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Copa
Libertadores wants you! 21/12
O jornal espanhol AS, aquele que é tão
confiável quanto palavra do Vanderlei Luxemburgo,
disse que a CONMEBOL estuda a idéia de abrir
vaga para clubes norte-americanos, coisa
que a Copa Sul-Americana já faz.
Primeiro,
abrir vaga pra clubes norte-americanos...
mas já não temos clubes norte-americanos?
Os mexicanos! O México fica na América do
Norte. Portanto, o correto é dizer que a
CONMEBOL pretende abrir vaga para equipes
dos Estados Unidos da América e do Canadá
- porque a MLS, Major League Soccer, a principal
liga de futebol (soccer) nos EUA inclui
também uma equipe no Canadá, o Toronto Football
Club.
Geograficamente, chamar clubes
dos EUA e Canadá para a Libertadores não
é nada bom. Primeiro, vai significar novas
e longas viagens. Ir enfrentar, por exemplo,
o Toronto, lá no meu querido Canadá, e depois
descer para enfrentar o Rosário Central
aqui na Argentina. Imagina o cansaço físico
e a despesa que isso acarreta. Esse tipo
de dificuldade já se verificava na inclusão
do México na Libertadores.
Quer dizer
que o canadense Stefan Lorax condena a inclusão
dos norte-americanos todos? Não! De forma
alguma!
Embora geograficamente não
seja adequado, economicamente, é. O México
é um país potencialmente rico. Não é nenhum
primeiro mundo, mas seu futebol é tão organizado
e movimenta tanta grana que tira jogadores
do Brasil e da Argentina fácil, fácil. Os
Estados Unidos e o Canadá então, nem se
fala. São dois países riquíssimos que não
desenvolveram gosto por futebol ainda. Mas
estão tentando e abrir a Libertadores para
a região é uma boa idéia nesse ponto. Os
Estados Unidos e o Canadá têm a oferecer
à Libertadores, economicamente falando,
e têm muito a aprender.
A Libertadores
também estaria ampliando seus horizontes
de uma forma tal a virar uma Liga dos Campeões.
É necessária a participação de mais equipes,
e agora o que sugiro é: primeiro, uma preliminar
maior. Mais equipes disputando a chamada
"pré-Libertadores". E em seguida,
uma Libertadores maior, como a Liga dos
Campeões. Folgá-la um pouco mais e distribui-la
ao longo do calendário da temporada, colocando-a
junto com a Sul-Americana.
Se é para
ter o mesmo retorno da Liga dos Campeões,
a Libertadores precisa ter um formato tão
inteligente e confiável quanto.
Agora...
a decisão, seja qual for, não pode nem deve
ser tomada às pressas. É necessário um planejamento
minucioso, especialmente em três pontos: -
A América, como um todo, não é a Europa.
É bem maior e tem um sistema de transporte
bem mais deficiente. Isso significa viagens
mais longas e mais caras. Então o calendário
de uma Libertadores ampliada precisa ser
bem planejado. A Libertadores precisa dar
retorno aos clubes, como a Liga dos Campeões,
e não dar prejuízo e ser um estorvo. -
O Calendário da CONMEBOL precisaria se adequar
ao da UEFA. Afinal de contas, um clube não
poderia perder seus principais jogadores
durante a Libertadores. - Negociar com
a CONCACAF. Vimos na Libertadores os clubes
mexicanos se desinteressando por ter que
disputar as competições locais que valiam
vaga na Copa dos Campeões da CONCACAF, que
vale vaga no Mundial de Clubes, e eu mesmo
já comentei aqui.
Tudo isso deve
ser planejado com cuidado para que a solução
seja inteligente. Inteligente, a CONMEBOL
tem começado a ser em suas ações. Que siga
evoluindo.
É bom ver a CONMEBOL pensando
grande. Que colha bons frutos dessas atitudes.
E
be welcome, estadunidenses e canadenses.
Admirável
Mundial Novo 12/12
Nem tanto... percebe-se que, em três
anos deste novo formato da Copa do Mundo
de Clubes FIFA/Toyota... a competição evoluiu,
sim. Parece estar mais organizada, ter um
pouco mais de atenção da mídia como um todo
e ter o empenho da FIFA em melhorá-la. Tanto
que surge a proposta de Viatcheslav Koloskov,
presidente da Comissão Organizadora do torneio,
de levar a competição a outros países e
torná-lo intinerante, como era a idéia inicial,
quando foi disputado em 2000 no Brasil.
E
é por isso que mais uma vez abro o espaço
dessa coluna para discutir a competição.
Existe
interesse num Mundial intinerante? Certamente
que sim. Lá atrás, em 2004, quando foi decidido
que o Mundial se realizaria novamente em
2005 e se escolheu o Japão como sede, a
idéia era que o país passasse a receber
a competição todos os anos, como acontecia
no esquema da Copa Toyota Intercontinental,
mais tarde oficializada pela FIFA como um
campeonato mundial. Essa era uma forma de
se poupar dinheiro, afinal, uma sede fixa
economiza mais que sedes intinerantes...
e também de manter um foco interessante
na competição: o Japão sendo um país de
força nula, apaixonado por futebol, sempre
teria o interesse de ter o campeonato...
garantiria público... e, de quebra, daria
ao campeonato uma sensação de "campo
neutro" em sua decisão, uma vez que,
fatalmente, os favoritos a decidi-lo são
sempre europeus e sul-americanos.
A
questão é que o Japão não é um país bem-visto
futebolisticamente falando. Isso dá ao Mundial
de Clubes uma aura de amadorismo e de torneio
amistoso. Os Europeus parecem ir ao Japão
apenas para fazer turismo e jogar algum
futebol. Viajar para o Japão também pode
parecer trabalhoso para um torneio curto
de apenas dois jogos no máximo.
Tirá-lo
do Japão e colocá-lo num país como a Espanha,
por exemplo... atrai o interesse da mídia
espanhola. Pensemos, por exemplo, se o Mundial
de Clubes 2007 fosse na Espanha... Milan
e Boca Juniors decidindo o campeonato no
Santiago Bernabéu causaria muito mais impacto
que em Yokohama.
Um outro fator importante
na questão da sede intinerante é a oficialização
de um representante do país-sede com vaga
garantida no torneio - da mesma forma que
o controverso Corinthians em 2000. Vamos
tomar, novamente, a Espanha como exemplo.
Teríamos na briga pelo título Milan, Boca
Juniors e Real Madrid, caso o país-sede
fosse representado por seu campeão. Imaginou
uma final entre Milan e Real Madrid, digna
de Liga dos Campeões? Com mais times competitivos,
o Mundial ficaria mais chamativo. Teria
mais interesse, com certeza.
E é
importante colocar... essa é a hora de dar
uma cara ao Mundial. A tradição tem que
surgir daqui. Estamos no terceiro Mundial
da "Era Moderna", todos no Japão
- com um Mundial anterior no Brasil e uma
série de Copas de um jogo no Japão novamente.
Não dá para esperar muito para transformá-lo
num circo e dar início ao que pode ser um
torneio mais competitivo.
A competitividade
deste Mundial é mais um critério que carece
de uma evolução. Liverpool e Barcelona,
por mais que finjam tristeza, indignação...
não se abalaram tanto com a derrota de 2005
e 2006 respectivamente. O Milan já chegou
ao Japão diferente este ano... não que o
rossonero tenha vindo para disputar a Copa
de sua vida... mas o semblante dos atletas
parece mais concentrado no título que os
dois europeus anteriores. Se o Milan de
fato está valorizando o Mundial, é um sinal
que o torneio começa a ganhar respeito.
Interesse por parte do clube europeu é fundamental
para que haja uma competitividade maior.
O
Boca Juniors também precisa ajudar. Em 2005
e 2006 o que se viu, respectivamente, foi
um São Paulo e um Internacional recuados,
sem a menor condição de bater o rival...
e conquistando o título num gol ao acaso.
Isso não é interessante. Quando isso acontece
num torneio esporádico, é legal, dá uma
atmosfera diferente à decisão... mas se
o Boca ganhar o título de forma recuada,
por 1x0, com gol ao acaso e sofrendo pressão
do Milan... a competitividade vai por água
abaixo de novo. Fica aquela impressão de
que o time sul-americana não é páreo para
o europeu, mas que este ataca sem empenho
e, num vacilo, perde o campeonato. Isso
acontecendo todo ano acaba com toda a graça
e mística do futebol. O Mundial dessa forma
vai ser sempre o torneio que o europeu vem
pra passear, não joga bola, mesmo assim
é muito melhor que o primo pobre sul-americano
que só venceu pela sorte. Então, espera-se
um pouco de pressão do Boca... espera-se
um jogo como São Paulo 3x2 Milan em 1993.
A
edição 2007 é experimental nesse assunto.
Resta esperar as estréias de Milan e Boca
e saber se essa pequena evolução existe.
É um primeiro passo.
Os três pontos
aqui listados... a sede intinerante... o
representante do país-sede... e uma maior
competitividade... três pontos que chegam
a se interligar... são vitais para que o
Mundial deixe de ser um "torneio de
férias". Esse é o caminho da evolução
da competição.
Do contrário, teremos
para sempre uma Copa Sul-Americana em versão
Mundial.
A
Vida na Série B 04/12
Esta coluna é de praxe, é clichê, é óbvia...
mas imprescindível!
Sábado visitei
o meu amigo e vizinho de cidade Thiago Leal,
torcedor do Huddersfield Town, da terceira
divisão inglesa. O motivo? O risco do meu
querido Tottenham Hotspur ser rebaixado!
Quero entender a vida numa divisão abaixo!
E
eis que surge a chance de descobrir logo
um dia depois... afinal de contas, todos
sabem que este que vos fala tem uma pequena
simpatia pelo Corinthians. E lá vai o Corinthians
ladeira abaixo! Tchau, Corinthians!
O
baque não poderia deixar de ser mais uma
"crônica da derrota anunciada".
O rebaixamento do Corinthians era tão óbvio
que eu acreditava que ele não iria acontecer
- igual ao jogo contra o São Paulo, quando
tava na cara que o Tricolor iria arregaçar
o rival alvinegro. Mas aconteceu o óbvio
e o Corinthians que tanto batalhou para
cair, caiu. Não, não foi ontem que o Corinthians
caiu. Empatar com o Grêmio no Olímpico?
Resultado muito bom! Agora, perder em casa
do Sport, do Náutico, do Atlético Paranaense,
do Vasco... um rebaixamento se constrói
assim. Basta catar um jogo ou outro com
algum pontinho perdido. O corintiano tem
a tabela inteira do campeonato para procurar
onde chorar.
E agora, partindo para
o óbvio do óbvio... Onde esteve o Palmeiras
em 2003?
Encarando uma difícil Série
B a princípio, o Verdão virou o jogo de
forma tão convincente que venceu o campeonato
com 19 pontos de vantagem sobre o vice-campeão,
o Botafogo - embora o Campeonato não fosse
de pontos corridos, claro.
E onde
estava o Palmeiras já em 2004? Encerrando
o Campeonato Brasileiro em 4º lugar com
vaga na Taça Libertadores da América. Em
2005, repetiu a campanha, terminou em 4º
e novamente garantiu acesso à Libertadores.
A
mesma história se deu com o Grêmio, rebaixado
em 2004 após ter escapado por pouco em 2003.
O ano de 2005 foi importante para o Grêmio
por voltar à elite após um jogo sensacional
com o Náutico, onde, com três jogadores
à menos, defendeu um pênalti, marcou um
gol e venceu por 1x0 a partida conhecida
como Batalha dos Aflitos, que o devolveu
à Série A. Para 2006, o Grêmio terminou
o Brasileirão num espetacular 3º lugar,
chegando à final da Libertadores em 2007.
Botafogo
e Atlético Mineiro fecham a quadra dos "grandes"
que caíram no Século XXI - coincidentemente,
dois alvinegros, como o Corinthians. Apesar
de, sim, terem dado a "volta por cima"
e retornado à Série A já no ano seguinte,
sendo o Botafogo com o vice-campeonato de
2003 e o Atlético com o título em 2006.
O
Botafogo no entanto até hoje não provou
porque voltou à Série A. Brigou logo de
cara, em 2004, para não voltar à Segunda
Divisão. O Atlético não chegou a tanto.
Terminou o ano num excelente 8º lugar e
na Copa Sul-Americana. Mas tomou seus sustos.
De qualquer forma, voltou bem melhor que
em 2004, ano que antecedeu o rebaixamento
de 2005.
Quem retorna agora é o Coritiba.
Veremos que papel o Coxa fará. Isso mostra
que a Vida na Série B é útil. É um importante
aprendizado para o clube que a disputa.
Atlético, Coritiba, Palmeiras e Grêmio também
tiveram ótimos públicos na Segunda Divisão
e revelaram nomes como Danilinho, Pedro
Ken e Lucas Leiva, além de uma identificação
sensacional com seus torcedores e um alento
de raça pela chamada "volta por cima".
O
pior já aconteceu. Agora é tirar o melhor
proveito possível. Afinal de contas, já
diria Carlos Drummond de Andrade... A dor
é inevitável. O sofrimento é opcional.
Vermelho
- e preto - como fogo 28/11
Essa não é só a maior surpresa da temporada.
Eu diria que é a maior surpresa da década.
Quando penso na final de Liga dos Campeões
entre Porto e Monaco, no Once Caldas campeão
das Américas ou no São Caetano decidindo
a Libertadores, passando ainda por zebras
como Santo André e Paulista vencendo a Copa
do Brasil, ainda me surpreendo mais com
esse Flamengo do Professor (ou Papai, como
ele prefere) Joel Santana.
O Flamengo
é uma equipe que, de melhor time de todos
os tempos nos anos 80 ficou estigmatizada
como patética. A metade final da década
de 90 sob a tutela de Edmundo dos Santos
Silva para a primeira metade dos anos 2000,
com extravagências como o "melhor ataque
do mundo" (Romário, Sávio e Edmundo),
Bebeto, Denílson, Alex entre nomes menores,
culminaram em campanhas patéticas, poucos
títulos - nenhum deles além do Estadual
do Rio - e lutas contra rebaixamento.
O
conturbado campeonato de 2005, conhecido
ironicamente por Zveitão 2005 devido aos
11 jogos apitados por Edílson Pereira de
Carvalho e anulados pelo STJD presidido
por Luís Zveiter, foi a última competição
na qual o Flamengo enfrentou algum sufoco.
Ainda assim, o rubro-negro já vinha de finais
de Copa do Brasil em 2003 e 2004, e a protagonizou
novamente em 2006, vencendo o grande rival
Vasco na final. Podemos dizer que a Copa
do Brasil de 2006 foi o grande divisor de
águas para o time carioca. A partir daí,
as coisas começaram a andar bem na Gávea.
O
mais interessante de tudo é que Kléber Leite,
Márcio Braga e o Flamengo como um todo parecem
ter aprendido a planejar. De nada adianta
contratar um Denílson ou um Alex quando
não vão render pelo time. Para uma opção
dessas, vale muito mais ficar com o Renato
(que já saiu, mas desempenhou bem pelo time),
subir o prata-da-casa Renato Augusto e trazer
o Fábio Luciano de fora para organizar a
defesa - a grande peça fundamental para
a recuperação impressionante do Flamengo.
Junto com o Fábio, méritos também para Leonardo
Moura que fez um Brasileirão implacável
e, finalmente, o medalhão Roger, que foi
contratado sob suspeitas de causar intrigas,
de ser mais uma estrela a não desempenhar
em campo. Fato que Roger não vem desempenhando
tão bem assim, mas o Flamengo não o pintou
de salvador, de "craque". Roger
chegou para completar elenco, e é justamente
o que o jogador tem feito.
Depois
de uma participação apenas razoável na Libertadores
2007, o Flamengo dá mais um passo em direção
à sua evolução natural. O importante agora
é não colocar o carro na frente dos bois
e entrar na Libertadores 2008 focado em
fazer uma boa campanha. O Flamengo conseguiu
a proeza de anular completamente o São Paulo
e Santos em campo - respectivamente 1º e
2º do campeonato. Isso mostra que, concentrado
num resultado, este Flamengo é capaz de
derrotar qualquer adversário. Basta entrar
na Libertadores pensando em um jogo de cada
vez, e não se empolgar vislumbrando título.
In veritas, o Flamengo ainda tem um elenco
inferior a São Paulo, Santos, Grêmio e Fluminense.
Esses
resultados sobre São Paulo e Santos também
abrem uma possível interpretação: o Flamengo
tem time para ser Campeão Brasileiro? A
resposta hoje seria, sim, tem. Após a vitória
sobre o Atlético, Márcio Braga declarou
que se o São Paulo não estivesse tão distante
e o campeonato ainda tivesse rodadas por
se disputar, sem dúvida o Flamengo estaria
na luta pelo título.
Então, podemos
esperar um Flamengo favorito ao campeonato
em 2008? Isso só poderemos saber após o
fim da Libertadores, quando teremos noção
de quem o Flamengo vai manter para a temporada,
quem o clube vai perder... temos que lembrar
da "janela" de transferências
do Mercado Europeu. Um bom planejamento
para esses contratempos é necessário para
que a equipe da Gávea não passe pelos mesmos
problemas que o Botafogo. Também teremos
um medalhão em 2008: Kléberson. É bom prestar
atenção em como o campeão mundial será utilizado.
Claro,
não podemos deixar de citar a torcida rubro-negra
que vem apoiando o time de uma forma sensacional.
Não sou do tipo que acredita tanto assim
na influência de uma torcida... mas o apoio
que a massa tem dado ao clube vem sendo
fundamental para o bom estado mental dos
jogadores e sua estima em campo. A torcida
foi parte da recuperação do penúltimo lugar
à luta pelo vice-campeonato. Veremos como
vai agir em 2008 quando os desafios que
o Flamengo encontrará pela Libertadores
seguramente serão bem maiores.
Quanto
à aposta em Joel Santana... eu, e ninguém,
a faria. Joel não tem tido boas campanhas
pelos clubes por onde passou ultimamente,
mas deu certo no Flamengo. O que dizer?
Essas coisas acontecem. E eu acredito em
coincidências. Não vejo interferência de
Joel nesse trabalho. Daria mais méritos
a Fábio Luciano por ter organizado a defesa
- isso sim fundamental. Mas se Joel é quem
monta o time, parabéns para o professor!
Sem dúvida, sua melhor campanha em sua vencedora
carreira, principalmente devido às circunstâncias.
Estranhamente,
o Mengão segue envolvido nessa aura de desconfiança,
o que é natural depois de mais de 10 anos
fazendo o papelão que o rubro-negro vinha
fazendo nas competições nacionais e internacionais.
Mas a regularidade é a base para que o clube
recupere a confiança e respeito de duas
décadas atrás.
A
voz do povo é a voz de Dunga? 20/11
Todos clamam por Rogério Ceni. Do mais
sábio crítico de futebol ao torcedor recém-nascido
de Corinthians e Palmeiras, o Brasil vive
atualmente uma onda de apelo para que o
camisa 1 do São Paulo vista também a camisa
1 da Seleção Brasileira. O goleiro tricolor
vive, no ocaso de sua carreira, uma fase
que jamais experimentou antes - melhor até
que aquela vivida quando conquistou o Mundial
de Clubes pelo São Paulo e saiu como melhor
jogador do torneio. Hoje Ceni vive uma situação
de quase unanimidade no futebol brasileiro.
Como
todos sabemos... nem sempre unanimidades
chegam ao treinador da Seleção Brasileira,
principalmente quando o treinador em questão
segue a escola do "teimoso", como
era Carlos Alberto Parreira e como é nosso
atual treinador, o Dunga. Ou seja... enquanto
todo mundo pega a "Febre Cênica",
Dunga segue imune à doença e nada de chamar
o Rogério Ceni à Seleção Brasileira. E a
questão gera bem mais polêmica de que deveria...
Os
homens de confiança de Dunga debaixo dos
paus são Júlio César, Doni e Hélton... aparentemente,
nessa ordem. Teríamos aqui também o Gomes?
Com Gomes ou sem Gomes... os goleiros preferidos
do treinador atuam todos no exterior, bem
como a maioria dos jogadores de linha que
o técnico convoca. Esse ítem em questão
por si só gera muita polêmica, e não vale
à pena ser aprofundado nessa coluna em específico...
é material para teoria em coluna à parte.
Júlio
César, Doni e Hélton vivem fases sólidas
em seus clubes na Europa - vez por outra
um falha, principalmente o Doni, mas é do
jogo. À frente da Seleção, até hoje Júlio
César é lembrado por boas partidas... Doni
é eternamente contestado, e mesmo quando
ajudou a Seleção a vencer a Copa América,
foi esculachado por ter se adiantado nas
cobranças de pênalti... e Hélton é tão neutro
quanto a sua personalidade serena e inerte.
Mas apesar da boa fase de Júlio César na
Internazionale, de Doni ter ajudado a Seleção
a vencer uma Copa América e de Hélton...
bem... ser o Hélton... para os críticos
Rogério Ceni é melhor que os três, tanto
por excelência quanto por sua atual fase.
Aí surge a primeira polêmica que se relaciona
com o ítem do parágrafo anterior... Rogério
Ceni só não seria convocado à Seleção porque
atua no Brasil, e não no exterior.
Isso
é complicado porque Dunga chega a convocar
jogadores que atuam no Brasil. Menos que
os que atuam no exterior, mas convoca. Então
não vejo porque ele não convocaria Rogério
Ceni. Mas quem defende o Ceni bate o pé
que é por isso.
Já o Dunga, o próprio,
argumenta que Rogério haveria dito que iria
se aposentar em breve... e sua intenção
é montar um time para 2010... então, por
que convocar um goleiro com quem não vai
poder contar em 2010? O problema é que Ceni
diz que jogaria 2010 e que não pensa (ainda)
em parar... e que por ele jogaria até a
Copa de 2014 - claro, isso é uma hipérbole
por parte do goleiro para assegurar que
estaria pronto para 2010. E ainda há uma
contradição apontada no argumento de Dunga...
que é o fato do treinador ter convocado
Zé Roberto para a Copa América ano passado.
Existem
nesse caso duas possibilidades... a primeira...
Dunga ter planos de Zé Roberto para 2010.
A segunda... Dunga não usar a Copa América
como laboratório para 2010... diferentemente
das Eliminatórias. Então, ele queria Zé
Roberto apenas para a competição. Mas sendo
assim ele não podia ter convocado o Ceni
para a Copa América?
Aí surge uma
terceira possibilidade: Dunga não gostar
do Ceni. É uma convicção do treinador. Eu,
pessoalmente, não sou fã do Rogério Ceni.
Admito que Ceni é um goleiro que vive grande
fase, mas acho que ele tem inúmeras falhas:
sair mal do gol, falhar em bolas fáceis,
principalmente em tiros de longa distância
e em chutes em seu contrapé. Eu não convocaria
Rogério Ceni e minhas apostas seriam Diego
Cavalieri e Júlio César. Seria uma convicção
minha. Da mesma forma que é uma convicção
do Dunga - contrária à convicção da mídia,
que é o que causa toda a revolta e polêmica.
De
uma forma ou de outra, Ceni pediu que a
torcida São Paulina que for ao Morumbi assistir
Brasil e Uruguai nesta quarta-feira grite
seu nome. Uma tentativa de comover Dunga?
Bom, não acredito que vai adiantar. Definitivamente,
a voz do povo não é a voz de Dunga.
O
Lance que (não) vai ficar para a história 13/11
Alguém lembra de 1997? No ano em que
Edmundo fez chover e o Vasco conquistou
um Campeonato Brasileiro impecável, o Corinthians
escapou do rebaixamento na última rodada
com uma vitória por 2x0 sobre o Goiás em
Goiânia, no Serra Dourada. Quem foram os
"heróis" da "conquista"?
Certamente, poucos corintianos lembrarão
que Candinho era o treinador do time do
Parque São Jorge e Mirandinha e Célio Silva
foram os autores dos dois gols que salvaram
o Timão, que também tinha Silvinho, Edílson
e Rincón, do rebaixamento.
Aqueles
dois gols pareciam o apogeu da história
corintiana na época e estariam fadados ao
esquecimento um ano depois, quando o Corinthians
conquistou o Brasileirão de 1998. Ninguém
lembra do que não acontece, apenas do que
acontece - e se o rebaixamento não aconteceu
em 1997, não tinha porque aquela pífia campanha
ser lembrada, ou mesmo os "heróis"
da "conquista", o Célio Silva
e o Mirandinha.
Da mesma forma que
há 10 anos atrás, contra o mesmo Goiás,
desafio a resistência deste pênalti sensacional
defendido pelo Felipe na cobrança do Paulo
Baier.
O fenômeno desta penalidade
é curioso... lembro de algo parecido em
1994, quando Taffarel defendeu o pênalti
cobrado por Daniele Massaro na final da
Copa do Mundo entre Brasil e Itália. Ninguém,
exceto talvez os torcedores do Goiás e a
imprensa goiana, se refere ao lance como
sendo perdido por Paulo Baier, mas sim defendido
por Felipe. Digo curioso porque geralmente,
na cultura popular, o cobrador é quem perde
o pênalti, uma vez que "pênalti bem
cobrado não tem defesa". A defesa de
Felipe, tal qual a de Taffarel em 1994,
é tão emblemática que inverte essa história.
Tudo bem que em 1994 Massaro bateu o pênalti
quase no meio do gol. Mas o Paulo Baier,
que já havia marcado um gol na partida e
não havia perdido um pênalti durante a temporada,
bateu à meia-altura bem pro canto... não
bateu mal, mas se deu tempo do goleiro chegar
na bola, é porque poderia ter batido melhor.
Paulo Baier costuma bater suas cobranças
do lado direito... ontem bateu no lado esquerdo.
Segundo Felipe, o segredo para pegar foi
justamente esse. O goleiro imaginou que,
logo contra o Corinthians, o capitão do
Goiás, adversário direto contra o rebaixamento,
iria mudar. E, de fato, mudou. Felipe ontem
pode ter salvado o Timão do rebaixamento
por completo, caso a equipe ratifique o
"escape" nas próximas duas partidas
- Vasco e Grêmio.
Mas mesmo sendo
a cobrança de Paulo Baier melhor que a de
Massaro em 1994... mesmo tendo sendo a defesa
do Felipe, teoricamente, mais exigida que
a do Taffarel... 1994 não será esquecida.
Temo que, 2007, ano que vem já nem seja
tão lembrada assim, por um simples motivo:
em 1994 a Seleção conquistou o título. Aquela
defesa fica como parte da história da conquista.
Em 2007 não existe conquista alguma por
parte do Felipe e o lance há de cair no
esquecimento, como os gols de Mirandinha
e Célio Silva em 1997. Um momento que ilustra
isso é 1998... quem lembra que Taffarel
defendeu as penalidades de Ronald De Boer
e Philip Cocu? Quando falo assim, certamente
você lembra... mas vê esse lance ser lembrado
da mesma forma que 1994? As defesas de 1998
foram até mais difíceis... mas não fizeram
parte de uma conquista.
É mais fácil
que o lance do Felipe seja lembrado caso
o Corinthians caia, porque esta campanha
ficará na memória, de forma amarga, dos
torcedores corintianos. Ano que vem, se
o Corinthians volta a vencer... acabou.
Ninguém lembra 2007. Se volta a fazer campanha
patética, acabou da mesma forma... ninguém
há de lembrar 2007, porque o que interessa
é sair do sufoco em 2008.
