|
Sem essa de regional! Zlatan Lexotan - 19/12
Acabaram de vez as
piadas. Desde que Renato Gaúcho levou o Grêmio ao título Mundial em 1983, em
final disputada diante do Hamburgo, que os torcedores colorados tinham de
conviver com os gracejos dos adversários: Interegional. Enquanto o Grêmio
conquistava o Mundo, o Inter vivia na ressaca dos anos dourados, de Falcão e
cia.
A temporada passada, quando o Inter brigou rodada a rodada pelo
título Brasileiro contra o Corinthians, campeonato que acabou decidido a favor
dos paulistas de forma no mínimo sombria, o Inter garantiu vaga na Libertadores
deste ano, na qual entrou sem grandes alardes.
Afinal, na competição
estava o São Paulo, queridinho de impresa e críticas, mas que não passava de uma
equipe cujo principal destaque é um goleiro duvidoso que bate faltas. E, para a
grande final do torneio, encontrariam-se justamente Internacional e São Paulo.
Na primeira partida, disputada em Porto Alegre, os Colorados venceram os
tricolores por 2 a 1. Na volta, no Morumbi, 2 a 2 no placar e festa do título
para a equipe de Fernandão, Rafael Sóbis, Tinga e compania.
Após a
conquista Continental, a equipe perdeu alguns de seus principais jogadores, como
Sóbis, Tinga, Bolívar e Jorge Wagner. Mesmo classificado para a disputa do
Mundial de Clubes, seguiu lutando no Campeonato Brasileiro e mais uma vez
conquistou o segundo posto.
Porém, os jogadores que deixaram a equipe
contribuíram para que o nível técnico dos comandados de Abel Braga caísse
consideralvemente, e, consequentemente, colocou o Internacional como uma equipe
com poucas chances de vencer no Japão.
A estréia diante dos egípcios do
Al Ahly foi tensa. Enquanto todos colocavam o Inter como franco favorito, o que
se viu em campo foi um time africano muito aplicado com a posse de bola, tocando
em velocidade e com poucos erros. A festa criada em tornodo jovem Alexandre
Pato, de apenas 17 anos, mostrou-se precipitada. Sem condições físicas e sem
nenhuma experiência, o jovem conseguiu marcar um gol num lance de sorte e
mostrou habilidade num lance com o ombro, e nada mais.
A partida acabou
em 2 a 1 a favor dos brasileiros, com o gol dos africanos acontecendo em uma
pane defensiva e num erro de Clemer. No dia seguinte, o Barcelona enfentou os
mexicanos do América e venceu sem dificuldades por 4 a 0. Sem dificuldades,
diga-se de passagem, graças aos mexicanos, que entraram em campo sem intenção de
marcar e pensando em jogar de igual para igual.
Na final, Inter e
Barcelona se encontrariam. Enquanto todos claramente destinavam os votos de
favorito aos catalães, os jogadores do Barça empurravam para o adversário. Seria
um mal presságio?
O confronto deste domingo foi de poucas chances de gol.
Na primeira etapa, apenas um lance de destaque, num chute de Iniesta que Clemer
quase entregou. Na etapa final, o Barcelona ensaiou uma pressão, mas sem
qualidade e criatividade para superar a boa marcação e a atuação inspirada dos
zagueiros colorados.
O gol no final, marcado através de um contra-ataque
puxado pelo sensacional Iarley, setenciou o destino da taça: o Beira Rio. O
título traz novamente uma lição que vimos frequentemente este ano, mas poucos
parecem ter assimilado: de nada adianta entrar no gramado acreditando que a
qualquer momento a habilidade individual vai decidir o encontro.
No
final das contas, leva o troféu quem aplica-se melhor taticamente, quem sabe
anular os pontos fortes do adversário e aproveitar os pontos fracos. O talento
individual resolve quando há no gramado uma equipe coesa e ciente da função, da
missão dentro das quatro linhas.
Assim foi o Internacional neste ano.
Soube aproveitar, com uma visão de jogo privilegiada, as chances criadas diante
de adversários que eram, teoricamente, superiores. E, ao final do ano, podemos
descobrir que na verdade quem foi superior foi o Internacional. Mais
internacional do que nunca...
E lá vem o mata-mata Zlatan Lexotan - 12/12
Terminada a fase de
Grupos da Liga dos Campeões, terá início no final de fevereiro os confrontos das
oitavas-de-final, quando veremos as dezesseis principais equipes do continente
enfrentando-se para descobrirmos quem é o melhor clube do Velho
Mundo.
Chelsea, Barcelona, Bayern Munique, Internazionale, Liverpool,
PSV, Valencia, Roma, Lyon, Real Madrid, Manchester United, Celtic, Arsenal,
Proto, Milan e Lille estão entre os sobreviventes, clubes que estarão no sorteio
desta sexta-feira, que definirá os confrontos das oitavas.
O sorteio é
dirigido, obedecendo as seguintes regras: um primeiro colocado enfrenta um
segundo, desde que não seja do mesmo grupo ou do mesmo país. Alguns times,
segundo essas regras, terão vida difícil. Os quatro clubes ingleses, que
terminaram em primeiro em sua chaves, são os que tem mais possibilidades: sete
adversários, ou seja, todos os segundos excluindo os de suas
chaves.
Confira abaixo quais são os possíveis adversários de cada
agremiação no sorteio desta sexta-feira:
Chelsea - Inter, PSV, Roma, Porto, Real
Madrid, Celtic, Lille Bayern Munique - Barcelona,
PSV, Roma, Porto, Real Madrid, Celtic, Lille Liverpool - Barcelona, Inter, Roma, Porto,
Real Madrid, Celtic, Lille Valencia
- Inter, PSV, Porto, Celtic,
Lille Arsenal -
Barcelona, Inter, PSV, Roma, Real Madrid, Celtic, Lille Lyon - Barcelona, Inter, PSV, Roma, Porto,
Celtic Manchester United - Barcelona, Inter, PSV, Roma, Porto, Real Madrid,
Lille Milan -
Barcelona, PSV, Porto, Real Madrid, Celtic Barcelona - Bayern, Liverpool, Arsenal,
Lyon, Manchester United, Milan Inter - Chelsea, Liverpool, Valencia,
Arsenal, Lyon, Manchester United PSV - Chelsea, Bayern, Valencia, Arsenal,
Lyon, Manchester United, Milan Roma - Chelsea, Bayern, Liverpool, Arsenal,
Lyon, Manchester United Porto - Chelsea, Bayern, Liverpool,
Valencia, Lyon, Manchester United, Milan Real
Madrid - Chelsea, Bayern, Liverpool, Arsenal,
Manchester United, Milan Celtic
- Chelsea, Bayern, Liverpool, Valencia, Arsenal,
Lyon, Milan Lille -
Chelsea, Bayern, Liverpool, Valencia, Arsenal, Manchester United
Ao
observar as situações acima, podemos afirmar que seguramente teremos uma porção
de grandes confrontos neste primeiro momento das oitavas-de-final. Exceção a
Lille e Celtic, que podem enfrentar basicamente todos os grandes clubes, os
demais protagonizarão confrontos de alto nível. Como teremos apenas dois
confrontos com Lille e Celtic, os outros seis jogos serão de alto
nível.
Basta observar a situação dos demais segundos colocados:
Barcelona, Internazionale, PSV, Porto, Roma e Real Madrid tem apenas pedregulhos
como possíveis adversários. Seja qual for o resultado, estes seis times já podem
esperar muita dificuldade.
Mas e se fosse diferente este método de
definição de adversários? Utilizando como parâmetro a Libertadores, por exemplo:
os times classificados são rankeados de 1 a 16, contabilizando seus desempenhos
na fase de grupos para definir a lista.
Se assim fosse, teríamos os
seguintes confrontos: Lyon x Celtic Milan x Barcelona Chelsea x
Lille Bayern x Roma Valencia x Inter Arsenal x Real Madrid Liverpool
x PSV Manchester United x Porto
Exceção ao confronto entre Liverpool e
PSV, que pertenciam ao mesmo grupo na fase anterior, todos os demais jogos são
possíveis de acordo com as possibilidade do sorteio desta
sexta-feira.
Vamos utilizar também como comparação a Copado Mundo. No
Mundial, a tabela diz que o primeiro de determinado grupo enfrenta o segundo de
outro, já determinado desde o príncipio. Se assim fosse na UCL,
teríamos:
Chelsea x Internazionale (1º A x 2º B) Liverpool x Roma (1º
C x 2º D) Lyon x Celtic (1º E x 2º F) Arsenal x Lille (1º G x 2º
H) Bayern x Barcelona (1º B x 2º A) Valencia x PSV (1º D x 2º
C) Manchester United x Real Madrid (1º F x 2º E) Milan x Porto (1º H x 2º
G)
Agora, resta saber qual será o resultado do sorteio desta sexta-feira
e comparar com as possibilidades acima para sabermos qual modelo seria o mais
indicado. Independente disso, teremos belos embates nas oitavas.
Em busca da fama Zlatan Lexotan - 06/12
A briga pelas vagas
espanholas na Liga dos Campeões tem os favoritos Barcelona e Real Madrid, o
Sevilla que se consolida como nova força, o Atlético de Madri querendo se
reerguer e o Zaragoza, essa sim uma feliz surpresa. O clube aragonês tem
tradição e já conquistou competições internacionais (uma Recopa e uma Copa de
Feiras), mas andava em baixa e sem perspectiva de grandes mudanças. Mas elas
vieram e La Romareda vive um momento de euforia.
O símbolo desse processo
é o meia Pablo Aimar. O argentino foi um dos destaques do Valencia na última
temporada e, apesar de receber algumas desconfianças do técnico Quique Sánchez
Flores e de sofrer com problemas físicos constantes, era protagonista sempre que
entrava em campo. Assim, não seria de se estranhar se decidisse ir a uma grande
equipe européia que decidisse apostar em seu talento. E ele aportou em
Zaragoza.
A decisão foi tão inusitada que, na época de sua contratação, o
"Palhaço", não conseguiu explicar direito o porquê de ir para um clube mediano
da Espanha. Sua melhor declaração foi um pouco convincente “eles apostaram em
mim, me chamaram e eu aceitei a proposta”, como se bastasse isso para um jogador
trocar de clube. Ainda mais nesse caso, em que se sai de uma equipe que
disputaria a Liga dos Campeões para ir a outra quem nem vaga na Copa Intertoto
tinha.
Uma possível justificativa para o caso seria uma eventual aposta
pesada da diretoria zaragocista em um jogador de nome. Mas não foi bem isso o
que aconteceu. Andrés D’Alessandro, meia argentino bastante conhecido dos
corintianos na época em que jogava no River Plate que teve passagem apagada pelo
Wolfsburg, também apareceu em La Romareda. Em seu caso, ele deu de ombros para
uma proposta do Benfica, clube que também está na Liga dos Campeões.
O
Zaragoza não recebeu um mecenas ou vendeu algum terreno para encher os cofres. O
que houve foi uma mudança na direção. Em junho, Alfonso Soláns Soláns,
presidente e proprietário do Zaragoza, colocou o clube à venda. Era o fim de uma
administração desgastada, que nunca teve boa receptividade por parte da torcida.
Soláns Soláns esteve à frente dos ‘blanquillos’ por dez anos, sempre adotando
uma política tímida em investimentos que levou o Zaragoza há várias temporadas
insossas. Muito diferente de seu pai, Alfonso Soláns Serrano, que comprou o
clube em 1991 para salvá-lo da falência e o levou ao título da Copa do Rei em
1994 e da Recopa européia no ano seguinte.
Com a saída de Soláns filho, o
empresário de construção civil Agapito Iglesias comprou as ações do clube e
deixou a presidência com Eduardo Bandrés. A chegada da dupla não significa que o
Zaragoza esteja cheio de dinheiro para investir, mas a filosofia mudou. Com mais
ousadia financeira, conseguiu manter as principais figuras da equipe – os irmãos
Diego e Gabriel Milito, Sérgio García, César, Ewerthon, Ponzio e Zapater – e
ainda trouxe a dupla de meias argentinos.
Fica claro que o modelo é o
Villarreal. Os aragoneses são um enclave sul-americano (sobretudo argentino) no
futebol espanhol. Victor Fernández é um treinador competente e deu um pouco mais
de consistência a um time que, na temporada passada, foi muito instável (fez uma
campanha maravilhosa na Copa do Rei – vencendo Atlético de Madri, Barcelona e
Real Madrid, com direito a 6 x 1 nos últimos – e acumulou 16 empates na
liga).
Por enquanto, D’Alessandro ainda decepciona e Ewerthon está
contundido. No entanto, o trio Aimar-Diego Milito-Sérgio García está em grande
fase e tem feito os gols que colocam o Zaragoza nas primeiras posições. César,
Ponzio e Gabriel Milito são garantias atrás. A dependência de Aimar ainda
incomoda e deve minar os zaragocistas até o final da competição. Mas é um time
perigoso pelos talentos que reuniu e pela vontade destes talentos de
se consagrarem em terreno europeu.
Mundo Novo Zlatan Lexotan - 29/11
Hoje vou sair do
tradicional. Assistindo ao confronto entre Pachuca e Atlético-PR pelas
semifinais da Copa Sul-Americana, o narrador mostrou-se inconformado pelo alto
número de atletas sul-americanos nos clubes mexicanos, com o argumento de que
eles vão para o México porque os clubes brasileiros falham na busca destes
talentos de países como Uruguai, Colômbia, Chile, Paraguai e Venezuela. O
comentarista foi rápido ao explicar que os clubes mexicanos tem mais condições
financeiras, mas a justificativa acabou ai.
O futebol mexicano é um
mistério para os brasileiros. Afinal, os clubes têm dinheiro para concorrer até
com os grandes centros europeus na contratação de alguns jogadores e disputa
competições sul-americanas como as forças mais tradicionais do continente. E não
dá nem para dizer que é um país de Primeiro Mundo como Espanha, Itália,
Inglaterra, Alemanha e Japão. A receita é outra, e dificilmente se aplicaria ao
Brasil por terem como base características bem peculiares do México.
O
histórico mexicano, desde o início do século, fez com que a economia mexicana
tivesse um perfil tradicionalmente liberal, com grande participação da
iniciativa privada e forte concentração de mercado em poucas empresas. Ainda
ajudou o surgimento de poucos, mas gigantescos grupos empresariais, que
monopolizam o mercado interno e têm porte para concorrer com multinacionais de
seu setor. No Brasil, salvo exceções como o Grupo Globo, os grandes monopólios
são de origem estatal.
Esse espírito liberal também passou ao futebol. A
proximidade com os Estados Unidos e a cultura de clubes sociais dos ibéricos fez
com que o esporte mexicano tivesse um perfil intermediário entre o clube como é
conhecido no Brasil – com associados, sede social etc. – e a franquia
norte-americana – uma empresa privada cujo negócio é ter uma equipe de um
esporte. Assim, por mais que sejam clubes com sede social, eles têm
proprietários.
E nem sempre são empresários, mas empresas. É um pouco
diferente do que ocorre em clubes ucranianos, russos e o Chelsea (e o
Corinthians?), em que um milionário usa o futebol como hobby ou como forma de
propaganda política, para não falar em motivações mais suspeitas. No caso
mexicano, os times são um negócio dentro de um grupo empresarial, sendo mais
correta uma comparação com a J-League ou a K-League. Por exemplo, Necaxa,
Atlante e América fazem parte do Grupo Televisa, que monopoliza os meios de
comunicação do México (mais ou menos como a Globo no Brasil) e exporta novelas
de qualidade duvidosa.
Essa abertura dos clubes a investimentos
dificilmente seria aceita no Brasil, já que a cultura de clubes sociais está
enraizada a ponto de os torcedores se sentirem, de alguma maneira, proprietários
do clube e uma venda seria vista como nociva. Tanto que, no máximo, os grandes
clubes fizeram parcerias ou vendas maquiadas em parcerias.
Vale dizer que
não há certo e errado nessa história. Por exemplo, soa estranho a um brasileiro
saber que três dos principais clubes da Cidade do México pertencem à mesma
empresa. Já pensou se uma grande empresa nacional, como a Votorantim ou a
Embraer, decidisse comprar Corinthians, Palmeiras e Santos ou Flamengo, Vasco e
Botafogo ao mesmo tempo? Se já houve gente reclamando dos jogos entre Palmeiras
e Juventude na década de 1990, quando ambos eram patrocinados pela
Parmalat...
Aliás, um grupo empresarial ter mais de um time no mesmo
torneio não é apenas estranho, chega a ser suspeito. Na Europa, a Uefa proibiu
que clubes que pertençam ao mesmo grupo disputem a mesma competição no
continente. Os mexicanos, por mais que estranhem, deixam isso acontecer. A
partir daí, vê-se a forte influência da cultura norte-americana no esporte
profissional do México. Na MLS, mais da metade das franquias é controlada por
uma única empresa, a Anschutz Entertainment, e ninguém põe em dúvida a lisura
dos resultados da liga estadunidense.
Outra conseqüência de levar a idéia
de clube-empresa às últimas conseqüências é deixar as raízes do time em um nível
de importância abaixo da necessidade financeira. No Brasil, em busca de
dinheiro, o Flamengo chegou a mandar partidas no Nordeste e, mais recentemente,
em Volta Redonda. Mas em nenhum momento deixou de ser uma equipe
carioca.
Os mexicanos não pensam o mesmo. Lá, como nas ligas
profissionais dos Estados Unidos, os times migram de uma temporada para outra. O
Cruz Azul foi fundado pela Cementos Cruz Azul em Jasso, mas a empresa quis mudar
a sede do clube para a Cidade do México e assim foi feito. Sem espaço na
capital, o Necaxa se mudou para Aguascalientes em 2003. Há casos em que as
equipes chegam a mudar de nome. O Atlético Celaya virou Colibries depois de
aportar em Xochitepec. O La Piedad, de La Piedad de Cavadas, foi para Querétaro
e se transformou nos Gallos Blancos. O Querétaro original, que estava na
Segundona, fugiu da concorrência e passou a jogar em Irapuato (novo nome do
clube). O Irapuato original aproveitou o rebaixamento do Tiburones de Veracruz
para adotar a cidade litorânea como casa e novo nome. Com a volta à elite dos
Tiburones, o Veracruz ex-Irapuato mudou-se novamente, agora para Tluxla
Gutiérrez, e virou Jaguares Chiapas.
Tamanha liberdade de ação e
possibilidade de fazer casar os interesses (por exemplo, a Televisa pode
transmitir várias partidas de América e Atlante e ganhar tanto na audiência,
quanto na exposição de seus clubes), não é difícil entender porque o futebol
mexicano recebe tantos investimentos privados. Algo que não ocorre no Brasil por
resistência (justificada, no caso) dos torcedores e pela estrutura complicada da
política de cada clube.
No final da década passada, outro fator fez com
que o futebol do México se colocasse em posição estratégica melhor que o
brasileiro e argentino. Enquanto as potências regionais sul-americanas passaram
por graves crises e desvalorização acentuada da moeda, o México se segurava na
Nafta. Não que o acordo com os vizinhos norte-americanos seja uma maravilha,
pois esse crescimento azteca se deveu muito ao aumento da quantidade de empresas
maquiladoras, não de desenvolvimento econômico próprio. De qualquer forma, hoje,
a economia mexicana é a maior da América Latina (US$ 658,2 bilhões em 2004,
contra US$ 578,2 bilhões do Brasil e US$ 149,4 bilhões da
Argentina).
Esse cenário deve mudar com o crescimento de Brasil e
Argentina e a valorização de suas moedas em relação ao dólar. Mas, por enquanto,
o poder aquisitivo dos clubes mexicanos é maior. É natural que se formasse uma
verdadeira comunidade latino-americana na liga azteca, o que torna aceitável a
idéia de que atacantes com mercado até na Europa como Cláudio López, Reinaldo
Navia, César Delgado, Patrício Galaz e Luciano Figueroa fiquem por
lá.
