para ser o terceiro arqueiro, ocupando a vaga de Moreira, um dos preferidos de Felipão nos últimos anos.

A Espanha, por sua vez, teve como surpresas a não convocação de Fernando Morientes e Ruben Barajas, figurinhas carimbadas nos últimos anos da Fúria. O habilidoso meia do Valencia Vicente ficou de fora, preterido pelo meia boca Iniesta. Marcos Senna, dispensado do São Caetano e Corinthians, foi convocado por Aragonés. Que beleza...

Na Itália, muitas interrogações na convocação de Marcello Lippi. Marco Amelia, do Livorno, ocupou a terceira vaga de arqueiro, em detrimento ao excelente De Sanctis, guardião da Udinese. Filippo Inzaghi, com 365 anos e jogando de muletas ocupou uma das vagas no ataque, deixando de fora atacantes mais bem credenciados como Cassano, Lucarelli e Tavano, que não ficaram nem na lista de espera.

A Alemanha respirou aliviada com uma bela surpresa preparada pelo técnico Jürgen Klinsmann: deixou de fora o grotesco Kevin Kuranyi e levou o novato Odonkor, atacante veloz do Dortmund. Ficaram de for a também Owomoyela e Ernst, que eram sempre presenças constantes no Nationaelf, entre os titulares. Já Nowotny, envolto em losões e polêmicas com Klinsmann, foi convocado.

A República Tcheca apostou na base veterana que disputou a última Eurocopa, com convicção que os lesionados Koller, Smicer, Lokvenc e Grygera poderão se recuperar a tempo da disputa do próximo Mundial. A Suíça, por sua vez, teve como única novidade o corte de Hakan Yakin, que era apenas a estrela do time e principal jogador do país. Bizarro...

Sérvia, Ucrânia, Suécia Croácia e Polônia seguem na mesma linha, sem grandes novidades ou surpresas, salvo a não convocação do arqueiro Dudek na esquadra polonesa. Ainda nos defensores da meta, a Ucrânia confirmou a presença do arqueiro titular Shovkovsky, recuperado de longa lesão.
 
Já a França manteve as convicções de seu técnico, o teimoso Raymond Domenech, e deixou de fora nomes como Giuly e Pires. Para suas vagas, foram chamados o bom lateral Chimbonda, estreante em convocações, e a revelação Ribery, meia do Marseille. Outra surpresa de Domenech foi o anuncio da titularidade do veterano Fabien Barthez na meta francesa. Barthez, já com 350 anos nas costas, deixará no banco o titular e unanimidade Coupet.

Para finalizar, o técnico Marco Van Basten parece ter adquirido restrições a atacantes goleadores como ele foi. Van Basten resolveu deixar de fora, na última hora, o artilheiro Klaas-Jan Huntelaar, autor de um caminhão de gols na última temporada holandesa. Outro que ficou de fora foi o veterano Edgar Davids, mas até ai não há grandes perdas.

Estaria Eriksson louco? Seria um plano de Van Basten assumir a camisa 9 da Orange e ser artilheiro da Copa? Teremos as respostas para todas as indagações dentro de um mês...

Boatos, especulações e mentiras deslavadas
Zlatan Lexotan - 09/05

Durante toda a temporada, a imprensa tem o costume de ventilar boatos que por muitas vezes nos paracem absurdos. Alguns deles mantêm este status ao final da temporada, já outros se mostram mais do que certos.

Os maiores rumores envolvem sempre o Real Madrid, o Chelsea e a Internazionale. A Inter costuma comprar todo e qualquer jogador que deseje, pelo mero desejo de o fazer. Já o Real Madrid agora parece ter colocado os pés no chão, mas com as eleições presidenciais se aproximando, alguns absurdos devem voltar a estampar os noticiários espanhóis. Já o Chelsea, pelo seu dinheiro, é envolvido nos boatos mas raramente compra alguém.