E é uma
pena que tudo isso tire o brilho desta importante
defesa do goleiro corintiano. Brasileiro
não costuma aprender com os erros, muito
menos quando um acerto remedia o erro -
exatamente o caso desta defesa do Felipe.
Sob
um leve desespero 06/11
O time do Corinthians está atualmente
com 42 pontos, na 16ª posição na tabela,
um ponto a frente de Goiás e Paraná, correndo
ainda sérios riscos de rebaixamento. Diante
das dificuldades dos jogos que tem por vir,
principalmente um confronto direto com o
Goiás em Goiânia, é fácil imaginar que as
probabilidades de rebaixamento do Corinthians
sejam grandes. Além de Goiás fora, no próximo
domingo - um jogo que, caso perca, pode
estar definindo sua queda, o Corinthians
terá pela frente o Vasco da Gama no Pacaembu
e o Grêmio em Porto Alegre. O Vasco, certamente,
brigando pela Sul-Americana; e o Grêmio
pela a Libertadores. Dois ossos duros de
roer.
O pior de tudo é que, analisando
os dois últimos jogos do Corinthians, o
clube poderia estar com 47 pontos, junto
a Sport e Vasco, sonhando com uma vaga na
Copa Sul-Americana e vendo o rebaixamento
como uma ameaça ainda real, mas distante.
O clube paulistano poderia ter vencido seus
últimos dois jogos, contra Flamengo no Maracanã
e contra o Atlético Paranaense em casa.
A coincidência contra esses dois rubro-negros,
que se manifestou principalmente no jogo
contra o Furacão e pode ser o calvário do
Corinthians, é o desespero do alvinegro
paulistano.
Na partida contra o Flamengo
o Corinthians encerrava o primeiro tempo
vencendo por 1x0. Esse resultado, levado
ao vestiário e mantido até os 15, 20 minutos
do segundo tempo, seria essencial para uma
virtual conquista de três pontos. À altura
o Goiás perdia para o Vasco e o Corinthians
tinha tudo a seu favor. Aos 45 da etapa
inicial acontece de Ibson tentar a jogada
pela direita. Se vermos o vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=ugCMALMcdWM)
ao momento que Ibson domina a bola, o time
do Flamengo parece sofrer uma marcação normal,
exceto pelo fato que vão dois no Ibson -
o Fábio Braz e o Gustavo Nery na sua sombra.
Tudo bem que Betão estava atendo a Maxi,
e tenta, em vão, marcá-lo. Na tentativa
do Flamengo entrar na área, temos quatro
corintianos marcando a bola e um marcando
o Souza. O quarteto que estava na bola dorme
quando o passe parte de Maxi para Souza,
que estava marcado, e deixa Ibson entrar
livre na área para marcar o gol de empate.
O
segundo gol, já no segundo tempo, é ainda
um desleixo maior. O Corinthians ao invés
de segurar o empate parecia tentar a vitória
a qualquer custo - e o Corinthians tem time
assim para vencer o Flamengo? Iran praticamente
cochila ao receber a bola - e parece não
ter sido avisado a ninguém que por trás
viria um "ladrão". Roger domina
a bola e segue livre ao gol. Apenas o próprio
Iran vai ao seu encontro e a zaga fica naquela...
vou ou fico na sobre? Sobra de quê? De um
rebote do Felipe? Vai deixar nas mãos do
goleiro? Roger vira o jogo e a noite que
começou com três pontos acabou com nenhum
para o Corinthians.
No caso do Atlético
Paranaense foi mais grave, uma vez que o
Corinthians tem um time que, pelo menos,
se equivale ao adversário. E mais uma vez
começou na frente, com gol de Betão, logo
aos três minutos de jogo. Em casa. Era jogo
para ir para cima e vencer o jogo. Terminou
a etapa inicial no simples 1x0 e, na segunda
etapa, tomou dois gols de cabeça - ambos
partindo de cruzamento pela direita e com,
respectivamente, Danilo e Alex Mineiro livres
para marcar o gol. Em ambos vimos os zagueiros
corintianos se entreolhando, como quem diz
"de quem era esse cara?"
O
desespero se ilustra na bola que Felipe
subiu para cabecear e quase marcou o gol
de empate - que, por sorte, veio no pé de
Finazzi, tirando momentaneamente o Corinthians
da zona de rebaixamento.
Mas esse
desespero que se passa na defesa corintiana,
essa desorganização onde não há marcação,
onde ninguém sabe seu papel... é o verdadeiro
adversário que o Corinthians terá na reta
final contra Goiás, Vasco e Grêmio. E, se
não vencê-lo, a empreitada contra o rebaixamento
fica complicada.
Quem
é o pai da criança? 30/11
Reclamar de empresário é lugar comum.
Tudo o que já havia de ser reclamado já
foi e o máximo que se pode fazer nesse caso
é repetir coisas ditas antes - falar que
é "um absurdo", que "a Lei
Pelé estragou o futebol brasileiro",
que "os empresários acabam o clube",
etc.
Se dedicar umas breves poucas
linhas ao assunto como um todo, diria que
da mesma forma que o empresário age como
um sanguessuga no clube, controlando o atleta
e suas transferências, e às vezes até o
convencendo a ir para lugares absurdos como
Coréia do Sul e Qatar, o empresário também
tem o valor de revelar atletas e descobrir
talentos, fenômeno que ocorre numa maior
ebulição hoje em dia, uma vez que, com os
empresários rotacionando o mercado numa
grande velocidade, a necessidade de renovação
é constante. Ah, e a Lei Pelé não estragou
nada: ela dá ao jogador o direito sobre
o seu destino. Quem estraga é o atleta.
Mas
o caso não é esse. A situação é específica:
Thiago Neves.
O jogador entrou numa
situação que, se o desenho for arte-finalizado
da forma como se promete, vai dar muita
confusão, o deixar afastado dos gramados
e, certamente, prejudicar sua promissora
carreira.
Revelado pelo Paraná Clube,
Thiago Neves é ainda um jovem atleta, embora
já não seja mais nenhum guri inexperiente:
tem 22 anos e já passou pelo mercado internacional,
jogando profissionalmente no Japão pelo
Vegalta Sendai. Teoricamente, Thiago Neves
faria idéia de como o mercado funciona.
Teoricamente.
Porque nestas últimas semanas o que se cosntatou
é que Thiago de fato ainda é um tanto quanto
inocente em questões comerciais. Thiago
Neves pertencia ao Paraná. Em 2006 foi para
o Japão, jogar pelo Sendai, e voltou no
final do ano, já para o Fluminense, por
empréstimo.
O problema começou quando
o jogador não firmou contrato com o Fluminense.
Entre o final de setembro e início de outubro,
falou-se de uma possível sondagem do Palmeiras
em cima do atleta, e até mesmo o Flamengo
e o São Paulo foram envolvidos na história
- teria-se dito que o clube carioca e o
paulista também estariam interessados no
meia. Luiz Alberto Martins, empresário do
jogador, teria se reunido com a diretoria
do Fluminense e a renovação não foi acertada.
Irritado com a situação e com os boatos
de que o atleta estaria negociando com outra
equipe, Renato Gaúcho barrou Thiago para
a partida contra o Paraná, seu ex-clube.
Renato afirmou que "o Fluminense não
é vitrine" e que se o jogador não vai
renovar, não está nos planos do tricolor
para 2008, portanto, não tem porque jogar.
Thiago Neves ficou abalado com a situação.
Martins
não gostou da atitude de Renato e afirmou
que ela tornaria ainda mais difícil a permanência
de Thiago Neves no Fluminense. O empresário
também é amigo do jogador, que chegou a
afirmar que ele seria como alguém da família,
um pai ou um irmão. Com essa forma de raciocínio,
dá para imaginar o tipo de confiança que
Neves depositava em Martins. E os boatos
se seguiam: passou a ser divulgado que o
meia teria um pré-contrato assinado junto
ao Palmeiras. A diretoria do clube alviverde
negou.
Representante da empresa LA
Sports, Martins tinha 20% em cima dos direitos
federativos do jogador e parecia guiar a
negociação. Seu vínculo com o jogador vinha
desde 2004, quando o jogador estava no Paraná
Clube, e o contrato é vigente até 2009.
Martins e a LA Sports têm uma relação com
o tricolor curitibano onde banca a infraestrutra
das categorias de base e tem direito a 50%
do valor de venda dos atletas.
Mas
havia uma outra peça no tabuleiro: Léo Rabello.
Dono da Systema Assessoria Financeira Ltda,
Rabello se associou à LA Sports e a Thiago
Neves em 2006. Foi ele o responsável da
transação do atleta para o Japão - por US$400
mil pelo período de uma temporada. Rabello
também comprou 60% dos direitos federativos
do atleta, deixando os outros 40% para ser
dividido entre Paraná e LA Sports. No meio
do ano de 2007, o Paraná vendeu o restante
de seus direitos aos empresários do jogador:
12% para a LA Sports (Martins) e 8% para
a Systema (Rabello). O clube já não tem
vínculo com o atleta.
E Rabello seria
a favor da renovação de Thiago Neves com
o Fluminense. A primeira atitude de Rabello,
vendo o desinteresse de Martins em renovar
com o tricolor e uma possível transação
com outros clubes, foi conseguir uma liminar
na justiça impedindo que o atleta fosse
negociado sem o consentimento da Systema.
As coisas acabaram saindo conforme Rabello
planejou e o contrato aconteceu - na sexta-feira
05 de outubro houve o vínculo formal entre
jogador e clube. O documento foi assinado
pelo prazo de três anos. Final feliz para
Thiago Neves e para o Fluminense. Certo?
Aí
que veio à tona que Thiago Neves de fato
tinha um pré-contrato com o Palmeiras, assinado
em 18 de agosto. Martins intermediou a ação,
e teria convencido o jogador a aceitar afirmando
que o Fluminense não teria interesse na
renovação. O valor do pré-contrato foi de
R$400 mil, valor pago de forma adiantada.
E o Palmeiras afirmou que, mesmo com a assinatura
de Thiago e Fluminense, quer o jogador no
Parque Antarctica. O Fluminense teria oferecido
R$800 mil para o Palmeiras abrir mão de
Thiago e a agremiação paulistana não aceitou.
E
temos a aberração que se vê no momento:
Thiago Neves diz querer ficar no Fluminense
e afirma estar magoado com Martins, tanto
que, junto com Rabello, move uma ação contra
a empresa LA Sports e contra o Paraná Clube
- que não tem direitos sobre o atleta, mas
ainda possui com o mesmo um vínculo trabalhista
legal. Do outro lado, Martins critica o
Fluminense, diz que o tricolor não valorizou
o atleta e o teria feito falsas promessas,
como que ele chegaria à Seleção Brasileira
se ficasse no Fluminense, e também afirma
que Thiago Neves quer, sim, ir para o Palmeiras.
Para
ficar no Fluminense, Thiago teria de pagar
as luvas ao Palmeiras - seu adiantemento
de R$400 mil, que o jogador já teria gasto.
Mas há também a questão trabalhista com
o Paraná, que seria fácil de se resolver.
E ainda há o fato de que o Palmeiras não
quer abrir mão do pré-contrato e promete
ir à Justiça. O Fluminense tem do seu lado
Rabello e 68% dos direitos de Thiago. O
Palmeiras tem Martins, que teria feito a
negociação fora dos critérios da ética trabalhista,
e um pré-contrato assinado primeiro que
o contrato do Fluminense. E nisso tudo quem
sai perdendo é Thiago Neves, que se estressa,
acaba se prejudicando financeiramente e
ainda pode ser barrado de jogos devido ao
impasse, o que atrapalhará sua carreira
e desenvolvimento.
Vale lembrar que
Thiago Neves ainda é uma promessa. Ninguém
sabe que fim ele terá. Se será ou não um
craque de fato. Toda essa confusão envolve
um futuro incerto que pode nem acontecer.
Tanto barulho que pode acabar por (quase)
nada.
Mas toda a confusão por causa
de um jogador promissor de 22 anos dividido
entre dois empresários que acabou fazendo
coisas como ouvir um empresário sem conversar
com o outro, assinar contrato e permanecer
calado para depois assinar um outro contrato,
negociar de forma errada, dividir seu "valor"...
Pois
é. Thiago Neves pode ser um divisor de águas.
Mais que com um empresário, os clubes podem
ter de se preocupar, de agora em diante,
com um batalhão deles - de uma vez só, e
em cima de um único atleta.
Romário,
Profissão: Treinador 23/11
Ele não gostava de treinar. Ele nem parecia
gostar de treinador - à exceção de Johan
Cruyff e Antônio Lopes, tô para ver outro
treinador que goste tanto assim do Romário
como os torcedores e fãs do esporte gostam.
Ele também não gostava de disciplina, de
acordar cedo, de se concentrar, de fazer
exercício, de receber ordens, de ouvir como
deve jogar...
Ou seja... o perfil
de Romário não tem nada a ver com o perfil
de técnico de futebol, alguém que, falando
de ex-jogador, está mais para Mauro Galvão
ou mesmo o Dunga, o Jorginho... Alguém que
sempre foi homem de confiança de técnico,
sempre recebeu e cumpriu ordens como manda
o figurino.
De qualquer forma, Romário
foi a escolha do Vasco da Gama na hora de
escolher um novo treinador. Celso Roth caiu
nesta segunda-feira, dia 22 de outubro,
após seu retrospecto horrível de maus resultados
que tiraram o Vasco da zona de classificação
para a Libertadores e o colocaram na 12ª
colocação, fora mesmo da zona de classificação
da Copa Sul-Americana e virtualmente ameaçado
pelo rebaixamento. Nos 37 jogos que treinou
o Vasco, Celso Roth venceu 15, perdeu 15
e empatou sete. Um retrospecto ruim, apesar
de ter começado surpreendentemente bem.
Claro
que a escolha de Romário é interina. O jogador
treina (e possivelmente joga) o Vasco apenas
na partida de quarta-feira contra o América
do México em São Januário pela Copa Sul-Americana.
Existem especulações de três nomes para
assumir o Vasco já na quinta-feira e treinar
o time durante o restante do Campeonato
Brasileiro: Antônio Lopes, Mauro Galvão
e Paulo César Gusmão. Nada disso foi confirmado
- Antônio Lopes, por exemplo, afirma que
não foi procurado pela diretoria cruzmaltina.
Mas
o próximo treinador do Vasco é assunto para
outra ocasião. A questão aqui é Romário
de agasalho, com prancheta na mão, gritando
pro zagueiro não se adiantar, pro volante
ir pra cima e pro lateral abrir o jogo.
Essa situação é fácil de se visualizar?
Não. Mas, quer saber? Certo o Vasco!
Romário
é um jogador que já tinha muitos privilégios...
mais que o treinador até. Conhece bem o
clube, a torcida... não dá para saber se
conhece o elenco. Acredita-se que sim. Mas
Romário joga pouco, não dá para saber se,
nas partidas que não joga, ele acompanha
o time, pois o próprio já disse que não
gosta de assistir futebol, o negócio dele
é jogar. De qualquer forma, Romário vivencia
o ambiente daqueles jogadores e tem como
guiá-los dentro do Vasco, tem como botar
na cabeça de cada um o que é jogar no Vasco,
como jogar no Vasco, como lidar com o Eurico.
E, entre escolher no mercado alguém que
não conhece o clube (alternativa que não
se encaixa em Antônio Lopes e em Mauro Galvão)
e ter de pagar para treinar a equipe, melhor
ficar com o jogador veterano, que já está
se aposentando, já está lá dentro e já está
sendo pago. Além de ser uma forma de sair
da mesmice do mercado de treinadores no
Brasil.
E, aos argumentos dados no
começo da coluna, de que Romário nunca foi
exemplo de atleta, temos o caso de Renato
Gaúcho no Fluminense. A primeira vez que
treinou uma equipe foi em 1996, ainda jogador,
pelo tricolor. Renato não guarda boas lembranças
do momento, uma vez que o Flu caiu sob seu
comando - ano em que tivemos a virada de
mesa. Mas depois, Renato acabou se revelando
um belo treinador... aquele mesmo Renato
Gaúcho que não gostava de treinar, não gostava
de acordar cedo tornou-se um dos grandes
técnicos promissores no Brasil.
O
caso é, o Vasco está arriscando apenas por
um jogo. Pode dar certo. Se der certo, pode
abrir caminho para um novo treinador, uma
nova opção de mercado. Às vezes é bom tentar
inovar. Se não der certo, muda. Para quem
está mudando de treinador agora e não vislumbra
mais uma grande conquista no Campeonato,
embora o Vasco insista em falar em Libertadores,
mudar mais uma vez não será problema nenhum.
Quem
não arrisca, não petisca. Boa sorte ao Baixinho.
Eu, pessoalmente, torço por ele.
A
cegueira causada pelo conformismo e saudosismo 16/11
O que mais se vê hoje em dia, por parte
dos velhos críticos de futebol, são comentários
saudosistas a respeito do esporte. É um
que suspire com saudades do Zico, outro
que lamenta a aposentadoria de Pelé e Garrincha
e tem quem vá lá atrás falar em Domingos
da Guia. E ninguém presta atenção que a
vida segue, as coisas mudam, evoluem...
e nem por isso tornam-se piores - ou melhores.
Obviamente,
com o futebol não é diferente. Tanta gente
suspirando de saudosismo acaba perdendo
a história que se passa diante de nossos
olhos. Imaginem um fã de Fórmula 1 vivesse
lamentando não termos mais Jim Clark ou
Juan Manuel Fangio nas pistas? O cidadão
perderia nessa nostalgia simplesmente Michael
Schumacher reescrevendo a história e Lewis
Hamilton assumindo o papel de seu sucessor.
E assim é com o futebol.
Quem se
lamenta do presente e se agarra ao passado
não tem concernência para enxergar que temos,
entre as décadas de 90/2000, cinco jogadores
tão talentosos quanto tivemos no passado.
Páro para pensar e não vejo muitos jogadores
antigos que estejam tão acima de Zinedine
Zidane, Ryan Giggs, Ronaldo pré-contusões,
Rivaldo e Romário. Só deste último, vale
um relato de um homem que jogou a época
áurea: quando perguntado se Romário teria
lugar na Seleção de 70, Tostão, melhor jogador
daquele torneio, respondeu: "Eu mesmo
daria minha camisa para que ele jogasse".
Se Tostão, crítico e ex-jogador talentosíssimo,
diz isso... porque tanto crítico e apenas
crítico que nunca jogou profissionalmente
se atreve a diminuir o futebol atual?
E
se Romário jogaria em 70 nas palavras de
Tostão, será que Luís Figo não se encaixaria
em Portugal de 1966? E o Zidane? Não jogaria
na França de 1982 e 1986 - e, quem sabe,
melhoraria essa França a ponto de conquistar
uma Copa do Mundo mais cedo? Tivéssemos
Rivaldo em 1986 ou Ronaldo em 1982 - especialmente
esse último - a situação Brasileira não
teria sido diferente?
Quando entramos
no jogo de possibilidades - afinal de contas,
quando um saudosista desmerece um jogador
atual em favorecimento de um jogador antigo,
ele está tratando de possibilidades -, se
formos pensar com lógica em comparação do
futebol atual com o futebol do passado,
vemos que a coisa não mudou tanto assim.
Mudou apenas num ponto para o futebol brasileiro:
os nossos talentos não ficam mais na praça.
Porque, fora isso, jogadores talentosos
e com habilidades semelhantes temos de muitos,
tanto quanto tínhamos antigamente.
Tirar
a prova? Que centroavante tinha nos
anos 60 e 70 a explosão que aquele Ronaldo
pré-contusões tinha? A habilidade de sair
driblando com velocidade para passar por
quatro, cinco jogadores? E o Zidane? Que
jogador tinha a facilidade de matar a bola
que o Zidane matava? Dominá-la no peito
e fazê-la cair no pé, já de cabeça erguida
procurando para quem passar? Porque falar
tanto no Falcão como se fosse um jogador
incomparável quando temos o Zidane - na
verdade, tínhamos, uma vez que ele parou
desde o ano passado. Ainda assim, um jogador
atual. Zagueiro bom? O Maldini, serve? Tudo
bem falar em Domingos da Guia, em Oreco,
em Bobby Mooer, em Franz Beckenbauer, em
Luís Pereira... mas em que o Paolo Maldini
fica atrás? Maldini é seguro na defesa,
eficiente na marcação, corta cruzamentos,
arma contra-ataques e até marca gols. Nem
sei onde falar mal do Maldini. Um jogador
moderno. É pior que os citados acima só
por ser atual?
Não vou ficar moendo
na coluna listando nomes e descrevendo características
- nos mencionados acima ainda caberiam Ryan
Giggs, Liliam Thuram, George Weah, Patrick
Vieira, Thierry Henry, Dennis Bergkamp,
Rivaldo, Cafu, Jorginho, Sorín, Riquelme,
Figo, Lúcio, Boban... são todos jogadores
sensacionais. Não vejo porque subestimá-los
em relação a nomes do passado.
E
o que falar em jogadores do futuro? Cristiano
Ronaldo, Kaká, Wayne Rooney, Huntelaar,
Babel, Nasri, Lucas Leiva, Fernando Torres,
Per Mertesacker. Será que eles não podem
se tornar algo que os grandes jogadores
do passado se tornaram? Ou até mais? - Hoje
em dia superestima-se grandes jogadores
que não atingiram feitos como uma Copa do
Mundo, um Campeonato Europeu, uma Liga dos
Campeões... porque eles são louvados em
detrimento dos jogadores atuais?
Não
digo que teremos novos Pelés, Maradonas,
Garrinchas - ou mesmo Zidanes, um jogador
moderno que entra na trupe dos inigualáveis.
Mas não podemos achar que porque um jogador
é atual ele é potencialmente mais fraco
que um craque do passado. Isso acaba gerando
injustiças e julgamentos parciais - Rivaldo,
por exemplo, deu uma Copa do Mundo à Seleção,
jogando muito bem, e, sem dúvida, tem seu
talento diminuído em relação a jogadores
brasileiros da década de 80.
O presente
não é melhor que o passado. Mas também não
é pior. É apenas diferente - e, desta forma,
pode ser tão bom quanto.
Versão
Cor-de-rosa 11/10
O futebol feminino brasileiro ainda não
convenceu e já joga com o mesmo salto-alto
que o masculino costuma usar nos momentos
mais importantes. Há tanto oba-oba com meninas
que, à exceção de Marta, são comuns, na
Hora H o time fraqueja e perde o título
mundial.
Não há dúvidas que a Seleção
fez um campeonato excepcional na China.
A participação de Marta, artilheira e melhor
jogadora da competição, seu drible desconcertante
sobre a zagueira estadunidense , gols importantes
de Cristiane e de Formiga... tudo isso levou
o Brasil a uma final inédita de Mundial
Feminino.
O problema é que, para
a final deste Mundial, a Seleção tinha um
encontro com a Alemanha. A atual campeã
do Mundo. A equipe que, dentro do torneio,
marcou 19 gols e não sofreu nenhum. Não
que as alemãs sejam imbatíveis, mas é natural
que, em tais circunstâncias, reconheça-se
que tal equipe é a favorita à conquista,
mesmo sendo contra a Seleção Brasileira,
que com Cristianes e Formigas à parte, chamava
atenção por Marta - e apenas por Marta,
merecidamente.
Favoritou-se demais
o Brasil. O melhor time do mundo aguardando
o desafio das brasileiras na grande final,
mas o que se falava era em "pôr uma
estrela cor-de-rosa quando a Seleção conquistar
o título", qual vai ser o placar do
jogo - houve quem apostasse em 2x0 para
a Seleção, em referência à Copa de 2002
-, quem vai marcar gol na Alemanha, que
ainda não sofrera nenhum, e até quebrar
a concentração das meninas falando na criação
da Copa do Brasil, versão feminina - por
que não esperar o fim da Copa do Mundo para
dar as boas novas?
Repetiu-se com
as meninas o mesmo erro que se repete com
os marmanjos - o mesmo erro cometido em
1950, em 82, em 98, em 2006... uma crença
de quem "o Brasil é o melhor só por
ser o Brasil", que "o Brasil tem
condições de bater qualquer seleção, basta
jogar bem", "ganhou o Ouro Pan-Americano",
etc. E, naturalmente, desconhece-se o futebol
feminino ao redor do mundo. Porque, se achamos
que a Seleção Brasileira, desorganizada,
é o melhor time do mundo, de fato, não conhecemos
nada. Não sabemos o quanto o esporte é desenvolvido
na Alemanha, na Suécia, nos Estados Unidos...
A
Seleção Alemã feminina, diga-se de passagem,
muito se parece a masculina. É forte e organizada.
Marca bem, ataca em bloco, é eficiente no
jogo aéreo. Temos em campo um bando de Lothar
Matthäus de calcinha e soutiem. Como pode
se julgar um time brasileiro melhor que
essa Seleção Alemã?
Para que a Seleção
Brasileira derrota-se a Alemã, seria necessário
um trabalho além do improviso, da ginga
e do talento individual - que, sim, essas
meninas têm. Seria necessário mais toque
de bola, mais controle de jogo. Seria imprescindível
deter a posse da partida. E, uma coisa que
as brasileiras não têm, que é força.
A
vitória alemã por 2x0 foi um resultado natural.
Um resultado esperado. Marta perder o pênalti,
por ter cobrado muito mal, não é o fim do
mundo - até houve quem argumentasse o fato
da goleira ter se adiantado, e é melhor
que esqueça, porque esta é uma regra que
não fazem valer nos demais continentes.
O problema é que se afirmou tanto que essa
Seleção era a melhor do mundo, que esse
era o Mundial-referência em termos de futebol
feminino, como fora 1970, que Marta lideraria
a conquista do campeonato, que se colocaria
uma estrela cor-de-rosa... que uma derrota
normal acabou parecendo amarelada por parte
da equipe. Não foi bem assim. O jogo foi
um retrato do que acreditava-se que não
seria. O que nos faltou foi informação.
E,
não, a Seleção Feminina não amarelou - não
houve uma amarelada versão cor-de-rosa,
como aconteceu com os machos em demais situações.
A Seleção Feminina apenas não era boa o
bastante. A Alemanha, sim.
Marta
foi eleita justamente a melhor jogadora
do torneio. Seu drible contra os Estados
Unidos foi, sem sombra de dúvidas, antológico.
E ela deve, ao final deste ano, ser eleita
a melhor jogadora do mundo, novamente.
Mas
tudo isso é apenas um processo em andamento.
Há muito o que se desenvolver e muitas Martas
ainda hão de surgir - para que possam acompanhar
a Marta original. Para que essa Seleção
possa formar um time forte que de fato seja
favorito - e, aí sim, falar em uma estrela
cor-de-rosa.
Por hora, as meninas
estão de parabéns por um belo vice-campeonato.
É a primeira final que disputam, e é duro
fazê-la contra o melhor time do mundo.
Os
frutos colhidos: Além da boataria da Copa
do Brasil feminina, Marta terá companhia
na hora da escolha da Melhor Jogadora do
Mundo na cerimônia FIFA Gala. Eleita melhor
jogadora da Copa do Mundo, Marta defende
o título, conquistado ano passado, e desta
vez, além da alemã Birgit Prinz e da americana
Abby Wambach, terá de enfrentar três brasileiras:
Daniela, Cristiane e Formiga. Mais uma pequena
demonstração da evolução da modalidade no
Brasil.
