STEFAN LORAX - ARQUIVOS 2007

Copa Libertadores wants you!
21/12

O jornal espanhol AS, aquele que é tão confiável quanto palavra do Vanderlei Luxemburgo, disse que a CONMEBOL estuda a idéia de abrir vaga para clubes norte-americanos, coisa que a Copa Sul-Americana já faz.

Primeiro, abrir vaga pra clubes norte-americanos... mas já não temos clubes norte-americanos? Os mexicanos! O México fica na América do Norte. Portanto, o correto é dizer que a CONMEBOL pretende abrir vaga para equipes dos Estados Unidos da América e do Canadá - porque a MLS, Major League Soccer, a principal liga de futebol (soccer) nos EUA inclui também uma equipe no Canadá, o Toronto Football Club.

Geograficamente, chamar clubes dos EUA e Canadá para a Libertadores não é nada bom. Primeiro, vai significar novas e longas viagens. Ir enfrentar, por exemplo, o Toronto, lá no meu querido Canadá, e depois descer para enfrentar o Rosário Central aqui na Argentina. Imagina o cansaço físico e a despesa que isso acarreta. Esse tipo de dificuldade já se verificava na inclusão do México na Libertadores.

Quer dizer que o canadense Stefan Lorax condena a inclusão dos norte-americanos todos? Não! De forma alguma!

Embora geograficamente não seja adequado, economicamente, é. O México é um país potencialmente rico. Não é nenhum primeiro mundo, mas seu futebol é tão organizado e movimenta tanta grana que tira jogadores do Brasil e da Argentina fácil, fácil. Os Estados Unidos e o Canadá então, nem se fala. São dois países riquíssimos que não desenvolveram gosto por futebol ainda. Mas estão tentando e abrir a Libertadores para a região é uma boa idéia nesse ponto. Os Estados Unidos e o Canadá têm a oferecer à Libertadores, economicamente falando, e têm muito a aprender.

A Libertadores também estaria ampliando seus horizontes de uma forma tal a virar uma Liga dos Campeões. É necessária a participação de mais equipes, e agora o que sugiro é: primeiro, uma preliminar maior. Mais equipes disputando a chamada "pré-Libertadores". E em seguida, uma Libertadores maior, como a Liga dos Campeões. Folgá-la um pouco mais e distribui-la ao longo do calendário da temporada, colocando-a junto com a Sul-Americana.

Se é para ter o mesmo retorno da Liga dos Campeões, a Libertadores precisa ter um formato tão inteligente e confiável quanto.

Agora... a decisão, seja qual for, não pode nem deve ser tomada às pressas. É necessário um planejamento minucioso, especialmente em três pontos:
- A América, como um todo, não é a Europa. É bem maior e tem um sistema de transporte bem mais deficiente. Isso significa viagens mais longas e mais caras. Então o calendário de uma Libertadores ampliada precisa ser bem planejado. A Libertadores precisa dar retorno aos clubes, como a Liga dos Campeões, e não dar prejuízo e ser um estorvo.
- O Calendário da CONMEBOL precisaria se adequar ao da UEFA. Afinal de contas, um clube não poderia perder seus principais jogadores durante a Libertadores.
- Negociar com a CONCACAF. Vimos na Libertadores os clubes mexicanos se desinteressando por ter que disputar as competições locais que valiam vaga na Copa dos Campeões da CONCACAF, que vale vaga no Mundial de Clubes, e eu mesmo já comentei aqui.

Tudo isso deve ser planejado com cuidado para que a solução seja inteligente. Inteligente, a CONMEBOL tem começado a ser em suas ações. Que siga evoluindo.

É bom ver a CONMEBOL pensando grande. Que colha bons frutos dessas atitudes.

E be welcome, estadunidenses e canadenses.

Admirável Mundial Novo
12/12

Nem tanto... percebe-se que, em três anos deste novo formato da Copa do Mundo de Clubes FIFA/Toyota... a competição evoluiu, sim. Parece estar mais organizada, ter um pouco mais de atenção da mídia como um todo e ter o empenho da FIFA em melhorá-la. Tanto que surge a proposta de Viatcheslav Koloskov, presidente da Comissão Organizadora do torneio, de levar a competição a outros países e torná-lo intinerante, como era a idéia inicial, quando foi disputado em 2000 no Brasil.

E é por isso que mais uma vez abro o espaço dessa coluna para discutir a competição.

Existe interesse num Mundial intinerante?
Certamente que sim. Lá atrás, em 2004, quando foi decidido que o Mundial se realizaria novamente em 2005 e se escolheu o Japão como sede, a idéia era que o país passasse a receber a competição todos os anos, como acontecia no esquema da Copa Toyota Intercontinental, mais tarde oficializada pela FIFA como um campeonato mundial. Essa era uma forma de se poupar dinheiro, afinal, uma sede fixa economiza mais que sedes intinerantes... e também de manter um foco interessante na competição: o Japão sendo um país de força nula, apaixonado por futebol, sempre teria o interesse de ter o campeonato... garantiria público... e, de quebra, daria ao campeonato uma sensação de "campo neutro" em sua decisão, uma vez que, fatalmente, os favoritos a decidi-lo são sempre europeus e sul-americanos.

A questão é que o Japão não é um país bem-visto futebolisticamente falando. Isso dá ao Mundial de Clubes uma aura de amadorismo e de torneio amistoso. Os Europeus parecem ir ao Japão apenas para fazer turismo e jogar algum futebol. Viajar para o Japão também pode parecer trabalhoso para um torneio curto de apenas dois jogos no máximo.

Tirá-lo do Japão e colocá-lo num país como a Espanha, por exemplo... atrai o interesse da mídia espanhola. Pensemos, por exemplo, se o Mundial de Clubes 2007 fosse na Espanha... Milan e Boca Juniors decidindo o campeonato no Santiago Bernabéu causaria muito mais impacto que em Yokohama.

Um outro fator importante na questão da sede intinerante é a oficialização de um representante do país-sede com vaga garantida no torneio - da mesma forma que o controverso Corinthians em 2000. Vamos tomar, novamente, a Espanha como exemplo. Teríamos na briga pelo título Milan, Boca Juniors e Real Madrid, caso o país-sede fosse representado por seu campeão. Imaginou uma final entre Milan e Real Madrid, digna de Liga dos Campeões? Com mais times competitivos, o Mundial ficaria mais chamativo. Teria mais interesse, com certeza.

E é importante colocar... essa é a hora de dar uma cara ao Mundial. A tradição tem que surgir daqui. Estamos no terceiro Mundial da "Era Moderna", todos no Japão - com um Mundial anterior no Brasil e uma série de Copas de um jogo no Japão novamente. Não dá para esperar muito para transformá-lo num circo e dar início ao que pode ser um torneio mais competitivo.

A competitividade deste Mundial é mais um critério que carece de uma evolução. Liverpool e Barcelona, por mais que finjam tristeza, indignação... não se abalaram tanto com a derrota de 2005 e 2006 respectivamente. O Milan já chegou ao Japão diferente este ano... não que o rossonero tenha vindo para disputar a Copa de sua vida... mas o semblante dos atletas parece mais concentrado no título que os dois europeus anteriores. Se o Milan de fato está valorizando o Mundial, é um sinal que o torneio começa a ganhar respeito. Interesse por parte do clube europeu é fundamental para que haja uma competitividade maior.

O Boca Juniors também precisa ajudar. Em 2005 e 2006 o que se viu, respectivamente, foi um São Paulo e um Internacional recuados, sem a menor condição de bater o rival... e conquistando o título num gol ao acaso. Isso não é interessante. Quando isso acontece num torneio esporádico, é legal, dá uma atmosfera diferente à decisão... mas se o Boca ganhar o título de forma recuada, por 1x0, com gol ao acaso e sofrendo pressão do Milan... a competitividade vai por água abaixo de novo. Fica aquela impressão de que o time sul-americana não é páreo para o europeu, mas que este ataca sem empenho e, num vacilo, perde o campeonato. Isso acontecendo todo ano acaba com toda a graça e mística do futebol. O Mundial dessa forma vai ser sempre o torneio que o europeu vem pra passear, não joga bola, mesmo assim é muito melhor que o primo pobre sul-americano que só venceu pela sorte. Então, espera-se um pouco de pressão do Boca... espera-se um jogo como São Paulo 3x2 Milan em 1993.

A edição 2007 é experimental nesse assunto. Resta esperar as estréias de Milan e Boca e saber se essa pequena evolução existe. É um primeiro passo.

Os três pontos aqui listados... a sede intinerante... o representante do país-sede... e uma maior competitividade... três pontos que chegam a se interligar... são vitais para que o Mundial deixe de ser um "torneio de férias". Esse é o caminho da evolução da competição.

Do contrário, teremos para sempre uma Copa Sul-Americana em versão Mundial.

A Vida na Série B
04/12

Esta coluna é de praxe, é clichê, é óbvia... mas imprescindível!

Sábado visitei o meu amigo e vizinho de cidade Thiago Leal, torcedor do Huddersfield Town, da terceira divisão inglesa. O motivo? O risco do meu querido Tottenham Hotspur ser rebaixado! Quero entender a vida numa divisão abaixo!

E eis que surge a chance de descobrir logo um dia depois... afinal de contas, todos sabem que este que vos fala tem uma pequena simpatia pelo Corinthians. E lá vai o Corinthians ladeira abaixo! Tchau, Corinthians!

O baque não poderia deixar de ser mais uma "crônica da derrota anunciada". O rebaixamento do Corinthians era tão óbvio que eu acreditava que ele não iria acontecer - igual ao jogo contra o São Paulo, quando tava na cara que o Tricolor iria arregaçar o rival alvinegro. Mas aconteceu o óbvio e o Corinthians que tanto batalhou para cair, caiu. Não, não foi ontem que o Corinthians caiu. Empatar com o Grêmio no Olímpico? Resultado muito bom! Agora, perder em casa do Sport, do Náutico, do Atlético Paranaense, do Vasco... um rebaixamento se constrói assim. Basta catar um jogo ou outro com algum pontinho perdido. O corintiano tem a tabela inteira do campeonato para procurar onde chorar.

E agora, partindo para o óbvio do óbvio... Onde esteve o Palmeiras em 2003?

Encarando uma difícil Série B a princípio, o Verdão virou o jogo de forma tão convincente que venceu o campeonato com 19 pontos de vantagem sobre o vice-campeão, o Botafogo - embora o Campeonato não fosse de pontos corridos, claro.

E onde estava o Palmeiras já em 2004? Encerrando o Campeonato Brasileiro em 4º lugar com vaga na Taça Libertadores da América. Em 2005, repetiu a campanha, terminou em 4º e novamente garantiu acesso à Libertadores.

A mesma história se deu com o Grêmio, rebaixado em 2004 após ter escapado por pouco em 2003. O ano de 2005 foi importante para o Grêmio por voltar à elite após um jogo sensacional com o Náutico, onde, com três jogadores à menos, defendeu um pênalti, marcou um gol e venceu por 1x0 a partida conhecida como Batalha dos Aflitos, que o devolveu à Série A. Para 2006, o Grêmio terminou o Brasileirão num espetacular 3º lugar, chegando à final da Libertadores em 2007.

Botafogo e Atlético Mineiro fecham a quadra dos "grandes" que caíram no Século XXI - coincidentemente, dois alvinegros, como o Corinthians. Apesar de, sim, terem dado a "volta por cima" e retornado à Série A já no ano seguinte, sendo o Botafogo com o vice-campeonato de 2003 e o Atlético com o título em 2006.

O Botafogo no entanto até hoje não provou porque voltou à Série A. Brigou logo de cara, em 2004, para não voltar à Segunda Divisão. O Atlético não chegou a tanto. Terminou o ano num excelente 8º lugar e na Copa Sul-Americana. Mas tomou seus sustos. De qualquer forma, voltou bem melhor que em 2004, ano que antecedeu o rebaixamento de 2005.

Quem retorna agora é o Coritiba. Veremos que papel o Coxa fará. Isso mostra que a Vida na Série B é útil. É um importante aprendizado para o clube que a disputa. Atlético, Coritiba, Palmeiras e Grêmio também tiveram ótimos públicos na Segunda Divisão e revelaram nomes como Danilinho, Pedro Ken e Lucas Leiva, além de uma identificação sensacional com seus torcedores e um alento de raça pela chamada "volta por cima".

O pior já aconteceu. Agora é tirar o melhor proveito possível. Afinal de contas, já diria Carlos Drummond de Andrade... A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Vermelho - e preto - como fogo
28/11

Essa não é só a maior surpresa da temporada. Eu diria que é a maior surpresa da década. Quando penso na final de Liga dos Campeões entre Porto e Monaco, no Once Caldas campeão das Américas ou no São Caetano decidindo a Libertadores, passando ainda por zebras como Santo André e Paulista vencendo a Copa do Brasil, ainda me surpreendo mais com esse Flamengo do Professor (ou Papai, como ele prefere) Joel Santana.

O Flamengo é uma equipe que, de melhor time de todos os tempos nos anos 80 ficou estigmatizada como patética. A metade final da década de 90 sob a tutela de Edmundo dos Santos Silva para a primeira metade dos anos 2000, com extravagências como o "melhor ataque do mundo" (Romário, Sávio e Edmundo), Bebeto, Denílson, Alex entre nomes menores, culminaram em campanhas patéticas, poucos títulos - nenhum deles além do Estadual do Rio - e lutas contra rebaixamento.

O conturbado campeonato de 2005, conhecido ironicamente por Zveitão 2005 devido aos 11 jogos apitados por Edílson Pereira de Carvalho e anulados pelo STJD presidido por Luís Zveiter, foi a última competição na qual o Flamengo enfrentou algum sufoco. Ainda assim, o rubro-negro já vinha de finais de Copa do Brasil em 2003 e 2004, e a protagonizou novamente em 2006, vencendo o grande rival Vasco na final. Podemos dizer que a Copa do Brasil de 2006 foi o grande divisor de águas para o time carioca. A partir daí, as coisas começaram a andar bem na Gávea.

O mais interessante de tudo é que Kléber Leite, Márcio Braga e o Flamengo como um todo parecem ter aprendido a planejar. De nada adianta contratar um Denílson ou um Alex quando não vão render pelo time. Para uma opção dessas, vale muito mais ficar com o Renato (que já saiu, mas desempenhou bem pelo time), subir o prata-da-casa Renato Augusto e trazer o Fábio Luciano de fora para organizar a defesa - a grande peça fundamental para a recuperação impressionante do Flamengo. Junto com o Fábio, méritos também para Leonardo Moura que fez um Brasileirão implacável e, finalmente, o medalhão Roger, que foi contratado sob suspeitas de causar intrigas, de ser mais uma estrela a não desempenhar em campo. Fato que Roger não vem desempenhando tão bem assim, mas o Flamengo não o pintou de salvador, de "craque". Roger chegou para completar elenco, e é justamente o que o jogador tem feito.

Depois de uma participação apenas razoável na Libertadores 2007, o Flamengo dá mais um passo em direção à sua evolução natural. O importante agora é não colocar o carro na frente dos bois e entrar na Libertadores 2008 focado em fazer uma boa campanha. O Flamengo conseguiu a proeza de anular completamente o São Paulo e Santos em campo - respectivamente 1º e 2º do campeonato. Isso mostra que, concentrado num resultado, este Flamengo é capaz de derrotar qualquer adversário. Basta entrar na Libertadores pensando em um jogo de cada vez, e não se empolgar vislumbrando título. In veritas, o Flamengo ainda tem um elenco inferior a São Paulo, Santos, Grêmio e Fluminense.

Esses resultados sobre São Paulo e Santos também abrem uma possível interpretação: o Flamengo tem time para ser Campeão Brasileiro? A resposta hoje seria, sim, tem. Após a vitória sobre o Atlético, Márcio Braga declarou que se o São Paulo não estivesse tão distante e o campeonato ainda tivesse rodadas por se disputar, sem dúvida o Flamengo estaria na luta pelo título.

Então, podemos esperar um Flamengo favorito ao campeonato em 2008? Isso só poderemos saber após o fim da Libertadores, quando teremos noção de quem o Flamengo vai manter para a temporada, quem o clube vai perder... temos que lembrar da "janela" de transferências do Mercado Europeu. Um bom planejamento para esses contratempos é necessário para que a equipe da Gávea não passe pelos mesmos problemas que o Botafogo. Também teremos um medalhão em 2008: Kléberson. É bom prestar atenção em como o campeão mundial será utilizado.

Claro, não podemos deixar de citar a torcida rubro-negra que vem apoiando o time de uma forma sensacional. Não sou do tipo que acredita tanto assim na influência de uma torcida... mas o apoio que a massa tem dado ao clube vem sendo fundamental para o bom estado mental dos jogadores e sua estima em campo. A torcida foi parte da recuperação do penúltimo lugar à luta pelo vice-campeonato. Veremos como vai agir em 2008 quando os desafios que o Flamengo encontrará pela Libertadores seguramente serão bem maiores.

Quanto à aposta em Joel Santana... eu, e ninguém, a faria. Joel não tem tido boas campanhas pelos clubes por onde passou ultimamente, mas deu certo no Flamengo. O que dizer? Essas coisas acontecem. E eu acredito em coincidências. Não vejo interferência de Joel nesse trabalho. Daria mais méritos a Fábio Luciano por ter organizado a defesa - isso sim fundamental. Mas se Joel é quem monta o time, parabéns para o professor! Sem dúvida, sua melhor campanha em sua vencedora carreira, principalmente devido às circunstâncias.

Estranhamente, o Mengão segue envolvido nessa aura de desconfiança, o que é natural depois de mais de 10 anos fazendo o papelão que o rubro-negro vinha fazendo nas competições nacionais e internacionais. Mas a regularidade é a base para que o clube recupere a confiança e respeito de duas décadas atrás.

A voz do povo é a voz de Dunga?
20/11

Todos clamam por Rogério Ceni. Do mais sábio crítico de futebol ao torcedor recém-nascido de Corinthians e Palmeiras, o Brasil vive atualmente uma onda de apelo para que o camisa 1 do São Paulo vista também a camisa 1 da Seleção Brasileira. O goleiro tricolor vive, no ocaso de sua carreira, uma fase que jamais experimentou antes - melhor até que aquela vivida quando conquistou o Mundial de Clubes pelo São Paulo e saiu como melhor jogador do torneio. Hoje Ceni vive uma situação de quase unanimidade no futebol brasileiro.

Como todos sabemos... nem sempre unanimidades chegam ao treinador da Seleção Brasileira, principalmente quando o treinador em questão segue a escola do "teimoso", como era Carlos Alberto Parreira e como é nosso atual treinador, o Dunga. Ou seja... enquanto todo mundo pega a "Febre Cênica", Dunga segue imune à doença e nada de chamar o Rogério Ceni à Seleção Brasileira. E a questão gera bem mais polêmica de que deveria...

Os homens de confiança de Dunga debaixo dos paus são Júlio César, Doni e Hélton... aparentemente, nessa ordem. Teríamos aqui também o Gomes? Com Gomes ou sem Gomes... os goleiros preferidos do treinador atuam todos no exterior, bem como a maioria dos jogadores de linha que o técnico convoca. Esse ítem em questão por si só gera muita polêmica, e não vale à pena ser aprofundado nessa coluna em específico... é material para teoria em coluna à parte.

Júlio César, Doni e Hélton vivem fases sólidas em seus clubes na Europa - vez por outra um falha, principalmente o Doni, mas é do jogo. À frente da Seleção, até hoje Júlio César é lembrado por boas partidas... Doni é eternamente contestado, e mesmo quando ajudou a Seleção a vencer a Copa América, foi esculachado por ter se adiantado nas cobranças de pênalti... e Hélton é tão neutro quanto a sua personalidade serena e inerte. Mas apesar da boa fase de Júlio César na Internazionale, de Doni ter ajudado a Seleção a vencer uma Copa América e de Hélton... bem... ser o Hélton... para os críticos Rogério Ceni é melhor que os três, tanto por excelência quanto por sua atual fase. Aí surge a primeira polêmica que se relaciona com o ítem do parágrafo anterior... Rogério Ceni só não seria convocado à Seleção porque atua no Brasil, e não no exterior.

Isso é complicado porque Dunga chega a convocar jogadores que atuam no Brasil. Menos que os que atuam no exterior, mas convoca. Então não vejo porque ele não convocaria Rogério Ceni. Mas quem defende o Ceni bate o pé que é por isso.

Já o Dunga, o próprio, argumenta que Rogério haveria dito que iria se aposentar em breve... e sua intenção é montar um time para 2010... então, por que convocar um goleiro com quem não vai poder contar em 2010? O problema é que Ceni diz que jogaria 2010 e que não pensa (ainda) em parar... e que por ele jogaria até a Copa de 2014 - claro, isso é uma hipérbole por parte do goleiro para assegurar que estaria pronto para 2010. E ainda há uma contradição apontada no argumento de Dunga... que é o fato do treinador ter convocado Zé Roberto para a Copa América ano passado.

Existem nesse caso duas possibilidades... a primeira... Dunga ter planos de Zé Roberto para 2010. A segunda... Dunga não usar a Copa América como laboratório para 2010... diferentemente das Eliminatórias. Então, ele queria Zé Roberto apenas para a competição. Mas sendo assim ele não podia ter convocado o Ceni para a Copa América?

Aí surge uma terceira possibilidade: Dunga não gostar do Ceni. É uma convicção do treinador. Eu, pessoalmente, não sou fã do Rogério Ceni. Admito que Ceni é um goleiro que vive grande fase, mas acho que ele tem inúmeras falhas: sair mal do gol, falhar em bolas fáceis, principalmente em tiros de longa distância e em chutes em seu contrapé. Eu não convocaria Rogério Ceni e minhas apostas seriam Diego Cavalieri e Júlio César. Seria uma convicção minha. Da mesma forma que é uma convicção do Dunga - contrária à convicção da mídia, que é o que causa toda a revolta e polêmica.

De uma forma ou de outra, Ceni pediu que a torcida São Paulina que for ao Morumbi assistir Brasil e Uruguai nesta quarta-feira grite seu nome. Uma tentativa de comover Dunga? Bom, não acredito que vai adiantar. Definitivamente, a voz do povo não é a voz de Dunga.

O Lance que (não) vai ficar para a história
13/11

Alguém lembra de 1997? No ano em que Edmundo fez chover e o Vasco conquistou um Campeonato Brasileiro impecável, o Corinthians escapou do rebaixamento na última rodada com uma vitória por 2x0 sobre o Goiás em Goiânia, no Serra Dourada. Quem foram os "heróis" da "conquista"? Certamente, poucos corintianos lembrarão que Candinho era o treinador do time do Parque São Jorge e Mirandinha e Célio Silva foram os autores dos dois gols que salvaram o Timão, que também tinha Silvinho, Edílson e Rincón, do rebaixamento.

Aqueles dois gols pareciam o apogeu da história corintiana na época e estariam fadados ao esquecimento um ano depois, quando o Corinthians conquistou o Brasileirão de 1998. Ninguém lembra do que não acontece, apenas do que acontece - e se o rebaixamento não aconteceu em 1997, não tinha porque aquela pífia campanha ser lembrada, ou mesmo os "heróis" da "conquista", o Célio Silva e o Mirandinha.

Da mesma forma que há 10 anos atrás, contra o mesmo Goiás, desafio a resistência deste pênalti sensacional defendido pelo Felipe na cobrança do Paulo Baier.

O fenômeno desta penalidade é curioso... lembro de algo parecido em 1994, quando Taffarel defendeu o pênalti cobrado por Daniele Massaro na final da Copa do Mundo entre Brasil e Itália. Ninguém, exceto talvez os torcedores do Goiás e a imprensa goiana, se refere ao lance como sendo perdido por Paulo Baier, mas sim defendido por Felipe. Digo curioso porque geralmente, na cultura popular, o cobrador é quem perde o pênalti, uma vez que "pênalti bem cobrado não tem defesa". A defesa de Felipe, tal qual a de Taffarel em 1994, é tão emblemática que inverte essa história. Tudo bem que em 1994 Massaro bateu o pênalti quase no meio do gol. Mas o Paulo Baier, que já havia marcado um gol na partida e não havia perdido um pênalti durante a temporada, bateu à meia-altura bem pro canto... não bateu mal, mas se deu tempo do goleiro chegar na bola, é porque poderia ter batido melhor. Paulo Baier costuma bater suas cobranças do lado direito... ontem bateu no lado esquerdo. Segundo Felipe, o segredo para pegar foi justamente esse. O goleiro imaginou que, logo contra o Corinthians, o capitão do Goiás, adversário direto contra o rebaixamento, iria mudar. E, de fato, mudou. Felipe ontem pode ter salvado o Timão do rebaixamento por completo, caso a equipe ratifique o "escape" nas próximas duas partidas - Vasco e Grêmio.

Mas mesmo sendo a cobrança de Paulo Baier melhor que a de Massaro em 1994... mesmo tendo sendo a defesa do Felipe, teoricamente, mais exigida que a do Taffarel... 1994 não será esquecida. Temo que, 2007, ano que vem já nem seja tão lembrada assim, por um simples motivo: em 1994 a Seleção conquistou o título. Aquela defesa fica como parte da história da conquista. Em 2007 não existe conquista alguma por parte do Felipe e o lance há de cair no esquecimento, como os gols de Mirandinha e Célio Silva em 1997. Um momento que ilustra isso é 1998... quem lembra que Taffarel defendeu as penalidades de Ronald De Boer e Philip Cocu? Quando falo assim, certamente você lembra... mas vê esse lance ser lembrado da mesma forma que 1994? As defesas de 1998 foram até mais difíceis... mas não fizeram parte de uma conquista.

É mais fácil que o lance do Felipe seja lembrado caso o Corinthians caia, porque esta campanha ficará na memória, de forma amarga, dos torcedores corintianos. Ano que vem, se o Corinthians volta a vencer... acabou. Ninguém lembra 2007. Se volta a fazer campanha patética, acabou da mesma forma... ninguém há de lembrar 2007, porque o que interessa é sair do sufoco em 2008.

E é uma pena que tudo isso tire o brilho desta importante defesa do goleiro corintiano. Brasileiro não costuma aprender com os erros, muito menos quando um acerto remedia o erro - exatamente o caso desta defesa do Felipe.

Sob um leve desespero
06/11

O time do Corinthians está atualmente com 42 pontos, na 16ª posição na tabela, um ponto a frente de Goiás e Paraná, correndo ainda sérios riscos de rebaixamento. Diante das dificuldades dos jogos que tem por vir, principalmente um confronto direto com o Goiás em Goiânia, é fácil imaginar que as probabilidades de rebaixamento do Corinthians sejam grandes. Além de Goiás fora, no próximo domingo - um jogo que, caso perca, pode estar definindo sua queda, o Corinthians terá pela frente o Vasco da Gama no Pacaembu e o Grêmio em Porto Alegre. O Vasco, certamente, brigando pela Sul-Americana; e o Grêmio pela a Libertadores. Dois ossos duros de roer.

O pior de tudo é que, analisando os dois últimos jogos do Corinthians, o clube poderia estar com 47 pontos, junto a Sport e Vasco, sonhando com uma vaga na Copa Sul-Americana e vendo o rebaixamento como uma ameaça ainda real, mas distante. O clube paulistano poderia ter vencido seus últimos dois jogos, contra Flamengo no Maracanã e contra o Atlético Paranaense em casa. A coincidência contra esses dois rubro-negros, que se manifestou principalmente no jogo contra o Furacão e pode ser o calvário do Corinthians, é o desespero do alvinegro paulistano.

Na partida contra o Flamengo o Corinthians encerrava o primeiro tempo vencendo por 1x0. Esse resultado, levado ao vestiário e mantido até os 15, 20 minutos do segundo tempo, seria essencial para uma virtual conquista de três pontos. À altura o Goiás perdia para o Vasco e o Corinthians tinha tudo a seu favor. Aos 45 da etapa inicial acontece de Ibson tentar a jogada pela direita. Se vermos o vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=ugCMALMcdWM) ao momento que Ibson domina a bola, o time do Flamengo parece sofrer uma marcação normal, exceto pelo fato que vão dois no Ibson - o Fábio Braz e o Gustavo Nery na sua sombra. Tudo bem que Betão estava atendo a Maxi, e tenta, em vão, marcá-lo. Na tentativa do Flamengo entrar na área, temos quatro corintianos marcando a bola e um marcando o Souza. O quarteto que estava na bola dorme quando o passe parte de Maxi para Souza, que estava marcado, e deixa Ibson entrar livre na área para marcar o gol de empate.

O segundo gol, já no segundo tempo, é ainda um desleixo maior. O Corinthians ao invés de segurar o empate parecia tentar a vitória a qualquer custo - e o Corinthians tem time assim para vencer o Flamengo? Iran praticamente cochila ao receber a bola - e parece não ter sido avisado a ninguém que por trás viria um "ladrão". Roger domina a bola e segue livre ao gol. Apenas o próprio Iran vai ao seu encontro e a zaga fica naquela... vou ou fico na sobre? Sobra de quê? De um rebote do Felipe? Vai deixar nas mãos do goleiro? Roger vira o jogo e a noite que começou com três pontos acabou com nenhum para o Corinthians.

No caso do Atlético Paranaense foi mais grave, uma vez que o Corinthians tem um time que, pelo menos, se equivale ao adversário. E mais uma vez começou na frente, com gol de Betão, logo aos três minutos de jogo. Em casa. Era jogo para ir para cima e vencer o jogo. Terminou a etapa inicial no simples 1x0 e, na segunda etapa, tomou dois gols de cabeça - ambos partindo de cruzamento pela direita e com, respectivamente, Danilo e Alex Mineiro livres para marcar o gol. Em ambos vimos os zagueiros corintianos se entreolhando, como quem diz "de quem era esse cara?"