São tantos boatos que podemos fazer um ciclo: o Chelsea se reforça com Shevchenko do Milan, que contrata para seu lugar Samuel Eto'o do Barcelona, que contrata Henry do Arsenal, que contrata Fernando Torres do Atlético de Madrid e que contrata Agüero do Independiente. Absurdo: não para os jornalistas da imprensa especializada.

E não para por ai: Pires vai do Arsenal para o Atlético de Madrid, Giuly vai do Barça para o Galatasaray, Cassano vai do Real Madrid para a Inter, Nistelrooy vai do Manchester United para o Real Madrid, Van Buyten vai do Hamburgo para o Bayern, Emre deixa o Newcastle para o Palermo, Martins vai para o Manchester, Adriano vai embora da Inter e chega Luca Toni da Fiorentina, Cannavaro, Gerrard, Boa Morte, Wayne Bridge e mais dezena de outros jogadores vão para o Real Madrid.

O que há de certo nisso tudo? Praticamente nada. Os clubes relutam em vender seus atletas antes de uma Copa do Mundo, pois uma valorização pós Mundial ajuda a engordar a conta bancária ao negociar um jogador. Nem a venda de Agüero para o Atlético é certa, ao contrário do que dizem os noticiários.

Nistelrooy, por exemplo, tem seu futuro em dúvida e dificilmente permanecerá em Manchester para a próxima temporada. Porém, mesmo com a temporada inglesa já encerrada, seu futuro ainda não foi definido. Interessada em vender jornal, a imprensa costuma inventar muita coisa, buscando assim alavancar suas vendas em determinados dias da semana.

Assim, cria-se uma discussão no meio e pronto, o boato foi bem sucedido. Por isso, não acredite em rumores que lê no jornal. A não ser que a notícia acompanhe a foto da apresentação do mesmo, como na chamada desta coluna...

Liga dos Campeões: hora da verdade
Zlatan Lexotan - 02/05

No próximo dia 17, no Stade de France, teremos a decisão da principal competição entre clubes do mundo: a Liga dos Campeões. Arsenal e Barcelona chegaram a grande final após quase um ano de eliminatórias, superando equipes como Milan, Juventus e Real Madrid. Apenas por este pequeno detalhe, a presença de ambos na final já se torna mais do que merecida.

Mas não se trata apenas disso: teremos dois estilos diferentes de jogo, com os dois principais jogadores da atualidade em campo: Thierry Henry e Ronaldinho. Enquanto o Arsenal prima por um estilo um tanto defensivo, estando há dez partidas sem sofrer um único gol, o Barça tem como principal arma seu poderio ofensivo.

Em termos de retrospecto, os ingleses jamais chegaram tão longe na LC, enquanto o Barcelona chegou ao topo da Europa em 1992, tendo sido derrotado em 1961 frente ao Benfica, 1987 frente ao Porto e 1994, frente ao Milan. Nas decisões que envolveram ingleses e espanhóis, o Liverpool se deu frente frente ao Real Madrid em 1981, também em Paris. Chance para o Barça igualar ou os inglses abrirão uma maior vantagem?

Ainda em retrospecto, as duas equipes já se enfrentaram na Liga dos Campeões. O grupo B da LC de 1999/2000 contava com as duas equipes, mais Fiorentina e AIK. Em Barcelona, empate (1x1). Em Wembley, um grande jogo, que acabou com vitória catalã, por 4 a 2. O Arsenal ficou em terceiro lugar no grupo e foi remanejado para a Copa UEFA, enquanto o Barca seguiu na LC até as semifinais, quando tombou diante do Valencia de Héctor Cúper.

Outro dado relevante é o número de títulos por país. Quando terminar a final entre Barcelona e Arsenal, apenas um país terá a honra de ser o maior vencedor da principal competição européia em todos os tempos. No ano passado, com o título do Liverpool, a Inglaterra se juntou a Itália e Espanha com dez conquistas, quatro a mais que Alemanha e Holanda.