(Frágeis)
Ossos do Ofício 24/09
Ronaldo era rápido. Driblava com extrema
velocidade, mexia as pernas com habilidade
suficiente para enganar visualmente o marcador
e, assim, passava com facilidade entre dois,
três, quatro e até cinco marcadores. Teve
tempo de explodir no Campeonato Brasileiro
com 17 anos, rumar para a Holanda, transferir-se
para a Espanha, depois Itália, perder uma
final de Copa do Mundo. E aí o físico começou
a reclamar. Os ligamentos dos joelhos estouraram
devido ao desenvolvimento acelerado da musculatura
do jogador.
Muitos visualizavam esse
Ronaldo explosivo num sujeito que não mais
andaria - de moletas, de cadeira de rodas...
o jogador deu a volta por cima, sim. Venceu
uma Copa do Mundo, sim, e, droga, vejam
os números, atuou bem pelo Real Madrid durante
algum tempo. Mas, é claro, jamais foi o
mesmo. As contusões voltaram a aparecer
freqüentemente e assim permanece até hoje.
E olha que Ronaldo ainda teve tempo de fazer
sua história.
As contusões também
foram implacáveis com Pedrinho, revelado
no Vasco da Gama. Magro e pequeno, Pedrinho
não era nenhum Ronaldo. Mas detinha também
de habilidade, velocidade e criatividade.
As contusões de Pedrinho eram tão constantes
que levou o jogador ao crônico mal da depressão
- e desde então Pedrinho jamais fora o mesmo
do Vasco. Passou por Palmeiras, Fluminense,
Santos... sempre uma incógnita. Quando consegue
jogar, até que joga bem. Mas se machuca
demais - é óbvio que seu corpo não suporta
tanto trauma.
Na mesma toada veio
Dagoberto. Mais para Pedrinho que para Ronaldo,
o ruivo, hoje no São Paulo, sofreu tanto
com lesões que adiou demais sua carreira.
Dagoberto hoje poderia estar na Europa,
fazendo muito mais sucesso. Somado às confusões
extra-campo que teve com o Atlético Paranaense,
o menino Dagoberto não teve vida fácil no
gramado. Contundiu, rompeu ligamento do
joelho, fez cirurgia, recuperou e... na
volta aos campos rompeu novamente.
Aos
poucos Dagoberto se recupera. O talento
do menino está voltando. E é a mesma situação
de Nilmar.
Quem vir qualquer vídeo
do jovem Nilmar, no Internacional de Porto
Alegre, testemunha a velocidade com que
este jogador dribla em progressão ao gol.
A habilidade de Nilmar o permite "enfileirar"
adversários e marcar tentos memoráveis.
Esse foi o Nilmar do Internacional de Porto
Alegre, o Nilmar da Seleção Brasileira Sub20,
o Nilmar que, por algum motivo, não funcionou
muito bem - mas funcionou - no Olympique
Lyonnais, vulgo Lyon, e o Nilmar do contestado
Corinthians de 2005. Ou seja, em três dessas
equipes Nilmar veio, jogou e convenceu.
Veio
a lesão em 2006, após a Copa do Mundo, em
clássico com o Palmeiras. E começaram daí
também os problemas extra-campo - mais ou
menos como o Dagoberto. Desde então, Nilmar,
que começou a temporada de forma promissora,
só teve contratempos. Dava desgosto vê-lo
dando entrevistas com a expressão deprimida
no rosto. Durante esse período, começaram
os desentendimentos fora dos gramados. O
Corinthians procrastinava sua dívida com
o Lyon, recusando-se a apagar por Nilmar.
Insatisfeito, o jogador também não queria
mais vestir a camisa do Corinthians.
Curado
da lesão no joelho, já em 2007, Nilmar chegou
a um acordo com o Corinthians: ficaria no
alvinegro até dezembro. Depois, estaria
livre para jogar onde conseguisse. E, na
volta de Nilmar aos gramados, nova lesão.
Mais uma vez, Nilmar rompeu os ligamentos
do joelho direito - e mais uma vez contra
o Palmeiras.
Todo o problema físico
de Nilmar, assim como no caso Dagoberto,
teve agravantes de bastidores. Em 2007,
após os problemas Lyon X Corinthians, o
atacante travou uma cansativa batalha judicial
contra o clube paulista buscando cancelar
o vínculo. E começava a falar-se nos clubes
que poderiam contratar Nilmar: São Paulo,
Santos, Palmeiras, Flamengo, Internacional...
pretendente, óbvio, é o que não faltava.
A
novela está próxima do fim e Nilmar retorna
ao Internacional, clube que o revelou. Depois
de toda essa situação, começam a surgir
as interrogações sobre o rendimento de Nilmar.
Será mesmo aquele jogador? Vai render? O
fato de Nilmar retornar a um clube cuja
torcida e diretoria o conhecem dá um pouco
mais de alívio e tranqüilidade para que
o jogador possa trabalhar. Vejam o exemplo
de Dagoberto e a novela envolvendo contusões
e batalhas judiciais. A recuperação de Dagoberto,
tanto física quanto técnica - e certamente
psicológica, tem sido devagar. É o mais
natural. Desta forma, Nilmar escolheu o
time certo para voltar aos gramados. Sua
recuperação vai exigir paciência, e ao que
parece o Internacional terá essa paciência.
Em
breve, acredito, veremos Nilmar voltar a
fazer tudo que foi dito no primeiro parágrafo
a tratar do jogador nesta coluna. Sua habilidade
certamente será a mesma, a velocidade também,
e o menino só precisa de tempo.
Mas
havemos de convir que Nilmar escreve mais
um capítulo desta novela de contusões somadas
a problemas fora dos gramados. A mesma que
já teve autores como Ronaldo, Pedrinho e
Dagoberto. Vamos ver por quanto tempo nossas
jovens revelações terão de lidar com esses
problemas, ter suas carreiras atrasadas
(Ronaldo, Dagoberto) ou até mesmo quase
encerradas (Pedrinho). E quanto tempo demorará
para que possamos descobrir as causas e
prevenir eventos tão dolorosos - física
e psicologicamente.
Money,
que é good nós não have! 17/09
Por que os clubes brasileiros não
cedem às muitas maneiras de fazer dinheiro?
Na
última semana que se passou a torcida da
Ponte Preta invadiu o treino do time campineiro
para protestar quanto à posição da equipe
na tabela da Série B - e, mesmo em situação
desfavorável, vender o principal jogador
da equipe, Héverton. A justificativa, obviamente,
foi a de sempre: o clube precisa fazer caixa!
Nessa
brincadeira, Wiliam deixou o Corinthians,
Renato saiu do Flamengo, Carlos Alberto
largou o Fluminense, Pato foi embora do
Internacional, Lucas Leiva e Carlos Eduardo
não ficaram no Grêmio...
Até que
dá pra entender a situação dos clubes. Pô,
é, de fato, necessário vender bons nomes
a altas cifras para se fazer alguma caixa
e sustentar um clube de futebol e poliesportivo
num país de economia instável. O problema
é que a venda de jogadores parece a única
alternativa que os clubes brasileiros conseguiram
para equilibrar a receita. Não aprendem
que existem outras formas de fazer dinheiro
- bastante exploradas na Europa, se serve
como exemplo.
Carnê de ingressos Sempre
que um time vai mal, é a mesma coisa: o
estádio esvazia. Se está na zona intermediária
da tabela, esvazia também. Tem uma chuva
forte, esvazia. Ou seja... dessa forma,
de nada adianta pensar em ingresso como
receita. A alternativa mais saudável seria,
sem dúvida, a venda de carnês para toda
a temporada. Dessa forma, indo ao jogo ou
não, o torcedor pagou pela entrada. Isso
garante o saldo positivo de cada partida.
E, em algumas situações, força o torcedor
desinteressado a ir ao estádio de uma forma
ou outra, afinal, já pagou mesmo. A alternativa
do Carnê é utilizada na Europa e é o que
garante arenas lotadas em qualquer situação.
Licenciamento
de imagem É utilizado aqui no Brasil
- pouco, mas é. Na Europa é natural que
um clube, que mais se porta como empresa,
utilize a imagem de seu clube. É comum ver
o escudo da equipe em cuecas, jaquetas,
cachecóis, bonés, canecas, garrafas térmicas,
agendas, cadernos, cartões de crédito, cartões
telefônicos, papel de parede de celular,
CDs, brinquedos... a lista é imensa. O São
Paulo é o primeiro clube brasileiro a investir
pesado com o licenciamento da sua imagem
- e, ainda, tirando um coelho da cartola:
associou-se à Warner, o que permite que
os personagens da multimídia internacional,
como o Pernalonga, sejam vistos utilizando
a camisa do Tricolor Paulista. Aqui no Brasil
se encontra chaveiros, cadernos, agenda...
mas a distribuição é deficiente. O licenciamento
deve ser mais explorado - até porque atinge
em cheio quem não tem grana para, por exemplo,
comprar uma camisa.
Canal de TV
pago Os canais de TV particulares
estão começando a se propagar pela Europa.
Desde clubes grandes como Real Madrid e
Manchester United até alguns mais humildes
e quebrados como o Leeds United, todos começam
a ter seu próprio canal de TV onde transmitem
jogos, treinos e produzem especiais sobre
os clubes. Hoje em dia, com a popularidade
da TV à cabo no Brasil e do pay per view,
parece uma alternativa a se estudar. Qual
torcedor com bom retorno financeiro não
iria pagar para ter à sua disposição tudo
sobre seu time 24h por dia? O que impede
a alternativa é o alto custo de se manter
um canal de TV.
Camisas de jogo Essa
talvez seja a diferença mais gritante. Incrível
como os clubes brasileiros não sabem utilizar
esse patrimônio como fonte de renda. Primeiro,
poucos clubes brasileiros usam a numeração
fixa - Corinthians, Flamengo, Palmeiras,
São Paulo, Cruzeiro. Ou seja, não dá para
comprar a camisa do ídolo - geralmente vendem
apenas a 10, a 11, a 9 e a 7, números de
atacantes. Depois, porque os clubes são
muito "caretas" quanto às suas
camisas. Palmeiras e Fluminense são, que
eu lembre, os dois únicos clubes que têm
camisas alternativas, graças à iniciativa
da Adidas. Mas os demais se mantém na mesmice
das cores do clube. Vez por outra um aparece
com um uniforme diferente - o Corinthians,
que esse ano teve uma camisa branca com
listras finas pretas, já teve camisa com
listras douradas, prateadas... o Grêmio
que fez uma especial para a Libertadores,
o Goiás fez o mesmo para a Copa Sul-Americana...
mesmo assim, em geral não costumam ousar.
Na Europa, por exemplo, o Manchester United
teve uma camisa azul - a cor do rival, Manchester
City. O Arsenal também já vestiu azul -
cores de seus rivais Tottenham Hotspur e
Chelsea. Aqui no Brasil até o patrocinador
do time, quando tem cores de um adversário,
tem de trocá-las para aparecer na camisa.
Ou seja... ninguém pensa em formas de variar,
de fazer uma bela camisa que numa temporada
venda um pouco mais.
Todas acima
são alternativas financeiras que podem ajudar
nossos clubes. Mas quem abre os olhos para
soluções a ser estudadas e de simples aplicação?
É até mais fácil que vender atleta.
Contra
todos e contra ninguém 11/09
Em fevereiro escrevi uma coluna chamada
"Maiores que o Sul" - podem conferir
meu arquivo em 12/02 - onde afirmei o São
Paulo como a atual maior potência sul-americana.
Depois da coluna, o Tricolor Paulista, tragicamente,
perdeu o Campeonato Paulista humilhado pelo
São Caetano e fora eliminado da Taça Libertadores
da América por um fraco time gremista. Meu
bom amigo Héctor Diazepan, ex-colunista
desta seção que me prometeu voltar a escrever
em breve - ou me pagar um engradado de cervejas
- tirou onda do artigo, dizendo que o São
Paulo acabou descendo por água abaixo.
Eu,
no entanto, pus fé no clube, afirmando que
o São Paulo fora eliminado de ambas as competições
por acaso, e que ainda é o melhor time brasileiro.
Nisso,
percebi uma coisa curiosa... como a mídia
nunca está do lado - ou mesmo contra - o
SPFC. Estamos presenteando o nascimento
de uma nova dinastia no país e as redes
de TV, revistas, jornais, Internet e etc.
nem parecem se importar com isso. O São
Paulo em ebulição e os jornalistas se ocupam
afirmando que o BOTAFOGO e o FLUMINENSE
são os melhores times do país ou dissecando
crises no Flamengo e no Corinthians. Mas
nunca é o São Paulo - claramente, o melhor
time do país desde 2005, embora haja crítico
que prefira acreditar em Botafogo e Fluminense.
É
curioso pensar que os críticos rasgavam
elogios a um frágil Botafogo e tinham o
clube como futuro Campeão Brasileiro quando
o São Paulo vinha traçando o melhor campeonato.
Desde o início - ninguém queria ver, mas
era exatamente assim que acontecia. Uma
prova disso? O São Paulo sofreu apenas sete
gols. No campeonato inteiro - já temos 25
jogos. Enquanto o Botafogo liderava, lá
estava o Tricolor Paulista com uma impressionante
segurança defensiva. Nas 10 primeiras rodadas
do campeonato, o São Paulo sofreu apenas
um gol, contra o Náutico, na segunda rodada
- perdendo surpreendentemente por 1x0. Depois
disso, só voltou a sofrer gol na 11ª rodada
- novamente, apenas um, no empate em 1x1
com o Corinthians. Nas 11 primeiras rodadas,
contra os dois gols sofridos pelo Tricolor,
o Botafogo já tinha um revés de 12 gols.
É
fato que o Botafogo marcou mais que o São
Paulo - tanto que o Tricolor hoje tem 38
gols marcados contra 43 do Botafogo. Mas,
enquanto o paulista da questão sofreu sete,
o carioca tomou 34. Isso pode decidir uma
competição de mata-mata, meu amigo. Mas
num Campeonato, não sofrer gols significa
ganhar jogos - e evitar empates e derrotas.
Quem ganha, lidera. Simples assim, o São
Paulo abre nove pontos na liderança do campeonato,
quando o vice-líder não mais é o Botafogo,
mas sim o Cruzeiro.
A campanha do
SPFC já é a melhor de todos os tempos na
"Era Pontos Corridos" - melhor
que a campanha do Cruzeiro, em 2003. Ao
longo de 25 rodadas o São Paulo soma 54
pontos, quando o Cruzeiro de Luxemburgo,
em 2003, a esta altura, detinha 48 pontos
na tabela, num campeonato recheado de 24
clubes, não de 20, como é o caso do atual.
Feito
recente, o São Paulo bateu por 2x0 o Vasco
em São Januário, quebrando uma invencibilidade
anual do clube na Colina. O Tricolor Paulista
também sustenta um dos melhores, se não
o melhor, elenco do país: Rogério Ceni,
Breno, Hugo, Dagoberto, Jorge Wagner, Alex
Silva, Souza e Richarlyson são exemplos
de jogadores que vivem atual grande fase
pelo Tricolor Paulista - o goleiro Rogério,
por exemplo, já segura uma invencibilidade
de nove jogos. O último gol que Ceni sofreu
aconteceu contra o Juventude, em 03 de agosto,
no Morumbi, vitória tricolor por 3x1. Finalmente,
o SPFC não perde há 13 jogos, sendo sua
última derrota por 1x0 em casa para o Fluminense.
Tudo
isso mostra que o São Paulo vem realizando
uma campanha sem precedentes. O Tricolor
paulista ainda tem, pela frente, 13 jogos
- 39 pontos a ser disputado. Se vencer os
13 jogos, coisa que, aparentemente, é impossível,
o Tricolor chegará aos 93 pontos ao final
da competição. Vamos pensar um pouco mais
baixo. Digamos que o São Paulo vença 10
destes 13 jogos - não é tão difícil assim.
Serão 30 pontos ganhos, totalizando 84 pontos.
Isso dará ao São Paulo uma média de aproveitamento
de 73,6% dos pontos que disputou - superará,
novamente, o Cruzeiro de Luxemburgo que,
em 2003, teve um aproveitamento de 72,4%.
A média de pontos conquistados também será
superior - o Cruzeiro de 2003 traz uma média
de 2,17, enquanto o São Paulo, que hoje
tem uma média de 2,16, faria 2,21.
Há
ainda quem reclame do São Paulo ser um time
excessivamente faltoso. Faltoso em quantidade,
é. Mas o São Paulo não é um time violento
- faz faltas "menores", leves,
para amarrar o jogo. Não que isso seja louvável,
mas há quem tente tirar o brilho do clube
com esse argumento. Faltoso ou não, os feitos
do São Paulo são méritos e sua invencibilidade
no gol acaba com qualquer reclamação de
time que amarre jogo. Não dá para derrubar
uma campanha inquestionável com esse tipo
de argumento.
Resumindo, tudo isso
está escancarado. Não é algo subjetivo ou
questão de opinião, mas sim fatos, números,
estatísticas. Isso é o que o São Paulo Futebol
Clube está fazendo - história. É interessante
analisar que essa história o São Paulo escreve
sem um grande esquadrão. Não é como um Santos
com Pelé, Coutinho e Pepe, um Internacional
com Falcão, Carpeggiani e Figueroa ou um
Flamengo com Zico, Adílio e Júnior. É um
clube que, numa era onde os times não seguram
craques, se sustenta no planejamento e mantém
uma impressionante regularidade.
O
que o São Paulo está fazendo é surpreendente
- é maior que o próprio São Paulo de 92/93
(afinal, naquele São Paulo havia um esquadrão)
e que o Palmeiras de 93/94. É o caminho
mais difícil que o Tricolor rasga como se
fosse fácil. E tanta gente preocupada em
afirmar que o Botafogo jogava bonito e se
pergunta porque parou de jogar, em questionar
crise no Corinthians, no Flamengo...
Isso
faz o São Paulo correr contra todos e, ao
mesmo tempo, contra ninguém - para que ninguém
quer dar atenção a tão fascinante história
que está se criando.
(que fique claro
que este colunista, canadense, é torcedor
do Tottenham Hotspur e, no Brasil, tem uma
leve queda pelo Corinthians - nada que me
contamine -, o que torna a análise livre
de qualquer clubismo ou espírito-torcedor).
Corações
partidos 03/09
A morte de Antonio Puerta alerta para
um problema de coração - tanto literal quanto
figurado
Antonio Puerta tinha
22 anos. Completaria 23 no dia 26 de novembro
deste ano, não tivesse sofrido a tortura
de nove ataques cardíacos que culminaram
com sua morte neste 28 de agosto, pouco
mais de três meses antes de completar sua
23ª primavera. Morreu em ofício, como outras
figuras notáveis e trágicas do esporte,
enquanto defendia o Sevilla contra o Getafe.
Tudo isso, você, provavelmente já sabe.
Eu
poderia fazer aqui um dramalhão, dizendo
que Puerta era um talento promissor, afirmando
que sua vida fora tirada brutalmente, coisa
do tipo. Mas tudo isso seria mentira. Puerta
era no mínimo um jogador regular. A questão
a ser levantada é outra.
A imagem
da queda de Puerta, sofrendo ritmia no gramado,
chega a ser tão chocante quanto a de Miklós
Fehér, morto em 2004, enquanto defendia
o Benfica contra o Vitória, de Guimarães,
pelo Campeonato Português. E ambas são bem
menos chocantes que Marc-Vivien Foé, camaronês
que sofreu um ataque fulminante na partida
entre Camarões e Colômbia, pela Copa das
Confederações. É impressionante que a história
recente do futebol guarda tristes eventos
semelhantes. Serginho, do São Caetano, também
em 2004, talvez seja o mais marcante na
cabeça dos brasileiros, mas se vasculharmos
bem a história, teremos também o caso de
Max, do Botafogo de Ribeirão Preto, que
sofreu infarto durante um treino em 2003;
Ricardo da Costa, brasileiro que atuava
no Skendija Tetovo, da Macedônia, sofreu
infarto em casa no início deste ano, e foi
socorrido pelo amigo brasileiro Aginaldo
de Jesus, do rival Vardar Skopye, mas não
resistiu; e se pensarmos em outros esportes,
temos o jogador leto Sergei Zholtok, que
faleceu durante um jogo de hóquei na Letônia,
em 2004.
Temos também os casos não-fatais,
como Diogo, do Cruzeiro, que sofreu infarto
em 2006, mas não chegou a falecer; ou Washington
"coração de leão" que sofreu uma
série de problemas com seu músculo cardíaco.
Mas
o mais trágico de tudo é que na terça-feira,
29 de agosto, morreu em Israel o jogador
Chaswe Nsofwa, de 27 anos, natural da Zâmbia,
após desmaiar em treinamento de seu time,
o Hapoel Beer Sheva. 24h depois do falecimento
de Puerta, a tragédia se repete; e, 48h
depois, nesta quinta-feira dia 30, Cedric
Schlienger, jogador de vôlei do Chaumont
morreu após sofrer infarto num treino. Três
numa mesma semana.
Ou seja, esses
casos estão acontecendo à exceção. Deixou
de ser uma eventualidade e passou a ser
uma fatalidade comum. A questão é, por que
isso está acontecendo?
É muito duro
quando temos um caso de morte e não temos
contra quem ou o que se indignar. É comum
do ser humano procurar um culpado para acidentes.
É comum estarmos indignados e soltar nossa
indignação contra alguém. Mas estes casos
em particular vão mais além. Seria culpa
do Sevilla?
O São Caetano foi responsabilizado
pela morte de Serginho. Perdeu pontos no
STJD e foi obrigado a avaliar a saúde cardíaca
de seus atletas. O exemplo foi seguido no
restante do país e jogadores com problemas
cardíacos potenciais tiveram de deixar a
profissão. Seria esse tipo de avaliação
comum na Europa? Se não, deveria passar
a ser. Deve descobrir-se se Puerta tinha
tendências cardíacas. Se isso foi avaliado
quando o jogador chegou ao clube - ainda
no juvenil.
Mas os motivos para tantos
incidentes devem ir mais além. Basta lembrar
quando começou a polêmica com o peso de
Ronaldinho e sua queda de rendimento no
Barcelona. Henry, hoje seu companheiro no
Barcelona, à época no Arsenal, comentou:
"Ronaldinho está morto". Indiretamente,
Henry criticava os calendários inflados
na Europa - e no mundo do futebol.
Hoje
em dia exige-se demais dos jogadores. Não
que os jogadores de antigamente jogassem
pouco - não. Proporcionalmente, jogam mais
ou menos a mesma coisa que os atletas de
hoje em dia. Mas, atualmente, se exige mais
dos jogadores. Joga-se com mais freqüência
com espaços mais curtos - campeonatos como
a Liga dos Campeões da UEFA (antigamente
Copa dos Campeões); Taça Libertadores da
América; os estaduais e alguns campeonatos
nacionais eram, sistematicamente, mais curtos.
Isso dava um intervalo maior entre os torneios,
ou seja, jogador respirava um pouco mais.
Além de existir menos pressão por parte
de patrocinador, coisa do tipo. As viagens
também são mais longas, acontecem com mais
freqüência. Uma coisa é você disputar um
campeonato nacional longo, viajando dentro
do país, e uma Copa que exige viagens para
o exterior mais curta - e também menos amistosos
pelas Seleções nacionais.
E suas
carreiras começam mais cedo também. Tudo
bem, Pelé começou com 16 anos, e isso era
anos 50. Mas hoje em dia está mais comum.
Acontece com maior freqüência. Um Pelé revelado
aos 16 anos era um fenômeno. Um Ânderson,
com a mesma idade, é só mais um. Temos pré-adolescente
saindo do Brasil ou da Austrália para iniciar
carreira na Europa. Tem uma maior exigência
com os juvenis. São tratados agora como
adultos. Não têm mais uma infância, uma
adolescência. Tem até moleque de 10 anos
com contrato no Santos e time Europeu querendo
levá-lo.
Toda essa pressão somada
a novos hábitos do homem moderno - comidas
conservadas, excesso de radiação a que somos
expostos, males recentes como stress, depressão,
estafa... tudo isso contribui para um agravante
naquele que é um cardíaco em potencial.
Infelizmente o dinheiro fala mais alto.
Não tem como pedir para que o homem diminua
hoje seu contato com a tecnologia. Nem tem
como exigir de empresas patricinadoras e
federações que se encurtem campeonatos,
copas e ligas.
Não é só ver se o
Sevilla é responsável. Se Puerta tinha de
fato complicações cardíacas - alguns jogadores
relataram que, sim, Puerta aparentava ter
problemas, e já havia acontecido eventualidades,
como desmaio em treinos. É necessário olhar
para como nossos atletas são tratados. Porque
o esporte, nos dias de hoje, parece cada
vez mais longe de significar saúde - física
ou mental.
Dessa forma, continuaremos
a ver, em nossa TV, jovens como Puerta sofrerem
com corações partidos em pleno campo de
futebol - e, apenas figurativamente, nós,
longe dessa realidade, partir nossos corações,
mas apenas de compaixão.
Bárbaros
Bávaros 27/08
Há muito não se via um "esquadrão"
tão forte. Tento me lembrar quando, no futebol
europeu, tivemos um elenco com a excelência
deste Bayern de Munique. Talvez o Manchester
United de 1999. Era uma equipe bem parecida
com esse Bayern.
Manchester de
Munique? Peter Schmeichel era o experiente
homem debaixo dos paus. Na defesa, pela
direita, havia Gary Neville. Talvez não
seja nenhum Franco Baresi, mas sempre foi
um lateral que cumpriu seu papel com perfeição
no futebol inglês. Subir em velocidade,
levantar na área, voltar para defender.
Não precisa tentar enfeitar para ser um
bom lateral. Os centrais eram dois zagueiros
"duros", raçudos, que cortam qualquer
bola ou canela que aparecer pelo caminho:
Jaap Stam e Ronny Johnsen. O irlandês Denis
Irwin fechava a lateral esquerda, completando
uma linha de dois bons jogadores e dois
apenas regulares. Do meio pra frente, o
Manchester era um espetáculo à parte: onde
se viu uma linha de meio tão ofensiva quanto
Ryan Giggs, Nicky Butt, Roy Keane e David
Beckham. Butt e Keane acabaram fazendo vezes
de volantes - dois volante bem ofensivos,
mais ou menos como ter Gerrard e Lampard
responsáveis pela função. No ataque, Dwight
Yorke e o talismã Ole Gunnar Solskjær -
um atacante matador. E ainda havia um nome
experiente no banco de reservas, Teddy Sheringham.
Com esse time, não era de se assustar vencer
a Liga dos Campeões. Ainda mais do jeito
que venceu, virando o jogo depois dos 90
minutos, ironicamente contra o Bayern de
Munique. Mas tudo que um grande time deve
ter, o Manchester tinha. A estrela pop -
David Beckham -, o craque - Ryan Giggs -,
um grande goleiro, um bom defensor, um atacante
goleador, um capitão que esbraveja com o
time - Roy Keane.
