STEFAN LORAX - ARQUIVOS 2009

E no Nordeste, tudo em paz...
02/11

Série A do Campeonato Brasileiro, vulgo primeira divisão. Na zona de rebaixamento encontram-se Sport e Náutico, ambos do Recife. Longe dali e certamente tranquilo está o Vitória de Salvador, na Bahia. Hoje, seria o único time nordestino a escapar do rebaixamento para a segunda divisão. Caem dois, sobe um. Dentre os quatro classificados para a primeira divisão 2010, caso o Campeonato Brasileiro da Série B, vulgo segunda divisão, terminasse hoje, está o Ceará. Por outro lado, os quatro que cairiam seriam América e ABC, ambos de Natal, o Campinense da Paraíba e o Fortaleza. Caso o América escape, empurra o Bahia. Ou seja, este ano tivemos três nordestinos na Série A e seis na Série B. Em 2010 corre-se o risco de ter dois na Série A e três na Série B. A situação melhora caso Asa e Icasa consigam subir da Série C para a Série B. Aí teremos cinco nordestinos na segunda divisão. De qualquer forma, um nordestino a menos na Série A e um nordestino a menos na Série B. Isso, numa perspectiva muito otimista. Até porque, dos quatro rebaixados da Série C para a Série D, dois são nordestinos. E dos quatro que sobem para a Série D para a C, nenhum nordestino. E olha que este ano mesmo tivemos sport na Libertadores...

Não é de hoje que o futebol nordestino vive em crise. Mas sem dúvida, está em seu pior momento, mesmo com o Sport tendo conquistado a Copa do Brasil há apenas um ano e feito uma boa campanha na Copa Libertadores.

Talvez o Nordeste ainda não tenha acordado para uma fórmula que vem desenvolvendo o futebol do interior paulista e fluminense: o auxílio e parceria de prefeituras com os clubes de futebol local - isso, claro, se você considerar que a prefeitura não tenha coisa melhor em que investir além do futebol, o que eu duvido muito. Mas se há uma verba voltada para o esporte, ela deve ser investida em esporte.

O futebol brasileiro vem crescendo, pelo menos em termos de finanças para clubes. Novos clubes vem surgindo com força total - não clubes criados recentemente, mas que só agora conseguiram subir de categoria e aparecer entre os grandes brasileiros, muitas vezes incomodando, como é o caso do Grêmio Barueri. E o futebol nordestino parece correr na contramão desse sucesso. Houve um tempo em que, assim como hoje em dia o São Caetano eliminou grandes do Brasileirão e o Paulista e Santo André conquistaram a Copa do Brasil, eram os nordestinos que aprontavam em cima dos grandes. O Botafogo de João Pessoa, por exemplo, derrotou o Flamengo de Zico no Maracanã. O Náutico e o Fortaleza já chegaram a decisões de torneios nacionais. O Bahia foi campeão brasileiro em 88 enquanto o Sport conquistou o complicado Brasileirão de 1987.

Naquele mesmo tempo havia êxodo de craques do Nordeste para o Sudeste. Os times nordestinos perdiam jogadores, revelavam novos, os perdiam, revelavam outros... e assim se seguia. Hoje o que há é um intercâmbio maior. Da mesma forma que o Sport perde jogador para o Corinthians, o próprio Sport tem condições de trazer jogadores para reforçar a equipe. Os clubes nordestinos aparecem mais, a Série B é televisionada, o que garante direitos de imagem das televisões... e mesmo assim, cada vez mais o futbebol do Nordeste se restringe aos campeonatos estaduais. E olha que o Nordeste terá três sedes na Copa do Mundo de 2014...

Talvez o Nordeste ainda não tenha acordado para uma fórmula que vem desenvolvendo o futebol do interior paulista e fluminense: o auxílio e parceria de prefeituras com os clubes de futebol local - isso, claro, se você considerar que a prefeitura não tenha coisa melhor em que investir além do futebol, o que eu duvido muito. Mas se há uma verba voltada para o esporte, ela deve ser investida em esporte.

O pior de tudo é imaginar um Brasileirão sem nenhum time nordestino. Principalmente pela tradição de uma região que já teve campeões brasileiros e da Copa do Brasil.

O preço de um ídolo
26/10

Quanto vale ser o símbolo de um clube?

Há oito anos fui ao estádio ver a final da Copa dos Campeões entre Flamengo e São Paulo. Não torço por nenhum dos dois clubes, mas queria ter a oportunidade de ver ao vivo Petkovic, Rogério Ceni cobrar uma falta, os escanteios de Carlos Miguel... na ocasião, durante o jogo, entrou em campo um jovem jogador do São Paulo que, se não me engano, era registrado como Cacá, assim mesmo, com dois Cs. Dois anos depois esse jogador, que passou a assinar Kaká, já era campeão do mundo e seria vendido (muito) barato ao AC Milan, da Itália, numa transação onde teria pesado a influência do consultor Leonardo, ex-jogador das duas equipes envolvidas no negócio. No clube italiano, seu valor de mercado aumentou dez vezes mais.

Mais que dinheiro, Kaká tinha outros valores para o Milan. Ao ser assediado por uma proposta milionária do Manchester City, Kaká disse não e apareceu na janela de sua casa estendendo sua camisa #22, saudando os torcedores do Milan. O brasileiro na ocasião disse que o dinheiro não era tudo. Àquela altura, Kaká já havia sido o principal jogador do Milan na conquista da Liga dos Campeões e Copa do Mundo de Clubes, ambos em 2007. Já chegou até a ser capitão do time em algumas ocasiões. E por uma proposta tentadora, trocou o Milan pelo Real Madrid.

Não acho que Kaká seja um mercenário nem que tenha sido desleal ao clube italiano - o próprio clube quis vendê-lo, já que seria um negócio rentável para seus cofres. Mas alguém acredita que Kaká se torne um símbolo do Real Madrid? Zinedine Zidane não é. Encerrou a carreira no Madrid e não era um símbolo. Raúl é um símbolo do clube, mesmo sendo menos jogador que Kaká, Zidane, Figo, Ronaldo, Cristiano Ronaldo... porque um símbolo não significa o valor que foi pago por aquele jogador ou os gols que ele marca. Um símbolo é aquele jogador que cresce com o clube. Que incorpora os mesmos valores que sua torcida. Que segura o time quando tudo parece pior e que o lidera em seus melhores momentos. Kaká tinha exatamente essa projeção no Milan.

Não que ele não vá ter sucesso no Madrid. A julgar pelo time, com certeza terá. Mas ali Guti consegue ser mais símbolo, porque cresceu ali. Os jogadores que chegam através dos investimentos milionários como foi o caso de Beckham, ou é de Cristiano Ronaldo e Kaká, estão mais para uma grife. São quase funcionários contratados para cumprir aquela função. Mas que vencer ou perder com aquela camisa nem vai fazer tanta diferença assim.

No final, Kaká é o homem que não quis ser rei em Milão para ser barão em Madrid.

(Re)começando pelo começo
19/10

Há quase 50 anos, o Santos Futebol Clube, liderado por Pelé, conquistava a América do Sul e o mundo, através de dois títulos da Copa Libertadores, então em seus primórdios. Naquela ocasião as Libertadores 1962 e 1963 tinham apenas dez clubes participantes. As primeira edições, em 1960 e 1961, tiveram o mesmo formato e foram vencidas pelo Peñarol. Ter gente como Pelé e Garrincha (que a disputou em 1963, com o Botafogo) certamente valorizou o torneio e contribuiu com o seu crescimento. E é engraçado ver essa história se repetir agora, 49 anos depois da criação da Copa Libertadores, com sua versão feminina - a Copa Libertadores de Fútbol Femenino.

Quando falávamos que o Brasil não fazia nada para fomentar o futebol feminino, esquecíamos que a América do Sul, ou seja, a CONMEBOL, tinha responsabilidade maior nesse processo. E não fazia nada também.

A criação da Copa Libertadores de Futebol Feminino foi um grande passo, por atrair os olhares da mídia para o futebol feminino sul-americano. E ninguém melhor para reforçar essa publicidade e valorizar o torneio que Marta, que deixou a certeza do Los Angeles Sun, na Liga Americana, e veio buscar a incerteza do futebol feminino brasileiro. No final das contas, ajudou, e muito, o esporte local, com a confirmação de que, sim, o futebol feminino pode ser viável no Brasil. O que resta avaliar é se os clubes têm disponibilidade para apoiá-lo, o que é necessário. Esse sucesso do Santos e de Marta só aconteceu porque havia estrela para atrair divulgação e patrocinadores. Quem se importaria se o Esporte Clube da Associação dos Comerciários do Interior de Aroeiras vencesse a Libertadores feminina? Os clubes grandes precisam tomar a frente nesse processo - não que os clubes pequenos não devam ter espaço. Muito pelo contrário. É bom ver Mackenzie ou Saad competindo. Só digo que os clubes de fato grandes têm o dever de competir também, para atrair divulgação e patrocínio, o que permitirá que o esporte se estabilize.

A Libertadores feminina teve dez clubes participantes, um de cada país da Conmebol, e aconteceu inteiramente no Brasil.

Contando também com Cristiane, a melhor jogadora do torneio na prática, e de Érika, o Santos encantou, guardadas as devidas proporções, claro, como o Santos de Pelé encantou há décadas, mostrando que a Libertadores feminina começa tão bem quanto começou a masculina. No total, o Santos disputou seis jogos, venceu todos os seis, marcou 43 gols e tomou apenas dois. Na final, o Santos venceu por 9x0 a Universidad Autónoma do Paraguai.

E a piadinha já está rolando: em 15 dias o time de futebol feminino do Santos, conhecido como Seraias da Vila, conseguiu fazer o que o Sport Club Corinthians Paulista não fez em 99 anos: conquistar a Libertadores.

E aí, Timão? Vai deixar barato essa?

Revendo a Regra 14
12/10

REGRA 14
"Ao se posicionar na marca do pênalti, o jogador deve distanciar-se o quanto quiser da bola. Ao tomar a distância que bem desejar, o jogador deve dirigir-se à bola e chutá-la. No entanto, uma vez que começou a correr, o jogador não pode parar. Não pode nem ao menos diminuir a velocidade. Nem pode dirigir-se à bola com passos lentos, pois isso pode dar a impressão de que ele está parando, o que pode enganar o goleiro. Nem pode dar pulinhos, pois isso também pode enganar o goleiro. Aliás, levando isso em consideração, é melhor que o jogador mantenha a velocidade fixa de 1m por segundo. Assim, o jogador que ultrapassar ou ficar abaixo dessa velocidade estará cometendo uma infração e poderá enganar o goleiro, o que não é permitido pelas leis do futebol.

E se não é para enganar o goleiro, fica proibido que o jogador olhe para um canto e cobre o pênalti no outro. Caso isso aconteça, a cobrança deve ser repetida."

Texto ridículo, não? Obviamente é fictício. Ainda não consta nas 17 regras do futebol, dentro da Regra 14, o pênalti. Mas Joseph Blatter, revoltado com a paradinha, disse que em breve ela será permanentemente proibida e que a FIFA anunciará oficialmente sua proibição. Só me pergunto como diabos a FIFA vai conseguir descrever a proibição da paradinha. Vai simplesmente dizer que é proibido o jogador parar após ter começado a se dirigir à bola? Mas e se o jogador apenas "diminuir" a velocidade? Ou se ele for em passos lentos? Como diabos você vai saber que ele parou ou apenas diminuiu a porcaria do passo?

Sem falar que isso revolta Blatter, mas o fato de que na Europa e nas Copas do Mundo os goleiros se adiantam escandalosamente durante cobranças de pênalti - o que é proibido, como todos sabemos - simplesmente passa despercebido.

Ao invés de se preocupar com uma idiotice deste tamanho, a FIFA deveria ter em mente o quanto é importante estudar o uso de recursos eletrônicos na arbitragem. O mundo todo discute impedimentos, gols de mão, faltas não marcadas, se a bola cruzou ou não a linha, lances que acontecem e o juiz não vê... e esses erros acabam contaminando Copas do Mundo e definindo resultados e títulos, mas a FIFA ignora completamente sua existência.

Nesta década, a FIFA está prestes a revolucionar novamente o futebol proibindo a paradinha. Antes disso, proibiu que os jogadores comemorassem seus gols tirando a camisa.