O desespero se ilustra na bola que Felipe subiu para cabecear e quase marcou o gol de empate - que, por sorte, veio no pé de Finazzi, tirando momentaneamente o Corinthians da zona de rebaixamento.

Mas esse desespero que se passa na defesa corintiana, essa desorganização onde não há marcação, onde ninguém sabe seu papel... é o verdadeiro adversário que o Corinthians terá na reta final contra Goiás, Vasco e Grêmio. E, se não vencê-lo, a empreitada contra o rebaixamento fica complicada. 

Quem é o pai da criança?
30/11

Reclamar de empresário é lugar comum. Tudo o que já havia de ser reclamado já foi e o máximo que se pode fazer nesse caso é repetir coisas ditas antes - falar que é "um absurdo", que "a Lei Pelé estragou o futebol brasileiro", que "os empresários acabam o clube", etc.

Se dedicar umas breves poucas linhas ao assunto como um todo, diria que da mesma forma que o empresário age como um sanguessuga no clube, controlando o atleta e suas transferências, e às vezes até o convencendo a ir para lugares absurdos como Coréia do Sul e Qatar, o empresário também tem o valor de revelar atletas e descobrir talentos, fenômeno que ocorre numa maior ebulição hoje em dia, uma vez que, com os empresários rotacionando o mercado numa grande velocidade, a necessidade de renovação é constante. Ah, e a Lei Pelé não estragou nada: ela dá ao jogador o direito sobre o seu destino. Quem estraga é o atleta.

Mas o caso não é esse. A situação é específica: Thiago Neves.

O jogador entrou numa situação que, se o desenho for arte-finalizado da forma como se promete, vai dar muita confusão, o deixar afastado dos gramados e, certamente, prejudicar sua promissora carreira.

Revelado pelo Paraná Clube, Thiago Neves é ainda um jovem atleta, embora já não seja mais nenhum guri inexperiente: tem 22 anos e já passou pelo mercado internacional, jogando profissionalmente no Japão pelo Vegalta Sendai. Teoricamente, Thiago Neves faria idéia de como  o mercado funciona.

Teoricamente. Porque nestas últimas semanas o que se cosntatou é que Thiago de fato ainda é um tanto quanto inocente em questões comerciais. Thiago Neves pertencia ao Paraná. Em 2006 foi para o Japão, jogar pelo Sendai, e voltou no final do ano, já para o Fluminense, por empréstimo.

O problema começou quando o jogador não firmou contrato com o Fluminense. Entre o final de setembro e início de outubro, falou-se de uma possível sondagem do Palmeiras em cima do atleta, e até mesmo o Flamengo e o São Paulo foram envolvidos na história - teria-se dito que o clube carioca e o paulista também estariam interessados no meia. Luiz Alberto Martins, empresário do jogador, teria se reunido com a diretoria do Fluminense e a renovação não foi acertada. Irritado com a situação e com os boatos de que o atleta estaria negociando com outra equipe, Renato Gaúcho barrou Thiago para a partida contra o Paraná, seu ex-clube. Renato afirmou que "o Fluminense não é vitrine" e que se o jogador não vai renovar, não está nos planos do tricolor para 2008, portanto, não tem porque jogar. Thiago Neves ficou abalado com a situação.

Martins não gostou da atitude de Renato e afirmou que ela tornaria ainda mais difícil a permanência de Thiago Neves no Fluminense. O empresário também é amigo do jogador, que chegou a afirmar que ele seria como alguém da família, um pai ou um irmão. Com essa forma de raciocínio, dá para imaginar o tipo de confiança que Neves depositava em Martins. E os boatos se seguiam: passou a ser divulgado que o meia teria um pré-contrato assinado junto ao Palmeiras. A diretoria do clube alviverde negou.

Representante da empresa LA Sports, Martins tinha 20% em cima dos direitos federativos do jogador e parecia guiar a negociação. Seu vínculo com o jogador vinha desde 2004, quando o jogador estava no Paraná Clube, e o contrato é vigente até 2009. Martins e a LA Sports têm uma relação com o tricolor curitibano onde banca a infraestrutra das categorias de base e tem direito a 50% do valor de venda dos atletas.

Mas havia uma outra peça no tabuleiro: Léo Rabello. Dono da Systema Assessoria Financeira Ltda, Rabello se associou à LA Sports e a Thiago Neves em 2006. Foi ele o responsável da transação do atleta para o Japão - por US$400 mil pelo período de uma temporada. Rabello também comprou 60% dos direitos federativos do atleta, deixando os outros 40% para ser dividido entre Paraná e LA Sports. No meio do ano de 2007, o Paraná vendeu o restante de seus direitos aos empresários do jogador: 12% para a LA Sports (Martins) e 8% para a Systema (Rabello). O clube já não tem vínculo com o atleta.

E Rabello seria a favor da renovação de Thiago Neves com o Fluminense. A primeira atitude de Rabello, vendo o desinteresse de Martins em renovar com o tricolor e uma possível transação com outros clubes, foi conseguir uma liminar na justiça impedindo que o atleta fosse negociado sem o consentimento da Systema. As coisas acabaram saindo conforme Rabello planejou e o contrato aconteceu - na sexta-feira 05 de outubro houve o vínculo formal entre jogador e clube. O documento foi assinado pelo prazo de três anos. Final feliz para Thiago Neves e para o Fluminense. Certo?

Aí que veio à tona que Thiago Neves de fato tinha um pré-contrato com o Palmeiras, assinado em 18 de agosto. Martins intermediou a ação, e teria convencido o jogador a aceitar afirmando que o Fluminense não teria interesse na renovação. O valor do pré-contrato foi de R$400 mil, valor pago de forma adiantada. E o Palmeiras afirmou que, mesmo com a assinatura de Thiago e Fluminense, quer o jogador no Parque Antarctica. O Fluminense teria oferecido R$800 mil para o Palmeiras abrir mão de Thiago e a agremiação paulistana não aceitou.

E temos a aberração que se vê no momento: Thiago Neves diz querer ficar no Fluminense e afirma estar magoado com Martins, tanto que, junto com Rabello, move uma ação contra a empresa LA Sports e contra o Paraná Clube - que não tem direitos sobre o atleta, mas ainda possui com o mesmo um vínculo trabalhista legal. Do outro lado, Martins critica o Fluminense, diz que o tricolor não valorizou o atleta e o teria feito falsas promessas, como que ele chegaria à Seleção Brasileira se ficasse no Fluminense, e também afirma que Thiago Neves quer, sim, ir para o Palmeiras.

Para ficar no Fluminense, Thiago teria de pagar as luvas ao Palmeiras - seu adiantemento de R$400 mil, que o jogador já teria gasto. Mas há também a questão trabalhista com o Paraná, que seria fácil de se resolver. E ainda há o fato de que o Palmeiras não quer abrir mão do pré-contrato e promete ir à Justiça. O Fluminense tem do seu lado Rabello e 68% dos direitos de Thiago. O Palmeiras tem Martins, que teria feito a negociação fora dos critérios da ética trabalhista, e um pré-contrato assinado primeiro que o contrato do Fluminense. E nisso tudo quem sai perdendo é Thiago Neves, que se estressa, acaba se prejudicando financeiramente e ainda pode ser barrado de jogos devido ao impasse, o que atrapalhará sua carreira e desenvolvimento.

Vale lembrar que Thiago Neves ainda é uma promessa. Ninguém sabe que fim ele terá. Se será ou não um craque de fato. Toda essa confusão envolve um futuro incerto que pode nem acontecer. Tanto barulho que pode acabar por (quase) nada.

Mas toda a confusão por causa de um jogador promissor de 22 anos dividido entre dois empresários que acabou fazendo coisas como ouvir um empresário sem conversar com o outro, assinar contrato e permanecer calado para depois assinar um outro contrato, negociar de forma errada, dividir seu "valor"...

Pois é. Thiago Neves pode ser um divisor de águas. Mais que com um empresário, os clubes podem ter de se preocupar, de agora em diante, com um batalhão deles - de uma vez só, e em cima de um único atleta.

Romário, Profissão: Treinador
23/11

Ele não gostava de treinar. Ele nem parecia gostar de treinador - à exceção de Johan Cruyff e Antônio Lopes, tô para ver outro treinador que goste tanto assim do Romário como os torcedores e fãs do esporte gostam. Ele também não gostava de disciplina, de acordar cedo, de se concentrar, de fazer exercício, de receber ordens, de ouvir como deve jogar...

Ou seja... o perfil de Romário não tem nada a ver com o perfil de técnico de futebol, alguém que, falando de ex-jogador, está mais para Mauro Galvão ou mesmo o Dunga, o Jorginho... Alguém que sempre foi homem de confiança de técnico, sempre recebeu e cumpriu ordens como manda o figurino.

De qualquer forma, Romário foi a escolha do Vasco da Gama na hora de escolher um novo treinador. Celso Roth caiu nesta segunda-feira, dia 22 de outubro, após seu retrospecto horrível de maus resultados que tiraram o Vasco da zona de classificação para a Libertadores e o colocaram na 12ª colocação, fora mesmo da zona de classificação da Copa Sul-Americana e virtualmente ameaçado pelo rebaixamento. Nos 37 jogos que treinou o Vasco, Celso Roth venceu 15, perdeu 15 e empatou sete. Um retrospecto ruim, apesar de ter começado surpreendentemente bem.

Claro que a escolha de Romário é interina. O jogador treina (e possivelmente joga) o Vasco apenas na partida de quarta-feira contra o América do México em São Januário pela Copa Sul-Americana. Existem especulações de três nomes para assumir o Vasco já na quinta-feira e treinar o time durante o restante do Campeonato Brasileiro: Antônio Lopes, Mauro Galvão e Paulo César Gusmão. Nada disso foi confirmado - Antônio Lopes, por exemplo, afirma que não foi procurado pela diretoria cruzmaltina.

Mas o próximo treinador do Vasco é assunto para outra ocasião. A questão aqui é Romário de agasalho, com prancheta na mão, gritando pro zagueiro não se adiantar, pro volante ir pra cima e pro lateral abrir o jogo. Essa situação é fácil de se visualizar? Não. Mas, quer saber? Certo o Vasco!

Romário é um jogador que já tinha muitos privilégios... mais que o treinador até. Conhece bem o clube, a torcida... não dá para saber se conhece o elenco. Acredita-se que sim. Mas Romário joga pouco, não dá para saber se, nas partidas que não joga, ele acompanha o time, pois o próprio já disse que não gosta de assistir futebol, o negócio dele é jogar. De qualquer forma, Romário vivencia o ambiente daqueles jogadores e tem como guiá-los dentro do Vasco, tem como botar na cabeça de cada um o que é jogar no Vasco, como jogar no Vasco, como lidar com o Eurico. E, entre escolher no mercado alguém que não conhece o clube (alternativa que não se encaixa em Antônio Lopes e em Mauro Galvão) e ter de pagar para treinar a equipe, melhor ficar com o jogador veterano, que já está se aposentando, já está lá dentro e já está sendo pago. Além de ser uma forma de sair da mesmice do mercado de treinadores no Brasil.

E, aos argumentos dados no começo da coluna, de que Romário nunca foi exemplo de atleta, temos o caso de Renato Gaúcho no Fluminense. A primeira vez que treinou uma equipe foi em 1996, ainda jogador, pelo tricolor. Renato não guarda boas lembranças do momento, uma vez que o Flu caiu sob seu comando - ano em que tivemos a virada de mesa. Mas depois, Renato acabou se revelando um belo treinador... aquele mesmo Renato Gaúcho que não gostava de treinar, não gostava de acordar cedo tornou-se um dos grandes técnicos promissores no Brasil.

O caso é, o Vasco está arriscando apenas por um jogo. Pode dar certo. Se der certo, pode abrir caminho para um novo treinador, uma nova opção de mercado. Às vezes é bom tentar inovar. Se não der certo, muda. Para quem está mudando de treinador agora e não vislumbra mais uma grande conquista no Campeonato, embora o Vasco insista em falar em Libertadores, mudar mais uma vez não será problema nenhum.

Quem não arrisca, não petisca. Boa sorte ao Baixinho. Eu, pessoalmente, torço por ele.

A cegueira causada pelo conformismo e saudosismo
16/11

O que mais se vê hoje em dia, por parte dos velhos críticos de futebol, são comentários saudosistas a respeito do esporte. É um que suspire com saudades do Zico, outro que lamenta a aposentadoria de Pelé e Garrincha e tem quem vá lá atrás falar em Domingos da Guia. E ninguém presta atenção que a vida segue, as coisas mudam, evoluem... e nem por isso tornam-se piores - ou melhores.

Obviamente, com o futebol não é diferente. Tanta gente suspirando de saudosismo acaba perdendo a história que se passa diante de nossos olhos. Imaginem um fã de Fórmula 1 vivesse lamentando não termos mais Jim Clark ou Juan Manuel Fangio nas pistas? O cidadão perderia nessa nostalgia simplesmente Michael Schumacher reescrevendo a história e Lewis Hamilton assumindo o papel de seu sucessor. E assim é com o futebol.

Quem se lamenta do presente e se agarra ao passado não tem concernência para enxergar que temos, entre as décadas de 90/2000, cinco jogadores tão talentosos quanto tivemos no passado. Páro para pensar e não vejo muitos jogadores antigos que estejam tão acima de Zinedine Zidane, Ryan Giggs, Ronaldo pré-contusões, Rivaldo e Romário. Só deste último, vale um relato de um homem que jogou a época áurea: quando perguntado se Romário teria lugar na Seleção de 70, Tostão, melhor jogador daquele torneio, respondeu: "Eu mesmo daria minha camisa para que ele jogasse". Se Tostão, crítico e ex-jogador talentosíssimo, diz isso... porque tanto crítico e apenas crítico que nunca jogou profissionalmente se atreve a diminuir o futebol atual?

E se Romário jogaria em 70 nas palavras de Tostão, será que Luís Figo não se encaixaria em Portugal de 1966? E o Zidane? Não jogaria na França de 1982 e 1986 - e, quem sabe, melhoraria essa França a ponto de conquistar uma Copa do Mundo mais cedo? Tivéssemos Rivaldo em 1986 ou Ronaldo em 1982 - especialmente esse último - a situação Brasileira não teria sido diferente?

Quando entramos no jogo de possibilidades - afinal de contas, quando um saudosista desmerece um jogador atual em favorecimento de um jogador antigo, ele está tratando de possibilidades -, se formos pensar com lógica em comparação do futebol atual com o futebol do passado, vemos que a coisa não mudou tanto assim. Mudou apenas num ponto para o futebol brasileiro: os nossos talentos não ficam mais na praça. Porque, fora isso, jogadores talentosos e com habilidades semelhantes temos de muitos, tanto quanto tínhamos antigamente.

Tirar a prova?
Que centroavante tinha nos anos 60 e 70 a explosão que aquele Ronaldo pré-contusões tinha? A habilidade de sair driblando com velocidade para passar por quatro, cinco jogadores? E o Zidane? Que jogador tinha a facilidade de matar a bola que o Zidane matava? Dominá-la no peito e fazê-la cair no pé, já de cabeça erguida procurando para quem passar? Porque falar tanto no Falcão como se fosse um jogador incomparável quando temos o Zidane - na verdade, tínhamos, uma vez que ele parou desde o ano passado. Ainda assim, um jogador atual. Zagueiro bom? O Maldini, serve? Tudo bem falar em Domingos da Guia, em Oreco, em Bobby Mooer, em Franz Beckenbauer, em Luís Pereira... mas em que o Paolo Maldini fica atrás? Maldini é seguro na defesa, eficiente na marcação, corta cruzamentos, arma contra-ataques e até marca gols. Nem sei onde falar mal do Maldini. Um jogador moderno. É pior que os citados acima só por ser atual?

Não vou ficar moendo na coluna listando nomes e descrevendo características - nos mencionados acima ainda caberiam Ryan Giggs, Liliam Thuram, George Weah, Patrick Vieira, Thierry Henry, Dennis Bergkamp, Rivaldo, Cafu, Jorginho, Sorín, Riquelme, Figo, Lúcio, Boban... são todos jogadores sensacionais. Não vejo porque subestimá-los em relação a nomes do passado.

E o que falar em jogadores do futuro? Cristiano Ronaldo, Kaká, Wayne Rooney, Huntelaar, Babel, Nasri, Lucas Leiva, Fernando Torres, Per Mertesacker. Será que eles não podem se tornar algo que os grandes jogadores do passado se tornaram? Ou até mais? - Hoje em dia superestima-se grandes jogadores que não atingiram feitos como uma Copa do Mundo, um Campeonato Europeu, uma Liga dos Campeões... porque eles são louvados em detrimento dos jogadores atuais?

Não digo que teremos novos Pelés, Maradonas, Garrinchas - ou mesmo Zidanes, um jogador moderno que entra na trupe dos inigualáveis. Mas não podemos achar que porque um jogador é atual ele é potencialmente mais fraco que um craque do passado. Isso acaba gerando injustiças e julgamentos parciais - Rivaldo, por exemplo, deu uma Copa do Mundo à Seleção, jogando muito bem, e, sem dúvida, tem seu talento diminuído em relação a jogadores brasileiros da década de 80.

O presente não é melhor que o passado. Mas também não é pior. É apenas diferente - e, desta forma, pode ser tão bom quanto.

Versão Cor-de-rosa
11/10

O futebol feminino brasileiro ainda não convenceu e já joga com o mesmo salto-alto que o masculino costuma usar nos momentos mais importantes. Há tanto oba-oba com meninas que, à exceção de Marta, são comuns, na Hora H o time fraqueja e perde o título mundial.

Não há dúvidas que a Seleção fez um campeonato excepcional na China. A participação de Marta, artilheira e melhor jogadora da competição, seu drible desconcertante sobre a zagueira estadunidense , gols importantes de Cristiane e de Formiga... tudo isso levou o Brasil a uma final inédita de Mundial Feminino.

O problema é que, para a final deste Mundial, a Seleção tinha um encontro com a Alemanha. A atual campeã do Mundo. A equipe que, dentro do torneio, marcou 19 gols e não sofreu nenhum. Não que as alemãs sejam imbatíveis, mas é natural que, em tais circunstâncias, reconheça-se que tal equipe é a favorita à conquista, mesmo sendo contra a Seleção Brasileira, que com Cristianes e Formigas à parte, chamava atenção por Marta - e apenas por Marta, merecidamente.

Favoritou-se demais o Brasil. O melhor time do mundo aguardando o desafio das brasileiras na grande final, mas o que se falava era em "pôr uma estrela cor-de-rosa quando a Seleção conquistar o título", qual vai ser o placar do jogo - houve quem apostasse em 2x0 para a Seleção, em referência à Copa de 2002 -, quem vai marcar gol na Alemanha, que ainda não sofrera nenhum, e até quebrar a concentração das meninas falando na criação da Copa do Brasil, versão feminina - por que não esperar o fim da Copa do Mundo para dar as boas novas?

Repetiu-se com as meninas o mesmo erro que se repete com os marmanjos - o mesmo erro cometido em 1950, em 82, em 98, em 2006... uma crença de quem "o Brasil é o melhor só por ser o Brasil", que "o Brasil tem condições de bater qualquer seleção, basta jogar bem", "ganhou o Ouro Pan-Americano", etc. E, naturalmente, desconhece-se o futebol feminino ao redor do mundo. Porque, se achamos que a Seleção Brasileira, desorganizada, é o melhor time do mundo, de fato, não conhecemos nada. Não sabemos o quanto o esporte é desenvolvido na Alemanha, na Suécia, nos Estados Unidos...

A Seleção Alemã feminina, diga-se de passagem, muito se parece a masculina. É forte e organizada. Marca bem, ataca em bloco, é eficiente no jogo aéreo. Temos em campo um bando de Lothar Matthäus de calcinha e soutiem. Como pode se julgar um time brasileiro melhor que essa Seleção Alemã?

Para que a Seleção Brasileira derrota-se a Alemã, seria necessário um trabalho além do improviso, da ginga e do talento individual - que, sim, essas meninas têm. Seria necessário mais toque de bola, mais controle de jogo. Seria imprescindível deter a posse da partida. E, uma coisa que as brasileiras não têm, que é força.

A vitória alemã por 2x0 foi um resultado natural. Um resultado esperado. Marta perder o pênalti, por ter cobrado muito mal, não é o fim do mundo - até houve quem argumentasse o fato da goleira ter se adiantado, e é melhor que esqueça, porque esta é uma regra que não fazem valer nos demais continentes. O problema é que se afirmou tanto que essa Seleção era a melhor do mundo, que esse era o Mundial-referência em termos de futebol feminino, como fora 1970, que Marta lideraria a conquista do campeonato, que se colocaria uma estrela cor-de-rosa... que uma derrota normal acabou parecendo amarelada por parte da equipe. Não foi bem assim. O jogo foi um retrato do que acreditava-se que não seria. O que nos faltou foi informação.

E, não, a Seleção Feminina não amarelou - não houve uma amarelada versão cor-de-rosa, como aconteceu com os machos em demais situações. A Seleção Feminina apenas não era boa o bastante. A Alemanha, sim.

Marta foi eleita justamente a melhor jogadora do torneio. Seu drible contra os Estados Unidos foi, sem sombra de dúvidas, antológico. E ela deve, ao final deste ano, ser eleita a melhor jogadora do mundo, novamente.

Mas tudo isso é apenas um processo em andamento. Há muito o que se desenvolver e muitas Martas ainda hão de surgir - para que possam acompanhar a Marta original. Para que essa Seleção possa formar um time forte que de fato seja favorito - e, aí sim, falar em uma estrela cor-de-rosa.

Por hora, as meninas estão de parabéns por um belo vice-campeonato. É a primeira final que disputam, e é duro fazê-la contra o melhor time do mundo.

Os frutos colhidos: Além da boataria da Copa do Brasil feminina, Marta terá companhia na hora da escolha da Melhor Jogadora do Mundo na cerimônia FIFA Gala. Eleita melhor jogadora da Copa do Mundo, Marta defende o título, conquistado ano passado, e desta vez, além da alemã Birgit Prinz e da americana Abby Wambach, terá de enfrentar três brasileiras: Daniela, Cristiane e Formiga. Mais uma pequena demonstração da evolução da modalidade no Brasil.

(Frágeis) Ossos do Ofício
24/09

Ronaldo era rápido. Driblava com extrema velocidade, mexia as pernas com habilidade suficiente para enganar visualmente o marcador e, assim, passava com facilidade entre dois, três, quatro e até cinco marcadores. Teve tempo de explodir no Campeonato Brasileiro com 17 anos, rumar para a Holanda, transferir-se para a Espanha, depois Itália, perder uma final de Copa do Mundo. E aí o físico começou a reclamar. Os ligamentos dos joelhos estouraram devido ao desenvolvimento acelerado da musculatura do jogador.

Muitos visualizavam esse Ronaldo explosivo num sujeito que não mais andaria - de moletas, de cadeira de rodas... o jogador deu a volta por cima, sim. Venceu uma Copa do Mundo, sim, e, droga, vejam os números, atuou bem pelo Real Madrid durante algum tempo. Mas, é claro, jamais foi o mesmo. As contusões voltaram a aparecer freqüentemente e assim permanece até hoje. E olha que Ronaldo ainda teve tempo de fazer sua história.

As contusões também foram implacáveis com Pedrinho, revelado no Vasco da Gama. Magro e pequeno, Pedrinho não era nenhum Ronaldo. Mas detinha também de habilidade, velocidade e criatividade. As contusões de Pedrinho eram tão constantes que levou o jogador ao crônico mal da depressão - e desde então Pedrinho jamais fora o mesmo do Vasco. Passou por Palmeiras, Fluminense, Santos... sempre uma incógnita. Quando consegue jogar, até que joga bem. Mas se machuca demais - é óbvio que seu corpo não suporta tanto trauma.

Na mesma toada veio Dagoberto. Mais para Pedrinho que para Ronaldo, o ruivo, hoje no São Paulo, sofreu tanto com lesões que adiou demais sua carreira. Dagoberto hoje poderia estar na Europa, fazendo muito mais sucesso. Somado às confusões extra-campo que teve com o Atlético Paranaense, o menino Dagoberto não teve vida fácil no gramado. Contundiu, rompeu ligamento do joelho, fez cirurgia, recuperou e... na volta aos campos rompeu novamente.

Aos poucos Dagoberto se recupera. O talento do menino está voltando. E é a mesma situação de Nilmar.

Quem vir qualquer vídeo do jovem Nilmar, no Internacional de Porto Alegre, testemunha a velocidade com que este jogador dribla em progressão ao gol. A habilidade de Nilmar o permite "enfileirar" adversários e marcar tentos memoráveis. Esse foi o Nilmar do Internacional de Porto Alegre, o Nilmar da Seleção Brasileira Sub20, o Nilmar que, por algum motivo, não funcionou muito bem - mas funcionou - no Olympique Lyonnais, vulgo Lyon, e o Nilmar do contestado Corinthians de 2005. Ou seja, em três dessas equipes Nilmar veio, jogou e convenceu.

Veio a lesão em 2006, após a Copa do Mundo, em clássico com o Palmeiras. E começaram daí também os problemas extra-campo - mais ou menos como o Dagoberto. Desde então, Nilmar, que começou a temporada de forma promissora, só teve contratempos. Dava desgosto vê-lo dando entrevistas com a expressão deprimida no rosto. Durante esse período, começaram os desentendimentos fora dos gramados. O Corinthians procrastinava sua dívida com o Lyon, recusando-se a apagar por Nilmar. Insatisfeito, o jogador também não queria mais vestir a camisa do Corinthians.

Curado da lesão no joelho, já em 2007, Nilmar chegou a um acordo com o Corinthians: ficaria no alvinegro até dezembro. Depois, estaria livre para jogar onde conseguisse. E, na volta de Nilmar aos gramados, nova lesão. Mais uma vez, Nilmar rompeu os ligamentos do joelho direito - e mais uma vez contra o Palmeiras.

Todo o problema físico de Nilmar, assim como no caso Dagoberto, teve agravantes de bastidores. Em 2007, após os problemas Lyon X Corinthians, o atacante travou uma cansativa batalha judicial contra o clube paulista buscando cancelar o vínculo. E começava a falar-se nos clubes que poderiam contratar Nilmar: São Paulo, Santos, Palmeiras, Flamengo, Internacional... pretendente, óbvio, é o que não faltava.

A novela está próxima do fim e Nilmar retorna ao Internacional, clube que o revelou. Depois de toda essa situação, começam a surgir as interrogações sobre o rendimento de Nilmar. Será mesmo aquele jogador? Vai render? O fato de Nilmar retornar a um clube cuja torcida e diretoria o conhecem dá um pouco mais de alívio e tranqüilidade para que o jogador possa trabalhar. Vejam o exemplo de Dagoberto e a novela envolvendo contusões e batalhas judiciais. A recuperação de Dagoberto, tanto física quanto técnica - e certamente psicológica, tem sido devagar. É o mais natural. Desta forma, Nilmar escolheu o time certo para voltar aos gramados. Sua recuperação vai exigir paciência, e ao que parece o Internacional terá essa paciência.

Em breve, acredito, veremos Nilmar voltar a fazer tudo que foi dito no primeiro parágrafo a tratar do jogador nesta coluna. Sua habilidade certamente será a mesma, a velocidade também, e o menino só precisa de tempo.

Mas havemos de convir que Nilmar escreve mais um capítulo desta novela de contusões somadas a problemas fora dos gramados. A mesma que já teve autores como Ronaldo, Pedrinho e Dagoberto. Vamos ver por quanto tempo nossas jovens revelações terão de lidar com esses problemas, ter suas carreiras atrasadas (Ronaldo, Dagoberto) ou até mesmo quase encerradas (Pedrinho). E quanto tempo demorará para que possamos descobrir as causas e prevenir eventos tão dolorosos - física e psicologicamente.

Money, que é good nós não have!
17/09

Por que os clubes brasileiros não cedem às muitas maneiras de fazer dinheiro?

Na última semana que se passou a torcida da Ponte Preta invadiu o treino do time campineiro para protestar quanto à posição da equipe na tabela da Série B - e, mesmo em situação desfavorável, vender o principal jogador da equipe, Héverton. A justificativa, obviamente, foi a de sempre: o clube precisa fazer caixa!

Nessa brincadeira, Wiliam deixou o Corinthians, Renato saiu do Flamengo, Carlos Alberto largou o Fluminense, Pato foi embora do Internacional, Lucas Leiva e Carlos Eduardo não ficaram no Grêmio...

Até que dá pra entender a situação dos clubes. Pô, é, de fato, necessário vender bons nomes a altas cifras para se fazer alguma caixa e sustentar um clube de futebol e poliesportivo num país de economia instável. O problema é que a venda de jogadores parece a única alternativa que os clubes brasileiros conseguiram para equilibrar a receita. Não aprendem que existem outras formas de fazer dinheiro - bastante exploradas na Europa, se serve como exemplo.

Carnê de ingressos
Sempre que um time vai mal, é a mesma coisa: o estádio esvazia. Se está na zona intermediária da tabela, esvazia também. Tem uma chuva forte, esvazia. Ou seja... dessa forma, de nada adianta pensar em ingresso como receita. A alternativa mais saudável seria, sem dúvida, a venda de carnês para toda a temporada. Dessa forma, indo ao jogo ou não, o torcedor pagou pela entrada. Isso garante o saldo positivo de cada partida. E, em algumas situações, força o torcedor desinteressado a ir ao estádio de uma forma ou outra, afinal, já pagou mesmo. A alternativa do Carnê é utilizada na Europa e é o que garante arenas lotadas em qualquer situação.