Bayern United? A
fórmula do Bayern de Munique deste ano quase
se assemelha ao Manchester United, sendo
ainda, pasmem, melhor. Um grande e experiente
goleiro, o Oliver Kahn. Um bom defensor,
Lúcio. Pela lateral, alguém com as mesmas
características, mas muito mais eficiente
que Neville: Philip Lahm. Um volante ofensivo,
excelente - Zé Roberto. Um craque no meio-campo
- Franck Ribéry. E no ataque, bem... Luca
Toni, Lukas Podolski e Miroslav Klose. Um
trio que faria tremer até Andoni Zubizarreta
ou Walter Zenga. Só esse elenco listado
supera este Manchester United campeão de
1999. Mas o Bayern de Munique ainda tem
bons nomes "regulares": Willy
Sagnol, Mark van Bommel, Marcell Jansen,
Bastian Schweinsteiger, Sandro Wagner.
Por
que o Bayern é meu favorito É uma
pena que tenhamos esse time fora da Liga
dos Campeões - ou será que temos esse time
justamente porque o Bayern ficou de fora
da Liga dos Campeões? Depois de uma temporada
sofrida, o torcedor alemão, fique certo,
verá um time destruidor em campo. Isso porque,
com a equipe que foi montada, o Bayern se
adapta a qualquer estilo de jogo, se adapta
a qualquer situação e a qualquer adversário
- e o time foi tão bem calculado que Michael
Ballack sequer faz falta.
Se for
um jogo com velocidade, temos Franck Ribéry
e Bastian Schweinsteiger. É incrível a eficiência
de Ribéry em particular e a facilidade e
rapidez com que o francês avança de sua
intermediária para a grande área adversária.
Ribéry prefere o passe, Schweinsteiger está
mais para cruzamentos. Mas os dois chutam
a gol - especialmente Ribéry, e chuta MUITO
bem.
Um jogo "cadenciado"
(vulgo chato), tem o Zé Roberto como responsável.
E é interessante ver aquele Zé Roberto do
Santos, que jogava bem, e o Zé Roberto deste
Bayern que joga ainda melhor. E como se
adapta bem ao futebol alemão: apesar de
ser um volante de toque de bola, não é raro
ver Zé Roberto buscar jogadas de linha de
fundo, afinal de contas, o jogador carrega
sobre as costas sua antiga função de lateral-esquerdo.
E
o ataque não depende mais do "chuveirinho"
alemão - logo, não depende mais da bola
levantada na área com perfeição e patente
de Michael Ballack. Para essas opções, a
cargo de Schweinsteiger, temos Lukas Podolski,
e, agora, o reforço de Miroslav Klose -
que deixa esse fator "bombardeio aéreo"
ainda mais matador. Pelo chão, Luca Toni,
que Inter, Milan e Juve deixaram escapar.
E pensar que o Milan prefere o Gilardino...
e óbvio que as jogadas "terrenas"
ficam a cargo de Ribéry-Toni.
Resumindo...
é o Bayern melhor que nunca. Há quem compare
com o elenco de 2001, campeão da Liga dos
Campeões e vice-campeão na temporada seguinte.
O
que esperar desse Bayern Naturalmente,
não espero nada mais que a tríplice coroa
menor. O Campeonato Alemão, a Copa da Alemanha
e a Copa da UEFA. Tudo bem, é aquele papo,
"ainda é cedo". Mas será que dá
para alguma outra equipe alemã tirar os
torneios caseiros do Bayern? Ninguém é tão
forte e tem um elenco tão bom e extenso.
O Bayern tem as peças certas para ir longe
na competição.
Já a Copa da UEFA,
conquistada apenas em 1996, é um torneio
mais leve que a Liga dos Campeões e o clube
bávaro tem tudo para conciliar com o Campeonato
Alemão. E quem teria as qualidades necessárias
para barrar o Bayern? O Villareal? O Tottenham?
O Palermo? O AZ Alkmaar? Ora, não me façam
rir.
Apesar de parecer contraditório,
eu diria que é a Copa da UEFA o torneio
mais fácil do Bayern não levar. Apenas pelo
cansaço das viagens e pelo foco que deve
ser todo concentrado no Campeonato Alemão.
Mas
ainda aposto no Bayern de Munique nas três
competições. Tanto pelo bom time quanto
pelo fato de não ter rival à altura.
Só
que, desse Bayern de Munique, espero um
pouco mais. É muito cedo... mas diria que
já temos um candidato a título da Liga dos
Campeões 2008-09. Tá longe, mas longe o
quão esse Bayern consegue chegar.
Todo
ano é a mesma conversa... 21/08
... começa-se a disputa da Copa
Sul-Americana e, automaticamente, surgem centenas de interrogações acerca da
fórmula deste torneio ímpar.
Nós do Fanático Esporte Clube –
na verdade, apenas eu, Stefan da Silva Procimax Lorax – já falamos sobre a
questão da CONMEBOL que atrapalha a valorização do torneio – disputá-lo no
primeiro semestre, junto com a Libertadores, seria bem melhor, assim como
acontece com a Liga dos Campeões da UEFA e a Copa da UEFA. Levantamos também a
responsabilidade da CBF em transferir a vaga da Copa do Brasil para a Copa
Sul-Americana ao invés da Taça Libertadores da América. Já tendo falado sobre
CONMEBOL e CBF, vamos ao terceiro responsável pela questão: os clubes
brasileiros.
Libertadores pra quê? Se voltarmos algumas décadas no
passado, veremos que os clubes brasileiros não valorizavam muito a Taça
Libertadores da América em seus primórdios – mais ou menos como a questão dos
clubes europeus e o Campeonato Mundial de Clubes. Tudo bem que ainda nos anos
1960 o Santos conquistou duas edições da competição, em 1962 e 1963, mas foi
só. Depois, só o Cruzeiro a veio conquistar em 1976. Comparemos esses três
títulos num intervalo de 16 anos de disputas do torneio com conquistas
argentinas e uruguaias, veremos a diferença. O Uruguai, já uma potência em
declínio, soma quatro títulos. E a Argentina, bem... dez conquistas. Se
passarmos para o número de finais disputadas até 1976, teremos seis clubes
brasileiros contra 14 argentinos e 10 uruguaios.
Considerando de 1977, ano em que
o Cruzeiro perdeu o bi-campeonato para o Boca Juniors, a 1992, ano em que o São
Paulo conquistou pela primeira vez a Libertadores – já na era Toyota, dando um
início à valorização da competição por parte do Brasil, teremos mais números
covardes. São seis títulos argentinos – e mais três finais disputadas – e
quatro uruguaios, já um país futebolisticamente acabado, contando ainda com
mais um vice-campeonato – contra apenas três títulos brasileiros e mais três
finais perdidas. Nesse intervalo a Libertadores já era um grande torneio em
termos de América do Sul, com clubes paraguaios, chilenos e colombianos
conquistando títulos e até equatorianos chegando às finais.
Nem o Brasileiro se salvava O problema é que nessa época, até
o final dos anos 80, os clubes brasileiros tinham mais olhos para os estaduais
de que para a Copa Libertadores ou até para o Campeonato Brasileiro. Quando se
fala no maior esquadrão corintiano de todos os tempos, por exemplo, lembra-se
do bi-campeão paulista de 1982 e 1983. Tudo bem, era um timaço com Sócrates,
Zenon, Leão, Casagrande, Biro-Biro, Wladimir... mas esse time não ganhou sequer
um Campeonato Brasileiro. Não estou desmerecendo o campeonato nacional, apenas
ilustrando a supervalorização das competições estaduais. Basta lembrar que nos
anos 1980 Botafogo, Cruzeiro e Santos também não tinham títulos brasileiros
conquistados. O Fluminense só conquistou o seu em 1984. Mas todo mundo lembra
do Paulistão do Santos em 1984 e do Estadual do Rio do Fluminense em 1976 – mais
comentado até que o título Brasileiro de 84. E o Botafogo só veio perder sua
virgindade de títulos brasileiros em 1995 – Santos e Cruzeiro apenas nos anos
2000.
A questão da Copa do Brasil Uma das coisas que ajudou o
Brasil a valorizar a Copa Libertadores foi, sem dúvida, a Copa do Brasil,
criada em 1989. Com a alcunha de “Caminho Mais Próximo à Libertadores”, foi
através da competição que o Grêmio (campeão de 1994) conquistou a Libertadores
de 1995, o Cruzeiro (Copa do Brasil 96) a Libertadores de 1997 e o Palmeiras
(Copa do Brasil 98) a Libertadores em 1999.
Comparação de resultados Conforme já foi levantado, da
década de 1990 – mais precisamente, desde 1992, com o primeiro título do São
Paulo – o Brasil aprendeu a valorizar a Libertadores. São oito títulos vencidos
e mais sete finais disputadas – superando, nesse intervalo de 27 anos, a
Argentina, que tem seis títulos e mais dois vice-campeonatos. Vale lembrar
também que o Brasil conseguiu, em 2005 e2006, a proeza de, por duas vezes,
colocar dois clubes do país no final do torneio, situação inédita – por pouco
não o fez também em 2002. Ou seja... bastou a Libertadores ganhar um
significado para que os clubes brasileiros a valorizassem. Então, juntando com
tudo que temos lá atrás, temos um total de 21 títulos argentinos e mais oito
vice-campeonatos contra apenas 13
títulos brasileiros – e 13 vices. Em termos de clubes, nosso maior campeão é o
São Paulo com três – à frente temos Independiente (ARG) com sete, Boca Juniors
(ARG) com seis e Peñarol (URU), com cinco. E, junto com o São Paulo na galeria
de tri-campeões, Olímpia (PAR), Nacional (URU) e Estudiantes (ARG). Ou seja... hoje o Brasil olha para trás e se
vê numa enorme desvantagem – e que, se tivesse valorizado a Libertadores desde
o começo, certamente teríamos um patamar bem
diferente.
E a Sul-Americana com isso? O descaso do brasileiro para com
a Copa Sul-Americana chega a ser ainda maior. A primeira edição, em 2002,
sequer teve clubes brasileiros – e fora conquistado pelo San Lorenzo (ARG). A
de 2003 foi uma grande confusão da CBF a respeito dos indicados ao torneio,
fazendo com que tivéssemos 12 representantes.
O Brasil nunca teve um finalista
da competição – os melhores resultados são semi-finais em 2003 (São Paulo),
2004 (Internacional) e 2006 (Atlético Paranaense). A Argentina já tem três
títulos, enquanto Peru e México têm um cada.
Tudo bem, entramos naquelas
questões... a competição é disputada junto ao Campeonato Brasileiro, fazendo
com que os clubes brasileiros poupem seus jogadores na hora de disputar a
Sul-Americana. Isso é estranho, porque a Sul-Americana também é disputada junto
ao torneio Apertura na Argentina, e os clubes argentinos não poupam seus jogadores. O Boca Juniors, à época com cinco
títulos de Libertadores nas costas bem que poderia não se importar com a reles
Sul-Americana. Mas acontece que o Boca se importa em ganhar títulos, sejam eles
qual forem. Dessa forma, conquistou a nova competição em 2004 e 2005 – e, para
clube brasileiro que acha que isso atrapalha campeonato nacional, o Boca
venceu, junto com a Sul-Americana 2005, o Apertura 2005, e ambos foram
disputados simultaneamente.
Não digo que a Sul-Americana é o
torneio mais importante do mundo. Mas é título. Brasileiro precisa aprender a
gostar de título, seja ele qual for – como o Boca, e é por isso que o Boca tem
hoje seis Libertadores, ajudando a Argentina com seus 21 títulos. Será que
vamos ter de olhar para trás e ver grande vantagem argentina para passar a
disputar a Sul-Americana com seriedade?
O
jovem fenômeno francês 14/08
O Olympique Marseille é uma entidade.
É um clube com as características de Corinthians,
Flamengo, Boca Juniors, Tottenham... ou
seja, um clube que tem capacidade de falar
por um povo. E, mesmo nessa toada, o Olympique
Marseille sofre. Desde 1993, quando ganhou
a Liga dos Campeões da UEFA e se envolveu
num escândalo de manipulação de resultados
que o poderoso OM vive um jejum de títulos
incrível. Em 1995 veio o último título conquistado,
a Segunda Divisão Francesa. A Copa da França
o clube não vê desde 1989, e a Ligue 1 desde
1992.
Em 2005 e 2006 venceu duas
chaves da Copa Intertoto, mas isso não é
título. Chegar na Copa Intertoto na verdade
está mais para um demérito.
As coisas
estão feias em Marselha.
Pra piorar,
de volta à Liga dos Campeões, o Marseille
perde seu principal jogador – o excelente
ponta-de-lança Franck Ribéry. E o pior...
está bem perto de perder Samir Nasri.
Quem
é Samir? Com apenas 20 anos de idade
nas costas, Samir já demonstra uma versatilidade
impressionante. Não é que devamos comparar
Nasri, francês de ascendência argelina,
com Zinedine Zinade – embora, coincidentemente,
ambos tenham a mesma origem. A questão é
que se pegarmos Nasri e o compararmos com
outras recentes revelações do futebol mundial
– Kaká, Messi, Ribéry, Rooney – temos em
Nasri um jogador muito mais completo.
Nasri
não é nenhum goleador – em 91 jogos pelo
Olympique Marseille marcou apenas cinco
gols. Mas é um jogador incrivelmente cerebral,
une velocidade e habilidade à capacidade
de armar jogadas inventivas. São qualidades
que podem decidir um jogo. E se tudo isso
são características de Kaká, Messi, Ribéry
e Rooney, pode-se adiantar que: 1. Nasri
é mais completo que os jogadores citados
e joga mais para o time. 2. Nasri não é
tão badalado quanto os quatro (à exceção,
talvez, de Ribéry, que é um jogador tão
discreto quanto, e de quem foi companheiro
em Marselha). Ou seja, a pressão sobre o
francês ainda é um pouco menor.
Por
que apostar em Samir? À época de
Figo, Ronaldo, Zidane... ora, dane-se Figo,
Ronaldo e Zidane! Tudo bem que são três
craques, mas havia no Real Madrid um jogador
que fazia um bem danado, e pouca gente sequer
o notava em campo: Santiago Solari. Fosse
Solari um jogador da habilidade de Nasri,
certamente teria tido muito mais destaque.
Mas em 2005, quando o Real Madrid abriu
mão de Solari, abriu mão também da última
coisa com os pés no chão que havia no clube
– o que faltava para que a equipe desandasse.
Solari jogava para o time e era o mesmo
que é Nasri no Olympique – com a diferença:
Nasri é muito bom.
Samir Nasri também
não seria tão caro quanto Robinho ou Kaká,
a quem o Real Madrid se estripa para ter.
Talvez seja melhor para o Real Madrid, numa
relação custo-benefício, apostar no jovem
Nasri ao invés de buscar mais uma estrela
cara e abalada – que deixaram o clube na
situação pela qual passou. Se a hora é de
renovação na capital espanhola, por que
não uma mudança de atitude na hora de contratar?
E
pela Seleção Francesa? Samir Nasri
venceu o Campeonato Europeu Sub17 com Les
Bleus e já disputou três jogos pela Seleção
Principal – no último deles, contra a Geórgia
nas Eliminatórias do Euro 2008, marcou o
gol da vitória da França. É óbvio que Samir
Nasri é a nova aposta da Seleção para levá-la
adiante junto com Franck Ribéry. A oportunidade
para que se destaque é sendo convocado para
o Euro 2008, quando a França garantir sua
classificação.
O Euro? Seria
a primeira oportunidade de testar Samir
Nasri pela Seleção num grande evento. Claro,
não sabemos se isso vai acontecer. E o menino
ainda é novo, é preciso calma na hora de
expô-lo com a equipe nacional. Mas foi assim
que funcionou com Rooney – e acredito que
em Nasri dá para confiar.
Quem
vai ficar com Samir? Por hora, o
que houve foram especulações. Real Madrid
e Internazionale de Milão são equipes que
já manifestaram interesse no jovem talento
francês. Ainda não houve nada confirmado.
O
que aguardam? Que Samir Nasri se destaque
internacionalmente para seu passe valorizar
e seu valor subir? O mesmo que houve com
Ribéry? Ora essa... esqueçam as estrelas
caras! O bom e (ainda) barato Samir está
aí!
As
estrelas estão cegas 07/08
O Barcelona parece arrependido de
ter se achado "muito mais que um clube" nessa última temporada – ou não. Do
clube que conquistou quase tudo em 2005-06 – quase tudo, leia-se Campeonato
Espanhol, Supercopa da Espanha e Liga dos Campeões da UEFA, o "Barça"
não viu
nada na temporada 2006-07. Perdeu a Supercopa da Europa para o Sevilla. Chegou
cheio de bossa no Japão e perdeu o Mundial da FIFA para o Internacional. Abriu
longa vantagem na Liga Espanhola para ser ultrapassado por Real Madrid na reta
final – de forma humilhante, diga-se. E na Liga dos Campeões o Barcelona caiu
diante de um Liverpool que, embora finalista, não é lá um grande time, se
comparado a Manchester United, Chelsea, Milan ou mesmo ao próprio Barcelona.
Ao que me parece, o Barcelona
deixou-se atrapalhar pelo marketing fora do campo. Ronaldinho e Eto'o parecem
ter tido uma crise de estrelismo – às vezes eles negam, mas não há como mentir:
aconteceu coisa ali que atrapalhou o rendimento de ambos. Deco também teve rendimento
bem abaixo daquele Deco da conquista da Liga dos Campeões. E o Messi, com seu
gol maradônico, esse ano mais correu que chutou bola a gol. Isso se somarmos
aos grandes investimentos fora de campo – marketing com a Unicef, campanhas
internacionais para expandir o nome do clube nos quatro cantos do mundo... e
sem levar em conta crises com a torcida e os problemas da forma física de seus
jogadores. Claro, houveram alguns investimentos em campo – Zambrotta, Thuram...
mas parece que, na temporada 2006-07, o Barcelona esteve mais fora de campo de
que dentro dele.
Chegamos para a temporada 2007-08
e o Barcelona logo de cara anuncia a contratação de Thierry Henry – aquele que
o FEC considera melhor jogador do mundo nas últimas três temporadas. Ora... o
que parece ser uma contratação sensacional levanta uma questão: e o Henry no
ambiente com Eto'o e Ronaldinho? Porque Ronaldinho e Eto'o são grandes estrelas
que disfarçam humildade. Henry estampa na cara seu estrelismo. Vai ter química
entre os três? Diziam que com a chegada do Henry, ou Eto’o ou Ronaldinho sairiam
para o Milan. Não aconteceu.
Levemos em consideração mais um
fator: Henry está em processo de separação com sua esposa. Não precisa de boa
memória para lembrar que Ronaldo, Rivaldo e Adriano caíram de rendimento quando
passaram pelo mesmo problema. E sempre existe a desculpa – plausível ou não –
do "extra-campo" afetar a vida do jogador.
Pra mim Henry seria o craque
desse time. Mas não sei se isso vai funcionar.
Acredito que uma boa contratação
para o Barcelona seria o menos badalado Rodrigo Palacio, argentino do Boca
Juniors. Muito se falou em Palacio no Barcelona. Não quero dizer que o Palacio
seja mais jogador que o Henry – ele não é nem 25% ainda do francês. Mas uma
estrela, numa hora dessas, resolve? O fato é que Palacio não pintou.
O Barcelona também abriu mão de
gente que vinha trabalhando em prol do clube. Me refiro a Gio van Bronckhorst e
Ludovic Giuly. Tudo bem, não são jogadores de fazer inveja a elenco nenhum. Mas
era algo que dentro do clube azul-grená dava certo. Afinal, nem só de estrelas
vive uma grande equipe.
A situação do Barcelona me acaba
sendo semelhante à da Seleção Brasileira na Copa da Alemanha ou a do Los
Angeles Lakers – forte time estadunidense de basquete que, em 2004, se encheu
de estrelas. Kobe Bryant, Shaquille O’Neal, Gary Payton e Karl Malone, quarteto
que fazia parte dos cinco titulares da equipe. Era considerado o Quarteto
Fantástico – isso lembra alguma coisa? Acontece que Bryant e O’Neal não se
bicavam – isso lembra alguma coisa? O quarteto não se entendia na quadra e o
sonho de um time avassalador dos Lakers foi destruído por 4 jogos a 1, numa
melhor de 7 jogos, diante do Detroit Pistons.
Seria esse o caminho que o
Barcelona estaria se enfiando?
O clube parece mais interessado em fazer
programas de TV e propagandas beneficentes
a botar suas estrelas para jogar...
Marta,
o Homem 31/07
Serei machista: jogar futebol é coisa
de homem. Não digo que mulher não possa
praticar esportes. Vôlei, tênis, ginástica...
tudo bem, não vejo problema nenhum mulher
disputar esses tipos de esporte. Mas uma
coisa grosseira como futebol, me desculpem
os mais modernos, eu acho muito estranho.
Hoje
o País de vocês finge que descobriu Marta.
Eu diria que Marta está em evidência há
quatro anos atrás, quando destruiu o meu
Canadá – da jogadora Kara Lang – por 2x1
na final e ficou com a medalha de ouro.
Ela tinha apenas 17 anos de idade e marcou
seis gols na competição. Já era, àquela
altura, jogadora do clube sueco Umeå – antes,
defendera por dois anos o Vasco da Gama.
No
mesmo ano, Marta disputou a Copa do Mundo
nos EUA. A Seleção Brasileira fez uma primeira
fase brilhante – onde passou pela poderosa
Noruega por 4x1 e pela Coréia do Sul por
3x0, além de um empate com a França em 1x1.
Marta marcou dois gols nessa campanha. Nas
quartas-de-final, porém, sucumbiu ante a
Suécia, por 2x1, com gol de Marta – para
quem acha que é pouco, as suecas foram vice-campeãs.
Um
ano depois, muita gente lembra da injusta
medalha de prata em Atenas, nos Jogos Olímpicos.
Marta marcou o gol da vitória contra a Austrália,
marcou um na goleada de 7x0 sobre a Grécia
e deixou o seu no chocolate de 5x0 sobre
as mexicanas pelas oitavas-de-final. Aquela
Seleção tinha um planejamento junto ao treinador
Renê Simões para ganhar o ouro olímpico.
Bateu na trave: a prata, primeira medalha
do Brasil na história da competição, veio
após uma emocionante derrota para as americanas.
Marta
estava na Tailândia jogando o Campeonato
Mundial Feminino Sub-20. Na primeira fase,
marcou dois gols – o Brasil venceu a Itália
por 2x1, perdeu para a Nigéria por 3x2 e
venceu a China por 2x1. Nas quartas-de-final,
vitória sobre a Rússia por 4x2 na prorrogação
– Marta voltou a deixar o seu. Caiu nas
semi-finais diante da China e perdeu o bronze
para as rivais dos Estados Unidos. Mas Marta
foi eleita a melhor jogadora da competição.
Junto
a Fabbio Cannavaro, Marta voltou a aparecer
no final de 2006, por ganhar o prêmio Fifa
Gala, como melhor jogadora daquele ano.
Emocionada, Marta chorou ao discursar sobre
as questões do futebol feminino no Brasil.
Tudo
bem que o fenômeno Marta só explodiu agora
quando jogou pela Seleção aqui, no Brasil,
ajudou na conquista da medalha de ouro.
Marcou incríveis 12 gols e termina a competição
como artilheira. Para o meu machismo, fica
óbvia uma coisa. Jogando bola, Marta é tão
homem quanto nossos amigos Kaká e Ronaldo
Fenômeno – e, diria eu, bem mais homem que
Ronaldinho e Robinho. Afinal de contas,
Marta não amarela.
No final das contas,
Marta encerrou a campanha com o apogeu:
primeira mulher imortalizada na Calçada
da Fama do Maracanã.
O estilo de
Marta lembra um pouco jogadores como Carlitos
Tevez ou Aílton, ex-Werder Bremen, jogando
de costas e colada na adversária para facilitar
o drible. Mas, diria eu, Marta é mais habilidosa
e precisa que Carlitos e Aílton. Juntos.
Espero
que não comecem com coisas como pedir para
botar Marta para jogar com marmanjos – ela
até jogou uma pelada dia desses. Porque
as duas coisas não devem se misturar – isso
aqui não é jogo de tênis, que todo ano fazem
torneios de duplas mistas. Mesmo sendo forte,
habilidosa e macho, Marta teria infinita
desvantagem se enfrentasse alguns jogadores
homens, fossem eles bons ou ruins de bola.
Desvantagem física, que fique bem claro.
Mas não dá para duvidar. Marta, em campo,
é homem. Sigo odiando futebol feminino.
Mas até que gosto da Marta.
Ricardo
I 24/07
Enquanto os brasileiros
comemoravam a conquista de sua oitava Copa América, na Venezuela, o Presidente
da Confederação Brasileira de Futebol, V. Exa. Ricardo Teixeira, era eleito
pela sexta vez consecutiva Presidente da mesma – o mandato válido até 2012, que
pode ser prorrogado até 2015, caso o Brasil seja confirmado como sede da Copa
do Mundo de 2014.
Ricardo Teixeira está no cargo
desde 1989 e, pelo que vimos nesta semana, dificilmente deixará o posto tão
cedo. Lembrando que Ricardo também preside a Comissão de Arbitragem da Fifa, e
sonha em comandar a Federação Internacional, como seu sogro, João Havelange fez
outrora.
É complicado criticar o trabalho
de Teixeira frente à CBF – afinal de contas, em seus 18 anos no comando da
entidade, conquistou duas Copas do Mundo, fez final de uma outra, venceu duas
Copas das Confederações e cinco Copas América – simplesmente 62,5% das Copas
Américas do Brasil foram conquistadas sob a gestão Ricardo Teixeira.
Nas categorias de base, Teixeira
também deu ao Brasil dois Campeonatos Mundiais Sub20, cinco Campeonatos
Sul-Americanos Sub20, três Campeonatos Mundiais Sub17 e sete Campeonatos
Sul-Americanos Sub17. Em termos de outras competições, a Seleção Brasileira
Sub19 venceu a categoria Elite da Milk Cup de 1999 – competição juvenil muito
importante na Europa; venceu o Sul-Americano Sub15 de 2005 e, no mesmo ano,
conquistou o Torneio de Tampa, na Flórida, Estados Unidos. Em2006 a Seleção Brasileira Sub18 venceu
o tri-campeonato do Torneio de Sendai, derrotando na Final nossa rival França.
O time fora liderado por Alexandre Pato, ainda desconhecido.
Ou seja, há de se reconhecer:
Ricardo tem ganhado títulos. Por outro lado, o trabalho de
Ricardo Teixeira prejudica um outro fator bem importante no futebol brasileiro:
os clubes.
A desorganização do futebol
brasileiro é latente. Primeiro, lembrando os anos 90. Campeonato sem fórmulas,
viradas de mesa (ocorridas em 1992, 1996 e em 2000), desorganização em termos
de regularidade de jogadores – que causou problemas como a questão entre Gama,
CBF e Clube dos 13 – culminando na Copa João Havelange em 2000.
Nossa arbitragem também não tem
organização, regulamentação, profissionalização – vale relembrar que Ricardo Teixeira preside a Comissão de Arbitragem da
FIFA. Mesmo assim, o Presidente é incapaz de tomar medidas para beneficiar a
arbitragem brasileira – e aí temos diversos problemas ao longo da temporada que
chega a culminar com o Escândalo Edílson Pereira de Carvalho em 2005.
