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E no Nordeste, tudo
em paz... 02/11
Série A do Campeonato Brasileiro, vulgo
primeira divisão. Na zona de rebaixamento
encontram-se Sport e Náutico, ambos do Recife.
Longe dali e certamente tranquilo está o
Vitória de Salvador, na Bahia. Hoje, seria
o único time nordestino a escapar do rebaixamento
para a segunda divisão. Caem dois, sobe
um. Dentre os quatro classificados para
a primeira divisão 2010, caso o Campeonato
Brasileiro da Série B, vulgo segunda divisão,
terminasse hoje, está o Ceará. Por outro
lado, os quatro que cairiam seriam América
e ABC, ambos de Natal, o Campinense da Paraíba
e o Fortaleza. Caso o América escape, empurra
o Bahia. Ou seja, este ano tivemos três
nordestinos na Série A e seis na Série B.
Em 2010 corre-se o risco de ter dois na
Série A e três na Série B. A situação melhora
caso Asa e Icasa consigam subir da Série
C para a Série B. Aí teremos cinco nordestinos
na segunda divisão. De qualquer forma, um
nordestino a menos na Série A e um nordestino
a menos na Série B. Isso, numa perspectiva
muito otimista. Até porque, dos quatro rebaixados
da Série C para a Série D, dois são nordestinos.
E dos quatro que sobem para a Série D para
a C, nenhum nordestino. E olha que este
ano mesmo tivemos sport na Libertadores...
Não
é de hoje que o futebol nordestino vive
em crise. Mas sem dúvida, está em seu pior
momento, mesmo com o Sport tendo conquistado
a Copa do Brasil há apenas um ano e feito
uma boa campanha na Copa Libertadores.
Talvez
o Nordeste ainda não tenha acordado para
uma fórmula que vem desenvolvendo o futebol
do interior paulista e fluminense: o auxílio
e parceria de prefeituras com os clubes
de futebol local - isso, claro, se você
considerar que a prefeitura não tenha coisa
melhor em que investir além do futebol,
o que eu duvido muito. Mas se há uma verba
voltada para o esporte, ela deve ser investida
em esporte.
O futebol brasileiro
vem crescendo, pelo menos em termos de finanças
para clubes. Novos clubes vem surgindo com
força total - não clubes criados recentemente,
mas que só agora conseguiram subir de categoria
e aparecer entre os grandes brasileiros,
muitas vezes incomodando, como é o caso
do Grêmio Barueri. E o futebol nordestino
parece correr na contramão desse sucesso.
Houve um tempo em que, assim como hoje em
dia o São Caetano eliminou grandes do Brasileirão
e o Paulista e Santo André conquistaram
a Copa do Brasil, eram os nordestinos que
aprontavam em cima dos grandes. O Botafogo
de João Pessoa, por exemplo, derrotou o
Flamengo de Zico no Maracanã. O Náutico
e o Fortaleza já chegaram a decisões de
torneios nacionais. O Bahia foi campeão
brasileiro em 88 enquanto o Sport conquistou
o complicado Brasileirão de 1987.
Naquele
mesmo tempo havia êxodo de craques do Nordeste
para o Sudeste. Os times nordestinos perdiam
jogadores, revelavam novos, os perdiam,
revelavam outros... e assim se seguia. Hoje
o que há é um intercâmbio maior. Da mesma
forma que o Sport perde jogador para o Corinthians,
o próprio Sport tem condições de trazer
jogadores para reforçar a equipe. Os clubes
nordestinos aparecem mais, a Série B é televisionada,
o que garante direitos de imagem das televisões...
e mesmo assim, cada vez mais o futbebol
do Nordeste se restringe aos campeonatos
estaduais. E olha que o Nordeste terá três
sedes na Copa do Mundo de 2014...
Talvez
o Nordeste ainda não tenha acordado para
uma fórmula que vem desenvolvendo o futebol
do interior paulista e fluminense: o auxílio
e parceria de prefeituras com os clubes
de futebol local - isso, claro, se você
considerar que a prefeitura não tenha coisa
melhor em que investir além do futebol,
o que eu duvido muito. Mas se há uma verba
voltada para o esporte, ela deve ser investida
em esporte.
O pior de tudo é imaginar
um Brasileirão sem nenhum time nordestino.
Principalmente pela tradição de uma região
que já teve campeões brasileiros e da Copa
do Brasil.
O preço de um ídolo 26/10
Quanto vale ser o símbolo de um clube?
Há
oito anos fui ao estádio ver a final da
Copa dos Campeões entre Flamengo e São Paulo.
Não torço por nenhum dos dois clubes, mas
queria ter a oportunidade de ver ao vivo
Petkovic, Rogério Ceni cobrar uma falta,
os escanteios de Carlos Miguel... na ocasião,
durante o jogo, entrou em campo um jovem
jogador do São Paulo que, se não me engano,
era registrado como Cacá, assim mesmo, com
dois Cs. Dois anos depois esse jogador,
que passou a assinar Kaká, já era campeão
do mundo e seria vendido (muito) barato
ao AC Milan, da Itália, numa transação onde
teria pesado a influência do consultor Leonardo,
ex-jogador das duas equipes envolvidas no
negócio. No clube italiano, seu valor de
mercado aumentou dez vezes mais.
Mais
que dinheiro, Kaká tinha outros valores
para o Milan. Ao ser assediado por uma proposta
milionária do Manchester City, Kaká disse
não e apareceu na janela de sua casa estendendo
sua camisa #22, saudando os torcedores do
Milan. O brasileiro na ocasião disse que
o dinheiro não era tudo. Àquela altura,
Kaká já havia sido o principal jogador do
Milan na conquista da Liga dos Campeões
e Copa do Mundo de Clubes, ambos em 2007.
Já chegou até a ser capitão do time em algumas
ocasiões. E por uma proposta tentadora,
trocou o Milan pelo Real Madrid.
Não
acho que Kaká seja um mercenário nem que
tenha sido desleal ao clube italiano - o
próprio clube quis vendê-lo, já que seria
um negócio rentável para seus cofres. Mas
alguém acredita que Kaká se torne um símbolo
do Real Madrid? Zinedine Zidane não é. Encerrou
a carreira no Madrid e não era um símbolo.
Raúl é um símbolo do clube, mesmo sendo
menos jogador que Kaká, Zidane, Figo, Ronaldo,
Cristiano Ronaldo... porque um símbolo não
significa o valor que foi pago por aquele
jogador ou os gols que ele marca. Um símbolo
é aquele jogador que cresce com o clube.
Que incorpora os mesmos valores que sua
torcida. Que segura o time quando tudo parece
pior e que o lidera em seus melhores momentos.
Kaká tinha exatamente essa projeção no Milan.
Não
que ele não vá ter sucesso no Madrid. A
julgar pelo time, com certeza terá. Mas
ali Guti consegue ser mais símbolo, porque
cresceu ali. Os jogadores que chegam através
dos investimentos milionários como foi o
caso de Beckham, ou é de Cristiano Ronaldo
e Kaká, estão mais para uma grife. São quase
funcionários contratados para cumprir aquela
função. Mas que vencer ou perder com aquela
camisa nem vai fazer tanta diferença assim.
No
final, Kaká é o homem que não quis ser rei
em Milão para ser barão em Madrid.
(Re)começando pelo
começo 19/10
Há quase 50 anos, o Santos Futebol Clube,
liderado por Pelé, conquistava a América
do Sul e o mundo, através de dois títulos
da Copa Libertadores, então em seus primórdios.
Naquela ocasião as Libertadores 1962 e 1963
tinham apenas dez clubes participantes.
As primeira edições, em 1960 e 1961, tiveram
o mesmo formato e foram vencidas pelo Peñarol.
Ter gente como Pelé e Garrincha (que a disputou
em 1963, com o Botafogo) certamente valorizou
o torneio e contribuiu com o seu crescimento.
E é engraçado ver essa história se repetir
agora, 49 anos depois da criação da Copa
Libertadores, com sua versão feminina -
a Copa Libertadores de Fútbol Femenino.
Quando
falávamos que o Brasil não fazia nada para
fomentar o futebol feminino, esquecíamos
que a América do Sul, ou seja, a CONMEBOL,
tinha responsabilidade maior nesse processo.
E não fazia nada também.
A criação
da Copa Libertadores de Futebol Feminino
foi um grande passo, por atrair os olhares
da mídia para o futebol feminino sul-americano.
E ninguém melhor para reforçar essa publicidade
e valorizar o torneio que Marta, que deixou
a certeza do Los Angeles Sun, na Liga Americana,
e veio buscar a incerteza do futebol feminino
brasileiro. No final das contas, ajudou,
e muito, o esporte local, com a confirmação
de que, sim, o futebol feminino pode ser
viável no Brasil. O que resta avaliar é
se os clubes têm disponibilidade para apoiá-lo,
o que é necessário. Esse sucesso do Santos
e de Marta só aconteceu porque havia estrela
para atrair divulgação e patrocinadores.
Quem se importaria se o Esporte Clube da
Associação dos Comerciários do Interior
de Aroeiras vencesse a Libertadores feminina?
Os clubes grandes precisam tomar a frente
nesse processo - não que os clubes pequenos
não devam ter espaço. Muito pelo contrário.
É bom ver Mackenzie ou Saad competindo.
Só digo que os clubes de fato grandes têm
o dever de competir também, para atrair
divulgação e patrocínio, o que permitirá
que o esporte se estabilize.
A Libertadores
feminina teve dez clubes participantes,
um de cada país da Conmebol, e aconteceu
inteiramente no Brasil.
Contando
também com Cristiane, a melhor jogadora
do torneio na prática, e de Érika, o Santos
encantou, guardadas as devidas proporções,
claro, como o Santos de Pelé encantou há
décadas, mostrando que a Libertadores feminina
começa tão bem quanto começou a masculina.
No total, o Santos disputou seis jogos,
venceu todos os seis, marcou 43 gols e tomou
apenas dois. Na final, o Santos venceu por
9x0 a Universidad Autónoma do Paraguai.
E
a piadinha já está rolando: em 15 dias o
time de futebol feminino do Santos, conhecido
como Seraias da Vila, conseguiu fazer o
que o Sport Club Corinthians Paulista não
fez em 99 anos: conquistar a Libertadores.
E
aí, Timão? Vai deixar barato essa?
Revendo a Regra
14 12/10
REGRA 14 "Ao se posicionar
na marca do pênalti, o jogador deve distanciar-se
o quanto quiser da bola. Ao tomar a distância
que bem desejar, o jogador deve dirigir-se
à bola e chutá-la. No entanto, uma vez que
começou a correr, o jogador não pode parar.
Não pode nem ao menos diminuir a velocidade.
Nem pode dirigir-se à bola com passos lentos,
pois isso pode dar a impressão de que ele
está parando, o que pode enganar o goleiro.
Nem pode dar pulinhos, pois isso também
pode enganar o goleiro. Aliás, levando isso
em consideração, é melhor que o jogador
mantenha a velocidade fixa de 1m por segundo.
Assim, o jogador que ultrapassar ou ficar
abaixo dessa velocidade estará cometendo
uma infração e poderá enganar o goleiro,
o que não é permitido pelas leis do futebol.
E
se não é para enganar o goleiro, fica proibido
que o jogador olhe para um canto e cobre
o pênalti no outro. Caso isso aconteça,
a cobrança deve ser repetida."
Texto
ridículo, não? Obviamente é fictício. Ainda
não consta nas 17 regras do futebol, dentro
da Regra 14, o pênalti. Mas Joseph Blatter,
revoltado com a paradinha, disse que em
breve ela será permanentemente proibida
e que a FIFA anunciará oficialmente sua
proibição. Só me pergunto como diabos a
FIFA vai conseguir descrever a proibição
da paradinha. Vai simplesmente dizer que
é proibido o jogador parar após ter começado
a se dirigir à bola? Mas e se o jogador
apenas "diminuir" a velocidade?
Ou se ele for em passos lentos? Como diabos
você vai saber que ele parou ou apenas diminuiu
a porcaria do passo?
Sem falar que
isso revolta Blatter, mas o fato de que
na Europa e nas Copas do Mundo os goleiros
se adiantam escandalosamente durante cobranças
de pênalti - o que é proibido, como todos
sabemos - simplesmente passa despercebido.
Ao
invés de se preocupar com uma idiotice deste
tamanho, a FIFA deveria ter em mente o quanto
é importante estudar o uso de recursos eletrônicos
na arbitragem. O mundo todo discute impedimentos,
gols de mão, faltas não marcadas, se a bola
cruzou ou não a linha, lances que acontecem
e o juiz não vê... e esses erros acabam
contaminando Copas do Mundo e definindo
resultados e títulos, mas a FIFA ignora
completamente sua existência.
Nesta
década, a FIFA está prestes a revolucionar
novamente o futebol proibindo a paradinha.