Qual será a próxima grande inovação? Proibir os cortes de cabelo extravagantes?

Tal sogro, tal genro
05/10

"O Peru não joga nada". OK, que o Peru não joga nada, todo mundo sabe. Mas Sérgio Agüero, da Seleção Argentina, próxima rival dos peruanos, vir a público afirmar isso torna tudo bem diferente.

Agüero, o futuro craque do Atlético de Madrid, como todos sabemos, é genro de Maradona. E parece ter o mesmo gosto pela sinceridade e declarações polêmicas do sogrão, que por sinal é seu técnico na seleção. A marra de Agüero pode ter muitos pontos de vistas - e também consequências. Primeiramente, a urgência argentina em ter um ídolo do mesmo calibre de Maradona, coisa que jamais aconteceu desde que El Pibe se aposentou. Hernán Crespo nunca foi grande jogador. E fora de campo também nunca teve grande representatividade. Riquelme... bom... jogou muito no Boca. Na Seleção, nem tanto. E é um cara calado, não responde pelo time. Tevez tem muita raça, é verdade. Mas não é tecnicamente falando o melhor jogador com qual o país poderia sonhar. E quem seria esse cara? Messi? Pode ser. Mas o que tem de técnica, falta em raça e em carisma. É um carinha sorridente demais, muito boa praça, muito amigável... não tem aquele perfil que argentino gosta.

E aí tem o Agüero, que é bom de bola. E mostra também que é raçudo e... polêmico? A declaração de Agüero pode ter os seguintes efeitos:

- Motivar o time argentino. O problema é que a Argentina não é exatamente uma seleção desmotivada, mas sim carente tecnicamente. Mas uma motivação não serveria também para que os jogadores superassem suas limitações técnicas? Sim. Mas quantos compram o espírito arrogante de Agüero? Até mesmo caras de garra como Tevez muitas vezes se mostram demasiadamente humildes diante dessas dificuldades.

- Motivar o Peru? Talvez se fosse uma final ou jogo decisivo para ambas as seleções. E não é. Essa partida é decisiva apenas para a Argentina. Mas os peruanos são lanternas das eliminatórias e não acredito que "ser a seleção que tirou a Argentina da Copa do Mundo" tenha algum significado hoje em dia. Hoje em dia jogador pensa mais em si mesmo, no seu bolso, no clube...

Também é pauta para discussão os efeitos que uma classificação heróica pode ter a Seleção Argentina. Mas isso é assunto para outra hora.

A pergunta do momento na verdade é... Agüero tem condições de ser um cara representativo como seu sogro foi? Não quero comparar Agüero a Maradona nem sugerir que Agüero possa vir a ser tão bom quanto Maradona. Apenas acredito que este é o caminho que um jovem jogador tem que seguir se quiser ser ídolo do seu povo, como Dieguito foi um dia.

E a Argentina vai precisar disso na Copa... de 2014!

A vida imita o vídeo...
28/09

Certa vez, não lembro bem quem, mas acho que João Havelange ou Joseph Blatter, disse que se fosse utilizado o recurso eletrônico para eliminar os erros de arbitragem, seria melhor acabar com o futebol, pois isso acabaria com a discussão - aquele bate-papo do dia à dia sobre o gol impedido que Túlio marcou em cima do Santos e deu o título brasileiro ao Botafogo ou a falta vergonhosa de Fábio Costa em Tinga que Márcio Rezende de Freitas não apitou, o que pode ter definido o Campeonato a favor do Corinthians. Sinceramente, não pode haver ideia mais absurda. Fazendo uma analogia radical, seria como você ser contra a sistemas de segurança que inibem a violência, pois isso acabaria com o bate-papo na padaria sobre como os grandes centros urbanos ficam cada vez mais violentos. Não tivéssemos erros de arbitragem, poderíamos ter resultados sensivelmente diferentes em torneios importantes como, por exemplo, as Copas do Mundo de 1962, 1966, 1982, 1986, 1990, 2002... isso é pouco? Ou é mais importante que num café qualquer em Roma dois italianos discutam o quanto foi absurda a expulsão de Totti nas oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2002 contra a Coréia do Sul?

É absurdo que a FIFA se mantenha conservadora e alheia ao advento da tecnologia no esporte que beneficia, entre outros, o hóquei no gelo, o basquete e o futebol americano, esportes que detém boa parte das quotas de patrocínio, de direitos de imagem e publicidade no mundo. Até mesmo o tênis, de origem britânica e conservador, a ponto de no Campeonato de Wimbledon ser permitido apenas uniformes brancos, aderiu às vantagens da arbitragem eletrônica. Por que o futebol não poderia fazer o mesmo?

Qual a minha opinião? Utilização de um árbitro auxiliar fora de campo com acesso a vídeo. Este auxiliar teria direito a chamar atenção do árbitro sempre que um lance duvidoso acontecesse ou que alguma infração equivocada fosse marcada - ou infrações deixassem de ser assinaladas. Isso somado a um chip dentro da bola e nas traves que ativassem sempre que a bola cruzasse totalmente a linha de gol. Simples, não?

Então por que não fazer o simples?

Porque a FIFA não quer. E pronto. Não pode ser por outra razão, uma vez que não existe motivos para isso. Qual o argumento? O que pode ser dito contra recursos eletrônicos que diminuiriam os erros no esporte? Porque ser contra é dizer que é a favor que os erros aconteçam em maior proporção.

Há o argumento de que o vídeo não é 100% correto. Que o ângulo pode desfavorecer, que tem lances que mesmo pelo vídeo não dá para se ter certeza. Mas e daí? O que é melhor? Você ter um recurso que pelo menos diminui os erros e auxilia em casos de dúvida ou não ter recurso nenhum, permitindo que os erros continuem se repetindo com alta frequência?

A tecnologia se desenvolveu para facilitar a vida do homem. Ou a FIFA não tem capacidade de entender isso ou não quer pelo simples fato de todo mundo querer - um posicionamento do tipo "aqui mando eu". E parece que esta é a hipótese mais certa. Isso é que eu chamo de trabalhar pelo bem do jogo...

E o Nelsinho?
21/09

Mais uma vez as coisas acabam de maneira obscuras. Foi muito estranho que, em 2007 apenas a McLaren fosse punida pelo escândalo de possíveis roubos de projetos de carros da Ferrari, beneficiando assim Fernando Alonso e Lewis Hamilton. E desta vez o mesmo ocorre com a Renault e o tal Escândalo de Cingapura. Tudo começou com uma denúncia de Nelsinho Piquet e acabou com demissão de Flavio Briatore, o tal cérebro da sabotagem, que também foi banido da Fórmula 1 por dois anos. Mas e o Nelsinho? E a Renault? Não serão punidos?

Para se ter ideia, em 1980 Paolo Rossi foi punido por dois anos do futebol profissional. Ele jogava pelo Perugia, que participou de um esquema de compra de jogos. Rossi não tinha nada a ver com o escândalo, mas, sabendo, não o denunciou. Ao invés disso, desandou a fazer gols. Quando descoberto, acabou como cúmplice e foi punido.

Da mesma forma que Nelsinho deveria ser punido. É importante salientar que Nelsinho tinha escolha. Ele tinha a opção de não causar o acidente - aliás, acidente que poderia colocar em risco sua vida e a vida de outras pessoas. Tudo bem que, como réu confesso e disposto a entregar os demais culpados, Nelsinho tenha benefícios judiciais. Mas isentá-lo totalmente de culpa e punição é demais. Assim como a Renault, que se beneficiou do esquema. E não há porque achar que a culpa era apenas de Briatore. Se a Renault confiou em Flavio, deveria pagar pelo crime também.

O que parece é que a Federação Internacional de Automobilismo quer mais é colocar panos quentes sobre o escândalo e novamente fingir que nada aconteceu. Mas sem uma punição exemplar, que garantia temos que o mesmo problema não vai ocorrer? Será que ninguém aqui percebe que é o segundo grande escândalo que a Fórmula 1 vive em menos de cinco anos?

No final das contas, a FIA é tão relapsa que faz o STJD e a FIFA parecerem a utópica justiça perfeita. E quanto à Nelsinho, a pessoa... o piloto publicou uma declaração em seu site oficial que pode ser lida aqui.

É triste ver que Nelsinho joga toda a culpa em Flavio Briatore. Não que a parcela maior de culpa não seja do ex-chefão da Renault. Mas Nelsinho teve sua parcela de responsabilidade também. Ele aceitou entrar no esquema, e quando diz que estava abalado psicologicamente, isso não justifica que jogue toda a responsabilidade para Briatore. Pode explicar, claro - todos têm direito de errar, claro, e Nelsinho cometeu um erro. Acontece. Mas é necessário assumir o erro e arcar com as consequências, não se pronunciar como inocente, alegando que foi usado e pôr todo o ônus em outra pessoa. Se alguém estava no cockpit era ele. Nelsinho não dependia daquele emprego para viver. Não tirava seu ganha-pão dali. Ele tinha opção. Se recusar e ser demitido era a atitude mais desportiva que poderia ter tido.

Orquestra sem maestro – e sem solista
14/08

Dizem que a Argentina tem um grande time. Eu diria que neste momento a Argentina tem um possível grande time. Sérgio Agüero, genro de Maradona, ainda não se realizou no futebol. Carlos Tévez pintava como craque no Brasil, mas na Europa se mostra mais um jogador de muita garra, força de vontade e velocidade, mas longe de ser um dos principais jogadores do mundo. E vamos convir que caras como Ezequiel Lavezzi, Jésus Dátolo ou Diego Milito estão longe de ser o craque de ponta que uma Seleção como a Argentina precisa.

Então temos Messi, um ponta sem dúvida genial, rápido e habilidoso, capaz de improvisar jogadas. Mas sozinho ali, parado na frente. E o meio-de-campo? Quem vai levar a bola para Messi? Verón? Não era capaz há dez anos e duvido que seja agora. Maxi Rodríguez? Um bom meia-apoiador, mas para armador não serve. Battaglia? Estou falando sério. Dátolo? OK, parei por aqui.

Eu não quero... vejam bem... NÃO QUERO ter que fazer apologia a este cara. Não sou fã dele. Acho que ele está bem atrás de armadores como Ryan Giggs, Steven Gerrard, Frank Lampard, Kaká, Michael Ballack ou mesmo de David Beckham – sim, David Beckham, que só por ter pinta de galã de Hollywood acaba fazendo muita gente torcer o nariz. Mas a Argentina sente falta de Juan Román Riquelme.

Não acho que Riquelme seja o craque que se diz aqui no Brasil – e, pelo que leio, o restante do mundo acha o mesmo, com exceção de metade da meia-dúzia de torcedores do Villareal, já que a outra metade não gosta dele. Mas ele é, definitivamente, um grande armador, com as qualidades necessárias para tal: visão de jogo, bom passe, bons lançamentos. Riquelme daria o equilíbrio que a Seleção Argentina não teve contra o Brasil.

Os motivos da saída de Riquelme são obscuros. Uns dizem que ele não gosta de Maradona – deve ser o único na Argentina, então. Diego diz que tentou falar com ele, mas ele não lhe atendeu. Tem gente que diz que Riquelme não quer jogar para não se queimar. E a torcida do Boca está do lado DELE, de Riquelme. Alguém viu a Argentina jogar alguma coisa? Realizar alguma jogada coletiva? Riquelme resolveria este problema.

Quando saiu um gol, foi num chutão de Dátolo. E o Messi arriscou alguns dribles... mas na hora de concluir... para quem passar? Uma boa Seleção tem que ter um centroavante que marque gols. Nem precisa ser bom de bola. Basta saber marcar – como é o caso de Luís Fabiano.

A verdade é que Diego Maradona, um dos meus ídolos, é um grande motivador. Uma figura simbólica, importantíssima. Um cara capaz de mexer com a moral de qualquer um. Mas muitos criticam sua falta de experiência, achando que o nome não deveria ser Maradona. Entre os críticos, Valdano, seu principal parceiro no título mundial de 1986. Pelo que se vê em campo, a Argentina não tem esquema de jogo. Mas a culpa é de Diego? Quem é seu assistente? Carlos Bilardo, técnico campeão mundial em 1986. Será que Bilardo não entende de futebol?