Falando do Campeonato Brasileiro
de Futebol, sabem quanto a competição custa à Rede Globo, detentora do direito
de exclusividade de transmissão? Nada. Exatamente... a poderosa Vênus Platinada
Rede Globo, que desembolsa 70 mil dólares por capítulo de novela, não paga nada para ter a exclusividade do
Campeonato Brasileiro. Quer dizer, até paga: direitos televisivos. O direito de
imagem dos clubes, dos jogadores. Mais nada. Enquanto isso há gente interessada
no futebol brasileiro, a pagar PELA competição, não por direitos de imagem – a
Record, por exemplo, que já se ofereceu interessada na competição diversas
vezes. Sabe-se lá porque a CBF não solta a Globo.
Ainda falando sobre o Campeonato
Brasileiro, incrível a inabilidade de Ricardo Teixeira de organizar o nosso
calendário. Os clubes muitas vezes jogam duas vezes por semana – quando o
correto, em termos de Campeonato Brasileiro, seria jogar uma vez por semana. A TV exige jogos nas quartas? Inventa-se outra
coisa. Alonga-se a Copa do Brasil. Antecipa-se a Copa Sul-Americana. Não pode é
ficar assim.
Em termos de calendário, ainda
temos aberrações como, por exemplo, nosso Campeonato prosseguir durante a Copa
América – quando o correto seria parar
a competição. O prolongamento do torneio prejudica os clubes, que ficam
desfalcados de jogadores que servem à equipe nacional. O Campeonato também
prossegue em plenas Data FIFA, e às vezes até em jogos fora de Data FIFA, como
o amistoso entre Brasil e Kwait All Stars.
Dessa forma, a Seleção causa um
grande constrangimento com nossos clubes – Marco Aurélio Cunha, Superintendente
de Futebol do São Paulo, afirmou recentemente que a Seleção é um ótimo negócio
para a CBF, mas um péssimo negócio para os clubes. De fato, o calendário
organizado dessa forma prejudica os times brasileiros. A questão aqui não chega
a ser a Seleção, mas sim o Campeonato Brasileiro e o seu calendário. O que não
dá para entender, uma vez que a CBF concede tanta força ao Clube dos Treze.
E a Lei Pelé, aprovada pela CBF,
nunca tomou grande forma, nunca teve um padrão definido. Ao invés de beneficiar
clubes e atletas, a Lei Pelé serviu para beneficiar empresários – e hoje nossos
clubes praticamente não têm mais atletas, mas sim jogadores com contrato breve
que na primeira oportunidade se mandam para um mercado melhor organizado.
E, finalmente, falando de Seleção
Brasileira, não dá para entender o que a CBF fez. Desde 2005 que Seleção
Brasileira foi vendida à empresa Suíça Kentaro, que organizou toda preparação
para a Copa da Alemanha em 2006 – toda aquela palhaçada que tivemos o
(des)privilégio de assistir pela TV. Foi a Kentaro que vendeu nossos
treinamentos – o que visivelmente prejudicou a preparação do time. A Kentaro
também organiza os amistosos que a Seleção Brasileira tem que cumprir – podendo, eventualmente, exigir uma mudança de
adversário. Ou seja, nossa Seleção hoje em dia tem sua própria MSI. E a Kentaro
fica aqui, na casa, até 2010 – bom, já dá para prever a preparação que teremos
para 2010.
Resumindo, a coisa não está boa
não, Presidente. Ganhamos títulos, sim. Mas isso é pouco diante da atual
situação do Futebol Brasileiro – e, hoje em dia, sequer dá para dizer que a
Seleção Brasileira, que há dois anos não joga em seu país, representa o Futebol
Brasileiro.
E a gestão de Ricardo Teixeira,
de se suportar até 2015 – e que, certamente, será renovada para um sétimo
mandato. É tão boa assim?
Pepe
Legal 17/07
É sempre a mesma coisa. Dunga convoca
o tal Afonso para a Seleção Brasileira,
todo mundo o crucifica. Parece que é pecado
convocar um jogador para a Seleção se não
conhecido aqui no Brasil. "É coisa
de empresário!", dizem. Não quero entrar
nos méritos de ser ou não jogador empresariado
com esquema para aparecer - de repente é.
Mas
o comentário que vem em seguida é... "Fulano
do Fluminense" ou "Cicrano do
Flamengo é bem melhor". Claro, sempre
um tentando puxar sardinha para time carioca.
"Dunga não tem como ver o Afonso jogar
porque nosso canal não passa jogo do Hereeveen".
OK. Por acaso Canal X ou Y de TV à cabo
é a única forma de um treinador de Seleção
avaliar jogadores? Seria a forma mais incorreta,
diga-se, quando a obrigação seria ir ao
Estádio ou espalhar olheiros. Procuraram
saber se Dunga faz isso? Longe de mim defender
o Dunga. Apenas não entendo quem critica
jogadores de times pequenos europeus - que
só estão lá porque tais times "pequenos"
são bem mais capacitados que nossos "grandes"
clubes.
E o interessante é... chamar
jogador de time grande europeu pode.
Pois
agora temos o Pepe. Desconhecido no Brasil.
O zagueiro do Porto, que muitos aqui provavelmente
achavam ser português, consegue transação
de 30 milhões de Euros para o poderoso Real
Madrid. Ninguém esperava - falava-se em
Riquelme, em Kaká... mas Pepe... que Pepe?
Natural
de Maceió, Alagoas, o zagueiro de 24 anos
começou sua carreira nas categorias de base
do Corinthians... Alagoano. Como acontece
com jovens jogadores promissores do Nordeste
do Brasil, Pepe logo conseguiu transferência
para um pequeno clube europeu - como na
maioria dos casos, um português de menor
expressão. Em 2001, então com 18 anos, Pepe
foi contratado para atuar pela Equipe B
do Club Sport Marítimo, então defendendo
a Série A da Segunda Divisão de Portugal.
Com
apenas 10 jogos Pepe convenceu Nelo Vingada,
então treinador do Marítimo, a subi-lo para
o Time Principal pela temporada 2002/03.
Além
de um bom defensor, Pepe também se mostrou
paciente no que se refere à sua carreira.
Recebeu ofertas de clubes grandes de menores
centros, como o Galatasaray da Turquia.
Ofertas altas, grandes cifras. Recusou,
certamente pensando "Vou trabalhar
mais. Consigo coisa melhor". (Aprendeu
como se faz, Alex?) Dito e feito. Mais uma
temporada e Pepe foi envolvido numa transação
com o FC Porto, campeão daquela temporada
na Liga dos Campeões. O zagueiro transferiu-se
com o Porto enquanto o Marítimo recebeu
o português Tonel. No Porto, Pepe conquistou
a Copa Intercontinental Toyota FIFA Mundial
Interclubes (ou seja lá qual for o nome
disso).
Passando pelo Porto em 2005,
o treinador holandês Co Adriaanse referiu-se
a Pepe como uma "arma secreta",
adiantando que, ao lado de Ricardo Quaresma
e Paulo Assunção, seria uma grande estrela
do futebol. Ainda é cedo para afirmar o
fato como realidade. Mas Pepe arrancou elogios
da imprensa lusitana e européia por suas
atuações na Liga Betandwin e na Liga dos
Campeões. Pepe foi de fato o homem de confiança
de Adriaanse, encaixando-se como uma luva
no esquema 4-3-3 do treinador. A verdade
é que Pepe realmente foi fundamental para
que o Porto conquistasse as Ligas Portuguesas
das temporadas 2005/06 e 2006/07, conquistando
também a Copa de Portugal nas em 06, e a
Supercopa de Portugal nesta última temporada.
Conhecido ou não no Brasil, tínhamos um
bom zagueiro em Portugal.
Com uma
carreira vencedora aos 24 anos de idade,
era inevitável que acontecesse o que aconteceu:
Pepe iria reforçar um grande Europeu - ou
melhor, um GIGANTE, uma vez que o Porto
pode ser considerado grande, certo? E nada
poderia ser melhor que uma transação de
30 milhões de Euros para o poderoso Real
Madrid. E finalmente Pepe ganha capa de
revista, de jornal e manchetes em noticiários
em seu país natal.
Agora que reforça
o principal time do mundo, Pepe automaticamente
ganha o aval de defender a Seleção Brasileira,
caso Dunga o queira?
Que time é teu? Stefan Lorax - 09/07
Companheiros, está
difícil. Olhar aqui para o Fanático Esporte Clube é ver um reflexo da atual
situação de clube de futebol brasileiro. Este que vos fala, canadense, mas
criado no Brasil, deveria torcer por um time do país, certo? Ao invés disso,
prefere o Tottenham Hotspur, da Inglaterra. O Thiago Leal, este brasileiro
genuíno, é torcedor do Huddersfield Town, também da Inglaterra – vive até
pedindo que a empresa o financie uma viagem para Huddersfield para cobrir um
jogo do Town. E o patrão Fanático, também brasileiro, é torcedor do AC Milan, da
Itália. Todos brasileiros – me considero brasileiro –, todos torcedores de
clubes europeus. E não adianta vir dizer que é porque é na Europa que estão os
craques, os melhores do mundo, os brasileiros, porque o tal Town que o Thiago
Leal torce amarga a terceira divisão inglesa.
A questão é, seja time de
grande porte como o Milan, de médio porte como o Tottenham ou de porte baixo
para pontos negativos em porte, como o Huddersfield Town, na Europa ainda
existem... times. Você acompanhar um time europeu num campeonato é acostumar-se
com sua escalação, é saber a numeração de cada jogador, é apaixonar-se por um
ídolo, é ver jogador por temporadas e temporadas consecutivas. Mesmo os times de
menos condições financeiras, como o meu Tottenham, que eventualmente precisam
vender jogadores, podem segurar os demais, podem ter ídolos com a cara do
time.
Para citar um exemplo sem ser parcial, vou a outro clube. O
Everton, da cidade de Liverpool. Há três anos, revelou um menino, um tal Wayne
Rooney. O garoto se segurou no Everton por duas temporadas profissionais (e mais
duas como amador, o que já é muito, uma vez que aqui no Brasil os meninos estão
saindo ainda no juventil). Depois do estouro no Euro 2004, foi para o Manchester
United se tornar um dos melhores centroavantes do mundo. Torcedor do Everton não
precisa pensar "Assim não dá! Não seguramos nossos melhores jogadores!", porque
o escocês James McFadden, um dos craques do time, está lá desde 2003. Ainda não
saiu. E, mesmo que saia, são quatro temporadas servindo ao clube. Dá para criar
uma identificação e, quando este rapaz sair, chamá-lo de ídolo. Dizer seus
feitos pelo time. Mais um? Alan Stubbs. Defendeu o clube por quatro temporadas,
entre 2001 e 2005. Saiu. Mas voltou. Está em casa, e deve ficar por aqui. Então,
vejamos uma revelação. James Vaughan, juvenil formado no clube. Está no Everton
há três temporadas. É mais que qualquer clube brasileiro segura. Ou então o meia
Leon Osman. Está no clube desde 1997, como juvenil. Como profissional, desde
2000. Suas únicas saídas foram por empréstimo, opção do próprio clube. Mas todos
são rostos familiares do torcedor. Todos no clube há tempo suficiente para virar
ídolo.
Vamos criar um paralelo entre o Everton, clube médio inglês, para
um gigante brasileiro, o Corinthians. William e Lulinha. Ambos estrearam no
profissional do Corinthians esse ano. Ambos devem sair. Já esse ano. O Lulinha
tem só 17, mas não deve demorar muito depois do Mundial Sub17. O William, dizem
que já tirou foto com a camisa do Benfica. Ambos foram apresentados ao clube na
Copa do Brasil de 2007. Betão, profissional desde 2005. Não tem três temporadas
completas. Dizem que está para sair. O mesmo vale para Marcelo Mattos, que
chegou em 2005 e já está de saída. Rápido, né? Alguns até demoraram. Segurar o
Mattos, o Betão por dois anos, tudo bem. Mas e o Lulinha e o William que não
completaram uma temporada? Outro clube. O Internacional. Alexandre Pato. Quando?
Final de 2006. Há quem fale em acerto com o Chelsea. Menos de um ano, já vai
sair. Não ganhou nada pelo clube – no Mundial da FIFA, sejamos justos, Pato foi
coadjuvante. Quem o ganhou foi Iarley, Índio, Fernandão, Clêmer. E, ainda assim,
pode-se chamar esse menino de ídolo?
Vejamos outro exemplo. Vagner Love.
Quanto tempo passou no Palmeiras? Menos de dois anos como profissional – 2003,
ano em que subiu ao profissional e jogou a Série B, e em 2004, antes mesmo de
terminar o ano, mudou-se para a Rússia. Ou mesmo o Diego, ídolo no Santos.
Completou duas temporadas no clube e mandou-se para o Porto. E o Rafinha,
revelação do Coritiba em 2005. No mesmo ano, foi para a Alemanha defender o
Schalke 04. E o Coritiba já está exportando seu ídolo do ano, o Pedro Ken.
Revelado esse ano, saindo esse ano também.
Como o torcedor vai criar
laços por um time assim? Hoje em dia torcer por futebol no Brasil é torcer por
uma camisa, não por um time – aliás, nem por uma camisa, já que elas mudam a
cada ano. É torcer por um distintivo, não por um time. Não temos ídolos por mais
que duas temporadas, não sabemos a escalação do time...
E é estranho ver
que aqui do lado, na Argentina, um país mais pobre que o nosso, clubes mais
pobres que os nossos, seguram jogador mais tempo que nós. Um exemplo? Rodrigo
Palácio. Tudo bem, está deixando o Boca Juniors depois de três temporadas. É
pouco. Mas vale lembrar que, quando estava há uma temporada no clube apenas, foi
jogar a Copa do Mundo. Voltou para o Boca e jogou mais duas temporadas lá.
Alguém duvida que fosse um brasileiro, iria jogar a Copa do Mundo e sequer
voltaria?
Então, me pergunto... por que torcer por clubes que sequer são
times? Dessa forma, nossos torcedores vão todos migrar para o futebol
europeu.
Dessa forma, eu prefiro dizer... Tottenham, não posso sorrir
sem você. Alguém consegue visualizar, 10
anos atrás, como Corinthians ou Palmeiras
se encaixariam perfeitamente nessa frase?
Acima dos direitos humanos Stefan Lorax - 02/07
Em 21 de maio de
1904 uma assembléia ordinária em Paris concebeu a FIFA, Federação Internacional
de Futebol Association, que tinha, por princípio, organizar e unificar o futebol
ao redor do mundo. Inicialmente, apenas sete países enviaram suas federações
para fazer parte deste que seria o embrião da maior organização do mundo:
França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Espanha, Suécia e Suíça.
Depois de
41 anos e duas guerras mundiais, o planeta vira surgir uma nova grande
organização: a ONU, Organização das Nações Unidas, fundada em 24 de outubro de
1945, inicialmente por 51 países. Um bom número, não?
A ONU é responsável
pelo que é considerado mais famoso decreto do mundo, a Declaração Universal dos
Direitos Humanos. Já a FIFA é detentora do troféu mais cobiçado do planeta: a
Copa FIFA, disputada pela mais importante competição esportiva da história, a
Copa do Mundo de Futebol.
Em sua empreitada tecnicamente visando um mundo
melhor, é interessante observar que FIFA e ONU caminham juntas. Ambas fazem
parcerias famosas, como atletas de futebol filiados à FIFA que representam a
UNESCO e a UNICEF, levantando fundos financeiros para os órgãos que,
respectivamente, buscam uma melhor conservação cultural e preservação da
infância e juventude ao redor do planeta. O brasileiro Ronaldo e o francês
Zinedine Zidane são exemplos famosos de jogadores que também atuam como
embaixadores da UNICEF. Partidas beneficentes, como o jogo entre a Seleção
Brasileira de Futebol e a Seleção do Haiti, em 2005, também são práticas comuns
de seleções filiadas à FIFA que agradam a ONU.
É notável que o Barcelona,
clube espanhol, quebrou uma tradição de 107 anos, pondo pela primeira vez em sua
história uma marca na sua camisa. E é justamente a marca da UNICEF. O mais
interessante é que, ao invés de receber dinheiro para estampá-la, o Barcelona
paga à UNICEF uma quantia anual de 1,9 milhões de dólares. Claro que seria
ingenuidade de nossa parte dizer que o Barcelona divulga a UNICEF sem fins
lucrativos. Afinal de contas, tudo isso faz parte do marketing do clube para
vender uma boa imagem – e não duvide que, dando esses US$1,9 à UNICEF, o
Barcelona faz uma imagem tão boa que acaba atraindo patrocinadores que superem
esse valor. Ainda assim, o clube prova seu lema de “Muito mais que um
clube”.
Também há em comum entre FIFA e ONU o interesse em atuar em prol
da África, por um melhoramento social do continente. Todos sabemos que isso
nunca vai acontecer, mas se existem organizações
de importância mundial, é dever delas brigar pela causa, ainda que em
vão.
Resumindo, falar em ONU e em FIFA é tratar das duas maiores e mais
importantes organizações do mundo. Uma vai em seus 103 anos e é apenas um órgão
voltado às regulamentações de um esporte de interesse global. A outra já teria
mais importância, sendo uma entidade que visa o melhoramento
economico-socio-cultural do mundo.
A FIFA, no entanto, é maior que a
ONU.
Prova disso? A FIFA tem 208 nações filiadas, enquanto a ONU conta
com 192 estados-membros. Esses 16 países que fazem parte da FIFA e não são
filiados à ONU são:
Palestina e Taiwan
(ou China Taipei), da Ásia, membros da AFC – Confederação Asiática de Futebol. A
Palestina é considerada uma nação, mas não um estado, por não ser detentora de
um território, por isso não faz parte da ONU. Já Taiwan é considerada uma
república rebelde por parte da China – que também não é tecnicamente filiada à
ONU, apenas detém cadeira de observadora, mas não entra na
conta.
Ilhas
Faroe, da Europa, membro da UEFA – União Européia de
Futebol Association. As Ilhas Faroe não são um estado independente, mas sim uma
região autônoma filiada à Dinamarca, por isso não fazem parte da ONU como um
país.
Anguilla, Ilhas Turcas e
Caicos, Ilhas Virgens
Americanas, Ilhas Virgens
Britânicas, Ilhas Caymans, Aruba, Bermuda, Montserrat e Antilhas
Holandesas, do Caribe, filiadas à CONCACAF –
Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe. Aruba e as
Antilhas Holandesas são territórios autônomos da Holanda; as Ilhas Virgens
Britânicas, Ilhas Turcas e Caicos, Anguilla, Aruba, Bermuda e Montsserat são
colônias britânicas; e as Ilhas Virgens Americanas são dependências dos Estados
Unidos da América. Como todos esses países não são considerados nações
independentes, não fazem parte da ONU como tal.
E por fim, na Oceania,
temos o Taiti, a Nova Caledônia, as Ilhas
Cook e a Samoa
Americana, filiadas à OFC – Confederação de Futebol da
Oceania. Os dois primeiros são territórios de posse da França; as Ilhas Cook
fazem parte do Império Britânico, e a Samoa Americana é território de
dependência dos Estados Unidos da América. Desta forma, nenhum é membro da
ONU.
Também temos as nações que não são filiadas nem à ONU, nem à FIFA,
mas fazem parte de federações locais de futebol. É o caso de Guadalupe, Guiana
Francesa, Martinica e Saint
Martin, de protetorado francês; e Sint Maarten, território holandês – todas filiadas à CONCACAF; ou das Marianas
Setentrionais, território estadunidense, e Niue,
mais uma ilha de protetorado britânico, ambas localizadas na Oceania e filiadas
à OFC.
E até mesmo países que fazem parte da ONU e não fazem parte da
FIFA, como é o caso de Kiribati, Palau,
Micronésia e Tuvalu, na Oceania, jogam futebol filiadas à federação local, a OFC.
Ou
seja, o futebol é praticado em todas as partes do
mundo, sejam elas reconhecidas politicamente ou não. O
futebol,em pleno Século
XXI, supera os Direitos Humanos. E ainda dizem que é só um
jogo...
A Grande Hipocrisia Stefan Lorax -
25/06
Existem grandes
motivos para um clube ser campeão. Um grande treinador, um grande elenco, um bom
esquema tático ou às vezes até um único jogador que se destaque. E, em alguns
casos, sorte, muita sorte – como a Grécia em 2004, campeã da Eurocopa, ou o Once
Caldas da Colômbia, que no mesmo ano venceu a Copa
Libertadores.
Estranha-me, no entanto, que um clube use seu hino
como motivo principal para ganhar um torneio. Ainda mais um torneio difícil como
a Libertadores, contra um adversário difícil – o Boca Juniors.
O Grêmio
fez um primeiro jogo horrível. O time gaúcho simplesmente não fazia a bola
chegar ao ataque, não passava pela boa marcação imposta pelo Boca Juniors e
sempre que tomava um contra-ataque veloz por parte dos argentinos, se
desesperava e não conseguia armar a defesa. Palácio e Palermo simplesmente não
tinham marcação, e o placar de 3x0, com gol ilegal ou não, com gol contra ou
não, foi merecido por parte dos argentinos.
A imprensa brasileira, no
entanto, deu a entender bem o contrário. Primeiro, apontou o Grêmio como melhor em campo, merecedor da vitória. Sem
dúvida, uma análise bem errada do que foi a partida – onde o Boca Juniors, que
não permitiu que o Grêmio jogasse, foi bem superior. Segundo, afirmando que uma virada iria
acontecer. Tudo bem que a torcida tenha fé, tenha esperanças que uma virada pode
acontecer – e, de fato, poder, poderia. Mas, segundo a mídia colocava,
essa virada ia acontecer, indubitavelmente. Não é muita
inocência – ou hipocrisia – achar que, depois de tomar de 3x0 fora de casa, uma
virada vai acontecer com certeza? Porque, quando se noticiava que o Grêmio iria vencer o jogo, se
posicionava isso com grande certeza, como se o Grêmio fosse favorito. E
terceiro, e por fim, era o motivo pelo qual se
atribuía ao Grêmio essa vitória: a história do imortal tricolor, no hino do
clube.
Ora essa... venhamos e convenhamos, hino ganhasse jogo, o
Corinthians seria o campeão dos campeões. Hino, no entanto, nada mais é que uma
música parcial e apaixonada que nada tem a ver com o que o clube é de verdade. E
tivemos que agüentar uma semana, entre a derrota por 3x0em La Bombonera, até o jogo de volta no Olímpico, ouvindo que o Grêmio
era o “imortal tricolor” e venceria o jogo. Ou seja, o favoritismo ao clube
gaúcho foi imposto por uma frase em seu hino.
Tudo bem que a torcida
aceite isso como consolo, que acredite que o time vai virar – afinal, esse é o
papel do torcedor. Mas a imprensa fez disso realidade. Não havia um portal, um
canal de TV que falasse na possibilidade do Grêmio perder o jogo. Usavam
argumentos horríveis, como a tal da Batalha dos
Aflitos, o jogo com o Náutico onde o Grêmio venceu não
por méritos, mas por incompetência do Náutico; e a final do Gauchão
deste ano, onde, após levar 3x0 do Caxias em Caxias do Sul, o Grêmio reverteu
para 4x0em casa. P*t*
que pariu! Era do BOCA JUNIORS que estávamos falando. E o pior...
diziam “esse Boca não é isso tudo!”. P*T* QUE PARIU! O Boca não era só Riquelme.
Palácio, Palermo, Battaglia, Silvestre, Ibarra, Rodríguez, Diaz, Ledesma... o
Boca tem um grande
elenco, infinitamente superior ao do Grêmio. E, hoje em
dia, sempre que se fala no Boca, a imprensa brasileira tenta diminuir o clube o
comparando com o timaço de 2000/2001, bi-campeão da Libertadores. Ora, não é o
mesmo Boca, mas meteu 3x0 no Grêmio. Por que subestimar?
O pior de tudo é
que o Grêmio, o clube, os jogadores, o treinador Mano Meneses, aceitou o oba-oba
criado pela imprensa sobre um time que perdeu por 3x0, que jogou mal, que se
baseava num hino para ganhar um título. O Grêmio aceitou o
favoritismo, entrou em campo na quarta-feira passada
cheio de si, crente que iria vencer, de fato, a partida por 4x0.
Quando
saiu do campo após o termino do frustrante primeiro tempo, onde o Grêmio, muito
marcado, mal deu dois chutes a gol, o zagueiro Teço comentou à TV: "A gente tá
indo com muita pressa, querendo resolver rápido demais". E era mais ou menos
isso. O clima de oba-oba que se criou fez com que o Grêmio
acreditasse que viraria o jogo no primeiro tempo. Não era bem assim.
E,
quando o time percebeu que, no segundo tempo, não iria virar o jogo, ele surgiu.
Riquelme, o mesmo que a imprensa brasileira disse que não precisava de marcação
individual – mesmo engano que cometeram com Zidane na
Copa do Mundo – apareceu em duas ocasiões desmarcado e decidiu o jogo. Marcou
dois golaços, humilhou o Grêmio no Olímpico.
Ainda tivemos tempo para que
Palermo fizesse o que mais gosta – perdesse pênalti.
Não entendo por que
a torcida gaúcha aplaudiu o Grêmio ao final do jogo, e porque a imprensa pagou
uma de guerreiro ao tricolor. Precisando vencer por 3x0,
pelo menos, o Grêmio não deu mais que cinco chutes a gol na final – estou sendo
generoso. O Grêmio teve 180 minutos, tomou cinco gols e não marcou nenhum
– e o pior. Não lutou, em momento algum, com garra, para sequer chutar a gol.
Então? Onde estava o imortal tricolor que a imprensa pintou? E onde está o
guerreiro que foi falado ao final do jogo?
Quanta hipocrisia.
Tudo
isso me lembra a final de 2003, entre Santos
e Boca – eles de novo, quando, após perder
por 2x0 em La Bombonera, a imprensa brasileira
afirmava o Santos favorito para o jogo de
volta e virtual campeão da Libertadores,
causando um oba-oba desnecessário, comparando
o clube ao de Pelé, campeão em 1963, sobre
o mesmo Boca. E era óbvio que, mais time,
o Boca era o favorito para vencer o torneio,
ainda mais tendo levado o primeiro jogo
por 2x0. Me pergunto porque a imprensa brasileira
não abre mão do ufanismo, do orgulho e da
hipocrisia e não admite que o adversário
é, por acaso, superior. Quem sabe assim
não exista a possibilidade do time brasileiro,
em desvantagem, pôr os pés no chão e, com
consciência, encontrar uma forma de vencer
a partida. Mesmo que ela não seja citada
no seu hino.
O preço da história Stefan Lorax -
18/06
Em primeiro lugar,
que fique claro... este colunista é torcedor do Tottenham Hotspur. Os clubes
mencionados aqui, portanto, não têm nenhum fundo de parcialidade.
Ano
passado vi alguns apelidos de amigos são-paulinos na lista de contatos do
programa Microsoft MSN Messenger com a seguinte mensagem: Quem comemora invasão é
sem-terra. Time de futebol comemora títulos. Obviamente,
era uma sátira aos 30 anos da famosa “Invasão Corintiana”, de 1976, pelas
semifinais do Campeonato Brasileiro, quando a torcida alvinegra lotou o Maracanã
para o duelo contra o Fluminense.
Ora... este torcedor sabe o quanto é
importante ganhar e comemorar títulos. Mas será que só se
comemora isso mesmo? Será que título
é tudo no futebol?