Um confronto inédito será visto entre Thierry Henry e Ronaldinho, que se enfrentaram apenas naquele amistoso modorrento entre Brasil e França, comemorando os cem anos da FIFA, em 2004. Um ano depois, atuaram em um amistoso para arrecadar fundos para as vítimas da Tsunami. Porém, nenhum encontro que valesse realmente, como será no Stade de France. Campeões nacionais pelos seus clubes, falta a ambos no currículo a conquista da Liga dos Campeões.

Caso o Barcelona seja o campeão, Henry poderá tentar alcançar novamente a final atuando provavelmente ao lado de seus inimigos na final, já que o francês provavelmente rumará para outros ares na próxima temporada, e os maiores rumores dão conta de que o atual artilheiros dos Gunners será um Blaugrana em 2006/2007.

A expectativa é de um grande jogo, mas nem sempre o esperado se torna real. No ano passado, todos esperavam que o confronto entre Milan e Liverpool fosse um entediante 0 a 0, e o que se viu foi uma partida memorável, digna de entrar no hall das melhores de todos os tempos. Apesar das duas equipes terem raízes ofensivas, Arsenal e Barça classificaram-se após quatro partidas com apenas dois gols marcados.

O favoritismo recaí sobre os ombros do Barça, o que pode ser um problema: o Arsenal prova mais uma vez que se dá melhor quando os holofotes estão focados em seu adversário. Assim, os Gunners tiraram de seu caminho o badalado Real Madrid e a forte Juventus, lembrando que sem sofrer sequer um gol de seus grandes adversários.

Quem comemorará no dia 17? Impossível saber. Porém, se a edição desta temporada incorporar ao menos metade do que vimos em Instambul no ano passado, terá valido a pena.

Seleção de Azar
Zlatan Lexotan - 25/04

Como estamos falando ultimamente de Copa do Mundo e as últimas semanas não tem nos trazido muito assunto a discutir, vamos mais uma vez falar do maior evento esportivo do Planeta. Na semana passada abordamos os jogadores que acabam ficando de fora do maior palco futebolístico pelos mais diversos motivos. Hoje, vamos elaborar uma lista um pouco mais trabalhosa: os grandes nomes do futebol mundial que vão ficar de fora desta Copa, formando uma bela seleção, digna de estar presente a competição. Vamos a ela:

Igor Akinfeev: O russo Akinfeev é um dos expoentes da nova geração de arqueiros europeus. Aos 20 anos recém completados, Akinfeev foi o paredão que levou o CSKA ao título na última Copa da Uefa. Apesar das defesas importantes, Akinfeev não foi suficiente para impedir a terceira colocação russa no Grupo 3 das Eliminatórias, e a consequente eliminação de seus país, fato raro nos últimos Mundiais.

Kobiashvili: De nome difícil e de bom futebol, o ala direito Levan Kobiashvili segue como um dos principais destaques do Schalke 04. Com uma boa marcação e um ótimo senso atacante, Levan é um dos bons nomes da posição na Europa atualmente. Porém, o fato de nascer na quase inexistente Geórgia prejudica um pouco a sua vida quando falamos de Seleção. Um penúltimo lugar no Grupo 2, a frente apenas do Cazaquistão, é realmente pouco a se comemorar para o lateral dos Azuis Reais.

Van Buyten: O zagueiro belga está entre os grandes nomes da temporada européia atual. Apesar das contratações realizadas, poucos imaginavam que o Hamburgo pudesse ir tão longe. Muito em parte graças a belas atuações do zagueirão belga, o Hamburgo ameaçou mais uma conquista alemã do Bayern de Munique, que não se concretizou apenas por falta de gás. Porém, na Seleção Belga, presente nos últimos Mundais com certo destaque, o que realmente faltou foi elenco para superar Sérvios e Espanhóis no Grupo 7, onde a Bélgica acabou em quarto lugar, atrás até mesmo da Bósnia.

Hyypia: Campeão europeu com o Liverpool e principal destaque defensivo da campanha que levou os Reds a uma inesquecível virada sobre o Milan, Hyypia já apresenta os recursos necessários em apenas duas linhas para ser titular deste escrete dos amaldiçoados. Hyypia, com um futebol cada vez mais consistente e seguro, carrega em suas costas um velho problema: ter como berço um país sem tradição futebolística. A Finlândia não é o que podemos chamar de potência, diga-se de passagem. Com o quarto lugar no grupo 1, atrás das forças Republica Tcheca, Holanda e da decadente Romênia, a Finlândia cumpriu até que um bom papel na chave, mas nada além disso.