A meu ver, a culpa não é de Maradona nem de Bilardo, mas sim da atual geração do futebol argentino. A não ser que Riquelme volte...

Trocando pato por ganso
24/08

Faz um bom tempo, quero falar sobre esse sujeito chamado Paulo Henrique Lima, "o popular Ganso", como costuma dizer o locutor Milton Leite da SporTV. Desde que revelou Diego e Robinho, o Santos acredita nos projetos de categorias de base - tanto que desde os dez anos de idade o pequeno Jean Carlos Chera vem sendo tratado como futura estrela do time. Antes dele, no entanto, o Santos subiu para os profissionais a jovem revelação Neymar, um bom jogador que precisa de mais condicionamento físico e de menos pressão sobre seus ombros.

Essa pressão não existe sobre Paulo Henrique Lima, o que o torna o melhor jogador do Santos no presente momento. O Ganso é rápido, tem um bom passe e uma boa capacidade de finalização. E é veloz também. Me impressiona sua capacidade de encontrar até os menores espaços para fazer um passe a gol.

Me pergunto por que, então, Ganso ainda não sofre as costumeiras badalações - é bem menos badalado que Dentinho, por exemplo, embora seja na prática um jogador melhor. Por que chama-se tão pouca atenção a seu respeito na mídia. Seria por que joga no Santos? Não teria mais atenção jogasse no Corinthians ou Palmeiras?

Até o Obina consegue ganhar mais destaque. O que mostra como muitas vezes a mídia é tendenciosa a favor de centros maiores. Mas a meus olhos, Ganso é a melhor revelação de meio-campo desde Elano, que infelizmente se perdeu em mercados menores.

Tivesse marketing em cima, quem sabe voasse tão alto quanto seu "primo", o pato. Uma pena.

Dupla decepção
17/08

Com o fim do primeiro turno do Campeonato Brasileiro é possível uma triste constatação: dificilmente o Atlético Mineiro chegará ao título nacional. Aliás, dá para afirmar que é bem provável que o Galo sequer consiga uma vaga na Libertadores. O que realmente é uma tristeza. Desde seu primeiro e único título brasileiro, em 1971, o Atlético Mineiro vive quase-sucessos. Foi terceiro colocado em 1976, vice em 77, vice em 80, terceiro em 83, quarto em 85, terceiro novamente em 86, 87, 91, quarto em 94, terceiro em 96, quarto em 97 e vice em 1999. Em 2001 mais um quarto-lugar. Isso mostra o quanto o Galo se aproximou das primeiras colocações, sem atingi-la novamente jamais.

De 2002, ano em que ficou entre os oito primeiros colocados pela última vez, coincidentemente (?), último ano de mata-mata, para cá o Atlético vem colecionando insucessos.

Na Copa do Brasil o máximo alcançado foi a semi-final em 2000 e 2002. Alguém lembra qual foi a última vez que o Galo disputou a Libertadores? 1981? Voltar esse ano seria uma oportunidade. Parece que não vai acontecer.

E isso vem acontecendo em conjunto com Celso Roth. Mais um que engrena, parece que vai dar certo e de repente o time que está treinando cai de rendimento. O Atlético liderava o Campeonato. Quando caiu da ponta, não mais voltou. Agora caiu do G4. Será que volta?

Quantas vezes isso aconteceu a Celso Roth?

Curiosamente um atleta que sempre teve isso é o Diego Tardelli. Será que a história vai se repetir com ele?

Parece que ambos têm problemas a resolver. O Atlético precisa identificar seu problema histórico de cair de rendimento durante competições. O mesmo para Celso Roth, que sofre do mesmo mal. E não acredito que isso vá acontecer agora, com ambos juntos.

É triste ver que um clube com tanta mística em torno quanto o Atlético Mineiro não consegue atingi-la no Campeonato Brasileiro há quase 40 anos. Sua torcida, que torce até contra o vento, merece mais respeito.

Sinais de ingratidão
10/08

Esse assunto, embora esteja um pouco datado, estava na pauta para ser levado em consideração. Antes tarde que nunca... e, ainda assim, Tevez estreou pelo Manchester City este final de semana, tornando o assunto novamente à tona.

É inegável que Carlitos Tevez é ídolo de metade da equipe que trabalha no Complexo Fanático Esporte Clube. Assim como é inegável sua ingratidão e considerável falta de respeito para com seus empregadores - eu poderia mencionar a falta de respeito para com a torcida também, mas vou levar em consideração que, profissionalmente, o jogador não deve atenção à torcida, embora seja uma gentileza a qual todo jogador deveria se dar, devido ao apoio e carinho que uma torcida pode dar a um jogador. E Tevez sempre teve esse apoio e carinho.

Carlitos começou a jogar profissionalmente no seu time de infância, o Boca Juniors, onde jogava seu ídolo Juan Roman Riquelme. Foi com o Boca que venceu a Copa Libertadores de 2003 e a Copa Intercontinental (aka Mundial Interclubes) no mesmo ano. Era tido um ídolo na equipe, embora nem sempre tratasse a torcida bem. Quando sirgiu a oportunidade de atuar pelo Corinthians, Tevez deixou o Boca criticando clube e torcida, dizendo que a Argentina tratava mal seus ídolos. Após passagem pelo Corinthians onde foi muito bem, virou ídolo e saiu de bem com a torcida, transferiu-se para o West Ham United. Lá demorou a engrenar. Só pegou no arranque, no final da temporada. Mesmo assim teve todo o apoio da torcida, que se apaixonou pelo jogador. Até que surgiu a oportunidade de jogar pelo Manchester United, e Tevez simplesmente se recusou a voltar ao West Ham, mesmo para treinar, até que fosse trocado. Em seguida fez o mesmo no Manchester United, e não renovou o contrato, indo para o rival novo rico Manchester City.

Esse tipo de atitude mancha a carreira do jogador, que passa a ser visto como ingrato. E também como mercenário. Tanto que a própria torcida do Manchester City recebeu Tevez com uma faixa ironizando-o, colocando sacos de dinheiro em volta da imagem do jogador.

Tevez é um grande jogador. Tem muita garra em campo, briga por todas as bolas e por isso acaba conquistando a torcida. É aquele vulgo atleta que "dá o sangue". Continua sendo ídolo no Boca Juniors e no Corinthians. Mas precisa ter mais respeito por seus empregadores. Não pode sair fechando portas por onde passa. Foi com o Boca Juniors e o Manchester United que Carlitos conquistou suas maiores honras. Um pouco de gratidão, mesmo terminando um contrato, muitas vezes é um forte sinal de caráter.

O Brasil de chuteiras? Não... de touca e sunga
03/08

Enfim, um herói. Reconheçamos... desde que Manuel dos Santos foi o terceiro a tocar a borda da piscina em Roma, conquistando a primeira medalha brasileira na natação, um bronze, que o Brasil ama este esporte, o quinto que mais pódios olímpicos conquistou para o Brasil. São 11 ao todo.

No entanto, até 2008 tudo o que se tinha era uma porção de bronzes e algumas pratas. Muito se falava em Thiago Pereira, Kaio Márcio, Joanna Maranhão ou Fabíola Molina. Mas foi César Cielo Filho quem conquistou o primeiro ouro da história da natação olímpica brasileira, na prova dos 50m livres. O nadador, que diz ter abdicado de sua vida particular para se preparar para os jogos, saiu de Pequim com duas medalhas, tendo também um bronze nos 100m livres, a prova mais tradicional da história da natação. Esta semana durante o Mundial de Desportos Aquáticos de Roma, Cielo Filho, como é chamado no esporte internacional, tornou-se de fato o maior nadador olímpico da história do país, ao conquistar ouro nos 50m livre e nos 100m, com certeza o sonho de qualquer um que pula na piscina. Então agora temos o nosso nadador herói.

Mas o que se vai fazer quanto a isso? Coincidentemente na mesma semana, Thomaz Bellucci conquistou o Torneio de Gstaad, primeiro ATP para o Brasil desde 2004. Isso nos lembra imediatamente Gustavo Kuerten, que foi, de certo ponto de vista, uma espécie de Cielo. Não só por ter sido o maior destaque de um determinado esporte individual (já que Maria Esther Bueno parece ter sido esquecida), mas por ter chegado lá por suas próprias forças, sem apoio da estrutura deficiente da CBTênis. Cielo não conquistou suas medalhas por apoio da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, mas por seus esforços e dedicação individuais.

O Brasil deixou a onda de Guga escapar. Não aproveitamos a febre de tênis para formar novos tenistas, e agora estamos relegados a medianos que ganharão torneios ATP vez por outra.

E na natação? Quando Cielo parar, vamos viver das pratas e bronzes de Gustavos Borges e Fernandos "Xuxas" Scherers? Ou usar a lógica e aproveitar a febre do esporte para montar uma base?

Eu sinceramente acredito, pelo histórico do país, que será a primeira opção.

No alvorecer dos anos 2010
27/07

A década de 1990 viveu uma época efeverscente da Fórmula 1. Começou com dois títulos de Ayrton Senna, último grande herói brasileiro da categoria, e viu suas rivalidades com Nigel Mansell e Alain Prost atingir seu ápice. As temporadas 1992 e 1993, com títulos respectivamente de Mansell e Prost, e vice de Senna, foram esperaculares - para muitos a de 1993 foi a melhor de todos os tempos. Em 1994 veio o acidente fatal de Ayrton Senna e o surgimento de nova rivalidade, entre Michael Schumacher e Damon Hill. A temporada 94 só foi decidida na última prova, quando Schumacher jogou vergonhosamente seu carro em cima de Damon Hill e não foi punido. A temporada seguinte teve o bicampeonato de Schumacher, com mais um vice de Damon Hill. Em 1996 finalmente Hill foi campeão - Schumacher vice. E o alemão repetiu o posto em 1997, para título de Jacques Villeneuve, e em 1998 e 99, com bicampeonato de Mika Hakkinen.

Este título do Hakkinen há dez anos atrás representou também uma queda no equilíbrio da Fórmula 1. Nas cinco temporadas seguintes Michael Schumacher venceu o campeonato sem grande concorrência. As duas temporadas subsequentes ao último título de Schumi, 2005 e 2006, tiveram um pouco mais de emoção - mas mesmo assim os títulos de Fernando Alonso foram de certa forma fáceis.

De lá pra cá a coisa mudou - e muito. A temporada 2007 foi resolvida na última prova. E a 2008 na última curva!

A temporada atual então parecia que seria fácil, com a Brawn GP e seus difusores mandando ver e Jenson Button se credenciando ao título, vencendo seis das sete primeiras provas da temporada. Mas a Red Bull, ou RBR, começou a se manifestar. Sebastian Vettel venceu duas provas e Mark Webber uma. Button tem pontuado pouco nas últimas provas. Ainda é favorito, mas o campeonato está aberto.

Depois de cinco anos de dominação alemã, a Fórmula 1 vê a década de 2000 encerrar tão efeverscente quanto o começo da década de 1990. E, para os anos 2010, a promessa de pilotos como Sebastian Vettel, Lewis Hamilton e Nico Rosberg.

As voltas que a bola dá
20/07

É interessante o quanto os antônimos estão próximos no futebol. Num chute, num passe ou num jogo você pode ir da glória à desgraça. Um segundo de jogo pode significar a maior vitória da sua história ou a maior derrota de todos os tempos.

No momento esses valores inversos têm endereçamento: o Fluminense Futebol Clube.

Há um ano o Tricolor vivia o melhor momento de sua história, jogando a final da Libertadores. E tinha feito o possível e impossível para chegar ali. Através de sua patrocinadora, a Unimed, montou um time impecável. O Fluzão tinha um zagueirão, o Thiago Silva; um jogador experiente, o Roger; um volante seguro, o Arouca; um volante com poder ofensivo, o Cícero; um meia veloz, Conca; um atacante matador, Washington, um reserva de luxo, Dodô; e um craque, Thiago Neves. Até o contestável goleiro Fernando Henrique vinha se superando e tendo grandes atuações. E, claro, também havia um técnico falastrão, o Renato Gaúcho.

A campanha na Libertadores foi heróica. Uma primeira fase perfeita e a melhor campanha do torneio, garantindo direito de decisão de tudo em casa; pelo caminho, eliminou os badaladíssimos São Paulo, três vezes campeão, e Boca Juniors, seis vezes campeão. A final seria contra a anônima LDU, e ainda assim vinha sendo heróica. Depois de perder por 4x2 fora de casa e começar perdendo por 1x0 em casa, virou para 3x1 com uma partida espetacular de Thiago Neves e levou o jogo à disputa de pênaltis.