Antes disso, proibiu que os jogadores comemorassem
seus gols tirando a camisa.
Qual
será a próxima grande inovação? Proibir
os cortes de cabelo extravagantes?
Tal sogro, tal genro 05/10
"O Peru não joga nada". OK,
que o Peru não joga nada, todo mundo sabe.
Mas Sérgio Agüero, da Seleção Argentina,
próxima rival dos peruanos, vir a público
afirmar isso torna tudo bem diferente.
Agüero,
o futuro craque do Atlético de Madrid, como
todos sabemos, é genro de Maradona. E parece
ter o mesmo gosto pela sinceridade e declarações
polêmicas do sogrão, que por sinal é seu
técnico na seleção. A marra de Agüero pode
ter muitos pontos de vistas - e também consequências.
Primeiramente, a urgência argentina em ter
um ídolo do mesmo calibre de Maradona, coisa
que jamais aconteceu desde que El Pibe se
aposentou. Hernán Crespo nunca foi grande
jogador. E fora de campo também nunca teve
grande representatividade. Riquelme... bom...
jogou muito no Boca. Na Seleção, nem tanto.
E é um cara calado, não responde pelo time.
Tevez tem muita raça, é verdade. Mas não
é tecnicamente falando o melhor jogador
com qual o país poderia sonhar. E quem seria
esse cara? Messi? Pode ser. Mas o que tem
de técnica, falta em raça e em carisma.
É um carinha sorridente demais, muito boa
praça, muito amigável... não tem aquele
perfil que argentino gosta.
E aí
tem o Agüero, que é bom de bola. E mostra
também que é raçudo e... polêmico? A declaração
de Agüero pode ter os seguintes efeitos:
-
Motivar o time argentino. O problema é que
a Argentina não é exatamente uma seleção
desmotivada, mas sim carente tecnicamente.
Mas uma motivação não serveria também para
que os jogadores superassem suas limitações
técnicas? Sim. Mas quantos compram o espírito
arrogante de Agüero? Até mesmo caras de
garra como Tevez muitas vezes se mostram
demasiadamente humildes diante dessas dificuldades.
-
Motivar o Peru? Talvez se fosse uma final
ou jogo decisivo para ambas as seleções.
E não é. Essa partida é decisiva apenas
para a Argentina. Mas os peruanos são lanternas
das eliminatórias e não acredito que "ser
a seleção que tirou a Argentina da Copa
do Mundo" tenha algum significado hoje
em dia. Hoje em dia jogador pensa mais em
si mesmo, no seu bolso, no clube...
Também
é pauta para discussão os efeitos que uma
classificação heróica pode ter a Seleção
Argentina. Mas isso é assunto para outra
hora.
A pergunta do momento na verdade
é... Agüero tem condições de ser um cara
representativo como seu sogro foi? Não quero
comparar Agüero a Maradona nem sugerir que
Agüero possa vir a ser tão bom quanto Maradona.
Apenas acredito que este é o caminho que
um jovem jogador tem que seguir se quiser
ser ídolo do seu povo, como Dieguito foi
um dia.
E a Argentina vai precisar
disso na Copa... de 2014!
A vida imita o vídeo... 28/09
Certa vez, não lembro bem quem, mas acho
que João Havelange ou Joseph Blatter, disse
que se fosse utilizado o recurso eletrônico
para eliminar os erros de arbitragem, seria
melhor acabar com o futebol, pois isso acabaria
com a discussão - aquele bate-papo do dia
à dia sobre o gol impedido que Túlio marcou
em cima do Santos e deu o título brasileiro
ao Botafogo ou a falta vergonhosa de Fábio
Costa em Tinga que Márcio Rezende de Freitas
não apitou, o que pode ter definido o Campeonato
a favor do Corinthians. Sinceramente, não
pode haver ideia mais absurda. Fazendo uma
analogia radical, seria como você ser contra
a sistemas de segurança que inibem a violência,
pois isso acabaria com o bate-papo na padaria
sobre como os grandes centros urbanos ficam
cada vez mais violentos. Não tivéssemos
erros de arbitragem, poderíamos ter resultados
sensivelmente diferentes em torneios importantes
como, por exemplo, as Copas do Mundo de
1962, 1966, 1982, 1986, 1990, 2002... isso
é pouco? Ou é mais importante que num café
qualquer em Roma dois italianos discutam
o quanto foi absurda a expulsão de Totti
nas oitavas-de-final da Copa do Mundo de
2002 contra a Coréia do Sul?
É absurdo
que a FIFA se mantenha conservadora e alheia
ao advento da tecnologia no esporte que
beneficia, entre outros, o hóquei no gelo,
o basquete e o futebol americano, esportes
que detém boa parte das quotas de patrocínio,
de direitos de imagem e publicidade no mundo.
Até mesmo o tênis, de origem britânica e
conservador, a ponto de no Campeonato de
Wimbledon ser permitido apenas uniformes
brancos, aderiu às vantagens da arbitragem
eletrônica. Por que o futebol não poderia
fazer o mesmo?
Qual a minha opinião?
Utilização de um árbitro auxiliar fora de
campo com acesso a vídeo. Este auxiliar
teria direito a chamar atenção do árbitro
sempre que um lance duvidoso acontecesse
ou que alguma infração equivocada fosse
marcada - ou infrações deixassem de ser
assinaladas. Isso somado a um chip dentro
da bola e nas traves que ativassem sempre
que a bola cruzasse totalmente a linha de
gol. Simples, não?
Então por que
não fazer o simples?
Porque a FIFA
não quer. E pronto. Não pode ser por outra
razão, uma vez que não existe motivos para
isso. Qual o argumento? O que pode ser dito
contra recursos eletrônicos que diminuiriam
os erros no esporte? Porque ser contra é
dizer que é a favor que os erros aconteçam
em maior proporção.
Há o argumento
de que o vídeo não é 100% correto. Que o
ângulo pode desfavorecer, que tem lances
que mesmo pelo vídeo não dá para se ter
certeza. Mas e daí? O que é melhor? Você
ter um recurso que pelo menos diminui os
erros e auxilia em casos de dúvida ou não
ter recurso nenhum, permitindo que os erros
continuem se repetindo com alta frequência?
A
tecnologia se desenvolveu para facilitar
a vida do homem. Ou a FIFA não tem capacidade
de entender isso ou não quer pelo simples
fato de todo mundo querer - um posicionamento
do tipo "aqui mando eu". E parece
que esta é a hipótese mais certa. Isso é
que eu chamo de trabalhar pelo bem do jogo...
E o Nelsinho? 21/09
Mais uma vez as coisas acabam de maneira
obscuras. Foi muito estranho que, em 2007
apenas a McLaren fosse punida pelo escândalo
de possíveis roubos de projetos de carros
da Ferrari, beneficiando assim Fernando
Alonso e Lewis Hamilton. E desta vez o mesmo
ocorre com a Renault e o tal Escândalo de
Cingapura. Tudo começou com uma denúncia
de Nelsinho Piquet e acabou com demissão
de Flavio Briatore, o tal cérebro da sabotagem,
que também foi banido da Fórmula 1 por dois
anos. Mas e o Nelsinho? E a Renault? Não
serão punidos?
Para se ter ideia,
em 1980 Paolo Rossi foi punido por dois
anos do futebol profissional. Ele jogava
pelo Perugia, que participou de um esquema
de compra de jogos. Rossi não tinha nada
a ver com o escândalo, mas, sabendo, não
o denunciou. Ao invés disso, desandou a
fazer gols. Quando descoberto, acabou como
cúmplice e foi punido.
Da mesma forma
que Nelsinho deveria ser punido. É importante
salientar que Nelsinho tinha escolha. Ele
tinha a opção de não causar o acidente -
aliás, acidente que poderia colocar em risco
sua vida e a vida de outras pessoas. Tudo
bem que, como réu confesso e disposto a
entregar os demais culpados, Nelsinho tenha
benefícios judiciais. Mas isentá-lo totalmente
de culpa e punição é demais. Assim como
a Renault, que se beneficiou do esquema.
E não há porque achar que a culpa era apenas
de Briatore. Se a Renault confiou em Flavio,
deveria pagar pelo crime também.
O
que parece é que a Federação Internacional
de Automobilismo quer mais é colocar panos
quentes sobre o escândalo e novamente fingir
que nada aconteceu. Mas sem uma punição
exemplar, que garantia temos que o mesmo
problema não vai ocorrer? Será que ninguém
aqui percebe que é o segundo grande escândalo
que a Fórmula 1 vive em menos de cinco anos?
No
final das contas, a FIA é tão relapsa que
faz o STJD e a FIFA parecerem a utópica
justiça perfeita. E quanto à Nelsinho, a
pessoa... o piloto publicou uma declaração
em seu site oficial que pode ser lida aqui.
É
triste ver que Nelsinho joga toda a culpa
em Flavio Briatore. Não que a parcela maior
de culpa não seja do ex-chefão da Renault.
Mas Nelsinho teve sua parcela de responsabilidade
também. Ele aceitou entrar no esquema, e
quando diz que estava abalado psicologicamente,
isso não justifica que jogue toda a responsabilidade
para Briatore. Pode explicar, claro - todos
têm direito de errar, claro, e Nelsinho
cometeu um erro. Acontece. Mas é necessário
assumir o erro e arcar com as consequências,
não se pronunciar como inocente, alegando
que foi usado e pôr todo o ônus em outra
pessoa. Se alguém estava no cockpit era
ele. Nelsinho não dependia daquele emprego
para viver. Não tirava seu ganha-pão dali.
Ele tinha opção. Se recusar e ser demitido
era a atitude mais desportiva que poderia
ter tido.
Orquestra sem maestro
– e sem solista 14/08
Dizem que a Argentina tem um grande time.
Eu diria que neste momento a Argentina tem
um possível grande time. Sérgio Agüero,
genro de Maradona, ainda não se realizou
no futebol. Carlos Tévez pintava como craque
no Brasil, mas na Europa se mostra mais
um jogador de muita garra, força de vontade
e velocidade, mas longe de ser um dos principais
jogadores do mundo. E vamos convir que caras
como Ezequiel Lavezzi, Jésus Dátolo ou Diego
Milito estão longe de ser o craque de ponta
que uma Seleção como a Argentina precisa.
Então
temos Messi, um ponta sem dúvida genial,
rápido e habilidoso, capaz de improvisar
jogadas. Mas sozinho ali, parado na frente.
E o meio-de-campo? Quem vai levar a bola
para Messi? Verón? Não era capaz há dez
anos e duvido que seja agora. Maxi Rodríguez?
Um bom meia-apoiador, mas para armador não
serve. Battaglia? Estou falando sério. Dátolo?
OK, parei por aqui.
Eu não quero...
vejam bem... NÃO QUERO ter que fazer apologia
a este cara. Não sou fã dele. Acho que ele
está bem atrás de armadores como Ryan Giggs,
Steven Gerrard, Frank Lampard, Kaká, Michael
Ballack ou mesmo de David Beckham – sim,
David Beckham, que só por ter pinta de galã
de Hollywood acaba fazendo muita gente torcer
o nariz. Mas a Argentina sente falta de
Juan Román Riquelme.
Não acho que
Riquelme seja o craque que se diz aqui no
Brasil – e, pelo que leio, o restante do
mundo acha o mesmo, com exceção de metade
da meia-dúzia de torcedores do Villareal,
já que a outra metade não gosta dele. Mas
ele é, definitivamente, um grande armador,
com as qualidades necessárias para tal:
visão de jogo, bom passe, bons lançamentos.
Riquelme daria o equilíbrio que a Seleção
Argentina não teve contra o Brasil.
Os
motivos da saída de Riquelme são obscuros.
Uns dizem que ele não gosta de Maradona
– deve ser o único na Argentina, então.
Diego diz que tentou falar com ele, mas
ele não lhe atendeu. Tem gente que diz que
Riquelme não quer jogar para não se queimar.
E a torcida do Boca está do lado DELE, de
Riquelme. Alguém viu a Argentina jogar alguma
coisa? Realizar alguma jogada coletiva?
Riquelme resolveria este problema.
Quando
saiu um gol, foi num chutão de Dátolo. E
o Messi arriscou alguns dribles... mas na
hora de concluir... para quem passar? Uma
boa Seleção tem que ter um centroavante
que marque gols. Nem precisa ser bom de
bola. Basta saber marcar – como é o caso
de Luís Fabiano.
A verdade é que
Diego Maradona, um dos meus ídolos, é um
grande motivador. Uma figura simbólica,
importantíssima. Um cara capaz de mexer
com a moral de qualquer um. Mas muitos criticam
sua falta de experiência, achando que o
nome não deveria ser Maradona. Entre os
críticos, Valdano, seu principal parceiro
no título mundial de 1986. Pelo que se vê
em campo, a Argentina não tem esquema de
jogo. Mas a culpa é de Diego? Quem é seu
assistente? Carlos Bilardo, técnico campeão
mundial em 1986. Será que Bilardo não entende
de futebol?