Para Sempre Ferenc Puskas Zlatan Lexotan - 21/11
Um físico que não serviria de exemplo para os atletas de hoje em dia - a
barriga atropelava o calção. Um pé direito que só servia para que não
perambulasse em campo como um saci. Os atributos, acreditem, se encaixam na
descrição de um dos maiores jogadores da história do futebol, falecido no dia 17
de novembro de 2006.
O húngaro Ferenc Puskas, com sua letal esquerda,
foi o mais impressionante dos Mágicos Magiares que encantaram nos anos 50. Nas
duas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, Puskas colecionou títulos
e recordes. Em um período de Europa dividida, foi brilhante tanto no Leste
quanto na parte ocidental. A marca de 83 gols em 84 jogos pela Hungria passou 50
anos sem ser superada.
"The Galloping Major", o major galopante. "Puskas
Ocsi", irmão mais novo, para os húngaros. "Cañoncito Pum", canhão explosivo,
para os espanhóis. As referências mostram o respeito e o carinho proporcionados
por seu talento em campo e pelas qualidades humanas.
Puskas ilustra as
lembranças de uma época em que os gols choviam pelos grandes jogos, e cautela
era uma palavra séria demais para se usar na abordagem do esporte. Não por
acaso, ele participou de dois dos jogos mais marcantes da história: a vitória da
Hungria por 6 a 3 sobre a Inglaterra, em Wembley, em 1953, e os 7 a 3 do Real
Madrid sobre o Eintracht Frankfurt na final da Copa dos Campeões (atual Liga dos
Campeões) de 1960.
Nascido como Ferenc Purczeld em abril de 1927, Puskas
adotaria apenas mais tarde o novo "sobrenome", que significa "atirador". A
convivência com o futebol existiu desde os primeiros anos em Kispest, vila
próxima a Budapeste que se tornaria fundamental para o desenvolvimento da grande
seleção húngara.
Ele morava em um apartamento vizinho ao estádio do
Kispest FC. Seu pai foi jogador e treinador do time. A família contava que
Ferenc havia dado seus primeiros chutes na bola assim que começou a andar. Aos
12 anos, já era jogador do Kispest, em companhia de József Bozsik, com quem
jogaria na seleção.
Obstinado, Puskas sabia que o futebol era uma válvula
de escape para o controle do estado no regime comunista e uma dura realidade
financeira. Aos 18 anos, já estava na seleção, convocado para os dois primeiros
jogos do pós-guerra, em agosto de 1945. Fez sua estréia no segundo, deixando sua
marca na vitória por 5 a 2 sobre a Áustria.
Em 1946, com 19 anos, já era
capitão do Kispest, que começava a melhorar seus resultados. Três anos depois, o
governo pró-soviético determinou a nacionalização dos clubes, e o Kispest
tornou-se o Kispest Honved FC, time do exército húngaro.
Gusztáv Sebes
assumiu o comando técnico da seleção e percebeu a grande oportunidade que se
apresentava. O ministério da Defesa podia impor a ida dos jogadores que
desejasse para o Honvéd, e o clube passou a ser a base da seleção. O time ganhou
força, e conquistou cinco títulos nacionais entre 1950 e 1955. Puskas foi
artilheiro de quatro campeonatos.
Com a Hungria, Puskas foi campeão
olímpico em 1952, nos Jogos de Helsinque. Ainda assim, em uma época na qual a
informação não circulava com a facilidade e a velocidade dos dias de hoje,
poucos poderiam prever que a Hungria, no ano seguite, causaria um autêntico
choque nos inventores do esporte.
O estádio de Wembley nunca havia
presenciado a vitória de uma seleção de fora das ilhas britânicas sobre a
Inglaterra. A partida era aguardada com ansiedade pelo que se conhecia sobre os
húngaros, que vinham invictos desde 1950, mas o clima entre os locais era de
confiança em mais uma vitória.
Quem se mostrou invencível, no entanto,
foi a hungria de Puskas, Bozsik, Nandor Hidegkuti e Sandor Kocsis. O inovador
esquema 4-2-4 livrava seus jogadores de obrigações com a marcação individual, e
no ataque garantia fluidez e velocidade ao jogo. Puskas marcou dois gols, um
deles necessariamente reprisado em qualquer vídeo biográfico.
Ele tinha a
bola pela direita da área, próximo à linha de fundo, quando notou a chegada de
Billy Wright para a marcação. Com agilidade, Puskas puxou a bola com as travas
da chuteira e viu Wright passar batido. O goleiro Gil Merrick nada pôde fazer
para evitar que o disparo de esquerda entrasse no ângulo. No fim do jogo,
aplausos dignos do cavalheirismo inglês - e, sobretudo, justíssimos.
No
ano seguinte, a Hungria reencontrou os ingleses, desta vez em Budapeste, e
aplicou uma sonora goleada de 7 a 1. Os magiares estavam credenciados como
favoritos para a Copa do Mundo da Suíça, meses depois.
O fato de a
Hungria não ter cumprido o favoritismo na final contra a Alemanha Ocidental
persiste na galeria dos casos de difícil explicação. Na primeira fase, os
húngaros golearam os alemães por 8 a 3, jogo em que Puskas se machucou. Ele
voltou para a decisão em Berna, e marcou um dos gols que ajudaram a Hungria a
abrir 2 a 0.
A Alemanha tirou forças para obter uma surpreendente virada,
e no final Puskas ainda teve um gol duvidosamente anulado por impedimento.
Aquela seria a única derrota da Hungria em seis anos. A série invicta de 32
partidas ainda é um recorde.
Em 1956, o Honved entrou na segunda edição
da Copa dos Campeões. Na primeira fase, o time enfrentaria o Athletic Bilbao.
Após a derrota por 3 a 2 no jogo de ida, na Espanha, explodiu a Revolução
Húngara contra o governo pró-soviético, e os jogadores decidiram não retornar ao
país.
A partida de volta se disputou no estádio Heysel, em Bruxelas, e
Puskas marcou no empate por 3 a 3 que selou a eliminação do Honved. Após uma
situação inicial de incerteza, os jogadores decidiram retirar suas famílias de
Budapeste e, apesar da oposição da FIFA e das autoridades do futebol húngaro,
organizaram uma turnê para arrecadar fundos por Itália, Portugal, Espanha e
Brasil.
Na Itália, bateu o Milan, o Palermo (6x2 e
7x1) e o Catania (9x2). Na Espanha, um amistoso realizado no Santiago Bernabéu,
em 29 de novembro de 1956, colocou frente a frente Real Madrid e Honved, os dois
clubes mais festejados da época; a partida terminou 5 a 5.
Na volta à Europa, o time se separou.
Alguns, incluindo Bozsik, retornaram à Hungria, mas outros, como Czibor, Kocsis
e Puskas, permaneceram na Europa Ocidental e buscaram novos clubes. A situação
de Puskas se complicou com a suspensão de dois anos imposta pela FIFA. Ele
tentou manter a forma no princípio, fez alguns jogos não-oficiais pelo Espanyol,
mas acabou se descuidando.
Quando o Real Madrid decidiu contratar Puskas
para a temporada 1958/59, o técnico Luis Carniglia reagiu com surpresa. Ele
tinha 31 anos, vinha de uma longa inatividade e carregava consigo uma barriga. O
presidente Santiago Bernabéu mandou um recado claro à comissão técnica:
"Coloquem-no em forma. É responsabilidade de vocês".
Puskas trabalhou
arduamente para perder 18 quilos. Era a cara nova de um time de estrelas como
Alfredo Di Stéfano. E para quem pensava que o húngaro estava acabado, a resposta
veio logo no segundo jogo pelo Madrid, com três gols diante do Sporting Gijón.
Ele repetiria o "hat-trick" em outros três jogos daquela temporada.
O
entendimento entre Puskas e Di Stéfano em campo era quase perfeito, e a final
contra o Eintracht Frankfurt em 1960 seria o ponto alto. Puskas marcou quatro
gols, e Di Stéfano os outros três, para garantir o quinto título europeu
consecutivo do Real Madrid - o segundo com o húngaro, que já tinha 33 anos na
ocasião.
Puskas terminaria com 35 gols em 37 jogos pela Copa dos
Campeões com o Real Madrid, totalizando 36 com o gol marcado pelo Honved. O
número só foi superado por Di Stéfano e por Eusébio, do Benfica, antes da
criação da Liga dos Campeões, que aumentou o número de jogos e de oportunidades
para os atacantes.
Na final de 1962 contra o Benfica, Puskas fez os três
gols do Madrid na derrota por 5 a 3. Em sua última temporada - 1965/66 - marcou
quatro vezes em uma goleada de 5 a 0 sobre o Feyenoord, primeiro adversário no
caminho do título.
Puskas disputou 261 partidas oficiais e marcou 236
gols pelo Real Madrid ao longo de nove anos. Foi quatro vezes artilheiro do
Campeonato Espanhol e cinco vezes campeão. Venceu ainda uma Copa do Rei (então
Copa del Generalísimo) em 1962, e a Copa Intercontinental contra o Peñarol em
1960.
Durante o período no Real Madrid, Puskas chegou a jogar pela
seleção da Espanha - ainda não era proibido defender seleções nacionais
diferentes - na Copa do Mundo de 1962, mas não teve sucesso.
Após deixar
os campos, Ferenc Puskas rodou o mundo como treinador. Foi do Egito à América do
Sul, da Arábia Saudita ao Canadá, passou por Grécia e Austrália. O ponto alto
foi em 1971, quando levou o Panathinaikos à final da Copa dos Campeões contra o
poderoso Ajax. No ano seguinte, foi campeão grego.
No início dos anos 80,
Puskas retornou à Hungria com a esposa Erzsebet. Em 1993, chegou a dirigir a
seleção nacional nos últimos jogos das eliminatórias da Copa do Mundo.
Em
julho de 1999, Puskas recebeu o título honorário de embaixador esportivo da
Hungria. No ano seguinte, o Honved aposentou a camisa 10 em sua homenagem. Em
setembro de 2000, foi hospitalizado com arteriosclerose, e posteriormente se
descobriria que ele sofria do mal de Alzheimer.
Nem a enfermidade abalou
o amor de Puskas pelo futebol. Em 2001, compareceu a um amistoso contra a
Alemanha, que celebrava o centenário da federação húngara, para calorosos
aplausos da torcida. Desde então, o estádio de Budapeste que recebe os jogos da
seleção leva seu nome. Razão de orgulho e nostalgia para um país que nunca mais
reviveu tamanho protagonismo no futebol.
Papo de hospício Zlatan Lexotan - 14/11
O tema
é velho, mas não custa lembrar. A imprensa é cheia de vontades e manias
seculares. A especulação é a principal delas, seguida do puxa saquismo. As
vezes, as especulações tem um certo fundo verídico, visto que muitos tem fontes
próximas a clubes e trocam um furo por uma eventual puxada de saco no futuro.
Isso não é surpresa para ninguém.
Troca-se uma boa dose de verdades e
críticas para obter a manchete desejada e ver o nome estampado nas primeiras
páginas como o autor da proeza. Abaixo vamos relembrar as grandes lorotas dos
últimos tempos.
Saviola no Santos: Esta é clássica. A grande
lorota precursora das mentiras internacionais. Então encostado no Barcelona,
surgiu na imprensa paulista a possibilidade do jogador da seleção argentina
reforçar o elenco santista. Obviamente, esta notícia surgiu apenas no Brasil
mesmo. Ou seja, foi apenas para vender jornal e enganar torcedor
mesmo.
Vágner Love no Corinthians: Sensacional. O ex-palmeirense
alegou que não se adatava ao estilo de vida russo e que pretendia voltar ao
Brasil. O seu destino seria o Corinthians e os milhões de doláres da poderosa
MSI. O atacante chegou até a posar com a camisa do Timão e deu coletiva como
sendo jogador alvinegro. Mas ninguém jamais o viu nem perto do Parque São Jorge.
O são paulino viveu história semelhante com Renato Gaúcho.
Ronaldo e
Riquelme no Flamengo: Este episódio é mais recente. Em entrevista, o
presidente do Flamengo Marcio Braga falava sobre os reforços que sonhava para o
elenco rubronegro, para a disputa da Libertadores do ano que vem. Segundo ele,
faltavam jogadores chaves para zaga, meio de campo e ataque. Braga, ciente da
fase atual do clube, foi humilde: Juan, Riquelme e Ronaldo eram os alves do
desejo.
Ronaldo e Ronaldinho no Milan: Essa ilusão foi causada
pela própria diretoria do Milan. Antes do início da temporada passada, o Milan
liderava o ranking das especulações insanas de possíveis transferências.
Ronaldo, Ronaldinho, Ljungberg e Buffon eram os cotados para reforçar o
alvinegro. Nenhum deles veio. Ronaldinho e Buffon voltaram a lista de reforços
do Milan, ao lado de Ibrahimovic e outros. Nas duas temporadas, quem acabou
chegando foi Amoroso e Ricardo Oliveira.
Carlos Alberto no
Chelsea: Para finalizar, o absurdo da semana, publicado hoje nos principais
jornais e noticiários esportivos. O meia Carlos Alberto, dispensado do
Corinthians, teria sido oferecido ao Chelsea e poderia se juntar ao elenco
multimilionário dos Blues. A justificativa encontrada foi que o meia havia
trabalhado com o técnico José Mourinho no Porto. Porém, o português não caiu na
piada e recusou o "futebol" de Carlos Alberto.
Precursor de uma nova era Zlatan Lexotan - 08/11
O ano
era 1998. Naquela época surgiu uma grande febre na internet, o Elifoot. a
princípio, todos achavam o jogo sem graça. Afinal, os jogos de futebol estavam
iniciando a era 3D, ninguém queria perder tempo com uma tela que lembrava um
jogo de Atari.
Porém, aos poucos aquele jogo conquistava a todos. A
carreira de técnico e manager de um time chamava a atenção pelo fato de não
haver nenhum jogo do estilo disponível.
O grande desafio do jogo em sí
era erguer um time da última divisão, a quarta, até a primeira. De acordo com
seu desempenho no cargo, uma equipe de maior prestígio poderia o convidar para
ser o novo técnico.
Nesse cenário, me apaixonei pelo futebol. Na época
até gostava, mas não tratava com a importância que passou a ter depois do
Elifoot. Passava horas e horas jogando. Mas o jogo já não bastava mais, tinha de
acompanhar as mais variadas partidas na televisão a procura de novos esquemas
táticos que pudessem ser utilizados, ou então a busca de novos jogadores que
pudessem ser contratados.
O tempo passou e muito mudou. Minha paixão pelo
futebol ultrapassou os limites do aceitável, e nem mesmo o Elifoot resistiu. Não
resistiu também ao tempo, já que novos jogos do estilo surgiram, mas com uma
complexidade muito maior e uma proximidade absurda com o mundo real.
Mas
não ficou por ai. O Elifoot inspirou muita gente, acredite. Além de jovens
mancebos que passavam dias a frente do computador, aquele jogo deu uma idéia a
muita gente: "Porque não fazer tudo isso de verdade?".
E então surgiu
Roman Abramovic. A tentação de comandar um time de futebol é mesmo tentadora. E
Abramovic tinha em seu poder o Cheat O'Matic, um programa que colocava
ilegalmente dinheiro no clube desejado no Elifoot.
Com tantos recursos,
o Chelsea domina o futebol inglês, onde existem outros que seguiram os passos de
Abramovic, como os famosos Alexandre Gaydamak (atual dono do Portsmouth), Milan
Mandaric (ex-dono do Portmouth e em negociação para compra do Leicester), John
Madejski (dono do Reading, que deu o próprio nome ao estádio do clube), Mohamed
Al Fayed (dono do Fulham e de metade de Londres) e a família Glazer (que assumiu
o controle do Manchester United).
Claro que, de todos estes, apenas
Abramovic conseguiu a proeza de utilizar o Cheat O'Matic. Ele conseguiu tanto
sucesso que comprou até mesmo um Boeing para suas viagens pela Euopa,
acompanhando os Blues.
O tempo vai passar ainda mais, mas todos sempre
lembrarão que a onda de fanfaronices no mundo da Bola só começou por conta do
Elifoot. Claro...
Novos artistas Zlatan Lexotan - 31/10
O
momento do futebol em geral é de renovação. Quase todas as seleções atuais
consideradas como potências vivem fase de transição em seus elencos. Exceção a
Holanda, que parece viver sempre em renovação, todos os grandes expoentes do
futebol Mundial possuíam elencos envelhecidos no último Mundial.
Agora,
com os jogadores perto da aposentadoria, os técnicos pela Europa estão coçando a
cabeça para acharem novos talentos para suas equipes. abaixo, vamos listar os
mais promissores novos jogadores.
Jérémy Toulalan: Quando o Lyon
recebeu a proposta do Real Madrid por Diarra, não dificultou muito a negocição.
Com a venda do volante se aproximando, o Lyon foi buscar no Nantes Toulalan. O
mais novo reforço do Lyon carrega todas as características de um volante
moderno: marcação, agilidade, técnica e visão, podendo também atuar na linha de
frente do meio campo. Tendo completado 23 anos no mês passado, Toulalan
certamente estará nos Bleus desta temporada em diante.
Yoann
Gourcuff: A França parece mesmo destinada a manter o bom nível de sua
seleção. O meia ofensivo Gourcuff é tratado como a mais certa das apostas
futuras do futebol europeu. Aos vinte anos completados a pouco, ele foi um dos
reforços do Milan para a atual temporada, após uma bela época a serviço do
Rennes. Criatividade, chute forte, visão de jogo, bom senso de marcação, um bom
drible e uma excelente improvisação em espaços curtos, que chega mesmo a lembrar
Zidane. No Milan certamente vai desenvolver o seu ponto fraco: o condicionamento
físico.
David Silva: Nascido na desconhecida Ilhas Canárias,
território espanhol, David Silva é um baixinho habilidoso, muito rápido,
habilidoso e com grande poder de finalização. Além disso, atua tanto como um ala
quanto como um segundo atacante. Este é David Silva, o jogador que ocupou a vaga
deixada por Aimar no Valencia. Revelado pelo próprio Valencia, Silva destacou-se
pelo Celta na temporada passada. Aos 20 anos, David Silva tem entrado aos poucos
na equipe de Quique Flores, seja para segurar a bola ou então para tentar mudar
um resultado adverso. O problema é um só: no Valencia a concorrência por um
lugar é muito maior que no Celta, e Silva pode ter problemas para aprimorar seu
futebol e ganhar experiência.
Nani: Nani é a grande revelação do
futebol português na atualidade, sendo observado de perto pelos maiores clubes
da Europa. Se Liédson anda em baixa, Nani é o novo queridinho do Sporting. O
atacante tem um grande poder de finalização e vem aprimorando a parte física,
além de contar com uma grande habilidade. Próximo de completar 20 anos, Nani se
tornou a esperança de gols dos Tugas após a aposentadoria de Pauleta, e ele não
decepcionou: em sua estréia na equipe de Felipão, marcou até gol
olímpico.
Klaas Jan-Huntelaar: O atacante, atualmnte no Ajax, é
aos 23 anos um dos melhores nomes do ataque no Velho Mundo atualmente. Além de
possuir todas as características de um goleador nato, possui também uma grande
habilidade. Foi artilheiro do último campeonato holandês com a impressionante
marca de 33 gols em 34 partidas. Ninguém sabe porque ele não foi para a Copa,
mas Van Basten aprendeu a lição: Huntelaar é nome certo nas convocações da
Orange após o Mundial.
Na próxima semana, caso nada de mais importante
aconteça no mundo da Bola, seguiremos com esta listagem.
Para a eternidade Zlatan Lexotan - 24/10
Aproveitando a falta des assuntos futebolísticos de impacto, recebi
autorização do patrão para escrever sobre a aposentadoria de mais um gênio do
esporte Mundial neste ano de 2006. Após Zinedine Zidane pendurar as chuteiras,
agora é a vez de Michael Schumacher deixar de lado o capacete e aproveitar as
belezes que sua gorda poupança lhe proporcionará.