Tivesse vencido a Libertadoes com esse time, o Fluminense teria ganho uma belíssima premiação - 5 milhões de dólares - e iria para o Mundial de Clubes, onde teria à sua disposição mais uma grande premiação - no mínimo 2 milhões de dólares, caso perdesse a semi-final e a disputa de quarto-lugar, mas que poderia chegar a 4 milhões fosse vice-campeão ou mesmo OITO MILHÕES com o título.

Mas quando Washington bateu o quarto pênalti Tricolor fraquinho, no meio do gol, para a defesa tranquila de Cevallos, o sonho acabou e o Fluminense perdeu o baladado título. O clube vinha mal no Brasileirão, mas o técnico Renato Gaúcho declarava que iria "brincar" no Campeonato após vencer a Libertadores. A princípio, a reação da torcida foi de apoio e muitos falavam no discurso da volta por cima, de que o Fluminense voltaria à Libertadores no próprio Brasileirão 2008 para desta vez vencê-la em 2009. A realidade, entretanto, foi outra. O Brasileirão foi um fracasso e o rebaixamento por pouco não aconteceu - até Renê "Psiquiatra" Simões teve que ser chamado para salvar o clube.

O ano de 2009 começou e, enquanto Simões fazia seu trabalho, Parreira sinalizou que estaria disposto a voltar ao futebol. Então o Fluminense e sua patrocinadora, a Unimed, decidem tirar Simões da parada e tentar Parreira. Nisso Thiago Neves volta por empréstimo após uma passagem fracassada na Alemanha. Nada aconteceu. O Fluminense fez um Estadual do Rio - convenhamos, campeonato de nível baixo - patético e foi eliminado da Copa do Brasil. No Brasileirão a campanha ruim derrubou Parreira. E continua ruim, com o clube na zona de rebaixamento. E a torcida pede a renúncia do vice-presidente Horcades e o fim da parceria com a Unimed.

Incrível como alguns pênaltis errados podem mudar não apenas o jogo, mas o futuro.

Primeiros erros
13/07

O Corinthians nem bem ganhou a Copa do Brasil que já começou a fazer besteira, pensando na sua grande obsessão, a Libertadores 2010: cogita a contratação de Juan Román Riquelme junto ao Boca Juniors.

Afinal, o que vale mais no futebol? O time todo ou uma estrela individual? De que adianta tentar jogar a Libertadores com um grupo rachado? Porque trazendo Riquelme é isso que acontece.

Riquelme é um atleta com sérios problemas de relacionamento por onde passou - Boca Juniors, Barcelona, Villareal... e os problemas não são apenas com os jogadores, mas com todo o clube - do porteiro aos dirigentes. Muitas vezes se recusa a falar com outros atletas e tem crises de estrelismo a ponto dele próprio convocar entrevistas para depois dizer aos repórteres que não tem mais interesse nelas.

Aí o Corinthians vem sonhando em trazer um atleta desses? Não digo que Riquelme seja ruim e não valha o investimento. Mas num clube que é sempre uma bomba prestes a explodir, trazer combustível para o fogo não é se arriscar demais?

Velha obsessão
06/07

Até parece a música do Lulu Santos: "Outra vez a mesma história, volta sempre a acontecer". É mais ou menos isso que penso quando penso no Corinthians na Libertadores. E ano que vem, teremos mais Timão no torneio continental, afinal de contas, o Coringão acaba de vencer a Copa do Brasil 2009, o atalho mais curto para a Libertadores.

Por mais que o time seja bom, e ele era simplesmente espetacular em 1999,  psicologicamente o Timão não avança na Libertadores.

Logicamente falando, não se encaixa. O time de 1996 nada tinha a ver com o de 1999/2000, que nada tinha a ver com o de 2003 que, por sua vez, nada tinha a ver com o de 2004. Eram todas equipes completamente diferentes. Então como um elenco em 2006 pode ser afetado psicologicamente por uma derrota humilhante que aconteceu em 1996? Simples: pressão.

Quando o Corinthians foi eliminado pelo Boca Juniors em 1991, nem foi tão doloroso. A Libertadores, embora fosse um torneio importante, ainda não era a grande obsessão de todo clube brasileiro. Só após 1992 e 1993, com o bi-campeonato do São Paulo, absurdamente lucrativo em termos financeiros e de imagem, é que os clubes acordaram de vez para a importância da Libertadores. Não que, antes disso, não se desse valor. Os títulos do Santos em 62 e 63, do Cruzeiro em 76, do Flamengo em 81 e do Grêmio em 83 foram obviamente reconhecidos, valorizados, festejados, tudo que se tem direito. Mas o clube brasileiro ainda não se voltava completamente para a Libertadores, até pelas dificuldades que a competição representava, o que só melhorou nos anos 90.

Daí pra frente a coisa mudou. A Libertadores passou a ser enxergada como um grande campeonato. São Paulo ganhou duas vezes e fez mais uma final. O Grêmio tornou a vencer em 1995, com batalhas antológicas contra o Palmeiras pelo caminho. Mas sempre que chegou lá, o Corinthians, por coisas do esporte, não a ganhou. Em 1996 foi humilhado pelo Grêmio em casa ao tomar 3x0. E mesmo assim, mesmo naquela época, a situação ainda não havia se tornado tão séria - tanto que, com o clube apanhando de três em casa, a torcida Fiel, de bem com o time, começou a gritar "É CAMPEÃO!" festejando o título brasileiro de basquete que o clube havia acabado de conquistar.

Mas depois de 1999 a coisa ficou séria. O Palmeiras tornou-se o terceiro clube paulista a vencer uma Libertadores. E, dentre os quatro grandes, apenas o Corinthians não a tinha/tem. Daí começou toda a pressão. Por parte de imprensa, de torcida, de rivais, etc.

Não fosse o bastante, ano que vem o clube ainda completa 100 anos, tema que será abordado mais para frente. Mais motivo para pressão, uma vez que conquistar o campeonato no centenário aumentará a obsessão de torcida, imprensa, direção...

E o jogador, que nada tem a ver com os times de 1996, 1999/2000, 2003 e 2006 vai ter que aguentar uma pressão que existe porque outros, não ele, amarelaram quando tiveram nos pés essa mesma responsabilidade.

Dominação gaúcha
29/06

Depois do Internacional da década de 70 e dos breves anos de dominação gremista nos anos 80 e 90, o Rio Grande do Sul volta a dominar o cenário do futebol nacional. Duvida?

A década de 2000 vinha mal para os clubes gaúchos. O Internacional vinha brigando contra o rebaixamento, que quase aconteceu em 2002. E o Grêmio, após uma Copa do Brasil ganha em 2001 e uma semi-final de Libertadores disputada em 2002, vivia os anos mais negros de sua história, em pleno centenário, sendo quase rebaixado em 2003 e consumando o rebaixamento em 2004.

Que diferença para o que se vê atualmente. Apesar do rebaixamento do Juventude em 2007, o futebol gaúcho nunca esteve tão bem. O Grêmio reverteu sua situação sendo campeão da Série B em 2005 - mesmo ano em que o Internacional foi vice-campeão Brasileiro. No ano seguinte o Inter ganhou Libertadores e Mundial, com mais um vice-campeonato Brasileiro, enquanto o Grêmio, de volta à Série A, já chegou disputando os primeiros lugares e ganhando vaga na Libertadores, que disputou em 2007, chegando ao vice-campeonato. Em 2008 os gremistas por pouco não ganharam o Brasileirão, ficando com o vice-campeonato. E o Internacional? Venceu a Sul-Americana.

E no presente momento, temos o Colorado, vice-líder do Brasileirão, na final da Copa do Brasil enquanto o Grêmio joga mais uma semi-final de Libertadores.

É o futebol gaúcho dominando novamente o cenário do futebol nacional.

Tri-legal, chê!

Explicando a Itália
22/06

O treinador era e é o Lippi. E assim como estavam, ainda estão lá Buffon, Cannavaro, Grosso, De Rossi, Gattuso, Toni, Gilardino, Amelia, Iaquinta, Camoranesi, Zambrotta e Andrea Pirlo. Então por que a Itália fracassou de forma tão humilhante na Copa das Confederações? Eu que apostei neles em 2006 deveria explicar, não? Bom... talvez eu até tenha uma explicação, se é que ela vai servir para alguma coisa. Mas posso começar afirmando que de lá para cá não mudou muita coisa, conforme os jogadores que estavam lá e estão aqui confirmam. Então o que houve? CHE CAZZO HOUVE? Simples. A Itália não é grande coisa... e lá, na época, também não era.

Para mim o grande fator da Itália ter vencido a Copa foi a defesa. Isso em parte pelo trabalho de Cannavaro, Zambrotta e Grosso. Destes três apenas Grosso não estava em campo ontem. E não ache que Materazzi faça toda essa diferença - mas melhor que o tal Chiellini ele é.

Só que em 2006 a Itália não tinha um grande craque ou mesmo um jogador que decidisse jogos. Do meio para frente, Pirlo, o melhor da Itália, foi apenas mediano. Totti não joga grande coisa faz tempo. Toni, Del Piero, Iaquinta e Gilardino se revezavam na função de marcar gols e, vez por outra, ser decisivo. O que acabou fazendo diferença para a Itália em 2006 foi a união em torno de um momento ruim que o futebol que o país vivia. Isso fez com que os jogadores, motivados pelo interesse comum, acabassem se superando. Foi mais ou menos o mesmo que aconteceu com a Alemanha. Eles tinham algo a provar e fizeram disso sua principal motivação.

E agora que esse feitiço acabou, a Itália voltou a ser o que é. Um futebol em decadência. Clubes em crise, perdendo as principais estrelas e vendo o futebol inglês e espanhol se distanciar cada vez mais.

Esperemos outros 24 anos.

Conheça seu inimigo
15/06

Então chegamos a mais uma Copa das Confederações. Alguém duvida do quanto este torneio é inútil? Então, tenha uma prova: na verdade, sua primeira edição deste Campeonato foi organizado pela Federação Árabe Saudita de Futebol, e não pela FIFA. Teve apenas quatro convidados: o Campeão Sul-Americano, a Argentina; o Campeão Centro-Norte-Americano, os Estados Unidos; o Campeão Africano, a Costa do Marfim; e o país sede, ela, a Arábia Saudita. Era conhecido como Copa do Rei e foi realizado pela primeira vez em 1992, com vitória da Argentina.

E segunda edição incluía o Campeão Europeu, a Dinamarca, e o Asiático, o Japão. Foi vencido pela Dinamarca, em final contra Argentina. E aconteceu em 1995.

Ambas as edições ocorreram, obviamente, na Arábia Saudita.

Dois anos depois a FIFA assumiu o torneio. Ele passou a se chamar Copa das Confederações e seria bienal, acontecendo sempre em anos ímpares, em que não possuem Copa do Mundo nem Jogos Olímpicos. Disputariam o torneio o campeão de cada confederação continental, o campeão do mundo e o país-sede. Em 1997 o torneio aconteceu ainda na Arábia Saudita. E a Seleção Brasileira o conquistou. A Alemanha, campeã europeia, se recusou a participar, cedendo sua vaga à República Tcheca, vice-campeã.

Logo ficou acordado que, nos anos em que acontecesse em véspera de Copa do Mundo, o torneio seria realizado no mesmo país-sede do Mundial. Assim a Copa das Confederações aconteceu no México em 1999, com título da seleção da casa em final contra o Brasil - a França, campeã mundial, se recusou a participar, sedendo a vaga ao vice-campeão mundial, o Brasil, que por sua vez cedeu a vaga sul-americana à vice-campeã da Copa América, a Bolívia; e em 2001, como era de se esperar, a sede foi a mesma da Copa que aconteceria no ano seguinte: Coréia do Sul e Japão. Foi nesse torneio em que Leão foi demitido, após levar uma Seleção Brasileira C (cujo capitão era o volante Leomar, do Sport Recife, e ainda tinha Gustavo Nery, Robert, Carlos Miguel, Evanilson, Cláudio Caçapa, Washington, Magno Alves e Fábio Costa como terceiro goleiro). O Brasil conseguiu proezas como empatar em 0x0 com Canadá e Japão e perder por 1x0 para a Austrália na disputa do terceiro lugar. A França foi campeã.