A meu ver, a culpa não
é de Maradona nem de Bilardo, mas sim da
atual geração do futebol argentino. A não
ser que Riquelme volte...
Trocando pato por ganso 24/08
Faz um bom tempo, quero falar sobre esse
sujeito chamado Paulo Henrique Lima, "o
popular Ganso", como costuma dizer
o locutor Milton Leite da SporTV. Desde
que revelou Diego e Robinho, o Santos acredita
nos projetos de categorias de base - tanto
que desde os dez anos de idade o pequeno
Jean Carlos Chera vem sendo tratado como
futura estrela do time. Antes dele, no entanto,
o Santos subiu para os profissionais a jovem
revelação Neymar, um bom jogador que precisa
de mais condicionamento físico e de menos
pressão sobre seus ombros.
Essa pressão
não existe sobre Paulo Henrique Lima, o
que o torna o melhor jogador do Santos no
presente momento. O Ganso é rápido, tem
um bom passe e uma boa capacidade de finalização.
E é veloz também. Me impressiona sua capacidade
de encontrar até os menores espaços para
fazer um passe a gol.
Me pergunto
por que, então, Ganso ainda não sofre as
costumeiras badalações - é bem menos badalado
que Dentinho, por exemplo, embora seja na
prática um jogador melhor. Por que chama-se
tão pouca atenção a seu respeito na mídia.
Seria por que joga no Santos? Não teria
mais atenção jogasse no Corinthians ou Palmeiras?
Até
o Obina consegue ganhar mais destaque. O
que mostra como muitas vezes a mídia é tendenciosa
a favor de centros maiores. Mas a meus olhos,
Ganso é a melhor revelação de meio-campo
desde Elano, que infelizmente se perdeu
em mercados menores.
Tivesse marketing
em cima, quem sabe voasse tão alto quanto
seu "primo", o pato. Uma pena.
Dupla decepção 17/08
Com o fim do primeiro turno do Campeonato
Brasileiro é possível uma triste constatação:
dificilmente o Atlético Mineiro chegará
ao título nacional. Aliás, dá para afirmar
que é bem provável que o Galo sequer consiga
uma vaga na Libertadores. O que realmente
é uma tristeza. Desde seu primeiro e único
título brasileiro, em 1971, o Atlético Mineiro
vive quase-sucessos. Foi terceiro colocado
em 1976, vice em 77, vice em 80, terceiro
em 83, quarto em 85, terceiro novamente
em 86, 87, 91, quarto em 94, terceiro em
96, quarto em 97 e vice em 1999. Em 2001
mais um quarto-lugar. Isso mostra o quanto
o Galo se aproximou das primeiras colocações,
sem atingi-la novamente jamais.
De
2002, ano em que ficou entre os oito primeiros
colocados pela última vez, coincidentemente
(?), último ano de mata-mata, para cá o
Atlético vem colecionando insucessos.
Na
Copa do Brasil o máximo alcançado foi a
semi-final em 2000 e 2002. Alguém lembra
qual foi a última vez que o Galo disputou
a Libertadores? 1981? Voltar esse ano seria
uma oportunidade. Parece que não vai acontecer.
E
isso vem acontecendo em conjunto com Celso
Roth. Mais um que engrena, parece que vai
dar certo e de repente o time que está treinando
cai de rendimento. O Atlético liderava o
Campeonato. Quando caiu da ponta, não mais
voltou. Agora caiu do G4. Será que volta?
Quantas
vezes isso aconteceu a Celso Roth?
Curiosamente
um atleta que sempre teve isso é o Diego
Tardelli. Será que a história vai se repetir
com ele?
Parece que ambos têm problemas
a resolver. O Atlético precisa identificar
seu problema histórico de cair de rendimento
durante competições. O mesmo para Celso
Roth, que sofre do mesmo mal. E não acredito
que isso vá acontecer agora, com ambos juntos.
É
triste ver que um clube com tanta mística
em torno quanto o Atlético Mineiro não consegue
atingi-la no Campeonato Brasileiro há quase
40 anos. Sua torcida, que torce até contra
o vento, merece mais respeito.
Sinais de ingratidão 10/08
Esse assunto, embora esteja um pouco
datado, estava na pauta para ser levado
em consideração. Antes tarde que nunca...
e, ainda assim, Tevez estreou pelo Manchester
City este final de semana, tornando o assunto
novamente à tona.
É inegável que
Carlitos Tevez é ídolo de metade da equipe
que trabalha no Complexo Fanático Esporte
Clube. Assim como é inegável sua ingratidão
e considerável falta de respeito para com
seus empregadores - eu poderia mencionar
a falta de respeito para com a torcida também,
mas vou levar em consideração que, profissionalmente,
o jogador não deve atenção à torcida, embora
seja uma gentileza a qual todo jogador deveria
se dar, devido ao apoio e carinho que uma
torcida pode dar a um jogador. E Tevez sempre
teve esse apoio e carinho.
Carlitos
começou a jogar profissionalmente no seu
time de infância, o Boca Juniors, onde jogava
seu ídolo Juan Roman Riquelme. Foi com o
Boca que venceu a Copa Libertadores de 2003
e a Copa Intercontinental (aka Mundial Interclubes)
no mesmo ano. Era tido um ídolo na equipe,
embora nem sempre tratasse a torcida bem.
Quando sirgiu a oportunidade de atuar pelo
Corinthians, Tevez deixou o Boca criticando
clube e torcida, dizendo que a Argentina
tratava mal seus ídolos. Após passagem pelo
Corinthians onde foi muito bem, virou ídolo
e saiu de bem com a torcida, transferiu-se
para o West Ham United. Lá demorou a engrenar.
Só pegou no arranque, no final da temporada.
Mesmo assim teve todo o apoio da torcida,
que se apaixonou pelo jogador. Até que surgiu
a oportunidade de jogar pelo Manchester
United, e Tevez simplesmente se recusou
a voltar ao West Ham, mesmo para treinar,
até que fosse trocado. Em seguida fez o
mesmo no Manchester United, e não renovou
o contrato, indo para o rival novo rico
Manchester City.
Esse tipo de atitude
mancha a carreira do jogador, que passa
a ser visto como ingrato. E também como
mercenário. Tanto que a própria torcida
do Manchester City recebeu Tevez com uma
faixa ironizando-o, colocando sacos de dinheiro
em volta da imagem do jogador.
Tevez
é um grande jogador. Tem muita garra em
campo, briga por todas as bolas e por isso
acaba conquistando a torcida. É aquele vulgo
atleta que "dá o sangue". Continua
sendo ídolo no Boca Juniors e no Corinthians.
Mas precisa ter mais respeito por seus empregadores.
Não pode sair fechando portas por onde passa.
Foi com o Boca Juniors e o Manchester United
que Carlitos conquistou suas maiores honras.
Um pouco de gratidão, mesmo terminando um
contrato, muitas vezes é um forte sinal
de caráter.
O Brasil de chuteiras?
Não... de touca e sunga 03/08
Enfim, um herói. Reconheçamos... desde
que Manuel dos Santos foi o terceiro a tocar
a borda da piscina em Roma, conquistando
a primeira medalha brasileira na natação,
um bronze, que o Brasil ama este esporte,
o quinto que mais pódios olímpicos conquistou
para o Brasil. São 11 ao todo.
No
entanto, até 2008 tudo o que se tinha era
uma porção de bronzes e algumas pratas.
Muito se falava em Thiago Pereira, Kaio
Márcio, Joanna Maranhão ou Fabíola Molina.
Mas foi César Cielo Filho quem conquistou
o primeiro ouro da história da natação olímpica
brasileira, na prova dos 50m livres. O nadador,
que diz ter abdicado de sua vida particular
para se preparar para os jogos, saiu de
Pequim com duas medalhas, tendo também um
bronze nos 100m livres, a prova mais tradicional
da história da natação. Esta semana durante
o Mundial de Desportos Aquáticos de Roma,
Cielo Filho, como é chamado no esporte internacional,
tornou-se de fato o maior nadador olímpico
da história do país, ao conquistar ouro
nos 50m livre e nos 100m, com certeza o
sonho de qualquer um que pula na piscina.
Então agora temos o nosso nadador herói.
Mas
o que se vai fazer quanto a isso? Coincidentemente
na mesma semana, Thomaz Bellucci conquistou
o Torneio de Gstaad, primeiro ATP para o
Brasil desde 2004. Isso nos lembra imediatamente
Gustavo Kuerten, que foi, de certo ponto
de vista, uma espécie de Cielo. Não só por
ter sido o maior destaque de um determinado
esporte individual (já que Maria Esther
Bueno parece ter sido esquecida), mas por
ter chegado lá por suas próprias forças,
sem apoio da estrutura deficiente da CBTênis.
Cielo não conquistou suas medalhas por apoio
da Confederação Brasileira de Desportos
Aquáticos, mas por seus esforços e dedicação
individuais.
O Brasil deixou a onda
de Guga escapar. Não aproveitamos a febre
de tênis para formar novos tenistas, e agora
estamos relegados a medianos que ganharão
torneios ATP vez por outra.
E na
natação? Quando Cielo parar, vamos viver
das pratas e bronzes de Gustavos Borges
e Fernandos "Xuxas" Scherers?
Ou usar a lógica e aproveitar a febre do
esporte para montar uma base?
Eu
sinceramente acredito, pelo histórico do
país, que será a primeira opção.
No alvorecer dos anos
2010 27/07
A década de 1990 viveu uma época efeverscente
da Fórmula 1. Começou com dois títulos de
Ayrton Senna, último grande herói brasileiro
da categoria, e viu suas rivalidades com
Nigel Mansell e Alain Prost atingir seu
ápice. As temporadas 1992 e 1993, com títulos
respectivamente de Mansell e Prost, e vice
de Senna, foram esperaculares - para muitos
a de 1993 foi a melhor de todos os tempos.
Em 1994 veio o acidente fatal de Ayrton
Senna e o surgimento de nova rivalidade,
entre Michael Schumacher e Damon Hill. A
temporada 94 só foi decidida na última prova,
quando Schumacher jogou vergonhosamente
seu carro em cima de Damon Hill e não foi
punido. A temporada seguinte teve o bicampeonato
de Schumacher, com mais um vice de Damon
Hill. Em 1996 finalmente Hill foi campeão
- Schumacher vice. E o alemão repetiu o
posto em 1997, para título de Jacques Villeneuve,
e em 1998 e 99, com bicampeonato de Mika
Hakkinen.
Este título do Hakkinen
há dez anos atrás representou também uma
queda no equilíbrio da Fórmula 1. Nas cinco
temporadas seguintes Michael Schumacher
venceu o campeonato sem grande concorrência.
As duas temporadas subsequentes ao último
título de Schumi, 2005 e 2006, tiveram um
pouco mais de emoção - mas mesmo assim os
títulos de Fernando Alonso foram de certa
forma fáceis.
De lá pra cá a coisa
mudou - e muito. A temporada 2007 foi resolvida
na última prova. E a 2008 na última curva!
A
temporada atual então parecia que seria
fácil, com a Brawn GP e seus difusores mandando
ver e Jenson Button se credenciando ao título,
vencendo seis das sete primeiras provas
da temporada. Mas a Red Bull, ou RBR, começou
a se manifestar. Sebastian Vettel venceu
duas provas e Mark Webber uma. Button tem
pontuado pouco nas últimas provas. Ainda
é favorito, mas o campeonato está aberto.
Depois
de cinco anos de dominação alemã, a Fórmula
1 vê a década de 2000 encerrar tão efeverscente
quanto o começo da década de 1990. E, para
os anos 2010, a promessa de pilotos como
Sebastian Vettel, Lewis Hamilton e Nico
Rosberg.
As voltas que a bola
dá 20/07
É interessante o quanto os antônimos
estão próximos no futebol. Num chute, num
passe ou num jogo você pode ir da glória
à desgraça. Um segundo de jogo pode significar
a maior vitória da sua história ou a maior
derrota de todos os tempos.
No momento
esses valores inversos têm endereçamento:
o Fluminense Futebol Clube.
Há um
ano o Tricolor vivia o melhor momento de
sua história, jogando a final da Libertadores.
E tinha feito o possível e impossível para
chegar ali. Através de sua patrocinadora,
a Unimed, montou um time impecável. O Fluzão
tinha um zagueirão, o Thiago Silva; um jogador
experiente, o Roger; um volante seguro,
o Arouca; um volante com poder ofensivo,
o Cícero; um meia veloz, Conca; um atacante
matador, Washington, um reserva de luxo,
Dodô; e um craque, Thiago Neves. Até o contestável
goleiro Fernando Henrique vinha se superando
e tendo grandes atuações. E, claro, também
havia um técnico falastrão, o Renato Gaúcho.
A campanha na Libertadores foi heróica.