A carreira de
Schumacher na Fórmula 1 começou em 1991, quando disputou apenas seis corridas
pela Benetton. Sua melhor colocação foi um expressivo quinto lugar no GP de
Monza, o suficiente para mantê-lo na equipe para a temporada seguinte.
Em sua segunda temporada, em 1992, Schumacher já mostrava que seu futuro
na categoria seria interessante. Venceu seu primeiro GP, na Bélgica, e terminou
o Mundial em terceiro lugar, atrás apenas das poderosas Williams de Malsell e
Patrese.
Após mais uma boa temporada em 1993, quando venceu novamente uma
corrida, desta vez em Portugal, Schumacher começava seu "Era" na Fórmula 1 no
ano seguinte, quando conquistou o título pela Benetton. Porém, 1994 ficou
marcado como o ano do terror na F-1, com as mortes de Ratzemberger e Senna em
Ímola.
E o título de Schumacher ainda veio com uma das maiores polêmicas
da história da categoria, quando o alemão jogou seu carro sobre o de Damon Hill
na Autrália e conquistou então o campeonato. O ano seguinte comprovou a
superioridade da Bentton, que acertou na troca dos motores V8 por V10, e
Schumacher então ficou com o bicampeonato. Com mais um título, o alemão assina
contratocom a Ferrari.
As quatro temporadas seguintes foram de frustração
para Schumacher. Em 1996, a Ferrari ainda tinha um carro fraco, que não foi
páreo para as Williams de Damon Hill, o campeão, e Jacques Villeneuve, vice.
Schumi acaba o ano em terceiro e consegue ainda somar três vitórias.
Em
1997, Schumacher disputa o título com Villeneuve e acaba desqualificado do
Mundial após tentar tirar Villeneuve da corrida no Japão. A manobra já tinha
dado errado na pista, e Schumacher viu mais um título da Williams. Com o fim da
era da Williams, a MacLaren passou a dominar a categoria nos dois anos
seguintes. Mika Hakkinen, o piloto que não sabia dirigir com chuva, acabou
bicampeão. Schumacher ficou com o vice em 1998 e, com uma perna quebrada, fica
em 5º em 1999.
Porém, nas cinco temporadas seguintes, o alemão chegou ao
auge de sua carreira e a Ferrari chegou ao máximo de seu carro. Michael
Schumacher entrou para a história ao conquistar cinco títulos consecutivos, de
2000 a 2004, chegando a marca de sete títulos, marca impensada há anos atrás. Em
2001 e 2002, ele fez mais que o dobro dos pontos do segundo e terceiro colocados
somados.
2005 foi o ano de surgimento de Fernando Alonso e da Renault, o
bicho papão do momento. Schumacher teve problemas o ano todo e venceu apenas uma
vez, terminando o Mundial na terceira colocação. Um erro de projeto da Ferrari
acabou jogando for a toda a temporada da escuderia de Maranello.
Porém,
Schumacher estava disposto a destronar Alonso em 2006. Mas a cada corrida o
sonho do oitavo título ficava cada vez mais longe. A Ferrari teve mais um
péssimo início de ano, e Alonso disparou no ranking. Porém, uma súbita melhora
no desempenho levou Schumacher e Alonso a estarem empatados quando a penúltima
corrida começou. Schumacher esbanjou genialidade ao tirar uma vantagem de mais
de vinte pontos.
Mas uma improvável quebra do motor Ferrari tirou do
alemão o sonho de se aposentar mais uma vez campeão. Mas nem por isso Schumacher
perdeu a majestade: no Brasil, a última etapa de sua carreira, largou em décimo,
pulou para quarto. Uma manobra estranha de Fisichella, companheiro de Alonso,
acabou rendendo a Schumacher um pneu traseiro furado. Schumacher voltou a pista
em último, quase uma volta atrás.
E então o alemão mostrou a todos que
sua ausência será por demais sentida: de último o alemão pulou para quarto, com
ultrapassagens arrojadas e voltas rápidas repetidamente. Nada se comparado a
ultrapassagem sobre Raikkonen, espremido entre o finlandês e o muro dos boxes.
Simplesmente genial.
Alonso foi bicampeão, mas deu-se pouca importância.
Muito se fala agora em sucessão. Oras, como se encontrassemos Einsteins em toda
esquina, Pelés em todo campo de futebol, Jordans em toda quadra de basquete.
Alonso pode ser campeão dez vezes seguidas que jamais terá para sí o rótulo de
"melhor de todos os tempos".
Schumacher foi capaz de chorar e rir em
entrevistas coletivas. Alonso esbanja arrogância e não tem a mesma simpatia, o
mesmo carisma, que tanto caracteriza os grandes campeões. Porque, afinal, ser um
grande campeão vai muito além das retas e curvas de um circuito.
Hora de dançar o vira Zlatan Lexotan - 17/10
Os
clubes portugueses e a Seleção de Portugal passaram a ganhar mais destaque nos
últimos anos. Desde que o Porto sagrou-se campeão da Liga dos Campeões em 2004 e
Portugal chegou à final da Eurocopa em 2004, o futebol luso passou a chamar mais
atenção no cenário internacional. No Brasil, fala-se muito dos Tugas desde que
Felipão e Deco passaram a defender a seleção européia. No Velho Mundo, o sucesso
do Porto impulsionou a carreira daquele elenco, que espalhou-se pelos principais
clubes do continentes, e de José Mourinho, comandante daquela equipe dos
Dragões.
Porém, desde então, o cenário vem lentamente alterando-se. Os
clubes portugueses, obviamente, não tem tantas condições de repetir o feito dos
Dragões, e os três grandes limitam-se a disputar o título da SuperLiga. A
Seleção de Portugal, por sua vez, empolgou na última Copa do Mundo, quando
atuando de forma vibrante, chegou às semifinais da competição e acabou derrotada
pelos franceses. Mas após a vitória sobre a Holanda nas oitavas, o encanto
parece ter quebrado-se para os Tugas.
Desde a ocasião, os Tugas já não
empolgam mais. Após o confronto frente aos holandeses, Felipão conquistou apenas
uma vitória: 3 a 0 em casa sobre o poderoso Azerbaijão. Há de levar em
consideração que os Tugas perderam seu capitão, Figo, e seu artilheiro, Pauleta,
que se aposentaram após o Mundial. Porém, o torcedor luso está, desde os últimos
sucessos, empolgado com as possibilidades futuras de Portugal. Felipão, mais uma
vez, começa a ser alvo de críticas por parte da torcida e da imprensa lusas, que
não entendem por que faltou tanta ambição ao treinador antes das partidas com a
Finlândia e a Polônia (Scolari chegou a dizer que se contentava com o empate).
Diante da Polônia, Portugal foi amplamente dominado e escapou de uma goleada
histórica. Sinal de alerta...
Para continuar neste episódio de casos
portugueses, o campeonato português segue em sua rotina de casos exdrúxulos
intermináveis. Após o imbróglio que envolveu Gil Vicente e a justiça desportiva
do país, que culminou com o rebaixamento da equipe para a segunda divisão, na
última semana foi a vez de o Estrela Amadora e a Liga de Clubes protagonizarem
um episódio pra lá de anedótico: a três dias de enfrentar o Sporting em casa, no
Estádio da Reboleira, o Amadora simplesmente possuía o campo em obras (foto
da capa), à espera da colocação do gramado. A diretoria do clube, situado
nos arredores de Lisboa, insistia em dizer que o recinto teria condições de jogo
para a rodada de domingo, 15 de outubro. E, de fato, no dia anterior o gramado
estava todo pronto. Porém, a comissão da Liga Portuguesa de clubes, após uma
vistoria realizada no dia 13 de outubro, decidiu que o campo do Estrela não
reunia condições para sediar a partida, e o transferiu para o campo do
Estoril-Praia. Como reusltado, o Sporting venceu por 1 a 0.
Para
finalizar, pensam em criar mais uma competição em solo português: a Taça da
Liga. A competição, que ocorre em países como Inglaterra e França, envolveria
apenas clubes da primeira e segunda divisão, ao contrário da Taça de Portugal,
que reúne equipes de todas as esferas futebolísticas do país. O novo presidente
da Liga de clubes, Hermínio Loureiro, pretende verificar se há mercado
(patrocinadores) e se os clubes têm disposição parta enfrentar mais uma
competição doméstica – ao lado do campeonato nacional e da Taça de Portugal. No
fundo, trata-se de uma nova batalha entre Liga de Clubes (responsável pelas
competições profissionais) e a Federação Portuguesa de Futebol (responsável pela
seleção, pelo futebol amador e pela Taça de Portugal). De fato, difícil imaginar
que Porto, Sporting e Benfica estejam interessados em mais brigas particulares
por mais um troféu caça níqueis que tem pouco valor e abarrotariam um calendário
já inflado.
O futebol português, que caminhava para sair das sombras dos
demais companheiros europeus, agora está à espera de mais uma
reviravolta.
Listas e Prêmios Zlatan Lexotan - 10/10
O futebol parece
cada vez mais refém destes artifícios que de pouco valem realmente. A Bola de
Ouro da France Football, oferecida ao melhor jogador eleito por jornalistas
desde 1956, é a única premiação realmente levada a sério no Velho Mundo, pois é
decidida por especialistas no assunto.
As demais premiações são um tanto
quanto obscuras. A mais festejada de todas as premiações é a mais inútil delas:
o prêmio de Melhor do Mundo da FIFA. Instituído em 1991, a premiação leva em
conta os votos de treinadores de todas as seleções afiliadas à FIFA e um
colegiado que tem votos secretos que nunca foram muito bem explicados. Ou seja,
além de não ser transparente, este prêmio da FIFA sempre premia o mais famoso e
não aquele que foi realmente o melhor. Invariavelmente, recebe o prêmio quem se
destaca em uma Copa do Mundo ou algum jogador da Liga Espanhola, a mais
assistida.
Agora, surgiu uma nova premiação imbecil: a eleição da FIFPro
(federação internacional dos jogadores profissionais). São 55 indicados ao
prêmio de melhor jogador do mundo oferecido pela entidade. Entre julho e agosto,
43 mil jogadores filiados às 40 organizações nacionais de jogadores que compõem
a FIFPro votaram em suas seleções ideais, com um goleiro, quatro defensores,
três meio-campistas e três atacantes. Aquele que receber o maior número de
indicações será coroado como o melhor do mundo da FIFPro. Também será divulgada
a seleção do mundo, com os mais votados em cada posição. Também haverá um prêmio
ao melhor jogador jovem.
Entre os 55 indicados, há uma série de jogadores
que nem de longe poderiam compor uma lista deste gênero. Dida (mal), Cafu (mal),
Ashley Cole (mal), Miguel (esse é ruim mesmo), Makelele (outras opções), Adriano
(péssimo), Ronaldo (horroroso) e Totti (seis meses machucado) são
inconsistências tremendas, enquanto jogadores como Juninho, Malouda, Ribery,
Diarra, Essien, Eboué, Daniel Alves, Touré, Joe Cole, David Villa, Xabi Alonso e
Huntelaar tiveram temporadas muito boas e chegaram até mesmo a ter destaque na
Copa do Mundo em alguns casos, como Malouda, Ribery, Essien Joe Cole e
Villa.
Não dá pra entender muito bem, se você de fato conhece sobre o
assunto sabe que Ronaldo e Adriano jamais poderiam estar em uma lista dessas. E
depois querem reclamar do Pelé...
Seca de gols Zlatan Lexotan - 04/10
O Milan vive momento
complicado nos últimos anos. O clube parece perdido desde aquela trágica noite
em Instambul, quando o Liverpool bateu a equipe rossonera nos pênaltis após uma
reação emocionante, naquela final de Liga dos Campeões que jamais será
esquecida.
A temporada passada foi reflexo claro daquela noite em terras
Turcas, já que o Milan apresentou sempre grandes problemas psicológicos: bastava
a menor reação do adversário em desvantagem para que toda a equipe rossonera se
desmontasse como um castelo de areia.
Porém, mesmo com esse trauma na
cabeça, o Milan marcava gols e era sempre apontado como a equipe italiana que
tinha a maior característica ofensiva. Em seus últimos 41 jogos da temporada
anterior, que representam boa parte da época, o Milan marcou 84 gols, com uma
média pouco superior a dois gols marcados por partida.
Nestes 41 jogos, a
equipe rossonera ficou em branco oito vezes, contando confrontos contra rivais
tradicionais como Barcelona, Lyon, Juventus, Lazio, Roma e PSV. Nos demais 33
encontros, quando o ataque que tinha Shevchenko e Gilardino não resolvia, Kaká e
Pirlo vinham de trás para dar tranquilidade ao conjunto milanês.
Porém,
a saída de Shevchenko parece ser mais traumatizante do que qualquer derrota.
Após a negociação do ucraniano com o Chelsea, muito se falou em reforços para o
ataque, mas o esforço do Milan no mercado de transferências resumiu-se a
contratação do mediano Ricardo Oliveira, nome que nem de longe poderia ser
comparado ao do ucraniano.
Após a chegada do brasileiro, a temporada do
Milan começou até que bem: nos seis primeiros jogos, seis vitórias e onze gols
marcados, com apenas dois gols sofridos. Muito se falou num renascimento da
equipe rossonera após os escândalos do Calciocaos, mas lentamente a realidade
rossonera vem à tona. Os últimos três encontros acabaram com o encanto inicial:
foram três jogos, com três empates sem gols.
E, após esses três jogos sem
gols, outras questões surgiram: os seis primeiros jogos da temporada não
mostraram um ataque eficiente, mas uma equipe de sorte: na vitória contra o
Ascoli por 1 a 0, gol de Jankulovski, ala esquerda; na vitória sobre o Parma por
2 a 0, gols de Kaká e Seedorf, ambos de bola parada; na vitória por 3 a 0 sobre
o AEK Athenas, gols de Gourcuff, Kaká e Inzaghi; na vitória por 2 a 1 sobre a
Lazio, o único momento em que o ataque resolveu, com gols de Inzaghi e Oliveira;
nas vitórias sobre o Estrela Vermelha que abriram a temporada (1a2 e 1a0),
Inzaghi marcou duas vezes e Seedorf foi autor de outro tento.
Ou seja,
Inzaghi marcou quatro vezes e Ricardo Oliveira marcou outro. De onze gols
marcados, apenas cinco foram do ataque rubro-negro, sendo quatro de seu mais
experiente e menos talentoso atacante. E Shevchenko, artilheiro da equipe nas
últimas temporadas, chegou a marcar quatro gols em uma única partida, onde
pode-se ter uma real noção do desparate entre o atual ataque e o
anterior.
Mas não limita-se a isso: nos referidos 41 jogos
anterioremente, jamais houve uma sequência negativa como esta, onde o time
passou três jogos sem marcar e cinco sem que os atacantes pudessem comemorar um
tento sequer.
Além da falta que um jogador world class, ou
fuoriclasse como se diz na Itália, como Shevchenko faz, pode-se
argumentar que o ataque rossonero era bom porque tinha Shevchenko como centro
das atenções, enquanto os demais aproveitavam-se da atenção que o ucraniano
exigia dos adversários para marcar gols. Sem ele, nenhum dos ponteiros consegue
segurar a barra sozinho, e nem mesmo com os três juntos, como aconteceu na
última partida, um gol consegue surgir.
Gilardino, após a boa temporada
passada, parece estar sofrendo de um mal comum: achar que é muito melhor que
realmente é. Oliveira entrou numa furada: além de substituir Shevchenko, veio de
um dos campeonatos mais fáceis do mundo, onde até Júlio Baptista virou
artilheiro. Na Itália, a marcação é outra, mas Oliveira é o mesmo. Inzaghi,
mesmo idoso e não tendo técnica alguma, consegue destacar-se exatamante por
saber de suas limitações.
Difícil imaginar qual será o destino da
temporada rossonera. Restará a Ancelotti buscar alguém para o restante da
temporada, mas a pressão em torno de um eventual reforço ou da falta dele devem
resultar no que deveria ter acontecido logo após a derrota em Instambul: a
demissão de Ancelotti. Não seria essa a exata solução, mas a este ponto é algo
que poderia mexer com os brios do elenco, algo que Ancelotti não parece mais ser
capaz de fazer.
Mundo da Lua Zlatan Lexotan - 26/09
Alguns dirigentes do
futebol brasileiro parecem viver em um mundo a parte, isolados de tudo que
acontece no resto do planeta e, principalmente, alheio a sua própria realidade e
condição.
Exemplos desse tipo de condição mental deficiente não faltam. A
pretensão é um desses pontos. Todos os clubes que entram nas competições tem
apenas um objetivo: o título. Diferentemente do que ocorre na Europa, onde os
clubes pequenos ou com elencos deficitários sabem das suas limitações, na terra
do futebol todos os times são tão bons que qualquer um pode ser campeão.
Mas não é só isso: o lanterna da competição, invariavelmente portador de
um grupo de jogadores praticamente amadores ou então cheio de estrelismos
injustificados, diz que aquilo é apenas passageiro, mas que o primeiro objetivo
é somar pontos para subir na tabela. Subir como, meu amigo, se vocês não ganham
de ninguém?
Exemplos mais recentes não faltam. Quem não se lembra da saga
santista, que jurava que ia contratar o atacante argentino Saviola?
Piada...
A polêmica mais recente envolveu Tite e Salvador Hugo Palaia,
ex-técnico e dirigente do Palmeiras, respectivamente. A confusão chegou ao fim
apenas quando, motivada pelo diretor (e bem paga, obviamente) foi ao Aeroporto
encularar Tite, que foi embora apenas em carro da Polícia. Faz sentido conspirar
contra o técnico que salvava a equipe do rebaixamento...
Hoje, ao navegar
na internet, me deparo com mais um desses absurdos, que devem ser causados por
uso de entorpecentes, pois nada mais justifica: o presidente do Flamengo dizendo
que não acha o time do Fla ruim, mas que faltam três reforços: um zagueiro, um
meia e um atacante.
Bom, fora achar que um time que tem como ataque Luião
e Obina não ser ruim, tudo bem. Problema é quando ele disse quem são os três
alvos: Juan para a zaga, Riquelme para o meio e Ronaldo para comandar o
ataque.
E acredite, isso não é invensão. São apenas delírios de um país
em que os cartolas vivem no Mundo da Lua.
Pendurando as chuteiras (ou não) Zlatan Lexotan - 19/09
Surgimento, Auge,
Decadência, Fim. Tudo na vida carrega estes quatro elementos como únicas
certezas.
A carreira futebolística é um dos maiores exemplos deste ciclo
vicioso. Todo jogador passa por estes momentos, guardadas as devidas proporções
em seu auge e em sua decadência.
O Auge depende de muitos fatores, mas é
guiado basicamente pelo talento e inteligência do atleta em saber como expor-se
da forma correta. Já a decadência muitas vezes torna-se maior justamente pelo
fato do jogador não saber como lidar com essa exposição, ou a falta
dela.
Alguns preferem retirar-se quando o corpo ou a mente não conseguem
mais acompanhar o ritmo imposto pelo esporte, que é o ideal. Os atributos
técnicos mantêm-se inabaláveis por certo tempo, mas com a depreciação dos
quesitos físicos, passa a ser difícil para o corpo acompanhar o que a técnica
solicita. E então a decadência chega a seu limite. E este é um caminho que boa
parte prefere seguir.
Para os brasileiros, não há caso mais notório que o
do atacante Romário. O atacante surgiu nas categorias de base do Vasco da Gama,
onde começou sua carreira profissional em 1984. Ou seja, há 22 anos atrás,
quando boa parte das pessoas que leêm estas linhas eram pequenos mancebos ou
sequer haviam nascido.
O artilheiro chegou ao auge de sua carreira dez
anos depois, em 1994, quando carregou uma das piores seleções do Brasil ao
título mundial da Copa nos Estados Unidos, quando um estrelado (e baqueado) time
italiano perdeu nas penalidades. Nesta época, Romário defendia o Barcelona, onde
ficou pouco mais de uma temporada e conquistou a Liga e foi artilheiro com 30
gols.