A própria França sediou e venceu a edição seguinte, em 2003. Nesta o Brasil levou um time B e não passou nem da primeira fase, perdendo para Camarões por 1-0 e empatando com a Turquia em 2-2. Na semi-final deste torneio o camaornês Marc-Vivian Foé morreu de infarto em campo.

Após a edição 2003 caiu a ficha da FIFA que o torneio era uma grande perda de tempo, e ele foi reorganizado. Passou a acontecer a cada quatro anos, sempre no ano anterior a Copa do Mundo, na mesma sede do mundial, funcionando como uma espécie de mini-prévia da Copa do Mundo. Neste formato, em 2005, na Alemanha, o Brasil foi campeão massacrando a Argentina por 4-1 na finalíssima.

Taí. Grande utilizade.

Que Dunga tire algum proveito: use o campeonato para conhecer melhor a Itália e a Espanha, dois rivais em potencial para a Copa do Mundo, que acontecerá ano que vem.

Por que alguém contrararia Obina?
08/06

Fala sério. Isso não é uma pergunta retórica. Eu realmente espero que alguém me responda. Por favor. POR FAVOR! Se existe alguém na linha, se tem alguém no ar, por favor responda agora, não me faça esperar: por que alguém contrataria Obina? Ainda mais um clube disputando fase final de Copa Libertadores e com um ótimo treinador, Vanderlei Luxemburgo. Um cara que interfere nas contratações.

Então por que alguém contrataria Obina? Eu sou sincero. Eu falo sério! POR QUE DIABOS ALGUÉM CONTRATARIA OBINA?

Esse cara, o Obina, pode marcar o gol do título na prorrogação da finalíssima entre Palmeiras e Estudiantes que eu vou continuar perguntando por que diabos alguém contrataria Obina!

E esta coluna não vai evoluir além disso. Quando li passei dois dias achando que era uma piada de mau gosto, até que o cara entrou em campo com a camisa do Palmeiras pela Libertadores e... HEIN? Era verdade! Eu realmente me forcei a acreditar que tudo aquilo, a apresentação, ele vestindo a camisa do Palmeiras para a imprensa, etc., era só uma PEGADJINHA DO MALLANDRO! RÁ! GLU GLU!

Mas não era...

Caras... não acredito. Afinal, por que alguém contrataria Obina?

Espécie em extinção
25/05

Com a aposentadoria de Paolo Maldini do AC Milan e do futebol, o esporte perde mais que um grande zagueiro - para mim, aliás, o maior e melhor zagueiro de todos os tempos. Perdemos mais um raro exemplar de uma espécie que cada vez mais some dos nossos gramados. E o pior: não se renova. Agora, que eu me lembre, temos apenas mais dois exemplares dela em atividade, que são Ryan Giggs, Raúl e Ronaldo.

O exemplar ao qual me refiro não é nem aquele clichê do do jogador "fiel" a um determinado clube, embora tanto Maldini quanto Giggs e Raúl se encaixem nesse padrão - mas Ronaldo não se encaixa, logo não teria porque citá-lo como exemplo. Me refiro ao jogador que realmente tenha características clássicas do jogo de futebol, que parecem ter sumido completamente depois dos anos 90.

Maldini era um zagueiro limpo capaz de dar um carrinho e retirar a bola dos pés de um adversário sem ao menos tocar seu tornozelo, de exercer uma marcação adiantada com eficiência e de, conscientemente, apoiar o ataque em escanteios e determinadas jogadas ofensivas em momentos em que a defesa não ficava desguarnecida. Talvez alguém que se aproxime nos dias de hoje sejam Lúcio ou John Terry, mas mesmo assim não se igualam ao ex-milanista. E eu não me refiro à qualidade técnica do jogador, porque aí eu poderia citar outro zagueiro que tem a mesma qualidade, que é Alessandro Nesta. Me refiro exclusivamente ao estilo de jogo clássico detido por poucos hoje em dia. O melhor exemplo disso, Zinedine Zidane, parou há três anos.

Os jogadores ficam cada vez mais industrializados. Não que sejam ruins. Continuam sendo bons, alguns excelentes. Mas realmente fica cada vez mais difícil olhar para o campo e ver um meia que tenha visão de jogo e precisão perfeita no passe, lançamentos e cruzamentos; um atacante que se volte para o gol, mas que tenha visão para se livrar da marcação, que se posicione corretamente ou que marque a saída de bola; e principalmente um zagueiro como Paolo Maldini, que eu já tentei, no parágrafo acima, descrever com minhas palavras limitadas.

"Ronaldinho!"
18/05

Começou o rolo. O tal do Ronaldinho disse que quer seguir os passos do Ronaldo e voltar ao Brasil. E o problema não é nem ele querer voltar. O cara tem direito, afinal, faz tempo que sua enganação parou de funcionar na Europa - e aqui, como todos sabemos, funcionaria muito bem. Até aí, beleza. O problema é essa manifestação de gente daqui dizendo que quer trazer o cara. O Flamengo primeiro declara que quer trazê-lo e pergunta "Por que não?" Só para depois desdizer, afirmar que nunca declarou isso. Já o São Paulo diz com todas as letras que quer o cara e Muricy ainda fala que voltar fará bem a ele, respirar novos ares, etc.

Que fique bem claro que o irmão e empresário de Ronaldinho, Assis, NÃO QUER nada disso. Ele insiste que Ronaldinho fique pela Europa e respira aliviado pelo fato de que a multa recisória do cara é alta e seu contrato vai até o meio de 2011. E depois? Duvido que o Milan renove. Ele vai para onde? Manchester City? Só se for. Porque se tivesse de ir para a Arábia, já teria ido. E ninguém mais na Europa vai querer pagar fortuna por este cara.

Putz! Já estou até ouvindo o Pânico na TV botando algum malandro na rua pra dizer "Ronaldinho!" E a porcaria do bordão pegar de norte a sul do país, pro cara ouvir isso em todo lugar: escola, trabalho, faculdade, padaria... é pra ficar doido!

Direto da Copa de 2030
11/05

"A Alemanha finalmente conquista seu sexto título mundial. A Copa de 2030, comemorando os 100 anos da Copa do Mundo, não poderia ter sido melhor. O meia alemão José da Silva (aquele, ex-Corinthians, saiu aos 11 anos) foi eleito o Bola de Ouro da competição. Foi de da Silva o passe para o gol decisivo na final contra a Itália, marcado pelo atacante João Silveira (ex-Palmeiras, se não me engano), que driblou o goleiro italiano Carlos Costa (ex-Coritiba) e marcou já no final do segundo tempo, com o jogo empatado em 1x1. A Itália havia saído na frente com Marcelinho Paraná, de falta, ainda no primeiro tempo, matando as saudades dos torcedores do Vitória da Bahia, que costumavam vê-lo fazer isso nas categorias de base. E os alemães empataram no começo da segunda etapa com Chico Souza. Por sinal, Souza foi o chuteira de ouro, artilheiro da Copa com 5 gols. Quem diria que Chico, o Chiquinho, aquele garoto franzino que saiu do Flamengo aos 5 anos de idade, quando jogava no fraldinha, viraria um jogador forte e encorpado.

O Bola de Prata, segundo melhor jogador do torneio, foi o inglês Beto Pereira. Beto, volante promovido a meia, marcou 4 gols, entre eles os dois da vitória por 2x0 na disputa de terceiro lugar, vencida sobre os espanhóis. Por sinal, esse confronto promoveu um encontro interessante. Beto e Claudinho Almeida finalmente se enfrentaram. Ambos jogavam nas categorias de base do Corinthians até os 10 anos de idade, quando foram separados: o Timão negociou Beto com o Manchester United enquanto Claudinho foi para o Atlético de Madrid, onde jogou até os 12 e, ainda nas categoria de base, foi vendido ao Barcelona.

Já a Bola de Bronze foi honrada ao francês Eduardo Ferreira, que foi revelado pelo Palmeiras antes de ser vendido, quando tinha 11 anos de idade, ao Olympique de Marselha. Eduardo formou uma dupla de ataque infernal com Fabinho Gaúcho (aquele que era mirim no Internacional), mas os dois não foram suficientes para vencer o sensacional goleiro inglês Heriberto Araújo. A torcida do Flamengo deve lembrar-se de Heriberto, que foi o camisa 1 do Mengão na conquista do Estadual Sub10 de 2014, quando tinha apenas 9 anos de idade. Mas a Luva de Ouro de melhor goleiro da acabou mesmo com o alemão Leandro Pinto. Leandro fez história no time fraldinha do Cruzeiro quando, com 5 anos de idade, venceu o Mundial Interclubes Fraldinha, em cima do Villareal. No mesmo instante sua negociação com o clube espanhol foi acertada, mas o Villareal o transferiu para o Hamburgo para pagar uma dívida pela compra do brasileiro naturalizado alemão Luciano Barbosa, outro ex-Flamengo, que na época tinha 11 anos - e hoje, aos 18, jogou pela Espanha neste Mundial.

Duas seleções promissoras sem dúvida são o Qatar e a Nova Zelândia. Ambas avançaram às oitavas de final. O Qatar vinha muito bem com o meia Márcio Melo liderando a equipe, mas parou na Holanda de Paulo Azevedo (aquele, ex-São Paulo, que saiu do Morumbi aos 9 anos de idade, transferido para o Ajax). A Nova Zelândia, que tinha os irmãos Reinaldo e Renato Correia, ambos ex-Vasco, surpreendeu ao eliminar na primeira fase a Ucrânia, da decepcionante promessa Ricardo Cunha - lembram do Ricardo? Foi infanto-juvenil no Mengão! Mas os neozelandeses não puderam com a Coréia do Sul de Naibson Alves e Maicon Silva Júnior. Naibson não lembro dele, mas acho que jogou no Sport Recife até os 5 anos. Já o Maicon Júnior era o Juninho, aquele que o Fluminense vendeu quando completou 11 anos, junto com seu irmão, Marlon Silva Neto, o Netinho, que chegou a jogar pela Croácia nas eliminatórias, mas não foi suficiente para classificar seu país ao Mundial.

Infelizmente a Seleção Brasileira também não participou desta Copa. A exemplo de 2026, não tínhamos jogadores com nacionalidade brasileira suficiente para montar uma Seleção. Fica pra próxima, quem sabe.

Adianto duas seleções que devem detonar em 2034: a Bielo-Rússia e os Emirados Árabes Unidos. Ambas ficaram de fora desta copa, mas tem duas sensações juvenis que estão dando o que falar. O bielo-russo Serginho Pereira foi artilheiro do último Mundial Sub15 e levou seu país à semi-final. Já os Emirados Árabes chegaram às oitavas graças às boas atuações do goleiro José Carlos Costa. Não podemos esquecer que a Bélgica, do ex-Figueirense Tiago Lima, foi a campeã mundial sub15, depois de vencer, nos pênaltis, o Uzbequistão do zagueiraço Aurélio Castro.

É bom se classificar para 2034 sem precisar de repescagem. Se a Seleção Brasileira for à repescagem e pegar alguma dessas seleções listadas acima, ou ainda o Bahrein de João Fernandes, a coisa vai complicar!

Força, Brasil! Vamos parar de vender a molecada e botar esses garotos para jogar na Seleção Principal! Não aguento mais comemorar apenas títulos Sub11, Sub8 e Sub5!

Stefan Lorax,
Diratamente da Malásia, da Copa Centenária de 2030".

Com a quantidade de jogadores brasileiros que vêm sendo naturalizados para atuar por outras seleções, não duvide que esta coluna venha a ser verdade para as próximas décadas.

Ronaldo? Ronaldo!
04/05

Nunca a piadinha do pânico fez tanto sentido. Nunca Ronaldo foi mania tão grande no Brasil - nem mesmo quando foi o herói do penta em 2002. Talvez só em 1998, quando ele foi o grande fracassado na França, seu nome foi tão falado no Brasil. E isso chega a ser óbvio. Como um jogador do Real Madrid ou da Internazionale seria mania no país? Tudo bem que valorizamos nossos craques que jogam no exterior. Mas a distância e o longo tempo sem vê-los de perto acabam esfriando essa relação. Em geral o brasileiro valoriza mais Obina e Thiago Neves a Kaká ou Alexandre Pato, porque são Obina e Thiago Neves que atuam aqui.