Uma primeira fase perfeita e a melhor campanha
do torneio, garantindo direito de decisão
de tudo em casa; pelo caminho, eliminou
os badaladíssimos São Paulo, três vezes
campeão, e Boca Juniors, seis vezes campeão.
A final seria contra a anônima LDU, e ainda
assim vinha sendo heróica. Depois de perder
por 4x2 fora de casa e começar perdendo
por 1x0 em casa, virou para 3x1 com uma
partida espetacular de Thiago Neves e levou
o jogo à disputa de pênaltis.
Tivesse
vencido a Libertadoes com esse time, o Fluminense
teria ganho uma belíssima premiação - 5
milhões de dólares - e iria para o Mundial
de Clubes, onde teria à sua disposição mais
uma grande premiação - no mínimo 2 milhões
de dólares, caso perdesse a semi-final e
a disputa de quarto-lugar, mas que poderia
chegar a 4 milhões fosse vice-campeão ou
mesmo OITO MILHÕES com o título.
Mas
quando Washington bateu o quarto pênalti
Tricolor fraquinho, no meio do gol, para
a defesa tranquila de Cevallos, o sonho
acabou e o Fluminense perdeu o baladado
título. O clube vinha mal no Brasileirão,
mas o técnico Renato Gaúcho declarava que
iria "brincar" no Campeonato após
vencer a Libertadores. A princípio, a reação
da torcida foi de apoio e muitos falavam
no discurso da volta por cima, de que o
Fluminense voltaria à Libertadores no próprio
Brasileirão 2008 para desta vez vencê-la
em 2009. A realidade, entretanto, foi outra.
O Brasileirão foi um fracasso e o rebaixamento
por pouco não aconteceu - até Renê "Psiquiatra"
Simões teve que ser chamado para salvar
o clube.
O ano de 2009 começou e,
enquanto Simões fazia seu trabalho, Parreira
sinalizou que estaria disposto a voltar
ao futebol. Então o Fluminense e sua patrocinadora,
a Unimed, decidem tirar Simões da parada
e tentar Parreira. Nisso Thiago Neves volta
por empréstimo após uma passagem fracassada
na Alemanha. Nada aconteceu. O Fluminense
fez um Estadual do Rio - convenhamos, campeonato
de nível baixo - patético e foi eliminado
da Copa do Brasil. No Brasileirão a campanha
ruim derrubou Parreira. E continua ruim,
com o clube na zona de rebaixamento. E a
torcida pede a renúncia do vice-presidente
Horcades e o fim da parceria com a Unimed.
Incrível
como alguns pênaltis errados podem mudar
não apenas o jogo, mas o futuro.
Primeiros erros 13/07
O Corinthians nem bem ganhou a Copa do
Brasil que já começou a fazer besteira,
pensando na sua grande obsessão, a Libertadores
2010: cogita a contratação de Juan Román
Riquelme junto ao Boca Juniors.
Afinal,
o que vale mais no futebol? O time todo
ou uma estrela individual? De que adianta
tentar jogar a Libertadores com um grupo
rachado? Porque trazendo Riquelme é isso
que acontece.
Riquelme é um atleta
com sérios problemas de relacionamento por
onde passou - Boca Juniors, Barcelona, Villareal...
e os problemas não são apenas com os jogadores,
mas com todo o clube - do porteiro aos dirigentes.
Muitas vezes se recusa a falar com outros
atletas e tem crises de estrelismo a ponto
dele próprio convocar entrevistas para depois
dizer aos repórteres que não tem mais interesse
nelas.
Aí o Corinthians vem sonhando
em trazer um atleta desses? Não digo que
Riquelme seja ruim e não valha o investimento.
Mas num clube que é sempre uma bomba prestes
a explodir, trazer combustível para o fogo
não é se arriscar demais?
Velha obsessão 06/07
Até parece a música do Lulu Santos: "Outra
vez a mesma história, volta sempre a acontecer".
É mais ou menos isso que penso quando penso
no Corinthians na Libertadores. E ano que
vem, teremos mais Timão no torneio continental,
afinal de contas, o Coringão acaba de vencer
a Copa do Brasil 2009, o atalho mais curto
para a Libertadores.
Por mais que
o time seja bom, e ele era simplesmente
espetacular em 1999, psicologicamente
o Timão não avança na Libertadores.
Logicamente
falando, não se encaixa. O time de 1996
nada tinha a ver com o de 1999/2000, que
nada tinha a ver com o de 2003 que, por
sua vez, nada tinha a ver com o de 2004.
Eram todas equipes completamente diferentes.
Então como um elenco em 2006 pode ser afetado
psicologicamente por uma derrota humilhante
que aconteceu em 1996? Simples: pressão.
Quando
o Corinthians foi eliminado pelo Boca Juniors
em 1991, nem foi tão doloroso. A Libertadores,
embora fosse um torneio importante, ainda
não era a grande obsessão de todo clube
brasileiro. Só após 1992 e 1993, com o bi-campeonato
do São Paulo, absurdamente lucrativo em
termos financeiros e de imagem, é que os
clubes acordaram de vez para a importância
da Libertadores. Não que, antes disso, não
se desse valor. Os títulos do Santos em
62 e 63, do Cruzeiro em 76, do Flamengo
em 81 e do Grêmio em 83 foram obviamente
reconhecidos, valorizados, festejados, tudo
que se tem direito. Mas o clube brasileiro
ainda não se voltava completamente para
a Libertadores, até pelas dificuldades que
a competição representava, o que só melhorou
nos anos 90.
Daí pra frente a coisa
mudou. A Libertadores passou a ser enxergada
como um grande campeonato. São Paulo ganhou
duas vezes e fez mais uma final. O Grêmio
tornou a vencer em 1995, com batalhas antológicas
contra o Palmeiras pelo caminho. Mas sempre
que chegou lá, o Corinthians, por coisas
do esporte, não a ganhou. Em 1996 foi humilhado
pelo Grêmio em casa ao tomar 3x0. E mesmo
assim, mesmo naquela época, a situação ainda
não havia se tornado tão séria - tanto que,
com o clube apanhando de três em casa, a
torcida Fiel, de bem com o time, começou
a gritar "É CAMPEÃO!" festejando
o título brasileiro de basquete que o clube
havia acabado de conquistar.
Mas
depois de 1999 a coisa ficou séria. O Palmeiras
tornou-se o terceiro clube paulista a vencer
uma Libertadores. E, dentre os quatro grandes,
apenas o Corinthians não a tinha/tem. Daí
começou toda a pressão. Por parte de imprensa,
de torcida, de rivais, etc.
Não fosse
o bastante, ano que vem o clube ainda completa
100 anos, tema que será abordado mais para
frente. Mais motivo para pressão, uma vez
que conquistar o campeonato no centenário
aumentará a obsessão de torcida, imprensa,
direção...
E o jogador, que nada
tem a ver com os times de 1996, 1999/2000,
2003 e 2006 vai ter que aguentar uma pressão
que existe porque outros, não ele, amarelaram
quando tiveram nos pés essa mesma responsabilidade.
Dominação gaúcha 29/06
Depois do Internacional da década de
70 e dos breves anos de dominação gremista
nos anos 80 e 90, o Rio Grande do Sul volta
a dominar o cenário do futebol nacional.
Duvida?
A década de 2000 vinha mal
para os clubes gaúchos. O Internacional
vinha brigando contra o rebaixamento, que
quase aconteceu em 2002. E o Grêmio, após
uma Copa do Brasil ganha em 2001 e uma semi-final
de Libertadores disputada em 2002, vivia
os anos mais negros de sua história, em
pleno centenário, sendo quase rebaixado
em 2003 e consumando o rebaixamento em 2004.
Que
diferença para o que se vê atualmente. Apesar
do rebaixamento do Juventude em 2007, o
futebol gaúcho nunca esteve tão bem. O Grêmio
reverteu sua situação sendo campeão da Série
B em 2005 - mesmo ano em que o Internacional
foi vice-campeão Brasileiro. No ano seguinte
o Inter ganhou Libertadores e Mundial, com
mais um vice-campeonato Brasileiro, enquanto
o Grêmio, de volta à Série A, já chegou
disputando os primeiros lugares e ganhando
vaga na Libertadores, que disputou em 2007,
chegando ao vice-campeonato. Em 2008 os
gremistas por pouco não ganharam o Brasileirão,
ficando com o vice-campeonato. E o Internacional?
Venceu a Sul-Americana.
E no presente
momento, temos o Colorado, vice-líder do
Brasileirão, na final da Copa do Brasil
enquanto o Grêmio joga mais uma semi-final
de Libertadores.
É o futebol gaúcho
dominando novamente o cenário do futebol
nacional.
Tri-legal, chê!
Explicando a Itália 22/06
O treinador era e é o Lippi. E assim
como estavam, ainda estão lá Buffon, Cannavaro,
Grosso, De Rossi, Gattuso, Toni, Gilardino,
Amelia, Iaquinta, Camoranesi, Zambrotta
e Andrea Pirlo. Então por que a Itália fracassou
de forma tão humilhante na Copa das Confederações?
Eu que apostei neles em 2006 deveria explicar,
não? Bom... talvez eu até tenha uma explicação,
se é que ela vai servir para alguma coisa.
Mas posso começar afirmando que de lá para
cá não mudou muita coisa, conforme os jogadores
que estavam lá e estão aqui confirmam. Então
o que houve? CHE CAZZO HOUVE? Simples. A
Itália não é grande coisa... e lá, na época,
também não era.
Para mim o grande
fator da Itália ter vencido a Copa foi a
defesa. Isso em parte pelo trabalho de Cannavaro,
Zambrotta e Grosso. Destes três apenas Grosso
não estava em campo ontem. E não ache que
Materazzi faça toda essa diferença - mas
melhor que o tal Chiellini ele é.
Só
que em 2006 a Itália não tinha um grande
craque ou mesmo um jogador que decidisse
jogos. Do meio para frente, Pirlo, o melhor
da Itália, foi apenas mediano. Totti não
joga grande coisa faz tempo. Toni, Del Piero,
Iaquinta e Gilardino se revezavam na função
de marcar gols e, vez por outra, ser decisivo.
O que acabou fazendo diferença para a Itália
em 2006 foi a união em torno de um momento
ruim que o futebol que o país vivia. Isso
fez com que os jogadores, motivados pelo
interesse comum, acabassem se superando.
Foi mais ou menos o mesmo que aconteceu
com a Alemanha. Eles tinham algo a provar
e fizeram disso sua principal motivação.
E
agora que esse feitiço acabou, a Itália
voltou a ser o que é. Um futebol em decadência.
Clubes em crise, perdendo as principais
estrelas e vendo o futebol inglês e espanhol
se distanciar cada vez mais.
Esperemos
outros 24 anos.
Conheça seu inimigo 15/06
Então chegamos a mais uma Copa das Confederações.
Alguém duvida do quanto este torneio é inútil?
Então, tenha uma prova: na verdade, sua
primeira edição deste Campeonato foi organizado
pela Federação Árabe Saudita de Futebol,
e não pela FIFA. Teve apenas quatro convidados:
o Campeão Sul-Americano, a Argentina; o
Campeão Centro-Norte-Americano, os Estados
Unidos; o Campeão Africano, a Costa do Marfim;
e o país sede, ela, a Arábia Saudita. Era
conhecido como Copa do Rei e foi realizado
pela primeira vez em 1992, com vitória da
Argentina.
E segunda edição incluía
o Campeão Europeu, a Dinamarca, e o Asiático,
o Japão. Foi vencido pela Dinamarca, em
final contra Argentina. E aconteceu em 1995.
Ambas
as edições ocorreram, obviamente, na Arábia
Saudita.
Dois anos depois a FIFA
assumiu o torneio. Ele passou a se chamar
Copa das Confederações e seria bienal, acontecendo
sempre em anos ímpares, em que não possuem
Copa do Mundo nem Jogos Olímpicos. Disputariam
o torneio o campeão de cada confederação
continental, o campeão do mundo e o país-sede.
Em 1997 o torneio aconteceu ainda na Arábia
Saudita. E a Seleção Brasileira o conquistou.
A Alemanha, campeã europeia, se recusou
a participar, cedendo sua vaga à República
Tcheca, vice-campeã.
Logo ficou acordado
que, nos anos em que acontecesse em véspera
de Copa do Mundo, o torneio seria realizado
no mesmo país-sede do Mundial. Assim a Copa
das Confederações aconteceu no México em
1999, com título da seleção da casa em final
contra o Brasil - a França, campeã mundial,
se recusou a participar, sedendo a vaga
ao vice-campeão mundial, o Brasil, que por
sua vez cedeu a vaga sul-americana à vice-campeã
da Copa América, a Bolívia; e em 2001, como
era de se esperar, a sede foi a mesma da
Copa que aconteceria no ano seguinte: Coréia
do Sul e Japão. Foi nesse torneio em que
Leão foi demitido, após levar uma Seleção
Brasileira C (cujo capitão era o volante
Leomar, do Sport Recife, e ainda tinha Gustavo
Nery, Robert, Carlos Miguel, Evanilson,
Cláudio Caçapa, Washington, Magno Alves
e Fábio Costa como terceiro goleiro). O
Brasil conseguiu proezas como empatar em
0x0 com Canadá e Japão e perder por 1x0
para a Austrália na disputa do terceiro
lugar. A França foi campeã.