Depois, a carreira do baixinho passou alguns anos em ostracismo
(Flamengo, Valencia, Flamengo) até que Romário viveu sua última grande temporada
em 2000, quando marcou 67 gols e conquistou a Copa Mercosul e o Campeonato
Brasileiro pelo Vasco. Aos 34 anos, seria o momento ideal de pendurar as
chuteiras, um grande capítulo de sua carreira. Mas ele preferiu
seguir.
Com a motivação de chegar ao milésimo gol, Romário passou a
mendingar por uma vaga na Copa de 2002, mas teve de ver de longe o time
comandado por Felipão conquistar o título sobre os alemães. Desde então, Romário
perambulou por Fluminense, Al-Saad, Fluminense de novo, Al-Saad de novo,
Fluminense pela terceira vez e retornou ao Vasco em 2005. Beirando os 40 anos,
tornou-se artilheiro do campeonato nacional, quando marcou 22 gols. (Onde
pode-se ter uma noção no nível inexistente do campeonato
brasileiro...)
Terminar a carreira onde a começou? Nada disso! Ainda
obcecado com a possibilidade de chegar ao gol 1000, Romário assinou com o Miami
FC, da segunda divisão do futebol norte-americano.
Na USL Soccer, Romário
marcou 19 gols, mas seu time foi eliminado no último domingo frente ao Vancouver
Whitecaps, na primeira rodada dos play-offs. Como seu vínculo com o clube
terminava com a participação do clube na Liga, Romário vê-se sem clube para
continuar em sua saga, uma vez que a janela de transferências para jogadores do
exterior encerrou-se, impossibilitando sua volta ao futebol
brasileiro.
Segundo as contas do Vasco e do atacante, Romário contabiliza
984 gols em sua carreira, portanto, faltariam 16 para que ele alcance a tão
sonhada marca. E não faltam clubes dispostos a ajudar: nesta segunda-feira, o
jornal "The Sydney Morning Herald" publicou matéria na qual Romário estaria
próximo de "reforçar" o elenco do fabuloso e grandioso Adelaide
United.
Caso esta proposta confirme-se, fique atento para os jornais e
noticiários nas próximas semanas. Você provavelmente verá a festa de Romário ao
marcar seu milésimo gol em um canguru.
Liga dos Kapião! Zlatan Lexotan - 13/09
E comeeeeçou a maior
competição de clubes do universo! Teve início nesta terça-feira a sempre
glamurosa e milionária Liga dos Campeões da Uefa. Até ai, nenhuma grande
novidade. Como sou um colunista preguiçoso, deixei para escrever esta coluna
depois das oito primeiras partidas terminarem.
Não tivemos grandes
surpresas neste primeiro dia de competição e esta deverá ser a tônica para o
restante. Zebras aparecerão, como de costume, mas dificilmente veremos uma final
entre Lille e Levski Sofia. E os motivos para isso são claros: os abismos que
separam as equipes grandes, médias e pequenas é cada vez mais
assustador.
Prova clara disso foram os resultados desta terça-feira.
Barcelona, Bayern Munique e Roma enfrentaram equipes de pequeno porte e venceram
sem grandes problemas Levski Sofia, Spartak e Shakthar, tendo marcado 13 gols e
nenhum sofrido.
Esses confrontos acima descritos exemplificam bem a
disporidade entre os grupos de equipes: o Barcelona, do primeiro escalão, não
marcou mais gols por clara falta de necessidade, já que enfrentou uma das piores
equipes já vistas num gramado de Champions League.
Já Roma e Bayern
Munique, do grupo secundário, tiveram mais dificuldades para superar seus
adversários do bloco terciário, mas mesmo assim conseguiram formar um belo saldo
de gols.
Enquanto isso, PSV e Liverpool, equipes que ocupam espaço no
segundo grupo de força, empataram sem gols em jogo de dar sono. Ou seja, o
equilíbrio de forças das equipes acabou ocasionando um jogo dos mais monótonos.
O equivalente vale para o confronto entre Galatasaray e Bordeaux, também sem
gols. Isso acabou dando ao grupo C da competição uma primeira rodada sem um gol
sequer sendo marcado. Genial não?
No confronto do dia com mais gols,
entre Olympiakos e Valencia, a categoria espanhola prevaleceu de tal forma que o
decadente Fernando Morientes marcou três vezes na vitória por 4 a 2 diante dos
gregos fora de casa. Mesmo fora de casa, o fato do conjunto blanco ser de um
escalão pouco superior ao grego já ocasionou a vitória espanhola.
A única
exceção do dia, como sempre, deu-se com a Internazionale, mas este é um caso que
não necessita de maiores explicações.
Caso a lógica se mantenha, nas
partidas desta quarta-feira teremos confrontos equilibrados no Grupo E, com
duelos entre Dinamo e Steua e Lyon e Real Madrid, disparidades entre Manchester
United e Celtic e Kopenhagen e Benfica, equilibrio entre Porto e CSKA e Hamburgo
e Arsenal e uma fácil vitória do Milan sobre AEK e mais equilibrio entre
Anderlecht e Lille. Mas nem tudo é tão fácil assim.
Começou a Liga dos
Kapião! Que belessa hein kapião?
Olho por olho... Gato por gato! Zlatan Lexotan - 05/09
Esqueçam todas as
mais modernas teorias do marketing. Rasguem os livros e as teorias furadas de
Philip Kotler, Sun Tzu e Carlos Alberto Parreira, ex-gurus do assunto. O novo
papa do universo da propaganda e ídolo deste colunista se chama José Maria del
Nido. Como assim vocês não o conhecem? Por isso estão aí, parados no tempo em
vez de ganhar dinheiro fácil. O presidente do Sevilla já merecia uma estátua ao
conseguir negociar Júlio Baptista e Reyes por uma boa grana para dois trouxas,
Real Madrid e Arsenal. Mas agora, merece nosso destaque...
Reyes surgiu
como mais um fenômeno espanhol, como geralmente acontece com os jovens que se
destacam. Recebeu um tratamento de “novo Raúl” por parte da imprensa espanhola.
Estreou na equipe aos 18 anos, e teve como ponto alto uma partida em que o
Sevilla venceu o Real Madrid por 4 a 1. O diário esportivo Marca descreveu-o
como 'simplesmente um superastro, espetacular - dribles, magia, visão e gols,
tudo em um só jogador'. Na janela de transferências de janeiro de 2004, o
Arsenal desembolsou U$ 31 milhões no jogador, sendo 19 milhões pagos no ato e
outros 12 que dependiam do desempenho de Reyes. No final das contas, os Gunners
pagaram € 26 milhões ao Sevilla.
No clube inglês, após um início
arrasador na temporada 05/06, quando marcou seis gols nas seis primeiras
partidas, Reyes micou com o restante do Arsenal. Foi contratado pelo seu estilo
que aproximava-se do esquema de Wenger, de muita velocidade, mas o Arsenal
chegou na final da última LC jogando na retranca. Reyes acabou no banco, e desde
que chegou, sempre choramingou que gostaria de voltar à Espanha.
Julio
Baptista chegou ao clube em 2003, procedente do São Paulo, onde carregava a
reputação de um volante que não sabia marcar ou um atacante que não sabia
chutar. Genial! Para adquiri-lo, o Sevilla desembolsou € 3 milhões. Foi escalado
como atacante e marcou gols como água. Por seu estilo trombador, ganhou o
apelido de "La Bestia". Na temporada 03/04, marcou 20 gols na Liga e acabou como
vice artilheiro. A temporada seguinte não foi das melhores, mas o Sevilla
conseguiu mais uma bela transação: vendeu Baptista por € 24,5 milhões. No Real
Madrid, Baptista teve pouco destaque, mas ainda assim conseguiu marcar oito
gols. Capello, assim que chegou, deixou claro que não contava com o grotesto
jogador em seu elenco.
Se apenas por essa condição, de vender jogadores a
preços estratosféricos, Del Nido já era idolatrado, agora conseguiu se superar -
e sem se mexer um centímetro sequer. Real Madrid e Arsenal se convenceram da
burrice que fizeram e tentaram corrigi-la ao trocar Júlio por Reyes. Ah, agora
sim as coisas vão para frente.
E Del Nido ainda vai ganhar uma grana dos
dois times por conta do troca-troca! Ou seja, eles perceberam que trocaram gato
por lebre e ainda tiveram que pagar extra para se livrar do encosto, recebendo
de volta outro encosto ex-Sevilla. Gênio! Mestre! Uma aula de como lucrar
duplamente com mercadorias de baixa qualidade.
Uma história pessoal Zlatan Lexotan - 29/08
Não sou um torcedor
corneteiro. Sempre apoiei o Milan, sofri nas tristezas e comemorei nas
conquistas. Porém, só descobri esta paixão rossonera quando tinha 12 anos, em
1996. Acompanhei uma equipe com George Weah e Zvonimir Boban ser campeão
italiano, e a empatia foi imediata. Antes disso, tinha como time de meu coração
uma equipe brasileira, mas que nunca realmente encheu meu peito de alegria ou
orgulho. Era como um namoro bobo, que um dia acaba ao encontrar o verdadeiro
amor para a vida toda.
Assim aconteceu comigo. Desde então, passei,
graças ao advento da tevê à cabo, acompanhar sempre que podia os jogos do Milan.
A temporada seguinte ao título foi desastrosa para mim: nenhum canal chegou a um
acordo pelos direitos de transmissão e tive de contentar-me em acompanhar pela
Internet. Fui tolo, já que desconhecia a possibilidade de assistir pela RAI.
Porém, fui poupado de um grande sofrimento logo de cara, já que a equipe
rossonera terminou a temporada em uma decepcionante décima primeira colocação,
sofrendo inclusive uma goleada história frente a Juventus por 6 a 1 em pleno San
Siro. A campanha na Liga dos Campeões também foi desastrosa: eliminado na fase
de grupos, abaixo de Porto e Rosenborg.
A temporada 97/98 foi igualmente
decepcionante: uma décima colocação, assistindo a mais uma conquista da
Juventus. A época seguinte, a de 98/99, marcou a segunda ausência consecutiva da
UCL, mas também o retorno do Milan a disputa das primeiras colocações,
finalizando em terceiro lugar abaixo de Lazio e Juventus. Em 2000/01, o Milan
voltou a decepcionar-me e finalizou a Série A em uma mediana sexta colocação. Na
época seguinte, mais uma época de lamúrias: apenas a quarta colocação na Série
A, mas a vaga garantida na Liga dos Campeões da temporada seguinte.
O
Milan finalizou a Série A em 2002/03 na terceira colocação, mas desta vez não
houve motivos de tristeza: celebramos a conquista da Liga dos Campeões sobre a
Juventus nos pênaltis. A campanha consagrou jogadores como Filippo Inzaghi,
Shevchenko e Dida, eliminando times como Ajax e Internazionale. Na temporada
seguinte, o clube rossonero teve uma sorte muito menor na UCL, quando sofreu uma
virada história do Deportivo: venceu o primeiro jogo por 4 a 1 e acabou
derrotado na Galícia por 4 a 0. Na Série A, porém, o Milan sagrou-se campeão
pela 17ª vez em campanha que revelou Kaká.
A temporada 04/05 mostrou-se
uma das mais promissoras e acabou por ser a mais decepcionante. A Série A
parecia um título garantido, mas a taça acabou nas mãos da Juventus. A Liga dos
Campeões foi um episódio a parte: após estar vencendo o Liverpool por 3 a 0 ao
final do primeiro tempo, a equipe italiana permitiu o empate e acabou derrotado
nas penalidades. Um episódio de extremo sofrimento. Os torcedores que esperavam
mudanças para a última temporada ficaram a ver navios. O Milan acabou mais uma
temporada atrás da Juventus na Série A e, na Liga dos Campeões, caiu nas
semifinais diante do Barcelona.
Ao final da temporada, surgiram os
escândalos de corrupção envolvendo a Juventus que acabaram com uma punição de
oito pontos negativos para o Milan na temporada 06/07 e ainda colocou a equipe
italiana na 3 fase eliminatória da Liga dos Campeões. No sufoco, o Milan superou
o Estrela Vermelha e classificou-se a fase de grupos da competição. Esta, até
agora, foi a única vitória na temporada atual. O elenco perdeu Shevchenko e nada
fez para repor: perdeu as disputas por jogadores como Ibrahimovic, Luca Toni e
Ronaldo. O elenco sexagenário segue no clube, e até mesmo a contratação do
mediano Ricardo Oliveira torna-se difícil.
A diretoria está de sacanagem,
ou então trata-se de uma pegadinha que será desfeita no próximo dia 31, quando
encerra-se a janela de transferências. Não custa acreditar. Ou então voltarei ao
velho tempo sofrido das temporadas de 97 a 02. Pelo menos já conheço a
sensação....
Previsões e Imprevistos Zlatan Lexotan - 22/08
A temporada européia
já começou, mas ainda há tempo de previsões para os campeonatos. Abaixo,
falaremos sobre os times que disputarão o título e as vagas européias.
Charlatanismo puro, mas não me importo. Confira abaixo os palpites
infalíveis.
Alemanha
Título: Bayern Munique, Hamburgo, Schalke 04 e Werder
Bremen lutarão pela conquista da Bundesliga, com os Azuis Reais correndo bem por
fora. O Bayern perdeu a espinha dorsal de seu meio campo: Ballack e Zé Roberto
saíram ao final de seus contratos, e o Bayern não contratou ninguém para repor.
O Hamburgo perdeu sua dupla de zaga: Boulahrouz e Van Buyten foram negociados. O
Werder Bremen perdeu Micoud, mas reforçou-se com Mertesacker e Diego. Como temos
33 vagas destinadas a Liga dos Campeões, um vai sobrar na Uefa. Palpite: Werder
campeão.
Copa Uefa: Bayer Leverkusen, Borussia Dortmund, Hertha
Berlim e Stuttgart brigarão por uma vaga na Uefa, mas terão de lembrar-se que,
com apenas duas vagas destinadas a competição, terão de degladiar-se por uma
vaga apenas, já que um dos postulantes ao título
sobrará.
Rebaixamento: Alemania Aachen, Arminia Bielefeld, Bochum,
Energie Cottbus e Mainz 05 lutarão para evitar a Bundesliga
II.
Espanha
Título: Barcelona e Real Madrid disputarão o título e
ponto. O Barcelona manteve a base e contratou Thuram e Emerson no saldão da
Juventus. Porém, o Madrid não se limitou ao saldão: além de Cannavaro e Emerson,
contratou Diarra e Van Nistelrooy, além do técnico Capello. Atlético de Madrid,
Valencia Villarreal e Zaragoza brigarão por duas vagas na Liga dos Campeões.
Palpite: Real Madrid campeão.
Copa Uefa: Betis, Celta de Vigo,
Deportivo, Osasuna, Sevilla são os principais candidatos a uma vaga na Copa
Uefa, não fosse o alto número de equipes lutando por uma vaga na Liga dos
Campeões. Assim como as euqipes no topo podem se derrubar e dar espaço a equipes
do escalão inferior. Será uma bela briga de foice no
escuro.
Rebaixamento: Getafe, Gimnàstic, Levante, Mallorca e
Recrativo Huelva serão os postulantes ao rebaixamento.
França
Título: Bordeaux, Lyon, Lille e Marseille lutarão pela conquista
do título. Lutar é uma expressão forçada, já que dificilmente alguém impedirá
mais uma conquista do Lyon. E nesse não precisa nem de palpite... O Lyon, mesmo
enfraquecido com a saída de Diarra, manteve sua base. O Bordeaux conta com o
reforço de Johan Mcoud, enquanto o Lille manteve seu base forte de jogadores sem
grande fama e estrelismo. O Marseille passa por mudanças em seu elenco, mas a
tradição, nesse caso, fala mais alto.
Copa Uefa: Auxerre, Lens,
Mônaco, PSG e Rennes serão os grandes aspirantes a disputar uma vaga na Copa
Uefa. O PSG luta por uma vaga na Liga dos Campeões, mas apostar nos parisienses
sempre é arriscado.
Rebaixamento: Lorient, Sedan, Sochaux, Troyes
e Valenciennes lutarão contra as três vagas destinadas a Ligue
2.
Itália
Título: Milan, Inter, Roma e Fiorentina são os postulantes
ao título desta temporada, mas quem surge como verdadeiro favorito é a Inter. O
Milan sairá com saldo devedor e perdeu Shevchenko, mas tem em seu favor o baixo
nível de muitos competidores. A Inter, com os reforços de Ibrahimovic, Vieira e
Grosso, a Inter não conquista a Série A só se não quiser...
Copa
Uefa: Chievo, Lazio, Palermo, Sampdoria e Udinese lutarão para chegar a
próxima Copa Uefa, disputando três vagas destinadas ao
torneio.
Rebaixamento: Ascoli, Atalanta, Cagliari, Catania,
Empoli, Livorno, Messina, Parma, Reggina, Siena, Torino. Impressionante o número
de equipes que lutarão contra a Série B nessa temporada. Porpem, com elencos
fracos, os clubes listados terão de lutar muito para evitar uma das quatro vagas
destinadas a segunda divisão.
Inglaterra
Título: Arsenal, Chelsea, Liverpool e Manchester United lutarão
pelo título, ou então tentarão impedir mais uma conquista do Chelsea. Difícil
imaginar que alguém de fato impedirá: agora, os Blues contam com um atacante do
nível de Shevchenko e ainda reforçou seu elenco com Boulahrouz, Ballack, Kalou e
Mikel. O United, por sua vez, perdeu Nistelrooy e não contratou ninguém,
enquanto o técnico Alex Ferguson insiste em dizer que tm um elenco tão bom
quanto o dos Blues. Arsenal e Liverpool, por sua vez, aspiram o título mas
modificaram muito pouco seu elenco para tal objetivo. Newcastle e Tottenham
brigarão por uma vaga na Liga dos Campeões.
Copa Uefa: Blackburn,
Bolton, Everton, Middlesbrough são os principais postulantes a vagas na Copa
Uefa, mas teremos clubes sobrando na luta por vagas na Liga dos
Campeões.
Rebaixamento: Reading, Sheffield United, Watford e Wigan
lutarão contra o rebaixamento.
Portugal
Título: Benfica, Porto e Sporting lutarão mais uma vez
pela conquista da SuperLiga. Que novidade... Existem poucas diferenças nas três
equipes em relação a temporada anterior: Benfica e Porto trocaam de técnico,
enquanto o Sporting manteve no comando Paulo Bento. No Benfica, saiu Ronald
Koeman e assumiu Fernando Santos, que já conquistou a SuperLiga com o Porto. Já
no Porto, Co Adriaanse deixou a equipe na parte final da pré-temporada, sendo
substituído por Jesualdo Ferreira, que fez duas belas temporadas no comando do
Braga. Dentro de campo, serão poucas as diferenças. O Porto negociou Benny
McCarthy, o Benfica repatriou Rui Costa e o Sporting trouxe os meias Farnerud e
Romagnoli. Palpite: Porto campeão.
Copa Uefa: Braga, Boavista,
Nacional e Vitória de Setúbal são os principais candidatos as duas vagas
destinadas a competição.
Rebaixamento: Paços Ferreira, Estrela
Amadora, Acadêmica, Beira-Mar e Desportivo das Aves são os grande candidatos a
evitar o rebaixamento, mas dois deles serão despromovidos.