Licenciamento de imagem
É utilizado aqui no Brasil - pouco, mas é. Na Europa é natural que um clube, que mais se porta como empresa, utilize a imagem de seu clube. É comum ver o escudo da equipe em cuecas, jaquetas, cachecóis, bonés, canecas, garrafas térmicas, agendas, cadernos, cartões de crédito, cartões telefônicos, papel de parede de celular, CDs, brinquedos... a lista é imensa. O São Paulo é o primeiro clube brasileiro a investir pesado com o licenciamento da sua imagem - e, ainda, tirando um coelho da cartola: associou-se à Warner, o que permite que os personagens da multimídia internacional, como o Pernalonga, sejam vistos utilizando a camisa do Tricolor Paulista. Aqui no Brasil se encontra chaveiros, cadernos, agenda... mas a distribuição é deficiente. O licenciamento deve ser mais explorado - até porque atinge em cheio quem não tem grana para, por exemplo, comprar uma camisa.

Canal de TV pago
Os canais de TV particulares estão começando a se propagar pela Europa. Desde clubes grandes como Real Madrid e Manchester United até alguns mais humildes e quebrados como o Leeds United, todos começam a ter seu próprio canal de TV onde transmitem jogos, treinos e produzem especiais sobre os clubes. Hoje em dia, com a popularidade da TV à cabo no Brasil e do pay per view, parece uma alternativa a se estudar. Qual torcedor com bom retorno financeiro não iria pagar para ter à sua disposição tudo sobre seu time 24h por dia? O que impede a alternativa é o alto custo de se manter um canal de TV.

Camisas de jogo
Essa talvez seja a diferença mais gritante. Incrível como os clubes brasileiros não sabem utilizar esse patrimônio como fonte de renda. Primeiro, poucos clubes brasileiros usam a numeração fixa - Corinthians, Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Cruzeiro. Ou seja, não dá para comprar a camisa do ídolo - geralmente vendem apenas a 10, a 11, a 9 e a 7, números de atacantes. Depois, porque os clubes são muito "caretas" quanto às suas camisas. Palmeiras e Fluminense são, que eu lembre, os dois únicos clubes que têm camisas alternativas, graças à iniciativa da Adidas. Mas os demais se mantém na mesmice das cores do clube. Vez por outra um aparece com um uniforme diferente - o Corinthians, que esse ano teve uma camisa branca com listras finas pretas, já teve camisa com listras douradas, prateadas... o Grêmio que fez uma especial para a Libertadores, o Goiás fez o mesmo para a Copa Sul-Americana... mesmo assim, em geral não costumam ousar. Na Europa, por exemplo, o Manchester United teve uma camisa azul - a cor do rival, Manchester City. O Arsenal também já vestiu azul - cores de seus rivais Tottenham Hotspur e Chelsea. Aqui no Brasil até o patrocinador do time, quando tem cores de um adversário, tem de trocá-las para aparecer na camisa. Ou seja... ninguém pensa em formas de variar, de fazer uma bela camisa que numa temporada venda um pouco mais.

Todas acima são alternativas financeiras que podem ajudar nossos clubes. Mas quem abre os olhos para soluções a ser estudadas e de simples aplicação? É até mais fácil que vender atleta.

Contra todos e contra ninguém
11/09

Em fevereiro escrevi uma coluna chamada "Maiores que o Sul" - podem conferir meu arquivo em 12/02 - onde afirmei o São Paulo como a atual maior potência sul-americana. Depois da coluna, o Tricolor Paulista, tragicamente, perdeu o Campeonato Paulista humilhado pelo São Caetano e fora eliminado da Taça Libertadores da América por um fraco time gremista. Meu bom amigo Héctor Diazepan, ex-colunista desta seção que me prometeu voltar a escrever em breve - ou me pagar um engradado de cervejas - tirou onda do artigo, dizendo que o São Paulo acabou descendo por água abaixo.

Eu, no entanto, pus fé no clube, afirmando que o São Paulo fora eliminado de ambas as competições por acaso, e que ainda é o melhor time brasileiro.

Nisso, percebi uma coisa curiosa... como a mídia nunca está do lado - ou mesmo contra - o SPFC. Estamos presenteando o nascimento de uma nova dinastia no país e as redes de TV, revistas, jornais, Internet e etc. nem parecem se importar com isso. O São Paulo em ebulição e os jornalistas se ocupam afirmando que o BOTAFOGO e o FLUMINENSE são os melhores times do país ou dissecando crises no Flamengo e no Corinthians. Mas nunca é o São Paulo - claramente, o melhor time do país desde 2005, embora haja crítico que prefira acreditar em Botafogo e Fluminense.

É curioso pensar que os críticos rasgavam elogios a um frágil Botafogo e tinham o clube como futuro Campeão Brasileiro quando o São Paulo vinha traçando o melhor campeonato. Desde o início - ninguém queria ver, mas era exatamente assim que acontecia. Uma prova disso? O São Paulo sofreu apenas sete gols. No campeonato inteiro - já temos 25 jogos. Enquanto o Botafogo liderava, lá estava o Tricolor Paulista com uma impressionante segurança defensiva. Nas 10 primeiras rodadas do campeonato, o São Paulo sofreu apenas um gol, contra o Náutico, na segunda rodada - perdendo surpreendentemente por 1x0. Depois disso, só voltou a sofrer gol na 11ª rodada - novamente, apenas um, no empate em 1x1 com o Corinthians. Nas 11 primeiras rodadas, contra os dois gols sofridos pelo Tricolor, o Botafogo já tinha um revés de 12 gols.

É fato que o Botafogo marcou mais que o São Paulo - tanto que o Tricolor hoje tem 38 gols marcados contra 43 do Botafogo. Mas, enquanto o paulista da questão sofreu sete, o carioca tomou 34. Isso pode decidir uma competição de mata-mata, meu amigo. Mas num Campeonato, não sofrer gols significa ganhar jogos - e evitar empates e derrotas. Quem ganha, lidera. Simples assim, o São Paulo abre nove pontos na liderança do campeonato, quando o vice-líder não mais é o Botafogo, mas sim o Cruzeiro.

A campanha do SPFC já é a melhor de todos os tempos na "Era Pontos Corridos" - melhor que a campanha do Cruzeiro, em 2003. Ao longo de 25 rodadas o São Paulo soma 54 pontos, quando o Cruzeiro de Luxemburgo, em 2003, a esta altura, detinha 48 pontos na tabela, num campeonato recheado de 24 clubes, não de 20, como é o caso do atual.

Feito recente, o São Paulo bateu por 2x0 o Vasco em São Januário, quebrando uma invencibilidade anual do clube na Colina. O Tricolor Paulista também sustenta um dos melhores, se não o melhor, elenco do país: Rogério Ceni, Breno, Hugo, Dagoberto, Jorge Wagner, Alex Silva, Souza e Richarlyson são exemplos de jogadores que vivem atual grande fase pelo Tricolor Paulista - o goleiro Rogério, por exemplo, já segura uma invencibilidade de nove jogos. O último gol que Ceni sofreu aconteceu contra o Juventude, em 03 de agosto, no Morumbi, vitória tricolor por 3x1. Finalmente, o SPFC não perde há 13 jogos, sendo sua última derrota por 1x0 em casa para o Fluminense.

Tudo isso mostra que o São Paulo vem realizando uma campanha sem precedentes. O Tricolor paulista ainda tem, pela frente, 13 jogos - 39 pontos a ser disputado. Se vencer os 13 jogos, coisa que, aparentemente, é impossível, o Tricolor chegará aos 93 pontos ao final da competição. Vamos pensar um pouco mais baixo. Digamos que o São Paulo vença 10 destes 13 jogos - não é tão difícil assim. Serão 30 pontos ganhos, totalizando 84 pontos. Isso dará ao São Paulo uma média de aproveitamento de 73,6% dos pontos que disputou - superará, novamente, o Cruzeiro de Luxemburgo que, em 2003, teve um aproveitamento de 72,4%. A média de pontos conquistados também será superior - o Cruzeiro de 2003 traz uma média de 2,17, enquanto o São Paulo, que hoje tem uma média de 2,16, faria 2,21.

Há ainda quem reclame do São Paulo ser um time excessivamente faltoso. Faltoso em quantidade, é. Mas o São Paulo não é um time violento - faz faltas "menores", leves, para amarrar o jogo. Não que isso seja louvável, mas há quem tente tirar o brilho do clube com esse argumento. Faltoso ou não, os feitos do São Paulo são méritos e sua invencibilidade no gol acaba com qualquer reclamação de time que amarre jogo. Não dá para derrubar uma campanha inquestionável com esse tipo de argumento.

Resumindo, tudo isso está escancarado. Não é algo subjetivo ou questão de opinião, mas sim fatos, números, estatísticas. Isso é o que o São Paulo Futebol Clube está fazendo - história. É interessante analisar que essa história o São Paulo escreve sem um grande esquadrão. Não é como um Santos com Pelé, Coutinho e Pepe, um Internacional com Falcão, Carpeggiani e Figueroa ou um Flamengo com Zico, Adílio e Júnior. É um clube que, numa era onde os times não seguram craques, se sustenta no planejamento e mantém uma impressionante regularidade.

O que o São Paulo está fazendo é surpreendente - é maior que o próprio São Paulo de 92/93 (afinal, naquele São Paulo havia um esquadrão) e que o Palmeiras de 93/94. É o caminho mais difícil que o Tricolor rasga como se fosse fácil. E tanta gente preocupada em afirmar que o Botafogo jogava bonito e se pergunta porque parou de jogar, em questionar crise no Corinthians, no Flamengo...

Isso faz o São Paulo correr contra todos e, ao mesmo tempo, contra ninguém - para que ninguém quer dar atenção a tão fascinante história que está se criando.

(que fique claro que este colunista, canadense, é torcedor do Tottenham Hotspur e, no Brasil, tem uma leve queda pelo Corinthians - nada que me contamine -, o que torna a análise livre de qualquer clubismo ou espírito-torcedor).

Corações partidos
03/09

A morte de Antonio Puerta alerta para um problema de coração - tanto literal quanto figurado

Antonio Puerta tinha 22 anos. Completaria 23 no dia 26 de novembro deste ano, não tivesse sofrido a tortura de nove ataques cardíacos que culminaram com sua morte neste 28 de agosto, pouco mais de três meses antes de completar sua 23ª primavera. Morreu em ofício, como outras figuras notáveis e trágicas do esporte, enquanto defendia o Sevilla contra o Getafe. Tudo isso, você, provavelmente já sabe.

Eu poderia fazer aqui um dramalhão, dizendo que Puerta era um talento promissor, afirmando que sua vida fora tirada brutalmente, coisa do tipo. Mas tudo isso seria mentira. Puerta era no mínimo um jogador regular. A questão a ser levantada é outra.

A imagem da queda de Puerta, sofrendo ritmia no gramado, chega a ser tão chocante quanto a de Miklós Fehér, morto em 2004, enquanto defendia o Benfica contra o Vitória, de Guimarães, pelo Campeonato Português. E ambas são bem menos chocantes que Marc-Vivien Foé, camaronês que sofreu um ataque fulminante na partida entre Camarões e Colômbia, pela Copa das Confederações. É impressionante que a história recente do futebol guarda tristes eventos semelhantes. Serginho, do São Caetano, também em 2004, talvez seja o mais marcante na cabeça dos brasileiros, mas se vasculharmos bem a história, teremos também o caso de Max, do Botafogo de Ribeirão Preto, que sofreu infarto durante um treino em 2003; Ricardo da Costa, brasileiro que atuava no Skendija Tetovo, da Macedônia, sofreu infarto em casa no início deste ano, e foi socorrido pelo amigo brasileiro Aginaldo de Jesus, do rival Vardar Skopye, mas não resistiu; e se pensarmos em outros esportes, temos o jogador leto Sergei Zholtok, que faleceu durante um jogo de hóquei na Letônia, em 2004.

Temos também os casos não-fatais, como Diogo, do Cruzeiro, que sofreu infarto em 2006, mas não chegou a falecer; ou Washington "coração de leão" que sofreu uma série de problemas com seu músculo cardíaco.

Mas o mais trágico de tudo é que na terça-feira, 29 de agosto, morreu em Israel o jogador Chaswe Nsofwa, de 27 anos, natural da Zâmbia, após desmaiar em treinamento de seu time, o Hapoel Beer Sheva. 24h depois do falecimento de Puerta, a tragédia se repete; e, 48h depois, nesta quinta-feira dia 30, Cedric Schlienger, jogador de vôlei do Chaumont morreu após sofrer infarto num treino. Três numa mesma semana.

Ou seja, esses casos estão acontecendo à exceção. Deixou de ser uma eventualidade e passou a ser uma fatalidade comum. A questão é, por que isso está acontecendo?

É muito duro quando temos um caso de morte e não temos contra quem ou o que se indignar. É comum do ser humano procurar um culpado para acidentes. É comum estarmos indignados e soltar nossa indignação contra alguém. Mas estes casos em particular vão mais além. Seria culpa do Sevilla?

O São Caetano foi responsabilizado pela morte de Serginho. Perdeu pontos no STJD e foi obrigado a avaliar a saúde cardíaca de seus atletas. O exemplo foi seguido no restante do país e jogadores com problemas cardíacos potenciais tiveram de deixar a profissão. Seria esse tipo de avaliação comum na Europa? Se não, deveria passar a ser. Deve descobrir-se se Puerta tinha tendências cardíacas. Se isso foi avaliado quando o jogador chegou ao clube - ainda no juvenil.

Mas os motivos para tantos incidentes devem ir mais além. Basta lembrar quando começou a polêmica com o peso de Ronaldinho e sua queda de rendimento no Barcelona. Henry, hoje seu companheiro no Barcelona, à época no Arsenal, comentou: "Ronaldinho está morto". Indiretamente, Henry criticava os calendários inflados na Europa - e no mundo do futebol.

Hoje em dia exige-se demais dos jogadores. Não que os jogadores de antigamente jogassem pouco - não. Proporcionalmente, jogam mais ou menos a mesma coisa que os atletas de hoje em dia. Mas, atualmente, se exige mais dos jogadores. Joga-se com mais freqüência com espaços mais curtos - campeonatos como a Liga dos Campeões da UEFA (antigamente Copa dos Campeões); Taça Libertadores da América; os estaduais e alguns campeonatos nacionais eram, sistematicamente, mais curtos. Isso dava um intervalo maior entre os torneios, ou seja, jogador respirava um pouco mais. Além de existir menos pressão por parte de patrocinador, coisa do tipo. As viagens também são mais longas, acontecem com mais freqüência. Uma coisa é você disputar um campeonato nacional longo, viajando dentro do país, e uma Copa que exige viagens para o exterior mais curta - e também menos amistosos pelas Seleções nacionais.

E suas carreiras começam mais cedo também. Tudo bem, Pelé começou com 16 anos, e isso era anos 50. Mas hoje em dia está mais comum. Acontece com maior freqüência. Um Pelé revelado aos 16 anos era um fenômeno. Um Ânderson, com a mesma idade, é só mais um. Temos pré-adolescente saindo do Brasil ou da Austrália para iniciar carreira na Europa. Tem uma maior exigência com os juvenis. São tratados agora como adultos. Não têm mais uma infância, uma adolescência. Tem até moleque de 10 anos com contrato no Santos e time Europeu querendo levá-lo.

Toda essa pressão somada a novos hábitos do homem moderno - comidas conservadas, excesso de radiação a que somos expostos, males recentes como stress, depressão, estafa... tudo isso contribui para um agravante naquele que é um cardíaco em potencial. Infelizmente o dinheiro fala mais alto. Não tem como pedir para que o homem diminua hoje seu contato com a tecnologia. Nem tem como exigir de empresas patricinadoras e federações que se encurtem campeonatos, copas e ligas.

Não é só ver se o Sevilla é responsável. Se Puerta tinha de fato complicações cardíacas - alguns jogadores relataram que, sim, Puerta aparentava ter problemas, e já havia acontecido eventualidades, como desmaio em treinos. É necessário olhar para como nossos atletas são tratados. Porque o esporte, nos dias de hoje, parece cada vez mais longe de significar saúde - física ou mental.

Dessa forma, continuaremos a ver, em nossa TV, jovens como Puerta sofrerem com corações partidos em pleno campo de futebol - e, apenas figurativamente, nós, longe dessa realidade, partir nossos corações, mas apenas de compaixão. 

Bárbaros Bávaros
27/08

Há muito não se via um "esquadrão" tão forte. Tento me lembrar quando, no futebol europeu, tivemos um elenco com a excelência deste Bayern de Munique. Talvez o Manchester United de 1999. Era uma equipe bem parecida com esse Bayern.

Manchester de Munique?
Peter Schmeichel era o experiente homem debaixo dos paus. Na defesa, pela direita, havia Gary Neville. Talvez não seja nenhum Franco Baresi, mas sempre foi um lateral que cumpriu seu papel com perfeição no futebol inglês. Subir em velocidade, levantar na área, voltar para defender. Não precisa tentar enfeitar para ser um bom lateral. Os centrais eram dois zagueiros "duros", raçudos, que cortam qualquer bola ou canela que aparecer pelo caminho: Jaap Stam e Ronny Johnsen. O irlandês Denis Irwin fechava a lateral esquerda, completando uma linha de dois bons jogadores e dois apenas regulares. Do meio pra frente, o Manchester era um espetáculo à parte: onde se viu uma linha de meio tão ofensiva quanto Ryan Giggs, Nicky Butt, Roy Keane e David Beckham. Butt e Keane acabaram fazendo vezes de volantes - dois volante bem ofensivos, mais ou menos como ter Gerrard e Lampard responsáveis pela função. No ataque, Dwight Yorke e o talismã Ole Gunnar Solskjær - um atacante matador. E ainda havia um nome experiente no banco de reservas, Teddy Sheringham. Com esse time, não era de se assustar vencer a Liga dos Campeões. Ainda mais do jeito que venceu, virando o jogo depois dos 90 minutos, ironicamente contra o Bayern de Munique. Mas tudo que um grande time deve ter, o Manchester tinha. A estrela pop - David Beckham -, o craque - Ryan Giggs -, um grande goleiro, um bom defensor, um atacante goleador, um capitão que esbraveja com o time - Roy Keane.

Bayern United?
A fórmula do Bayern de Munique deste ano quase se assemelha ao Manchester United, sendo ainda, pasmem, melhor. Um grande e experiente goleiro, o Oliver Kahn. Um bom defensor, Lúcio. Pela lateral, alguém com as mesmas características, mas muito mais eficiente que Neville: Philip Lahm. Um volante ofensivo, excelente - Zé Roberto. Um craque no meio-campo - Franck Ribéry. E no ataque, bem... Luca Toni, Lukas Podolski e Miroslav Klose. Um trio que faria tremer até Andoni Zubizarreta ou Walter Zenga. Só esse elenco listado supera este Manchester United campeão de 1999. Mas o Bayern de Munique ainda tem bons nomes "regulares": Willy Sagnol, Mark van Bommel, Marcell Jansen, Bastian Schweinsteiger, Sandro Wagner.

Por que o Bayern é meu favorito
É uma pena que tenhamos esse time fora da Liga dos Campeões - ou será que temos esse time justamente porque o Bayern ficou de fora da Liga dos Campeões? Depois de uma temporada sofrida, o torcedor alemão, fique certo, verá um time destruidor em campo. Isso porque, com a equipe que foi montada, o Bayern se adapta a qualquer estilo de jogo, se adapta a qualquer situação e a qualquer adversário - e o time foi tão bem calculado que Michael Ballack sequer faz falta.

Se for um jogo com velocidade, temos Franck Ribéry e Bastian Schweinsteiger. É incrível a eficiência de Ribéry em particular e a facilidade e rapidez com que o francês avança de sua intermediária para a grande área adversária. Ribéry prefere o passe, Schweinsteiger está mais para cruzamentos. Mas os dois chutam a gol - especialmente Ribéry, e chuta MUITO bem.

Um jogo "cadenciado" (vulgo chato), tem o Zé Roberto como responsável. E é interessante ver aquele Zé Roberto do Santos, que jogava bem, e o Zé Roberto deste Bayern que joga ainda melhor. E como se adapta bem ao futebol alemão: apesar de ser um volante de toque de bola, não é raro ver Zé Roberto buscar jogadas de linha de fundo, afinal de contas, o jogador carrega sobre as costas sua antiga função de lateral-esquerdo.

E o ataque não depende mais do "chuveirinho" alemão - logo, não depende mais da bola levantada na área com perfeição e patente de Michael Ballack. Para essas opções, a cargo de Schweinsteiger, temos Lukas Podolski, e, agora, o reforço de Miroslav Klose - que deixa esse fator "bombardeio aéreo" ainda mais matador. Pelo chão, Luca Toni, que Inter, Milan e Juve deixaram escapar. E pensar que o Milan prefere o Gilardino... e óbvio que as jogadas "terrenas" ficam a cargo de Ribéry-Toni.

Resumindo... é o Bayern melhor que nunca. Há quem compare com o elenco de 2001, campeão da Liga dos Campeões e vice-campeão na temporada seguinte.

O que esperar desse Bayern
Naturalmente, não espero nada mais que a tríplice coroa menor. O Campeonato Alemão, a Copa da Alemanha e a Copa da UEFA. Tudo bem, é aquele papo, "ainda é cedo". Mas será que dá para alguma outra equipe alemã tirar os torneios caseiros do Bayern? Ninguém é tão forte e tem um elenco tão bom e extenso. O Bayern tem as peças certas para ir longe na competição.

Já a Copa da UEFA, conquistada apenas em 1996, é um torneio mais leve que a Liga dos Campeões e o clube bávaro tem tudo para conciliar com o Campeonato Alemão. E quem teria as qualidades necessárias para barrar o Bayern? O Villareal? O Tottenham? O Palermo? O AZ Alkmaar? Ora, não me façam rir.

Apesar de parecer contraditório, eu diria que é a Copa da UEFA o torneio mais fácil do Bayern não levar. Apenas pelo cansaço das viagens e pelo foco que deve ser todo concentrado no Campeonato Alemão.

Mas ainda aposto no Bayern de Munique nas três competições. Tanto pelo bom time quanto pelo fato de não ter rival à altura.

Só que, desse Bayern de Munique, espero um pouco mais. É muito cedo... mas diria que já temos um candidato a título da Liga dos Campeões 2008-09. Tá longe, mas longe o quão esse Bayern consegue chegar. 

Todo ano é a mesma conversa...
21/08

... começa-se a disputa da Copa Sul-Americana e, automaticamente, surgem centenas de interrogações acerca da fórmula deste torneio ímpar.

Nós do Fanático Esporte Clube – na verdade, apenas eu, Stefan da Silva Procimax Lorax – já falamos sobre a questão da CONMEBOL que atrapalha a valorização do torneio – disputá-lo no primeiro semestre, junto com a Libertadores, seria bem melhor, assim como acontece com a Liga dos Campeões da UEFA e a Copa da UEFA. Levantamos também a responsabilidade da CBF em transferir a vaga da Copa do Brasil para a Copa Sul-Americana ao invés da Taça Libertadores da América. Já tendo falado sobre CONMEBOL e CBF, vamos ao terceiro responsável pela questão: os clubes brasileiros.

Libertadores pra quê?
Se voltarmos algumas décadas no passado, veremos que os clubes brasileiros não valorizavam muito a Taça Libertadores da América em seus primórdios – mais ou menos como a questão dos clubes europeus e o Campeonato Mundial de Clubes. Tudo bem que ainda nos anos 1960 o Santos conquistou duas edições da competição, em 1962 e 1963, mas foi só. Depois, só o Cruzeiro a veio conquistar em 1976. Comparemos esses três títulos num intervalo de 16 anos de disputas do torneio com conquistas argentinas e uruguaias, veremos a diferença. O Uruguai, já uma potência em declínio, soma quatro títulos. E a Argentina, bem... dez conquistas. Se passarmos para o número de finais disputadas até 1976, teremos seis clubes brasileiros contra 14 argentinos e 10 uruguaios.

Considerando de 1977, ano em que o Cruzeiro perdeu o bi-campeonato para o Boca Juniors, a 1992, ano em que o São Paulo conquistou pela primeira vez a Libertadores – já na era Toyota, dando um início à valorização da competição por parte do Brasil, teremos mais números covardes. São seis títulos argentinos – e mais três finais disputadas – e quatro uruguaios, já um país futebolisticamente acabado, contando ainda com mais um vice-campeonato – contra apenas três títulos brasileiros e mais três finais perdidas. Nesse intervalo a Libertadores já era um grande torneio em termos de América do Sul, com clubes paraguaios, chilenos e colombianos conquistando títulos e até equatorianos chegando às finais.

Nem o Brasileiro se salvava
O problema é que nessa época, até o final dos anos 80, os clubes brasileiros tinham mais olhos para os estaduais de que para a Copa Libertadores ou até para o Campeonato Brasileiro. Quando se fala no maior esquadrão corintiano de todos os tempos, por exemplo, lembra-se do bi-campeão paulista de 1982 e 1983. Tudo bem, era um timaço com Sócrates, Zenon, Leão, Casagrande, Biro-Biro, Wladimir... mas esse time não ganhou sequer um Campeonato Brasileiro. Não estou desmerecendo o campeonato nacional, apenas ilustrando a supervalorização das competições estaduais. Basta lembrar que nos anos 1980 Botafogo, Cruzeiro e Santos também não tinham títulos brasileiros conquistados. O Fluminense só conquistou o seu em 1984. Mas todo mundo lembra do Paulistão do Santos em 1984 e do Estadual do Rio do Fluminense em 1976 – mais comentado até que o título Brasileiro de 84. E o Botafogo só veio perder sua virgindade de títulos brasileiros em 1995 – Santos e Cruzeiro apenas nos anos 2000.

A questão da Copa do Brasil
Uma das coisas que ajudou o Brasil a valorizar a Copa Libertadores foi, sem dúvida, a Copa do Brasil, criada em 1989. Com a alcunha de “Caminho Mais Próximo à Libertadores”, foi através da competição que o Grêmio (campeão de 1994) conquistou a Libertadores de 1995, o Cruzeiro (Copa do Brasil 96) a Libertadores de 1997 e o Palmeiras (Copa do Brasil 98) a Libertadores em 1999.

Comparação de resultados
Conforme já foi levantado, da década de 1990 – mais precisamente, desde 1992, com o primeiro título do São Paulo – o Brasil aprendeu a valorizar a Libertadores. São oito títulos vencidos e mais sete finais disputadas – superando, nesse intervalo de 27 anos, a Argentina, que tem seis títulos e mais dois vice-campeonatos. Vale lembrar também que o Brasil conseguiu, em 2005 e2006, a proeza de, por duas vezes, colocar dois clubes do país no final do torneio, situação inédita – por pouco não o fez também em 2002. Ou seja... bastou a Libertadores ganhar um significado para que os clubes brasileiros a valorizassem. Então, juntando com tudo que temos lá atrás, temos um total de 21 títulos argentinos e mais oito vice-campeonatos contra apenas 13 títulos brasileiros – e 13 vices. Em termos de clubes, nosso maior campeão é o São Paulo com três – à frente temos Independiente (ARG) com sete, Boca Juniors (ARG) com seis e Peñarol (URU), com cinco. E, junto com o São Paulo na galeria de tri-campeões, Olímpia (PAR), Nacional (URU) e Estudiantes (ARG).  Ou seja... hoje o Brasil olha para trás e se vê numa enorme desvantagem – e que, se tivesse valorizado a Libertadores desde o começo, certamente teríamos um patamar bem diferente.

E a Sul-Americana com isso?
O descaso do brasileiro para com a Copa Sul-Americana chega a ser ainda maior. A primeira edição, em 2002, sequer teve clubes brasileiros – e fora conquistado pelo San Lorenzo (ARG). A de 2003 foi uma grande confusão da CBF a respeito dos indicados ao torneio, fazendo com que tivéssemos 12 representantes.

O Brasil nunca teve um finalista da competição – os melhores resultados são semi-finais em 2003 (São Paulo), 2004 (Internacional) e 2006 (Atlético Paranaense). A Argentina já tem três títulos, enquanto Peru e México têm um cada.

Tudo bem, entramos naquelas questões... a competição é disputada junto ao Campeonato Brasileiro, fazendo com que os clubes brasileiros poupem seus jogadores na hora de disputar a Sul-Americana. Isso é estranho, porque a Sul-Americana também é disputada junto ao torneio Apertura na Argentina, e os clubes argentinos não poupam seus jogadores. O Boca Juniors, à época com cinco títulos de Libertadores nas costas bem que poderia não se importar com a reles Sul-Americana. Mas acontece que o Boca se importa em ganhar títulos, sejam eles qual forem. Dessa forma, conquistou a nova competição em 2004 e 2005 – e, para clube brasileiro que acha que isso atrapalha campeonato nacional, o Boca venceu, junto com a Sul-Americana 2005, o Apertura 2005, e ambos foram disputados simultaneamente.

Não digo que a Sul-Americana é o torneio mais importante do mundo. Mas é título. Brasileiro precisa aprender a gostar de título, seja ele qual for – como o Boca, e é por isso que o Boca tem hoje seis Libertadores, ajudando a Argentina com seus 21 títulos. Será que vamos ter de olhar para trás e ver grande vantagem argentina para passar a disputar a Sul-Americana com seriedade?

O jovem fenômeno francês
14/08

O Olympique Marseille é uma entidade. É um clube com as características de Corinthians, Flamengo, Boca Juniors, Tottenham... ou seja, um clube que tem capacidade de falar por um povo. E, mesmo nessa toada, o Olympique Marseille sofre. Desde 1993, quando ganhou a Liga dos Campeões da UEFA e se envolveu num escândalo de manipulação de resultados que o poderoso OM vive um jejum de títulos incrível. Em 1995 veio o último título conquistado, a Segunda Divisão Francesa. A Copa da França o clube não vê desde 1989, e a Ligue 1 desde 1992.

Em 2005 e 2006 venceu duas chaves da Copa Intertoto, mas isso não é título. Chegar na Copa Intertoto na verdade está mais para um demérito.

As coisas estão feias em Marselha.