A própria
França sediou e venceu a edição seguinte,
em 2003. Nesta o Brasil levou um time B
e não passou nem da primeira fase, perdendo
para Camarões por 1-0 e empatando com a
Turquia em 2-2. Na semi-final deste torneio
o camaornês Marc-Vivian Foé morreu de infarto
em campo.
Após a edição 2003 caiu
a ficha da FIFA que o torneio era uma grande
perda de tempo, e ele foi reorganizado.
Passou a acontecer a cada quatro anos, sempre
no ano anterior a Copa do Mundo, na mesma
sede do mundial, funcionando como uma espécie
de mini-prévia da Copa do Mundo. Neste formato,
em 2005, na Alemanha, o Brasil foi campeão
massacrando a Argentina por 4-1 na finalíssima.
Taí.
Grande utilizade.
Que Dunga tire
algum proveito: use o campeonato para conhecer
melhor a Itália e a Espanha, dois rivais
em potencial para a Copa do Mundo, que acontecerá
ano que vem.
Por que alguém contrararia
Obina? 08/06
Fala sério. Isso não é uma pergunta retórica.
Eu realmente espero que alguém me responda.
Por favor. POR FAVOR! Se existe alguém na
linha, se tem alguém no ar, por favor responda
agora, não me faça esperar: por que alguém
contrataria Obina? Ainda mais um clube disputando
fase final de Copa Libertadores e com um
ótimo treinador, Vanderlei Luxemburgo. Um
cara que interfere nas contratações.
Então
por que alguém contrataria Obina? Eu sou
sincero. Eu falo sério! POR QUE DIABOS ALGUÉM
CONTRATARIA OBINA?
Esse cara, o Obina,
pode marcar o gol do título na prorrogação
da finalíssima entre Palmeiras e Estudiantes
que eu vou continuar perguntando por que
diabos alguém contrataria Obina!
E
esta coluna não vai evoluir além disso.
Quando li passei dois dias achando que era
uma piada de mau gosto, até que o cara entrou
em campo com a camisa do Palmeiras pela
Libertadores e... HEIN? Era verdade! Eu
realmente me forcei a acreditar que tudo
aquilo, a apresentação, ele vestindo a camisa
do Palmeiras para a imprensa, etc., era
só uma PEGADJINHA DO MALLANDRO! RÁ! GLU
GLU!
Mas não era...
Caras...
não acredito. Afinal, por que alguém contrataria
Obina?
Espécie em extinção 25/05
Com a aposentadoria de Paolo Maldini
do AC Milan e do futebol, o esporte perde
mais que um grande zagueiro - para mim,
aliás, o maior e melhor zagueiro de todos
os tempos. Perdemos mais um raro exemplar
de uma espécie que cada vez mais some dos
nossos gramados. E o pior: não se renova.
Agora, que eu me lembre, temos apenas mais
dois exemplares dela em atividade, que são
Ryan Giggs, Raúl e Ronaldo.
O exemplar
ao qual me refiro não é nem aquele clichê
do do jogador "fiel" a um determinado
clube, embora tanto Maldini quanto Giggs
e Raúl se encaixem nesse padrão - mas Ronaldo
não se encaixa, logo não teria porque citá-lo
como exemplo. Me refiro ao jogador que realmente
tenha características clássicas do jogo
de futebol, que parecem ter sumido completamente
depois dos anos 90.
Maldini era um
zagueiro limpo capaz de dar um carrinho
e retirar a bola dos pés de um adversário
sem ao menos tocar seu tornozelo, de exercer
uma marcação adiantada com eficiência e
de, conscientemente, apoiar o ataque em
escanteios e determinadas jogadas ofensivas
em momentos em que a defesa não ficava desguarnecida.
Talvez alguém que se aproxime nos dias de
hoje sejam Lúcio ou John Terry, mas mesmo
assim não se igualam ao ex-milanista. E
eu não me refiro à qualidade técnica do
jogador, porque aí eu poderia citar outro
zagueiro que tem a mesma qualidade, que
é Alessandro Nesta. Me refiro exclusivamente
ao estilo de jogo clássico detido por poucos
hoje em dia. O melhor exemplo disso, Zinedine
Zidane, parou há três anos.
Os jogadores
ficam cada vez mais industrializados. Não
que sejam ruins. Continuam sendo bons, alguns
excelentes. Mas realmente fica cada vez
mais difícil olhar para o campo e ver um
meia que tenha visão de jogo e precisão
perfeita no passe, lançamentos e cruzamentos;
um atacante que se volte para o gol, mas
que tenha visão para se livrar da marcação,
que se posicione corretamente ou que marque
a saída de bola; e principalmente um zagueiro
como Paolo Maldini, que eu já tentei, no
parágrafo acima, descrever com minhas palavras
limitadas.
"Ronaldinho!" 18/05
Começou o rolo. O tal do Ronaldinho disse
que quer seguir os passos do Ronaldo e voltar
ao Brasil. E o problema não é nem ele querer
voltar. O cara tem direito, afinal, faz
tempo que sua enganação parou de funcionar
na Europa - e aqui, como todos sabemos,
funcionaria muito bem. Até aí, beleza. O
problema é essa manifestação de gente daqui
dizendo que quer trazer o cara. O Flamengo
primeiro declara que quer trazê-lo e pergunta
"Por que não?" Só para depois
desdizer, afirmar que nunca declarou isso.
Já o São Paulo diz com todas as letras que
quer o cara e Muricy ainda fala que voltar
fará bem a ele, respirar novos ares, etc.
Que
fique bem claro que o irmão e empresário
de Ronaldinho, Assis, NÃO QUER nada disso.
Ele insiste que Ronaldinho fique pela Europa
e respira aliviado pelo fato de que a multa
recisória do cara é alta e seu contrato
vai até o meio de 2011. E depois? Duvido
que o Milan renove. Ele vai para onde? Manchester
City? Só se for. Porque se tivesse de ir
para a Arábia, já teria ido. E ninguém mais
na Europa vai querer pagar fortuna por este
cara.
Putz! Já estou até ouvindo
o Pânico na TV botando algum malandro na
rua pra dizer "Ronaldinho!" E
a porcaria do bordão pegar de norte a sul
do país, pro cara ouvir isso em todo lugar:
escola, trabalho, faculdade, padaria...
é pra ficar doido!
Direto da Copa de 2030 11/05
"A Alemanha finalmente conquista
seu sexto título mundial. A Copa de 2030,
comemorando os 100 anos da Copa do Mundo,
não poderia ter sido melhor. O meia alemão
José da Silva (aquele, ex-Corinthians, saiu
aos 11 anos) foi eleito o Bola de Ouro da
competição. Foi de da Silva o passe para
o gol decisivo na final contra a Itália,
marcado pelo atacante João Silveira (ex-Palmeiras,
se não me engano), que driblou o goleiro
italiano Carlos Costa (ex-Coritiba) e marcou
já no final do segundo tempo, com o jogo
empatado em 1x1. A Itália havia saído na
frente com Marcelinho Paraná, de falta,
ainda no primeiro tempo, matando as saudades
dos torcedores do Vitória da Bahia, que
costumavam vê-lo fazer isso nas categorias
de base. E os alemães empataram no começo
da segunda etapa com Chico Souza. Por sinal,
Souza foi o chuteira de ouro, artilheiro
da Copa com 5 gols. Quem diria que Chico,
o Chiquinho, aquele garoto franzino que
saiu do Flamengo aos 5 anos de idade, quando
jogava no fraldinha, viraria um jogador
forte e encorpado.
O Bola de Prata,
segundo melhor jogador do torneio, foi o
inglês Beto Pereira. Beto, volante promovido
a meia, marcou 4 gols, entre eles os dois
da vitória por 2x0 na disputa de terceiro
lugar, vencida sobre os espanhóis. Por sinal,
esse confronto promoveu um encontro interessante.
Beto e Claudinho Almeida finalmente se enfrentaram.
Ambos jogavam nas categorias de base do
Corinthians até os 10 anos de idade, quando
foram separados: o Timão negociou Beto com
o Manchester United enquanto Claudinho foi
para o Atlético de Madrid, onde jogou até
os 12 e, ainda nas categoria de base, foi
vendido ao Barcelona.
Já a Bola de
Bronze foi honrada ao francês Eduardo Ferreira,
que foi revelado pelo Palmeiras antes de
ser vendido, quando tinha 11 anos de idade,
ao Olympique de Marselha. Eduardo formou
uma dupla de ataque infernal com Fabinho
Gaúcho (aquele que era mirim no Internacional),
mas os dois não foram suficientes para vencer
o sensacional goleiro inglês Heriberto Araújo.
A torcida do Flamengo deve lembrar-se de
Heriberto, que foi o camisa 1 do Mengão
na conquista do Estadual Sub10 de 2014,
quando tinha apenas 9 anos de idade. Mas
a Luva de Ouro de melhor goleiro da acabou
mesmo com o alemão Leandro Pinto. Leandro
fez história no time fraldinha do Cruzeiro
quando, com 5 anos de idade, venceu o Mundial
Interclubes Fraldinha, em cima do Villareal.
No mesmo instante sua negociação com o clube
espanhol foi acertada, mas o Villareal o
transferiu para o Hamburgo para pagar uma
dívida pela compra do brasileiro naturalizado
alemão Luciano Barbosa, outro ex-Flamengo,
que na época tinha 11 anos - e hoje, aos
18, jogou pela Espanha neste Mundial.
Duas
seleções promissoras sem dúvida são o Qatar
e a Nova Zelândia. Ambas avançaram às oitavas
de final. O Qatar vinha muito bem com o
meia Márcio Melo liderando a equipe, mas
parou na Holanda de Paulo Azevedo (aquele,
ex-São Paulo, que saiu do Morumbi aos 9
anos de idade, transferido para o Ajax).
A Nova Zelândia, que tinha os irmãos Reinaldo
e Renato Correia, ambos ex-Vasco, surpreendeu
ao eliminar na primeira fase a Ucrânia,
da decepcionante promessa Ricardo Cunha
- lembram do Ricardo? Foi infanto-juvenil
no Mengão! Mas os neozelandeses não puderam
com a Coréia do Sul de Naibson Alves e Maicon
Silva Júnior. Naibson não lembro dele, mas
acho que jogou no Sport Recife até os 5
anos. Já o Maicon Júnior era o Juninho,
aquele que o Fluminense vendeu quando completou
11 anos, junto com seu irmão, Marlon Silva
Neto, o Netinho, que chegou a jogar pela
Croácia nas eliminatórias, mas não foi suficiente
para classificar seu país ao Mundial.
Infelizmente
a Seleção Brasileira também não participou
desta Copa. A exemplo de 2026, não tínhamos
jogadores com nacionalidade brasileira suficiente
para montar uma Seleção. Fica pra próxima,
quem sabe.
Adianto duas seleções
que devem detonar em 2034: a Bielo-Rússia
e os Emirados Árabes Unidos. Ambas ficaram
de fora desta copa, mas tem duas sensações
juvenis que estão dando o que falar. O bielo-russo
Serginho Pereira foi artilheiro do último
Mundial Sub15 e levou seu país à semi-final.
Já os Emirados Árabes chegaram às oitavas
graças às boas atuações do goleiro José
Carlos Costa. Não podemos esquecer que a
Bélgica, do ex-Figueirense Tiago Lima, foi
a campeã mundial sub15, depois de vencer,
nos pênaltis, o Uzbequistão do zagueiraço
Aurélio Castro.
É bom se classificar
para 2034 sem precisar de repescagem. Se
a Seleção Brasileira for à repescagem e
pegar alguma dessas seleções listadas acima,
ou ainda o Bahrein de João Fernandes, a
coisa vai complicar!
Força, Brasil!
Vamos parar de vender a molecada e botar
esses garotos para jogar na Seleção Principal!
Não aguento mais comemorar apenas títulos
Sub11, Sub8 e Sub5!
Stefan Lorax, Diratamente
da Malásia, da Copa Centenária de 2030".
Com
a quantidade de jogadores brasileiros que
vêm sendo naturalizados para atuar por outras
seleções, não duvide que esta coluna venha
a ser verdade para as próximas décadas.