Vejamos... o que se guarda de memorável na Copa de
1974? Talvez um cidadão chamado Johan Cruyff, e uma seleção holandesa apelidada
Laranja
Mecânica, certo? Foi a campeão? Não... acho que não. A
Alemanha levou o título. Vejamos um evento semelhante... Campeonato Paulista do
mesmo ano, 1974. O que tem de memorável nesse Paulistão? Garanto que o
vice-campeonato do Corinthians (corintiano adora uma derrota...) é bem mais
comentado que... o título do Palmeiras. O Paulistão de 74 ficou
marcado como o ano que o Corinthians deixou escapar a chance de sair da fila, e
Rivelino fez sua última partida pelo clube.
Caso parecido verificamos em
2000. Romário fez uma temporada arrasadora. O Vasco venceu a Copa João
Havelange. Mas o São Caetano de Adhemar e Esquerdinha é o que marcou naquele
conturbado ano – que só se encerrou em 2001, depois das confusões pós-queda de
arquibancada em São Januário.
Até mesmo com tragédia podemos lembrar
casos onde a
história supera o título. Por exemplo... Heysel por
acaso lembra o título da Juventus? Eu diria que lembra mais o violento incidente
com os torcedores do Liverpool que matou 39 torcedores da equipe italiana. Ou o
Paulistão 98, que, ao invés de ser lembrado pelo título do São Paulo após seis
anos da conquista, com direito a retorno do Raí, ficou mais marcado pela derrota
da Portuguesa na semifinal, diante do Corinthians, onde a Lusa foi
vergonhosamente prejudicada pela arbitragem.
João Saldanha foi demitido
do cargo de treinador da Seleção Brasileira de Futebol quando desafiou a
autoridade do Presidente Médici, que declarara que gostaria de ver Dadá
Maravilha na Seleção, e proferiu a famosa frase: O presidente que escale o eu
ministério. Quem escala a Seleção sou eu. Com Saldanha
expulso, entrou no cargo Zagallo, e muita gente diz que aquele era o time de
Saldanha, tirando injustamente todos os créditos do Velho Lobo. Mas, bem...
Zagallo fez uma modificação vital para que o título de 70 viesse: subiu Rivelino
ao time titular – coisa que Saldanha se recusava a fazer. Ainda assim, Saldanha
virou mártir após o episódio. Tornou-se lenda. Uma demissão com tanto peso quanto
um título.
Voltando para casos mais
felizes e menos trágicos, qual a maior fama do Flamengo? Zico? Libertadores?
Copa Toyota? Eu diria que é ter a maior torcida do Brasil. É Flamengo,
o mais
querido, e não Flamengo, o campeão da Libertadores de
81. Já o Clube Atlético Mineiro é conhecido por ser o
time da raça, de onde vem o mascote galo. E essa virou a
marca de sua torcida – e uma arma contra o rival Cruzeiro, dono de conquistas
mais importantes.
Quanto ao meu querido Tottenham? Os Spurs
só têm dois títulos ingleses. E sabem quais são dois dos
fatores da fama e da longevidade do Tottenham? Seu estádio White Hart Lane e...
sua rivalidade com o Arsenal – um clube infinitamente mais vencedor. Ou seja...
o Tottenham acaba sendo mais famoso que equipes inglesas dotadas de conquistas
mais importantes – como por exemplo o Aston Villa, que já levantou a Copa dos
Campeões da UEFA – simplesmente por ser rival do Arsenal.
E o próprio
Campeonato Brasileiro de 1976 é mais lembrado pela Invasão Corintiana que pelo
título do Internacional.
Ou seja... um clube de futebol não vive apenas
de títulos. Ganhá-los é bom, mas ter uma
infinidade de títulos e não ter histórias
e acontecimentos lendários para contar o
torna um clube insípido. Porque, títulos
jamais são esquecidos, afinal de contas,
eles estão registrados nas estatísticas.
Mas histórias, elas, além de impagáveis,
não estão registradas em livros ou estatísticas.
Elas jamais são esquecidas por outro motivo:
carisma. E carisma não é ganho através de
títulos.
No próximo trem para o México Stefan Lorax -
11/06
Muito além de
Chaves, Chapolin, Thalia, crenças em extraterrestres e do personagem fictício
Santiago Muñez da saga cinematográfica Gol!, o
México tem futebol – e dos bons. Uma prova disso é o que os mexicanos fazem na
Libertadores da América...
Os clubes mexicanos passaram a disputar a
Libertadores em 1998. Naquele ano o país dos astecas e da pimenta teve dois
participantes: os tradicionais América e Chivas Guadalajara, que disputaram um
grupo pré-Libertadores contra Caracas e Atlético Zulia, ambos da Venezuela. Os
convidados da América do Norte passaram, foram posicionados no mesmo grupo de
Vasco e Grêmio e eliminados na primeira fase.
No ano seguinte, apenas um
representante: o Monterrey, num grupo com Nacional (URU), Estudiantes de Mérida
(VEN) e Bella Vista (URU). O grupo oferecia três vagas nas oitavas-de-final. O
Monterrey ficouem quarto.
O que p*rr* os mexicanos estavam fazendo na Libertadores,
afinal?
Em 2000, o América deu a resposta. Representando a terra da
artista plástica Frida Kahlo ao lado do Atlas, o mais popular time mexicano foi
até a semi-final, e acabou eliminado pelo futuro campeão Boca Juniors. Longe,
hein? Em 2001 o Cruz Azul, rival do América, chegou ainda mais longe: final,
perdendo... também para o Boca Juniors. E, em 2002, mais uma vez o América chega
na semi-final, eliminado pelo nosso São Caetano.
Depois de 2003 e 2004
sem aparecer entre os finalistas, o México foi bem representado nas duas últimas
edições da Libertadores, pondo o Chivas Guadalajara nas semi-finais.
Isso
para não citar a Copa Sul-Americana, onde as duas últimas finais teve presença
de equipes mexicanas: o Pumas em 2005 e o Pachuca no ano passado, este último
sendo campeão do torneio. Mas vamos nos ater à Libertadores, já que ela é o
problema em questão na coluna.
É inegável que os times mexicanos têm
elevado o nível da Libertadores – uma vez que o nível dos times argentinos e
brasileiros têm caído cada vez mais, devido à migração dos nossos principais
jogadores para o mercado Europeu. O problema é... quando o México ganhar uma
Libertadores, a CONMEBOL e a FIFA terão um grande abacaxi nas mãos.
As
equipes mexicanas são filiadas à CONCACAF e disputam a Copa dos Campeões da
CONCACAF – que vale vaga no Mundial de Clubes da FIFA. Foi assim que em 2005 o
Saprissa jogou o Mundial, e o América o fez ano passado. Esse ano, numa final
mexicana, o Pachuca venceu a competição e jogará o Mundial da FIFA 07. Aliás,
das últimas dez finais, oito teve times mexicanos, sendo quatro delas disputada
entre mexicanos – e das 42 edições do torneio, em 34 o México teve campeão ou
vice – ou os dois.
Ou seja, para uma equipe mexicana, tanto fez como
tanto faz ganhar ou não a Libertadores. É apenas mais um torneio. Por isso o
América pôs time reserva para enfrentar o Santos nas quartas-de-final da atual
Libertadores – priorizando o Campeonato Mexicano! O problema A... se os
mexicanos são convidados para elevar o nível da Libertadores, mas esses times
mexicanos põem time reserva na competição para priorizar o Campeonato Nacional –
enquanto as sul-americanas fazem o contrário – por que convidá-los?
Mas o
problema principal é... se um mexicano ganha a Libertadores? Ele não
disputa o Mundial da FIFA. Por quê? Ora... porque quem representa a CONCACAF é o
Campeão da Copa dos Campeões da CONCACAF. A CONMEBOL precisa também ter um
representante – que seria um clube da CONMEBOL... ou seja, o vice-campeão.
Agora, imaginem, por exemplo, o América vencendo o Boca Juniors numa final de
Libertadores. Quem vai para o Mundial da FIFA? O Boca. O vice-campeão. Qual o problema disso? Ora...
Todo mundo sabe como o clube
europeu chora com o calendário quando tem de disputar o Mundial da FIFA. Nos
tempos da Taça Intercontinental, antes do patrocínio da Toyota, em algumas
ocasiões do Campeão Europeu se recusou a jogar o torneio, deixando para o
vice-campeão. Isso aconteceu em 1979, quando o Nottingham Forest (ING) cedeu sua
vaga ao Malmö (SUE), que perdeu para o Olímpia (PAR); em 1977, quando o
Liverpool (ING) abriu mão e o Borussia Mönchengladbach (ALE)
jogou a Taça, e a perdeu para o Boca Juniors (ARG); em 1974, onde o Bayern de
Munique (ALE) não teve interesse, e o Atlético de Madrid (ESP) foi campeão
vencendo o Independiente (ARG); em 1973, com a desistência do Ajax (HOL),
abrindo vaga para a Juventus (ITA) perder do Independiente (ARG); e em
1972, a primeira vez que isso
aconteceu, quando o Ajax (HOL) fez o mesmo e o Nacional (URU) bateu o
Panathinaikos (GRE).
Houve também 1975 e 1978, quando ambas as
equipes, sul-americana e européia não disputaram.
Claro, sem
esquecer 1993, quando o Olympique Marseille (FRA) não jogou o torneio – mas,
neste caso, foi punido, por escândalo envolvendo compra de jogos do Campeonato
Francês, e o vice-campeão Milan (ITA) – rá! – foi ao Japão perder do São Paulo
(BRA).
Ou seja... não é de hoje que o tal do Europeu chia na
hora de disputar o Mundial... a FIFA pressiona, a UEFA faz corpo-mole, mas, com
má vontade ou não, desde 1994 pra cá, incluindo os dois Mundiais da FIFA em 05 e
06, o Europeu acaba indo ao Japão jogar a tal da decisão.
Isso
nos leva de volta ao problema do Mexicano e da Libertadores. Se um Mexicano
vence, a América do Sul será representada por seu vice-campeão, oficial e legalmente. Isso vai dar
espaço para o Campeão Europeu alegar que também tem direito de não querer
disputar a competição, abrindo a vaga para o vice-campeão, sem ser punido? E se
esse também não quiser?
Sentiram o drama?
É
melhor CONMEBOL pensar nas possibilidades... e estudá-las junto a FIFA, CONCACAF
e UEFA.
Tentando escrever certo por linhas tortas Stefan Lorax - 04/06
Esta semana,
escreveria sobre os mexicanos na Libertadores da América. Mas por um motivo de
força maior, sobre o qual você lerá nos parágrafos abaixo, adio a coluna para
semana que vem. Hoje, fiquemos com uma homenagem a alguém mais
importante.
Mais uma vez, Ryan Giggs vira uma página em sua história.
Depois de completar 700 jogos com a camisa do Manchester United (cheque meu
histórico em Último
romântico, no dia 12/03), o talentoso meia-esquerda
galês encerrou neste sábado sua carreira à frente da Seleção do País de
Gales.
O anúncio foi feito na última quarta-feira, dia 30, quando
apresentado para representar o País de Gales contra a República Tcheca, em
Cardiff, capital de seu país, pelas eliminatórias do Euro 2008. O jogo terminou
empatado em 0x0. Giggs tentou quatro chutes a gol, sofreu duas faltas e apareceu
uma vez em impedimento. O País de Gales nunca fez nada de muito grandioso, não
seria diferente hoje.
Giggs, que defende a Seleção desde 1991, capitão
desde 2004, completou neste fim-de-semana 64 jogos com a camisa de seu país.
Marcou 12 gols e encerra uma passagem bem menos brilhante que sua história no
Manchester United. Essa trajetória frustrante à frente de seu país o põe ao lado
de craques como George Best (com quem Giggs é freqüentemente comparado) ou
George Weah, que nunca tiveram a oportunidade de jogar uma Copa do Mundo ou
Eurocopa (no caso de Best) devido ao baixo nível de suas seleções como um
todo.
Talvez esse seja o motivo pelo qual Giggs nunca se entusiasmou
muito para jogar por sua Seleção – embora seja consenso entre fãs e críticos que
Giggs carregue o time nas costas. Gales não participa de uma Copa do Mundo desde
1958, quando foi eliminado pelo Brasil – num jogo marcado pelas apresentações de
Pelé e Garrincha. Ironicamente, é justamente contra a Seleção Brasileira a
última grande apresentação de Giggs por sua Seleção. Em setembro de 2006, Giggs
jogou na derrota de 2x0 dos dragões para a Seleção Brasileira. Ao final da
partida, Dunga foi cumprimentar Giggs e o disse que ele teria lugar na Seleção
Pentacampeã Mundial, junto com Kaká e Ronaldinho – levando em conta até que
Giggs é melhor que ambos. Hora, um cumprimento que se assemelha um pouco ao de
Pelé, que cumprimentou Best e o chamou de "melhor do mundo na
atualidade".
O amistoso aconteceu em White Hart Lane, a lama sagrada do
meu, do seu, do nosso querido Tottenham Hotspur – e, dizem as más línguas, Giggs
se transferirá para o Tottenham temporada que vem, onde encerraria sua carreira.
Nada me deixaria mais emocionado, certamente.
Além do fato de ser Galês
atrapalhar o desenvolvimento de Giggs como jogador – certamente, estamos falando
do segundo melhor futebolista dos anos 90/2000, atrás apenas do Semideus
Zinedine Zidane – o estilo de vida reservado de Giggs o ajudou a manter certo
anonimato. É nesse ponto que Giggs se difere de seu equivalente maior, George
Best. Casado com a modelo Stacey Cooke – recentemente eleita a mais bela mulher
de jogador de futebol pela revista inglesa Nuts –
e pai de dois filhos, Zach e Liberty, assim como Zidane, Giggs sempre preferiu
uma vida pacata à badalação a que se submete Ronaldo, Ronaldinho ou David
Beckham, e às bebedeiras de Best e Paul Gascoigne. Giggs figurou em poucas
campanhas publicitárias, se levarmos em conta os nomes citados – a mais
relevante seria a Reebok, e essa discrição o ajudou a ser menos percebido que
David Beckham e Roy Keane no Manchester United.
Pouco importa. Futebol se joga
dentro do campo, e foi lá que Giggs desempenhou bem mais que Beckham, Keane ou
Ronaldo. E nunca precisou de holofotes também. O carinho de uma torcida fanática
como a do Manchester é o melhor reconhecimento que um jogador pode receber –
além de sua fortuna, é claro.
A grande ironia é... o segundo maior
jogador britânico de futebol de todos os tempos – atrás apenas de Best – se
despede de sua Seleção sem grandes feitos, assim como Best. E o País de Gales
agora fica aos cuidados dos pés de... Craig Bellamy? Meu Deus! Isso me faz
voltar a considerar hipótese de suicídio.
E isso me lembra... a camisa
reserva de Gales é verde-amarela, a primeira, vermelha. E meu sonho sempre foi
ver Giggs vestir outras camisas com a mesma cor: Canadá ou Brasil. Faria bem
melhor que certos malabaristas.
Curiosidade: Giggs tem um irmão, Rhodri Giggs, que joga de meio-campo pelo time
amador United of Manchester, formado pelos torcedores do
United.
Futuro para o País de Gales: David Contterill,
Craig Davies, James Collins e o goleiro Jason Brown são as esperanças de um
futuro melhor para os dragões, que sonham em disputar as Copas do Mundo
de 2010 e 2014.
Ryan Giggs: Fôssemos eleger uma Seleção do Reino
Unido de todos os tempos, jogaria na ponta-esquerda,
à frente de George Best e ao lado de Steve
Archibald. Nomes para quem gosta de um futebol
bem-jogado, coisa que brasileiro esqueceu
como se faz.
Show... de
horrores Stefan Lorax - 28/05
Já não
me bastava versões bizarras de futebol como praia e soçaite, que deveriam servir
apenas como recreação, diversão, e insistiramem profissionalizar.
Coisa mais sem graça. Mas sempre têm que inventar alguma coisa
nova!
Enrico Salazar, “o homem mais irado da cidade” na revista Placar,
comentou certa vez que a única variação do bom e velho futebol que se aceita é o
futebol de salão – o resto é profanação. De acordo! Afinal de contas, só aqui no
Brasil, de variação de futebol temos o futebol de areia/praia, futebol soçaite,
futebol de sabão (?), futins (futebol + patins), futevôlei (futebol + vôlei)...
ora essa! Que porra é essa? E ainda me dizem que minha idéia de juntar futebol
com hóquei no gelo é absurda! Por que, mediante a essa palhaçada toda?
E,
como se já não tivéssemos visto de tudo, me inventam esse tal de Showbol.
Trata-se de um jogo
semelhante ao futebol de salão, no entanto, a bola não sai das dependências do
campo, pois possui tabelas – e aqui não existe o artifício da lateral. O campo possui uma dimensão
de 22x42 metros, podendo ser disputado também com uma arena de 24x44m. A
quantidade de jogadores em campo é seis – cinco na linha e um no gol. Um a mais
que no salão, um a menos que no soçaite. A mesma quantidade de jogadores do
hóquei
no gelo.
Se o tal showbol
não passasse de uma brincadeira, como era no começo, vendo Careca e Maradona
exibindo suas habilidades circenses... tudo bem! Valeria à pena. No entanto,
começaram com onda de fazer campeonato “sério” – já temos, no Brasil, o Torneio
Rio-São Paulo de Showbol – e a mídia vem tentando empurrar goela abaixo. Assim,
ninguém agüenta. E essa palhaçada vem de longas datas...
Um pouco de
história O MEU Canadá possui Liga
Profissional de Showbol! A Alemanha também! E essa tosquice existe desde...
1969! Exatamente... não é coisa nova. O criador do Showbol é o húngaro Joe
Martin, ex-jogador do Ferencváros, que, no fim da carreira, foi jogar no Canadá.
Na Terra Santa, Martin resolveu juntar o futebol de campo com o futebol de salão
e o esporte mais popular do Canadá... o... hóquei no
gelo. Sim, o elemento “tabela”, que faz com
que a bola não saia de campo, vem do meu esporte preferido! MARTIN! Você
fez TUDO ERRADO!
O Showbol existe
aqui no Brasil desde 1970, trazido por Francisco Monteiro. Muito bem,
filho...
Brincadeiras à parte Tudo bem que Martin tenha tornado seu sonho de juntar futebol e hóquei
uma realidade – ele mal espera para ver a minha versão de futebol e hóquei.
Tudo bem que o Francisco Monteiro tenha trazido a brincadeira para o Brasil,
afinal, aqui se joga futebol até com castanholas nos pátios dos colégios. Tudo
isso faz parte de nosso folclore popular. E, tudo bem que, no meu Canadá, exista uma Liga
Profissional de Showbol – afinal, meu país ainda não descobriu os prazeres do
futebol de fato.
Mas é absurdo querer que vocês, brasileiros – bom,
também me considero brasileiro porque tenho nacionalidade – pentacampeões
mundiais, com tradição no esporte das massas, seja obrigado a ver times como
Flamengo, Corinthians ou Palmeiras disputar competitivamente essa brincadeira de
mal-gosto. Isso é um “esporte” para exibição apenas!
Em
2006 Aconteceu até Mundialito de
Showbol vencido, claro, pela Seleção
Brasileira – quem mais levaria brincadeira
a sério senão brasileiros?
E o Torneio
Rio-São Paulo... Está em jogo! A Rede
TV! televisiona e tem quem goste e assista. Mas, como falei, não deveria ser
levado à sério.
Concluindo... Que
fique bem claro... não sou contra essas brincadeiras. Mas não deveriam passar
disso – brincadeiras. Claro que já me
diverti jogando futebol na praia, embora, sendo canadense, tenha queimado toda a
pele e ficado uma semana em casa ouvindo as besteiras da minha esposa mexicana
Lupita Herrera.
Também já joguei soçaite com alguns bons amigos bebendo
de bem com a vida. Tudo isso é divertido... mas profissionalizar é absurdo!
Sendo assim, por que não profissionalizam também o futebol de mesa (botão) ou o
pebolim (totó)?
Para saber mais... http://www.showbol.com/ Por sua
conta e risco.
Segredo de
Estado Stefan Lorax - 21/05
Como foi adiantado
na semana passada, esta semana escrevo sobre uma importante questão para o
equilíbrio do Campeonato Brasileiro: os Campeonatos Estaduais.
Muito se
teme hoje em dia que acabem os Campeonatos Estaduais. Para Paulo César
Vasconcellos, jornalista da SporTV, se acabarmos os Estaduais, seria melhor que
acabássemos também com as segundas-feiras – pois os Estaduais proporcionam a
alegria e tristezas dos torcedores no dia mais chato da semana, como um
flamenguista chegando no trabalho e zoando o vascaíno pela perda da Taça
Guanabara, ou o atleticano que chega à escola ansioso, enquanto os cruzeirenses
evitam cruzar olhares após humilhação na primeira partida da final do
Mineiro.
A
tradição Aos que temem que os Estaduais sejam
extintos, descansem. Isso nunca vai acontecer. Só para começo, e também final de
história, os Estaduais têm tradição demais pare ser encerrados – e todos sabemos
que torcedores e dirigentes brasileiros ficam de quatro pela questão das
tradições. Além do mais, existem as federações estaduais que lucram e se
interessam pela realização de seus campeonatos. Para se entender melhor a
tradição, basta dizer que, enquanto o Campeonato Brasileiro começou apenas em
1971, o Paulista teve sua primeira edição em 1902, o Baiano em 1905, o Estadual
do Rio (erroneamente chamado Carioca*) em 1906, o Mineiro em 1915 e o Gaúcho em
1919. São anos de tradições para que as federações possam abrir
mão.
O Fator
Equilíbrio – Desequilíbrio Os Estaduais contribuem
para o fator da imprevisibilidade do futebol brasileiro que foi dado nesta
coluna semana passada. Muitas vezes um time que vem de uma boa temporada
anterior quebra a cara no Campeonato Estadual e enfraquece-se para o restante da
temporada, enquanto o time que veio destruído numa temporada anterior
recupera-se através do Estadual. Por exemplo... o Cruzeiro não fez uma boa
temporada em 2002. Mesmo com o Planejamento Luxemburgo e encerrando o ano com
cinco vitórias consecutivas – na 9ª colocação – ser eliminado enquanto o
Atlético MG conseguiu classificar-se para a fase seguinte do último Brasileirão
com matas-matas é considerado um fracasso para o Cruzeiro. Foi em 2003, ganhando
o Estadual de forma invicta, que o Cruzeiro determinaria que aquele seria seu
ano. Por outro lado, o Grêmio que encerrou um bom ano em 2002, classificando-se
para a Libertadores da América, viu no Gauchão de 2003, ano de seu centenário,
seu primeiro fracasso, terminando em 6° lugar, num ano onde quase fora rebaixado
para a Série B do Brasileirão.
A
rivalidade Foi nos Estaduais que surgiram as
rivalidades entre nossos clubes. Os primeiros Fla X Flu, Botafogo X Fluminense,
Corinthians X Palmeiras ou SanSão saíram nos Estaduais. Foi no Estadual do Rio
que vimos o Flamengo ganhar três Campeonatos seguidos em cima do Vasco e
sacramentar a fama de “vice” do alvinegro. A questão da rivalidade dentro dos
estaduais é tão forte que até a década de 90, o Campeonato Estadual era mais
valorizado que o Campeonato Nacional ou competições internacionais. Foi num
estadual que caíram os jejuns de Corinthians (1977), Botafogo (1989) e Palmeiras
(1993). Agora, pergunto... qual o título mais comentado do Corinthians? Um dos
quatro Brasileirões, o Mundial da FIFA ou o Paulistão de 77?
Não fossem
os Estaduais, só veríamos confrontos como Flamengo X Vasco, Grêmio X
Internacional, Corinthians X São Paulo ou Cruzeiro X Atlético MG uma vez no ano.
E em casos como ano passado, quando tivemos o Atlético MG na Série B do
Brasileirão. Não teríamos nenhum Cruzeiro X Atlético MG no ano.
Série C Desde 2003 o Campeonato Brasileiro da Série C tem como critério de
disputa a classificação das equipes dentro do Campeonato Estadual. Os Estaduais,
logo, tornam-se vitais para uma Série C organizada – melhor você começar um
campeonato onde as equipes que disputam não têm tantas condições financeiras
onde você sabe quem vai disputar de que deixar a critério das próprias equipes
decidir se vão ou não participar – já imaginou se centenas de times decidem
participar e, de repente, mais de 200 clubes se inscrevem? Como ficaria a
organização do Campeonato?
Finanças Muitos clubes não disputam nada no decorrer do ano. Sem os Estaduais,
tais clubes acabariam acabando. Como um clube que não joga iria sobreviver no
decorrer do ano? Os Estaduais acabam sendo responsáveis pelas finanças de muitos
clubes no decorrer do ano.
Ainda não vi uma alma – até porque alma não
existe – que queira acabar com os Campeonatos Estaduais. Ouço falar-se em
“querem acabar com os Estaduais”, ou “não podem acabar com os Estaduais”, mas
ainda não vi alguém se posicionar contra os Campeonatos
Estaduais.
Motivos para ser a favor dos Estaduais não faltam. Eles são
responsáveis por tanta saúde ao futebol brasileiro. Acabá-los seria deixar o
futebol de vocês e, por que não, meu também, ainda mais doente.
Em tempo: Hoje, podemos concluir. Fernando Vanucci, um dos comentaristas de
futebol brasileiro mais estranhos. Primeiro, diz que comeu Lorax – eu já provei
aqui que ele comeu Lexotan. Depois, trata de forma sensacionalista a convocação
do Dunga. Pó, Vanucci. Não seria bem melhor analisá-la ao invés de escrachá-la?
E ainda teve as palavras do ex-goleiro Ronaldo Roqueiro. Ronaldo comentando?
Volta pro rock, Elvis do futebol!
Este colunista despede-se com muita
felicidade após o Campeonato Mundial de Hóquei no Gelo ser vencido pelo seu
querido Canadá – sobre os malditos Finlandeses!
Semana que
vem: Showbol.
Finalmente, semelhança com o
Futebol Europeu Stefan Lorax -
14/05
Equilíbrio e
desequilíbrio. Uma característica paradoxal marcante no futebol
brasileiro.
Campeonato Brasileiro de Futebol. Desde que a era do
debande para Europa tornou-se descarado e até nossos meninos de 14 anos
começaram a ser sondados – não posso precisar se isso foi no final dos anos 90,
em 2000 ou 2001, nosso (ou melhor, vosso) campeonato nacional ficou bastante
desequilibrado. Mais ou menos como o desequilíbrio que ocorre na
Europa.
Acho que até 2002, entramos o Brasileirão afirmando um bom número
de favoritos: Corinthians, São Paulo, Grêmio, São Caetano, Fluminense... e o
Santos, que acabou campeão naquela edição, sequer era considerado um
favorito.
De 2003 pra cá – coincidência ou não, e acho que não, desde que
começamos os pontos corridos, o Campeonato entre com dois ou três possíveis
campeões, dois ou três possíveis representantes da Libertadores, uns quinze para
a Sul-Americana – coisa que até time pequeno cogita – e uns cinco capengando
para o rebaixamento. E a coisa só começa a tomar forma depois da 10ª
rodada.