Pra piorar, de volta à Liga dos Campeões, o Marseille perde seu principal jogador – o excelente ponta-de-lança Franck Ribéry. E o pior... está bem perto de perder Samir Nasri.

Quem é Samir?
Com apenas 20 anos de idade nas costas, Samir já demonstra uma versatilidade impressionante. Não é que devamos comparar Nasri, francês de ascendência argelina, com Zinedine Zinade – embora, coincidentemente, ambos tenham a mesma origem. A questão é que se pegarmos Nasri e o compararmos com outras recentes revelações do futebol mundial – Kaká, Messi, Ribéry, Rooney – temos em Nasri um jogador muito mais completo.

Nasri não é nenhum goleador – em 91 jogos pelo Olympique Marseille marcou apenas cinco gols. Mas é um jogador incrivelmente cerebral, une velocidade e habilidade à capacidade de armar jogadas inventivas. São qualidades que podem decidir um jogo. E se tudo isso são características de Kaká, Messi, Ribéry e Rooney, pode-se adiantar que: 1. Nasri é mais completo que os jogadores citados e joga mais para o time. 2. Nasri não é tão badalado quanto os quatro (à exceção, talvez, de Ribéry, que é um jogador tão discreto quanto, e de quem foi companheiro em Marselha). Ou seja, a pressão sobre o francês ainda é um pouco menor.

Por que apostar em Samir?
À época de Figo, Ronaldo, Zidane... ora, dane-se Figo, Ronaldo e Zidane! Tudo bem que são três craques, mas havia no Real Madrid um jogador que fazia um bem danado, e pouca gente sequer o notava em campo: Santiago Solari. Fosse Solari um jogador da habilidade de Nasri, certamente teria tido muito mais destaque. Mas em 2005, quando o Real Madrid abriu mão de Solari, abriu mão também da última coisa com os pés no chão que havia no clube – o que faltava para que a equipe desandasse. Solari jogava para o time e era o mesmo que é Nasri no Olympique – com a diferença: Nasri é muito bom.

Samir Nasri também não seria tão caro quanto Robinho ou Kaká, a quem o Real Madrid se estripa para ter. Talvez seja melhor para o Real Madrid, numa relação custo-benefício, apostar no jovem Nasri ao invés de buscar mais uma estrela cara e abalada – que deixaram o clube na situação pela qual passou. Se a hora é de renovação na capital espanhola, por que não uma mudança de atitude na hora de contratar?

E pela Seleção Francesa?
Samir Nasri venceu o Campeonato Europeu Sub17 com Les Bleus e já disputou três jogos pela Seleção Principal – no último deles, contra a Geórgia nas Eliminatórias do Euro 2008, marcou o gol da vitória da França. É óbvio que Samir Nasri é a nova aposta da Seleção para levá-la adiante junto com Franck Ribéry. A oportunidade para que se destaque é sendo convocado para o Euro 2008, quando a França garantir sua classificação.

O Euro?
Seria a primeira oportunidade de testar Samir Nasri pela Seleção num grande evento. Claro, não sabemos se isso vai acontecer. E o menino ainda é novo, é preciso calma na hora de expô-lo com a equipe nacional. Mas foi assim que funcionou com Rooney – e acredito que em Nasri dá para confiar.

Quem vai ficar com Samir?
Por hora, o que houve foram especulações. Real Madrid e Internazionale de Milão são equipes que já manifestaram interesse no jovem talento francês. Ainda não houve nada confirmado.

O que aguardam? Que Samir Nasri se destaque internacionalmente para seu passe valorizar e seu valor subir? O mesmo que houve com Ribéry? Ora essa... esqueçam as estrelas caras! O bom e (ainda) barato Samir está aí!

As estrelas estão cegas
07/08

O Barcelona parece arrependido de ter se achado "muito mais que um clube" nessa última temporada – ou não. Do clube que conquistou quase tudo em 2005-06 – quase tudo, leia-se Campeonato Espanhol, Supercopa da Espanha e Liga dos Campeões da UEFA, o "Barça" não viu nada na temporada 2006-07. Perdeu a Supercopa da Europa para o Sevilla. Chegou cheio de bossa no Japão e perdeu o Mundial da FIFA para o Internacional. Abriu longa vantagem na Liga Espanhola para ser ultrapassado por Real Madrid na reta final – de forma humilhante, diga-se. E na Liga dos Campeões o Barcelona caiu diante de um Liverpool que, embora finalista, não é lá um grande time, se comparado a Manchester United, Chelsea, Milan ou mesmo ao próprio Barcelona.

Ao que me parece, o Barcelona deixou-se atrapalhar pelo marketing fora do campo. Ronaldinho e Eto'o parecem ter tido uma crise de estrelismo – às vezes eles negam, mas não há como mentir: aconteceu coisa ali que atrapalhou o rendimento de ambos. Deco também teve rendimento bem abaixo daquele Deco da conquista da Liga dos Campeões. E o Messi, com seu gol maradônico, esse ano mais correu que chutou bola a gol. Isso se somarmos aos grandes investimentos fora de campo – marketing com a Unicef, campanhas internacionais para expandir o nome do clube nos quatro cantos do mundo... e sem levar em conta crises com a torcida e os problemas da forma física de seus jogadores. Claro, houveram alguns investimentos em campo – Zambrotta, Thuram... mas parece que, na temporada 2006-07, o Barcelona esteve mais fora de campo de que dentro dele.

Chegamos para a temporada 2007-08 e o Barcelona logo de cara anuncia a contratação de Thierry Henry – aquele que o FEC considera melhor jogador do mundo nas últimas três temporadas. Ora... o que parece ser uma contratação sensacional levanta uma questão: e o Henry no ambiente com Eto'o e Ronaldinho? Porque Ronaldinho e Eto'o são grandes estrelas que disfarçam humildade. Henry estampa na cara seu estrelismo. Vai ter química entre os três? Diziam que com a chegada do Henry, ou Eto’o ou Ronaldinho sairiam para o Milan. Não aconteceu.

Levemos em consideração mais um fator: Henry está em processo de separação com sua esposa. Não precisa de boa memória para lembrar que Ronaldo, Rivaldo e Adriano caíram de rendimento quando passaram pelo mesmo problema. E sempre existe a desculpa – plausível ou não – do "extra-campo" afetar a vida do jogador.

Pra mim Henry seria o craque desse time. Mas não sei se isso vai funcionar.

Acredito que uma boa contratação para o Barcelona seria o menos badalado Rodrigo Palacio, argentino do Boca Juniors. Muito se falou em Palacio no Barcelona. Não quero dizer que o Palacio seja mais jogador que o Henry – ele não é nem 25% ainda do francês. Mas uma estrela, numa hora dessas, resolve? O fato é que Palacio não pintou.

O Barcelona também abriu mão de gente que vinha trabalhando em prol do clube. Me refiro a Gio van Bronckhorst e Ludovic Giuly. Tudo bem, não são jogadores de fazer inveja a elenco nenhum. Mas era algo que dentro do clube azul-grená dava certo. Afinal, nem só de estrelas vive uma grande equipe.

A situação do Barcelona me acaba sendo semelhante à da Seleção Brasileira na Copa da Alemanha ou a do Los Angeles Lakers – forte time estadunidense de basquete que, em 2004, se encheu de estrelas. Kobe Bryant, Shaquille O’Neal, Gary Payton e Karl Malone, quarteto que fazia parte dos cinco titulares da equipe. Era considerado o Quarteto Fantástico – isso lembra alguma coisa? Acontece que Bryant e O’Neal não se bicavam – isso lembra alguma coisa? O quarteto não se entendia na quadra e o sonho de um time avassalador dos Lakers foi destruído por 4 jogos a 1, numa melhor de 7 jogos, diante do Detroit Pistons.

Seria esse o caminho que o Barcelona estaria se enfiando?

O clube parece mais interessado em fazer programas de TV e propagandas beneficentes a botar suas estrelas para jogar...

Marta, o Homem
31/07

Serei machista: jogar futebol é coisa de homem. Não digo que mulher não possa praticar esportes. Vôlei, tênis, ginástica... tudo bem, não vejo problema nenhum mulher disputar esses tipos de esporte. Mas uma coisa grosseira como futebol, me desculpem os mais modernos, eu acho muito estranho.

Hoje o País de vocês finge que descobriu Marta. Eu diria que Marta está em evidência há quatro anos atrás, quando destruiu o meu Canadá – da jogadora Kara Lang – por 2x1 na final e ficou com a medalha de ouro. Ela tinha apenas 17 anos de idade e marcou seis gols na competição. Já era, àquela altura, jogadora do clube sueco Umeå – antes, defendera por dois anos o Vasco da Gama.

No mesmo ano, Marta disputou a Copa do Mundo nos EUA. A Seleção Brasileira fez uma primeira fase brilhante – onde passou pela poderosa Noruega por 4x1 e pela Coréia do Sul por 3x0, além de um empate com a França em 1x1. Marta marcou dois gols nessa campanha. Nas quartas-de-final, porém, sucumbiu ante a Suécia, por 2x1, com gol de Marta – para quem acha que é pouco, as suecas foram vice-campeãs.

Um ano depois, muita gente lembra da injusta medalha de prata em Atenas, nos Jogos Olímpicos. Marta marcou o gol da vitória contra a Austrália, marcou um na goleada de 7x0 sobre a Grécia e deixou o seu no chocolate de 5x0 sobre as mexicanas pelas oitavas-de-final. Aquela Seleção tinha um planejamento junto ao treinador Renê Simões para ganhar o ouro olímpico. Bateu na trave: a prata, primeira medalha do Brasil na história da competição, veio após uma emocionante derrota para as americanas.

Marta estava na Tailândia jogando o Campeonato Mundial Feminino Sub-20. Na primeira fase, marcou dois gols – o Brasil venceu a Itália por 2x1, perdeu para a Nigéria por 3x2 e venceu a China por 2x1. Nas quartas-de-final, vitória sobre a Rússia por 4x2 na prorrogação – Marta voltou a deixar o seu. Caiu nas semi-finais diante da China e perdeu o bronze para as rivais dos Estados Unidos. Mas Marta foi eleita a melhor jogadora da competição.

Junto a Fabbio Cannavaro, Marta voltou a aparecer no final de 2006, por ganhar o prêmio Fifa Gala, como melhor jogadora daquele ano. Emocionada, Marta chorou ao discursar sobre as questões do futebol feminino no Brasil.

Tudo bem que o fenômeno Marta só explodiu agora quando jogou pela Seleção aqui, no Brasil, ajudou na conquista da medalha de ouro. Marcou incríveis 12 gols e termina a competição como artilheira. Para o meu machismo, fica óbvia uma coisa. Jogando bola, Marta é tão homem quanto nossos amigos Kaká e Ronaldo Fenômeno – e, diria eu, bem mais homem que Ronaldinho e Robinho. Afinal de contas, Marta não amarela.

No final das contas, Marta encerrou a campanha com o apogeu: primeira mulher imortalizada na Calçada da Fama do Maracanã.

O estilo de Marta lembra um pouco jogadores como Carlitos Tevez ou Aílton, ex-Werder Bremen, jogando de costas e colada na adversária para facilitar o drible. Mas, diria eu, Marta é mais habilidosa e precisa que Carlitos e Aílton. Juntos.

Espero que não comecem com coisas como pedir para botar Marta para jogar com marmanjos – ela até jogou uma pelada dia desses. Porque as duas coisas não devem se misturar – isso aqui não é jogo de tênis, que todo ano fazem torneios de duplas mistas. Mesmo sendo forte, habilidosa e macho, Marta teria infinita desvantagem se enfrentasse alguns jogadores homens, fossem eles bons ou ruins de bola. Desvantagem física, que fique bem claro. Mas não dá para duvidar. Marta, em campo, é homem. Sigo odiando futebol feminino. Mas até que gosto da Marta.

Ricardo I
24/07

Enquanto os brasileiros comemoravam a conquista de sua oitava Copa América, na Venezuela, o Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, V. Exa. Ricardo Teixeira, era eleito pela sexta vez consecutiva Presidente da mesma – o mandato válido até 2012, que pode ser prorrogado até 2015, caso o Brasil seja confirmado como sede da Copa do Mundo de 2014.

Ricardo Teixeira está no cargo desde 1989 e, pelo que vimos nesta semana, dificilmente deixará o posto tão cedo. Lembrando que Ricardo também preside a Comissão de Arbitragem da Fifa, e sonha em comandar a Federação Internacional, como seu sogro, João Havelange fez outrora.

É complicado criticar o trabalho de Teixeira frente à CBF – afinal de contas, em seus 18 anos no comando da entidade, conquistou duas Copas do Mundo, fez final de uma outra, venceu duas Copas das Confederações e cinco Copas América – simplesmente 62,5% das Copas Américas do Brasil foram conquistadas sob a gestão Ricardo Teixeira.

Nas categorias de base, Teixeira também deu ao Brasil dois Campeonatos Mundiais Sub20, cinco Campeonatos Sul-Americanos Sub20, três Campeonatos Mundiais Sub17 e sete Campeonatos Sul-Americanos Sub17. Em termos de outras competições, a Seleção Brasileira Sub19 venceu a categoria Elite da Milk Cup de 1999 – competição juvenil muito importante na Europa; venceu o Sul-Americano Sub15 de 2005 e, no mesmo ano, conquistou o Torneio de Tampa, na Flórida, Estados Unidos. Em2006 a Seleção Brasileira Sub18 venceu o tri-campeonato do Torneio de Sendai, derrotando na Final nossa rival França. O time fora liderado por Alexandre Pato, ainda desconhecido.

Ou seja, há de se reconhecer: Ricardo tem ganhado títulos. Por outro lado, o trabalho de Ricardo Teixeira prejudica um outro fator bem importante no futebol brasileiro: os clubes.

A desorganização do futebol brasileiro é latente. Primeiro, lembrando os anos 90. Campeonato sem fórmulas, viradas de mesa (ocorridas em 1992, 1996 e em 2000), desorganização em termos de regularidade de jogadores – que causou problemas como a questão entre Gama, CBF e Clube dos 13 – culminando na Copa João Havelange em 2000.

Nossa arbitragem também não tem organização, regulamentação, profissionalização – vale relembrar que Ricardo Teixeira preside a Comissão de Arbitragem da FIFA. Mesmo assim, o Presidente é incapaz de tomar medidas para beneficiar a arbitragem brasileira – e aí temos diversos problemas ao longo da temporada que chega a culminar com o Escândalo Edílson Pereira de Carvalho em 2005.

Falando do Campeonato Brasileiro de Futebol, sabem quanto a competição custa à Rede Globo, detentora do direito de exclusividade de transmissão? Nada. Exatamente... a poderosa Vênus Platinada Rede Globo, que desembolsa 70 mil dólares por capítulo de novela, não paga nada para ter a exclusividade do Campeonato Brasileiro. Quer dizer, até paga: direitos televisivos. O direito de imagem dos clubes, dos jogadores. Mais nada. Enquanto isso há gente interessada no futebol brasileiro, a pagar PELA competição, não por direitos de imagem – a Record, por exemplo, que já se ofereceu interessada na competição diversas vezes. Sabe-se lá porque a CBF não solta a Globo.

Ainda falando sobre o Campeonato Brasileiro, incrível a inabilidade de Ricardo Teixeira de organizar o nosso calendário. Os clubes muitas vezes jogam duas vezes por semana – quando o correto, em termos de Campeonato Brasileiro, seria jogar uma vez por semana. A TV exige jogos nas quartas? Inventa-se outra coisa. Alonga-se a Copa do Brasil. Antecipa-se a Copa Sul-Americana. Não pode é ficar assim.

Em termos de calendário, ainda temos aberrações como, por exemplo, nosso Campeonato prosseguir durante a Copa América – quando o correto seria parar a competição. O prolongamento do torneio prejudica os clubes, que ficam desfalcados de jogadores que servem à equipe nacional. O Campeonato também prossegue em plenas Data FIFA, e às vezes até em jogos fora de Data FIFA, como o amistoso entre Brasil e Kwait All Stars.

Dessa forma, a Seleção causa um grande constrangimento com nossos clubes – Marco Aurélio Cunha, Superintendente de Futebol do São Paulo, afirmou recentemente que a Seleção é um ótimo negócio para a CBF, mas um péssimo negócio para os clubes. De fato, o calendário organizado dessa forma prejudica os times brasileiros. A questão aqui não chega a ser a Seleção, mas sim o Campeonato Brasileiro e o seu calendário. O que não dá para entender, uma vez que a CBF concede tanta força ao Clube dos Treze.

E a Lei Pelé, aprovada pela CBF, nunca tomou grande forma, nunca teve um padrão definido. Ao invés de beneficiar clubes e atletas, a Lei Pelé serviu para beneficiar empresários – e hoje nossos clubes praticamente não têm mais atletas, mas sim jogadores com contrato breve que na primeira oportunidade se mandam para um mercado melhor organizado.

E, finalmente, falando de Seleção Brasileira, não dá para entender o que a CBF fez. Desde 2005 que Seleção Brasileira foi vendida à empresa Suíça Kentaro, que organizou toda preparação para a Copa da Alemanha em 2006 – toda aquela palhaçada que tivemos o (des)privilégio de assistir pela TV. Foi a Kentaro que vendeu nossos treinamentos – o que visivelmente prejudicou a preparação do time. A Kentaro também organiza os amistosos que a Seleção Brasileira tem que cumprir – podendo, eventualmente, exigir uma mudança de adversário. Ou seja, nossa Seleção hoje em dia tem sua própria MSI. E a Kentaro fica aqui, na casa, até 2010 – bom, já dá para prever a preparação que teremos para 2010.

Resumindo, a coisa não está boa não, Presidente. Ganhamos títulos, sim. Mas isso é pouco diante da atual situação do Futebol Brasileiro – e, hoje em dia, sequer dá para dizer que a Seleção Brasileira, que há dois anos não joga em seu país, representa o Futebol Brasileiro.

E a gestão de Ricardo Teixeira, de se suportar até 2015 – e que, certamente, será renovada para um sétimo mandato. É tão boa assim?

Pepe Legal
17/07

É sempre a mesma coisa. Dunga convoca o tal Afonso para a Seleção Brasileira, todo mundo o crucifica. Parece que é pecado convocar um jogador para a Seleção se não conhecido aqui no Brasil. "É coisa de empresário!", dizem. Não quero entrar nos méritos de ser ou não jogador empresariado com esquema para aparecer - de repente é.

Mas o comentário que vem em seguida é... "Fulano do Fluminense" ou "Cicrano do Flamengo é bem melhor". Claro, sempre um tentando puxar sardinha para time carioca. "Dunga não tem como ver o Afonso jogar porque nosso canal não passa jogo do Hereeveen". OK. Por acaso Canal X ou Y de TV à cabo é a única forma de um treinador de Seleção avaliar jogadores? Seria a forma mais incorreta, diga-se, quando a obrigação seria ir ao Estádio ou espalhar olheiros. Procuraram saber se Dunga faz isso? Longe de mim defender o Dunga. Apenas não entendo quem critica jogadores de times pequenos europeus - que só estão lá porque tais times "pequenos" são bem mais capacitados que nossos "grandes" clubes.

E o interessante é... chamar jogador de time grande europeu pode.

Pois agora temos o Pepe. Desconhecido no Brasil. O zagueiro do Porto, que muitos aqui provavelmente achavam ser português, consegue transação de 30 milhões de Euros para o poderoso Real Madrid. Ninguém esperava - falava-se em Riquelme, em Kaká... mas Pepe... que Pepe?

Natural de Maceió, Alagoas, o zagueiro de 24 anos começou sua carreira nas categorias de base do Corinthians... Alagoano. Como acontece com jovens jogadores promissores do Nordeste do Brasil, Pepe logo conseguiu transferência para um pequeno clube europeu - como na maioria dos casos, um português de menor expressão. Em 2001, então com 18 anos, Pepe foi contratado para atuar pela Equipe B do Club Sport Marítimo, então defendendo a Série A da Segunda Divisão de Portugal.

Com apenas 10 jogos Pepe convenceu Nelo Vingada, então treinador do Marítimo, a subi-lo para o Time Principal pela temporada 2002/03.

Além de um bom defensor, Pepe também se mostrou paciente no que se refere à sua carreira. Recebeu ofertas de clubes grandes de menores centros, como o Galatasaray da Turquia. Ofertas altas, grandes cifras. Recusou, certamente pensando "Vou trabalhar mais. Consigo coisa melhor". (Aprendeu como se faz, Alex?) Dito e feito. Mais uma temporada e Pepe foi envolvido numa transação com o FC Porto, campeão daquela temporada na Liga dos Campeões. O zagueiro transferiu-se com o Porto enquanto o Marítimo recebeu o português Tonel. No Porto, Pepe conquistou a Copa Intercontinental Toyota FIFA Mundial Interclubes (ou seja lá qual for o nome disso).

Passando pelo Porto em 2005, o treinador holandês Co Adriaanse referiu-se a Pepe como uma "arma secreta", adiantando que, ao lado de Ricardo Quaresma e Paulo Assunção, seria uma grande estrela do futebol. Ainda é cedo para afirmar o fato como realidade. Mas Pepe arrancou elogios da imprensa lusitana e européia por suas atuações na Liga Betandwin e na Liga dos Campeões. Pepe foi de fato o homem de confiança de Adriaanse, encaixando-se como uma luva no esquema 4-3-3 do treinador. A verdade é que Pepe realmente foi fundamental para que o Porto conquistasse as Ligas Portuguesas das temporadas 2005/06 e 2006/07, conquistando também a Copa de Portugal nas em 06, e a Supercopa de Portugal nesta última temporada. Conhecido ou não no Brasil, tínhamos um bom zagueiro em Portugal.

Com uma carreira vencedora aos 24 anos de idade, era inevitável que acontecesse o que aconteceu: Pepe iria reforçar um grande Europeu - ou melhor, um GIGANTE, uma vez que o Porto pode ser considerado grande, certo? E nada poderia ser melhor que uma transação de 30 milhões de Euros para o poderoso Real Madrid. E finalmente Pepe ganha capa de revista, de jornal e manchetes em noticiários em seu país natal.

Agora que reforça o principal time do mundo, Pepe automaticamente ganha o aval de defender a Seleção Brasileira, caso Dunga o queira?

Que time é teu?
Stefan Lorax - 09/07

Companheiros, está difícil. Olhar aqui para o Fanático Esporte Clube é ver um reflexo da atual situação de clube de futebol brasileiro. Este que vos fala, canadense, mas criado no Brasil, deveria torcer por um time do país, certo? Ao invés disso, prefere o Tottenham Hotspur, da Inglaterra. O Thiago Leal, este brasileiro genuíno, é torcedor do Huddersfield Town, também da Inglaterra – vive até pedindo que a empresa o financie uma viagem para Huddersfield para cobrir um jogo do Town. E o patrão Fanático, também brasileiro, é torcedor do AC Milan, da Itália. Todos brasileiros – me considero brasileiro –, todos torcedores de clubes europeus. E não adianta vir dizer que é porque é na Europa que estão os craques, os melhores do mundo, os brasileiros, porque o tal Town que o Thiago Leal torce amarga a terceira divisão inglesa.

A questão é, seja time de grande porte como o Milan, de médio porte como o Tottenham ou de porte baixo para pontos negativos em porte, como o Huddersfield Town, na Europa ainda existem... times. Você acompanhar um time europeu num campeonato é acostumar-se com sua escalação, é saber a numeração de cada jogador, é apaixonar-se por um ídolo, é ver jogador por temporadas e temporadas consecutivas. Mesmo os times de menos condições financeiras, como o meu Tottenham, que eventualmente precisam vender jogadores, podem segurar os demais, podem ter ídolos com a cara do time.

Para citar um exemplo sem ser parcial, vou a outro clube. O Everton, da cidade de Liverpool. Há três anos, revelou um menino, um tal Wayne Rooney. O garoto se segurou no Everton por duas temporadas profissionais (e mais duas como amador, o que já é muito, uma vez que aqui no Brasil os meninos estão saindo ainda no juventil). Depois do estouro no Euro 2004, foi para o Manchester United se tornar um dos melhores centroavantes do mundo. Torcedor do Everton não precisa pensar "Assim não dá! Não seguramos nossos melhores jogadores!", porque o escocês James McFadden, um dos craques do time, está lá desde 2003. Ainda não saiu. E, mesmo que saia, são quatro temporadas servindo ao clube. Dá para criar uma identificação e, quando este rapaz sair, chamá-lo de ídolo. Dizer seus feitos pelo time. Mais um? Alan Stubbs. Defendeu o clube por quatro temporadas, entre 2001 e 2005. Saiu. Mas voltou. Está em casa, e deve ficar por aqui. Então, vejamos uma revelação. James Vaughan, juvenil formado no clube. Está no Everton há três temporadas. É mais que qualquer clube brasileiro segura. Ou então o meia Leon Osman. Está no clube desde 1997, como juvenil. Como profissional, desde 2000. Suas únicas saídas foram por empréstimo, opção do próprio clube. Mas todos são rostos familiares do torcedor. Todos no clube há tempo suficiente para virar ídolo.

Vamos criar um paralelo entre o Everton, clube médio inglês, para um gigante brasileiro, o Corinthians. William e Lulinha. Ambos estrearam no profissional do Corinthians esse ano. Ambos devem sair. Já esse ano. O Lulinha tem só 17, mas não deve demorar muito depois do Mundial Sub17. O William, dizem que já tirou foto com a camisa do Benfica. Ambos foram apresentados ao clube na Copa do Brasil de 2007. Betão, profissional desde 2005. Não tem três temporadas completas. Dizem que está para sair. O mesmo vale para Marcelo Mattos, que chegou em 2005 e já está de saída. Rápido, né? Alguns até demoraram. Segurar o Mattos, o Betão por dois anos, tudo bem. Mas e o Lulinha e o William que não completaram uma temporada? Outro clube. O Internacional. Alexandre Pato. Quando? Final de 2006. Há quem fale em acerto com o Chelsea. Menos de um ano, já vai sair. Não ganhou nada pelo clube – no Mundial da FIFA, sejamos justos, Pato foi coadjuvante. Quem o ganhou foi Iarley, Índio, Fernandão, Clêmer. E, ainda assim, pode-se chamar esse menino de ídolo?

Vejamos outro exemplo. Vagner Love. Quanto tempo passou no Palmeiras? Menos de dois anos como profissional – 2003, ano em que subiu ao profissional e jogou a Série B, e em 2004, antes mesmo de terminar o ano, mudou-se para a Rússia. Ou mesmo o Diego, ídolo no Santos. Completou duas temporadas no clube e mandou-se para o Porto. E o Rafinha, revelação do Coritiba em 2005. No mesmo ano, foi para a Alemanha defender o Schalke 04. E o Coritiba já está exportando seu ídolo do ano, o Pedro Ken. Revelado esse ano, saindo esse ano também.

Como o torcedor vai criar laços por um time assim? Hoje em dia torcer por futebol no Brasil é torcer por uma camisa, não por um time – aliás, nem por uma camisa, já que elas mudam a cada ano. É torcer por um distintivo, não por um time. Não temos ídolos por mais que duas temporadas, não sabemos a escalação do time...

E é estranho ver que aqui do lado, na Argentina, um país mais pobre que o nosso, clubes mais pobres que os nossos, seguram jogador mais tempo que nós. Um exemplo? Rodrigo Palácio. Tudo bem, está deixando o Boca Juniors depois de três temporadas. É pouco. Mas vale lembrar que, quando estava há uma temporada no clube apenas, foi jogar a Copa do Mundo. Voltou para o Boca e jogou mais duas temporadas lá. Alguém duvida que fosse um brasileiro, iria jogar a Copa do Mundo e sequer voltaria?

Então, me pergunto... por que torcer por clubes que sequer são times? Dessa forma, nossos torcedores vão todos migrar para o futebol europeu.

Dessa forma, eu prefiro dizer... Tottenham, não posso sorrir sem você. Alguém consegue visualizar, 10 anos atrás, como Corinthians ou Palmeiras se encaixariam perfeitamente nessa frase?

Acima dos direitos humanos
Stefan Lorax - 02/07

Em 21 de maio de 1904 uma assembléia ordinária em Paris concebeu a FIFA, Federação Internacional de Futebol Association, que tinha, por princípio, organizar e unificar o futebol ao redor do mundo. Inicialmente, apenas sete países enviaram suas federações para fazer parte deste que seria o embrião da maior organização do mundo: França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Espanha, Suécia e Suíça.

Depois de 41 anos e duas guerras mundiais, o planeta vira surgir uma nova grande organização: a ONU, Organização das Nações Unidas, fundada em 24 de outubro de 1945, inicialmente por 51 países. Um bom número, não?

A ONU é responsável pelo que é considerado mais famoso decreto do mundo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Já a FIFA é detentora do troféu mais cobiçado do planeta: a Copa FIFA, disputada pela mais importante competição esportiva da história, a Copa do Mundo de Futebol.

Em sua empreitada tecnicamente visando um mundo melhor, é interessante observar que FIFA e ONU caminham juntas. Ambas fazem parcerias famosas, como atletas de futebol filiados à FIFA que representam a UNESCO e a UNICEF, levantando fundos financeiros para os órgãos que, respectivamente, buscam uma melhor conservação cultural e preservação da infância e juventude ao redor do planeta. O brasileiro Ronaldo e o francês Zinedine Zidane são exemplos famosos de jogadores que também atuam como embaixadores da UNICEF. Partidas beneficentes, como o jogo entre a Seleção Brasileira de Futebol e a Seleção do Haiti, em 2005, também são práticas comuns de seleções filiadas à FIFA que agradam a ONU.