Ronaldo? Ronaldo! 04/05
Nunca a piadinha do pânico fez tanto
sentido. Nunca Ronaldo foi mania tão grande
no Brasil - nem mesmo quando foi o herói
do penta em 2002. Talvez só em 1998, quando
ele foi o grande fracassado na França, seu
nome foi tão falado no Brasil. E isso chega
a ser óbvio. Como um jogador do Real Madrid
ou da Internazionale seria mania no país?
Tudo bem que valorizamos nossos craques
que jogam no exterior. Mas a distância e
o longo tempo sem vê-los de perto acabam
esfriando essa relação. Em geral o brasileiro
valoriza mais Obina e Thiago Neves a Kaká
ou Alexandre Pato, porque são Obina e Thiago
Neves que atuam aqui.
Os questionamentos
com Ronaldo, obviamente, sempre foram outros.
No PSV Eindhoven Ronaldo disputou 45 partidas
e marcou 42 gols. No Barcelona foram 34
gols em 37 jogos. Na Internazionale foram
49 gols em 68 jogos. No Real Madrid, de
onde saiu como um gordo fracassado, Ronaldo
marcou 83 gols em 127 jogos. E no Milan
foram 9 gols em 20 jogos. Pela Seleção Brasileira
foram 62 gols em 97 jogos. E aqui no Corinthians?
São 11 jogos e 9 gols marcados. Os números,
por onde quer que Ronaldo passe, são impressionantes.
É até estranho ver jornalista que sempre
apoiou Ronaldo dizer que não acredita nele
quando ele assinou com o Corinthians. Porque,
em termos de desempenho, o Fenômeno nunca
esteve por baixo. Na Copa do Mundo de 2006,
sua grande derrocada, foram cinco jogos
e três gols. Não é ruim. É exatamente o
mesmo número de Romário na Copa de 94 até
as quartas-de-final.
A crença em
Ronaldo se motiva por outro fundamento.
O quanto Ronaldo pode jogar - em termos
de quantidade, não de qualidade? Quanto
ele resiste? O cara sofreu uma queda em
Curitiba e quase matou todos do coração.
Na véspera da final sentiu dores e seu nome
para a decisão esteve questionado. No final
das contas ele jogou. Mas quando ele tomar
outra pancada no joelho? A capacidade de
Ronaldo só pode ser questionada fisicamente.
Em
campo? Um cara de quase 100kg arranca em
velocidade e marca um gol no São Paulo com
uma facilidade que Neymar, de 17 anos e
levinho, magrinho, não faria. Que fique
claro que esses nove gols de Ronaldo no
Corinthians aconteceram todos em jogos decisivos.
No empate com o Palmeiras, nas duas vitórias
do São Paulo na semi-final, na vitória contra
o Santos na final onde o Corinthians venceu
o título. Podemos dizer que Ronaldo ganhou
esse título para o Corinthians. Não que
o time não tivesse ganho sem ele. Talvez
tivesse - embora eu ache difícil. O investimento
foi justificado.
Mais uma vez o cara
conseguiu. E calou a boca de quem apostava
contra ele. Isso inclui o Fanático Esporte
Clube.
Ronaldo!
Confronto desigual 27/04
Muita gente cai na besteira de, em eventos
como este Santos x Corinthians, centrar-se
nas principais figuras do jogo e estabelecer
um duelo particular. No caso, Neymar x Ronaldo.
Tal acepção já começa idiota quando você
se toca que não pode haver um Neymar x Ronaldo
quando os dois vão passar maior parte do
jogo em locais opostos. Como vamos ter um
Neymar x Ronaldo sem confronto direto entre
ambos? Seria mais lógico um Neymar x Chicão
ou um Fabão x Ronaldo. E se você parar para
pensar, Neymar tem um futuro promissor,
mas ainda está começando. Não ganhou nem
Copa São Paulo de Juniores. Ronaldo é um
cara com Copa do Mundo, Copa da Uefa, Copa
da Itália, Campeonato Espanhol, três prêmios
de Melhor do Mundo pela FIFA e clubes como
PSV, Barcelona, Internazionale, Real Madrid
e Milan no currículo.
Mas não vou
entrar nesses méritos sobre Ronaldo e Neymar,
afinal, o próprio Neymar não tem culpa disso.
E pode, por que não, vir a superar Ronaldo.
O
caso que vou comentar aqui é outro. Em 2005
Tevez chegou à MSI, vulgo Corinthians. E
no primeiro confronto Corinthians e Santos,
começou um papo de Tevez x Robinho. E na
mesma hora pensei... quais os confrontos
diretos entre Tevez e Robinho que foram
realizados até ali? A Libertadores em 2003
e o Pré-Olímpico em 2004. Tevez venceu ambos.
O que Robinho tinha conquistado na carreira?
Dois brasileiros, sendo Bola de Ouro em
um deles. E tinha fracassado numa Copa Ouro
e num Pré-Olímpico. E Tevez? Uma Libertadores,
um Mundial Interclubes, uma Copa Sul-Americana,
um Campeonato Argentino, um Campeonato Sul-Americano
Juvenil e uma medalha de ouro Olímpica.
E foi o melhor jogador da Libertadores 2003
e dos Jogos Olímpicos.
Hoje Tevez
está no Manchester United onde conquistou
uma Liga dos Campeões. Já Robinho é jogador
contestado no Manchester City. Será que
a Inglaterra faz o mesmo Tevez x Robinho
no dérbi de Manchester? Não. Porque isso
seria estúpido. Aliás, já era cinco anos
atrás. A mídia brasileira adora mesmo um
confronto desigual...
Só faltou o tema da
vitória 20/04
Venho aqui registrar um protesto contra
a Rede Globo de Televisão pela falha cometida
durante a transmissão do Grande Prêmio da
China neste domingo. Eu tive que aguentar
os comentários de Luciano Burti a corrida
toda para, no final das contas, ver o Nelsinho
Piquet atravessar a linha de chegada sem
que fosse executado o tema da vitória. COMO
ASSIM? Ah, claro! Senna vencia, tinha tema
da vitória. Rubinho, bem, vencia uma vez
a cada quatro anos, tinha tema da vitória.
Massa vence, tem tema da vitória. Mas e
para Nelsinho Piquet?
Tudo bem que
Nelsinho chegou em último lugar! Mas e daí?
Ora! Terminar uma corrida para o Nelsinho
é uma vitória! Cadê o tema da vitória? Ah,
OK, Nelsinho tomou umas 50 voltas a corrida
toda. E daí? Pararam para pensar que Nelsinho
tomou essas 50 voltas e em nenhuma delas
causou um acidente? E o mair importante
de tudo: Nelsinho rodou por volta de 100
vezes na prova. E em nenhuma delas abandonou
a corrida!
Por que a Rede Globo não
enxergou que, com tudo isso junto, o Grande
Prêmio da China foi uma verdadeira vitória
para Nelsinho Piquet? O cara já abandonou
dez corridas na carreira. Termina uma, merece
uma celebração, não acham?
Parabéns,
Nelsinho! A gente toca o tema da vitória
pra você!.
Acabou o combustível 13/04
Sabe quando você vai dirigindo e, de
repente, a luz que indica que a gasolina,
ou o álcool, já entrou na reserva, acende?
Aí você tem que abastecer de qualquer jeito,
ou vai acabar ficando na rua por falta de
combustível - coisa que Rubens Barrichello
entende muito bem. Pois bem. A parceria
entre Flamengo e Petrobras vivia justamente
essa situação.
Não há como pensar
numa relação entre clube e patrocinador
e não ligar exatamente a Flamengo e Petrobras.
Nenhuma parceria nunca foi tão duradoura.
Enquanto certos clubes mudam de patrocínio
a cada ano - ou a cada jogo, caso do Corinthians...
- o Mengão mantinha a marca da maior empresa
do Brasil a nada mais, nada menos que 24
anos. A última vez que o Flamengo entrou
em campo com a camisa lisa, sem nenhum patrocinador,
foi no Campeonato Estadual do Rio de 1983.
E nunca, jamais, houve outra marca estampada
na gloriosa camisa rubro-negra.
Os
mais desavisados, que não leram notícias
nas últimas semanas, certamente foram pegos
de surpresa quando ligaram a TV no domingo
retrasado para assistir, através do pay-per-view,
ao Fla-Flu, o mais charmoso clássico brasileiro,
e viram a camisa do Flamengo limpa - que,
esteticamente, fica MUITO mais bonita. Mas
economicamente, não é viável. O problema
no patrocínio da Petrobras era que, por
se tratar de uma empresa estatal, a verba
só seria liberado mediante a inúmeras negociações
com o Governo Federal. Neste final de semana,
mais uma vez um Fla-Flu, e o Mengão ainda
sem marca na camisa.
Cheio de dívidas,
o Flamengo agora busca um novo patrocinador.
Vai ser estranho ver a sua camisa com uma
outra marca. Mas que seja um combustível
mais potente, para que o Flamengo possa
voltar a ser o grande campeão que um dia
foi.
Toda brincadeira tem
um fundo de verdade 30/03
O futebol europeu atualmente monopoliza
jogadores. Se uns saem do seu país assim
que revelados, como é o caso do William,
ex-Corinthians, ou do Alexandre Pato, e
certamente vai acontecer com Keirrison,
outros nem mesmo são relevados: saem antes,
caso de Messi e Giovanni do Santos que foram
ainda juvenis para o Barcelona.
Nesse
cenário, o jovem Masal Bugduv foi revelado
aos 16 anos na Moldávia, jogando pelo Olimpia
Balti. E como todo craque moderno, Bugduv
passou a fazer sucesso na Internet. Mas
não através do YouTube, e sim através de
blogs e fóruns. Tamanho era o tumulto em
cima de Bugduv que logo o garoto passou
a dominar as manchetes internacionais como
uma das jovens promessas do futebol europeu.
Até que o jornal britânico The Times o colocou
numa lista de jovens e promissores craques,
especulando sua transferência para o Arsenal.
Até o jornal moldavo Diario Mo Thon destacava
o fato.
Pois bem. Masal Bugduv não
existe. Era uma brincadeira forjada pela
Internet. Por fãs. Seu nome deriva de M'asal
Beag Dubh, ou "Meu Pequeno Macaco Negro"
em irlandês, que era o nome de um conto
popular onde um vendedor desonesto cobra
um alto preço por um macaco preguiçoso.
Diario Mo Thon também não existe: é o moldavo
para "Diário da Minha Bunda".
Logo, o jornal The Times caiu numa brincadeira
e a oficializou sem ao menos checar as fontes.
E
Bugduv torna-se um símbolo do futebol moderno:
jogadores que nem mesmo ainda foram vistos
ou revelados acabam transferidos para grandes
clubes europeus. Diferentemente de Bugduv,
esses existem. Mas o talento é tão fantasma
quanto essa brincadeira proveniente da Internet.
Devagar, Neymar! 23/03
OK, o menino joga bem. Mas vamos com
um pouco de calma antes de afirmar qualquer
coisa. Ontem vimos em campo um Neymar apagado
e intimidado contra o Corinthians - coisa
que não acontecia com Robinho e Diego, por
exemplo, que sempre faziam a diferença em
clássicos. Não quero dizer com isso que
Neymar não seja um jogador promissor, que
seja uma promessa furada, nada disso. Muito
pelo contrário. Fico preocuopado com o que
o assédio precoce pode fazer a um jogador
- que é coisa que acontece muito na Argentina,
por exemplo.
Neymar tem 17 anos de
idade e aos 14 já era assediado por Real
Madrid e clubes europeus em geral. O mesmo
fenômeno que acontece hoje em dia com o
menino Jean Carlos Chera, que tem hoje 14
anos de idade.
Significa que nossos
jogadores recebem status de craque e possibilidade
de transferência MUITO CEDO. Isso pode ser
positivo, como foi com Messi, que foi ainda
pré-adolescente para o Barcelona. Mas o
assédio exagerado e a responsabilidade sobre
um jogador adolescente, como o Neymar, podem
acabar prejudicando a carreira de um jogador
que tem muito futuro pela frente.
O
clássico de ontem não devia ter sido visto
como um Neymar X Ronaldo. Devia ser visto
como um Corinthians X Santos. Qual foi o
resultado? O jogo acabou sendo decidido
por um jogador que estava sem nenhuma responsabilidade:
Dentinho. Logo o Dentinho, que recentemente
vinha sofrendo pressão e caindo de rendimento.
Saiu a pressão, o rendimento voltou. Isso
prova que, quando um talento é jovem, é
melhor deixar que ele jogue e se firme para
depois elogiar e taxar como craque.
O fenômeno Keirrison 16/03
Vamos direto ao ponto: cadê Keirrison
na seleção brasileira? Porque o Thiago Neves
não passa de um jogador mediano, sendo muito
bondoso com ele, que consegue uns driblezinhos
no Campeonato Estadual do Rio e marca três
gols contra aquele timeco da LDU, mas nem
o pênalti decisivo é capaz de acertar. É
um jogador tão supervalorizado que chegou
na Alemanha e não passou de um nada, num
campeonato onde até Aílton e Marcelinho
Paraíba conseguiram destaque. E mesmo assim
a imprensa tanto que insistiu que o convocaram
para a Seleção.