Os favoritos Zlatan Lexotan - 15/08
Com a derrocada da
Juventus após todos as escândalos que já estamos cansados de saber de cor e
salteado. Então, seus jogadores passaram a espalhar-se rapidamente em todas as
especulações possíveis. Com pouco mais de quinze dias para o encerramento da
janela de transferências, temos quatro equipes que reforçaram-se pesadamente
para a disputa dos campeonatos nacionais e, principalmente, para a Liga dos
Campeões: Barcelona, Chelsea, Internazionale e Real Madrid. Abaixo, analisamos
as equipes que despontam com todo o favoritismo até o
momento:
Barcelona Quem chegou: Gudjohnsen, Zambrotta e Thuram Quem
foi: Larsson e Maxi López Time base: Valdez; Zambrotta, Thuram,
Puyol e Gio; Rafa Marquez, Xavi e Deco; Ronaldinho, Messi e
Eto'o Técnico: Frank Rijkaard Ponto forte: Alto nível de
criatividade Ponto fraco: Marcação frouxa no ataque e meio de campo,
sem combate
O Barcelona corrigiu um de seus grandes, se não o principal
problema: a froxidão de sua defesa. Belletti e Oleguer eram os principais
expoentes de uma equipe com grande poder ofensivo, mas que penava com a baixa
qualidade dos dois atletas. Com as chegadas de Zambrotta e Thuram, o Barça
conseguiu, pelo menos no papel, formar um setor muito forte com as presenças de
Puyol, Gio e Rafa Marquez.
No ataque, a mudança mais sensível foi a saída
do sueco Henrik Larsson, que retornou a sua terra natal para aposentar-se.
Larsson, então único centroavante de ofício, foi substituído pelo islandês
Gudjohnsen no banco de reservas blaugrana. Outro que exercia tal função, Maxi
López, foi emprestado ao Mallorca. Caso algum de seus atacantes tenha problemas,
Rijkaard terá como opção Giuly ou Gudjohnsen. Fraco...
Chelsea Quem chegou:
Ballack, Kalou, Shevchenko e Obi Mikel Quem foi: Gudjohnsen, Jarosik,
Carlton Cole, Maniche, Del Horno, Duff e Crespo Time base: Cech; Paulo
Ferreira, Terry, Ricardo Carvalho e Wayne Bridge; Makelele, Lampard e Ballack;
Joe Cole, Shevchenko e Robben Técnico: José Mourinho Ponto
forte: Marcação Ponto fraco: Falta de alternativas
táticas
A equipe do Chelsea sempre penou por não ter em seu elenco um
homem gol de primeira linha. Shevchenko foi contratado a peso de ouro para
resolver esta questão, e provavelmente era a melhor opção para os
Blues.
Porém, o estilo de jogo do Chelsea é mais do que previsível, uma
vez que Mourinho o utiliza desde os tempos em que dirigia o Porto. Com a chegada
de Ballack, o meio de campo do Chelsea ganha em técnica e visãod e jogo, mas
perde a força de Essien.
Tecnicamente, o elenco do Chelsea é fortíssimo.
O único ponto mais problemático segue sendo a ala esquerda, onde insiste-se na
contratação de Ashley Cole. Gallas, que até então jogava impovisado, não será
aproveitado no elenco do clube londrino nem mesmo como reserva para a
zaga.
Internazionale Quem chegou: Dacourt, Maxwell, Fabio Grosso, Maicon, Patrick
Vieira, Crespo e Ibrahimovic Quem foi: Mihajlovic, Cristiano Zanetti,
Favalli, Womé, Kily Gonzalez, Verón e Zé Maria Time base: Julio Cesar;
Maicon, Córdoba, Samuel e Grosso; Vieira, Cambiasso, Stankovic e Figo; Adriano
(Crespo) e Ibrahimovic Técnico: Roberto Mancini Ponto forte:
Acerto nos reforços Ponto fraco: Falta de um homem de
criatividade
A Inter, em toda temporada, resolve contratar e dispensar
uma dezena de jogadores. Mas nunca o clube neoazzurro acertou tão em cheio nas
contratações. As chegadas de Grosso, Vieira e Ibrahimovic foram as ideais para
as necessidades do elenco, que sofria com a falta de alas pela esquerda e um
volante de categoria, além de um atacante de mobilidade.
Além disso, a
Inter trouxe nomes de qualidade para reforçar o elenco e ter um banco de
reservas forte para uma longa temporada: além de ser franca candidata ao
scudetto, a Inter tem de provar suas estrelas na Liga dos Campeões, e o caminho
será tortuoso.
A permanência de Adriano na equipe é a grande e única
duvida neste momento, já que as chegadas de Crespo e Ibra deixam ainda mais em
dúvida o futuro do brasileiro após sua péssima última
temporada.
Real
Madrid Quem chegou: Cannavaro, Emerson e
Nistelrooy Quem foi: Zidane Time base: Casillas; Salgado,
Cannavaro, Sergio Ramos e Roberto Carlos; Emerson, Pablo García e Beckham; Raúl,
Cassano e Nistelrooy. Técnico: Fabio Capello Ponto forte: O
técnico Ponto fraco: Fragilidade da defesa, exceção a
Cannavaro
O Real Madrid tenta escapar de um jejum que já dura três anos.
Os esforços para esta temporada mostraram-se acertados até o momento: reforços
de peso para a marcação e um atacante que preste para a vaga de
Ronaldo.
Obviamente, nem tudo são flores: Capello não conseguiu opções
boas para a lateral esquerda e terá de ser conformar com Roberto Carlos. No meio
de campo, os esforços ficaram sobre Kaká e o resultado esperado não apareceu.
Ainda falta um homem de criação para ocupar a vaga de Zidane.
Porém,
Capello vem tentando resgatar três jogadores que estavam encostados no elenco
Merengue: Raúl, Cassano e Woodgate. Caso consiga, será mais uma amostra de todo
poder que o ex-técnico da Juve tem. As chances de título do Real Madrid seriam
poucas, mas com Capello no comando a história é bem diferente.
Ambição Zlatan Lexotan - 08/08
Frequentemente,
clubes do futebol europeu resolvem adotar uma metodologia que invariavelmente os
leva até o mais fundo poço de lama. Exemplos de clubes que afogaram-se na
própria ambição não faltam.
A década de 90 foi onde o Velho Mundo
acostumou-se a ver clubes de médio porte em seus países resolverem aplicar
quantias absurdas em reforços com um sonho de disputar os títulos em seus
países e garantir uma vaga em competições européias.
O Blackburn Rovers
foi um dos primeiros exemplos disso. O milionário local Jack Walker adquiriu o
clube no início da década sonhando em colocar novamente o clube na Premier
League. Para isso, investiu pesado para contar com Kenny Dalglish como técnico
para a temporada 91/92. A empreitada deu certo e o Blackburn foi promovido e se
tornou um dos clubes fundadores da Premiership em 1992. Com a equipe na primeira
divisão, Walker investiu pesado em contratações, como Alan Shearer e Chris
Sutton, na época o jogador mais caro do futebol inglês. Em 93/94, os Rovers
acabaram com o vice-campeonato, mas na temporada seguinte chegaram ao título na
última rodada de forma espetacular e inesquecível, desbancando o Manchester
United.
Porém, a grana de Walker acabou e lentamente o clube passou a
afundar-se. O auge deste buraco chegou ao final da temporada 98/99, quando o
Blackburn tornou-se o primeiro campeão da liga rebaixado. O clube voltou para a
Premier League em 2001/2002, mas Walker havia falecido um ano antes e não pode
ver seu amado Blackburn voltar a Premier League.
O futebol italiano
viu-se cheio destes episódios no final da década de 90. Lazio, Fiorentina e
Napoli foram os grandes expoentes deste tipo de caso. Fiorentina e Napoli
acabaram rebaixado assim como o Blackburn, resultado de suas aberrações
financeiras que tanto inflacionaram o mercado futebolístico. A Lazio chegou a
investir uma fortuna para montar uma dupla de ataque com o chileno Marcelo Salas
e o italiano Crhistian Vieri. Hoje, com a carreira de ambos no final, podemos
ver o quanto foi errado o investimento do clube romano. A Lazio ainda conseguiu
chegar ao título italiano na temporada 99/00, mas hoje amarga posições
intermediárias e conta com jogadores de calibre muito mais discreto. Para ter-se
uma idéia, a Lazio conta com duas das dez transferências mais caras da história:
pagou 56,4 milhões para contratar Hernan Crespo em 2001 e desembolsou 45 milhões
para contratar a enganation Mendieta em 2002. Com mais de cem milhões gastos nos
dois, poderia formar-se um grupo muito mais equilibrado e forte.
Um dos
últimos casos de clube médios tornar-se milionários do dia para a noite é o
Chelsea. Quando o magnata russo Roman Ambramovic comprou o clube londrino,
muitos imaginavam um novo Blackburn surgindo em terras britânicas. Porém, a
grana que Abramovic tem no bolso é incalculável a ponto dos Blues não estarem
com seus dias contados. Pelo contrário, o clube inglês firmou-se com uma das
principais forças do continente e atrai jogadores de primeira linha. Sinal de um
trabalho feito com muito mais planejamento e cuidado.
A bola da vez é o
futebol espanhol. O Real Madrid bancou o plano dos Galacticos desde 2001, quando
contratou Figo por 61,7 milhões de euros. Na temporada seguinte, investiu 76
milhões em Zidane. Desde então, anualmente o Madrid investiu pesado em jogadores
com um alto valor de mercado, mas que pouco agregaram ao clube. Como resultado,
amarga três temporadas sem ver a cor de uma taça no Santiago
Bernabéu.
Com um poderio econômico e uma reputação infinitamente menor, a
bola da vez na Espanha é o Zaragoza. Com um projeto interessante, neste temporda
o clube atraiu talentos como D'Alessandro, Pablo Aimar e Piqué.
Em junho,
Alfonso Soláns Soláns, presidente e proprietário do Zaragoza, colocou o clube à
venda. Era o fim de uma administração desgastada, que nunca teve boa
receptividade por parte da torcida. Soláns Soláns esteve à frente dos
‘blanquillos’ por dez anos, sempre adotando uma política tímida em investimentos
que levou o Zaragoza há várias temporadas insossas. Muito diferente de seu pai,
Alfonso Soláns Serrano, que comprou o clube em 1991 para salvá-lo da falência e
o levou ao título da Copa do Rei em 1994 e da Recopa européia no ano
seguinte.
Com a saída de Soláns filho, o empresário de construção civil
Agapito Iglesias comprou as ações do clube e deixou a presidência com Eduardo
Bandrés. A chegada da dupla não significa que o Zaragoza esteja cheio de
dinheiro para investir, mas a filosofia mudou. Com mais ousadia financeira,
conseguiu manter as principais figuras da equipe – os irmãos Diego e Gabriel
Milito, Ewerthon, Ponzio e Zapater – e ainda trouxe a dupla de meias
argentinos.
Em teoria, o Zaragoza já tem uma base de respeito. Até porque
o técnico é o bom Victor Fernández, que começou sua carreira justamente nos
‘blanquillos’. A política lembra a do Villarreal, com jogadores de talento
acessíveis financeiramente e com vontade de provar algo para os grandes. E foi
esse projeto que seduziu D’Alessandro e Aimar, por mais improvável que pareçam
as duas contratações.
Agora, resta esperar que o clube espanhol não caia
na mesma armadilha de Blackburn, Leeds, Napoli, Lazio, Fiorentina e possa manter
seus jogadores e seguir em frente em seu plano de crescer no cenário espanhol e
passar a participar de formamais assídua nas competições
continentais.
Campeã sem moral Zlatan Lexotan - 01/08
Ser campeão no
tapetão deve ser uma imensa prova de incompetência. Ainda mais quando seu time
está em jejum há tantos anos. Isso aconteceu na última semana no país atual
campeão do Mundo. Centro do grande episódio de corrupção que o futebol já viu, a
Itália viu mais um capítulo deprimente desta novela que está longe de chegar ao
fim.
O grande causador do atual momento foram as conversar telefônicas
que denunciaram o esquema que ajudava a Juventus a ser campeã italiana na
temporada 04/05, que contou com ajuda de jornalistas, árbitros, cartolas,
jogadores, gandulas, narradores, torcedores e o raio que o parta. Como houve
fraude, a conquista da Juventus foi cancelada e o título ficou
vago.
Então, começou o grande esquema dominó. Como a Juventus pilantrou,
mas não houveram indícios de roubo na temporada passada, a Juventus foi
rebaixada. Como o Milan sabia da pilantragem, acabou perdendo um caminhão de
pontos. Lazio e Fiorentina forma ajudadas pelo esquema e foram punidas também.
Ai entra o grande barato: como não houveram provas de pilantragem na
temporada 05/06, o título teria de ir parar nas mãos de alguém. A Juventus,
rebaixada, não poderia ser. O Milan, segundo colocado, foi punido e não poderia
ficar com a taça. Sobrou no colo da Inter o scudetto, título que não era
conquistado desde 1989. Não era e seguirá não sendo, afinal, duvido que o
torcedor neoazzurro tenha ficado satisfeito: estava há 16 anos sem ver um título
e, quando ele veio, foi numa decisão do tribunal dois meses depois do fim do
campeonato.
Esta temporada será a grande chance da Inter conquistar um
scudetto sem precisar de ajuda do tribunal. Com a queda da Juventus e com o
enfraquecimento do Milan, pela saída de Shevchenko e pela falta de reforços em
seu elenco sexagenário, a Inter será a grande equipe de um torneio em dúvida. A
imagem de que tudo pode ser uma grande encenação demorará a sair da cabeça do
torcedor.
Seleção de ninguém Zlatan Lexotan - 25/07
Como em todo final
de temporada, pensamos, naqueles dias em que tempos pouco assunto, em formular
as mais variadas seleções. Os onze melhores da temporada, as decepções, a
seleção da Copa e etc. Porém, ao me deparar com este tema, não cheguei a nenhuma
conclusão.
Nunca uma temporada esteve tão desfalcada de talentos
individuais. Nenhum clube destacou-se o suficiente graças a um determinado
jogador. Pequenos destaques temporários levaram seus clubes mais longe.
Obviamente, temos sim alguns nomes que seriam indiscutíveis, mas difícil chegar
até mesmo nos onze melhores.
A Copa do Mundo, que poderia consagrar
muitos jogadores, acabou servido apenas para chegar a conclusão de que, se há a
obrigatoriedade de formar um selecionando, seria um misto de italianos com
franceses e alguns intrusos. Porém, nenhum deles teve destaque de forma
constante, ou seja, foi unanimidade durante toda a temporada.
Buffon é
certamente o arqueiro deste time. Apesar de ter ficado marcado pelo episódio das
apostas ilegais e atuar no time mais pilantra do Mundo, não há duvidas de que
suas atuações, quando solicitado, são as melhores possíveis. As alas seriam
dominadas por italianos também. Na direita, o improvisa Zambrotta mostrou que
mesmo fora de sua posição original ele pode ser considerado um dos melhores no
momento. Na esquerda, Fabio Grosso mostrou solidez e força, assim como sangue
frio incomum a um jogador defensivo nos momentos decisivos no ataque. Curioso é
que ambos forma negociados neste verão europeu: Grosso foi para a Inter e
Zambrotta rumou para o Barcelona.
Na zaga, o capitão seria o indiscutível
Fabio Cannavaro. Assim como Buffon, teve a imagem marcada pelos episódios de
corrupção, que comprovaram que ele forçara sua saída da Inter dentro do esquema
de Moggi. Porém, suas atuações na Copa do Mundo foram impecáveis, merecedoras de
total reconhecimento, que veio em forma de taça: a Copa do Mundo, levantada por
ele.
O outro posto na zaga é uma grande incógnita. Os destaques das
temporadas anteriores, considerados grandes medalhões, decepcionaram. Terry,
Nesta, Hyypia e etc tiveram temporada abaixo ou apenas na média. Daniel van
Buyten, zagueiro belga do Hamburgo, teve mais destaque e foi muito bem na zaga
da equipe alemã, que lhe valeu uma transferência para o Bayern de Munique. Na
ausência de outros possíveis candidatos, van Buyten ocupa o miolo da zaga pela
melhor fase.
O meio de campo foi um verdadeiro deserto nesta temporada.
Maxi Rodriguez e Zidane poderiam ser facilmente escolhidos para as meias pela
excelente Copa do Mundo disputada, assim como Andréa Pirlo e Patrick Vieira
seriam escalados como volantes desta equipe. Nomes fortes como Gerrard, Lampard,
Kaká, Robben, Cristiano Ronaldo, Deco e etc ficaram abaixo da expectativa, seja
na Copa ou na temporada.
No ataque, um dos setores mais fáceis de ser
escalado, teríamos a dupla artilheira Luca Toni e Miroslav Klose. O italiano
Luca Toni foi o artilheiro da temporada européia e marcou um caminhão de gols no
calcio, 31 ao total. Além disso, teve boa participação na Copa, marcando dois
tentos. Já Klose foi artilheiro da Bundesliga com 25 gols, além de ser também o
artilheiro da Copa com cinco gols marcados. Difícil contestar estes
números.
Assim como é difícil contestar esta seleção formada acima. Muito
mais pela falta de futebol...
O Esquadrão Zlatan Lexotan - 18/07
Na última semana, o
mundo do futebol presenciou as quedas de Lazio, Fiorentina e Juventus para a
Série B do calcio, devido aos escândalos do CalcioCaos ou MoggiGate, como
preferir. A ameaça disto ocorrer antes da sentença sair gerou uma avalanche de
especulações em torno dos atletas dos clubes envolvidos.
Com a sentença
firmada, veremos um verdadeiro time estelar sendo espalhado por toda a Europa.
Até mesmo boatos de atletas na Turquia surgiu. Nestas horas queria ter a
insanidade e a condição financeira de Romam Abramovic, patrono do Chelsea:
compraria o tradicional Fulham, clube londrino de pequeno porte e que habita meu
coração, e nele investiria toda minha fortuna com contratações de
peso.
Imagine: Buffon; Oddo, Cannavaro, Thuram e Zambrotta; Emerson,
Vieira, Nedved; Ibrahimovic, Trezeguet e Luca Toni. No banco, contaria com Frey,
Ujfalusi, Jorgensen, Luciano Zauri, Kovac, Manfredini, Behrami, Blasi,
Montolivo, Fiore, Mutu, Bojinov e Pandev. Ufa!
Trezeguet anda em má fase?
Mande-o pro Brescia e busque o insatisfeito Van Nistelrooy! Nedved faz planos
para aposentadoria? O que diz de ir buscar o compatiotra Tomas Rosicky? Thuram
está próximo de sua aposentadoria? Vamos apostar em jovens: Vincent Kompany.
Tranquillo Barnetta para a meia.
A Premier League poderia sair de seu
marasmo. Chelsea, Arsenal, Manchester United, Tottenham, Liverpool, Fulham. Seis
times brigando pelo título com as mais variadas estrelas. Porém, ao contrário de
Abramovic, não me limitaria a apenas comandar as finanças: seria também o
técnico.
Salários médios, mas um alto valor de premiação. Não alcançaram
os objetivos? Corte salarial. Maneira mais interessante de motivar os jogadores
do que mexer no bolso deles? Desconheço! Se ganharmos tem prêmio, folga, balada,
festa, orgia. Não ligo, desde que vençamos. Se perdermos, ah, aguente as severas
consequências...
Não haveria, realmente, momento mais adequado para ser
um milionário de nível mundial. Porém, com o que o FEC me paga atualmente, não
consigo comprar o passe nem do Gilmar Fubá no carnê das Casas Bahia a perder de
vista...
Heróis e Vilões Zlatan Lexotan - 11/07
O futebol é um
esporte cruel e cheio de ironias. Aquele que hoje é o herói pode facilmente se
tornar o grande vilão em questão de segundos. A história recente mais marcante
era a de Roberto Baggio. O maior ídolo do futebol italiano na década de 90 ficou
devidamente marcado pelo pênalti perdido diante do Brasil na final da Copa de
1994.
Poucos se lembram, mas Baggio jogou baleado aquela final, no
sacrifício, como o companheiro Baresi. Apesar de ter sido ligeiramente execrado
após aquela final, Baggio conseguiu dar a volta oito anos depois, quando todo o
país exigiu sua convocação para a Copa de 2002. Em vão, Baggio não foi lembrado
na convocação, mas seus dias de “vilão” haviam acabado.
Nesta Copa do
Mundo, muitos heróis e vilões surgiram. O Brasil todo viu seus veteranos e
grandes estrelas saírem do Mundial de forma vexaminosa. A Inglaterra teve seus
dois grandes craques, Lampard e Gerrard, perdendo penalidade diante de Portugal.