Os questionamentos com Ronaldo, obviamente, sempre foram outros. No PSV Eindhoven Ronaldo disputou 45 partidas e marcou 42 gols. No Barcelona foram 34 gols em 37 jogos. Na Internazionale foram 49 gols em 68 jogos. No Real Madrid, de onde saiu como um gordo fracassado, Ronaldo marcou 83 gols em 127 jogos. E no Milan foram 9 gols em 20 jogos. Pela Seleção Brasileira foram 62 gols em 97 jogos. E aqui no Corinthians? São 11 jogos e 9 gols marcados. Os números, por onde quer que Ronaldo passe, são impressionantes. É até estranho ver jornalista que sempre apoiou Ronaldo dizer que não acredita nele quando ele assinou com o Corinthians. Porque, em termos de desempenho, o Fenômeno nunca esteve por baixo. Na Copa do Mundo de 2006, sua grande derrocada, foram cinco jogos e três gols. Não é ruim. É exatamente o mesmo número de Romário na Copa de 94 até as quartas-de-final.

A crença em Ronaldo se motiva por outro fundamento. O quanto Ronaldo pode jogar - em termos de quantidade, não de qualidade? Quanto ele resiste? O cara sofreu uma queda em Curitiba e quase matou todos do coração. Na véspera da final sentiu dores e seu nome para a decisão esteve questionado. No final das contas ele jogou. Mas quando ele tomar outra pancada no joelho? A capacidade de Ronaldo só pode ser questionada fisicamente.

Em campo? Um cara de quase 100kg arranca em velocidade e marca um gol no São Paulo com uma facilidade que Neymar, de 17 anos e levinho, magrinho, não faria. Que fique claro que esses nove gols de Ronaldo no Corinthians aconteceram todos em jogos decisivos. No empate com o Palmeiras, nas duas vitórias do São Paulo na semi-final, na vitória contra o Santos na final onde o Corinthians venceu o título. Podemos dizer que Ronaldo ganhou esse título para o Corinthians. Não que o time não tivesse ganho sem ele. Talvez tivesse - embora eu ache difícil. O investimento foi justificado.

Mais uma vez o cara conseguiu. E calou a boca de quem apostava contra ele. Isso inclui o Fanático Esporte Clube.

Ronaldo!

Confronto desigual
27/04

Muita gente cai na besteira de, em eventos como este Santos x Corinthians, centrar-se nas principais figuras do jogo e estabelecer um duelo particular. No caso, Neymar x Ronaldo. Tal acepção já começa idiota quando você se toca que não pode haver um Neymar x Ronaldo quando os dois vão passar maior parte do jogo em locais opostos. Como vamos ter um Neymar x Ronaldo sem confronto direto entre ambos? Seria mais lógico um Neymar x Chicão ou um Fabão x Ronaldo. E se você parar para pensar, Neymar tem um futuro promissor, mas ainda está começando. Não ganhou nem Copa São Paulo de Juniores. Ronaldo é um cara com Copa do Mundo, Copa da Uefa, Copa da Itália, Campeonato Espanhol, três prêmios de Melhor do Mundo pela FIFA e clubes como PSV, Barcelona, Internazionale, Real Madrid e Milan no currículo.

Mas não vou entrar nesses méritos sobre Ronaldo e Neymar, afinal, o próprio Neymar não tem culpa disso. E pode, por que não, vir a superar Ronaldo.

O caso que vou comentar aqui é outro. Em 2005 Tevez chegou à MSI, vulgo Corinthians. E no primeiro confronto Corinthians e Santos, começou um papo de Tevez x Robinho. E na mesma hora pensei... quais os confrontos diretos entre Tevez e Robinho que foram realizados até ali? A Libertadores em 2003 e o Pré-Olímpico em 2004. Tevez venceu ambos. O que Robinho tinha conquistado na carreira? Dois brasileiros, sendo Bola de Ouro em um deles. E tinha fracassado numa Copa Ouro e num Pré-Olímpico. E Tevez? Uma Libertadores, um Mundial Interclubes, uma Copa Sul-Americana, um Campeonato Argentino, um Campeonato Sul-Americano Juvenil e uma medalha de ouro Olímpica. E foi o melhor jogador da Libertadores 2003 e dos Jogos Olímpicos.

Hoje Tevez está no Manchester United onde conquistou uma Liga dos Campeões. Já Robinho é jogador contestado no Manchester City. Será que a Inglaterra faz o mesmo Tevez x Robinho no dérbi de Manchester? Não. Porque isso seria estúpido. Aliás, já era cinco anos atrás. A mídia brasileira adora mesmo um confronto desigual...

Só faltou o tema da vitória
20/04

Venho aqui registrar um protesto contra a Rede Globo de Televisão pela falha cometida durante a transmissão do Grande Prêmio da China neste domingo. Eu tive que aguentar os comentários de Luciano Burti a corrida toda para, no final das contas, ver o Nelsinho Piquet atravessar a linha de chegada sem que fosse executado o tema da vitória. COMO ASSIM? Ah, claro! Senna vencia, tinha tema da vitória. Rubinho, bem, vencia uma vez a cada quatro anos, tinha tema da vitória. Massa vence, tem tema da vitória. Mas e para Nelsinho Piquet?

Tudo bem que Nelsinho chegou em último lugar! Mas e daí? Ora! Terminar uma corrida para o Nelsinho é uma vitória! Cadê o tema da vitória? Ah, OK, Nelsinho tomou umas 50 voltas a corrida toda. E daí? Pararam para pensar que Nelsinho tomou essas 50 voltas e em nenhuma delas causou um acidente? E o mair importante de tudo: Nelsinho rodou por volta de 100 vezes na prova. E em nenhuma delas abandonou a corrida!

Por que a Rede Globo não enxergou que, com tudo isso junto, o Grande Prêmio da China foi uma verdadeira vitória para Nelsinho Piquet? O cara já abandonou dez corridas na carreira. Termina uma, merece uma celebração, não acham?

Parabéns, Nelsinho! A gente toca o tema da vitória pra você!.

Acabou o combustível
13/04

Sabe quando você vai dirigindo e, de repente, a luz que indica que a gasolina, ou o álcool, já entrou na reserva, acende? Aí você tem que abastecer de qualquer jeito, ou vai acabar ficando na rua por falta de combustível - coisa que Rubens Barrichello entende muito bem. Pois bem. A parceria entre Flamengo e Petrobras vivia justamente essa situação.

Não há como pensar numa relação entre clube e patrocinador e não ligar exatamente a Flamengo e Petrobras. Nenhuma parceria nunca foi tão duradoura. Enquanto certos clubes mudam de patrocínio a cada ano - ou a cada jogo, caso do Corinthians... - o Mengão mantinha a marca da maior empresa do Brasil a nada mais, nada menos que 24 anos. A última vez que o Flamengo entrou em campo com a camisa lisa, sem nenhum patrocinador, foi no Campeonato Estadual do Rio de 1983. E nunca, jamais, houve outra marca estampada na gloriosa camisa rubro-negra.

Os mais desavisados, que não leram notícias nas últimas semanas, certamente foram pegos de surpresa quando ligaram a TV no domingo retrasado para assistir, através do pay-per-view, ao Fla-Flu, o mais charmoso clássico brasileiro, e viram a camisa do Flamengo limpa - que, esteticamente, fica MUITO mais bonita. Mas economicamente, não é viável. O problema no patrocínio da Petrobras era que, por se tratar de uma empresa estatal, a verba só seria liberado mediante a inúmeras negociações com o Governo Federal. Neste final de semana, mais uma vez um Fla-Flu, e o Mengão ainda sem marca na camisa.

Cheio de dívidas, o Flamengo agora busca um novo patrocinador. Vai ser estranho ver a sua camisa com uma outra marca. Mas que seja um combustível mais potente, para que o Flamengo possa voltar a ser o grande campeão que um dia foi.

Toda brincadeira tem um fundo de verdade
30/03

O futebol europeu atualmente monopoliza jogadores. Se uns saem do seu país assim que revelados, como é o caso do William, ex-Corinthians, ou do Alexandre Pato, e certamente vai acontecer com Keirrison, outros nem mesmo são relevados: saem antes, caso de Messi e Giovanni do Santos que foram ainda juvenis para o Barcelona.

Nesse cenário, o jovem Masal Bugduv foi revelado aos 16 anos na Moldávia, jogando pelo Olimpia Balti. E como todo craque moderno, Bugduv passou a fazer sucesso na Internet. Mas não através do YouTube, e sim através de blogs e fóruns. Tamanho era o tumulto em cima de Bugduv que logo o garoto passou a dominar as manchetes internacionais como uma das jovens promessas do futebol europeu. Até que o jornal britânico The Times o colocou numa lista de jovens e promissores craques, especulando sua transferência para o Arsenal. Até o jornal moldavo Diario Mo Thon destacava o fato.

Pois bem. Masal Bugduv não existe. Era uma brincadeira forjada pela Internet. Por fãs. Seu nome deriva de M'asal Beag Dubh, ou "Meu Pequeno Macaco Negro" em irlandês, que era o nome de um conto popular onde um vendedor desonesto cobra um alto preço por um macaco preguiçoso. Diario Mo Thon também não existe: é o moldavo para "Diário da Minha Bunda". Logo, o jornal The Times caiu numa brincadeira e a oficializou sem ao menos checar as fontes.

E Bugduv torna-se um símbolo do futebol moderno: jogadores que nem mesmo ainda foram vistos ou revelados acabam transferidos para grandes clubes europeus. Diferentemente de Bugduv, esses existem. Mas o talento é tão fantasma quanto essa brincadeira proveniente da Internet.

Devagar, Neymar!
23/03

OK, o menino joga bem. Mas vamos com um pouco de calma antes de afirmar qualquer coisa. Ontem vimos em campo um Neymar apagado e intimidado contra o Corinthians - coisa que não acontecia com Robinho e Diego, por exemplo, que sempre faziam a diferença em clássicos. Não quero dizer com isso que Neymar não seja um jogador promissor, que seja uma promessa furada, nada disso. Muito pelo contrário. Fico preocuopado com o que o assédio precoce pode fazer a um jogador - que é coisa que acontece muito na Argentina, por exemplo.

Neymar tem 17 anos de idade e aos 14 já era assediado por Real Madrid e clubes europeus em geral. O mesmo fenômeno que acontece hoje em dia com o menino Jean Carlos Chera, que tem hoje 14 anos de idade.

Significa que nossos jogadores recebem status de craque e possibilidade de transferência MUITO CEDO. Isso pode ser positivo, como foi com Messi, que foi ainda pré-adolescente para o Barcelona. Mas o assédio exagerado e a responsabilidade sobre um jogador adolescente, como o Neymar, podem acabar prejudicando a carreira de um jogador que tem muito futuro pela frente.

O clássico de ontem não devia ter sido visto como um Neymar X Ronaldo. Devia ser visto como um Corinthians X Santos. Qual foi o resultado? O jogo acabou sendo decidido por um jogador que estava sem nenhuma responsabilidade: Dentinho. Logo o Dentinho, que recentemente vinha sofrendo pressão e caindo de rendimento. Saiu a pressão, o rendimento voltou. Isso prova que, quando um talento é jovem, é melhor deixar que ele jogue e se firme para depois elogiar e taxar como craque.

O fenômeno Keirrison
16/03

Vamos direto ao ponto: cadê Keirrison na seleção brasileira? Porque o Thiago Neves não passa de um jogador mediano, sendo muito bondoso com ele, que consegue uns driblezinhos no Campeonato Estadual do Rio e marca três gols contra aquele timeco da LDU, mas nem o pênalti decisivo é capaz de acertar. É um jogador tão supervalorizado que chegou na Alemanha e não passou de um nada, num campeonato onde até Aílton e Marcelinho Paraíba conseguiram destaque. E mesmo assim a imprensa tanto que insistiu que o convocaram para a Seleção.

Felipe conseguia ser ainda pior. Colocava a mão na cintura e puxava a bola de lado. Claro que contra um zagueiro do Cabofriense ou do Madureira isso era um drible digno de Maradona. Mas bastou pegar o Santo André que não passava do meio-campo: era simples. Coloca o pé na bola que ela fica e o Felipe passa. Bateram o pé e o cara foi convocado.