É notável que o Barcelona, clube espanhol, quebrou uma tradição de 107 anos, pondo pela primeira vez em sua história uma marca na sua camisa. E é justamente a marca da UNICEF. O mais interessante é que, ao invés de receber dinheiro para estampá-la, o Barcelona paga à UNICEF uma quantia anual de 1,9 milhões de dólares. Claro que seria ingenuidade de nossa parte dizer que o Barcelona divulga a UNICEF sem fins lucrativos. Afinal de contas, tudo isso faz parte do marketing do clube para vender uma boa imagem – e não duvide que, dando esses US$1,9 à UNICEF, o Barcelona faz uma imagem tão boa que acaba atraindo patrocinadores que superem esse valor. Ainda assim, o clube prova seu lema de “Muito mais que um clube”.

Também há em comum entre FIFA e ONU o interesse em atuar em prol da África, por um melhoramento social do continente. Todos sabemos que isso nunca vai acontecer, mas se existem organizações de importância mundial, é dever delas brigar pela causa, ainda que em vão.

Resumindo, falar em ONU e em FIFA é tratar das duas maiores e mais importantes organizações do mundo. Uma vai em seus 103 anos e é apenas um órgão voltado às regulamentações de um esporte de interesse global. A outra já teria mais importância, sendo uma entidade que visa o melhoramento economico-socio-cultural do mundo.

A FIFA, no entanto, é maior que a ONU.

Prova disso? A FIFA tem 208 nações filiadas, enquanto a ONU conta com 192 estados-membros. Esses 16 países que fazem parte da FIFA e não são filiados à ONU são:

Palestina e Taiwan (ou China Taipei), da Ásia, membros da AFC – Confederação Asiática de Futebol. A Palestina é considerada uma nação, mas não um estado, por não ser detentora de um território, por isso não faz parte da ONU. Já Taiwan é considerada uma república rebelde por parte da China – que também não é tecnicamente filiada à ONU, apenas detém cadeira de observadora, mas não entra na conta.

Ilhas Faroe, da Europa, membro da UEFA – União Européia de Futebol Association. As Ilhas Faroe não são um estado independente, mas sim uma região autônoma filiada à Dinamarca, por isso não fazem parte da ONU como um país.

Anguilla, Ilhas Turcas e Caicos, Ilhas Virgens Americanas, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Caymans, Aruba, Bermuda, Montserrat e Antilhas Holandesas, do Caribe, filiadas à CONCACAF – Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe. Aruba e as Antilhas Holandesas são territórios autônomos da Holanda; as Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Turcas e Caicos, Anguilla, Aruba, Bermuda e Montsserat são colônias britânicas; e as Ilhas Virgens Americanas são dependências dos Estados Unidos da América. Como todos esses países não são considerados nações independentes, não fazem parte da ONU como tal.

E por fim, na Oceania, temos o Taiti, a Nova Caledônia, as Ilhas Cook e a Samoa Americana, filiadas à OFC – Confederação de Futebol da Oceania. Os dois primeiros são territórios de posse da França; as Ilhas Cook fazem parte do Império Britânico, e a Samoa Americana é território de dependência dos Estados Unidos da América. Desta forma, nenhum é membro da ONU.

Também temos as nações que não são filiadas nem à ONU, nem à FIFA, mas fazem parte de federações locais de futebol. É o caso de Guadalupe, Guiana Francesa, Martinica e Saint Martin, de protetorado francês; e Sint Maarten, território holandês – todas filiadas à CONCACAF; ou das Marianas Setentrionais, território estadunidense, e Niue, mais uma ilha de protetorado britânico, ambas localizadas na Oceania e filiadas à OFC.

E até mesmo países que fazem parte da ONU e não fazem parte da FIFA, como é o caso de Kiribati, Palau, Micronésia e Tuvalu, na Oceania, jogam futebol filiadas à federação local, a OFC.

Ou seja, o futebol é praticado em todas as partes do mundo, sejam elas reconhecidas politicamente ou não. O futebol,em pleno Século XXI, supera os Direitos Humanos. E ainda dizem que é só um jogo...

A Grande Hipocrisia
Stefan Lorax - 25/06

Existem grandes motivos para um clube ser campeão. Um grande treinador, um grande elenco, um bom esquema tático ou às vezes até um único jogador que se destaque. E, em alguns casos, sorte, muita sorte – como a Grécia em 2004, campeã da Eurocopa, ou o Once Caldas da Colômbia, que no mesmo ano venceu a Copa Libertadores.

Estranha-me, no entanto, que um clube use seu hino como motivo principal para ganhar um torneio. Ainda mais um torneio difícil como a Libertadores, contra um adversário difícil – o Boca Juniors.

O Grêmio fez um primeiro jogo horrível. O time gaúcho simplesmente não fazia a bola chegar ao ataque, não passava pela boa marcação imposta pelo Boca Juniors e sempre que tomava um contra-ataque veloz por parte dos argentinos, se desesperava e não conseguia armar a defesa. Palácio e Palermo simplesmente não tinham marcação, e o placar de 3x0, com gol ilegal ou não, com gol contra ou não, foi merecido por parte dos argentinos.

A imprensa brasileira, no entanto, deu a entender bem o contrário. Primeiro, apontou o Grêmio como melhor em campo, merecedor da vitória. Sem dúvida, uma análise bem errada do que foi a partida – onde o Boca Juniors, que não permitiu que o Grêmio jogasse, foi bem superior. Segundo, afirmando que uma virada iria acontecer. Tudo bem que a torcida tenha fé, tenha esperanças que uma virada pode acontecer – e, de fato, poder, poderia. Mas, segundo a mídia colocava, essa virada ia acontecer, indubitavelmente. Não é muita inocência – ou hipocrisia – achar que, depois de tomar de 3x0 fora de casa, uma virada vai acontecer com certeza? Porque, quando se noticiava que o Grêmio iria vencer o jogo, se posicionava isso com grande certeza, como se o Grêmio fosse favorito. E terceiro, e por fim, era o motivo pelo qual se atribuía ao Grêmio essa vitória: a história do imortal tricolor, no hino do clube.

Ora essa... venhamos e convenhamos, hino ganhasse jogo, o Corinthians seria o campeão dos campeões. Hino, no entanto, nada mais é que uma música parcial e apaixonada que nada tem a ver com o que o clube é de verdade. E tivemos que agüentar uma semana, entre a derrota por 3x0em La Bombonera, até o jogo de volta no Olímpico, ouvindo que o Grêmio era o “imortal tricolor” e venceria o jogo. Ou seja, o favoritismo ao clube gaúcho foi imposto por uma frase em seu hino.

Tudo bem que a torcida aceite isso como consolo, que acredite que o time vai virar – afinal, esse é o papel do torcedor. Mas a imprensa fez disso realidade. Não havia um portal, um canal de TV que falasse na possibilidade do Grêmio perder o jogo. Usavam argumentos horríveis, como a tal da Batalha dos Aflitos, o jogo com o Náutico onde o Grêmio venceu não por méritos, mas por incompetência do Náutico; e a final do Gauchão deste ano, onde, após levar 3x0 do Caxias em Caxias do Sul, o Grêmio reverteu para 4x0em casa. P*t* que pariu! Era do BOCA JUNIORS que estávamos falando. E o pior... diziam “esse Boca não é isso tudo!”. P*T* QUE PARIU! O Boca não era só Riquelme. Palácio, Palermo, Battaglia, Silvestre, Ibarra, Rodríguez, Diaz, Ledesma... o Boca tem um grande elenco, infinitamente superior ao do Grêmio. E, hoje em dia, sempre que se fala no Boca, a imprensa brasileira tenta diminuir o clube o comparando com o timaço de 2000/2001, bi-campeão da Libertadores. Ora, não é o mesmo Boca, mas meteu 3x0 no Grêmio. Por que subestimar?

O pior de tudo é que o Grêmio, o clube, os jogadores, o treinador Mano Meneses, aceitou o oba-oba criado pela imprensa sobre um time que perdeu por 3x0, que jogou mal, que se baseava num hino para ganhar um título. O Grêmio aceitou o favoritismo, entrou em campo na quarta-feira passada cheio de si, crente que iria vencer, de fato, a partida por 4x0.

Quando saiu do campo após o termino do frustrante primeiro tempo, onde o Grêmio, muito marcado, mal deu dois chutes a gol, o zagueiro Teço comentou à TV: "A gente tá indo com muita pressa, querendo resolver rápido demais". E era mais ou menos isso. O clima de oba-oba que se criou fez com que o Grêmio acreditasse que viraria o jogo no primeiro tempo. Não era bem assim.

E, quando o time percebeu que, no segundo tempo, não iria virar o jogo, ele surgiu. Riquelme, o mesmo que a imprensa brasileira disse que não precisava de marcação individual – mesmo engano que cometeram com Zidane na Copa do Mundo – apareceu em duas ocasiões desmarcado e decidiu o jogo. Marcou dois golaços, humilhou o Grêmio no Olímpico.

Ainda tivemos tempo para que Palermo fizesse o que mais gosta – perdesse pênalti.

Não entendo por que a torcida gaúcha aplaudiu o Grêmio ao final do jogo, e porque a imprensa pagou uma de guerreiro ao tricolor. Precisando vencer por 3x0, pelo menos, o Grêmio não deu mais que cinco chutes a gol na final – estou sendo generoso. O Grêmio teve 180 minutos, tomou cinco gols e não marcou nenhum – e o pior. Não lutou, em momento algum, com garra, para sequer chutar a gol. Então? Onde estava o imortal tricolor que a imprensa pintou? E onde está o guerreiro que foi falado ao final do jogo?

Quanta hipocrisia.

Tudo isso me lembra a final de 2003, entre Santos e Boca – eles de novo, quando, após perder por 2x0 em La Bombonera, a imprensa brasileira afirmava o Santos favorito para o jogo de volta e virtual campeão da Libertadores, causando um oba-oba desnecessário, comparando o clube ao de Pelé, campeão em 1963, sobre o mesmo Boca. E era óbvio que, mais time, o Boca era o favorito para vencer o torneio, ainda mais tendo levado o primeiro jogo por 2x0. Me pergunto porque a imprensa brasileira não abre mão do ufanismo, do orgulho e da hipocrisia e não admite que o adversário é, por acaso, superior. Quem sabe assim não exista a possibilidade do time brasileiro, em desvantagem, pôr os pés no chão e, com consciência, encontrar uma forma de vencer a partida. Mesmo que ela não seja citada no seu hino.

O preço da história
Stefan Lorax - 18/06

Em primeiro lugar, que fique claro... este colunista é torcedor do Tottenham Hotspur. Os clubes mencionados aqui, portanto, não têm nenhum fundo de parcialidade.

Ano passado vi alguns apelidos de amigos são-paulinos na lista de contatos do programa Microsoft MSN Messenger com a seguinte mensagem: Quem comemora invasão é sem-terra. Time de futebol comemora títulos. Obviamente, era uma sátira aos 30 anos da famosa “Invasão Corintiana”, de 1976, pelas semifinais do Campeonato Brasileiro, quando a torcida alvinegra lotou o Maracanã para o duelo contra o Fluminense.

Ora... este torcedor sabe o quanto é importante ganhar e comemorar títulos. Mas será que se comemora isso mesmo? Será que título é tudo no futebol?

Vejamos... o que se guarda de memorável na Copa de 1974? Talvez um cidadão chamado Johan Cruyff, e uma seleção holandesa apelidada Laranja Mecânica, certo? Foi a campeão? Não... acho que não. A Alemanha levou o título. Vejamos um evento semelhante... Campeonato Paulista do mesmo ano, 1974. O que tem de memorável nesse Paulistão? Garanto que o vice-campeonato do Corinthians (corintiano adora uma derrota...) é bem mais comentado que... o título do Palmeiras. O Paulistão de 74 ficou marcado como o ano que o Corinthians deixou escapar a chance de sair da fila, e Rivelino fez sua última partida pelo clube.

Caso parecido verificamos em 2000. Romário fez uma temporada arrasadora. O Vasco venceu a Copa João Havelange. Mas o São Caetano de Adhemar e Esquerdinha é o que marcou naquele conturbado ano – que só se encerrou em 2001, depois das confusões pós-queda de arquibancada em São Januário.

Até mesmo com tragédia podemos lembrar casos onde a história supera o título. Por exemplo... Heysel por acaso lembra o título da Juventus? Eu diria que lembra mais o violento incidente com os torcedores do Liverpool que matou 39 torcedores da equipe italiana. Ou o Paulistão 98, que, ao invés de ser lembrado pelo título do São Paulo após seis anos da conquista, com direito a retorno do Raí, ficou mais marcado pela derrota da Portuguesa na semifinal, diante do Corinthians, onde a Lusa foi vergonhosamente prejudicada pela arbitragem.

João Saldanha foi demitido do cargo de treinador da Seleção Brasileira de Futebol quando desafiou a autoridade do Presidente Médici, que declarara que gostaria de ver Dadá Maravilha na Seleção, e proferiu a famosa frase: O presidente que escale o eu ministério. Quem escala a Seleção sou eu. Com Saldanha expulso, entrou no cargo Zagallo, e muita gente diz que aquele era o time de Saldanha, tirando injustamente todos os créditos do Velho Lobo. Mas, bem... Zagallo fez uma modificação vital para que o título de 70 viesse: subiu Rivelino ao time titular – coisa que Saldanha se recusava a fazer. Ainda assim, Saldanha virou mártir após o episódio. Tornou-se lenda. Uma demissão com tanto peso quanto um título.

Voltando para casos mais felizes e menos trágicos, qual a maior fama do Flamengo? Zico? Libertadores? Copa Toyota? Eu diria que é ter a maior torcida do Brasil. É Flamengo, o mais querido, e não Flamengo, o campeão da Libertadores de 81. Já o Clube Atlético Mineiro é conhecido por ser o time da raça, de onde vem o mascote galo. E essa virou a marca de sua torcida – e uma arma contra o rival Cruzeiro, dono de conquistas mais importantes.

Quanto ao meu querido Tottenham? Os Spurs só têm dois títulos ingleses. E sabem quais são dois dos fatores da fama e da longevidade do Tottenham? Seu estádio White Hart Lane e... sua rivalidade com o Arsenal – um clube infinitamente mais vencedor. Ou seja... o Tottenham acaba sendo mais famoso que equipes inglesas dotadas de conquistas mais importantes – como por exemplo o Aston Villa, que já levantou a Copa dos Campeões da UEFA – simplesmente por ser rival do Arsenal.

E o próprio Campeonato Brasileiro de 1976 é mais lembrado pela Invasão Corintiana que pelo título do Internacional.

Ou seja... um clube de futebol não vive apenas de títulos. Ganhá-los é bom, mas ter uma infinidade de títulos e não ter histórias e acontecimentos lendários para contar o torna um clube insípido. Porque, títulos jamais são esquecidos, afinal de contas, eles estão registrados nas estatísticas. Mas histórias, elas, além de impagáveis, não estão registradas em livros ou estatísticas. Elas jamais são esquecidas por outro motivo: carisma. E carisma não é ganho através de títulos. 

No próximo trem para o México
Stefan Lorax - 11/06

Muito além de Chaves, Chapolin, Thalia, crenças em extraterrestres e do personagem fictício Santiago Muñez da saga cinematográfica Gol!, o México tem futebol – e dos bons. Uma prova disso é o que os mexicanos fazem na Libertadores da América...

Os clubes mexicanos passaram a disputar a Libertadores em 1998. Naquele ano o país dos astecas e da pimenta teve dois participantes: os tradicionais América e Chivas Guadalajara, que disputaram um grupo pré-Libertadores contra Caracas e Atlético Zulia, ambos da Venezuela. Os convidados da América do Norte passaram, foram posicionados no mesmo grupo de Vasco e Grêmio e eliminados na primeira fase.

No ano seguinte, apenas um representante: o Monterrey, num grupo com Nacional (URU), Estudiantes de Mérida (VEN) e Bella Vista (URU). O grupo oferecia três vagas nas oitavas-de-final. O Monterrey ficouem quarto. O que p*rr* os mexicanos estavam fazendo na Libertadores, afinal?

Em 2000, o América deu a resposta. Representando a terra da artista plástica Frida Kahlo ao lado do Atlas, o mais popular time mexicano foi até a semi-final, e acabou eliminado pelo futuro campeão Boca Juniors. Longe, hein? Em 2001 o Cruz Azul, rival do América, chegou ainda mais longe: final, perdendo... também para o Boca Juniors. E, em 2002, mais uma vez o América chega na semi-final, eliminado pelo nosso São Caetano.

Depois de 2003 e 2004 sem aparecer entre os finalistas, o México foi bem representado nas duas últimas edições da Libertadores, pondo o Chivas Guadalajara nas semi-finais.

Isso para não citar a Copa Sul-Americana, onde as duas últimas finais teve presença de equipes mexicanas: o Pumas em 2005 e o Pachuca no ano passado, este último sendo campeão do torneio. Mas vamos nos ater à Libertadores, já que ela é o problema em questão na coluna.

É inegável que os times mexicanos têm elevado o nível da Libertadores – uma vez que o nível dos times argentinos e brasileiros têm caído cada vez mais, devido à migração dos nossos principais jogadores para o mercado Europeu. O problema é... quando o México ganhar uma Libertadores, a CONMEBOL e a FIFA terão um grande abacaxi nas mãos.

As equipes mexicanas são filiadas à CONCACAF e disputam a Copa dos Campeões da CONCACAF – que vale vaga no Mundial de Clubes da FIFA. Foi assim que em 2005 o Saprissa jogou o Mundial, e o América o fez ano passado. Esse ano, numa final mexicana, o Pachuca venceu a competição e jogará o Mundial da FIFA 07. Aliás, das últimas dez finais, oito teve times mexicanos, sendo quatro delas disputada entre mexicanos – e das 42 edições do torneio, em 34 o México teve campeão ou vice – ou os dois.

Ou seja, para uma equipe mexicana, tanto fez como tanto faz ganhar ou não a Libertadores. É apenas mais um torneio. Por isso o América pôs time reserva para enfrentar o Santos nas quartas-de-final da atual Libertadores – priorizando o Campeonato Mexicano! O problema A... se os mexicanos são convidados para elevar o nível da Libertadores, mas esses times mexicanos põem time reserva na competição para priorizar o Campeonato Nacional – enquanto as sul-americanas fazem o contrário – por que convidá-los?

Mas o problema principal é... se um mexicano ganha a Libertadores? Ele não disputa o Mundial da FIFA. Por quê? Ora... porque quem representa a CONCACAF é o Campeão da Copa dos Campeões da CONCACAF. A CONMEBOL precisa também ter um representante – que seria um clube da CONMEBOL... ou seja, o vice-campeão. Agora, imaginem, por exemplo, o América vencendo o Boca Juniors numa final de Libertadores. Quem vai para o Mundial da FIFA? O Boca. O vice-campeão. Qual o problema disso? Ora...

Todo mundo sabe como o clube europeu chora com o calendário quando tem de disputar o Mundial da FIFA. Nos tempos da Taça Intercontinental, antes do patrocínio da Toyota, em algumas ocasiões do Campeão Europeu se recusou a jogar o torneio, deixando para o vice-campeão. Isso aconteceu em 1979, quando o Nottingham Forest (ING) cedeu sua vaga ao Malmö (SUE), que perdeu para o Olímpia (PAR); em 1977, quando o Liverpool (ING) abriu mão e o Borussia Mönchengladbach (ALE) jogou a Taça, e a perdeu para o Boca Juniors (ARG); em 1974, onde o Bayern de Munique (ALE) não teve interesse, e o Atlético de Madrid (ESP) foi campeão vencendo o Independiente (ARG); em 1973, com a desistência do Ajax (HOL), abrindo vaga para a Juventus (ITA) perder do Independiente (ARG); e em 1972, a primeira vez que isso aconteceu, quando o Ajax (HOL) fez o mesmo e o Nacional (URU) bateu o Panathinaikos (GRE).

Houve também 1975 e 1978, quando ambas as equipes, sul-americana e européia não disputaram.

Claro, sem esquecer 1993, quando o Olympique Marseille (FRA) não jogou o torneio – mas, neste caso, foi punido, por escândalo envolvendo compra de jogos do Campeonato Francês, e o vice-campeão Milan (ITA) – rá! – foi ao Japão perder do São Paulo (BRA).

Ou seja... não é de hoje que o tal do Europeu chia na hora de disputar o Mundial... a FIFA pressiona, a UEFA faz corpo-mole, mas, com má vontade ou não, desde 1994 pra cá, incluindo os dois Mundiais da FIFA em 05 e 06, o Europeu acaba indo ao Japão jogar a tal da decisão.

Isso nos leva de volta ao problema do Mexicano e da Libertadores. Se um Mexicano vence, a América do Sul será representada por seu vice-campeão, oficial e legalmente. Isso vai dar espaço para o Campeão Europeu alegar que também tem direito de não querer disputar a competição, abrindo a vaga para o vice-campeão, sem ser punido? E se esse também não quiser?

Sentiram o drama?

É melhor CONMEBOL pensar nas possibilidades... e estudá-las junto a FIFA, CONCACAF e UEFA.

Tentando escrever certo por linhas tortas
Stefan Lorax - 04/06

Esta semana, escreveria sobre os mexicanos na Libertadores da América. Mas por um motivo de força maior, sobre o qual você lerá nos parágrafos abaixo, adio a coluna para semana que vem. Hoje, fiquemos com uma homenagem a alguém mais importante.

Mais uma vez, Ryan Giggs vira uma página em sua história. Depois de completar 700 jogos com a camisa do Manchester United (cheque meu histórico em Último romântico, no dia 12/03), o talentoso meia-esquerda galês encerrou neste sábado sua carreira à frente da Seleção do País de Gales.

O anúncio foi feito na última quarta-feira, dia 30, quando apresentado para representar o País de Gales contra a República Tcheca, em Cardiff, capital de seu país, pelas eliminatórias do Euro 2008. O jogo terminou empatado em 0x0. Giggs tentou quatro chutes a gol, sofreu duas faltas e apareceu uma vez em impedimento. O País de Gales nunca fez nada de muito grandioso, não seria diferente hoje.

Giggs, que defende a Seleção desde 1991, capitão desde 2004, completou neste fim-de-semana 64 jogos com a camisa de seu país. Marcou 12 gols e encerra uma passagem bem menos brilhante que sua história no Manchester United. Essa trajetória frustrante à frente de seu país o põe ao lado de craques como George Best (com quem Giggs é freqüentemente comparado) ou George Weah, que nunca tiveram a oportunidade de jogar uma Copa do Mundo ou Eurocopa (no caso de Best) devido ao baixo nível de suas seleções como um todo.

Talvez esse seja o motivo pelo qual Giggs nunca se entusiasmou muito para jogar por sua Seleção – embora seja consenso entre fãs e críticos que Giggs carregue o time nas costas. Gales não participa de uma Copa do Mundo desde 1958, quando foi eliminado pelo Brasil – num jogo marcado pelas apresentações de Pelé e Garrincha. Ironicamente, é justamente contra a Seleção Brasileira a última grande apresentação de Giggs por sua Seleção. Em setembro de 2006, Giggs jogou na derrota de 2x0 dos dragões para a Seleção Brasileira. Ao final da partida, Dunga foi cumprimentar Giggs e o disse que ele teria lugar na Seleção Pentacampeã Mundial, junto com Kaká e Ronaldinho – levando em conta até que Giggs é melhor que ambos. Hora, um cumprimento que se assemelha um pouco ao de Pelé, que cumprimentou Best e o chamou de "melhor do mundo na atualidade".

O amistoso aconteceu em White Hart Lane, a lama sagrada do meu, do seu, do nosso querido Tottenham Hotspur – e, dizem as más línguas, Giggs se transferirá para o Tottenham temporada que vem, onde encerraria sua carreira. Nada me deixaria mais emocionado, certamente.

Além do fato de ser Galês atrapalhar o desenvolvimento de Giggs como jogador – certamente, estamos falando do segundo melhor futebolista dos anos 90/2000, atrás apenas do Semideus Zinedine Zidane – o estilo de vida reservado de Giggs o ajudou a manter certo anonimato. É nesse ponto que Giggs se difere de seu equivalente maior, George Best. Casado com a modelo Stacey Cooke – recentemente eleita a mais bela mulher de jogador de futebol pela revista inglesa Nuts – e pai de dois filhos, Zach e Liberty, assim como Zidane, Giggs sempre preferiu uma vida pacata à badalação a que se submete Ronaldo, Ronaldinho ou David Beckham, e às bebedeiras de Best e Paul Gascoigne. Giggs figurou em poucas campanhas publicitárias, se levarmos em conta os nomes citados – a mais relevante seria a Reebok, e essa discrição o ajudou a ser menos percebido que David Beckham e Roy Keane no Manchester United.

Pouco importa. Futebol se joga dentro do campo, e foi lá que Giggs desempenhou bem mais que Beckham, Keane ou Ronaldo. E nunca precisou de holofotes também. O carinho de uma torcida fanática como a do Manchester é o melhor reconhecimento que um jogador pode receber – além de sua fortuna, é claro.

A grande ironia é... o segundo maior jogador britânico de futebol de todos os tempos – atrás apenas de Best – se despede de sua Seleção sem grandes feitos, assim como Best. E o País de Gales agora fica aos cuidados dos pés de... Craig Bellamy? Meu Deus! Isso me faz voltar a considerar hipótese de suicídio.

E isso me lembra... a camisa reserva de Gales é verde-amarela, a primeira, vermelha. E meu sonho sempre foi ver Giggs vestir outras camisas com a mesma cor: Canadá ou Brasil. Faria bem melhor que certos malabaristas.

Curiosidade: Giggs tem um irmão, Rhodri Giggs, que joga de meio-campo pelo time amador United of Manchester, formado pelos torcedores do United.

Futuro para o País de Gales: David Contterill, Craig Davies, James Collins e o goleiro Jason Brown são as esperanças de um futuro melhor para os dragões, que sonham em disputar as Copas do Mundo de 2010 e 2014.

Ryan Giggs: Fôssemos eleger uma Seleção do Reino Unido de todos os tempos, jogaria na ponta-esquerda, à frente de George Best e ao lado de Steve Archibald. Nomes para quem gosta de um futebol bem-jogado, coisa que brasileiro esqueceu como se faz.

Show... de horrores
Stefan Lorax - 28/05

Já não me bastava versões bizarras de futebol como praia e soçaite, que deveriam servir apenas como recreação, diversão, e insistiramem profissionalizar. Coisa mais sem graça. Mas sempre têm que inventar alguma coisa nova!

Enrico Salazar, “o homem mais irado da cidade” na revista Placar, comentou certa vez que a única variação do bom e velho futebol que se aceita é o futebol de salão – o resto é profanação. De acordo! Afinal de contas, só aqui no Brasil, de variação de futebol temos o futebol de areia/praia, futebol soçaite, futebol de sabão (?), futins (futebol + patins), futevôlei (futebol + vôlei)... ora essa! Que porra é essa? E ainda me dizem que minha idéia de juntar futebol com hóquei no gelo é absurda! Por que, mediante a essa palhaçada toda?

E, como se já não tivéssemos visto de tudo, me inventam esse tal de Showbol.

Trata-se de um jogo semelhante ao futebol de salão, no entanto, a bola não sai das dependências do campo, pois possui tabelas – e aqui não existe o artifício da lateral. O campo possui uma dimensão de 22x42 metros, podendo ser disputado também com uma arena de 24x44m. A quantidade de jogadores em campo é seis – cinco na linha e um no gol. Um a mais que no salão, um a menos que no soçaite. A mesma quantidade de jogadores do hóquei no gelo.

Se o tal showbol não passasse de uma brincadeira, como era no começo, vendo Careca e Maradona exibindo suas habilidades circenses... tudo bem! Valeria à pena. No entanto, começaram com onda de fazer campeonato “sério” – já temos, no Brasil, o Torneio Rio-São Paulo de Showbol – e a mídia vem tentando empurrar goela abaixo. Assim, ninguém agüenta. E essa palhaçada vem de longas datas...

Um pouco de história
O MEU Canadá possui Liga Profissional de Showbol! A Alemanha também! E essa tosquice existe desde... 1969! Exatamente... não é coisa nova. O criador do Showbol é o húngaro Joe Martin, ex-jogador do Ferencváros, que, no fim da carreira, foi jogar no Canadá. Na Terra Santa, Martin resolveu juntar o futebol de campo com o futebol de salão e o esporte mais popular do Canadá... o... hóquei no gelo. Sim, o elemento “tabela”, que faz com que a bola não saia de campo, vem do meu esporte preferido! MARTIN! Você fez TUDO ERRADO!

O Showbol existe aqui no Brasil desde 1970, trazido por Francisco Monteiro. Muito bem, filho...

Brincadeiras à parte
Tudo bem que Martin tenha tornado seu sonho de juntar futebol e hóquei uma realidade – ele mal espera para ver a minha versão de futebol e hóquei. Tudo bem que o Francisco Monteiro tenha trazido a brincadeira para o Brasil, afinal, aqui se joga futebol até com castanholas nos pátios dos colégios. Tudo isso faz parte de nosso folclore popular. E, tudo bem que, no meu Canadá, exista uma Liga Profissional de Showbol – afinal, meu país ainda não descobriu os prazeres do futebol de fato.

Mas é absurdo querer que vocês, brasileiros – bom, também me considero brasileiro porque tenho nacionalidade – pentacampeões mundiais, com tradição no esporte das massas, seja obrigado a ver times como Flamengo, Corinthians ou Palmeiras disputar competitivamente essa brincadeira de mal-gosto. Isso é um “esporte” para exibição apenas!

Em 2006
Aconteceu até Mundialito de Showbol vencido, claro, pela Seleção Brasileira – quem mais levaria brincadeira a sério senão brasileiros?

E o Torneio Rio-São Paulo...
Está em jogo! A Rede TV! televisiona e tem quem goste e assista. Mas, como falei, não deveria ser levado à sério.