Riise: Um ala esquerdo titular do atual campeão europeu, com habilidade, agilidade, velocidade e faro de gol. O norueguês John Arne Riise é um dos bons nomes da lateral esquerda européia e tem papel de destaque no esquema de Rafa Benítez no Liverpool. Suas subidas pela ala, combinada com seus avanços em diagonal são uma grande arma dos Reds, mas de pouco adiantaram na campanha da fraca Noruega nas Eliminatórias. Mesmo com um elenco pra lá de limitado, a Noruega esteve próxima do Mundial ao ocupar o segundo lugar do Grupo 5, atrás apenas na Itália. Porém, os noruegueses enfrentaram a forte República Tcheca nos playoffs e, com duas derrotas por 1 a 0, deixaram escapar a oportunidade de ir à Alemanha.

Nuri Sahin: O grande desconhecido de nossa lista é talvez o atleta mais talentoso da próxima geração de volantes europeus. O turco-alemão Nuri Sahin, de apenas 17 anos, atua desde 2001 pelo Borussia Dortmund e foi, desde a primeira vez que entrou em campo, assediado pela Federação Alemã a defender a seleção germânica, já que ele nasceu na Alemanha. Porém, Sahin preferiu defender o país de seus pais. A sua estréia pela Turquia não poderia ser melhor: em um amistoso contra a Alemanha em Instambul, Sahin entrou no final da partida e marcou o gol da vitória turca, finalizando com calma frente a Oliver Kahn. Apesar da Turquia ficar de fora nas Eliminatórias nos Playoffs, eliminada frente a Suíça, Sahin terá muitas chances de mostrar seu talento nas Copas futuras.

Duff: O irlandês Damien Duff, conceituado pela sua atual fase no Chelsea, disputou o último Mundial pela Irlanda, mas acabou de fora da Copa ao conseguir apenas um quarto lugar no Grupo 4, atrás de França, Suíça e Israel. E a vaga não veio apenas por um tropeço na última rodada: empate em casa frente a Suíça. Caso vencesse, Duff iria a sua segunda Copa do Mundo seguida. Sem obter tal sucesso, Damien se contentará com outra dobradinha: o bicampenato da Premier League com o Chelsea.

Giggs: O mais conceituado atleta de nossa lista não ficou de fora apenas deste Mundial, como vai encerrar sua carreira sem sentir o doce gosto de uma Copa do Mundo. O galês Ryan Giggs, famoso por sua velocidade e habilidade, teve a sua última chance de classificação no Grupo 6. Porém, não há Giggs que resolva: o País de Gales obteve apenas nove pontos e ficou a frente apenas do Azerbaijão (quem?), que somou oito pontos. E isso porque, na última rodada, Gales derrotou o Azerbaijão. Bizarro...

Berbatov: O búlgaro Dimitar berbatov é uma certeza de gols no Bayer Leverkusen. Diversos atacantes foram e voltaram no BayArena nas últimas temporadas, mas Berbatov foi o único que permaneceu, e com méritos. Apesar de sempre estar entre os principais goleadores da Bundesliga, Dimitar não conseguiu ir além de um terceiro lugar com a sua decadente Bulgária no Grupo 8 das Eliminatórias, ficando atrás de Croácia e Suécia. E isso mesmo tendo marcado sete vezes em dez partidas.

Mutu: Após passar pela fase mais negra da sua vida, que envolveu doping, demissão do Chelsea e uma contratação pela Juventus no mínimo duvidosa, o romeno Adrian Mutu voltou a mostrar o futebol que o consagrou no Parma. Apesar da condição de reserva na Vecchia Signora, Mutu entrou bem em várias partidas e conseguiu complicar até a última rodada o Grupo 1 das Eliminatórias, com a Romênia ficando atrás apenas de República Tcheca e Holanda. Ele ressurgiu das cinzas, mas ficou de fora do Mundial, mesmo tendo, assim como Berbatov, marcado sete tentos na campanha romena.