A coisa chega a ser um pouco mais equilibrada que na Europa, já
que no Velho Continente, em qualquer bom campeonato nacional, temos dois ou três
candidatos a título e a representante da Liga dos Campeões, já que a competição
fica entre eles; dois ou três candidatos à Copa da Uefa, um ou outro que sonha
com a Intertoto e mais nada. O resto vai tentar manter as finanças, pensar nas
contratações para temporada seguinte. Se capengar, não dá outra: cai.
As
cartas na Europa também já são marcadas desde cedo. Todo mundo sabe que na
Inglaterra é Manchester United, Liverpool – os maiores –, Chelsea – o novo rico
– e o Arsenal – o médio-grande de sempre. Qualquer Tottenham, Everton, Newcastle
ou Bolton que ameaçar, é zebra. A Alemanha tem o Bayern de Munique como
sempre... Schalke 04, Borussia Dortmund e Werder Bremem brincam de jogar futebol
e vez por outra levam alguma coisa. O Bayer Leverkusen, o Hertha Berlim e o
Hamburgo também ameaçam uma vez na vida. Estamos falando de dois campeonatos
equilibrados.
Na Itália, o funil é menor. Juventus e Milan. Depois,
Internazionale. E uma brecha bem pequena para Roma e Lazio. E assim seguimos
pelo restante da Europa.
Aqui no Brasil a coisa não é bem assim. As
cartas marcadas existem. Mas são doze – São Paulo, Corinthians, Palmeiras,
Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, Atlético MG, Grêmio e
Internacional. Atlético PR, Goiás, Figueirense, Juventude RS... dependendo da
temporada, qualquer um pode incomodar. Isso porque nossos clubes têm uma
situação financeira com efeito gangorra – ano está ruim, ano muito ruim, ano
razoável, e ano está quase bom.
Isso faz com que o time que sucedeu num
ano falhe no outro. Vejam o Internacional. Ano passado, papou quase tudo. Ou foi
campeão ou vice por onde passou. Este ano não se preocupou em renovar, não
manteve o que detinha, não repôs peças que perdeu... que queda. Saiu da
Libertadores e do Estadual na primeira fase e não tem boas perspectivas para o
Brasileirão.
O Cruzeiro foi mais ou menos o mesmo em 2003.
Voou no Brasileirão, ganhou uma Tríplice Coroa nacional – Brasileiro, Copa do Brasil e Estadual – e começou 2004 bem,
ganhando o estadual. A renovação não aconteceu, a reposição de peças perdidas
também não, muito menos a manutenção do que já tinha. Caiu do cavalo. Foi
eliminado da Libertadores e terminou o Brasileirão em 13º – nem Sul-Americana
levou. Até hoje, não pintou num ano sequer como favorito ao título.
O
Corinthians fez um mau campeonato em 2003. Em 2004, fez uma campanha razoável,
terminando em 5º depois de chegar a ser lanterna. Em 2005, foi campeão. Ano
passado, terminou em 9º depois de ser favorito a rebaixamento. Esse ano, chega
ao Campeonato com perspectiva de brigar para não cair.
O Palmeiras jogou
a 2ª divisão em 2003. Chegou 2004 e 2005 fazendo bela campanha e alcançando a
Libertadores. Ano passado, brigou para não cair e acabou em 16º lugar, um posto
acima dos rebaixados.
Os times cariocas então, nem se fala. Todo ano, vem
algum um pouco mais arrumado com a perspectiva de fazer uma boa campanha. Já foi
ano do Fluminense e do Flamengo – hoje é do Botafogo e do Flamengo, juntos. Será
que algum vinga?
Por outro lado, temos apenas dois clubes fazendo uma boa
campanha desde que começamos os pontos corridos: São Paulo e Santos. Apenas em
2005, no ano do controverso Campeonato Brasileiro marcado por Edílson Pereira de
Carvalho, os dois não estiveram entre os quatro primeiros colocados. De lá para
cá, sempre estão presente na ponta da tabela e ganharam o título em 2004
(Santos) e em 2006 (São Paulo).
Coincidência ou não – e acredito que não
seja – são os dois únicos que podem ser considerados a favoritos a este título
brasileiro de 2007. Logo abaixo, vêm Flamengo, Botafogo, Grêmio...
Ou
seja... o Campeonato Brasileiro sempre contou com um desequilíbrio a cada edição, mas um equilíbrio em sua história como um todo.
Estaria o Brasil
finalmente afunilando seu futebol para um desequilíbrio permanente, tal qual o
futebol europeu?
Semana que vem: A importância dos Campeonatos
Estaduais na manutenção do equilíbrio e desequilíbrio brasileiro que mantêm seu
campeonato nacional único no mundo.
Mundial? Eu também
quero! Stefan Lorax - 07/05
Mais uma vez,
Campeonato Mundial de Clubes da Fifa (ou não...) em pauta. Mais uma vez, vamos
entrar nos méritos de quem merece ou quem não merece ter seu Mundial reconhecido
como oficial.
Todos nós sabemos do polêmico Mundial de Clubes de 2000 –
polêmico apenas porque o campeão foi o Corinthians, que
nunca ganhou a Libertadores; dos Mundiais oficiais de 2005 e 2006... das Copas
Intercontinentais, depois chamadas Copas Toyota – aqui no Brasil, o famoso
“Mundial Interclubes”, hoje em dia reconhecidos pela Fifa... e depois de anos a
Copa Rio de 1951 que a Fifa oficializou a pedido do Palmeiras – quero saber que
atitude a Fifa terá quanto o Fluminense, que a venceu em 1952... e, bem... já
comentamos tudo isso aqui, na minha coluna.
Até o Bangu quer seu Mundial
– o Torneio de Nova Iorque (escrevo assim mesmo... ou é New York, ou Nova
Iorque... o que não pode é ser Nova York, misturar inglês e português...) de 1960 – reconhecido.
Sendo
assim, vou pela primeira vez puxar a sardinha pro meu lado! Quero que o meu
Tottenham Hotspur – time que eu e o Thiago Leal torcemos, sendo a equipe de
maior torcida aqui no Fanático Esporte Clube, mas o covarde não teve coragem de
se assumir e inventou um papo de torcer pelo ridículo Huddersfield Town... –
tenha o seu Mundial, a Copa da Paz de 2005, reconhecida como
oficial!
Vejamos... a Copa da Paz é um torneio organizado a cada dois
anos na Coréia do Sul pela Sunmoon Soccer Foundation for Peace, entidade regida
pelo Reverendo Sun Myung Moon, da Igreja Unificada da Coréia do Sul. Foi
disputada pela primeira vez em 2003. Teve pelo Grupo A o Besiktas da Turquia, o
Ilhwa Chunma da Coréia do Sul, o Kaizer Chiefs (nada a ver com aquela banda
horrível chamada Kaiser Chiefs, a não ser o fato desses nojentos terem
surrupiado o belo nome do time) da África do Sul e o Olympique Lyonnais, vulgo
Lyon, da França; Grupo B, o 1860 Munique da Alemanha, o Nacional do Uruguai, o
Los Angeles Galaxy dos Estados Unidos da América – o novo time de David Beckham
– e o PSV Eindhoven da Holanda.
Em 2003, deveriam participar a Roma da
Itália, o Bayer Leverkusen da Alemanha e o São Paulo do Brasil, mas os três
recusaram o convite.
A edição acabou sendo vencida pelo PSV Eindhoven,
que derrotou o Lyon por 1x0 na final.
Em 2005, o ano da glória máxima!
Enquanto o Liverpool vencia a comercial Liga dos Campeões da Uefa sobre o Milan
e sua amarelada histórica, o meu querido Tottenham Hostpur estava na Coréia do
Sul enfrentando equipes do mundo inteiro para conquistar a segunda edição da
Copa da Paz.
O Grupo A foi formado por Olympique Lyonnais da França, o
Once Caldas da Colômbia, o campeão PSV Eindhoven da Holanda e o Seongnam da
Coréia do Sul. Pelo Grupo B, Boca Juniors da Argentina, Real Sociedad da
Espanha, Sundowns da África do Sul e... ele. O mais inglês de todos os clubes...
e, quando o futebol é um esporte inglês, ser o mais inglês de todos os clubes
significa ser o verdadeiro clube de futebol... tão inglês quanto o chá das
cinco, a Coroa ou o Big Ben... o glorioso Tottenham
Hotspur.
Na primeira fase, os Lilywhites (um dos apelidos do Tottenham) empatou com Boca Juniors por 2x2, com
Real Sociedad por 1x1... e massacrou o Sundowns por 3x1. Classificou-se como
primeiro do grupo e foi à final enfrentar o Olympique Lyonnais.
O
glorioso Tottenham decidiu a partida ainda no primeiro tempo. Abrimos o placar
aos sete minutos com gol contra de Jérémy Berthod... aos nove, ele, Robbie Keane
ampliou... e nos acréscimos do primeiro tempo, Keano
(apelido do Keane) matou o Lyon marcando 3x1.
O pseudo-grande clube
francês ainda tentou com Bem Affleck... digo... Bem Arfa, de pênalti, fazer
alguma coisa aos 29 do segundo tempo... mas era tarde demais, e nosso Keano
deu o título ao glorioso Tottenham Hotspur. Keano,
só existe um! É o Robbie, que não tem nada a ver com Roy Keane – aquele beberrão
safado que está mais para músico do Oasis que jogador de futebol.
Em 2006
houve uma versão feminina da Copa da Paz, chamada Copa da Rainha da Paz,
disputada por seleções nacionais e vencida pelos Estados Unidos, que derrotou no
final as meninas do meu Canadá. Mas só lembrando... o meu Canadá pegou o Brasil
de vocês e marcou 4x2!
Teremos nova Copa da Paz este ano, em julho. Até
agora o único time confirmado é o Reading, da Inglaterra. Me pergunto se meu
Tottenham Hotspur, como atual campeão, defenderá – certamente com sucesso – o
título.
Mas, fica a pergunta... o que a Copa da Paz tem a menos que a
Copa Rio? Até representantes de mais continentes que a Copa Rio a Copa da Paz
tem. Não seria a Copa da Paz o verdadeiro Campeonato Mundial – se comparado à
Copa Rio?
Escreverei ao meu querido Tottenham Hotspur, aconselhando à
direção que reivindique na Fifa um título
que é nosso por direito!
Sofredor
Paulista? Stefan Lorax -
30/04
De uma hora para
outra tudo mudou. Até semana passada, o São Paulo era o melhor time do Brasil.
Bastou acontecer a derrota para o São Caetano – mais um acidente de percurso
causado pela covardia de Muricy Ramalho que qualquer outra coisa – que os
narizes começaram a torcer. Ainda assim, o time saiu aplaudido de campo porque,
apesar da humilhação, lutou. E ainda estava na principal competição do semestre:
a Libertadores.
Ainda assim, na segunda tinha muita gente falando mal do
São Paulo – ninguém parou pra pensar que foi um colapso causado por um erro
tático e que quando tentou se concertar já era tarde demais.
Veio a
semana, veio a Libertadores... e a atuação diante do Audax Italiano não
convenceu. Acontece. É normal... até porque o São Paulo levara o baque no
fim-de-semana e do nada muita gente passou a tachar o São Paulo como sendo um
time fraco – coisa que não existe. Mas isso bastou para a torcida começar a
vaiar... a crítica sentar o pau de vez... e agora o São Paulo não é mais de
nada.
O São Paulo tem um bom elenco. Tem Jorge Wagner, tem Ilsinho, tem
Josué, tem Leandro, tem Aloísio. Chegou o Dagoberto. Tem deficiências também.
Mas consegue supri-las. Alguém notou o sacrifício que Souza faz até hoje para
substituir Danilo – sem sucesso? Ainda assim, vem segurando a barra. Foi assim
que ganharam o Campeonato Brasileiro. Alguém tem noção do que é ter na zaga
nomes como André Dias e Richarlyson? Ora... é como ter o Betão e o Marinho! Mas
a defesa tricolor não falha tanto quanto a alvinegra. O São Paulo perdeu jogos o
ano passado. Por que não pode perder este ano?
O ex-futuro-próximo-novo-velho
melhor jogador do mundo Stefan Lorax -
23/04
Em
2002, no Santos, Robinho era revelado ao mundo por pedalar na frente de Rogério,
então lateral do Corinthians e ganhar o Campeonato Brasileiro. Se checar meu
histórico (http://www.fanaticoec.com/futloucos_stefan_historico.htm), você encontrará no dia 1º de maio de 2006, uma coluna
abortando o fato e desmistificando a condição de “craque” de Robinho – claro, na
minha opinião. Em dezembro de2002,
a respeitável revista Placar – e, quando digo respeitável,
falo sério, sem ironias – dava a Bola de
Prata de melhor atacante do Campeonato
Brasileiro, e em sua edição especial da Bola de Prata corajosamente dizia aos
torcedores do Santos “Esqueçam Pelé” ao anunciar a dupla Robinho e Diego. Claro
que não passava de uma chamada sensacionalista para atrair olhares e chamar
atenção – coisa que a Placar, sempre marcada por sua imparcialidade não precisa fazer
para vender revistas.
Em maio de2003, a Placar põe pela primeira vez o
Robinho como destaque único com a chamada “Robinho o Novo
Pelé?” – até então o garoto só havia
aparecido em detalhes da capa da revista. Desta vez seu rosto enchia a capa, que
inclusive deixava no detalhe Ronaldo e seus 10 anos de carreira. Mas, voltando
ao que interessa, a chamada, mais uma vez exagerada, exaltava Robinho enquanto o
patrão Fanático ficava p*t* da vida se perguntando onde aquele “novo Denílson”
era um craque.
Robinho estampou a capa de Placar novamente em agosto de
2004, e mais uma vez em janeiro de 2005 por ganhar a Bola de Ouro de Placar no
Campeonato Brasileiro do ano anterior. E, novamente em 2005, Robinho ganharia
mais duas capas de Placar. Em julho, enquanto o Santos e sua torcida pediam
“Fica, Robinho!”, a Placar colocava em sua capa “Vai, Robinho!”, defendendo a
ida do jogador para a Europa.
A terceira capa do jogador em 2005 foi, sem
dúvida, o maior exagero da história de Placar.
Em outubro, a revista trazia o jogador fazendo pose, com a camisa do Real
Madrid, e a chamada “Gênio na Espanha”.
Menos, gente. O garoto acaba de chegar na Espanha e já é gênio? Esqueceram que
desde que venceu o Brasileirão de 2002, Robinho vinha trilhando caminho
irregular, alternando boas e grandes atuações?
Hoje Placar percebe o
exagero que cometeu. Veio a Copa do Mundo e Robinho, sempre que entrava no lugar
de Adriano, jogava bem – e todos pediam “Robinho como titular, Parreira!”. Isso
não era o mesmo que acontecia com Denílson em 98? Jogava bem quando entrava no
segundo tempo... depois quando teve de acarretar com a responsabilidade de
titular, pipocou. E Robinho?
O menino, quando entrava no segundo tempo,
arrebentava no Real Madrid – e o Capello era burro porque o deixava no banco.
Quando Robinho joga de titular, acontece o que aconteceu final de semana
passado: não joga nada, não rende, não vem
buscar a bola, não dribla zagueiro, não chuta a gol. E isso foi assim sempre, tanto no Real Madrid quanto
na Seleção Brasileira. Mas pra imprensa brasileira, não... Robinho é jogador
fenomenal, Cristiano Ronaldo (com quem o comparei rapidamente na matéria
anterior), só porque é português, é um “bom” jogador, mas é comum e aqui no
Brasil em cada várzea se encontra um?
As coisas não são bem assim. Dá pra
ver quem é jogador diferenciado – Cristiano Ronaldo, Aaron Lennon, Wayne Rooney,
Fernando Torres, Arjen Robben, Elano, Cesc Fábregas, Lincoln... – e quem é jogador comum
– Robinho, Alberto Gilardino, Carlitos Tevez, Michael Owen, Antonio Cassano...
Não é porque o cara é brasileiro que vai ser craque, assim como não é um
argentino ou um italiano.
Achava-se que Carlitos Tevez era craque. Não é.
O mesmo para D’Alessandro. Não é. E não dói admitir o mesmo com o Robinho. É um
bom jogador, faz suas diferenças. Mas não é um novo Pelé, nem novo Zico, novo
Ronaldo ou mesmo um novo Bebeto. É o Robinho, só isso. Um jogador que erra mais
que acerta num clube como o Real Madrid, que não tem cacife para receber camisa
do Alfredo Di Stefano nem para ser titular. Exagerou-se a respeito do Robinho.
Não é o Capello o errado nessa história.
Hoje, na sua edição de abril
(capa Romário maior que Pelé) Placar
começa a admitir que Robinho não é aquele gênio. Viu onde leva a
precipitação?
E era uma coisa tão clara há tanto tempo...
Grande Coisa! Stefan Lorax -
16/04
No
Brasil (sim, mais uma vez a coluna começa assim...) adquiriu-se uma noção errada
do que é um “clube grande” na Europa. Primeiro, porque nos baseamos em muitos
fundamentos locais. Por exemplo, aqui no Brasil um grande clube possui dinheiro
– em teoria – para realizar contratações caras. Logo o Corinthians pode manter
um Roger, o Flamengo pode trazer um Juninho do Palmeiras, que pode pagar o
Edmundo, enquanto o Santos segura o Zé Roberto para rivalizar com o São Paulo
que tem o Fredson, “importado” da Espanha. Já o Rio Branco de Americana é
pequeno, e não pôde segurar o pseudo-atacante Thiago, que foi para o São Paulo
(hoje está no Bordeaux, FRA), mesmo caso do Treze da Paraíba que não tinha como
pagar o Wagner Diniz que foi pro Vasco da Gama.
E temos também os clubes
médios... como o Goiás, que não pôde pagar o Danilo, que foi para o São Paulo –
mas tem totais condições de pagar o pseudo-jogador Petkovic, que veio do
Fluminense; ou o Sport Recife, que não teve como manter o Cléber Santana, que
mudou-se para Santos, mas segura o Fumagalli que recebera oferta milionária da
Turquia e o técnico Gallo que foi sondado pelo Corinthians.
Time grande
também é aquele que ganha título. Então o Palmeiras, São Paulo e Corinthians que
têm quatro títulos brasileiros são grandes; o Coritiba que só tem um é médio e o
Guarani que também tem um é pequeno – mas o Botafogo e o Fluminense têm o apenas
um, e são grandes, enquanto o São Caetano não tem nenhum e é médio
(?).
Na Europa, no entanto, o buraco é mais embaixo. As coisas não são
tão simples assim. O Real Bétis não é um clube grande – mesmo podendo pagar para
ter Denílson e Rafael Sóbis. Tampouco o Valencia, com apenas seis títulos
nacionais. Muito menos o Atlético de Madrid, só por ter Fernando Torres e sondar
Lucas Leiva – e pode comprá-lo sem nenhuma dificuldade. Grande na Espanha é o
Barcelona que tem 18 títulos da Liga, 24 da Copa do Rei e duas Liga dos
Campeões; e o Real Madrid com 29 Ligas, 17 Copas do Rei e 9 Ligas dos Campeões.
O resto é resto!
O Olympique Lyonnais, vulgo “Lyon”, também nunca foi
grande. Só em 2002 veio começar a ganhar títulos da Liga Francesa, tem apenas
cinco. Muito menos o Paris Saint-Germain que só tem dois títulos nacionais, o último
ganho em 1994. Não é porque um time tem Juninho e outro teve Raí e Ronaldinho
que vai ser grande. E quem é grande? O Olympique Marseille? São oito títulos
nacionais, o último em 1992. E uma Liga dos Campeões – em 1993. Por isso é
grande? Negativo. O Nottingham Forest da Inglaterra tem duas Ligas dos Campeões
e não é grande. Logo, o Marseille não é. O maior campeão francês é o Saint
Etienne, com dez títulos. Grande? Não. Entenda, meu amigo: na França ninguém é grande. Basta verificar
nível de elenco de cada uma das equipes. Lá, time só de nível médio pra baixo.
Juninho Pernambucano não torna ninguém grande. Muito menos atletas africanos e
afro-franceses, quando os bons jogadores locais – Pires, Thierry Henry, David
Trezeguet – sequer estão no país.
Mas talvez o maior mito de time grande
no Brasil seja o Bayer Leverkusen, da Alemanha. Ter Roque Júnior e Juan, ter
Athirson, Voronin, Schneider e Babic de nada ajuda se o time não tem em seu
currículo um título nacional sequer. De
campeonato, o Bayer Leverkusen só ganhou uma Copa da UEFA em 1988 e uma Copa da
Alemanha em 1993. DOIS TÍTULOS. Que
espécie de time grande é esse? Um time grande só porque compra França do São
Paulo?
E quanto aqui no Brasil se ouve falar do verdadeiro time grande
alemão depois do Bayern de Munique – o Schalke 04. Bom, só agora, que as ligas
européias começam a pintar na nossa TV à cabo e em canais abertos. Antes disso,
só se falava no Bayern de Munique e no tal do Bayer Leverkusen. E também acha-se
que o pequeno Hertha Berlim é grande. Por que tem o Marcelinho Paraíba?
E
claro que começamos a ter noção do futebol inglês – e logo aprende-se que o
Manchester United é o maior time da Inglaterra, e logo depois vêm Arsenal,
Liverpool e... Chelsea? Acordem: o Chelsea começa a ter vida própria agora
porque tem dinheiro da máfia russa e pôde comprar Drogba, Shevchenko ou Ballack.
O Chelsea passou 50 aninhos sem ganhar o Campeonato Inglês. O meu querido
Tottenham, sem nenhum sentimento de torcedor, era maior que o tal Chelsea. Tinha
mais títulos que o Chelsea – ainda tem, na verdade. O EVERTON tem mais títulos que o
Chelsea. ACORDEM! O Chelsea é o novo rico!
Até o Huddersfield Town, time do nosso colunista Thiago Leal, tem mais títulos
que o Chelsea – embora não vença o campeonato desde 1926! O Chelsea é grande,
hoje. Mas não se tem conhecimento das tradições européias no Brasil para se
afirmar quem é ou deixa de ser grande.
Muito menos a Roma – que tomou de
sete do Manchester essa semana – vai ser grande. Grande por quê? Porque teve
Falcão? Teve Cafu? Tem o Totti? Que grande que nada! Nem mesmo a Internazionale
é grande – um clube MÉDIO. Grande porque
teve o Ronaldo? Assim o PSV Eindhoven seria grande – NÃO É! Grande na Holanda,
só o Ajax! Grande na Itália, Milan e Juventus! Fim de papo! Na Europa é
assim!
Clube grande europeu, só mesmo Manchester United, Liverpool,
Barcelona, Real Madrid, Milan, Juventus e Bayern de Munique. Me
desculpem, mas Portugal e França, que
roubam jogadores aos montes do Brasil, não têm times grandes – porque Ucrânia e
Rússia também roubam. Aliás, o Dynamo Kiev é maior que muito clube que citei
aqui, e nem podem ser considerado grandes.
Um grande clube não é apenas
tradição, dinheiro e jogadores caros. Um grande clube é medido pelo nível de
elenco. Pelo nível anual de elenco, pelo
nível de elenco em uma década, pelo nível de elenco em sua história. É medido
por sua constância e relevância naquele país. Não é porque o Napoli que teve o
Maradona vai ser grande por isso. É menor que a Udinese, que teve o Zico. E não
é por isso que a Udinese vai ser grande.
Temos uma noção distorcida de
clube grande. Um clube grande é jóia rara. Clubes, no geral, são médios. E os
demais, pequenos. Só aqueles imbatíveis são os reais clubes grandes – e isso não
se mede de um dia para a noite, de um contrato com Roman Abramovic para um
bi-campeonato inglês. Leva-se décadas para se adquirir esse
estigma.
E eu, naturalmente, iria agora listar quem é grande e quem não
é no Brasil. Mas o Thiago Leal das colunas
Inglês e Francês do Fanático me alertou
aos problemas que eu teria ao fazer isso.
Desisti. Até porque essa coluna já está
muito... grande.
Muito barulho por nada Stefan Lorax -
10/04
No Brasil se
aprendeu a supervalorizar um tipo de título: as conquistas de campeonatos
mundiais de clubes.
Não estou dizendo que apenas brasileiro valorize
essas conquistas, afinal de contas, os torcedores do Ájax fizeram um grande
carnaval nas ruas de Amsterdã na conquista da Copa Toyota em 1995, contra o
Grêmio; o jornal espanhol La Marca deu a capa de seu portal virtual para o
Internacional, na conquista do Mundial de Clubes do ano passado sobre o
Barcelona, destacando ainda a declaração de Rijkaard de que o jogo “foi uma
decepção”; e foi marcante o desapontamento no rosto do capitão Steven Gerrard,
do Liverpool, após a derrota para o São Paulo em 2005.
Ainda assim,
brasileiro supervaloriza este título – assim como qualquer campeonato
internacional, e por “qualquer campeonato internacional” entenda-se apenas
Libertadores e Mundial.
Quer uma prova disso? Em 1955, por iniciativa do
jornalista e editor francês Gabriel Hanot, do jornal L’Equipe, era criada a Copa dos Campeões da Europa (mais tarde rebatizada Liga
dos Campeões da Europa). O que pouca gente aqui no Brasil sabe é que, antes
desta, já houve uma grande competição de clubes no Velho Continente: a Copa
Mitteleuropa, ou Copa Mitropa, ou ainda Copa da Europa Central. Disputada pela
primeira vez em 1927, quando o mundo era completamente diferente, o torneio foi
inicialmente disputada por clubes da Hungria, Áustria, Tchecoslováquia e
Iugoslávia – potências do futebol na época. Mais tarde houve adição de equipes
italianas, suíças e romenas. A Copa foi interrompida em 1940, devido à II Guerra
Mundial, e voltou em 1955, justamente no ano de estréia da Copa dos
Campeões.
A Copa Mitropa teve durante esse período clubes importantes
campeões, como o Sparta Praga da República Tcheca, o Ferencváros da Hungria ou o
Rapid Viena da Áustria. Nenhum dos três jamais conquistou a Copa dos Campeões.
Nem nunca requereram que o título da Copa Mitropa fosse aceito como título
europeu oficial junto a UEFA após a criação da Copa dos Campeões. Seria muito
simples que os clubes exigissem que os títulos ganhos até então fossem agregados
à nova competição européia. Mas não. A Copa Mitropa continuou existindo,
inclusive, sendo encerrada apenas em 1992.
Agora vejamos um exemplo nas
mesmas circunstâncias na América do Sul. Em 1948 foi disputado o Campeonato
Sul-Americano de Campeões. O Vasco da Gama entrou no torneio representando o Rio
de Janeiro, e a venceu. Edição única do torneio.
Em 1960 foi criada a
Copa Libertadores da América, 12 anos depois do Campeonato Sul-Americano. O
Vasco, que nunca ganhou a Libertadores (até 1998), se considerava o primeiro
“campeão sul-americano” de futebol. No entanto, o título nunca teve
oficialização por parte da Conmebol.
Até que em 1996 os dirigentes do
Vasco descobriram um livro de registros por parte da Conmebol que falava sobre a
importância do Campeonato Sul-Americano, o “embrião para a criação da
Libertadores”. O que aconteceu? Interessado em disputar a Supercopa dos Campeões
da Libertadores, o Vasco foi até a Conmebol requerer oficialização do título. E
o pior: conseguiu! Assim, temos a aberração... a Libertadores iniciou em 1960, e
seu primeiro campeão é o Vasco, que a conquistou em... 1948!