Concluindo...
Que fique bem claro... não sou contra essas brincadeiras. Mas não deveriam passar disso – brincadeiras. Claro que já me diverti jogando futebol na praia, embora, sendo canadense, tenha queimado toda a pele e ficado uma semana em casa ouvindo as besteiras da minha esposa mexicana Lupita Herrera.

Também já joguei soçaite com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida. Tudo isso é divertido... mas profissionalizar é absurdo! Sendo assim, por que não profissionalizam também o futebol de mesa (botão) ou o pebolim (totó)?

Para saber mais...
http://www.showbol.com/
Por sua conta e risco.

Segredo de Estado
Stefan Lorax - 21/05

Como foi adiantado na semana passada, esta semana escrevo sobre uma importante questão para o equilíbrio do Campeonato Brasileiro: os Campeonatos Estaduais.

Muito se teme hoje em dia que acabem os Campeonatos Estaduais. Para Paulo César Vasconcellos, jornalista da SporTV, se acabarmos os Estaduais, seria melhor que acabássemos também com as segundas-feiras – pois os Estaduais proporcionam a alegria e tristezas dos torcedores no dia mais chato da semana, como um flamenguista chegando no trabalho e zoando o vascaíno pela perda da Taça Guanabara, ou o atleticano que chega à escola ansioso, enquanto os cruzeirenses evitam cruzar olhares após humilhação na primeira partida da final do Mineiro.

A tradição
Aos que temem que os Estaduais sejam extintos, descansem. Isso nunca vai acontecer. Só para começo, e também final de história, os Estaduais têm tradição demais pare ser encerrados – e todos sabemos que torcedores e dirigentes brasileiros ficam de quatro pela questão das tradições. Além do mais, existem as federações estaduais que lucram e se interessam pela realização de seus campeonatos. Para se entender melhor a tradição, basta dizer que, enquanto o Campeonato Brasileiro começou apenas em 1971, o Paulista teve sua primeira edição em 1902, o Baiano em 1905, o Estadual do Rio (erroneamente chamado Carioca*) em 1906, o Mineiro em 1915 e o Gaúcho em 1919. São anos de tradições para que as federações possam abrir mão.

O Fator Equilíbrio – Desequilíbrio
Os Estaduais contribuem para o fator da imprevisibilidade do futebol brasileiro que foi dado nesta coluna semana passada. Muitas vezes um time que vem de uma boa temporada anterior quebra a cara no Campeonato Estadual e enfraquece-se para o restante da temporada, enquanto o time que veio destruído numa temporada anterior recupera-se através do Estadual. Por exemplo... o Cruzeiro não fez uma boa temporada em 2002. Mesmo com o Planejamento Luxemburgo e encerrando o ano com cinco vitórias consecutivas – na 9ª colocação – ser eliminado enquanto o Atlético MG conseguiu classificar-se para a fase seguinte do último Brasileirão com matas-matas é considerado um fracasso para o Cruzeiro. Foi em 2003, ganhando o Estadual de forma invicta, que o Cruzeiro determinaria que aquele seria seu ano. Por outro lado, o Grêmio que encerrou um bom ano em 2002, classificando-se para a Libertadores da América, viu no Gauchão de 2003, ano de seu centenário, seu primeiro fracasso, terminando em 6° lugar, num ano onde quase fora rebaixado para a Série B do Brasileirão.

A rivalidade
Foi nos Estaduais que surgiram as rivalidades entre nossos clubes. Os primeiros Fla X Flu, Botafogo X Fluminense, Corinthians X Palmeiras ou SanSão saíram nos Estaduais. Foi no Estadual do Rio que vimos o Flamengo ganhar três Campeonatos seguidos em cima do Vasco e sacramentar a fama de “vice” do alvinegro. A questão da rivalidade dentro dos estaduais é tão forte que até a década de 90, o Campeonato Estadual era mais valorizado que o Campeonato Nacional ou competições internacionais. Foi num estadual que caíram os jejuns de Corinthians (1977), Botafogo (1989) e Palmeiras (1993). Agora, pergunto... qual o título mais comentado do Corinthians? Um dos quatro Brasileirões, o Mundial da FIFA ou o Paulistão de 77?

Não fossem os Estaduais, só veríamos confrontos como Flamengo X Vasco, Grêmio X Internacional, Corinthians X São Paulo ou Cruzeiro X Atlético MG uma vez no ano. E em casos como ano passado, quando tivemos o Atlético MG na Série B do Brasileirão. Não teríamos nenhum Cruzeiro X Atlético MG no ano.

Série C
Desde 2003 o Campeonato Brasileiro da Série C tem como critério de disputa a classificação das equipes dentro do Campeonato Estadual. Os Estaduais, logo, tornam-se vitais para uma Série C organizada – melhor você começar um campeonato onde as equipes que disputam não têm tantas condições financeiras onde você sabe quem vai disputar de que deixar a critério das próprias equipes decidir se vão ou não participar – já imaginou se centenas de times decidem participar e, de repente, mais de 200 clubes se inscrevem? Como ficaria a organização do Campeonato?

Finanças
Muitos clubes não disputam nada no decorrer do ano. Sem os Estaduais, tais clubes acabariam acabando. Como um clube que não joga iria sobreviver no decorrer do ano? Os Estaduais acabam sendo responsáveis pelas finanças de muitos clubes no decorrer do ano.

Ainda não vi uma alma – até porque alma não existe – que queira acabar com os Campeonatos Estaduais. Ouço falar-se em “querem acabar com os Estaduais”, ou “não podem acabar com os Estaduais”, mas ainda não vi alguém se posicionar contra os Campeonatos Estaduais.

Motivos para ser a favor dos Estaduais não faltam. Eles são responsáveis por tanta saúde ao futebol brasileiro. Acabá-los seria deixar o futebol de vocês e, por que não, meu também, ainda mais doente.

Em tempo: Hoje, podemos concluir. Fernando Vanucci, um dos comentaristas de futebol brasileiro mais estranhos. Primeiro, diz que comeu Lorax – eu já provei aqui que ele comeu Lexotan. Depois, trata de forma sensacionalista a convocação do Dunga. Pó, Vanucci. Não seria bem melhor analisá-la ao invés de escrachá-la? E ainda teve as palavras do ex-goleiro Ronaldo Roqueiro. Ronaldo comentando? Volta pro rock, Elvis do futebol!

Este colunista despede-se com muita felicidade após o Campeonato Mundial de Hóquei no Gelo ser vencido pelo seu querido Canadá – sobre os malditos Finlandeses!

Semana que vem: Showbol.

Finalmente, semelhança com o Futebol Europeu
Stefan Lorax - 14/05

Equilíbrio e desequilíbrio. Uma característica paradoxal marcante no futebol brasileiro.

Campeonato Brasileiro de Futebol. Desde que a era do debande para Europa tornou-se descarado e até nossos meninos de 14 anos começaram a ser sondados – não posso precisar se isso foi no final dos anos 90, em 2000 ou 2001, nosso (ou melhor, vosso) campeonato nacional ficou bastante desequilibrado. Mais ou menos como o desequilíbrio que ocorre na Europa.

Acho que até 2002, entramos o Brasileirão afirmando um bom número de favoritos: Corinthians, São Paulo, Grêmio, São Caetano, Fluminense... e o Santos, que acabou campeão naquela edição, sequer era considerado um favorito.

De 2003 pra cá – coincidência ou não, e acho que não, desde que começamos os pontos corridos, o Campeonato entre com dois ou três possíveis campeões, dois ou três possíveis representantes da Libertadores, uns quinze para a Sul-Americana – coisa que até time pequeno cogita – e uns cinco capengando para o rebaixamento. E a coisa só começa a tomar forma depois da 10ª rodada.

A coisa chega a ser um pouco mais equilibrada que na Europa, já que no Velho Continente, em qualquer bom campeonato nacional, temos dois ou três candidatos a título e a representante da Liga dos Campeões, já que a competição fica entre eles; dois ou três candidatos à Copa da Uefa, um ou outro que sonha com a Intertoto e mais nada. O resto vai tentar manter as finanças, pensar nas contratações para temporada seguinte. Se capengar, não dá outra: cai.

As cartas na Europa também já são marcadas desde cedo. Todo mundo sabe que na Inglaterra é Manchester United, Liverpool – os maiores –, Chelsea – o novo rico – e o Arsenal – o médio-grande de sempre. Qualquer Tottenham, Everton, Newcastle ou Bolton que ameaçar, é zebra. A Alemanha tem o Bayern de Munique como sempre... Schalke 04, Borussia Dortmund e Werder Bremem brincam de jogar futebol e vez por outra levam alguma coisa. O Bayer Leverkusen, o Hertha Berlim e o Hamburgo também ameaçam uma vez na vida. Estamos falando de dois campeonatos equilibrados.

Na Itália, o funil é menor. Juventus e Milan. Depois, Internazionale. E uma brecha bem pequena para Roma e Lazio. E assim seguimos pelo restante da Europa.

Aqui no Brasil a coisa não é bem assim. As cartas marcadas existem. Mas são doze – São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, Atlético MG, Grêmio e Internacional. Atlético PR, Goiás, Figueirense, Juventude RS... dependendo da temporada, qualquer um pode incomodar. Isso porque nossos clubes têm uma situação financeira com efeito gangorra – ano está ruim, ano muito ruim, ano razoável, e ano está quase bom.

Isso faz com que o time que sucedeu num ano falhe no outro. Vejam o Internacional. Ano passado, papou quase tudo. Ou foi campeão ou vice por onde passou. Este ano não se preocupou em renovar, não manteve o que detinha, não repôs peças que perdeu... que queda. Saiu da Libertadores e do Estadual na primeira fase e não tem boas perspectivas para o Brasileirão.

O Cruzeiro foi mais ou menos o mesmo em 2003. Voou no Brasileirão, ganhou uma Tríplice Coroa nacional – Brasileiro, Copa do Brasil e Estadual – e começou 2004 bem, ganhando o estadual. A renovação não aconteceu, a reposição de peças perdidas também não, muito menos a manutenção do que já tinha. Caiu do cavalo. Foi eliminado da Libertadores e terminou o Brasileirão em 13º – nem Sul-Americana levou. Até hoje, não pintou num ano sequer como favorito ao título.

O Corinthians fez um mau campeonato em 2003. Em 2004, fez uma campanha razoável, terminando em 5º depois de chegar a ser lanterna. Em 2005, foi campeão. Ano passado, terminou em 9º depois de ser favorito a rebaixamento. Esse ano, chega ao Campeonato com perspectiva de brigar para não cair.

O Palmeiras jogou a 2ª divisão em 2003. Chegou 2004 e 2005 fazendo bela campanha e alcançando a Libertadores. Ano passado, brigou para não cair e acabou em 16º lugar, um posto acima dos rebaixados.

Os times cariocas então, nem se fala. Todo ano, vem algum um pouco mais arrumado com a perspectiva de fazer uma boa campanha. Já foi ano do Fluminense e do Flamengo – hoje é do Botafogo e do Flamengo, juntos. Será que algum vinga?

Por outro lado, temos apenas dois clubes fazendo uma boa campanha desde que começamos os pontos corridos: São Paulo e Santos. Apenas em 2005, no ano do controverso Campeonato Brasileiro marcado por Edílson Pereira de Carvalho, os dois não estiveram entre os quatro primeiros colocados. De lá para cá, sempre estão presente na ponta da tabela e ganharam o título em 2004 (Santos) e em 2006 (São Paulo).

Coincidência ou não – e acredito que não seja – são os dois únicos que podem ser considerados a favoritos a este título brasileiro de 2007. Logo abaixo, vêm Flamengo, Botafogo, Grêmio...

Ou seja... o Campeonato Brasileiro sempre contou com um desequilíbrio a cada edição, mas um equilíbrio em sua história como um todo.

Estaria o Brasil finalmente afunilando seu futebol para um desequilíbrio permanente, tal qual o futebol europeu?

Semana que vem: A importância dos Campeonatos Estaduais na manutenção do equilíbrio e desequilíbrio brasileiro que mantêm seu campeonato nacional único no mundo.

Mundial? Eu também quero!
Stefan Lorax - 07/05

Mais uma vez, Campeonato Mundial de Clubes da Fifa (ou não...) em pauta. Mais uma vez, vamos entrar nos méritos de quem merece ou quem não merece ter seu Mundial reconhecido como oficial.

Todos nós sabemos do polêmico Mundial de Clubes de 2000 – polêmico apenas porque o campeão foi o Corinthians, que nunca ganhou a Libertadores; dos Mundiais oficiais de 2005 e 2006... das Copas Intercontinentais, depois chamadas Copas Toyota – aqui no Brasil, o famoso “Mundial Interclubes”, hoje em dia reconhecidos pela Fifa... e depois de anos a Copa Rio de 1951 que a Fifa oficializou a pedido do Palmeiras – quero saber que atitude a Fifa terá quanto o Fluminense, que a venceu em 1952... e, bem... já comentamos tudo isso aqui, na minha coluna.

Até o Bangu quer seu Mundial – o Torneio de Nova Iorque (escrevo assim mesmo... ou é New York, ou Nova Iorque... o que não pode é ser Nova York, misturar inglês e português...) de 1960 – reconhecido.

Sendo assim, vou pela primeira vez puxar a sardinha pro meu lado! Quero que o meu Tottenham Hotspur – time que eu e o Thiago Leal torcemos, sendo a equipe de maior torcida aqui no Fanático Esporte Clube, mas o covarde não teve coragem de se assumir e inventou um papo de torcer pelo ridículo Huddersfield Town... – tenha o seu Mundial, a Copa da Paz de 2005, reconhecida como oficial!

Vejamos... a Copa da Paz é um torneio organizado a cada dois anos na Coréia do Sul pela Sunmoon Soccer Foundation for Peace, entidade regida pelo Reverendo Sun Myung Moon, da Igreja Unificada da Coréia do Sul. Foi disputada pela primeira vez em 2003. Teve pelo Grupo A o Besiktas da Turquia, o Ilhwa Chunma da Coréia do Sul, o Kaizer Chiefs (nada a ver com aquela banda horrível chamada Kaiser Chiefs, a não ser o fato desses nojentos terem surrupiado o belo nome do time) da África do Sul e o Olympique Lyonnais, vulgo Lyon, da França; Grupo B, o 1860 Munique da Alemanha, o Nacional do Uruguai, o Los Angeles Galaxy dos Estados Unidos da América – o novo time de David Beckham – e o PSV Eindhoven da Holanda.

Em 2003, deveriam participar a Roma da Itália, o Bayer Leverkusen da Alemanha e o São Paulo do Brasil, mas os três recusaram o convite.

A edição acabou sendo vencida pelo PSV Eindhoven, que derrotou o Lyon por 1x0 na final.

Em 2005, o ano da glória máxima! Enquanto o Liverpool vencia a comercial Liga dos Campeões da Uefa sobre o Milan e sua amarelada histórica, o meu querido Tottenham Hostpur estava na Coréia do Sul enfrentando equipes do mundo inteiro para conquistar a segunda edição da Copa da Paz.

O Grupo A foi formado por Olympique Lyonnais da França, o Once Caldas da Colômbia, o campeão PSV Eindhoven da Holanda e o Seongnam da Coréia do Sul. Pelo Grupo B, Boca Juniors da Argentina, Real Sociedad da Espanha, Sundowns da África do Sul e... ele. O mais inglês de todos os clubes... e, quando o futebol é um esporte inglês, ser o mais inglês de todos os clubes significa ser o verdadeiro clube de futebol... tão inglês quanto o chá das cinco, a Coroa ou o Big Ben... o glorioso Tottenham Hotspur.

Na primeira fase, os Lilywhites (um dos apelidos do Tottenham) empatou com Boca Juniors por 2x2, com Real Sociedad por 1x1... e massacrou o Sundowns por 3x1. Classificou-se como primeiro do grupo e foi à final enfrentar o Olympique Lyonnais.

O glorioso Tottenham decidiu a partida ainda no primeiro tempo. Abrimos o placar aos sete minutos com gol contra de Jérémy Berthod... aos nove, ele, Robbie Keane ampliou... e nos acréscimos do primeiro tempo, Keano (apelido do Keane) matou o Lyon marcando 3x1.

O pseudo-grande clube francês ainda tentou com Bem Affleck... digo... Bem Arfa, de pênalti, fazer alguma coisa aos 29 do segundo tempo... mas era tarde demais, e nosso Keano deu o título ao glorioso Tottenham Hotspur. Keano, só existe um! É o Robbie, que não tem nada a ver com Roy Keane – aquele beberrão safado que está mais para músico do Oasis que jogador de futebol.

Em 2006 houve uma versão feminina da Copa da Paz, chamada Copa da Rainha da Paz, disputada por seleções nacionais e vencida pelos Estados Unidos, que derrotou no final as meninas do meu Canadá. Mas só lembrando... o meu Canadá pegou o Brasil de vocês e marcou 4x2!

Teremos nova Copa da Paz este ano, em julho. Até agora o único time confirmado é o Reading, da Inglaterra. Me pergunto se meu Tottenham Hotspur, como atual campeão, defenderá – certamente com sucesso – o título.

Mas, fica a pergunta... o que a Copa da Paz tem a menos que a Copa Rio? Até representantes de mais continentes que a Copa Rio a Copa da Paz tem. Não seria a Copa da Paz o verdadeiro Campeonato Mundial – se comparado à Copa Rio?

Escreverei ao meu querido Tottenham Hotspur, aconselhando à direção que reivindique na Fifa um título que é nosso por direito!

Sofredor Paulista?
Stefan Lorax - 30/04

De uma hora para outra tudo mudou. Até semana passada, o São Paulo era o melhor time do Brasil. Bastou acontecer a derrota para o São Caetano – mais um acidente de percurso causado pela covardia de Muricy Ramalho que qualquer outra coisa – que os narizes começaram a torcer. Ainda assim, o time saiu aplaudido de campo porque, apesar da humilhação, lutou. E ainda estava na principal competição do semestre: a Libertadores.

Ainda assim, na segunda tinha muita gente falando mal do São Paulo – ninguém parou pra pensar que foi um colapso causado por um erro tático e que quando tentou se concertar já era tarde demais.

Veio a semana, veio a Libertadores... e a atuação diante do Audax Italiano não convenceu. Acontece. É normal... até porque o São Paulo levara o baque no fim-de-semana e do nada muita gente passou a tachar o São Paulo como sendo um time fraco – coisa que não existe. Mas isso bastou para a torcida começar a vaiar... a crítica sentar o pau de vez... e agora o São Paulo não é mais de nada.

O São Paulo tem um bom elenco. Tem Jorge Wagner, tem Ilsinho, tem Josué, tem Leandro, tem Aloísio. Chegou o Dagoberto. Tem deficiências também. Mas consegue supri-las. Alguém notou o sacrifício que Souza faz até hoje para substituir Danilo – sem sucesso? Ainda assim, vem segurando a barra. Foi assim que ganharam o Campeonato Brasileiro. Alguém tem noção do que é ter na zaga nomes como André Dias e Richarlyson? Ora... é como ter o Betão e o Marinho! Mas a defesa tricolor não falha tanto quanto a alvinegra. O São Paulo perdeu jogos o ano passado. Por que não pode perder este ano?

O ex-futuro-próximo-novo-velho melhor jogador do mundo
Stefan Lorax - 23/04

Em 2002, no Santos, Robinho era revelado ao mundo por pedalar na frente de Rogério, então lateral do Corinthians e ganhar o Campeonato Brasileiro. Se checar meu histórico (http://www.fanaticoec.com/futloucos_stefan_historico.htm), você encontrará no dia 1º de maio de 2006, uma coluna abortando o fato e desmistificando a condição de “craque” de Robinho – claro, na minha opinião. Em dezembro de2002, a respeitável revista Placar – e, quando digo respeitável, falo sério, sem ironias – dava a Bola de Prata de melhor atacante do Campeonato Brasileiro, e em sua edição especial da Bola de Prata corajosamente dizia aos torcedores do Santos “Esqueçam Pelé” ao anunciar a dupla Robinho e Diego. Claro que não passava de uma chamada sensacionalista para atrair olhares e chamar atenção – coisa que a Placar, sempre marcada por sua imparcialidade não precisa fazer para vender revistas.

Em maio de2003, a Placar põe pela primeira vez o Robinho como destaque único com a chamada “Robinho o Novo Pelé?” – até então o garoto só havia aparecido em detalhes da capa da revista. Desta vez seu rosto enchia a capa, que inclusive deixava no detalhe Ronaldo e seus 10 anos de carreira. Mas, voltando ao que interessa, a chamada, mais uma vez exagerada, exaltava Robinho enquanto o patrão Fanático ficava p*t* da vida se perguntando onde aquele “novo Denílson” era um craque.

Robinho estampou a capa de Placar novamente em agosto de 2004, e mais uma vez em janeiro de 2005 por ganhar a Bola de Ouro de Placar no Campeonato Brasileiro do ano anterior. E, novamente em 2005, Robinho ganharia mais duas capas de Placar. Em julho, enquanto o Santos e sua torcida pediam “Fica, Robinho!”, a Placar colocava em sua capa “Vai, Robinho!”, defendendo a ida do jogador para a Europa.

A terceira capa do jogador em 2005 foi, sem dúvida, o maior exagero da história de Placar. Em outubro, a revista trazia o jogador fazendo pose, com a camisa do Real Madrid, e a chamada “Gênio na Espanha”. Menos, gente. O garoto acaba de chegar na Espanha e já é gênio? Esqueceram que desde que venceu o Brasileirão de 2002, Robinho vinha trilhando caminho irregular, alternando boas e grandes atuações?

Hoje Placar percebe o exagero que cometeu. Veio a Copa do Mundo e Robinho, sempre que entrava no lugar de Adriano, jogava bem – e todos pediam “Robinho como titular, Parreira!”. Isso não era o mesmo que acontecia com Denílson em 98? Jogava bem quando entrava no segundo tempo... depois quando teve de acarretar com a responsabilidade de titular, pipocou. E Robinho?

O menino, quando entrava no segundo tempo, arrebentava no Real Madrid – e o Capello era burro porque o deixava no banco. Quando Robinho joga de titular, acontece o que aconteceu final de semana passado: não joga nada, não rende, não vem buscar a bola, não dribla zagueiro, não chuta a gol. E isso foi assim sempre, tanto no Real Madrid quanto na Seleção Brasileira. Mas pra imprensa brasileira, não... Robinho é jogador fenomenal, Cristiano Ronaldo (com quem o comparei rapidamente na matéria anterior), só porque é português, é um “bom” jogador, mas é comum e aqui no Brasil em cada várzea se encontra um?

As coisas não são bem assim. Dá pra ver quem é jogador diferenciado – Cristiano Ronaldo, Aaron Lennon, Wayne Rooney, Fernando Torres, Arjen Robben, Elano, Cesc Fábregas, Lincoln... – e quem é jogador comum – Robinho, Alberto Gilardino, Carlitos Tevez, Michael Owen, Antonio Cassano... Não é porque o cara é brasileiro que vai ser craque, assim como não é um argentino ou um italiano.

Achava-se que Carlitos Tevez era craque. Não é. O mesmo para D’Alessandro. Não é. E não dói admitir o mesmo com o Robinho. É um bom jogador, faz suas diferenças. Mas não é um novo Pelé, nem novo Zico, novo Ronaldo ou mesmo um novo Bebeto. É o Robinho, só isso. Um jogador que erra mais que acerta num clube como o Real Madrid, que não tem cacife para receber camisa do Alfredo Di Stefano nem para ser titular. Exagerou-se a respeito do Robinho. Não é o Capello o errado nessa história.

Hoje, na sua edição de abril (capa Romário maior que Pelé) Placar começa a admitir que Robinho não é aquele gênio. Viu onde leva a precipitação?

E era uma coisa tão clara há tanto tempo...

Grande Coisa!
Stefan Lorax - 16/04

No Brasil (sim, mais uma vez a coluna começa assim...) adquiriu-se uma noção errada do que é um “clube grande” na Europa. Primeiro, porque nos baseamos em muitos fundamentos locais. Por exemplo, aqui no Brasil um grande clube possui dinheiro – em teoria – para realizar contratações caras. Logo o Corinthians pode manter um Roger, o Flamengo pode trazer um Juninho do Palmeiras, que pode pagar o Edmundo, enquanto o Santos segura o Zé Roberto para rivalizar com o São Paulo que tem o Fredson, “importado” da Espanha. Já o Rio Branco de Americana é pequeno, e não pôde segurar o pseudo-atacante Thiago, que foi para o São Paulo (hoje está no Bordeaux, FRA), mesmo caso do Treze da Paraíba que não tinha como pagar o Wagner Diniz que foi pro Vasco da Gama.

E temos também os clubes médios... como o Goiás, que não pôde pagar o Danilo, que foi para o São Paulo – mas tem totais condições de pagar o pseudo-jogador Petkovic, que veio do Fluminense; ou o Sport Recife, que não teve como manter o Cléber Santana, que mudou-se para Santos, mas segura o Fumagalli que recebera oferta milionária da Turquia e o técnico Gallo que foi sondado pelo Corinthians.

Time grande também é aquele que ganha título. Então o Palmeiras, São Paulo e Corinthians que têm quatro títulos brasileiros são grandes; o Coritiba que só tem um é médio e o Guarani que também tem um é pequeno – mas o Botafogo e o Fluminense têm o apenas um, e são grandes, enquanto o São Caetano não tem nenhum e é médio (?).

Na Europa, no entanto, o buraco é mais embaixo. As coisas não são tão simples assim. O Real Bétis não é um clube grande – mesmo podendo pagar para ter Denílson e Rafael Sóbis. Tampouco o Valencia, com apenas seis títulos nacionais. Muito menos o Atlético de Madrid, só por ter Fernando Torres e sondar Lucas Leiva – e pode comprá-lo sem nenhuma dificuldade. Grande na Espanha é o Barcelona que tem 18 títulos da Liga, 24 da Copa do Rei e duas Liga dos Campeões; e o Real Madrid com 29 Ligas, 17 Copas do Rei e 9 Ligas dos Campeões. O resto é resto!

O Olympique Lyonnais, vulgo “Lyon”, também nunca foi grande. Só em 2002 veio começar a ganhar títulos da Liga Francesa, tem apenas cinco. Muito menos o Paris Saint-Germain que só tem dois títulos nacionais, o último ganho em 1994. Não é porque um time tem Juninho e outro teve Raí e Ronaldinho que vai ser grande. E quem é grande? O Olympique Marseille? São oito títulos nacionais, o último em 1992. E uma Liga dos Campeões – em 1993. Por isso é grande? Negativo. O Nottingham Forest da Inglaterra tem duas Ligas dos Campeões e não é grande. Logo, o Marseille não é. O maior campeão francês é o Saint Etienne, com dez títulos. Grande? Não. Entenda, meu amigo: na França ninguém é grande. Basta verificar nível de elenco de cada uma das equipes. Lá, time só de nível médio pra baixo. Juninho Pernambucano não torna ninguém grande. Muito menos atletas africanos e afro-franceses, quando os bons jogadores locais – Pires, Thierry Henry, David Trezeguet – sequer estão no país.

Mas talvez o maior mito de time grande no Brasil seja o Bayer Leverkusen, da Alemanha. Ter Roque Júnior e Juan, ter Athirson, Voronin, Schneider e Babic de nada ajuda se o time não tem em seu currículo um título nacional sequer. De campeonato, o Bayer Leverkusen só ganhou uma Copa da UEFA em 1988 e uma Copa da Alemanha em 1993. DOIS TÍTULOS. Que espécie de time grande é esse? Um time grande só porque compra França do São Paulo?

E quanto aqui no Brasil se ouve falar do verdadeiro time grande alemão depois do Bayern de Munique – o Schalke 04. Bom, só agora, que as ligas européias começam a pintar na nossa TV à cabo e em canais abertos. Antes disso, só se falava no Bayern de Munique e no tal do Bayer Leverkusen. E também acha-se que o pequeno Hertha Berlim é grande. Por que tem o Marcelinho Paraíba?

E claro que começamos a ter noção do futebol inglês – e logo aprende-se que o Manchester United é o maior time da Inglaterra, e logo depois vêm Arsenal, Liverpool e... Chelsea? Acordem: o Chelsea começa a ter vida própria agora porque tem dinheiro da máfia russa e pôde comprar Drogba, Shevchenko ou Ballack. O Chelsea passou 50 aninhos sem ganhar o Campeonato Inglês. O meu querido Tottenham, sem nenhum sentimento de torcedor, era maior que o tal Chelsea. Tinha mais títulos que o Chelsea – ainda tem, na verdade. O EVERTON tem mais títulos que o Chelsea. ACORDEM! O Chelsea é o novo rico! Até o Huddersfield Town, time do nosso colunista Thiago Leal, tem mais títulos que o Chelsea – embora não vença o campeonato desde 1926! O Chelsea é grande, hoje. Mas não se tem conhecimento das tradições européias no Brasil para se afirmar quem é ou deixa de ser grande.

Muito menos a Roma – que tomou de sete do Manchester essa semana – vai ser grande. Grande por quê? Porque teve Falcão? Teve Cafu? Tem o Totti? Que grande que nada! Nem mesmo a Internazionale é grande – um clube MÉDIO. Grande porque teve o Ronaldo? Assim o PSV Eindhoven seria grande – NÃO É! Grande na Holanda, só o Ajax! Grande na Itália, Milan e Juventus! Fim de papo! Na Europa é assim!

Clube grande europeu, só mesmo Manchester United, Liverpool, Barcelona, Real Madrid, Milan, Juventus e Bayern de Munique. Me desculpem, mas Portugal e França, que roubam jogadores aos montes do Brasil, não têm times grandes – porque Ucrânia e Rússia também roubam. Aliás, o Dynamo Kiev é maior que muito clube que citei aqui, e nem podem ser considerado grandes.