Eto’o: O artilheiro camaronês dispensa comentários. Ao lado do companheiro Deco vem carregando nas costas o Barcelona e marca gols a rodo desde que chegou ao clube catalão. Porém, um pênalti desperdiçado pelo companheiro Womé frente ao Egito tirou de Eto’o a chance de ir à Alemanha com Camarões, que acabou um ponto atrás da Costa do Marfim no Grupo 3 das Eliminatórias Africanas. Assim, Eto’o comanda o ataque e é o grande destaque da Seleção que ficou com as calças na mão e não foi ao Mundial.


Muitos outros jogadores de relativo destaque acabaram de fora do Mundial, como sempre acontece com alguns desafortunados. Porém, é difícil imaginar um número tão grande de bons talentos reunidos em um grupo seleto de infelizes que vão ver o Mundial a Alemanha bem longe de onde eles queriam.


PS: A coluna de hoje deveria ser sobre as Oitavas de Final da Libertadores, mas não dá pra levar a sério essa competição sem o Boca Juniors. Mas tem explicação, segundo os xeneizes: eles não queriam tirar a chance de Tevez ganhar outra. Faz sentido....

Copa do Mundo, Mas Nem Sempre
Zlatan Lexotan - 18/04

Mais uma Copa do Mundo se aproxima. A deste ano, como de costume, atrairá uma multidão de alucinados para solo germânico e cativará outros milhões pelo Mundo para acompanhar a competição. Milhares de produtos estão sendo empurrados a nós todos os dias, de bolas a figurinhas, que eu estou colecionando, por sinal. Não me julgue, sou apenas uma criança.

Com praticamente todos os grandes craques do Planeta, esta Copa promete muito equilíbrio e uma disputa acirrada pelo título. Mas só um momento. Eu disse quase todos os craques do Planeta? Pois é, muitos desafortunados ficam de fora de um Mundial pelos mais diversos motivos: lesão, não convocação, corte ou até mesmo a não classificação de seus país.

Casos de lesão são os mais freqüentes, e nesta Copa já temos uma dezena de jogadores que deverão ficar de fora por contusão: Park, King e Young enfraquecendo o já enfraquecido banco de reservas da Inglaterra. Porém, nenhum deles se enquadra no termo craque.

Na história recente dos Mundiais, Romário é o caso mais emblemático para os brasileiros pelo seu corte na Copa de 1998, ao lado de Emerson em 2002. Dizem que ambas foram fundamentais: a de Romário pela perda e a de Emerson pelo título. Pode ser. Itália e Inglaterra sofreram casos parecidos neste ano, com grandes sustos aplicados por Totti e Owen, esses sim fundamentais e imprescindíveis para seus treinadores.

A Não Convocação é outro fator emblemático, mas de pouca importância no final da contas. Alex e Romário ficaram de fora pelo Brasil em 2002, assim como Baggio pela Itália. Sempre existem aqueles que acabam sendo preteridos na lista final, mas nada que mereça grande destaque.

Porém, a não classificação é a mais significativa na história dos Mundiais. Shevchenko conseguiu levar a sua Ucrânia para a Alemanha e coroará assim a sua bela carreira participando da Copa, e com grandes chances de avançar as Oitavas de Final. Já Eto’o não teve a mesma sorte, assim como muitos outros não tiveram: George Best e George Weah são os melhores exemplos disso. Nomes gigantes do futebol mundial que nunca participaram de uma Copa. Nem sempre o esporte, ou a vida, é generoso com todos.

Time Impossível
Zlatan Lexotan - 11/04

A Adidas lançou, na última semana, mais uma de suas campanhas visando a Copa do Mundo que se aproxima. Conhecida pela sua criatividade e imaginação, a Adidas sempre nos presenteia com comerciais divertidos e ao mesmo tempo inteligentes, superando a Nike por exemplo.