Leonardo Moura corre feito Usain Bolt e não acerta um passe. Mesmo assim foi convocado para chegar na seleção, errar 100% dos cruzamentos que tentou e ainda assim foi elogiado pela imprensa.

Ronaldo fez regime e perdeu peso. Acho que perdeu por volta de 10kg. Então agora pega 200kg. Fez dois gols sortudos baseados unicamente no seu posicionamento e já querem o cara de volta na Seleção.

Mas e o Keirrison? O cara é veloz, habilidoso e não perde gols. Fala-se muito em Sérgio Agüero aqui no Brasil. Então por que não falar (ainda mais) no Keirrison? Porque ele aparenta ser tão bom quanto o Agüero. Quando Ronaldo, então chamado Ronaldinho, foi revelado, só se falava nele. Era incrível. Falavam até quantas vezes ele visitava a namorada num mesmo dia. Keirrison merece essa mesma atenção, porque finalmente estamos presenciando um atacante realmente bom. O último foi ele, Ronaldo. É exagero dizer que Keirrison se compara àquele Ronaldo, o fenomenal, do Barcelona ou PSV Eindhoven. Não se compara nem mesmo ao do Cruzeiro. Mas já é muito melhor que tudo que veio depois em termos de atacante.

Aliás: Keirrison é o que o Brasil precisa. Um trio ofensivo com Kaká fazendo a ligação para Robinho (que não pode querer fazer firula, mas sim o que atacante de área tem que fazer: servir o centroavante), que chega na cabeça-de-área e passa para Keirrison seria simplesmente ideal para arrebentar numa Copa do Mundo.

E estranhamente não vejo ninguém pedindo o cara na seleção. Fala sério... talvez se ele jogasse no Corinthians, Flamengo ou Fluminense....

Um gol. Comemoração. E um problema
09/03

Todo mundo comemorou o primeiro gol de Ronaldo pelo Corinthians - com exceção dos palmeirenses e dos rivais de sempre, claro. Mas torcida, clube e imprensa em muito festejou o primeiro gol do centroavante, principalmente por ter acontecido num clássico. É aquele momento em que ninguém acorda para a realidade devido à adrenalina e emoção pelo gol.

Vamos ser honestos, o que vimos em campo contra Palmeiras e Itumbiara? Um Ronaldo ainda muito gordo, absurdamente lento, incapaz até mesmo de passar o pé sobre a bola. Como o cara sempre foi um goleador, os gols acontecem. Aconteceu este, num clássico, com certeza surpreendendo muita gente. Mas alguém se atreve a dizer quando será o próximo? E não digo isso questionando a capacidade de Ronaldo, que em sua pior fase, no Milan, chegou a marcar 9 gols em 20 jogos - média de 0,45 por jogo, algo muito bom para um atacante comum. Questiono a recuperação do Ronaldo, porque claramente não estava pronto para entrar em campo.

O gol pode dar a ideia de que o cara "voltou", como ontem muita gente chegou a comentar. Falando como se Ronaldo já estivesse, mais uma vez, recuperado, o que não é um fato.

Tudo bem, foi bonito ver o Ronaldo comemorar com a torcida e com o time. Quanto tempo fazia que não víamos um gol do cara? Um ano! OK, comove... mas não é assim que tem que se pensar. Ronaldo é um jogador que, recuperado, deve fazer participações como "jogo sim, jogo não", jogar apenas em casa, coisa do tipo. Pôr o cara em campo do jeito que ele está é precipitar.

E um gol agora pode antecipar ainda mais essa precipitação.

O melhor, eu diria, é esperar um pouco mais. Voltou? Fez o gol? OK. Agora dá um tempo para recuperar e perder peso. Porque pouco adianta um gol apenas.

Apenas "colegas" de trabalho
02/03

Clássico paulista na Vila Belmiro. O Santos vem vencendo. Em bela jogada individual, Dagoberto passa por três zagueiros e tem Washington livre como opção de passe. Ao invés do companheiro, Dagoberto chuta a gol - e perde. Nada demais, certo? Apenas mais um lance de jogo. Até que, após o térmido da partida, a imprensa, obviamente maliciosa, tenta se aproveitar do clima tenso em que fica o São Paulo após uma (rara) derrota. Procuram Washington e perguntam sobre o lance em que Dagoberto não quis lhe passar a bola. O atacante do São Paulo, obviamente insatisfeito, diz que acha que Dagoberto poderia ter passado. A Dagoberto chega que Washington lhe chamou de fominha, e responde com um "Eu não gosto de coisas que ele [Washington] faz, e não saio falando. Então ele não precisa reclamar que eu não passei. Eu tentei chutar na cara do gol. Perdi, acontece." E o São Paulo, que faz questão de ser (aparentar?) um clube transparente, noticia o acontecido em seu site oficial.

É interessante que o São Paulo tenha essa postura tão honesta que até assusta. Mas e quanto ao problema dos atacantes? Como resolver?

Tudo bem que a imprensa jogou lenha na fogueira. Mas é fato que Washington e Dagoberto trocaram poucos passes durante o jogo, como se fosse mais importante o resultado individual para cada jogador. É aquele momento onde o jogador parece se preocupar mais com o seu desempenho que com a vitória do time. Geralmente isso ocorre quando dois jogadores brigam pelo reconhecimento, preferência do treinador... e certamente agora você lembrou de Ronaldinho e Eto'o no Barcelona.

Uma rivalidade saudável, obviamente, é benéfica ao time - quando um jogador ou outro prefere marcar gols, mas sabe qual a melhor hora para passar. Imaginem se na Copa de 1994 Romário insistisse em marcar em Tony Meola ao invés de passar para Bebeto marcar o gol solitário da magra vitória sobre os Estados Unidos nas oitavas-de-final.

Esse acontecimento entre Washington e Dagoberto, obviamente, pode não ser nada mais que a cabeça quente após o jogo. Depois de uma ducha, os dois esfriam a cabeça, se arrependem, se deculpam, etc. Mas, caso torne-se realmente uma briga pessoal, o clima no vestiário pesa e o time pode sentir os reflexos da rivalidade entre os dois - elenco dividido, jogo com pouca produtividade...

A única coisa que me pergunto é... o que vai se falar sobre esse assunto quando o São Paulo fizer mais uma grande temporada, passando por cima de todos os seus problemas, como é costume do clube?

Um filho para renovar as esperanças
23/02

Muitas vezes me pego invejando o futebol argentino. Os clubes locais têm muito mais facilidade em manter seus craques do que os brasileiros. Jogadores como Rodrigo Palacio do Boca Juniors ou Falcao Garcia do River Plate, fossem revelados em categorias de base de clubes brasileiros, sem dúvida já teriam sido negociados nas suas primeiras temporadas de sucesso - Palacio, por exemplo, até Copa do Mundo já disputou.

Mas o que não parei para pensar é que o futebol argentino, nacionalmente falando, na verdade sofre muito mais que o brasileiro. Sua seleção principal não ganha um título relevante desde a Copa América de 1993. os dois ouros olímpicos são títulos com a seleção olímpica. Nas duas vezes em que encarou a Seleção Brasileira numa final de Copa América, entrando como favorita, foi derrotada. Numa delas, vencia por 2x1 até os 48 do segundo tempo quando tomou empate e foi derrotada nos pênaltis. Na outra com Tevez, Riquelme e Messi em campo foi massacrada por 3x0. Na última Copa das Confederações, um massacre por 4x1 na final. As palavras de Maradona, após a Argentina vencer por 3x0 a Seleção Brasileira nas semifinais dos Jogos Olímpicos, de que "há muito não via um Brasil tão pequeno", chegam a soar irônicas.

Aliás... é Maradona justamente o ícone disto que é o futebol argentino hoje em dia. Esse sucesso todo começou em 1979, quando Maradona guiou a seleção juvenil ao título Mundial Sub20, e atingiu seu ápice nas finais da Copa do Mundo de 1986 e 1990, ambas contra a Alemanha, com a Argentina de Maradona vencendo uma e perdendo outra. A derrocada final aconteceu com o doping de 1994, que hoje Maradona admite seu erro. A Argentina que se classificou àquele Mundial aos trancos e barrancos confiava em Maradona para levá-la ao título. O jogador foi pego no exame antidoping e logo foi banido das Copas do Mundo. Em 1998 a Argentina caiu para a Holanda nas quartas-de-final, a um jogo de fazer uma semifinal sensacional contra o Brasil. Em 2002 fez campanha patética e caiu na primeira fase. E em 2006, nova derrota nas quartas-de-final, para a dona da casa Alemanha.

Esse tempo todo, de 1994 pra cá, a Argentina vem desesperada na procura de algo que chama de "novo Maradona". Muitos surgiram como essa promessa. Ariel Ortega, Javier Saviola, Pablo Aymar, Marcelo Gallardo, Juan Román Riquelme, Andrés D'Alessandro, Carlitos Tevez... todos fracassaram - não como jogadores, mas como Maradonas. O Maradona da vez já tem nome: Lionel Messi. Caso ele fracasse, já existe um substituto: Sérgio Agüero.

Mas o mais curioso é que hoje existe, de fato, um Maradona. E está diretamente relacionado com este rapaz que pode ser o "próximo" Maradona, Sérgio Agüero: nasceu, recentemente, Leonal Benjamín Agüero Maradona, filho dele com Giannina Maradona, filha do camisa 10. Pronto: agora os argentinos têm o que queriam. Um "novo Maradona" garantido, pelo menos, até a Copa de 2030.

Como em 1970...
16/02

Guardadas as devidas proporções, lógico. Não quero, de maneira alguma, comparar essa atual seleção brasileira com aquele timaço de 70 - simplesmente o melhor elenco de todos os tempos. Quem viu Brasil x Itália na última terça-feira, no entanto, pode ter se assustado com uma superioridade brasileira fora do comum. Realmente, a última vez que se viu um Brasil tão superior à Itália assim foi em 1970. E olha que naquela época a Itália nem era tão poderosa quanto hoje em dia...

Isso foi bom e ruim. Claro que é ótimo que o Brasil vença adversários difíceis. Foi a Itália, foi Portugal, e com Dunga no comando já batemos a Argentinas duas vezes - claro, considerando apenas a seleção principal - olímpica não conta. Mas é ruim a percepção que esse jogo contra a Itália nos dá: é uma prova daquilo que todos comentam nas ruas: a Seleção Brasileira só se apresenta bem quando o adversário em questão é uma equipe forte. E a mesma Seleção Brasileira que vence a Itália é capaz de empatar com o Kwait em 0x0.

A partir daí, dois questionamentos:
1 - A Kentaro, empresa suíça, "comprou" a seleção brasileira - ou seja, é a Kentaro quem agenda os amistosos da equipe. Por quê?
A CBF não tem organização para tal. Deveria ter. A Kentaro ofereceu um bom dinheiro para ter o controle sobre os amistosos e os lucros? Talvez. Mas um produto como a Seleção Brasileira deveria ser capaz de se pagar. O Brasil tem os jogadores mais famosos e "estrelados" do mundo. Não são necessariamente os melhores, mas são os mais malabaristas, os mais polêmicos, os que mais vendem. A própria CBF tinha capacidade de administrar isso tudo. Ao invés disso, a Kentaro é quem fica com o trabalho, e com os lucros. A Kentaro marca os amistosos, a seleção tem que jogar.

Por outro lado, a Kentaro tem uma gestão de marketing eficiente, como todo modelo mercadológico europeu. Isso torna os amistosos da Seleção na Europa bem mais visados que com o fraco esquema de marketing da CBF. Isso não é necessariamente bom. O futebol fica em segundo plano.

Não seria mais vantajoso que a CBF administrasse seu próprio produto? Rodrigo Paiva é um assessor de imprensa EXCELENTE. Posso dizer, inclusive, que Rodrigo Paiva é o meu maior ídolo na Seleção hoje, e é o principal nome da equipe - e olha que nem jogador ele é. Com certeza ele teria condições de liderar esse papel. Rodrigo Paiva à frente do marketing da Seleção Brasileira, já! Nossa equipe nacional só teria a ganhar com seu talento.