A Holanda foi toda uma vergonha. A Alemanha tinha em Oliver Kahn seu grande
malfeitor, mas o arqueiro do Bayern redimiu-se apoiando publicamente o desafeto
Lehmann durante a partida contra a Argentina.
Os finalistas, Itália e
França, também tiveram seus altos e baixos marcados. A Itália chegou ao Mundial
tentando apagar os escândalos do vilão de histórias cinematográficas Luciano
Moggi. Os grandes craques do time, Totti e Del Piero, acabaram ofuscados por
Cannavaro, Pirlo, Zambrotta, Grosso e Buffon. Estão coroados os novos heróis da
Azzurra. O técnico Lippi, então, inspirou os deuses do futebol com um estilo
vibrante entre seus comandados, exacerbando as qualidades individuais de cada um
de seus atletas.
A França encaixa-se perfeitamente nas duas primeiras
frases desta coluna. Trezeguet e Zidane, dois jogadores que dormiram de um lado
da cama e acordaram do outro. Trezeguet chegou a final da Copa com boas
lembranças: na Euro 2000, foi ele o autor do gol de ouro que deu o título aos
Bleus diante da mesma Itália. Zidane, que havia começado mal a Copa, cresceu na
fase decisiva e foi figura chave nas classificações diante de Espanha, Brasil e
Portugal. Não por acaso acabou eleito o melhor atleta da Copa.
Porém,
todas as histórias felizes tem um porém. Trezeguet ficou no banco a Copa toda.
Quando jogou, nada fez. Nos últimos minutos da final, entrou em campo para
substituir um exausto Henry. Mas o trevo de quatro folhas do atacante francês
deve ter ficado no vestiário da Juventus. Trezeguet cobrou a terceira penalidade
dos franceses e acertou o travessão.
Já Zidane é um episódio a parte. Sua
atuação brilhante diante do Brasil deu a todos a impressão de que a França
poderia vencer qualquer oponente, desde que seu talento sem fronteiras se
manifestasse desta forma. Zidane então abriu o placar diante dos italianos com
uma cobrança de pênalti magistral diante de Buffon, com um toque displicente no
alto. Zidane então resolveu usar a cabeça: após jogada individual, viu Buffon
fazer grande defesa. Na seqüência, ele perdeu a cabeça ao usá-la novamente,
acertando golpe de dar inveja ao E. Honda, tradicional personagem do game Street
Fighter, no peito de Materazzi.
Assim como Baggio, Zidane é o grande ídolo
de toda uma geração para seu país. Mas não terá, como o italiano, a chance de se
redimir de seu ato impensado. Cruel e irônico, sem dúvida...
Camisa 10 Zlatan Lexotan - 04/07
Nesta Copa do Mundo
tivemos 32 jogadores de posse da tradicional Camisa 10. Alguns de grande
talento, outros nem tanto. O polônes Szymkowiak, o tunisiano Ghodhbane e o
togolês Mamam são belos exemplos de jogadores desta Copa que vestiram a camisa
dez sem ter em seus pés um futebol equivalente ao número tradicional dos craques
que carregam seu time.
Outros camisas dez desta Copa tinham fama e a
esperança de fazer algo de bom por seus países, mas naufragaram nos momentos
mais importantes. O sérvio Stankovic, atualmente na Internazionale, nada pode
fazer para evitar o desastre de sua seleção na Copa, eliminada com três derrotas
e uma humilhante goleada de 6 a 0 frente a Argentina. Tomas Rosicky, meia tcheco
recentemente adquirido pelo Arsenal, teve bela atuação na estréia frente aos
Estados Unidos marcando dois belos gols, mas sucumbiu juntamente com uma equipe
sem atacantes de ofício ainda na primeira fase. Michael Owen, o 10 inglês, veio
de lesão e acabou novamente lesionado. Naufragou junto com seus companheiros,
eliminados nas quartas de final.
Zlatan Ibrahimovic foi uma das grandes
decepções desta Copa. Era tido como a grande esperança sueca para o Mundial, mas
suas ausências colaboraram para as melhores exibições da Suécia. Quando esteve
em campo foi marrento, fominha e individualista, mas sem mostrar grande empenho.
Kewell, o dez da Austrália, chegou com muita fama por atuar no Liverpool e
acabou no banco de reservas. Reyes e Van der Vaart, os inscritos com a camisa 10
nos times de Espanha e Holanda, respectivamente, eram dois jogadores importantes
em seleções consideradas favoritas, mas que acabaram no meio da caminho. Van der
Vaart foi, como Ibrahimovic, uma grande decepção pela temporada realizada no
Hamburgo, mas pouco colaborou na seleção holandesa, que fracassou como de
costume.
Chegamos as principais decepções desta copa: Riquelme e
Ronaldinho. Riquelme foi bem nas duas primeiras partidas da seleção Argentina,
sendo fundamental nas vitórias sobre Costa do Marfim e Servia e Montenegro. Daí
em diante foi gradativamente sumindo. Contra o México foi quase um jogador a
menos. Diante dos alemães, sua nulidade acabou com a substituição. JáRonaldinho
Gaúcho é um caso a parte. Nunca me enganou realmente com seus malabarismos sem
grande resultado. Porém, a imprensa nacional fez o povo crer que o jogador do
Barcelona seria capaz de fazer chover, ser melhor que Maradona e Pelé. As
expectativas criadas foram enormes, enquanto o futebol do brasileiro resume-se a
firúlas que geralmente são ao adversário diversos contra ataques.
Neste
último sábado, porém, a camisa dez deixou de ser uma decepção. Quem acompanhou a
partida entre Brasil e França percebeu que, um verdadeiro camisa dez não pipoca,
não se esconde e joga um futebol realmente vistoso, elegante e habilidoso.
Zinedine Zidane, aos 34 anos, mostrou ao mundo que ser craque rompe as barreiras
da idade e do físico. Colocou os brasileiros no bolso, driblou, marcou, lançou,
deu o passe do gol e ainda aplicou um chapéu desmoralizante em
Ronaldo.
Zidane mostrou, além de tudo, que para ganhar uma Copa é
necessário muito mais do que estrelismo: é necessário ter uma estrela que brilhe
no céu dos futebolistas de primeiro nível, os verdadeiros imortais do jogo. Os
demais são apenas malabaristas, preocupados em excesso com sua carreira
publicitária e com os dólares e euros na conta bancária. Com Zidane, a camisa
dez está em boas mãos, segura e tranqüila.
Lendas e mitos Zlatan Lexotan - 27/06
A carreira de
treinador é das mais injustas e ingratas que existem. Em grande parte das
ocasiões, todo trabalho e talento de um comandante de uma equipe de futebol
resume-se ao resultados obtidos e deixa-se de lado todo o conhecimento e virtude
mostrados no percurso.
Porém, com Guus Hiddink esta situação toma
contornos diferentes. O holandês, que deixou hoje a seleção australiana, tem
poucas conquistas em seu curriculo. Os títulos obtidos por ele se resumiram a
suas passagens pelo PSV, entre 1983 e 1990, quando começou sua carreira, e entre
2002 e 2006, quando encerrou seu ciclo no clube holandês.
Mas hoje,
difícil imaginar um treinador que entenda tanto de tática e motivação quanto
ele. E Hiddink vem mostrando isso sempre, seja em clubes seja em seleções. Nas
semifinais da Liga dos Campeões de 2004/2005, quando o PSV sufocou o Milan nas
duas partidas e só não chegou a final da competição graças a um gol de
Ambrosini. Naquele jogo, o time do Milan, badalado por todos, viu-se encurralado
pelos comandados de Hiddink.
Hiddink teve motivos para comemorar em Liga
dos Campeões, apesar da derrota acima: levou o PSV ao título da competição em
1988 sobre o Benfica. Hiddink ainda assume em suas entrevistas que um dos seus
maiores acertos foi ter vindo pessoalmente ao Brasil para contratar
Romário.
Com sua reputação crescente, Hiddink assumiu a Oranje em 1995.
Levou a Holanda a Eurucopa de 1996, mas o time acabou por abater-se
profundamente com o corte de Edgar Davids. A derrota nas quartas-de-final acabou
esquecida dois anos mais tarde, quando uma bem armada equipe holandesa alcançou
as semifinais da Copa da França. A derrota pelas mãos do arqueiro brasileiro
Taffarel encerrou as chances de Hiddink chegar à final, mas ele tentaria
novamente quatro anos mais tarde.
Em 2002, Hiddink mostrou que sua visão
estava ainda mais elevada. Hiddink transformou um país de jogadores amontoados,
que só sabiam correr, em uma equipe determinada e bem armada. Os erros da
arbitragem marcaram a caminhada coreana até a semifinal, mas estava claro o
trabalho de Hiddink a frente do país asiático. Hoje, é tratado como um herói
nacional e possuí estatuas espalhadas pela Coréia do Sul.
Após três anos
afastado das seleções, Hididnk assumiu a Austrália com a missão de levar os
Socceroos a um Mundial após 32 anos. Com a vitória sobre os uruguaios na
repescagem em novembro de 2005, Hiddink iria a sua terceira Copa do Mundo
seguinda, dirigindo seleções distintas.
A missão australiana seria
difícil, mas Hiddink mostrou que o sabe: uma vitória emocionante sobre os
japoneses na estréia, quando perdia de 1 a 0 até os quarenta minutos da segunda
etapa mas acabou com a vitória por 3 a 1. Contra a Croácia, mais um enorme
domínio australiano, mas o empate em 2 a 2 foi marcado por erros da arbitragem
que prejudicaram a Austrália.
A classificação como segundo lugar do grupo
garantiu uma partida difícil frente aos italianos. Porém, ninguém sabia que a
partida seria realmente difícil para a Itália. Faltou experiência e qualidade ao
time australiano, que dominou a partida mas não conseguiu ameaçar a meta de
Buffon. Porém, a mão de Hiddink era evidente: um time aberto e compacto,
forçando os italianos a se livrar da bola, com uma marcação forte no campo do
adversário.
O pênalti marcado acabou punindo o zagueiro Neill, que tinha
até então atuação perfeita no Mundial. Seu carrinho foi imprudente, mas não
houve falta. Hiddink tinha em Neill seu homem de confiança, e os dois acabaram
por cair juntos.
Interessante notar que as duas equipes previamente
treinadas por Hiddink não conseguiram reeditar os feitos do holandês. A Holanda
não conseguiu sequer se classificar para o Mundial de 2002 e acabou, com uma
atitude das piores, eliminado nas oitavas frente a Portugal.
Já a Coréia
do Sul voltou a ser o que era antes: um amontoado de jogadores de qualidade
técnica discutível. A campanha neste Mundial acabou com apenas uma vitória,
sobre a frágil seleção de Togo.
Difícil imaginar que a seleção da
Austrália terra rumo diferente. Agora disputando as competições asiáticas, os
australianos terão difícil percurso a enfrentar para retornar a um
Mundial.
Já Hiddink assumirá outra seleção com a missão de obter um
retorno ao Mundial: a decadente Rússia, que não conseguiu classificação para
este Mundial. Podemos imaginar que, com os últimos sucessos supreendentes do
holandês, os russos voltarão a brilhar em breve.
Copa do Mundo - Fantasmas e Surpresas Zlatan Lexotan - 20/06
Aproxima-se o
encerramento da Primeira Fase da Copa do Mundo. Até o momento, tivemos poucas
surpresas. Em termos de resultado, obviamente, porque o futebol apresentado tem
nos trazido muito em que pensar partida após partida.
Pelo Grupo A, a
Polônia foi uma das grandes decepções deste Mundial. Após complicar a vida da
Inglaterra nas eliminatórias, os poloneses vem em uma decadência fenomenal. Após
derrotas para Colômbia em amistoso e Equador em sua estréia, os poloneses foram
derrotados pelos rivais alemães e estão sem qualquer chance. Se neste grupo
temos uma grande decepção, também temos uma grande surpresa: o Equador, com um
futebol vistoso, derrotou poloneses e costarriquenhos e garantiu sua inédita
classificação. Se garantir o empate com a Alemanha nesta terça, será o primeiro
da Chave! Do outro lado, nenhuma supresa com a Alemanha: um ataque com um bom
poderio, mas uma defesa fraca demais.
No grupo B, decepção com suecos e
ingleses. Os dois favoritos europeus mostraram um futebol fraco até o momento,
apesar das vitórias. Maior prova disso é Trinidad & Tobago manter sua chance
de classificação...
No Grupo C, deu a lógica. Argentina e Holanda
espantaram os fantasmas e garantiram sua classificação com tranquilidade.
Falando em fantasmas, a Argentina espantou o de 2002 e exibiu um futebol de
encher os olhos. O massacre sobre a Sérvia deixa isso muito claro. Já a Holanda
sofreu para derrotar Sérvia e Costa do Marfim. O futebol coletivo andou abaixo
do esperado, valendo mais as individualidades.
No D, mais um grupo com
tranqüilidade dos favoritos. Mas as vitórias contra Angola e Irã não foram
fáceis para México e Portugal. Os mexicanos, por exemplo, não saíram do zero
frente os africanos, enquanto Portugal suou para fazer 1 a 0 em sua
ex-colônia.
O Grupo E revela-se realmente o Grupo da Morte. Itália,
República Tcheca, Gana e Estados Unidos chegarão a última rodada com chances. Os
dois primeiros, que venceram na estréia, decepcionaram na segunda rodada e
embolaram o grupo. Agora, são contas e mais contas para cada um se classificar.
Italianos e tchecos dependem só de si, mas o derrotado dependerá do outro
resultado. Será emocionante!
Já o Grupo F foi um dos mais fracos
tecnicamente. As quatro partidas até agora foram de dar sono. O Brasil
conquistou duas vitórias, mas exibiu um futebol abaixo da média. Austrália
baseia-se em sua força, enquanto Japoneses e Croatas são duas decepções até o
momento.
No G, o fantasma de 2002 segue na cabeça dos franceses: duas
partidas e dois empates, com apenas um gol marcado. Apesar de depender apenas de
seus próprios esforços, um eventual empate entre suíços e coreanos pode
complicar a conta, já que a decisão se daria no saldo de gols.
Interessante...
No grupo H, a lógica também vai aparecendo. A Ucrânia foi
massacrada pela Espanha, mas devolveu a dose sobre os árabes. Os espanhóis
venceram seus dois encontros e garantiram sua vaga, com Torres se isolando na
artilharia e Raúl no banco. Quem diria!
Começo incerto Zlatan Lexotan - 13/05
Os primeiros jogos
deste Mundial não trouxeram grandes surpresas, exceção feita ao decepcionante
empate da Suécia frente a Trinidad e Tobado, em partida realizada no último
sábado.
De resto, todas as equipes que entraram em campo sob os holofotes
do favoritismo de sexta até esta segunda-feira, venceram. A Alemanha foi a
primeira a entrar em campo, abrindo a Copa em partida contra a Costa Rica. A
defesa alemã tentou entregar a partida e consagrar o atacante Wanchope, mas o
ataque germânico parecia mais disposto a buscar a vitória: 4 a 2 para o
Natioanelf.
Na outra partida de sexta-feira, o Equador venceu a Polônia
por 2 a 0, mas depois da bizarra derrota dos poloneses frente a Colômbia, o
feito dos equatorianos não pode ser considerado surpresa. Agora, as declarações
de que o Equador vai longe na Copa parecem delírios de quem está sentido falta
do ar rarefeito da atitude sulamericana.
No sábado, três encontros: a
Inglaterra suou muito para derrotar o Paraguai, a Suécia não marcou contra
Trinidad e a Argentina bateu a Costa do Marfim, para azar dos fabricantes de
cerveja que gastaram aos tubos para torcer contra os hermanos.
No lado
inglês, vale ressaltar a falta que Rooney faz no time. Um ataque com Crouch não
pode ser levado muito a sério. O Paraguai, com um time envelhecido e lento, só
não levou perigo porque é muito fraco tecnicamente. Já o ataque sueco bem que
tentou, mas não superou o veterano arqueiro Shaka Hislop. Mesmo assim,
esperava-se mais de Ibrahimovic, Larsson e Ljungberg. Quem jogou mesmo foi o
meioc ampista Wilhelmsson.
No confronto do grupo da Morte, os argentinos
derrubaram os elefantes por 2 a 1. Riquelme foi o grande nome do jogo, mas os
africanos poderiam ter tido melhor sorte.
Nas partidas de domingo,
tivemos a primeira atuação de real destaque: Robben. O atacante holandês
infernizou a retranca da Sérvia e Montenegro, marcando o gol da vitória
holandesa. Pelo Grupo D, o México enfrentou o Irã e bastou três minutos de
besteira d adefesa do Irã para os mexicanos definirem o placar em 3 a 1. Na
partida que fechou o dia, Portugal sofreu profundamente para vencer Angola por 1
a 0. Pauleta foi o autor do gol de um time pouco interessado, exceção a Figo,
talvez.
Nesta segunda, mais três partidas sem grandes surpresas. A
Seleção Australiana bateu a correria do Japão e venceu de virada por 3 a 1, com
muita garra e uma boa atuação do técnico Guus Hiddink. A Itália bateu a
incerteza da imprensa e venceu a seleção de Gana por 2 a 0 e deixou a impressão
de que poderia ter feito melhor, sobretudo pela atuação discreta de
Totti.
A grande sensação até agora no Mundial foi a República Tcheca. Os
tchecos enfrentaram os Estados Unidos no Veltins Arena e goleou por 3 a 0, com
atuação destacada do meia atacante Tomas Rosicky, que marcou duas vezes e ainda
acertou outra finalização no travessão. Com um futebol ofensivo, os tchecos
bateram sem dificuldades os americanos. E isso mesmo sem contar com o atacante
Baros, artilheiro da última Eurocopa, que está lesionado.
Apesar das
vitórias dos demais, o favoritismo aplicou-se apenas nas vitórias, já que dentro
do gramado os grandes times tiveram problemas e pouco exerceram suas
superioridades. Resta agora ainda as estréias de Brasil, Espanha, França e
Ucrânia. Vamos ver o que o restante da Copa nos reserva.
Novo Carrossel Zlatan Lexotan - 06/05
O ano é 1974. Ano de
Copa do Mundo. Uma grande equipe chegou ao Mundial disputado na Alemanha
com pouca pompa, mas viria a tornar-se a grande sensação daquela Copa. O famoso
campeão moral. Mas que, no final das contas, acabou superada pela equipe da
casa, que era liderada pelo genial Franz Beckenbauer.
A equipe em questão
é a Holanda. Conhecida como Carrossel Holandês ou Laranja Mecânica, a equipe
dirigida por Rinus Michels combinou uma geração jovem e genial com um esquema
tático baseado em uma movimentação constante, em que seus jogadores trocavam de
posição com frequência, confundindo a marcação adversária. Era o futebol total.
Porém, o esquema engenhoso de Michels não alcançaria o sucesso não fosse
pela qualidade absurda de seus atletas, como Ruud Krol, Johan Neeskens, Rob
Rensenbrink, e principalmente, o gênio Johan Cruyff. Apesar da supremacia
holandesa, os alemães, com Beckenbauer, Breitner, Overath e Müller venceram a
final por 2 a 1, de virada. Com ajuda da arbitragem caseira, diga-se de
passagem.
Quatro anos mais tarde: 1978. O Carrossel Holandês chega à Copa
da Argentina credenciada pelo vice campeonato e pela perda do domínio no futebol
europeu, já que o Ajax havia sido ultrapassado pelo Bayern Munique na Liga dos
Campeões: os holandeses venceram de 71 a 73, e os germânicos ficaram com a taça
de 74 a 76.
A Holanda perdeu Cruyff, que se negou a disputar o Mundial
por não aceitar a Ditadura que dominava o solo portenho. O povo argentino, em
meio a uma grande repressão, passou a apoiar seu país desefreadamente, e mesmo
com um time conhecidamente limitado, bateu os Holandeses na final com seu grande
craque, Mario Kempes superando Michels e Neekens por 3 a 1.