Porém, desta vez eles se superaram e trouxeram, além do conhecido, uma dose de nostalgia e um sentimento que aguçou os mais profundos desejos futebolísticos. No comercial, dois garotos em um vilarejo decidem jogar futebol e escolher suas equipes. Surgem nomes como Cisse, Kaká, Zidane, Lampard, Beckham, e as grandes estrelas da companhia alemã vão surgindo no campo de terra. Até que um dos garotos resolve inovar e escolhe Beckenbauer, que para surpresa geral, surge ao longe e entra no campo. Para não deixar por menos, o outro garoto resolve escolher Platini, que também surge para jogar. Mas não pense que são as já idosas figuras atuais dos dois atletas, mas sim a imagem de ambos no auge de suas carreiras. Um brilhantismo de computação gráfica, já que eles interagem com os jogadores atuais.

Pois bem, ao ver isto ganhei um sorriso em um péssimo dia de trabalho na Gazzetta e após mais um entrevero com minha odiada esposa. E isso não é pouco, acreditem. Aos poucos, fui imaginando todas as possibilidades que aquele comercial gerou. Que tal uma equipe com todos os meus jogadores favoritos de todos os tempos? Ou todos os meus ídolos do Milan? Ou ainda seleções regionais? Seria um tanto quanto interessante imaginar muitos destes encontros, mas vamos abordar um em especial: Mundo x Milan. Claramente, vamos analisar em períodos reais: vamos usar os últimos anos, desde o final os anos 80.

Mundo x Milan
A equipe do mundo entra em campo com um belo time, mas desfalcada de alguns atletas que certamente estão do outro lado. Houve uma briga judicial para o Milan liberar seus atletas, mas com uma liminar apoiada no G14, o clube italiano manteve suas estrelas.

O Mundo entra em campo com Schmeichel (1998) no gol, Thuram (1998) na direita, Matthaus (1990) e Laurent Blanc (1998) no miolo da zaga e Sorín (2002) na esquerda. No meio temos Redondo (1999) de volante, junto com Zidane (2000), Nedved (2004) e Figo (1999). No ataque, Thierry Henry (2004) e Roberto Baggio (1994).

Do outro lado, o Milan entra em campo com Sebastiano Rossi na meta (1992), Tassotti na ala direita (1992), Nesta (2004) e Baresi (sem época, eterno) no miolo da zaga e Maldini na esquerda (outro eterno). No meio, um quarteto de ouro: Boban (1996), Savicevic (1992), Albertini (1994) e Rijkaard (1990). No ataque, Van Basten (1990) e George Weah (1996).

O Milan, com uma defesa mais sólida, resiste aos ataques da equipe Mundial, apesar das insistentes subidas ao ataque dos laterais e até mesmo defensores do selecionado. Baresi dá alguns toques a Matthaus quando a bola está parada de como jogar de líbero. Maradona dá dribles, Van Basten faz gols. Henry faz gols, Boban dá passes milimétricos. A torcida, extasiada, não presta nem atenção ao placar. A partida está 4 a 4, quando aos 40 minutos da segunda etapa Sorín sobe ao ataque e tropeça no próprio cabelo. O juiz marca a penalidade e na cobrança Baggio joga na torcida. Na entrevista, ele diz: "Eu já joguei no Milan e fui campeão, não podia fazer o gol e desempatar." Mesmo com os apelos dos torcedores para que o jogo não acabasse, o juiz encerrou a partida e deu fim ao encontro.

Bola na Rede, Bota no Pé
Zlatan Lexotan - 04/04

A reputação do campeonato italiano ao redor do planeta nunca foi das melhores. Sempre tratado como um futebol feio, dedicado a técnicos extremante defensivos e esquemas táticos de dar sono, a Série A é sempre preterida em relação ao Campeonato Espanhol e ao Inglês. O futebol italiano viveu seu último auge no início dos anos 90, final dos 80, quando uma legião de craques aportou na Bota. Quem não recorda-se do Napoli de Maradona, do Milan de Van Basten, da Inter dos alemães e da Juventus dos franceses?