Felipe conseguia
ser ainda pior. Colocava a mão na cintura
e puxava a bola de lado. Claro que contra
um zagueiro do Cabofriense ou do Madureira
isso era um drible digno de Maradona. Mas
bastou pegar o Santo André que não passava
do meio-campo: era simples. Coloca o pé
na bola que ela fica e o Felipe passa. Bateram
o pé e o cara foi convocado.
Leonardo
Moura corre feito Usain Bolt e não acerta
um passe. Mesmo assim foi convocado para
chegar na seleção, errar 100% dos cruzamentos
que tentou e ainda assim foi elogiado pela
imprensa.
Ronaldo fez regime e perdeu
peso. Acho que perdeu por volta de 10kg.
Então agora pega 200kg. Fez dois gols sortudos
baseados unicamente no seu posicionamento
e já querem o cara de volta na Seleção.
Mas
e o Keirrison? O cara é veloz, habilidoso
e não perde gols. Fala-se muito em Sérgio
Agüero aqui no Brasil. Então por que não
falar (ainda mais) no Keirrison? Porque
ele aparenta ser tão bom quanto o Agüero.
Quando Ronaldo, então chamado Ronaldinho,
foi revelado, só se falava nele. Era incrível.
Falavam até quantas vezes ele visitava a
namorada num mesmo dia. Keirrison merece
essa mesma atenção, porque finalmente estamos
presenciando um atacante realmente bom.
O último foi ele, Ronaldo. É exagero dizer
que Keirrison se compara àquele Ronaldo,
o fenomenal, do Barcelona ou PSV Eindhoven.
Não se compara nem mesmo ao do Cruzeiro.
Mas já é muito melhor que tudo que veio
depois em termos de atacante.
Aliás:
Keirrison é o que o Brasil precisa. Um trio
ofensivo com Kaká fazendo a ligação para
Robinho (que não pode querer fazer firula,
mas sim o que atacante de área tem que fazer:
servir o centroavante), que chega na cabeça-de-área
e passa para Keirrison seria simplesmente
ideal para arrebentar numa Copa do Mundo.
E
estranhamente não vejo ninguém pedindo o
cara na seleção. Fala sério... talvez se
ele jogasse no Corinthians, Flamengo ou
Fluminense....
Um gol. Comemoração.
E um problema 09/03
Todo mundo comemorou o primeiro gol de
Ronaldo pelo Corinthians - com exceção dos
palmeirenses e dos rivais de sempre, claro.
Mas torcida, clube e imprensa em muito festejou
o primeiro gol do centroavante, principalmente
por ter acontecido num clássico. É aquele
momento em que ninguém acorda para a realidade
devido à adrenalina e emoção pelo gol.
Vamos
ser honestos, o que vimos em campo contra
Palmeiras e Itumbiara? Um Ronaldo ainda
muito gordo, absurdamente lento, incapaz
até mesmo de passar o pé sobre a bola. Como
o cara sempre foi um goleador, os gols acontecem.
Aconteceu este, num clássico, com certeza
surpreendendo muita gente. Mas alguém se
atreve a dizer quando será o próximo? E
não digo isso questionando a capacidade
de Ronaldo, que em sua pior fase, no Milan,
chegou a marcar 9 gols em 20 jogos - média
de 0,45 por jogo, algo muito bom para um
atacante comum. Questiono a recuperação
do Ronaldo, porque claramente não estava
pronto para entrar em campo.
O gol
pode dar a ideia de que o cara "voltou",
como ontem muita gente chegou a comentar.
Falando como se Ronaldo já estivesse, mais
uma vez, recuperado, o que não é um fato.
Tudo
bem, foi bonito ver o Ronaldo comemorar
com a torcida e com o time. Quanto tempo
fazia que não víamos um gol do cara? Um
ano! OK, comove... mas não é assim que tem
que se pensar. Ronaldo é um jogador que,
recuperado, deve fazer participações como
"jogo sim, jogo não", jogar apenas
em casa, coisa do tipo. Pôr o cara em campo
do jeito que ele está é precipitar.
E
um gol agora pode antecipar ainda mais essa
precipitação.
O melhor, eu diria,
é esperar um pouco mais. Voltou? Fez o gol?
OK. Agora dá um tempo para recuperar e perder
peso. Porque pouco adianta um gol apenas.
Apenas
"colegas" de trabalho 02/03
Clássico paulista na Vila Belmiro. O
Santos vem vencendo. Em bela jogada individual,
Dagoberto passa por três zagueiros e tem
Washington livre como opção de passe. Ao
invés do companheiro, Dagoberto chuta a
gol - e perde. Nada demais, certo? Apenas
mais um lance de jogo. Até que, após o térmido
da partida, a imprensa, obviamente maliciosa,
tenta se aproveitar do clima tenso em que
fica o São Paulo após uma (rara) derrota.
Procuram Washington e perguntam sobre o
lance em que Dagoberto não quis lhe passar
a bola. O atacante do São Paulo, obviamente
insatisfeito, diz que acha que Dagoberto
poderia ter passado. A Dagoberto chega que
Washington lhe chamou de fominha, e responde
com um "Eu não gosto de coisas que
ele [Washington] faz, e não saio falando.
Então ele não precisa reclamar que eu não
passei. Eu tentei chutar na cara do gol.
Perdi, acontece." E o São Paulo, que
faz questão de ser (aparentar?) um clube
transparente, noticia o acontecido em seu
site oficial.
É interessante que
o São Paulo tenha essa postura tão honesta
que até assusta. Mas e quanto ao problema
dos atacantes? Como resolver?
Tudo
bem que a imprensa jogou lenha na fogueira.
Mas é fato que Washington e Dagoberto trocaram
poucos passes durante o jogo, como se fosse
mais importante o resultado individual para
cada jogador. É aquele momento onde o jogador
parece se preocupar mais com o seu desempenho
que com a vitória do time. Geralmente isso
ocorre quando dois jogadores brigam pelo
reconhecimento, preferência do treinador...
e certamente agora você lembrou de Ronaldinho
e Eto'o no Barcelona.
Uma rivalidade
saudável, obviamente, é benéfica ao time
- quando um jogador ou outro prefere marcar
gols, mas sabe qual a melhor hora para passar.
Imaginem se na Copa de 1994 Romário insistisse
em marcar em Tony Meola ao invés de passar
para Bebeto marcar o gol solitário da magra
vitória sobre os Estados Unidos nas oitavas-de-final.
Esse
acontecimento entre Washington e Dagoberto,
obviamente, pode não ser nada mais que a
cabeça quente após o jogo. Depois de uma
ducha, os dois esfriam a cabeça, se arrependem,
se deculpam, etc. Mas, caso torne-se realmente
uma briga pessoal, o clima no vestiário
pesa e o time pode sentir os reflexos da
rivalidade entre os dois - elenco dividido,
jogo com pouca produtividade...
A
única coisa que me pergunto é... o que vai
se falar sobre esse assunto quando o São
Paulo fizer mais uma grande temporada, passando
por cima de todos os seus problemas, como
é costume do clube?
Um filho para renovar as esperanças 23/02
Muitas vezes me pego invejando o futebol argentino. Os clubes locais têm muito mais facilidade em manter seus craques do que os brasileiros. Jogadores como Rodrigo Palacio do Boca Juniors ou Falcao Garcia do River Plate, fossem revelados em categorias de base de clubes brasileiros, sem dúvida já teriam sido negociados nas suas primeiras temporadas de sucesso - Palacio, por exemplo, até Copa do Mundo já disputou.
Mas o que não parei para pensar é que o futebol argentino, nacionalmente falando, na verdade sofre muito mais que o brasileiro. Sua seleção principal não ganha um título relevante desde a Copa América de 1993. os dois ouros olímpicos são títulos com a seleção olímpica. Nas duas vezes em que encarou a Seleção Brasileira numa final de Copa América, entrando como favorita, foi derrotada. Numa delas, vencia por 2x1 até os 48 do segundo tempo quando tomou empate e foi derrotada nos pênaltis. Na outra com Tevez, Riquelme e Messi em campo foi massacrada por 3x0. Na última Copa das Confederações, um massacre por 4x1 na final. As palavras de Maradona, após a Argentina vencer por 3x0 a Seleção Brasileira nas semifinais dos Jogos Olímpicos, de que "há muito não via um Brasil tão pequeno", chegam a soar irônicas.
Aliás... é Maradona justamente o ícone disto que é o futebol argentino hoje em dia. Esse sucesso todo começou em 1979, quando Maradona guiou a seleção juvenil ao título Mundial Sub20, e atingiu seu ápice nas finais da Copa do Mundo de 1986 e 1990, ambas contra a Alemanha, com a Argentina de Maradona vencendo uma e perdendo outra. A derrocada final aconteceu com o doping de 1994, que hoje Maradona admite seu erro. A Argentina que se classificou àquele Mundial aos trancos e barrancos confiava em Maradona para levá-la ao título. O jogador foi pego no exame antidoping e logo foi banido das Copas do Mundo. Em 1998 a Argentina caiu para a Holanda nas quartas-de-final, a um jogo de fazer uma semifinal sensacional contra o Brasil. Em 2002 fez campanha patética e caiu na primeira fase. E em 2006, nova derrota nas quartas-de-final, para a dona da casa Alemanha.
Esse tempo todo, de 1994 pra cá, a Argentina vem desesperada na procura de algo que chama de "novo Maradona". Muitos surgiram como essa promessa. Ariel Ortega, Javier Saviola, Pablo Aymar, Marcelo Gallardo, Juan Román Riquelme, Andrés D'Alessandro, Carlitos Tevez... todos fracassaram - não como jogadores, mas como Maradonas. O Maradona da vez já tem nome: Lionel Messi. Caso ele fracasse, já existe um substituto: Sérgio Agüero.
Mas o mais curioso é que hoje existe, de fato, um Maradona. E está diretamente relacionado com este rapaz que pode ser o "próximo" Maradona, Sérgio Agüero: nasceu, recentemente, Leonal Benjamín Agüero Maradona, filho dele com Giannina Maradona, filha do camisa 10. Pronto: agora os argentinos têm o que queriam. Um "novo Maradona" garantido, pelo menos, até a Copa de 2030.
Como
em 1970... 16/02
Guardadas as devidas proporções, lógico.
Não quero, de maneira alguma, comparar essa
atual seleção brasileira com aquele timaço
de 70 - simplesmente o melhor elenco de
todos os tempos. Quem viu Brasil x Itália
na última terça-feira, no entanto, pode
ter se assustado com uma superioridade brasileira
fora do comum. Realmente, a última vez que
se viu um Brasil tão superior à Itália assim
foi em 1970. E olha que naquela época a
Itália nem era tão poderosa quanto hoje
em dia...
Isso foi bom e ruim. Claro
que é ótimo que o Brasil vença adversários
difíceis. Foi a Itália, foi Portugal, e
com Dunga no comando já batemos a Argentinas
duas vezes - claro, considerando apenas
a seleção principal - olímpica não conta.
Mas é ruim a percepção que esse jogo contra
a Itália nos dá: é uma prova daquilo que
todos comentam nas ruas: a Seleção Brasileira
só se apresenta bem quando o adversário
em questão é uma equipe forte. E a mesma
Seleção Brasileira que vence a Itália é
capaz de empatar com o Kwait em 0x0.
A
partir daí, dois questionamentos: 1 -
A Kentaro, empresa suíça, "comprou"
a seleção brasileira - ou seja, é a Kentaro
quem agenda os amistosos da equipe. Por
quê? A CBF não tem organização para tal.
Deveria ter. A Kentaro ofereceu um bom dinheiro
para ter o controle sobre os amistosos e
os lucros? Talvez. Mas um produto como a
Seleção Brasileira deveria ser capaz de
se pagar. O Brasil tem os jogadores mais
famosos e "estrelados" do mundo.
Não são necessariamente os melhores, mas
são os mais malabaristas, os mais polêmicos,
os que mais vendem. A própria CBF tinha
capacidade de administrar isso tudo. Ao
invés disso, a Kentaro é quem fica com o
trabalho, e com os lucros. A Kentaro marca
os amistosos, a seleção tem que jogar.
Por
outro lado, a Kentaro tem uma gestão de
marketing eficiente, como todo modelo mercadológico
europeu. Isso torna os amistosos da Seleção
na Europa bem mais visados que com o fraco
esquema de marketing da CBF. Isso não é
necessariamente bom. O futebol fica em segundo
plano.
Não seria mais vantajoso que
a CBF administrasse seu próprio produto?