Um grande clube não é apenas tradição, dinheiro e jogadores caros. Um grande clube é medido pelo nível de elenco. Pelo nível anual de elenco, pelo nível de elenco em uma década, pelo nível de elenco em sua história. É medido por sua constância e relevância naquele país. Não é porque o Napoli que teve o Maradona vai ser grande por isso. É menor que a Udinese, que teve o Zico. E não é por isso que a Udinese vai ser grande.

Temos uma noção distorcida de clube grande. Um clube grande é jóia rara. Clubes, no geral, são médios. E os demais, pequenos. Só aqueles imbatíveis são os reais clubes grandes – e isso não se mede de um dia para a noite, de um contrato com Roman Abramovic para um bi-campeonato inglês. Leva-se décadas para se adquirir esse estigma.

E eu, naturalmente, iria agora listar quem é grande e quem não é no Brasil. Mas o Thiago Leal das colunas Inglês e Francês do Fanático me alertou aos problemas que eu teria ao fazer isso. Desisti. Até porque essa coluna já está muito... grande.

Muito barulho por nada
Stefan Lorax - 10/04

No Brasil se aprendeu a supervalorizar um tipo de título: as conquistas de campeonatos mundiais de clubes.

Não estou dizendo que apenas brasileiro valorize essas conquistas, afinal de contas, os torcedores do Ájax fizeram um grande carnaval nas ruas de Amsterdã na conquista da Copa Toyota em 1995, contra o Grêmio; o jornal espanhol La Marca deu a capa de seu portal virtual para o Internacional, na conquista do Mundial de Clubes do ano passado sobre o Barcelona, destacando ainda a declaração de Rijkaard de que o jogo “foi uma decepção”; e foi marcante o desapontamento no rosto do capitão Steven Gerrard, do Liverpool, após a derrota para o São Paulo em 2005.

Ainda assim, brasileiro supervaloriza este título – assim como qualquer campeonato internacional, e por “qualquer campeonato internacional” entenda-se apenas Libertadores e Mundial.

Quer uma prova disso? Em 1955, por iniciativa do jornalista e editor francês Gabriel Hanot, do jornal L’Equipe, era criada a Copa dos Campeões da Europa (mais tarde rebatizada Liga dos Campeões da Europa). O que pouca gente aqui no Brasil sabe é que, antes desta, já houve uma grande competição de clubes no Velho Continente: a Copa Mitteleuropa, ou Copa Mitropa, ou ainda Copa da Europa Central. Disputada pela primeira vez em 1927, quando o mundo era completamente diferente, o torneio foi inicialmente disputada por clubes da Hungria, Áustria, Tchecoslováquia e Iugoslávia – potências do futebol na época. Mais tarde houve adição de equipes italianas, suíças e romenas. A Copa foi interrompida em 1940, devido à II Guerra Mundial, e voltou em 1955, justamente no ano de estréia da Copa dos Campeões.

A Copa Mitropa teve durante esse período clubes importantes campeões, como o Sparta Praga da República Tcheca, o Ferencváros da Hungria ou o Rapid Viena da Áustria. Nenhum dos três jamais conquistou a Copa dos Campeões. Nem nunca requereram que o título da Copa Mitropa fosse aceito como título europeu oficial junto a UEFA após a criação da Copa dos Campeões. Seria muito simples que os clubes exigissem que os títulos ganhos até então fossem agregados à nova competição européia. Mas não. A Copa Mitropa continuou existindo, inclusive, sendo encerrada apenas em 1992.

Agora vejamos um exemplo nas mesmas circunstâncias na América do Sul. Em 1948 foi disputado o Campeonato Sul-Americano de Campeões. O Vasco da Gama entrou no torneio representando o Rio de Janeiro, e a venceu. Edição única do torneio.

Em 1960 foi criada a Copa Libertadores da América, 12 anos depois do Campeonato Sul-Americano. O Vasco, que nunca ganhou a Libertadores (até 1998), se considerava o primeiro “campeão sul-americano” de futebol. No entanto, o título nunca teve oficialização por parte da Conmebol.

Até que em 1996 os dirigentes do Vasco descobriram um livro de registros por parte da Conmebol que falava sobre a importância do Campeonato Sul-Americano, o “embrião para a criação da Libertadores”. O que aconteceu? Interessado em disputar a Supercopa dos Campeões da Libertadores, o Vasco foi até a Conmebol requerer oficialização do título. E o pior: conseguiu! Assim, temos a aberração... a Libertadores iniciou em 1960, e seu primeiro campeão é o Vasco, que a conquistou em... 1948!

Percebem a diferença? Ora... não sabe a Conmebol diferenciar as coisas? – coisa que citei na semana passada como sendo uma atitude da FIFA. Bastava oficializar o Campeonato Sul-Americano de Campeões, oficializar o Vasco como campeão deste campeonato... e fim de papo! Deixava a Libertadores fora disso, afinal, o Vasco não a havia ganho ainda. E, logicamente, o Vasco não poderia participar da Supercopa. Mas a Conmebol parece querer evitar stress e ceder a qualquer pressão. Aceitou a participação do Vasco na Supercopa. Mas ela não é para campeões da Libertadores? Taí...

Da mesma forma é essa Copa Rio que o Palmeiras foi buscar – e vai dar confusão, afinal, houve outra Copa Rio em 1952 vencida pelo Fluminense e o Bangu quer reconhecimento do Torneio Cidade de Nova York.

Sejamos sensatos... alguém já viu europeu brigar na justiça, na FIFA, por homologação de algum título semelhante? Porque torneio assim tem muitos, como o Troféu Tereza Herrera; Torneio de Caracas; o Troféu Ramón de Carranza ou a Copa da Paz em 2005, organizada pela própria FIFA. A Copa da Paz foi vencida pelo Tottenham. Ora, pra um clube pequeno como o nosso querido Tottenham – eu, diferentemente do Thiago Leal da coluna do Campeonato Inglês admito que torço pelo Tottenham – teria honra maior que ser oficializado campeão do mundo? Mas perceberam que o Tottenham não está nem aí para isso?

Partindo até mesmo pra América do Sul... alguém já viu o Nacional e o Peñarol do Uruguai querer a oficialização do Troféu Tereza Herrera como título mundial? Então... pra que essa urgência de Palmeiras em ter um título mundial? É porque Corinthians, São Paulo e Santos o têm reconhecido pela FIFA? É pra não agüentar gozação?

Aqui no Brasil costuma-se insultar o Corinthians com “P*t* que pariu, Libertadores o Corinthians nunca viu!”. É demérito não ganhar a Libertadores? Pois bem, comparando com as devidas proporções na Europa... quem é maior, o Arsenal, o Nottingham Forest ou o Aston Villa? Pois desses três, apenas o Arsenal não tem o título da Liga dos Campeões. Os outros dois tem. E ninguém vê torcedor do Manchester United ou do Liverpool gritando “Holy crap! Champions League Arsenal have never get!” (algo como “P*t* m*r*d*, Liga os Campeões o Arsenal nunca venceu!). O Arsenal até parece se preocupar mais em vencer o Campeonato Inglês...

Os títulos são importantes... principalmente os internacionais, sem dúvida. Mas ganhar ou deixar de ganhar um desses não é o fim do mundo. Existem coisas mais importantes.

Um prolema chamado falta de critério
Stefan Lorax - 02/04

Amigos. Há algum tempo, prometi falar sobre o tal Mundial que o Corinthians venceu, em 2000 – o primeiro torneio internacional organizado pela toda poderosa FIFA, com sedes em São Paulo e no Rio de Janeiro. Eu havia colocado o assunta em pauta na coluna da Re-Copa Mundial, publicada em 03/10/06 – chequem meu histórico. Nela, ponho um post script onde anuncio o tema da semana seguinte (publicada em 09/10) como sendo o tal Mundial. O texto acabou não saindo, pois na semana seguinte, veio um acontecimento mais importante: a situação da Seleção Inglesa. E o assunto fora esquecido.

Hoje, retorno ao tal Mundial. Desde já, afirmo que esta coluna visa criticar a FIFA e sua série de decisões, inclusive o Mundial de 2000. Em breve, elaborarei nova coluna sobre 2000 com o intuito de exaltar a glória da conquista corintiana. Mas, separando as coisas, primeiro um questionamento a respeito dos Mundiais.

Até que a FIFA decidisse criar o Mundial de 2000, tudo era bem-resolvido. Tínhamos a Libertadores (1960), a Liga dos Campeões (1992, anterior Copa dos Campeões fundada em 1955). E tínhamos a Copa Intercontinental (1960), a princípio disputada em duas partidas de ida e volta na casa de cada um dos clubes, que em 1980 passou a ser patrocinada pela Toyota e disputada em jogo único realizado no Japão.

Todos sabemos que os três torneios acima têm/tinham critério. A Libertadores tem seus formatos de classificação, baseados nas classificações das equipes em seus campeonatos nacionais, a Liga dos Campeões idem. A Copa Intercontinental reunia na final o Campeão Sul-Americano (Libertadores) e o Europeu (Liga dos Campeões). Ficou famosa no Brasil com o nome Mundial Interclubes. Para nós, era o verdadeiro Campeonato Mundial.

A FIFA nunca reconheceu seus campeões. E, em 2000, viemos com o primeiro Campeonato Mundial. Mas qual o problema deste Mundial?

Organizado a partir de 99, o Mundial teve seus direitos comprados pela empresa suíça ISL, que funcionou como o principal financiador da competição. E, na organização, além de FIFA e das confederações continentais, estava envolvida a CBF – afinal de contas, é quem regulariza o futebol brasileiro.

Foi injusta a participação corintiana? Aos olhos dos torcedores, sim. Mas aos olhos da crítica, não deveria ser. Vejam bem... a CBF deveria indicar um representante para o país-sede. Nada mais justo que o campeão do país-sede representá-lo, certo? No final das contas, a participação do Corinthians, campeão brasileiro em 98 e em 99, foi justa. O problema é que esse critério foi definido nos trâmites de 99, quando o Corinthians ainda não era campeão brasileiro. Ou seja, fosse o Atlético Mineiro o campeão desse ano, o Corinthians estaria garantido no Mundial da mesma forma, como informa o escritor e pesquisador Celso Unzelte em seu livro O Livro de Ouro do Futebol (2002, edição revisada). O caso acabou se tornando justo, afinal, o Corinthians garantiu o título Brasileiro de 99, após ser decidido numa injustiça, a partir do momento que o clube tinha sua participação garantida mesmo antes de vencer o campeonato corrente.

Foi injusta a participação vascaína? Tecnicamente, sim. Pois, veja bem... deveríamos ter na competição um representante da América do Sul. Nada mais justo que o Campeão Sul-Americano de 99, que foi o Palmeiras. Entretanto, tivemos o Campeão Sul-Americano de 98 representando o continente. O que é estranho... o Palmeiras foi o grande injustiçado na competição.

A confusão dos representantes brasileiros: Aqui no Brasil criou-se um mito que “campeão mundial” tem que ser “campeão da Libertadores primeiro”. Tal conceito é injusto. Por quê? O convite para participar de competições é um critério tradicional no futebol. Vejamos o caso da Dinamarca, campeã européia em1992. A Dinamarca não se classificou ao Euro, disputado na Suécia. Disputou a competição como convidada, pelo fato da Iugoslávia, então classificada, ser punida e banida de competições oficiais pela ONU, devido à guerra corrente no país. E a Dinamarca ganhou o título. Seu título, no entanto, não é questionado. O título do Corinthians acaba causando a ira dos demais torcedores, principalmente pelo Corinthians ser um clube grande e não bem-quisto pelos rivais. Mas o fato de não ter a Libertadores não desmerece a conquista do Corinthians. Há de se entender que foi um torneio que exigiu a participação de um convidado, e nada mais justo que o campeão do país-sede representar o próprio país.

E no final das contas: O Palmeiras foi injustiçado – e há quem diga que o Vasco, e não o Palmeiras, foi convidado pela seguinte razão: o torneio tinha sedes no Rio de Janeiro eem São Paulo. Por isso, seria necessário agradar as duas cidades, assim, teríamos de ter um representante carioca e um paulista. Por isso, Vasco e Corinthians. O Vasco teria entrado por ser carioca.

O problema teria sido resolvido... se houvesse mais transparência por parte da CBF/Conmebol/FIFA. Se, desde o começo, CBF deixasse claro que a competição terá como representantes um campeão sul-americano, e indicasse o Palmeiras, e o campeão do país-sede, antes do mesmo ser conhecido, não haveria problema algum nem questionamentos por parte de torcida e crítica. Afinal, tudo estaria transparente, claro. Ficou no ar a aura de sujeira e a indignação por parte do Palmeiras.

O que o Mundial de 2000 causou? Confusão. O torneio seguinte seria realizado em 2001. Continuasse a ser disputado com a mesma fórmula, o torneio adquiriria tradição, seria bem compreendido por parte de todos. Mas em2001, a ISL passou por problemas financeiros e teve de abandonar a competição. Sem patrocínio, a FIFA adiou a competição para 2003. Mas não havia interesse em patrocinar o torneio por parte de ninguém, uma vez que a competição não tinha tradição alguma e os clubes europeus não estavam interessadosem disputá-lo. Restou a FIFA se acertar com a Toyota, oficializar a Copa Toyota/Intercontinental e organizar um novo Mundial, a partir de 2005, no Japão, com patrocínio da Toyota.

A FIFA volta a se omitir de suas responsabilidades: Caberia à FIFA nesta situação fazer o seguinte... separar os títulos. Oficializar os Campeões da Copa Toyota, oficializar o Corinthians como o Campeão Mundial de Clubes de 2000, e oficializar um novo torneio a partir de 2005, onde os únicos campeões até agora são o São Paulo (2005) e o Internacional (2006). Tudo seria claro demais. É a mesma atitude que a CBF tem para com a Taça Brasil, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa e o Campeonato Brasileiro. Quem ganhou a Taça Brasil é campeão nacional, o mesmo quem ganhou o Robertão. Mas os dois torneios são independentes do Campeonato Brasileiro, disputado desde 1971. Até a FIFA no entanto bagunça as competições brasileiras, quando afirma que o Santos é octa-campeão brasileiro, por juntar os dois títulos do Campeonato Brasileiro (2002 e 2004) com os do Roberto Gomes Pedrosa (1968) e da Taça Brasil (1961, 62, 63, 64 e 65). A prova da falta de critério da FIFA é que considerou o Flamento apenas tetra-campeão brasileiro (1980, 82, 83 e 92). Não estou me referindo ao fato de não ter incluído 87, mas sim por não ter incluído as Copa do Brasil de 1990. Afinal, se a FIFA juntou os títulos nacionais do Santos, por que não juntou os do Flamengo? Viram a falta de critério? A mesma falta de critério se aplica ao Mundial de 2000, onde a FIFA deveria exigir organização por parte da CBF. O Santos é, sim, oito vezes campeão nacional. No entanto, bi-campeão Brasileiro, tetra-campeão da Taça Brasil e campeão do Robertão. Três torneios diferentes. Fim de papo. Viu como é mais simples?

Claro que tudo isso... é por causa da Copa Rio, de 1951. Não vejo problema da FIFA reconhecer o torneio. Beleza! Os palmeirenses merecem, os fluminenses (campeões de 1952) também. A FIFA pode oficializar a competição, mas não incluí-la como parte do Mundial de Clubes. O Palmeiras a partir de agora deveria ter um título mundial, mas não ser campeão mundial. Estes seriam apenas São Paulo e Internacional, por serem campeões da Copa do Mundo de Clubes. Conseguem entender a diferença? O Palmeiras teria um título mundial – a Copa Rio. O Corinthians teria um título mundial – o Campeonato Mundial de Clubes de 2000. E os campeões da Copa Intercontinental teriam seus títulos mundiais reconhecidos. Mas assim como a CBF, a FIFA poderia separar as competições. Uma coisa não implica necessariamente na outra.

Com essa atitude da FIFA... muita gente pode querer seu título Mundial. Por exemplo... os campeões do Torneio Tereza Herrera? Por que não? É um torneio internacional que envolve clubes grandes de todo o mundo. Por que não são campeões mundiais então? O Bangu, por exemplo, já está querendo reconhecimento do seu título do Torneio Internacional de Nova York de 1960. Por que não? O torneio contou com a participação de Nice (França), Sporting (Portugal), Estrela Vermelha (Sérvia, antiga Iugoslávia), Sampdoria (Itália), Bayern de Munique (Alemanha), entre outros. Se a Copa Rio vale, por que este grande torneio não valeria? E que tal a Copa da Paz, disputada em 2005 na Coréia? O campeão foi o nosso querido Tottenham da Inglaterra, e a competição ainda teve o Lyon (França), o Boca Juniors (Argentina), o PSV (Holanda), o Real Sociedad (Espanha) entre mais algumas equipes? Não deveria valer também?

Existem muitos torneios assim mundo afora. E muitos campeões. Já imaginou se cada um inventa de reivindicar seu título mundial? Teremos uma grande confusão. E tudo por falta de critério da FIFA.

Semana que vem, teremos os Mundiais em pauta novamente, mas sob uma outra abordagem: o ponto-de-vista brasileiro.

Prontos para o Tetra?
Stefan Lorax - 26/03

Assisti a mais um bom jogo em 2007. Depois do Santos e São Paulo na Vila Belmiro, empatado em 1x1, Alemanha e República Tcheca, com vitória alemã por 2x1, neste sábado preguiçoso, me encheu os olhos.

O jogo fora realizado em Praga, na República Tcheca – detentora de um time bem forte, a começar pelo melhor goleiro do mundo, Petr Cech. Rosický, Galásek, Koller e Baroš ajudam esta equipe a ser uma das mais fortes do continente europeu, que protagonizou grande vergonha na Copa do Mundo, junto com Brasil, Holanda, Polônia e Inglaterra.

A Seleção Alemã, agora treinada por Joachim Löw, dominou a partida, embora os tchecos tenha jogado muito bem – e, depois que Baroš tirou a diferença, por muito pouco não chegou ao empate. Ainda assim, os alemães foram superiores em campo. E sua superioridade tem nome. Ou melhor, nomes: Philipp Lahm, Per Mertesacker, Marcell Jansen, Lukas Podolski e, principalmente, Bastian Schweinsteiger. Sim, Ballack e Lehmann chegam a ser segundo escalão na Seleção graças a esses nomes citados.

Todos jovens – o mais velho dessa trupe citada é o Lahm, com 23 anos – e todos muito bons. Seguramente, o melhor time alemão desde 1974 – sim, melhor que o de 1990. Lahm e Schweinsteiger garantem a velocidade e a qualidade nos passes e nos cruzamentos. Jansen e Metersacker, o combate árduo que o alemão tanto adora. E Podolski cuida do “detalhe” – ou seja, dos gols.

Ballack é o Lothar Matthäus da vez. O homem encarregado de cuidar desses meninos. Lehmann é a chave de segurança debaixo dos paus que, seguramente, terá em 2008 sua última grande oportunidade de ganhar um título pela Seleção, afinal de contas, são 37 anos nas costas. A camisa 1 logo trocará de tronco. Já o Kevin Kuraniy é só um acidente neste time – muito embora seja o responsável pela vitória, autor dos dois gols da noite.

A Alemanha não deve nada ao Brasil, à Argentina ou à Itália. Tem uma defesa forte, um meio-campo sensacional e um ataque forte. Nós do Fanático EC fomos uns dos que acreditamos na Alemanha na Copa do Mundo 2006 – e eles foram bem longes, principalmente pelo que a crítica falava. E reafirmo minhas crenças: a Seleção Alemã é uma das minhas favoritas à Copa do Mundo 2010 – e, claro, antes disso, teremos o Euro 2008.

A Alemanha lidera o Grupo D nas Eliminatórias do Euro, com 13 pontos em 5 jogos. E o torcedor pode se preparar. Estamos falando de uma possível tetra-campeã, no Euro e no Mundo. Este canadense veste, sem medo, a camisa alemã: Força!

O eterno problema da defesa brasileira
Stefan Lorax - 20/03

Não dá pra entender o que acontece com a zaga brasileira. Temos bons zagueiros individuais, sejam “selecionáveis”, como Lúcio ou Juan, ou não, como Fábio Luciano, do Colônia (Alemanha), e Emílson Cribari, da Lazio (Itália). Ainda assim, a defesa brasileira insiste em falhar no coletivo.

Do pouco que podemos avaliar dos treinamentos de clubes e seleções brasileiras, não existe o treino de situação de jogo – comum na Argentina, bem utilizado por Carlos Bianchi, por exemplo. Logo, apesar de zagueiros bons, não existe uma unidade coletiva na hora do trabalho de defesa, como acontece no ataque, uma vez que é comum o treino de jogadas ensaiadas.

Uma imagem que reflete bem as falhas de defesa brasileiras foi o primeiro gol sofrido pela Seleção Brasileira Sub17 no Sul-Americano, há 15 dias. Quatro marcadores brasileiros seguiram a bola, sob domínio do peruano ChristianLa Torre, que corria em direção à linha de fundo. Enquanto isso, dois atacantes do Peru ficavam livres na área. Resultado? Receberam cruzamento deLa Torre e um deles, Reimond Manco, marcou o gol.

Creio que esse tipo de situação não ocorreria se houvesse um treinamento específico para defesa. Uma defesa mais sólida, como a do Corinthians em 2002, onde cada zagueiro sobre seu setor, é coisa rara no futebol brasileiro. É mais comum ver zagueiros desorientados, sem saber o que fazer, buscando o improviso. Ora... improviso é para o meio-campo.

Defensor brasileiro precisa aprender a cuidar do seu marcador, a fechar a área, a deixar apenas um em cima da bola enquanto cuida do outro atacante para que não fique livre... a subir nas bolas em cruzamentos, e não deixar atacante rival subir sozinho – porque aí, no mínimo, ganha falta.

É incrível como zagueiros parados ou amontoados num lado só da área se repetem no futebol brasileiro e ninguém cuida em sarar esse problema. Tudo seria solucionado com um treinamento específico e educação do jogador. Simples assim.

O último romântico...
Stefan Lorax - 12/03

Final de semana passado, aos 46 minutos do segundo tempo, Ryan Giggs cobrou falta cruzada pela esquerda e O’Shea completou. O Manchester United venceu o jogo por 1x0, em pleno Anfield Road. Situação semelhante ao clássico no final de 2006, quando Giggs cobrou falta pela esquerda, nos acréscimos, e Rio Ferdinand completou de cabeça, o Manchester venceu por 1x0em Old Trafford.

Desta vez, o clássico sem dúvida teve um sabor mais especial. Não por ter sido em Anfield Road, mas por Ryan Giggs, que atingiu uma marca histórica: 700 jogos com a camisa vermelha (ou branca, azul, preta, verde em dégradé...) do Manchester United.

Com a aposentadoria de Zinedine Zidane na temporada passada, Ryan Giggs talvez seja o último representante do futebol elegante que encantava o mundo até a década de 90. Seu estilo de jogo, de cabeça em pé, corpo teso e bola grudada ao pé remetem nomes do passado, como George Best, Johan Cruyff, Falcão e o próprio Zidane. Hoje em dia, raramente se vê um jogador com tais características. Além de, a exemplo dos nomes citados, ser um jogador completo. Cobra falta, cruza, dribla, chuta, cabeceia... domina todos os fundamentos do futebol.

Giggs ainda ganha os pontos no fator fidelidade. Embora tenha defendido o Manchester City durante o infantil, até os 14 anos de idade, o jogador está no United desde 1986, quando fora dispensado do rival. Em 1991, estreou como profissional e iniciou sua trajetória de ídolo no clube.

Seu apogeu foi a temporada 1998-99, quando liderou o Manchester United ao lado de Roy Keane e David Beckham à conquista da Liga dos Campeões – além de formar a difícil tríplice coroa européia, ganhando junto Campeonato e Copas nacionais.

Infelizmente, Giggs teve o mesmo problema que o liberiano George Weah. Ser natural de um país com pouca força no futebol. O País de Gales, terra natal de Giggs, não joga uma Copa do Mundo desde 1958, e nem mesmo a força de Giggs foi suficiente para classificar seu pequeno país a um Mundial, a exemplo do ídolo George Best com sua Irlanda do Norte.

Outro fator a ofuscar o brilho de Giggs, jogar na Inglaterra, enquanto jogadores a se destacar na Itália e Espanha ganhavam holofotes. Mas nem essa exibição exacerbada tentou o galês a trocar seu Manchester United pela Juventus de Turim ou qualquer outro clube ao redor da Europa.

Giggs também nunca foi jogador de fazer marketing ou querer aparecer. Sempre foi discreto, embora já tenha aparecido em comerciais da Nike e Reebok. E nunca foi de chamar atenção em manchetes de tablóides sensacionalistas – mesmo vivendo na Inglaterra. Nesse fator, o galês pode ser comparado a Rivaldo, que sempre brilhou em campo e nunca fez questão de aparecer fora deles.

Tais dificuldades não impediram que Giggs conquistasse a admiração e o respeito da crítica especializada ou dos admiradores do bom futebol. Sempre constante, Giggs nunca atravessou má fase nem viveu jejum de gols ou vitórias.

Resumo da ópera: Giggs é um jogador único nas duas últimas décadas. Sua classe e habilidade são comparáveis somente a George Weah, Zinedine Zidane e Rivaldo. E sua fidelidade e amor por um clube não têm preço nem comparação. Por isso, assim como George Best, Ryan Giggs é eterno.

O Embaixador do Frio
Stefan Lorax - 05/03

Nosso querido Eiður Smári Guðjohnsen, também conhecido como Eidur Gudjohnsen ou Eddie Gudjohnsen, para melhor se encaixar no nosso alfabeto romanizado, tem se tornado o grande expoente da Islândia no mundo.

Em sua carreira profissional, iniciada em 1994 pelo
Valur Reykjavík, clube da capital islandesa Reiquejavique (adaptação correta ao português), Guddy, como vamos chamá-lo, já conquistou títulos importantes como: a Copa da Holanda (1996), a Supercopa da Holanda (1996), o Campeonato Holandês (1997), a Copa da Liga Inglesa (ou Carling Cup, 2005), a Premier League inglesa (2005 e 2006), o Escudo Comunitário (ou supercopa) da Federação Inglesa (2000 e 2005) e a Supercopa da Espanha (2006).

Depois de seis anos de alegrias no Chelsea, Guddy deixou o clube inglês para vestir a camisa 7 do Barcelona, herdada de outro jogador nórdico: o sueco Erik Larsson.

Mas, ao invés de falarmos desse craque que nós do Fanático EC tanto adoramos – tenho um filho chamado Gudjohnsen... o Zlatan Lexotan chama seu cachorro de Gudjohnsen e Hector Diazepan chama sua esposa de Gudjohnsen – vamos falar dos benefícios que Guddy traz ao mundo. Gudjohnsen saiu da Islândia para conquistar o mundo. E, por seus pés, o mundo invade e conquista a Islândia.

Islândia
País do Norte Europeu e parte informal das nações que compõem a Escandinávia (formada basicamente por Dinamarca, Noruega e Suécia). Capital: Reiquijavique. Língua oficial: Islandês. População: Pouco mais de 307 mil habitantes. Governo:  República constituinte. Presidente: Ólafur Ragnar Grímsson. Primeiro ministro: Geir H. Haarde.

Música
Pouca gente sabe, mas a Islândia, a Terra do Gelo, tem grandes expoentes na música internacional (a chamada world music). A música do frio é representada por nomes como Sugarcubes (rock alternativo), Björk (mistura de ritmos como rock, jazz, experimental e música ambiente), Sigur Rós (entre a música ambiente e uma esquisitice que chamam “pós-rock”), Emilíana Torrini Davíðsdóttir (pop), a banda múm (rock experimental), GusGus (techno) e o quarteto de rap Quarashi. Experimentem a música islandesa por sua conta e risco.

Literatura
A Islândia está entre é um dos países com maior índice de interesse por livros! Halldór Kiljan Laxness, ou Halldór Guðjónsson, maior e mais prolífico escritor do país. Venceu o Prêmio Nobel de Literatura em 1955. Além deste campeão, o país tem grandes nomes da literatura, como
Bjarni Thorarensen, Jónas Hallgrímsson ou Ólafur Jóhann Sigurðsson, vencedor do Prêmio de Literatura do Conselho Nórdico. Nenhuma obra foi lançada em português, ou seja, ou leia em inglês ou aprenda islandês – não recomendo. Mas, quem quiser algo em português, podem ficar com Rumo à Estação Islândia, do ex-apresentador da MTV brasileira Fábio Massari. O livro trata da cena musical islandesa.

Televisão
O maior expoente da TV islandesa é o desenho LazyTown, exibido no Brasil pelo canal pago Discovery Kids (o antigo colunista do FEC Bráulio é telespectador assíduo do canal).
Magnús Scheving é o nome do criador da série infantil de sucesso. 

Cerveja
Proibida na islândia até
1989, a Islândia possui grandes marcas da bebida de cevada mais saborosa do mundo. Egils Premium, Egils Pilsner, Egils Sterkur, Egils Gull, Kaldi, Víking Gylltur e Thule são os principais nomes. E, a quem tiver oportunidade de provar, sentirá um gosto forte, grosso e encorpado, afinal de contas, estamos falando de cerveja para um dos países mais frios do planeta. Saúde!

Esportes
Chegamos onde queria. Aqui, Guddy é nosso representante.

Um país frio com uma população de cerca de 300 mil não tem – metade da população de João Pessoa PB, cidade onde moro – obviamente, grandes promessas esportivas.

Handebol é o que se tem de mais próximo de um esporte nacional na Terra do Gelo. Ainda assim, o futebol têm grande espaço entre os vulcões congelados que cercam o país.

Arnór Guðjohnsen é o primeiro nome famoso do futebol islandês. O topo de sua já encerrada carreira foi o Anderlecht da Bélgica. O sobrenome não é mera coincidência: Arnór é pai e empresário de Guddy. Amém!