Nos últimos
anos, a Holanda penou com a sombra deste time estrelado, que acabou não
conquistando os títulos esperados. A única exceção é a segunda geração de ouro,
quando Van Basten, Rijkaard, Koeman e Gullit levaram a Orange ao título da
Eurocopa de 1988, com o atacante rossoneri em fase estupenda, marcando um dos
gols mais lindos e improváveis de todos os tempos.
Agora, este mesmo Van
Basten mostra sua personalidade forte ao levar para o Mundial uma Holanda
rejuvenescida, que abdicou dos medalhões que pouco faziam para ajudar o país.
Sem contar a divisão racial, que agora, com um time formado basicamente por
brancos, não existe mais. Sem jogadores como Davids, Seedorf, Makaay, poucos
imaginavam que Van Basten chegaria tão longe. E a Orange chega com uma pinta
diferente para esta Copa, com uma aura de equipe que pode sim
surpreender.
E o futuro parece garantido: neste domingo, a Orange
sagrou-se campeã do Europeu Sub-21. Os comentários de que Van Basten prepara uma
equipe para 2010, na verdade, fazem mais sentido do que as pessoas, geralmente
imediatistas, possam imaginar. Nicky Hofs e Klas-Jan Huntelaar são a grande
prova de que, ao contrário do que se pensa, o Carrossel segue vivo.
Manias e Modas Zlatan Lexotan - 30/05
Ano de Copa é sempre
a mesma coisa: quanto mais perto chegamos do início do Mundial, mais produtos em
uma larga escala de possibilidades é lançada a cada semana, deixando o torcedor
cada vez mais liso, sem perceber.
Temos jornais com especiais, revistas
que nos trazem guias quase sempre já desatualizados, camisas a um preço
astronômico e uma diversidade de produtos de cunho ufanista, porque o povo só o
é mesmo em ano de Copa: almofada, apito, bandeira, fogos de artifício, corneta,
camiseta, blusa, tinta especial para pintar a pele com as cores da patria e
etc.
Porém, nada chama tanto a atenção quanto o famoso álbum de
figurinhas. Todo ano, uma dezena de álbuns são lançados no mercado, mas poucos
tem tanto apelo comercial quanto o da Copa. E poucos se importam de ver algumas
equipes com jogadores que não vão ao Mundial. O que importa mesmo é a sensação
de participar do Mundial de alguma forma.
A mania das figurinhas já foi
capa de todos jornais e revistas especializadas em esporte, assimo com foi tema
de uma centena de reportagens especiais: clubes de colecioandores, encontro para
trocas, como elas são produzidas, jogadores que também colecionam. Porém,
perde-se a principal referência: a nostalgia.
Mesmo sendo um produto com
um foco de vendas no público infantil, que leva as figurinhas para o colégio
para jogar bafo com os coleguinhas, grande parte dos compradores em massa das
figurinhas são sim, os adultos. As vezes compram para os filhos e acabam se
interessando, lembrando de como era divertido fazer o mesmo alguns anos
atrás.
Agora, a mania das figurinhas atingiu a internet. A Panini,
fabricante dos cromos, disponibilizou em seu site a possibilidade de eternizar a
própria imagem em uma de suas figurinhas, ao preço módico de dez euros. Porém, o
esquema é burlável: o famoso print screen deixou todos com suas figurinhas
espalhadas pela internet, entupindo o orkut com as mesmas imagens. Não era para
tanto...
PS: Estou colecionando as malditas figurinhas, fui mordido
também por esta terrível peste. Preciso de figurinhas, pois tenho uma pilha
imensa de repetidas e meu filho não quer trocar comigo de forma alguma. Maldito
fominha...
Fim de casamento Zlatan Lexotan - 23/05
A Copa do Mundo de
2006 está perto de seu início, faltam poucos dias para abertura do torneio,
apenas 17 para o pontapé inaugural. Todo Mundial carrega as suas peculiaridades
ou histórias específicas a cada um, como por exemplo, o cachorro que invadiu o
gramado em 1962, a trave que caiu em uma partida em 1994 ou as arbitragens
tendenciosas em favor da Coréia em 2002, mas o deste ano trará uma situação
inédita.
Neste domingo, um referendo aprovou a separação de Montenegro da
Sérvia. Ou seja, a Copa contará com um país que, geográfica e politicamente, não
existe mais. Porém, a FIFA já havia comunicado que Sérvia e Montenegro
participaria do Mundial tranqüilamente, qualquer que fosse o resultado do
referendo.
No referendo, foram apurados cerca de 400 mil das 462.937
cédulas. No resultado parcial, 55,4% dos eleitores votaram a favor da
independência de Montenegro, e 44,6% optaram pela situação atual. A União
Européia havia colocado uma margem de 55% para aceitar a separação. O novo país
possui em torno de 650 mil habitantes, 15 vezes menos do que a Sérvia. As duas
nações selaram a união em 2003, mas sem obter muitos sucessos.
Porém,
futebolisticamente, Montenegro deverá disputar a sua primeira e última Copa do
Mundo. Isso porque, do elenco convocado pelo técnico Ilija Petkovic para a
disputa do Mundial, apenas o atacante do Lecce Mirko Vucinic nasceu em solo
Montenegrino. Por melhor que seja Vucinic, cotado para defender o Milan antes da
chegada de Amoroso, difícil imaginar que ele levará seu país para a próxima Copa
do Mundo. Além do que, para tanto, UEFA e FIFA precisam reconhecer o país para
que ele dispute suas competições oficiais, ou seja, será necessária muita
burocracia. Vucinic, porém, não é o único “estrangeiro” a defender a Sérvia
neste Mundial: a equipe ainda conta com três bósnios e quarto croatas.
O
povo montenegrino disse, através de sua federação, que torcerá normalmente pela
Sérvia e Montenegro no Mundial, mas é uma situação no mínimo insólita. Pior: se
Sérvia e Montenegro conquistasse o Mundial e o campeão tivesse vaga garantida,
quem ficaria com a vaga? Se Vucinic marcar, ele é considerado sérvio
montenegrino ou apenas montenegrino? Se a união dos dois países, em 2003, já
gerou muita confusão, a separação em plena preparação para a Copa do Mundo deve
causar muitos problemas para os narradores, repórteres e claro, os
colunistas...
Convocações e decepções Zlatan Lexotan - 16/05
Nesta
segunda-feira passamos pelo último dia de convocações para a Copa do Mundo. Como
este dia 15 foi a data limite imposta pela FIFA, muitos técnicos deixaram para
última hora a ardua tarefa de anunciar seus atletas preferidos e os preteridos.
Muitas barbadas, outros tantos absurdos e ações inexplicáveis.
Nenhum
absurdo maior do que a convocação da Inglaterra. Sven Goran-Eriksson parece ter
largado mão de sua razão e resolver inovar em sua convocação. Deixou de for a
atletas que pareciam certos no grupo, como o bom zagueiro/volante Ledley King, o
habilidoso meia Shaun Wright-Phillips e o poderoso atacante Jermaine Defoe. Para
seus lugares, Eriksson buscou Hargreaves, reserva no Bayern de Munique, Aaron
Lennon, meia do Tottenham que nunca havia sido convocado antes e Theo Walcott,
jovem atacante do Arsenal que nunca atuou pelos Gunners e que o próprio Erikkson
declarou nunca ter visto em ação. A presença dos medalhões não foi suficiente
para manter o ar de uma das seleções favoritas, pois Eriksson passou a impressão
de um técnico que deixou de lado todo seu planejamento nas Eliminatórias por não
ter mais nada a perder.
Portugal, por sua vez, trouxe poucas novidades em
sua convocatória. Costinha, em litígio com o Dinamo Moscou, era um atleta que
tinha sua presença em dúvida, mas Felipão optou por levar o experiente volante.
Ricardo Costa, zagueiro do Porto, foi o único convocado do clube que dominou o
futebol português na atual temporada, deixando de for a Vitor Baía e Ricardo
Quaresma. Bruno Vale, arqueiro do Estrela Amadora, foi chamado para ser o
terceiro arqueiro, ocupando a vaga de Moreira, um dos preferidos de Felipão nos
últimos anos.
A Espanha, por sua vez, teve como surpresas a não
convocação de Fernando Morientes e Ruben Barajas, figurinhas carimbadas nos
últimos anos da Fúria. O habilidoso meia do Valencia Vicente ficou de fora,
preterido pelo meia boca Iniesta. Marcos Senna, dispensado do São Caetano e
Corinthians, foi convocado por Aragonés. Que beleza...
Na Itália, muitas
interrogações na convocação de Marcello Lippi. Marco Amelia, do Livorno, ocupou
a terceira vaga de arqueiro, em detrimento ao excelente De Sanctis, guardião da
Udinese. Filippo Inzaghi, com 365 anos e jogando de muletas ocupou uma das vagas
no ataque, deixando de fora atacantes mais bem credenciados como Cassano,
Lucarelli e Tavano, que não ficaram nem na lista de espera.
A Alemanha
respirou aliviada com uma bela surpresa preparada pelo técnico Jürgen Klinsmann:
deixou de fora o grotesco Kevin Kuranyi e levou o novato Odonkor, atacante veloz
do Dortmund. Ficaram de for a também Owomoyela e Ernst, que eram sempre
presenças constantes no Nationaelf, entre os titulares. Já Nowotny, envolto em
losões e polêmicas com Klinsmann, foi convocado.
A República Tcheca
apostou na base veterana que disputou a última Eurocopa, com convicção que os
lesionados Koller, Smicer, Lokvenc e Grygera poderão se recuperar a tempo da
disputa do próximo Mundial. A Suíça, por sua vez, teve como única novidade o
corte de Hakan Yakin, que era apenas a estrela do time e principal jogador do
país. Bizarro...
Sérvia, Ucrânia, Suécia Croácia e Polônia seguem na
mesma linha, sem grandes novidades ou surpresas, salvo a não convocação do
arqueiro Dudek na esquadra polonesa. Ainda nos defensores da meta, a Ucrânia
confirmou a presença do arqueiro titular Shovkovsky, recuperado de longa
lesão. Já a França manteve as convicções de seu técnico, o teimoso
Raymond Domenech, e deixou de fora nomes como Giuly e Pires. Para suas vagas,
foram chamados o bom lateral Chimbonda, estreante em convocações, e a revelação
Ribery, meia do Marseille. Outra surpresa de Domenech foi o anuncio da
titularidade do veterano Fabien Barthez na meta francesa. Barthez, já com 350
anos nas costas, deixará no banco o titular e unanimidade Coupet.
Para
finalizar, o técnico Marco Van Basten parece ter adquirido restrições a
atacantes goleadores como ele foi. Van Basten resolveu deixar de fora, na última
hora, o artilheiro Klaas-Jan Huntelaar, autor de um caminhão de gols na última
temporada holandesa. Outro que ficou de fora foi o veterano Edgar Davids, mas
até ai não há grandes perdas.
Estaria Eriksson louco? Seria um plano de
Van Basten assumir a camisa 9 da Orange e ser artilheiro da Copa? Teremos as
respostas para todas as indagações dentro de um mês...
Boatos, especulações e mentiras
deslavadas Zlatan Lexotan
- 09/05
Durante toda a
temporada, a imprensa tem o costume de ventilar boatos que por muitas vezes nos
paracem absurdos. Alguns deles mantêm este status ao final da temporada, já
outros se mostram mais do que certos.
Os maiores rumores envolvem sempre
o Real Madrid, o Chelsea e a Internazionale. A Inter costuma comprar todo e
qualquer jogador que deseje, pelo mero desejo de o fazer. Já o Real Madrid agora
parece ter colocado os pés no chão, mas com as eleições presidenciais se
aproximando, alguns absurdos devem voltar a estampar os noticiários espanhóis.
Já o Chelsea, pelo seu dinheiro, é envolvido nos boatos mas raramente compra
alguém.
São tantos boatos que podemos fazer um ciclo: o Chelsea se
reforça com Shevchenko do Milan, que contrata para seu lugar Samuel Eto'o do
Barcelona, que contrata Henry do Arsenal, que contrata Fernando Torres do
Atlético de Madrid e que contrata Agüero do Independiente. Absurdo: não para os
jornalistas da imprensa especializada.
E não para por ai: Pires vai do
Arsenal para o Atlético de Madrid, Giuly vai do Barça para o Galatasaray,
Cassano vai do Real Madrid para a Inter, Nistelrooy vai do Manchester United
para o Real Madrid, Van Buyten vai do Hamburgo para o Bayern, Emre deixa o
Newcastle para o Palermo, Martins vai para o Manchester, Adriano vai embora da
Inter e chega Luca Toni da Fiorentina, Cannavaro, Gerrard, Boa Morte, Wayne
Bridge e mais dezena de outros jogadores vão para o Real Madrid.
O que há
de certo nisso tudo? Praticamente nada. Os clubes relutam em vender seus atletas
antes de uma Copa do Mundo, pois uma valorização pós Mundial ajuda a engordar a
conta bancária ao negociar um jogador. Nem a venda de Agüero para o Atlético é
certa, ao contrário do que dizem os noticiários.
Nistelrooy, por
exemplo, tem seu futuro em dúvida e dificilmente permanecerá em Manchester para
a próxima temporada. Porém, mesmo com a temporada inglesa já encerrada, seu
futuro ainda não foi definido. Interessada em vender jornal, a imprensa costuma
inventar muita coisa, buscando assim alavancar suas vendas em determinados dias
da semana.
Assim, cria-se uma discussão no meio e pronto, o boato foi
bem sucedido. Por isso, não acredite em rumores que lê no jornal. A não ser que
a notícia acompanhe a foto da apresentação do mesmo, como na chamada desta
coluna...
Liga dos Campeões: hora da verdade Zlatan Lexotan - 02/05
No próximo dia 17,
no Stade de France, teremos a decisão da principal competição entre clubes do
mundo: a Liga dos Campeões. Arsenal e Barcelona chegaram a grande final após
quase um ano de eliminatórias, superando equipes como Milan, Juventus e Real
Madrid. Apenas por este pequeno detalhe, a presença de ambos na final já se
torna mais do que merecida.
Mas não se trata apenas disso: teremos dois
estilos diferentes de jogo, com os dois principais jogadores da atualidade em
campo: Thierry Henry e Ronaldinho. Enquanto o Arsenal prima por um estilo um
tanto defensivo, estando há dez partidas sem sofrer um único gol, o Barça tem
como principal arma seu poderio ofensivo.
Em termos de retrospecto, os
ingleses jamais chegaram tão longe na LC, enquanto o Barcelona chegou ao topo da
Europa em 1992, tendo sido derrotado em 1961 frente ao Benfica, 1987 frente ao
Porto e 1994, frente ao Milan. Nas decisões que envolveram ingleses e espanhóis,
o Liverpool se deu frente frente ao Real Madrid em 1981, também em Paris. Chance
para o Barça igualar ou os inglses abrirão uma maior vantagem?
Ainda em
retrospecto, as duas equipes já se enfrentaram na Liga dos Campeões. O grupo B
da LC de 1999/2000 contava com as duas equipes, mais Fiorentina e AIK. Em
Barcelona, empate (1x1). Em Wembley, um grande jogo, que acabou com vitória
catalã, por 4 a 2. O Arsenal ficou em terceiro lugar no grupo e foi remanejado
para a Copa UEFA, enquanto o Barca seguiu na LC até as semifinais, quando tombou
diante do Valencia de Héctor Cúper.
Outro dado relevante é o número de
títulos por país. Quando terminar a final
entre Barcelona e Arsenal, apenas um país terá a honra de ser o maior vencedor
da principal competição européia em todos os tempos. No ano passado, com o
título do Liverpool, a Inglaterra se juntou a Itália e Espanha com dez
conquistas, quatro a mais que Alemanha e Holanda.
Um
confronto inédito será visto entre Thierry Henry e Ronaldinho, que se
enfrentaram apenas naquele amistoso modorrento entre Brasil e França,
comemorando os cem anos da FIFA, em 2004. Um ano depois, atuaram em um amistoso
para arrecadar fundos para as vítimas da Tsunami. Porém, nenhum encontro que
valesse realmente, como será no Stade de France. Campeões nacionais pelos seus
clubes, falta a ambos no currículo a conquista da Liga dos Campeões.
Caso o Barcelona seja o campeão, Henry poderá tentar alcançar novamente
a final atuando provavelmente ao lado de seus inimigos na final, já que o
francês provavelmente rumará para outros ares na próxima temporada, e os maiores
rumores dão conta de que o atual artilheiros dos Gunners será um Blaugrana em
2006/2007.
A expectativa é de um grande jogo, mas nem sempre o esperado
se torna real. No ano passado, todos esperavam que o confronto entre Milan e
Liverpool fosse um entediante 0 a 0, e o que se viu foi uma partida memorável,
digna de entrar no hall das melhores de todos os tempos. Apesar das duas equipes
terem raízes ofensivas, Arsenal e Barça classificaram-se após quatro partidas
com apenas dois gols marcados.
O favoritismo recaí sobre os ombros do
Barça, o que pode ser um problema: o Arsenal prova mais uma vez que se dá melhor
quando os holofotes estão focados em seu adversário. Assim, os Gunners tiraram
de seu caminho o badalado Real Madrid e a forte Juventus, lembrando que sem
sofrer sequer um gol de seus grandes adversários.
Quem comemorará no dia
17? Impossível saber. Porém, se a edição desta temporada incorporar ao menos
metade do que vimos em Instambul no ano passado, terá valido a pena.
Seleção de Azar Zlatan Lexotan - 25/04
Como estamos falando
ultimamente de Copa do Mundo e as últimas semanas não tem nos trazido muito
assunto a discutir, vamos mais uma vez falar do maior evento esportivo do
Planeta. Na semana passada abordamos os jogadores que acabam ficando de fora do
maior palco futebolístico pelos mais diversos motivos. Hoje, vamos elaborar uma
lista um pouco mais trabalhosa: os grandes nomes do futebol mundial que vão
ficar de fora desta Copa, formando uma bela seleção, digna de estar presente a
competição. Vamos a ela:
Igor Akinfeev: O russo Akinfeev é um dos
expoentes da nova geração de arqueiros europeus. Aos 20 anos recém completados,
Akinfeev foi o paredão que levou o CSKA ao título na última Copa da Uefa. Apesar
das defesas importantes, Akinfeev não foi suficiente para impedir a terceira
colocação russa no Grupo 3 das Eliminatórias, e a consequente eliminação de seus
país, fato raro nos últimos Mundiais.
Kobiashvili: De nome difícil
e de bom futebol, o ala direito Levan Kobiashvili segue como um dos principais
destaques do Schalke 04. Com uma boa marcação e um ótimo senso atacante, Levan é
um dos bons nomes da posição na Europa atualmente. Porém, o fato de nascer na
quase inexistente Geórgia prejudica um pouco a sua vida quando falamos de
Seleção. Um penúltimo lugar no Grupo 2, a frente apenas do Cazaquistão, é
realmente pouco a se comemorar para o lateral dos Azuis Reais.
Van
Buyten: O zagueiro belga está entre os grandes nomes da temporada européia
atual. Apesar das contratações realizadas, poucos imaginavam que o Hamburgo
pudesse ir tão longe. Muito em parte graças a belas atuações do zagueirão belga,
o Hamburgo ameaçou mais uma conquista alemã do Bayern de Munique, que não se
concretizou apenas por falta de gás. Porém, na Seleção Belga, presente nos
últimos Mundais com certo destaque, o que realmente faltou foi elenco para
superar Sérvios e Espanhóis no Grupo 7, onde a Bélgica acabou em quarto lugar,
atrás até mesmo da Bósnia.
Hyypia: Campeão europeu com o Liverpool
e principal destaque defensivo da campanha que levou os Reds a uma inesquecível
virada sobre o Milan, Hyypia já apresenta os recursos necessários em apenas duas
linhas para ser titular deste escrete dos amaldiçoados. Hyypia, com um futebol
cada vez mais consistente e seguro, carrega em suas costas um velho problema:
ter como berço um país sem tradição futebolística. A Finlândia não é o que
podemos chamar de potência, diga-se de passagem. Com o quarto lugar no grupo 1,
atrás das forças Republica Tcheca, Holanda e da decadente Romênia, a Finlândia
cumpriu até que um bom papel na chave, mas nada além disso.