Rodrigo Paiva é um assessor de imprensa
EXCELENTE. Posso dizer, inclusive, que Rodrigo
Paiva é o meu maior ídolo na Seleção hoje,
e é o principal nome da equipe - e olha
que nem jogador ele é. Com certeza ele teria
condições de liderar esse papel. Rodrigo
Paiva à frente do marketing da Seleção Brasileira,
já! Nossa equipe nacional só teria a ganhar
com seu talento.
2 - Vale à pena
enfrentar seleções de pequeno porte? Não.
Por que isso acontece? Não é culpa da Kentaro.
A empresa agenda o amistoso, mas a Seleção
PODE pedir mudança de adversário. Um amistoso
contra China, Kwait, Tailândia ou Emirados
Árabes Unidos obviamente é um caça-níquel,
acontece apenas para que os endinheirados
asiáticos possam ter algum acesso aos seus
ídolos que veem na TV em campeonatos europaus.
Mas não é o tipo de amistoso que agregue
nada à seleção em si.
Se o adversário
não serve e a CBF pode questionar, deveria
questionar. O que é melhor? Empatar em 0x0
com a China ou enfrentar e derrotar a Itália?
A Copa do Mundo está próxima. Para chegar
à África do Sul em plenas condições de jogar
bem a competição, o melhor que se tem a
fazer é uma boa preparação. Temos pela frente
as Eliminatórias e a Copa das Confederações,
mas é pouco. Amistosos devem ser aproveitados
para enfrentar rivais fortes - e eu gostaria
de ver jogos contra Alemanha, França, Espanha,
Inglaterra, Holanda...
O
amistoso da discórdia 09/02
O futebol sempre é marcado pela política,
por algo extracampo. Ou por algo em campo
que supere o jogo em si. Na Copa de 1934,
na Itália, tivemos a sombria reunião entre
Mussolini e o árbitro Ivan Eklind na véspera
da final, que seria entre Itália e Tchecoslováquia.
Em 1978 a Argentina passava por uma crise
política e o futebol seria um alívio para
o povo. A forma como a Argentina se classificou
à final, vencendo o Peru por 6x0, até hoje
é questionada pelos brasileiros. Em 1986
novamente a Argentina e o gol de mão de
Maradona sobre a Inglaterra, num jogo que
para muitos foi uma resposta à derrota da
Argentina para a Grã-Bretanha na Guerra
das Malvinas. A final da Copa de 2006 ficou
marcada pela cabeçada de Zidane em Materazzi.
Talvez
por o futebol ser um jogo tão conectado
com o povo, a política acabe entrando no
jogo, sempre.
O amistoso entre Brasil
e Itália seria apenas um novo encontro entre
dois velhos rivais, que há muito tempo não
se enfrentavam. O último confronto foi em
1997, pelo Torneio da França, empate em
3x3. Em campo, muita história, sempre conectada
com a Copa do Mundo. Em 1994, a final em
0x0 decidida nos pênaltis, com um erro de
Roberto Baggio. Em 1982, a famosa Batalha
do Sarriá quando o Brasil, com Zico, Sócrates,
Falcão e Júnior tomou três gols de Paolo
Rossi e a Itália de Marco Tardelli foi à
semi-final. Em 1970, goleada com show de
Pelé, Tostão, Gérson e Rivellino. Mas era
pra ser apenas um jogo, como sempre foi.
Nada mais que isso. Uma mera rivalidade
futebolística.
Mas a política entra
em campo. O polêmico caso Cesare Battisti,
revolucionário acusado de quatro assassinatos
na Itália. Battisti pediu asilo político
ao Brasil. Tarso Genro, Ministro da Justiça,
julgou que Battisti era acusado de crime
político e acatou seu pedido. A decisão
causou um furor nas relações Brasil-Itália,
que sempre foram as melhores. Nosso país
é formado, em parte, por italianos. Nossa
história no Século XX se confunde com a
Itália, e cidades como São Paulo são uma
grande prova disso.
Não nos cabe
aqui julgar se os crimes de Battisti foram
políticos ou comuns, e se ele merece ou
não o asilo, se ele deve ou não receber
extradição. Nosso caso é sobre futebol.
Até
o nome de Carla Bruni, modelo italiana e
primeira-dama da França, foi envolvido.
Em toda parte que haja brasileiro e italiano
o assunto vem à tona, e obviamente isso
chegou ao amistoso, que não chegou nem a
ser ameaçado. Em momento algum se cogitou
cancelar a partida. O jogo é em campo neutro
(Londres). Certamente teremos muitos brasileiros
e muitos italianos nas arquibancadas, e
estes estarão muito mais cientes sobre o
caso Battisti que os próprios jogadores
- ou pelo menos os jogadores brasileiros,
que nunca devem ter ouvido falar no cara.
Mas se até aqui tudo que envolve Brasil
e Itália termina em Battisti, como será
diferente no futebol, a válvula de escape
do povo que sempre acaba se envolvendo com
política? Lula e Silvio Berlusconi assistirão
ao jogo? Se cumprimentarão? Representantes
oficiais de Brasil e Itália, o que farão?
Isso
me lembra o histórico confronto entre Estados
Unidos e União Soviética no hóquei no gelo
pelos Jogos Olímpicos de Inverno de 1980.
A União Soviética havia acabado de invadir
o Afeganistão. Era o auge da Guerra Fria.
A torcida estadunidense recebeu a União
Soviética com a faixa GET YOUR PUCKS OFF
THE AFGHANISTAN (TIREM SEUS DISCOS DO AFEGANISTÃO
- "disco" aqui é o "disco"
de borracha, de hóquei no gelo). Teremos
em Brasil X Itália torcedores com uma faixa
ESTRADARE BATTISTI DI TUO SQUADRA (EXTRADITEM
O BATTISTI DO SEU TIME)?
Certamente,
nada demais vai acontecer. Hoje em dia o
futebol é mais negócios que política. Mas
o confronto vai ficar marcado por ocorrer
no meio dessa crise entre Brasil e Itália.
É um amistoso num momento de discórdia entre
os dois países. Não existe nada mais futebolístico
que isso.
O teto caiu 19/01
O contrato de Mats Sundin com o Toronto Maple Leafs venceu e o veterano central optou por não renová-lo com à franquia, afinal de contas, seu desejo é, finalmente, vencer uma Copa Stanley. Anaheim Ducks e New York Rangers bem que gostariam de contratar o jogador, mas não havia espaço no teto salarial de sua folha. Sundin acabou partindo para o Vancouver Canucks, que tem grande chances de vencer a Copa."
Isso tudo de fato aconteceu. E certamente você não entendeu nada do que leu.
Então, de forma fictícia, vamos colocar em termos futebolísticos, só para que você entenda.
"O contrato de Francesco Totti com a Roma venceu e o veterano atacante optou por não renová-lo com o clube, afinal de contas, seu desejo é, finalmente, vencer uma Liga dos Campeões. Manchester United e Chelsea bem que gostariam de contratar o jogador, mas não havia espaço no teto salarial de sua folha. Totti acabou partindo para o Chelsea, que tem grande chances de, finalmente, vencer uma Liga."
A informação que abre a coluna, fosse passada para o mundo do futebol, seria essa acima. Tudo parece normal, exceto o tal "teto salarial". O texto real, envolvendo Mats Sundin, Toronto Maple Leafs e Vancouver Canucks compõem o dia-a-dia da NHL, Liga Nacional de Hóquei, dos Estados Unidos e Canadá, o torneio de clubes de hóquei no gelo mais importante do mundo, tal qual a Liga dos Campeões para o futebol. Na temporada 2004-05 o então campeão Tampa Bay Lightning (imaginem o Atlético de Madrid vencendo a Liga dos Campeões... seria mais ou menos isso) não pôde defender seu título. Motivo? A temporada foi cancelada, pois a Liga e a NHLPA, a associação dos jogadores, estavam discutindo a implementação de um teto salarial.
O teto salarial impôs um limite à folha de pagamento de cada clube. Logo, um clube não poderia se entupir de estrelas, a não ser que elas aceitassem ter o seu salário realmente reduzido. O finlandês Teemu Selanne, por exemplo, só voltou ao Anaheim Ducks na temporada 2007-08 porque aceitou que seu salário costumeiro, de US$ 6 milhões por temporada caísse para US$ 1,5 milhão. Isso impediu que equipes como o New York Rangers cometessem abusos financeiros que lhe eram costumeiros, e também permitiu um equilíbrio maior à liga, pois cada time poderia ter alguns jogadores de altíssimo rendimento vestindo sua camisa.
Agora vemos abusos financeiros como o Real Madrid em sua época "Galáctica"; o Chelsea logo na chegada de Roman Abramovich; e, agora, o Manchester City com um magnata do petróleo. E olha que tem gente que prevê o próximo ataque: Queens Park Rangers, comprado por um bilionário gastador qualquer.
Diga-se de passagem, ficou tudo muito fácil. Não vemos mais equipes emergentes com jogadores raçudos, que compensam sua falta de técnica com grande aplicação tática, empenho, e resulta num elenco heróico e vencedor. Agora chega um ricaço num pequeno, injeta dinheiro à rodo, compra-se os melhores jogadores do mundo, muda-se a história.
O que é isso? O futebol é melhor assim?
E aqueles tempos em que Steaua Bucaresti ou Estrela Vermelha surpreendiam e venciam a então Copa dos Campeões? Ou mesmo o Ajax Amsterdam, que era um clube forte e sempre presente nas principais conquistas européias? Hoje o Ajax nem na Liga dos Campeões está...
Por isso, pergunto: não seria melhor que tivéssemos um "teto salarial" no futebol, pelo menos na UEFA, igualmente temos na NHL?
Ou daqui a pouco veremos alguma equipe semi-amadora de algum bairro obscuro em alguma cidade pequena na Inglaterra vencer a Liga dos Campeões com Fernando Torres, Cesc Fabregas, Sérgio Agüero e Steven Gerrard no elenco.
Terra de ninguém? 14/01
O Vasco da Gama caiu para segunda divisão nos mesmos moldes que o Corinthians - um momento de transição no clube. Foi também o que aconteceu com Botafogo, Palmeiras, Grêmio... ou seja, algo perfeitamente previsível. Um clube que, após viver um bom tempo sob a mesma direção, sofre um baque até se ajustar às mudanças de comando.
O que nota-se no entanto é a barra que tem se forçado em responsabilizar a gestão anterior pela queda do clube. A direção atual, presidida por Roberto Dinamite, parece querer se eximir completamente das suas responsabilidades no processo de rebaixamento do Vasco da Gama. E não é bem assim...
Dinamite, para muitos o maior ídolo da história do Vasco, vai ter que conviver com o fato de que ELE foi quem caiu com o clube. A história não coloca asteriscos para explicar que Dinamite caiu após assumir os restos largados por Eurico Miranda. Até porque... Eurico realmente entregou restos assim?
Na verdade, sim, entregou. Mas e daí? Por quanto tempo Eurico dirigiu o Vasco nessas mesmas condições mas, com mãos fimes, impediu que o clube fosse rebaixado? Não estou querendo defender o Eurico... até porque acho que o antigo dirigente saiu do Vasco largando o clube em condições realmente adversas. Mas quero expor que com times semelhantes aos que Roberto assumiu, Eurico foi capaz de impedir a queda vascaína.
Logo... Roberto tem responsabilidade no rebaixamento. Não houve um comando mais forte por parte do ainda inexperiente presidente para controlar os nervos do clube.
E enquanto Roberto tenta trabalhar na volta do Vasco para a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, a oposição se manifesta de forma agressiva. O grupo Casaca comanda a campanha para retirada da atual diretoria do clube. Quem quiser acessar e ver o trabalho do Casaca, é só clicar aqui..
O problema é que isso tudo se assemelha a um outro cenário: o Corinthians da MSI, quando tinha uma oposição forte, formada por Antônio Roque Citadini, sempre se manifestando contra a direção vigente, à época Alberto Dualib e a MSI. E a diferença é que quando esse cenário estava formado no Corinthians, o clube estava na primeira divisão. Logo a conseqüência mais drástica foi a queda para a segunda divisão. Já o Vasco JÁ ESTÁ na segunda divisão e vive o momento mais crítico da sua história. A direção ainda não acertou as pontas e a oposição não dorme no ponto, sempre disposta a apontar os erros de Roberto e colocar o dedo na ferida.
Definitivamente, este não é um cenário para animar ninguém. E o futuro do Vasco, então segue incerto. Eu não duvido que o Vasco retorne à primeira divisão. Mas de forma alguma acho que isso vai acontecer de maneira tão fácil quanto aconteceu com o Corinthians - a quem o Vasco tenta copiar, quando lançou a campanha O Sentimento Não Pode Parar, semelhante à Nunca Vou Te Abandonar que o Corinthians promoveu quando foi rebaixado.
Mas quando o Corinthians caiu, houve uma trégua. E aparentemente, não vai haver trégua nenhuma no Vasco. Quem sofre com isso, é o torcedor.
Vamos ver até onde o clube agüenta.
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