(Nota do Editor: Eidur e Arnór constinuem o único caso na história futebolística de pai e filho que atuaram juntos em uma partida de Seleção)

E não é só de Guddy que vive a Terra do Gelo! O futebol islandês tem bons nomes
em atuação. Vejamos... Emil Hallfreðsson, meio-campo do Tottenham Hotspur da Inglaterra e da Seleção Islandesa. O garoto tem apenas 22 anos de idade e é o futuro promissor do futebol no país. Pela Seleção de Gelo ainda jogam os zagueiros Ívar Ingimarsson do Reading e Hermann Hreiðarsson do Charlton Athletic; o meio-campo Brynjar Gunnarsson, também do Reading; Grétar Steinsson, defensor do atual vice-campeão holandês AZ Alkmaar; ainda na primeira divisão holandesa temos o meio-campo Arnar Þór Viðarsson que joga de no Twente; e o também meio-campo Jóhannes Guðjónsson, do Burnley da Segunda Divisão Inglesa.

Os demais jogadores islandeses atuam em clubes suecos, noruegueses ou do próprio país. Seu futuro é comprometido pela estrutura do futebol local, prejudicado pelo frio – assim como meu país natal, o Canadá, que não deslancha para o futebol.

Ainda assim, nos do Fanático botamos fé: ISLÂNDIA NA EURO 2008.

O caminho mais fácil - parte 2
Stefan Lorax - 26/02

Semana passada, comentamos o problema da Copa do Brasil oferecer uma vaga na Taça Libertadores. Esta semana, comentaremos o outro problema da Copa do Brasil – que a torna uma competição cada vez mais desinteressante.

A Copa do Brasil, infelizmente, não inclui os clubes brasileiros que tomam parte na Taça Libertadores do ano em questão. Tudo bem nos anos 90 quando eram apegas duas vagas na Libertadores... logo, se iam pra Libertadores Palmeiras e Grêmio (1995), a Copa do Brasil ainda estava aí para São Paulo, Flamengo, Corinthians, Santos e tantos outros grandes. E as equipes de menor expressão, que, em se tratando de uma copa, muitas vezes conseguiam chegar longe, não passavam de uma zebra.

O problema é que agora o Brasil tem cinco vagas na Libertadores – três diretas, o Campeão e Vice Brasileiro e o Campeão da Copa do Brasil, e duas indiretas, na fase classificatória, para 3º e 4º colocados no Brasileirão. E, se ocorre como nos últimos dois anos, quando um time brasileiro venceu também a Libertadores, são seis times grandes brasileiros fora da competição.

Flamengo e Paraná, com equipes medianas, não chegam a ser um desfalque por estar fora da Copa do Brasil. No entanto, São Paulo, Santos, Internacional e Grêmio – em especial o Grêmio, que tanto adora a competição – ah, sim... estes, sim, são desfalques de fato.

Sem as melhores equipes do futebol brasileiro atualmente, a Copa do Brasil perde seu nível e os teóricos favoritos, como Corinthians, Atlético Mineiro, Fluminense... são equipes extremamente medíocres que acabam tropeçando em equipes menores – vide o caso Pirambu e Corinthians, ou Cruzeiro e Veranópolis.

O exemplo europeu
A Copa do Brasil é uma competição única na América, e copia uma fórmula de sucesso na Europa, que são as copas nacionais. Entretanto, as Copas do Velho Continente funcionam do mesmo modo que eu defendo a fórmula para uma nova Copa do Brasil. Primeiro, não vale vaga na Liga dos Campeões da UEFA, e sim na Copa da UEFA. Afinal de contas, em copas, zebras acontecem. Ano passado, por exemplo, a Copa do Rei da Espanha foi decidida entre Espanyol e Real Zaragoza, vencido pelo primeiro. E em 2003 foi o Mallorca que derrotou o Recreativo Huelva na final da tradicional competição espanhola. Agora já imaginaram Mallorca ou Huelva jogando a Liga dos Campeões ao invés do Barcelona – o quarto colocado em 2002.

E, claro, as equipes que disputam a Liga dos Campeões podem também disputar as copas nacionais – a exemplo de 1999, quando, além da Liga dos Campeões, o Manchester United venceu o Campeonato Inglês e a FA Cup, vencendo assim sua tríplice coroa.

Em suma, a Europa tem um formato muito mais adequado às suas Copas, e que não custaria nada a CBF imitá-la. Mas, para isso, seria necessário também que a Conmebol tornasse a Copa Sul-Americana um torneio mais interessante. Mas, se isso acontecer... acreditem... vai demorar!

O caminho mais fácil - 1
Stefan Lorax - 20/02

A semana passou e, em seus trâmites, teve início a Copa do Brasil. A competição, que conta com a participação de 64 clubes é, como definiu meu bom amigo romeno Dimitri Haldol, o torneio “mais democrático do Brasil”, por envolver clubes de todas as regiões, sem descriminação com tamanho ou finanças dos times relacionados.

O problema da Copa do Brasil atualmente, o qual já foi seu maior trunfo, é... seu título vale também uma vaga na cobiçada Taça Libertadores da América.

Mas qual o problema nisso? Afinal de contas, um time, para ganhar a Copa do Brasil, tem competência o bastante para jogar a Libertadores, certo? Errado.

Primeiramente, convenhamos: a Copa do Brasil tem um nível menor. Este ano, por exemplo, São Paulo, Santos e Internacional estarão ausentes. Talvez apenas Cruzeiro seja uma grande força no torneio, uma vez que Corinthians, Palmeiras, Fluminense e Vasco jogando me fazem ter dor de barriga! Ou seja, o desafio é menor e, de repente, o clube finalista não enfrenta um adversário de peso até às finais. Bem tranqüilo, não é?

Em 2004 a Copa do Brasil foi vencida pelo Santo André, clube do ABC Paulista. Sem nenhum preconceito para com o “Ramalhão”, o Santo André na Libertadores significaria bem menos que, por exemplo, o Corinthians ou o Palmeiras... ou o Internacional ou Fluminense, clubes que, por alguma zebra costumeira de copas, caíram fora durante a competição. Tudo bem, o Santo André tem méritos de ter ganho tal título. Mas não tem estrutura para jogar uma Libertadores. E, quando me refiro à estrutura, quero dizer a falta de condições financeiras, de apoio – tanto de patrocinadores quanto de torcida, da mídia... – para disputar o torneio.

Em2005, a história se repetiu com o Paulista, equipe de Jundiaí. Sem falar que a Libertadores correu o risco de ter como representante brasileiro o 15 de Novembro – RS (2004), o Brasiliense – DF (2002) ou o Ipatinga – MG (2006). Nada contra o clubes, já falei! Penso até que eles devem ter a oportunidade de jogar um torneio internacional e conquistar a tal experiência. Mas para isso... serviria a Copa Sul-Americana.

Ambas, chegando na Libertadores, não fizeram feio para equipes do seu tamanho. Mas bem que poderiam ter feito melhor. Poderiam ter passado da primeira fase. Seria um clube brasileiro a mais com chances de título. Coisa que um Fluminense, um Palmeiras ou um Internacional fariam com certeza – Corinthians eu já não sei, porque é amarelão.

O que eu gostaria que fosse feito, e acho que muita gente divide da minha opinião, é... a vaga da Libertadores migrasse da Copa do Brasil para o Campeonato Brasileiro. Um clube que termina em 5º no Campeonato Brasileiro, sendo este de pontos corridos (totalizando 38 partidas), têm muito mais méritos que um campeão da Copa do Brasil, quando o máximo de partidas que se disputa é 11! Não concordam?

Assim, a Copa do Brasil abriria vaga na Copa Sul-Americana. Nada mais justo que um Santo André ou Paulista ganhar “cara de gente grande” começando na Sul-Americana, enfrentando equipes menores de outros países sul-americanos também.

O problema disso é que o torneio se tornaria “desvalorizado”, devido à pequena importância da Copa Sul-Americana para os clubes brasileiros. Quem sabe quando a Conmebol decidir tornar a Sul-Americana um campeonato decente...

Até lá, convivamos com o riscos de equipes menores – repito, com todo mérito – representar o Brasil na Libertadores.

Esta matéria foi revisada pela namorada do colunista, Natália Damião, que tinha em mãos um rolo de macarrão, usada em cada erro de digitação.

Semana que vem, comentaremos o outro problema da Copa do Brasil.

Maiores que o Sul
Stefan Lorax - 12/02

Como o tricolor paulista caminha para o posto de maior clube da América

Primeiro fator: Dureza
O São Paulo Futebol Clube endureceu. Não é mais o time de estrelas bi-campeão da Libertadores e Mundial que, ao perder os talentos, se desmanchou. Não é mais o clube que revelava nomes como Denílson, Dodô, Kaká, Luís Fabiano e os perdia, sem nem ao menos dar uma grande conquista ao clube. Hoje o São Paulo conta principalmente com a gestão eficiente, sob tutela de Portugal Gouvêa, Juvenal Juvêncio e Marco Aurélio Cunha. O São Paulo não precisa formar jogadores. Seus homens de frente sabem ir buscar homens formados quando precisam. O São Paulo não precisa manter um elenco. Seus dirigentes sabem renová-lo. O São Paulo já se parece a máquina alviverde do Palmeiras dos anos 90. Um time mutante, forte, que nunca perde o gás.

Segundo fator: Trabalho
De que adianta ter o Roger, um jogador extremamente habilidoso, com lampejos esporádicos de craque, se o mesmo é preguiçoso e trabalha apenas quando quer, em meio à bagunça que vive nos clubes que joga. Pro São Paulo bastou o humilde Danilo. Pro Danilo, não precisou ser craque. Bastou trabalhar. Pra que contratar o jovem Nilmar, com altas cifras da França, e viver impasse financeiro? O São Paulo só precisou buscar Amoroso e Luizão. Podres. Velhos. Cheios de contusão nas costas. E daí? O Departamento Médico fez seu trabalho. Curou os dois. E a organização do time fez os dois jogarem. Resultado? Título da Libertadores. O que Amoroso fez no Corinthians? E Luizão no Flamengo? Coincidência? Sugestão... levem Dagoberto pro São Paulo. Lá ele se recupera. E ele joga. Vai voar. Vai ser maior que o Nilmar. Ah, se o Rivaldo e Alex quisessem voltar ao Brasil...

Terceiro fator: Finanças
Buscar o Amoroso de graça. Com sua participação fundamental, vencer Libertadores e Mundial da FIFA. Lucro. Estádio grande, que lota e vende ingressos. Lucro. Vender camisas 5 do Lugano. Lucro. Investir em atletas baratos como Danilo, Grafite, Aloísio, Ilsinho, ao invés de ir buscar emprestado nomes caros como Nilmar, Roger, Carlos Alberto, Zé Roberto, Juninho Paulista. Lucro. Resulta em saúde financeira. Resulta em time que paga.

Quarto fator: Perspectiva de presente
Enquanto os clubes se preocupam com o futuro, o São Paulo pensa com os pés no chão. Pensa no presente. O São Paulo não especula contratação de Tevez e Nilmar para a Libertadores. Quando vemos, o São Paulo já contratou Jorge Wagner e Jadílson. Sem boatos. O São Paulo não precisa temer a saída de Mineiro, como certos times temem saída de Magrão, Zé Roberto ou de Obina. O São Paulo já contratou o Fredson. O São Paulo não diz o que vai fazer. O São Paulo já o fez.

Quinto fator: Ódio
O Corinthians e o Flamengo são odiados porque têm a torcida maior e mais chata. O São Paulo é odiado porque tem títulos. Os dirigentes de Corinthians e Flamengo são odiados porque falam muita besteira. O do São Paulo é odiado porque faz um bom trabalho e esfrega isso na cara dos rivais. O Corinthians e o Flamengo têm líderes esnobes, milionários e, teoricamente, corruptos, que trabalham COM o nome do clube. O futebol no São Paulo é liderado por um médico que trabalha EM nome do clube.

Meninos, sentem na frente da TV. E, independentemente de por quem vocês torcem, assistam a esse São Paulo do presente. Porque assim como quem viu o Santos, Internacional, Flamengo e Palmeiras, vocês estão vendo a história ser escrita na década de 2000.

A América não precisa mais temer o Boca Juniors. O São Paulo endureceu.

A fera vem aí...
Stefan Lorax - 05/02

Atualmente, dentre os muitos impasses de transações de jogadores que estamos vendo, tanto no Brasil quanto no exterior - Nilmar, Romário, Ronaldo, Mascherano, Jorge Wágner... - nenhum caso é tão complicado quanto o do jovem Dagoberto. E, bom... nenhum dos jogadores citados acima têm tanto futuro quanto o Dagoberto.

Revelado pelo PSTC - clube especialista em revelar jovens atletas - com apenas 14 anos de idade, Dagoberto se transferiu para o Atlético Paranaense em 2001, após ter vencido o Campeonato Paranaense Juvenil de 2000. Então com 18 anos, o jovem ruivo e sardento teve uma pequena participação no timaço de Kléberson, Kléber e Alex Mineiro que venceu o Brasileirão daquele ano. Em 2002, o garoto é lembrado por um lance incomum: no jogo contra o Botafogo, pelo Brasileirão, entrou em campo e recebeu a bola assim que pisou no gramado. Em 11 segundos, correu até a área botafoguense e marcou pelo rubro-negro paranaense.

Em 2003, Dagoberto integrou a Seleção Brasileira Sub20, campeã do Torneio de Toulon, vice-campeão Pan-Americano e Campeão Mundial Sub20. Em 2004, fez parte da Seleção Sub-23 que viveu a decepção do Torneio Pré-Olímpico, sendo eliminada pelo Paraguai. Dagoberto, no entanto, não foi titular daquela equipe, que tinha como estrela o pouco objetivo e enganador Robinho. Talvez um jogador com a mesma velocidade e mais objetividade, além de um chute mais colocado, como Dagoberto, tivesse dado à Seleção o que faltou: gols.

Depois desse período, no entanto, Dagoberto passou a viver a maldição das contusões, que vez por outra assolam jovens talentos - Pedrinho, Ronaldo... O rompimento do nosso amado ligamento cruzado do joelho. Em recuperação, Dagoberto passou um ano parado, em meio a uma controversa história envolvendo empresário e clube. O empresário do jogador, Marcos Malaquias, afirmara que o Atlético não estaria dando atenção ao jogador em sua recuperação, enquanto o clube afirmou estar bancando todo o processo de fisioterapia do jogador. A controversa história até gerou matéria na revista Placar, com direito de resposta da direção atleticana. O sítio não-oficial Furacão, (http://www.furacao.com) afirma que Dagoberto manchou sua história no clube quando se aliou a empresários da Marcosul Massa Sports, que teriam uma estratégia de causar conflitos entre direção e jogador e forçar sua saída.

De volta aos gramados, ainda com a camisa do Furacão, Dagoberto voltou a se lesionar. Enquanto trabalhava na sua recuperação, a batalha nos bastidores pela liberação do jogador continuava.

Hoje, Mauro César Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do clube, afirma que, em todos os seus anos no Atlético, Dagoberto tem sido sua maior decepção. O jogador, por outro lado, diz ter sido enganado por Petraglia. E o Atlético não quer liberar Dagoberto a um outro clube interessado - o São Paulo Futebol Clube - e a cláusula de recisão do jogador baixa consideravelmente em março, baixando para R$5 milhões. Valor que o jogador estaria disposto a pagar.

Com tantas contusões e confusões, Dagoberto já perdeu três anos em sua promissora carreira. Ao lado de Nilmar, talvez sejam os dois melhores atacantes brasileiros revelados nos anos 2000 (o outro seria Alexandre Pato?). Ainda assim, ambos entraram num caminho que mancha suas carreias e dificulta seu futuro.

É inegável que o São Paulo seria o melhor lugar para um jogador como Dagoberto. Talentoso, se encaixaria como uma luva no esquema do clube. Seria o caminho para garantir os anos 2000 novamente a década do SPFC. E, frágil, Dagoberto não teria problemas em se tratar no excelente CT do São Paulo - que já fez milagres recuperando Luizão e Amoroso. Ou seja... lá, Dagoberto teria sergurança para com seus ossos frágeis.

E tudo que eu queria é ver Dagoberto jogando... seja por São Paulo ou Atlético Paranaense.

Cuidado: Frágil (?)
Stefan Lorax - 30/01

São 17:37 da tarde de domingo no Nordeste (18:37, horário de Brasília) e, aos 13 minutos de jogo, Pedrinho perde uma chance clara de gol enquanto o Santos empata em 0x0 com o estreante Guaratinguetá pelo Paulistão 2007.

Mais uma vez, Pedrinho tem sua chance no futebol profissional. O mesmo Pedrinho que explodia no Vasco da Gama entre 1997 e 2000 e despontava como um dos futuros grandes craques do futebol brasileiro. Quem sabe o destino de Pedrinho seria outro caso o meio-campo magro e franzino tivesse continuado com as atuações daquele Vasco da Gama, Campeão Brasileiro (97), da Libertadores (98) e da conturbada Taça João Havelange (2000).

Promissor, o jovem Pedrinho, no Vasco desde 1995, chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira em 98, com o então treinador Vanderlei Luxemburgo. A idéia era preparar Pedrinho para os Jogos Olímpicos de Sydney, quando o meia integraria a Seleção Sub-23. No entanto, Pedrinho sofreria a primeira de sua série de contusões ainda em 1998, rompendo o famoso ligamento cruzado do joelho direito, durante a disputa do Brasileirão. Comaçava a história de "amor" entre Pedrinho e suas contusões.

Sempre fora de forma, sempre machucado, Pedrinho se mostrou um jogador frágil - e essa fragilidade, que o impedia de jogar regularmente, deixou de ser meramente física e passou a ser também mental. Pedrinho começou a sofrer de depressão - doença psicosomática, crônica, ou seja... não tem cura. "Pensei em suicídio, e só não me matei por falta de coragem", confessou o jogador, que sonha em escrever um livro de auto-ajuda para pessoas que sofrem de depressão.

Suas passagens pelo Palmeiras (2002-2005) e Fluminense (2006) foram apagas justamente pelos poucos momentos de brilhantismo, alternados com as inúmeras contusões que o jogador sofre. Os problemas de Pedrinho, tanto físicos quanto psicológicos, acabam gerando medo e preconceito nas demais pessoas - como o árbitro que, durante uma partida com o Paysandu, agrediu Pedrinho verbalmente, o chamando de "doente". Ou adversários que já confessaram ter medo de jogar duro contra Pedrinho, para não causá-lo mais uma contusão. Este último exemplo, uma mistura de preconceito e respeito, sem dúvida, uma bela demonstração de fair play no futebol atual.

Empolgado com sua estréia no Santos, Pedrinho diz apostar que este será o ano de sua recuperação. A chance, oferecida por Vanderlei Luxemburgo, que tanto confia em Pedrinho talvez seja sua última. A última chance de um grande jogador, com momentos de puro brilhantismo. No entanto, um jogador que carrega um sofrimento - tanto física quanto psicologicamente - sem fim nesta vida.

O nascimento do maior Rubro-Negro de todos os tempos
Stefan Lorax - 23/01

Coincidentemente, enquanto fecho esta coluna, o tempo passa num belo domingo de sol (na verdade, já é noite) - o vigésimo primeiro dia de janeiro de 2007. Coincidentemente, hoje é aniversário do Patrão, coisa e tal. E, juro, isso não tem nada a ver com esta coluna. Afinal de contas, estou exaltando o Associazione Calcio Milan porque este é o maior time de todos os tempos - e não que isto seja um presente de aniversário ao Fanático, rossonero fanático, para conseguir, em troca, aumento de salário ou algo do tipo.

Defendo o título de maior clube de todos os tempos do AC Milan não só por seus 47 títulos - entre eles 17 scudettos e 6 títulos europeus -, mas pela história gloriosa deste clube europeu, fundado em 16 de dezembro de 1899 - data inclusive que um certo clube fresco tricolor tentou imitar, mas não vale - nem deve - ser citada.

Como os grandes clubes fundados ao redor do mundo, o Milan não podia deixar de ter suas raízes bretãs. Além das ligações inglesas que possuem a cidade de Milão (notem a Cruz de São Jorge no brasão da cidade), o britânico Alfred Edwards fundou esta singular agremiação desportiva no final do Século XIX. Daí o nome "Milan", forma inglesa de pronunciar "Milano", cidade italiana onde este colosso foi erguido. A princípio, o clube deveria ser usado para a prática também do críquete, tradicional esporte inglês. Fundado como Milan Cricket and Football Club, só em 1938 o clube foi forçado a mudar de nome, devido ao regime facista de Benito Mussolini. Como a Inglaterra era uma das rivais italianas durante a II Guerra Mundial, o clube passou a se chamar Associazione Calcio Milano. O Associazione Calcio foi mantido, mas o "Milano" voltou a ser "Milan" logo após o período bélico.

Desde sua fundação, o Milan mantém as cores vermelho (rosso) e preto (nero) de seu uniforme, numa forma de mostrar o furor com o qual seus atletas o defendem, além de serem cores fortes que intimidam adversários. O brasão em seu uniforme, além das cores do clube, mostram o Brasão da Comunidade de Milão.

Mas a grande importância deste clube, sem dúvida, se deu graças ao apoio do povo. Embora tenha começado como uma sociedade aristocrática voltada ao críquete, o Milan passou a atrair os operários e trabalhadores proletários que davam duro nas docas às margens dos rios Lambro, Olona e Seveso, interessados na prática do futebol. Essa gente, as mãos que construíam a Itália (perdoe-me pelo plágio, Bono), ergueram junto deste país promissor o maior clube rubro-negro do mundo.

E já em 1901, com apenas dois anos de idade, uma demonstração de que estaríamos vendo o meior clube de futebol do mundo surgir: o Milan conquistou seu primeiro título, derrotando Gênova e a poderosa Juventus num triangular final. Era o primeiro dos 17 scudettos que o Milan venceria. Era o início de uma história de glória que geraria lágrimas de alegria em todo o mundo - inclusive, um certo rapaz na Mooca que hoje completa 24 (uiui!) anos de idade, repletos de títulos e conquistas, graças as listras rossoneri que cobrem seu corpo. (Nota do editor: Completei 23 anos. O Uiui! eu deixo para os amigos são paulinos)

Sete anos depois de seu primeiro título, o Milan viria surgir seu pretenso rival - o Football Club Internazionale Milano. Juntos, os dois protagonizam o Dérbi da Madonna (Derby della Madonnina), e claro que, com Madonna, me refiro à Nossa Senhora, não àquela loira promíscua americana. E claro que, por mais que tenha sempre corrido atrás, a Internazionale nunca chegou aos pés de seu rival urbano.

Nos anos seguintes, o Milan viria a conquistar o mundo e vestir nomes importantes do futebol como Franco Baresi, Christian Abbiati, Carlo Ancelotti, Roberto Baggio, Marco van Basten e, principalmente, o pai Cesare e o filho Paolo Maldini que carrega a tradição de, sentado no banco de reservas, se enrolar com o pavilhão do clube. Mas isso já é uma outra história, a ser contada bem mais adiante...

Que o maior rubro-negro de todos os tempos continue superando obstáculos, menores ou maiores que uma Guerra Mundial, e fazendo chorar de alegrias torcedores desde as margens fluviais de Milão até o bairro da Mooca em São Paulo...

E, ah, claro... feliz aniversário, Patrão! (sem puxa-saquismo, claro!)

Golaço da Conmebol?
Stefan Lorax - 15/01

Quem acha Ricardo Teixeira e a CBF uma organização patética (na minha opinião, não é), devia olhar com um pouco mais de cuidado para a Conmebol. O órgão que rege o futebol Sul-Americano chega a ser amador. Estragou a Copa Libertadores inflando-a com um monte de times, na tentativa de fazer uma Liga dos Campeões no Hemisfério Sul – e ainda convidando as chatas equipes mexicanas; com a boa-vontade de fazer uma Copa da UEFA como prêmio de consolação aos times que não jogam Libertadores, cria diversas competições pra lá de inúteis – Copa Conmebol, Copa Mercosul, Copa Sul-Americana, que, com um pouco mais de organização, poderiam ser torneios interessantes; e, talvez o pior de tudo, organiza torneios patéticos entre seleções nacionais.

Organização continental mais antiga do futebol, fundada em 1916, ano em que também começou a Copa América – a princípio chamado Campeonato Sul-Americano – a Conmebol parece ter pouco poder de persuasão dentro das federações nacionais de futebol. E parece não estar nem aí para isso. Enquanto a Uefa vive em pé de guerra com as poderosas federações européias, a Conmebol se porta como uma servente da CBF, AFA e demais organizações na América do Sul.

Assim, a Conmebol seguia em frente com a sua desorganização. Uma bagunçada Taça Libertadores todo ano; a cada dois anos a porcaria da Copa América e a cada quatro anos o inútil Torneio Pré-Olímpico de futebol para jogadores Sub-23. Claro que, entre essas competições, ocorriam os campeonatos de categorias de base – talvez a única coisa com um mínimo de decência organizada pela Conmebol. A Copa América era um torneio desinteressante, sempre com algum convidado como México, Estados Unidos ou Honduras; os juvenis garantiam sempre Brasil, Argentina e mais algum que poderiam ser Colômbia, Chile, Uruguai ou Paraguai no Mundial de categoria de base da Fifa; e a Libertadores é o sonho que a cada três anos todo corinthiano alimenta e perde. E o Pré-Olímpico? Um campeonato nervoso e chato.

As coisas só melhoraram quando a Fifa interveio. Em 2003, a Copa América, a ser realizada no Peru, foi transferida para 2004. E Blatter ordenou: a competição, que desde 1987 era realizada a cada dois anos, sempre em anos ímpares, deveria começar a ser realizada a cada quatro anos. Esse deveria ser o período padrão para torneios entre seleções nacionais – embora a Concacaf e a Caf não tenham, sabe Deus porque, aderido à fórmula. Na mesma época, Ricardo Teixeira disse que levaria ao paraguaio Nicolás Leoz, presidente da confederação, as propostas de que a Copa América servisse como critério classificatório para a Copa do Mundo; e que os Jogos Pan-Americanos passassem a definir o representante Sul-Americano nos Jogos Olímpicos. A primeira idéia, embora corajosa, não é uma boa idéia e não teria aprovação da Fifa. A segunda, no entanto, é bem melhor que o chato Torneio Pré-Olímpico – além de dar mais importância aos Jogos Pan-Americanos, que esse ano ocorrerão no Brasil. A Conmebol rejeitou as duas propostas.

Esse ano, no entanto, com uma pressãozinha da CBF e da AFA – alegando, sabiamente, que o Pré-Olímpico sempre ocorre em plena época de definição dos Campeonatos Europeus, fora da Data Fifa, e muitas seleções perdem jogadores importantes – a Conmebol acabou cedendo ao pedido das duas maiores federações no continente e resolveu extinguir o Torneio Pré-Olímpico. E a Conmebol finalmente teve uma boa idéia: Copiar a Uefa. A partir de agora, a vaga no Torneio Olímpico de Futebol será definida pelo Campeonato Sul-Americano Sub20, assim como a Uefa que define as seleções classificadas a partir de seu Campeonato Europeu Sub-21.

Dessa forma, o Sul-Americano Sub20, que ocorre numa época em que o futebol sul-americano não tem grande movimentação, se torna um pouco mais interessante; e as equipes européias e federações não precisam brigar pela liberação de atletas. Assim, ambas as partes ficam mais felizes. Viu, Conmebol? Dói copiar a Uefa? Não é bem melhor quando as coisas são feitas com um pouco de... organização?

Sonhos Adolescentes
Stefan Lorax - 09/01

Sul-Americano Sub20 representa o futuro das jovens estrelas brasileiras e argentinas

No momento em que esta coluna é fechada, Brasil empata em 0x0 com o Chile pelo Sul-Americano Sub20 2007, sediado no Paraguai. Se o leitor quiser saber o resultado, leia amanhã a coluna Brasil, no FEC, que tratará do torneio - pois este colunista não terá paciência de esperar o fim da partida.

Disputada a cada dois anos, a competição deste ano verá a Colômbia defender o título, conquistado em casa em 2005. Mas terá como favoritos Brasil e Argentina, respectivamente os últimos 2º e 3º colocados da última edição.

O torneio vale vaga no Mundial Sub-20, que este ano ocorre no Canadá. Jogar um Mundial Juvenil significa para muitos jovens a oportunidade de aparecer nos holofotes e chamar a atenção de clubes internacionais - e jovens argentinos, brasileiros e das demais localidades lutam para se destacar e, quem sabe, começar uma carreira internacional bem cedo, às vezes antes de se profissionalizar no seu próprio país.

Além desta oportunidade, o Sul-Americano Sub20 2007 dará ao jogador um aperitivo extra: o primeiro passo para o ouro olímpico. Com apoio da CBF e da AFA, a Conmebol encerrou o inútil Torneio Pré-Olímpico, que ocorreria em janeiro de 2008, e passou para este Sul-Americano as duas vagas nos Jogos de Pequim. Sendo assim, além de três vagas no Canadá, o torneio valerá os dois lugares sul-americanos no chato Torneio Olímpico de Futebol de 2008.

As esperanças brasileiras estão em Alexandre Pato (Internacional), Fagner e William (Corinthians), Amaral (Palmeiras), Leandro Lima (São Caetano), Fabiano Oliveira (Flamengo), Carlinhos (Santos) e no capitão e estrela maior Lucas Leiva (Grêmio). Os argentinos no entanto têm Insúa e Mouche (Boca Juniors) e Sánchez e Morález (Racing). O River Plate não terá nenhum representante seu em campo.

O jogo entre Brasil e Chile continua 0x0. Os jovens jogadores brasileiros, que agora representam não só o sonho pessoal de se tornarem estrelas, mas também o sonho do povo brasileiro do ouro olímpico, não vêm fazendo boa partida na estréia do campeonato onde deve ser sensação ao lado da Argentina.