No meio dos anos 90, Milan e Juventus montaram novamente belas equipes, assim como Parma, Roma, Inter e Fiorentina tiveram belos plantéis. Porém, muitos jogadores passaram a preferir outras ligas e deixaram o cálcio rumo a Espanha, principalmente, e a Inglaterra. Apesar desta fama retranqueira e da pouca vocação ofensiva de seus atletas, os principais goleadores desta temporada européia atuam justamente na Itália.

Na lista dos jogadores concorrentes a Chuteira de Ouro, destinada ao principal goleador europeu da temporada, são SETE italianos entre os vinte melhores do continente. Luca Toni, com 26 gols, é o líder da lista e provável campeão desta temporada com 52 pontos. Com o número que hoje ostenta, Toni superou os vencedores da temporada passada, Henry e Forlán, que somaram 25 gols. Além disso, Luca Toni comanda a Fiorentina a uma possível vaga na Liga dos Campeões e ainda entrou para a história ao igualar o recorde de gols para um jogador da Fiorentina em uma mesma temporada. Antes dele, apenas o sueco Kurt Hamrin, nas temporadas 1958/59 e 1959/60, e o argentino Gabriel Batistuta, em 1994/95, haviam alcançado 26 gols na Série A.

Além do líder Toni, David Trezeguet vem em sétimo lugar com 20 gols marcados, seguido por Shevchenko com 19 tentos marcados na atual temporada. Na seqüência, vem os outros quatro: Francisco Tavano, do Empoli, com 17, e empatados com 16 Cristiano Lucarelli do Livorno, David Suazo do Cagliari e Alberto Gilardino do Milan.

A Holanda apresenta três goleadores na lista, com a sensação Klaas Jan Huntelaar do Ajax em segundo com 30 gols e 45 pontos (o peso é menor em relação aos demais campeonatos: na Itália o gol vale 2 pontos, na Holanda, França e Escócia, por exemplo, vale 1.5). Arveladze, do AZ, e Dirk Kuyt, do Feyenoord, seguram a lanterna da lista com 21 gols e 31.5 pontos.

Samuel Eto’o ocupa o terceiro posto com 22 gols e 44 pontos, enquanto David Villa, do Valencia, é o décimo segundo com 18 pontos. Ter apenas dois espanhóis na lista é uma prova de que nem sempre as frágeis defesas da Liga são uma garantia aos goleadores. A Inglaterra tem também, a exemplo da França, três artilheiros na lista de alto calão: Thierry Henry e Nistelrooy com 21 gols marcados na Premiership dividem o quarto posto, enquanto Darren Bent, do Charlton é o décimo sétimo com 16 tentos.

Completam a lista Tarmo Neemelo, que marcou 41 gols no campeonato da Estônia pelo TVMK Tallinn na sexta posição, Pauleta com 20 gols pelo PSG, Klose com 20 gols pelo Werder Bremen, Kris Boyd com 25 gols por Kilmarnock e Rangers no escocês e Halil Altintop, com 16 tentos pelo Kaiserslautern.

A lista poderia contar com uma supremacia ainda maior dos italianos caso jogadores como Adriano, Del Piero, Ibrahimovic, Chiesa, Bonazzoli, Caracciolo, Martins, Vucinic, Iaquinta, Corradi, Makinwa, Mutu, Recoba, Figo, Bojinov, Nedved e Totti não enfrentassem temporada tão nebulosa, seja por falta de gols, más atuações ou lesão. De qualquer forma, contar com sete goleadores em uma lista de vinte possíveis é um número alto, ainda mais se contar o valor total: 150 gols italianos contra 72 holandeses, 58 ingleses, 36 alemães, 40 espanhóis, 25 escoceses, 20 franceses e 41 estonianos.