Riise:
Um ala esquerdo titular do atual campeão europeu, com habilidade, agilidade,
velocidade e faro de gol. O norueguês John Arne Riise é um dos bons nomes da
lateral esquerda européia e tem papel de destaque no esquema de Rafa Benítez no
Liverpool. Suas subidas pela ala, combinada com seus avanços em diagonal são uma
grande arma dos Reds, mas de pouco adiantaram na campanha da fraca Noruega nas
Eliminatórias. Mesmo com um elenco pra lá de limitado, a Noruega esteve próxima
do Mundial ao ocupar o segundo lugar do Grupo 5, atrás apenas na Itália. Porém,
os noruegueses enfrentaram a forte República Tcheca nos playoffs e, com duas
derrotas por 1 a 0, deixaram escapar a oportunidade de ir à
Alemanha.
Nuri Sahin: O grande desconhecido de nossa lista é
talvez o atleta mais talentoso da próxima geração de volantes europeus. O
turco-alemão Nuri Sahin, de apenas 17 anos, atua desde 2001 pelo Borussia
Dortmund e foi, desde a primeira vez que entrou em campo, assediado pela
Federação Alemã a defender a seleção germânica, já que ele nasceu na Alemanha.
Porém, Sahin preferiu defender o país de seus pais. A sua estréia pela Turquia
não poderia ser melhor: em um amistoso contra a Alemanha em Instambul, Sahin
entrou no final da partida e marcou o gol da vitória turca, finalizando com
calma frente a Oliver Kahn. Apesar da Turquia ficar de fora nas Eliminatórias
nos Playoffs, eliminada frente a Suíça, Sahin terá muitas chances de mostrar seu
talento nas Copas futuras.
Duff: O irlandês Damien Duff,
conceituado pela sua atual fase no Chelsea, disputou o último Mundial pela
Irlanda, mas acabou de fora da Copa ao conseguir apenas um quarto lugar no Grupo
4, atrás de França, Suíça e Israel. E a vaga não veio apenas por um tropeço na
última rodada: empate em casa frente a Suíça. Caso vencesse, Duff iria a sua
segunda Copa do Mundo seguida. Sem obter tal sucesso, Damien se contentará com
outra dobradinha: o bicampenato da Premier League com o
Chelsea.
Giggs: O mais conceituado atleta de nossa lista não ficou
de fora apenas deste Mundial, como vai encerrar sua carreira sem sentir o doce
gosto de uma Copa do Mundo. O galês Ryan Giggs, famoso por sua velocidade e
habilidade, teve a sua última chance de classificação no Grupo 6. Porém, não há
Giggs que resolva: o País de Gales obteve apenas nove pontos e ficou a
frente apenas do Azerbaijão (quem?), que somou oito pontos. E isso porque, na
última rodada, Gales derrotou o Azerbaijão. Bizarro...
Berbatov:
O búlgaro Dimitar berbatov é uma certeza de gols no Bayer Leverkusen. Diversos
atacantes foram e voltaram no BayArena nas últimas temporadas, mas Berbatov foi
o único que permaneceu, e com méritos. Apesar de sempre estar entre os
principais goleadores da Bundesliga, Dimitar não conseguiu ir além de um
terceiro lugar com a sua decadente Bulgária no Grupo 8 das Eliminatórias,
ficando atrás de Croácia e Suécia. E isso mesmo tendo marcado sete vezes em dez
partidas.
Mutu: Após passar pela fase mais negra da sua vida, que
envolveu doping, demissão do Chelsea e uma contratação pela Juventus no mínimo
duvidosa, o romeno Adrian Mutu voltou a mostrar o futebol que o consagrou no
Parma. Apesar da condição de reserva na Vecchia Signora, Mutu entrou bem em
várias partidas e conseguiu complicar até a última rodada o Grupo 1 das
Eliminatórias, com a Romênia ficando atrás apenas de República Tcheca e Holanda.
Ele ressurgiu das cinzas, mas ficou de fora do Mundial, mesmo tendo, assim como
Berbatov, marcado sete tentos na campanha romena.
Eto’o: O
artilheiro camaronês dispensa comentários. Ao lado do companheiro Deco vem
carregando nas costas o Barcelona e marca gols a rodo desde que chegou ao clube
catalão. Porém, um pênalti desperdiçado pelo companheiro Womé frente ao Egito
tirou de Eto’o a chance de ir à Alemanha com Camarões, que acabou um ponto atrás
da Costa do Marfim no Grupo 3 das Eliminatórias Africanas. Assim, Eto’o comanda
o ataque e é o grande destaque da Seleção que ficou com as calças na mão e não
foi ao Mundial.
Muitos outros jogadores de relativo destaque acabaram
de fora do Mundial, como sempre acontece com alguns desafortunados. Porém, é
difícil imaginar um número tão grande de bons talentos reunidos em um grupo
seleto de infelizes que vão ver o Mundial a Alemanha bem longe de onde eles
queriam.
PS: A coluna de hoje deveria ser sobre as Oitavas de
Final da Libertadores, mas não dá pra levar a sério essa competição sem o Boca
Juniors. Mas tem explicação, segundo os xeneizes: eles não queriam tirar a
chance de Tevez ganhar outra. Faz sentido....
Copa do Mundo, Mas Nem Sempre Zlatan Lexotan - 18/04
Mais uma Copa do
Mundo se aproxima. A deste ano, como de costume, atrairá uma multidão de
alucinados para solo germânico e cativará outros milhões pelo Mundo para
acompanhar a competição. Milhares de produtos estão sendo empurrados a nós todos
os dias, de bolas a figurinhas, que eu estou colecionando, por sinal. Não me
julgue, sou apenas uma criança.
Com praticamente todos os grandes craques
do Planeta, esta Copa promete muito equilíbrio e uma disputa acirrada pelo
título. Mas só um momento. Eu disse quase todos os craques do Planeta? Pois é,
muitos desafortunados ficam de fora de um Mundial pelos mais diversos motivos:
lesão, não convocação, corte ou até mesmo a não classificação de seus
país.
Casos de lesão são os mais freqüentes, e nesta Copa já temos uma
dezena de jogadores que deverão ficar de fora por contusão: Park, King e Young
enfraquecendo o já enfraquecido banco de reservas da Inglaterra. Porém, nenhum
deles se enquadra no termo craque.
Na história recente dos Mundiais,
Romário é o caso mais emblemático para os brasileiros pelo seu corte na Copa de
1998, ao lado de Emerson em 2002. Dizem que ambas foram fundamentais: a de
Romário pela perda e a de Emerson pelo título. Pode ser. Itália e Inglaterra
sofreram casos parecidos neste ano, com grandes sustos aplicados por Totti e
Owen, esses sim fundamentais e imprescindíveis para seus treinadores.
A
Não Convocação é outro fator emblemático, mas de pouca importância no final da
contas. Alex e Romário ficaram de fora pelo Brasil em 2002, assim como Baggio
pela Itália. Sempre existem aqueles que acabam sendo preteridos na lista final,
mas nada que mereça grande destaque.
Porém, a não classificação é a mais
significativa na história dos Mundiais. Shevchenko conseguiu levar a sua Ucrânia
para a Alemanha e coroará assim a sua bela carreira participando da Copa, e com
grandes chances de avançar as Oitavas de Final. Já Eto’o não teve a mesma sorte,
assim como muitos outros não tiveram: George Best e George Weah são os melhores
exemplos disso. Nomes gigantes do futebol mundial que nunca participaram de uma
Copa. Nem sempre o esporte, ou a vida, é generoso com todos.
Time Impossível Zlatan Lexotan - 11/04
A Adidas lançou, na
última semana, mais uma de suas campanhas visando a Copa do Mundo que se
aproxima. Conhecida pela sua criatividade e imaginação, a Adidas sempre nos
presenteia com comerciais divertidos e ao mesmo tempo inteligentes, superando a
Nike por exemplo.
Porém, desta vez eles se superaram e trouxeram, além do
conhecido, uma dose de nostalgia e um sentimento que aguçou os mais profundos
desejos futebolísticos. No comercial, dois garotos em um vilarejo decidem jogar
futebol e escolher suas equipes. Surgem nomes como Cisse, Kaká, Zidane, Lampard,
Beckham, e as grandes estrelas da companhia alemã vão surgindo no campo de
terra. Até que um dos garotos resolve inovar e escolhe Beckenbauer, que para
surpresa geral, surge ao longe e entra no campo. Para não deixar por menos, o
outro garoto resolve escolher Platini, que também surge para jogar. Mas não
pense que são as já idosas figuras atuais dos dois atletas, mas sim a imagem de
ambos no auge de suas carreiras. Um brilhantismo de computação gráfica, já que
eles interagem com os jogadores atuais.
Pois bem, ao ver isto ganhei um
sorriso em um péssimo dia de trabalho na Gazzetta e após mais um entrevero com
minha odiada esposa. E isso não é pouco, acreditem. Aos poucos, fui imaginando
todas as possibilidades que aquele comercial gerou. Que tal uma equipe com todos
os meus jogadores favoritos de todos os tempos? Ou todos os meus ídolos do
Milan? Ou ainda seleções regionais? Seria um tanto quanto interessante imaginar
muitos destes encontros, mas vamos abordar um em especial: Mundo x Milan.
Claramente, vamos analisar em períodos reais: vamos usar os últimos anos, desde
o final os anos 80.
Mundo x Milan A equipe do mundo entra em
campo com um belo time, mas desfalcada de alguns atletas que certamente estão do
outro lado. Houve uma briga judicial para o Milan liberar seus atletas, mas com
uma liminar apoiada no G14, o clube italiano manteve suas estrelas.
O
Mundo entra em campo com Schmeichel (1998) no gol, Thuram (1998) na direita,
Matthaus (1990) e Laurent Blanc (1998) no miolo da zaga e Sorín (2002) na
esquerda. No meio temos Redondo (1999) de volante, junto com Zidane (2000),
Nedved (2004) e Figo (1999). No ataque, Thierry Henry (2004) e Roberto Baggio
(1994).
Do outro lado, o Milan entra em campo com Sebastiano Rossi na
meta (1992), Tassotti na ala direita (1992), Nesta (2004) e Baresi (sem época,
eterno) no miolo da zaga e Maldini na esquerda (outro eterno). No meio, um
quarteto de ouro: Boban (1996), Savicevic (1992), Albertini (1994) e Rijkaard
(1990). No ataque, Van Basten (1990) e George Weah (1996).
O Milan, com
uma defesa mais sólida, resiste aos ataques da equipe Mundial, apesar das
insistentes subidas ao ataque dos laterais e até mesmo defensores do
selecionado. Baresi dá alguns toques a Matthaus quando a bola está parada de
como jogar de líbero. Maradona dá dribles, Van Basten faz gols. Henry faz gols,
Boban dá passes milimétricos. A torcida, extasiada, não presta nem atenção ao
placar. A partida está 4 a 4, quando aos 40 minutos da segunda etapa Sorín sobe
ao ataque e tropeça no próprio cabelo. O juiz marca a penalidade e na cobrança
Baggio joga na torcida. Na entrevista, ele diz: "Eu já joguei no Milan e fui
campeão, não podia fazer o gol e desempatar." Mesmo com os apelos dos torcedores
para que o jogo não acabasse, o juiz encerrou a partida e deu fim ao
encontro.
Bola na Rede, Bota no Pé Zlatan Lexotan - 04/04
A reputação do
campeonato italiano ao redor do planeta nunca foi das melhores. Sempre tratado
como um futebol feio, dedicado a técnicos extremante defensivos e esquemas
táticos de dar sono, a Série A é sempre preterida em relação ao Campeonato
Espanhol e ao Inglês. O futebol italiano viveu seu último auge no início dos
anos 90, final dos 80, quando uma legião de craques aportou na Bota. Quem não
recorda-se do Napoli de Maradona, do Milan de Van Basten, da Inter dos alemães e
da Juventus dos franceses?
No meio dos anos 90, Milan e Juventus montaram
novamente belas equipes, assim como Parma, Roma, Inter e Fiorentina tiveram
belos plantéis. Porém, muitos jogadores passaram a preferir outras ligas e
deixaram o cálcio rumo a Espanha, principalmente, e a Inglaterra. Apesar desta
fama retranqueira e da pouca vocação ofensiva de seus atletas, os principais
goleadores desta temporada européia atuam justamente na Itália.
Na lista
dos jogadores concorrentes a Chuteira de Ouro, destinada ao principal goleador
europeu da temporada, são SETE italianos entre os vinte melhores do continente.
Luca Toni, com 26 gols, é o líder da lista e provável campeão desta temporada
com 52 pontos. Com o número que hoje ostenta, Toni superou os vencedores da
temporada passada, Henry e Forlán, que somaram 25 gols. Além disso, Luca Toni
comanda a Fiorentina a uma possível vaga na Liga dos Campeões e ainda entrou
para a história ao igualar o recorde de gols para um jogador da Fiorentina em
uma mesma temporada. Antes dele, apenas o sueco Kurt Hamrin, nas temporadas
1958/59 e 1959/60, e o argentino Gabriel Batistuta, em 1994/95, haviam alcançado
26 gols na Série A.
Além do líder Toni, David Trezeguet vem em sétimo
lugar com 20 gols marcados, seguido por Shevchenko com 19 tentos marcados na
atual temporada. Na seqüência, vem os outros quatro: Francisco Tavano, do
Empoli, com 17, e empatados com 16 Cristiano Lucarelli do Livorno, David Suazo
do Cagliari e Alberto Gilardino do Milan.
A Holanda apresenta três
goleadores na lista, com a sensação Klaas Jan Huntelaar do Ajax em segundo com
30 gols e 45 pontos (o peso é menor em relação aos demais campeonatos: na Itália
o gol vale 2 pontos, na Holanda, França e Escócia, por exemplo, vale 1.5).
Arveladze, do AZ, e Dirk Kuyt, do Feyenoord, seguram a lanterna da lista com 21
gols e 31.5 pontos.
Samuel Eto’o ocupa o terceiro posto com 22 gols e 44
pontos, enquanto David Villa, do Valencia, é o décimo segundo com 18 pontos. Ter
apenas dois espanhóis na lista é uma prova de que nem sempre as frágeis defesas
da Liga são uma garantia aos goleadores. A Inglaterra tem também, a exemplo da
França, três artilheiros na lista de alto calão: Thierry Henry e Nistelrooy com
21 gols marcados na Premiership dividem o quarto posto, enquanto Darren Bent, do
Charlton é o décimo sétimo com 16 tentos.
Completam a lista Tarmo
Neemelo, que marcou 41 gols no campeonato da Estônia pelo TVMK Tallinn na sexta
posição, Pauleta com 20 gols pelo PSG, Klose com 20 gols pelo Werder Bremen,
Kris Boyd com 25 gols por Kilmarnock e Rangers no escocês e Halil Altintop, com
16 tentos pelo Kaiserslautern.
A lista poderia contar com uma supremacia
ainda maior dos italianos caso jogadores como Adriano, Del Piero, Ibrahimovic,
Chiesa, Bonazzoli, Caracciolo, Martins, Vucinic, Iaquinta, Corradi, Makinwa,
Mutu, Recoba, Figo, Bojinov, Nedved e Totti não enfrentassem temporada tão
nebulosa, seja por falta de gols, más atuações ou lesão. De qualquer forma,
contar com sete goleadores em uma lista de vinte possíveis é um número alto,
ainda mais se contar o valor total: 150 gols italianos contra 72 holandeses, 58
ingleses, 36 alemães, 40 espanhóis, 25 escoceses, 20 franceses e 41
estonianos.
Para concluir, se você quiser ver gols, assista à Série A
desta temporada e de atenção especial a Fiorentina, Milan e Juventus. Ou então
se ligue nas partidas do Ajax na Eredivisie e confira a nova sensação holandesa
Huntelaar. Mas se preferir perder tempo, desperdice seu sábado assistindo a
sonolentos clássicos entre Barcelona e Real Madrid, com atacantes gordos e
preguiçosos. A escolha é sua.
Um Fenômeno de Absurdos Zlatan Lexotan - 29/03
A imprensa esportiva
tem lá suas manias. Uma das piores delas é o efeito soberba. Cria-se um ícone de
total superioridade devido a uma boa fase de um jogador, como se ele fosse
imbatível. Quem já não cansou-se de ouvir asneiras como Imperador, Mágico,
Showman e Fenômeno.
O mais curioso é como a mesma imprensa que vangloria
o jogador com estes apelidos é a primeira a rechaçá-lo no primeiro equívoco, mas
tentando sempre evocar o velho. Ronaldo, atacante do Real Madrid, é o caso mais
claro deste tipo de situação. Surgiu como um raio, marcando cinco gols em uma
partida do Cruzeiro sobre o glorioso arqueiro Rodolfo Rodríguez. Em pouco tempo
estava no PSV e foi a Copa de 94 como espectador no grupo que seria campeão. Era
ainda uma promessa, apesar dos gols em solo holandês.
No Barcelona a
situação passou a se modificar. Ronaldo saiu das sombras ao se tornar o grande
xodó da torcida catalã com gols incríveis em arrancadas impressionantes.
Criou-se então o Fenômeno. Na Copa de 98, era tido como um novo Pelé, mas ele
amarelou. Na Inter, pouco brilho e muitas lesões. Mas seguia-se dizendo que se
tratava de um Fenômeno, comparado aos grandes nomes do futebol mundial em todos
os tempos. Foi contratado então pelo poderosíssimo Real Madrid, que contava com
nomes como Zidane e Figo e que havia acabado de conquistar uma Champions League
e onde ele permanece até hoje.
Porém, ao analisar números e aspetos da
carreira do atacante, é possível questionar com veemência este Fenômeno que lhe
foi acrescentado ao nome e que, há anos, deveria ter sido riscado dos jornais e
revistas. Na Internazionale, colecionou inimigos, e o principal deles é a
torcida neoazzurri, que lhe dedicou toda atenção em seu período de lesões e foi
apunhalada com a saída do brasileiro no primeiro sinal de recuperação. Porém, só
o que obteve além dos inimigos e das cirurgias foi uma Recopa Européia,
competição que por sinal foi extinta pela Uefa. Na Série A, a Inter esteve mais
próxima do título quando o atacante não estava atuando, e perdeu a chance de
conquistar o troféu e acabar com o jejum justamente quando Ronaldo voltou aos
gramados.
No Real Madrid, Ronaldo tinha todas as possibilidades de
conquistar todos os títulos que lhe faltavam, mas sua chegada e permanência
coincide com o pior período da equipe nas últimas décadas. Figo, Zidane, Raúl e
Morientes levaram o Madrid a vitória sobre o Leverkusen na final da CL de 2002 e
poderiam ter feito muito mais não fossem as constantes mudanças na equipe
Merengue. Ronaldo ocupou a vaga de Morientes e tudo foi por água
abaixo.
Desde então, eliminações vexatórias na Liga dos Campeões e Copa
do Rei, além de participações abaixo do esperado na Liga Espanhola. Ronaldo teve
alguns poucos bons momentos no ataque Merengue, mas nunca correspondeu às
expectativas. Muitas vezes entrou em campo visivelmente acima do peso,
movimentando-se com extrema dificuldade e geralmente aparentando uma ligeira
preguiça. O Fenômeno ficou apenas no nome, assim como as arrancadas ficaram
apenas na memória.
Agora, o discurso de quem comanda a imprensa esportiva
no país é que Ronaldo pode estar mal sim, mas é ano de Copa do Mundo e ele vai
ganhar mais um Mundial para o Brasil. Mais comparações esdrúxulas com Pelé
surgiram, reanimando aquele velho clima. Assim, mascara-se que nos últimos
quatro anos, “Gornaldo” nada fez nos gramados, sendo destaque mesmo apenas nas
revistas de fofocas e afins. |