2 - Vale à pena enfrentar seleções de pequeno porte?
Não. Por que isso acontece? Não é culpa da Kentaro. A empresa agenda o amistoso, mas a Seleção PODE pedir mudança de adversário. Um amistoso contra China, Kwait, Tailândia ou Emirados Árabes Unidos obviamente é um caça-níquel, acontece apenas para que os endinheirados asiáticos possam ter algum acesso aos seus ídolos que veem na TV em campeonatos europaus. Mas não é o tipo de amistoso que agregue nada à seleção em si.

Se o adversário não serve e a CBF pode questionar, deveria questionar. O que é melhor? Empatar em 0x0 com a China ou enfrentar e derrotar a Itália?

A Copa do Mundo está próxima. Para chegar à África do Sul em plenas condições de jogar bem a competição, o melhor que se tem a fazer é uma boa preparação. Temos pela frente as Eliminatórias e a Copa das Confederações, mas é pouco. Amistosos devem ser aproveitados para enfrentar rivais fortes - e eu gostaria de ver jogos contra Alemanha, França, Espanha, Inglaterra, Holanda...

O amistoso da discórdia 
09/02

O futebol sempre é marcado pela política, por algo extracampo. Ou por algo em campo que supere o jogo em si. Na Copa de 1934, na Itália, tivemos a sombria reunião entre Mussolini e o árbitro Ivan Eklind na véspera da final, que seria entre Itália e Tchecoslováquia. Em 1978 a Argentina passava por uma crise política e o futebol seria um alívio para o povo. A forma como a Argentina se classificou à final, vencendo o Peru por 6x0, até hoje é questionada pelos brasileiros. Em 1986 novamente a Argentina e o gol de mão de Maradona sobre a Inglaterra, num jogo que para muitos foi uma resposta à derrota da Argentina para a Grã-Bretanha na Guerra das Malvinas. A final da Copa de 2006 ficou marcada pela cabeçada de Zidane em Materazzi.

Talvez por o futebol ser um jogo tão conectado com o povo, a política acabe entrando no jogo, sempre.

O amistoso entre Brasil e Itália seria apenas um novo encontro entre dois velhos rivais, que há muito tempo não se enfrentavam. O último confronto foi em 1997, pelo Torneio da França, empate em 3x3. Em campo, muita história, sempre conectada com a Copa do Mundo. Em 1994, a final em 0x0 decidida nos pênaltis, com um erro de Roberto Baggio. Em 1982, a famosa Batalha do Sarriá quando o Brasil, com Zico, Sócrates, Falcão e Júnior tomou três gols de Paolo Rossi e a Itália de Marco Tardelli foi à semi-final. Em 1970, goleada com show de Pelé, Tostão, Gérson e Rivellino. Mas era pra ser apenas um jogo, como sempre foi. Nada mais que isso. Uma mera rivalidade futebolística.

Mas a política entra em campo. O polêmico caso Cesare Battisti, revolucionário acusado de quatro assassinatos na Itália. Battisti pediu asilo político ao Brasil. Tarso Genro, Ministro da Justiça, julgou que Battisti era acusado de crime político e acatou seu pedido. A decisão causou um furor nas relações Brasil-Itália, que sempre foram as melhores. Nosso país é formado, em parte, por italianos. Nossa história no Século XX se confunde com a Itália, e cidades como São Paulo são uma grande prova disso.

Não nos cabe aqui julgar se os crimes de Battisti foram políticos ou comuns, e se ele merece ou não o asilo, se ele deve ou não receber extradição. Nosso caso é sobre futebol.

Até o nome de Carla Bruni, modelo italiana e primeira-dama da França, foi envolvido. Em toda parte que haja brasileiro e italiano o assunto vem à tona, e obviamente isso chegou ao amistoso, que não chegou nem a ser ameaçado. Em momento algum se cogitou cancelar a partida. O jogo é em campo neutro (Londres). Certamente teremos muitos brasileiros e muitos italianos nas arquibancadas, e estes estarão muito mais cientes sobre o caso Battisti que os próprios jogadores - ou pelo menos os jogadores brasileiros, que nunca devem ter ouvido falar no cara. Mas se até aqui tudo que envolve Brasil e Itália termina em Battisti, como será diferente no futebol, a válvula de escape do povo que sempre acaba se envolvendo com política? Lula e Silvio Berlusconi assistirão ao jogo? Se cumprimentarão? Representantes oficiais de Brasil e Itália, o que farão?

Isso me lembra o histórico confronto entre Estados Unidos e União Soviética no hóquei no gelo pelos Jogos Olímpicos de Inverno de 1980. A União Soviética havia acabado de invadir o Afeganistão. Era o auge da Guerra Fria. A torcida estadunidense recebeu a União Soviética com a faixa GET YOUR PUCKS OFF THE AFGHANISTAN (TIREM SEUS DISCOS DO AFEGANISTÃO - "disco" aqui é o "disco" de borracha, de hóquei no gelo). Teremos em Brasil X Itália torcedores com uma faixa ESTRADARE BATTISTI DI TUO SQUADRA (EXTRADITEM O BATTISTI DO SEU TIME)?

Certamente, nada demais vai acontecer. Hoje em dia o futebol é mais negócios que política. Mas o confronto vai ficar marcado por ocorrer no meio dessa crise entre Brasil e Itália. É um amistoso num momento de discórdia entre os dois países. Não existe nada mais futebolístico que isso.

O teto caiu
19/01

O contrato de Mats Sundin com o Toronto Maple Leafs venceu e o veterano central optou por não renová-lo com à franquia, afinal de contas, seu desejo é, finalmente, vencer uma Copa Stanley. Anaheim Ducks e New York Rangers bem que gostariam de contratar o jogador, mas não havia espaço no teto salarial de sua folha. Sundin acabou partindo para o Vancouver Canucks, que tem grande chances de vencer a Copa."

Isso tudo de fato aconteceu. E certamente você não entendeu nada do que leu.

Então, de forma fictícia, vamos colocar em termos futebolísticos, só para que você entenda.

"O contrato de Francesco Totti com a Roma venceu e o veterano atacante optou por não renová-lo com o clube, afinal de contas, seu desejo é, finalmente, vencer uma Liga dos Campeões. Manchester United e Chelsea bem que gostariam de contratar o jogador, mas não havia espaço no teto salarial de sua folha. Totti acabou partindo para o Chelsea, que tem grande chances de, finalmente, vencer uma Liga."

A informação que abre a coluna, fosse passada para o mundo do futebol, seria essa acima. Tudo parece normal, exceto o tal "teto salarial". O texto real, envolvendo Mats Sundin, Toronto Maple Leafs e Vancouver Canucks compõem o dia-a-dia da NHL, Liga Nacional de Hóquei, dos Estados Unidos e Canadá, o torneio de clubes de hóquei no gelo mais importante do mundo, tal qual a Liga dos Campeões para o futebol. Na temporada 2004-05 o então campeão Tampa Bay Lightning (imaginem o Atlético de Madrid vencendo a Liga dos Campeões... seria mais ou menos isso) não pôde defender seu título. Motivo? A temporada foi cancelada, pois a Liga e a NHLPA, a associação dos jogadores, estavam discutindo a implementação de um teto salarial.

O teto salarial impôs um limite à folha de pagamento de cada clube. Logo, um clube não poderia se entupir de estrelas, a não ser que elas aceitassem ter o seu salário realmente reduzido. O finlandês Teemu Selanne, por exemplo, só voltou ao Anaheim Ducks na temporada 2007-08 porque aceitou que seu salário costumeiro, de US$ 6 milhões por temporada caísse para US$ 1,5 milhão. Isso impediu que equipes como o New York Rangers cometessem abusos financeiros que lhe eram costumeiros, e também permitiu um equilíbrio maior à liga, pois cada time poderia ter alguns jogadores de altíssimo rendimento vestindo sua camisa.

Agora vemos abusos financeiros como o Real Madrid em sua época "Galáctica"; o Chelsea logo na chegada de Roman Abramovich; e, agora, o Manchester City com um magnata do petróleo. E olha que tem gente que prevê o próximo ataque: Queens Park Rangers, comprado por um bilionário gastador qualquer.

Diga-se de passagem, ficou tudo muito fácil. Não vemos mais equipes emergentes com jogadores raçudos, que compensam sua falta de técnica com grande aplicação tática, empenho, e resulta num elenco heróico e vencedor. Agora chega um ricaço num pequeno, injeta dinheiro à rodo, compra-se os melhores jogadores do mundo, muda-se a história.

O que é isso? O futebol é melhor assim?

E aqueles tempos em que Steaua Bucaresti ou Estrela Vermelha surpreendiam e venciam a então Copa dos Campeões? Ou mesmo o Ajax Amsterdam, que era um clube forte e sempre presente nas principais conquistas européias? Hoje o Ajax nem na Liga dos Campeões está...

Por isso, pergunto: não seria melhor que tivéssemos um "teto salarial" no futebol, pelo menos na UEFA, igualmente temos na NHL?

Ou daqui a pouco veremos alguma equipe semi-amadora de algum bairro obscuro em alguma cidade pequena na Inglaterra vencer a Liga dos Campeões com Fernando Torres, Cesc Fabregas, Sérgio Agüero e Steven Gerrard no elenco.

Terra de ninguém?
14/01

O Vasco da Gama caiu para segunda divisão nos mesmos moldes que o Corinthians - um momento de transição no clube. Foi também o que aconteceu com Botafogo, Palmeiras, Grêmio... ou seja, algo perfeitamente previsível. Um clube que, após viver um bom tempo sob a mesma direção, sofre um baque até se ajustar às mudanças de comando.

O que nota-se no entanto é a barra que tem se forçado em responsabilizar a gestão anterior pela queda do clube. A direção atual, presidida por Roberto Dinamite, parece querer se eximir completamente das suas responsabilidades no processo de rebaixamento do Vasco da Gama. E não é bem assim...

Dinamite, para muitos o maior ídolo da história do Vasco, vai ter que conviver com o fato de que ELE foi quem caiu com o clube. A história não coloca asteriscos para explicar que Dinamite caiu após assumir os restos largados por Eurico Miranda. Até porque... Eurico realmente entregou restos assim?

Na verdade, sim, entregou. Mas e daí? Por quanto tempo Eurico dirigiu o Vasco nessas mesmas condições mas, com mãos fimes, impediu que o clube fosse rebaixado? Não estou querendo defender o Eurico... até porque acho que o antigo dirigente saiu do Vasco largando o clube em condições realmente adversas. Mas quero expor que com times semelhantes aos que Roberto assumiu, Eurico foi capaz de impedir a queda vascaína.

Logo... Roberto tem responsabilidade no rebaixamento. Não houve um comando mais forte por parte do ainda inexperiente presidente para controlar os nervos do clube.

E enquanto Roberto tenta trabalhar na volta do Vasco para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, a oposição se manifesta de forma agressiva. O grupo Casaca comanda a campanha para retirada da atual diretoria do clube. Quem quiser acessar e ver o trabalho do Casaca, é só clicar aqui..

O problema é que isso tudo se assemelha a um outro cenário: o Corinthians da MSI, quando tinha uma oposição forte, formada por Antônio Roque Citadini, sempre se manifestando contra a direção vigente, à época Alberto Dualib e a MSI. E a diferença é que quando esse cenário estava formado no Corinthians, o clube estava na primeira divisão. Logo a conseqüência mais drástica foi a queda para a segunda divisão. Já o Vasco JÁ ESTÁ na segunda divisão e vive o momento mais crítico da sua história. A direção ainda não acertou as pontas e a oposição não dorme no ponto, sempre disposta a apontar os erros de Roberto e colocar o dedo na ferida.

Definitivamente, este não é um cenário para animar ninguém. E o futuro do Vasco, então segue incerto. Eu não duvido que o Vasco retorne à primeira divisão. Mas de forma alguma acho que isso vai acontecer de maneira tão fácil quanto aconteceu com o Corinthians - a quem o Vasco tenta copiar, quando lançou a campanha O Sentimento Não Pode Parar, semelhante à Nunca Vou Te Abandonar que o Corinthians promoveu quando foi rebaixado.

Mas quando o Corinthians caiu, houve uma trégua. E aparentemente, não vai haver trégua nenhuma no Vasco. Quem sofre com isso, é o torcedor.

Vamos ver até onde o clube agüenta.