Para concluir, se você quiser ver gols, assista à Série A desta temporada e de atenção especial a Fiorentina, Milan e Juventus. Ou então se ligue nas partidas do Ajax na Eredivisie e confira a nova sensação holandesa Huntelaar. Mas se preferir perder tempo, desperdice seu sábado assistindo a sonolentos clássicos entre Barcelona e Real Madrid, com atacantes gordos e preguiçosos. A escolha é sua.

Um Fenômeno de Absurdos
Zlatan Lexotan - 29/03

A imprensa esportiva tem lá suas manias. Uma das piores delas é o efeito soberba. Cria-se um ícone de total superioridade devido a uma boa fase de um jogador, como se ele fosse imbatível. Quem já não cansou-se de ouvir asneiras como Imperador, Mágico, Showman e Fenômeno.

O mais curioso é como a mesma imprensa que vangloria o jogador com estes apelidos é a primeira a rechaçá-lo no primeiro equívoco, mas tentando sempre evocar o velho. Ronaldo, atacante do Real Madrid, é o caso mais claro deste tipo de situação. Surgiu como um raio, marcando cinco gols em uma partida do Cruzeiro sobre o glorioso arqueiro Rodolfo Rodríguez. Em pouco tempo estava no PSV e foi a Copa de 94 como espectador no grupo que seria campeão. Era ainda uma promessa, apesar dos gols em solo holandês.

No Barcelona a situação passou a se modificar. Ronaldo saiu das sombras ao se tornar o grande xodó da torcida catalã com gols incríveis em arrancadas impressionantes. Criou-se então o Fenômeno. Na Copa de 98, era tido como um novo Pelé, mas ele amarelou. Na Inter, pouco brilho e muitas lesões. Mas seguia-se dizendo que se tratava de um Fenômeno, comparado aos grandes nomes do futebol mundial em todos os tempos. Foi contratado então pelo poderosíssimo Real Madrid, que contava com nomes como Zidane e Figo e que havia acabado de conquistar uma Champions League e onde ele permanece até hoje.

Porém, ao analisar números e aspetos da carreira do atacante, é possível questionar com veemência este Fenômeno que lhe foi acrescentado ao nome e que, há anos, deveria ter sido riscado dos jornais e revistas. Na Internazionale, colecionou inimigos, e o principal deles é a torcida neoazzurri, que lhe dedicou toda atenção em seu período de lesões e foi apunhalada com a saída do brasileiro no primeiro sinal de recuperação. Porém, só o que obteve além dos inimigos e das cirurgias foi uma Recopa Européia, competição que por sinal foi extinta pela Uefa. Na Série A, a Inter esteve mais próxima do título quando o atacante não estava atuando, e perdeu a chance de conquistar o troféu e acabar com o jejum justamente quando Ronaldo voltou aos gramados.

No Real Madrid, Ronaldo tinha todas as possibilidades de conquistar todos os títulos que lhe faltavam, mas sua chegada e permanência coincide com o pior período da equipe nas últimas décadas. Figo, Zidane, Raúl e Morientes levaram o Madrid a vitória sobre o Leverkusen na final da CL de 2002 e poderiam ter feito muito mais não fossem as constantes mudanças na equipe Merengue. Ronaldo ocupou a vaga de Morientes e tudo foi por água abaixo.

Desde então, eliminações vexatórias na Liga dos Campeões e Copa do Rei, além de participações abaixo do esperado na Liga Espanhola. Ronaldo teve alguns poucos bons momentos no ataque Merengue, mas nunca correspondeu às expectativas. Muitas vezes entrou em campo visivelmente acima do peso, movimentando-se com extrema dificuldade e geralmente aparentando uma ligeira preguiça. O Fenômeno ficou apenas no nome, assim como as arrancadas ficaram apenas na memória.

Agora, o discurso de quem comanda a imprensa esportiva no país é que Ronaldo pode estar mal sim, mas é ano de Copa do Mundo e ele vai ganhar mais um Mundial para o Brasil. Mais comparações esdrúxulas com Pelé surgiram, reanimando aquele velho clima. Assim, mascara-se que nos últimos quatro anos, “Gornaldo” nada fez nos gramados, sendo destaque mesmo apenas nas revistas de fofocas e afins.