Percebem a
diferença? Ora... não sabe a Conmebol diferenciar as coisas? – coisa que citei
na semana passada como sendo uma atitude da FIFA. Bastava oficializar o
Campeonato Sul-Americano de Campeões, oficializar o Vasco como campeão deste
campeonato... e fim de papo! Deixava a Libertadores fora disso, afinal, o Vasco
não a havia ganho ainda. E, logicamente, o Vasco não poderia participar da Supercopa. Mas a Conmebol parece querer evitar stress e
ceder a qualquer pressão. Aceitou a participação do Vasco na Supercopa. Mas ela
não é para campeões da Libertadores? Taí...
Da mesma forma é essa
Copa Rio que o Palmeiras foi buscar – e vai dar confusão, afinal, houve outra
Copa Rio em 1952 vencida pelo Fluminense e o Bangu quer reconhecimento do
Torneio Cidade de Nova York.
Sejamos sensatos... alguém já viu europeu
brigar na justiça, na FIFA, por homologação de algum título semelhante? Porque
torneio assim tem muitos, como o Troféu Tereza Herrera; Torneio de Caracas; o
Troféu Ramón de Carranza ou a Copa da Paz em 2005, organizada pela própria FIFA.
A Copa da Paz foi vencida pelo Tottenham. Ora, pra um clube pequeno como o nosso
querido Tottenham – eu, diferentemente do Thiago Leal da coluna do Campeonato
Inglês admito que torço pelo Tottenham – teria honra maior que ser oficializado
campeão do
mundo? Mas perceberam que o Tottenham não está nem aí para
isso?
Partindo até mesmo pra América do Sul...
alguém já viu o Nacional e o Peñarol do Uruguai querer a oficialização do Troféu
Tereza Herrera como título mundial? Então... pra que essa urgência de Palmeiras
em ter um título mundial? É porque Corinthians, São Paulo e Santos o têm
reconhecido pela FIFA? É pra não agüentar gozação?
Aqui no Brasil
costuma-se insultar o Corinthians com “P*t* que pariu, Libertadores o
Corinthians nunca viu!”. É demérito não ganhar a Libertadores? Pois bem,
comparando com as devidas proporções na Europa... quem é maior, o Arsenal, o
Nottingham Forest ou o Aston Villa? Pois desses três, apenas o Arsenal não tem o
título da Liga dos Campeões. Os outros dois tem. E ninguém vê torcedor do
Manchester United ou do Liverpool gritando “Holy crap! Champions League
Arsenal have never get!” (algo como “P*t* m*r*d*, Liga os Campeões
o Arsenal nunca venceu!). O Arsenal até parece se
preocupar mais em vencer o Campeonato Inglês...
Os títulos são importantes...
principalmente os internacionais, sem dúvida.
Mas ganhar ou deixar de ganhar um desses
não é o fim do mundo. Existem coisas mais
importantes.
Um prolema chamado falta de critério Stefan Lorax - 02/04
Amigos. Há algum
tempo, prometi falar sobre o tal Mundial que o Corinthians venceu, em 2000 – o
primeiro torneio internacional organizado pela toda poderosa FIFA, com sedes
em São Paulo e no Rio
de Janeiro. Eu havia colocado o assunta em pauta na coluna da Re-Copa
Mundial, publicada em 03/10/06 – chequem meu histórico.
Nela, ponho um post
script onde anuncio o tema da semana seguinte (publicada
em 09/10) como sendo o tal Mundial. O texto acabou não saindo, pois na semana
seguinte, veio um acontecimento mais importante: a situação da Seleção Inglesa.
E o assunto fora esquecido.
Hoje, retorno ao tal Mundial. Desde já,
afirmo que esta coluna visa criticar a FIFA e sua série de decisões, inclusive o
Mundial de 2000. Em breve, elaborarei nova coluna sobre 2000 com o intuito de
exaltar a glória da conquista corintiana. Mas, separando as coisas, primeiro um
questionamento a respeito dos Mundiais.
Até que a FIFA decidisse criar o
Mundial de 2000, tudo era bem-resolvido. Tínhamos a Libertadores (1960), a Liga
dos Campeões (1992, anterior Copa dos Campeões fundada em 1955). E tínhamos a
Copa Intercontinental (1960), a princípio disputada em duas partidas de ida e
volta na casa de cada um dos clubes, que em 1980 passou a ser patrocinada pela
Toyota e disputada em jogo único realizado no Japão.
Todos sabemos que os
três torneios acima têm/tinham critério. A Libertadores tem seus formatos de
classificação, baseados nas classificações das equipes em seus campeonatos
nacionais, a Liga dos Campeões idem. A Copa Intercontinental reunia na final o
Campeão Sul-Americano (Libertadores) e o Europeu (Liga dos Campeões). Ficou
famosa no Brasil com o nome Mundial Interclubes. Para nós, era o verdadeiro
Campeonato Mundial.
A FIFA nunca reconheceu seus campeões. E, em 2000,
viemos com o primeiro Campeonato Mundial. Mas qual o problema deste
Mundial?
Organizado a partir de 99, o Mundial teve seus direitos
comprados pela empresa suíça ISL, que funcionou como o principal financiador da
competição. E, na organização, além de FIFA e das confederações continentais,
estava envolvida a CBF – afinal de contas, é quem regulariza o futebol
brasileiro.
Foi injusta a participação corintiana? Aos olhos
dos torcedores, sim. Mas aos olhos da crítica, não deveria ser. Vejam bem... a
CBF deveria indicar um representante para o país-sede. Nada mais justo que o
campeão do
país-sede representá-lo, certo? No final das contas, a
participação do Corinthians, campeão brasileiro em 98 e em 99, foi justa. O
problema é que esse critério foi definido nos trâmites de 99, quando o Corinthians ainda não era
campeão brasileiro. Ou seja, fosse o Atlético Mineiro o
campeão desse ano, o Corinthians estaria garantido no Mundial da mesma forma,
como informa o escritor e pesquisador Celso Unzelte em seu livro O Livro de Ouro do
Futebol (2002, edição revisada). O caso acabou se
tornando justo, afinal, o Corinthians garantiu o título Brasileiro de 99, após
ser decidido numa injustiça, a partir do momento que o clube tinha sua
participação garantida mesmo antes de vencer o campeonato
corrente.
Foi
injusta a participação vascaína? Tecnicamente, sim.
Pois, veja bem... deveríamos ter na competição um representante da América do
Sul. Nada mais justo que o Campeão Sul-Americano de 99, que foi o Palmeiras.
Entretanto, tivemos o Campeão Sul-Americano de 98 representando o continente. O
que é estranho... o Palmeiras foi o grande injustiçado na
competição.
A
confusão dos representantes brasileiros: Aqui no Brasil
criou-se um mito que “campeão mundial” tem que ser “campeão da Libertadores
primeiro”. Tal conceito é injusto. Por quê? O convite para participar de competições é um critério tradicional no futebol.
Vejamos o caso da Dinamarca, campeã européia em1992. A Dinamarca não se classificou
ao Euro, disputado na Suécia. Disputou a competição como convidada, pelo fato da Iugoslávia, então classificada, ser punida e banida de
competições oficiais pela ONU, devido à guerra corrente no país. E a Dinamarca
ganhou o título. Seu título, no entanto, não é questionado. O título do
Corinthians acaba causando a ira dos demais torcedores, principalmente pelo
Corinthians ser um clube grande e não bem-quisto pelos rivais. Mas o fato de
não ter a
Libertadores não desmerece a conquista do
Corinthians. Há de se entender que foi um torneio que
exigiu a participação de um convidado, e nada mais justo que o campeão do país-sede
representar o próprio país.
E no final das
contas: O Palmeiras foi injustiçado – e há quem diga que
o Vasco, e não o Palmeiras, foi convidado pela seguinte razão: o torneio tinha
sedes no Rio de Janeiro eem São
Paulo. Por isso, seria necessário agradar as
duas cidades, assim, teríamos de ter um representante carioca e um paulista. Por
isso, Vasco e Corinthians. O Vasco teria entrado por ser
carioca.
O
problema teria sido resolvido... se houvesse mais
transparência por parte da CBF/Conmebol/FIFA. Se, desde o começo, CBF deixasse
claro que a
competição terá como representantes um campeão
sul-americano, e indicasse o Palmeiras, e o campeão do
país-sede, antes do mesmo ser conhecido, não haveria
problema algum nem questionamentos por parte de torcida e crítica. Afinal, tudo
estaria transparente, claro. Ficou no ar a aura de sujeira e a indignação por
parte do Palmeiras.
O que o Mundial de 2000 causou? Confusão. O
torneio seguinte seria realizado em 2001. Continuasse a ser disputado com a
mesma
fórmula, o torneio adquiriria tradição, seria bem
compreendido por parte de todos. Mas em2001, a ISL passou por problemas
financeiros e teve de abandonar a competição. Sem patrocínio, a FIFA adiou a
competição para 2003. Mas não havia interesse em patrocinar o torneio por parte
de ninguém, uma vez que a competição não tinha tradição alguma e os clubes
europeus não estavam interessadosem disputá-lo. Restou a FIFA
se acertar com a Toyota, oficializar a Copa Toyota/Intercontinental e organizar
um novo Mundial, a partir de 2005, no Japão, com patrocínio da
Toyota.
A
FIFA volta a se omitir de suas responsabilidades:
Caberia à FIFA nesta situação fazer o seguinte... separar os
títulos. Oficializar os Campeões da Copa Toyota,
oficializar o Corinthians como o Campeão Mundial de Clubes de 2000, e
oficializar um novo
torneio a partir de 2005, onde os únicos campeões até
agora são o São Paulo (2005) e o Internacional (2006). Tudo seria claro demais.
É a mesma atitude que a CBF tem para com a Taça Brasil, o Torneio Roberto Gomes
Pedrosa e o Campeonato Brasileiro. Quem ganhou a Taça Brasil é campeão
nacional, o mesmo quem ganhou o Robertão. Mas os dois
torneios são independentes do Campeonato Brasileiro, disputado desde 1971. Até a
FIFA no entanto bagunça as competições brasileiras, quando afirma que o Santos é
octa-campeão brasileiro, por juntar os dois títulos do Campeonato Brasileiro
(2002 e 2004) com os do Roberto Gomes Pedrosa (1968) e da Taça Brasil (1961, 62,
63, 64 e 65). A prova da falta de critério da FIFA é que considerou o
Flamento apenas tetra-campeão brasileiro (1980, 82, 83 e 92). Não estou me
referindo ao fato de não ter incluído 87, mas sim por não ter incluído as Copa
do Brasil de 1990. Afinal, se a FIFA juntou os títulos nacionais do Santos, por
que não juntou os do Flamengo? Viram a falta de
critério? A mesma falta de
critério se aplica ao Mundial de
2000, onde a FIFA deveria exigir organização por parte
da CBF. O Santos é, sim, oito vezes campeão nacional. No entanto, bi-campeão
Brasileiro, tetra-campeão da Taça Brasil e campeão do Robertão. Três torneios
diferentes. Fim de papo. Viu como é mais
simples?
Claro que tudo isso... é por causa da Copa Rio,
de 1951. Não vejo problema da FIFA reconhecer o torneio. Beleza! Os palmeirenses
merecem, os fluminenses (campeões de 1952) também. A FIFA pode oficializar a
competição, mas não incluí-la como parte do Mundial de Clubes. O Palmeiras a
partir de agora deveria ter um título mundial, mas não ser campeão
mundial. Estes seriam apenas São Paulo e Internacional,
por serem campeões da Copa do Mundo de Clubes. Conseguem entender a diferença? O
Palmeiras teria um título mundial – a Copa Rio. O Corinthians teria um título
mundial – o Campeonato Mundial de Clubes de 2000. E os campeões da Copa
Intercontinental teriam seus títulos mundiais reconhecidos. Mas assim como a
CBF, a FIFA poderia separar as competições. Uma coisa não implica
necessariamente na outra.
Com essa atitude da
FIFA... muita gente pode querer seu título Mundial. Por
exemplo... os campeões do Torneio Tereza Herrera? Por que não? É um torneio
internacional que envolve clubes grandes de todo o mundo. Por que não são
campeões
mundiais então? O Bangu, por exemplo, já está querendo
reconhecimento do seu título do Torneio Internacional de Nova York de 1960. Por
que não? O torneio contou com a participação de Nice (França), Sporting
(Portugal), Estrela Vermelha (Sérvia, antiga Iugoslávia), Sampdoria (Itália),
Bayern de Munique (Alemanha), entre outros. Se a Copa Rio vale, por que este
grande torneio não valeria? E que tal a Copa da Paz, disputada em 2005 na
Coréia? O campeão foi o nosso querido Tottenham da Inglaterra, e a competição
ainda teve o Lyon (França), o Boca Juniors (Argentina), o PSV (Holanda), o Real
Sociedad (Espanha) entre mais algumas equipes? Não deveria valer
também?
Existem muitos torneios assim mundo afora. E muitos campeões. Já
imaginou se cada um inventa de reivindicar seu título mundial? Teremos uma
grande confusão. E tudo por falta de critério da FIFA.
Semana
que vem, teremos os Mundiais em pauta novamente, mas sob uma outra abordagem: o
ponto-de-vista brasileiro.
Prontos para o Tetra? Stefan Lorax -
26/03
Assisti
a mais um bom jogo em 2007. Depois do Santos e São Paulo na Vila Belmiro,
empatado em 1x1, Alemanha e República Tcheca, com vitória alemã por 2x1, neste
sábado preguiçoso, me encheu os olhos.
O jogo fora realizado em Praga, na
República Tcheca – detentora de um time bem forte, a começar pelo melhor goleiro
do mundo, Petr Cech. Rosický, Galásek, Koller e Baroš ajudam esta equipe a ser
uma das mais fortes do continente europeu, que protagonizou grande vergonha na
Copa do Mundo, junto com Brasil, Holanda, Polônia e Inglaterra.
A Seleção
Alemã, agora treinada por Joachim Löw, dominou a partida, embora os tchecos
tenha jogado muito bem – e, depois que Baroš tirou a diferença, por muito pouco
não chegou ao empate. Ainda assim, os alemães foram superiores em campo. E sua
superioridade tem nome. Ou melhor, nomes: Philipp Lahm, Per Mertesacker, Marcell
Jansen, Lukas Podolski e, principalmente, Bastian Schweinsteiger. Sim, Ballack e
Lehmann chegam a ser segundo escalão na Seleção graças a esses nomes
citados.
Todos jovens – o mais velho dessa trupe citada é o Lahm, com 23
anos – e todos muito bons. Seguramente, o melhor
time alemão desde 1974 – sim, melhor que o de 1990. Lahm e Schweinsteiger
garantem a velocidade e a qualidade nos passes e nos cruzamentos. Jansen e
Metersacker, o combate árduo que o alemão tanto adora. E Podolski cuida do
“detalhe” – ou seja, dos gols.
Ballack é o Lothar Matthäus da vez. O
homem encarregado de cuidar desses meninos. Lehmann é a chave de segurança
debaixo dos paus que, seguramente, terá em 2008 sua última grande oportunidade
de ganhar um título pela Seleção, afinal de contas, são 37 anos nas costas. A
camisa 1 logo trocará de tronco. Já o Kevin Kuraniy é só um acidente neste time
– muito embora seja o responsável pela vitória, autor dos dois gols da
noite.
A Alemanha não deve nada ao Brasil, à Argentina ou à Itália. Tem
uma defesa forte, um meio-campo sensacional e um ataque forte. Nós do Fanático
EC fomos uns dos que acreditamos na Alemanha na Copa do Mundo 2006 – e eles
foram bem longes, principalmente pelo que a crítica falava. E reafirmo minhas
crenças: a Seleção Alemã é uma das minhas favoritas à Copa do Mundo 2010 – e,
claro, antes disso, teremos o Euro 2008.
A Alemanha lidera o Grupo D
nas Eliminatórias do Euro, com 13 pontos
em 5 jogos. E o torcedor pode se preparar.
Estamos falando de uma possível tetra-campeã,
no Euro e no Mundo. Este canadense veste,
sem medo, a camisa alemã: Força!
O eterno problema da defesa brasileira Stefan Lorax - 20/03
Não dá pra entender
o que acontece com a zaga brasileira. Temos bons zagueiros individuais, sejam
“selecionáveis”, como Lúcio ou Juan, ou não, como Fábio Luciano, do Colônia
(Alemanha), e Emílson Cribari, da Lazio (Itália). Ainda assim, a defesa
brasileira insiste em falhar no coletivo.
Do pouco que podemos avaliar
dos treinamentos de clubes e seleções brasileiras, não existe o treino de
situação de jogo – comum na Argentina, bem utilizado por Carlos Bianchi, por
exemplo. Logo, apesar de zagueiros bons, não existe uma unidade coletiva na hora
do trabalho de defesa, como acontece no ataque, uma vez que é comum o treino de
jogadas ensaiadas.
Uma imagem que reflete bem as falhas de defesa
brasileiras foi o primeiro gol sofrido pela Seleção Brasileira Sub17 no
Sul-Americano, há 15 dias. Quatro marcadores brasileiros seguiram a bola, sob
domínio do peruano ChristianLa
Torre, que corria em direção à linha de fundo. Enquanto isso,
dois atacantes do Peru ficavam livres na área. Resultado? Receberam cruzamento
deLa Torre e um deles,
Reimond Manco, marcou o gol.
Creio que esse tipo de situação não
ocorreria se houvesse um treinamento específico para defesa. Uma defesa mais
sólida, como a do Corinthians em 2002, onde cada zagueiro sobre seu setor, é
coisa rara no futebol brasileiro. É mais comum ver zagueiros desorientados, sem
saber o que fazer, buscando o improviso. Ora... improviso é para o
meio-campo.
Defensor brasileiro precisa aprender a cuidar do seu
marcador, a fechar a área, a deixar apenas um em cima da bola enquanto cuida do
outro atacante para que não fique livre... a subir nas bolas em cruzamentos, e
não deixar atacante rival subir sozinho – porque aí, no mínimo, ganha
falta.
É incrível como zagueiros parados ou amontoados num lado só da
área se repetem no futebol brasileiro e
ninguém cuida em sarar esse problema. Tudo
seria solucionado com um treinamento específico
e educação do jogador. Simples assim.
O último romântico... Stefan Lorax -
12/03
Final de semana
passado, aos 46 minutos do segundo tempo, Ryan Giggs cobrou falta cruzada pela
esquerda e O’Shea completou. O Manchester United venceu o jogo por 1x0,
em pleno Anfield
Road. Situação semelhante ao clássico no final de 2006, quando
Giggs cobrou falta pela esquerda, nos acréscimos, e Rio Ferdinand completou de
cabeça, o Manchester venceu por 1x0em Old Trafford.
Desta vez,
o clássico sem dúvida teve um sabor mais especial. Não por ter sido
em Anfield Road,
mas por Ryan Giggs, que atingiu uma marca histórica: 700 jogos com a camisa
vermelha (ou branca, azul, preta, verde em dégradé...) do Manchester
United.
Com a aposentadoria de Zinedine Zidane na temporada passada, Ryan
Giggs talvez seja o último representante do futebol elegante que encantava o
mundo até a década de 90. Seu estilo de jogo, de cabeça em pé, corpo teso e bola
grudada ao pé remetem nomes do passado, como George Best, Johan Cruyff, Falcão e
o próprio Zidane. Hoje em dia, raramente se vê um jogador com tais
características. Além de, a exemplo dos nomes citados, ser um jogador completo.
Cobra falta, cruza, dribla, chuta, cabeceia... domina todos os fundamentos do
futebol.
Giggs ainda ganha os pontos no fator fidelidade. Embora tenha
defendido o Manchester City durante o infantil, até os 14 anos de idade, o
jogador está no United desde 1986, quando fora dispensado do rival. Em 1991,
estreou como profissional e iniciou sua trajetória de ídolo no clube.
Seu
apogeu foi a temporada 1998-99, quando liderou o Manchester United ao lado de
Roy Keane e David Beckham à conquista da Liga dos Campeões – além de formar a
difícil tríplice coroa européia, ganhando junto Campeonato e Copas
nacionais.
Infelizmente, Giggs teve o mesmo problema que o liberiano
George Weah. Ser natural de um país com pouca força no futebol. O País de Gales,
terra natal de Giggs, não joga uma Copa do Mundo desde 1958, e nem mesmo a força
de Giggs foi suficiente para classificar seu pequeno país a um Mundial, a
exemplo do ídolo George Best com sua Irlanda do Norte.
Outro fator a
ofuscar o brilho de Giggs, jogar na Inglaterra, enquanto jogadores a se destacar
na Itália e Espanha ganhavam holofotes. Mas nem essa exibição exacerbada tentou
o galês a trocar seu Manchester United pela Juventus de Turim ou qualquer outro
clube ao redor da Europa.
Giggs também nunca foi jogador de fazer
marketing ou querer aparecer. Sempre foi discreto, embora já tenha aparecido em
comerciais da Nike e Reebok. E nunca foi de chamar atenção em manchetes de
tablóides sensacionalistas – mesmo vivendo na Inglaterra. Nesse fator, o galês
pode ser comparado a Rivaldo, que sempre brilhou em campo e nunca fez questão de
aparecer fora deles.
Tais dificuldades não impediram que Giggs
conquistasse a admiração e o respeito da crítica especializada ou dos
admiradores do bom futebol. Sempre constante, Giggs nunca atravessou má fase nem
viveu jejum de gols ou vitórias.
Resumo da ópera: Giggs é um jogador
único nas duas últimas décadas. Sua classe
e habilidade são comparáveis somente a George
Weah, Zinedine Zidane e Rivaldo. E sua fidelidade
e amor por um clube não têm preço nem comparação.
Por isso, assim como George Best, Ryan Giggs
é eterno.
O Embaixador do Frio Stefan Lorax -
05/03
Nosso querido
Eiður Smári
Guðjohnsen, também conhecido como Eidur Gudjohnsen ou Eddie Gudjohnsen, para
melhor se encaixar no nosso alfabeto romanizado, tem se tornado o grande
expoente da Islândia no mundo.
Em sua carreira profissional,
iniciada em 1994 pelo Valur Reykjavík, clube da capital islandesa Reiquejavique (adaptação correta
ao português), Guddy, como vamos chamá-lo, já conquistou títulos importantes
como: a Copa da Holanda (1996), a Supercopa da Holanda (1996), o Campeonato
Holandês (1997), a Copa da Liga Inglesa (ou Carling Cup, 2005), a Premier League
inglesa (2005 e 2006), o Escudo Comunitário (ou supercopa) da Federação Inglesa
(2000 e 2005) e a Supercopa da Espanha
(2006).
Depois de seis anos de
alegrias no Chelsea, Guddy deixou o clube inglês para vestir a camisa 7 do
Barcelona, herdada de outro jogador nórdico: o sueco Erik
Larsson.
Mas, ao invés de falarmos desse craque que nós do
Fanático EC tanto adoramos – tenho um filho chamado Gudjohnsen... o Zlatan
Lexotan chama seu cachorro de Gudjohnsen e Hector Diazepan chama sua esposa de
Gudjohnsen – vamos falar dos benefícios que Guddy traz ao mundo. Gudjohnsen saiu
da Islândia para conquistar o mundo. E, por seus pés, o mundo invade e conquista
a Islândia.
Islândia País do Norte Europeu e parte informal das nações que compõem a
Escandinávia (formada basicamente por Dinamarca, Noruega e Suécia). Capital: Reiquijavique. Língua oficial: Islandês. População: Pouco mais de 307 mil habitantes. Governo: República constituinte. Presidente: Ólafur Ragnar Grímsson. Primeiro
ministro: Geir H. Haarde.
Música Pouca gente sabe, mas a Islândia, a Terra do Gelo, tem
grandes expoentes na música internacional (a chamada world music). A música do frio é representada por nomes como Sugarcubes (rock alternativo), Björk (mistura de ritmos como rock, jazz,
experimental e música ambiente), Sigur Rós (entre a música ambiente e uma esquisitice que chamam “pós-rock”),
Emilíana Torrini Davíðsdóttir (pop), a banda múm (rock experimental), GusGus (techno) e o quarteto de rap
Quarashi. Experimentem a música
islandesa por sua conta e risco.
Literatura A Islândia está entre é um dos
países com maior índice de interesse por livros! Halldór
Kiljan Laxness, ou Halldór Guðjónsson, maior e mais
prolífico escritor do país. Venceu o Prêmio Nobel de Literatura em 1955. Além
deste campeão, o país tem grandes nomes da literatura, como Bjarni
Thorarensen, Jónas
Hallgrímsson ou Ólafur Jóhann
Sigurðsson, vencedor do Prêmio de Literatura do Conselho Nórdico. Nenhuma obra foi
lançada em português, ou seja, ou leia em inglês ou aprenda islandês – não
recomendo. Mas, quem quiser algo em português, podem ficar com Rumo à Estação
Islândia, do ex-apresentador da MTV brasileira Fábio
Massari. O livro trata da cena musical
islandesa.
Televisão O maior expoente da TV islandesa é o
desenho LazyTown, exibido no Brasil pelo canal pago
Discovery Kids (o antigo colunista do FEC Bráulio é telespectador assíduo do
canal). Magnús
Scheving é o nome do criador da série infantil de
sucesso.
Cerveja Proibida na islândia até
1989, a Islândia possui grandes marcas da
bebida de cevada mais saborosa do mundo. Egils Premium, Egils
Pilsner, Egils Sterkur, Egils
Gull, Kaldi,
Víking
Gylltur e Thule
são os principais nomes. E, a quem tiver oportunidade de provar, sentirá um
gosto forte, grosso e encorpado, afinal de contas, estamos falando de cerveja
para um dos países mais frios do planeta. Saúde!
Esportes Chegamos onde queria. Aqui, Guddy é nosso representante.
Um país
frio com uma população de cerca de 300 mil não tem – metade da população de João
Pessoa PB, cidade onde moro – obviamente, grandes promessas
esportivas.
Handebol é o que se tem de mais próximo de um esporte
nacional na Terra do Gelo. Ainda assim, o futebol têm grande espaço entre os
vulcões congelados que cercam o país.
Arnór Guðjohnsen é o primeiro
nome famoso do futebol islandês. O topo de sua já encerrada carreira foi o
Anderlecht da Bélgica. O sobrenome não é mera coincidência: Arnór é pai e
empresário de Guddy. Amém!
(Nota do Editor: Eidur e Arnór
constinuem o único caso na história futebolística de pai e filho que atuaram
juntos em uma partida de Seleção)
E não é só de Guddy que vive a
Terra do Gelo! O futebol islandês tem bons nomes em atuação.
Vejamos... Emil Hallfreðsson, meio-campo do Tottenham Hotspur da
Inglaterra e da Seleção Islandesa. O garoto tem apenas 22 anos de idade e é o
futuro promissor do futebol no país. Pela Seleção de Gelo ainda jogam os
zagueiros Ívar
Ingimarsson do Reading e Hermann
Hreiðarsson do Charlton Athletic; o meio-campo Brynjar
Gunnarsson, também do Reading; Grétar
Steinsson, defensor do atual vice-campeão holandês
AZ Alkmaar; ainda
na primeira divisão holandesa temos o meio-campo Arnar Þór Viðarsson
que joga de no Twente; e o também meio-campo Jóhannes
Guðjónsson, do Burnley da Segunda Divisão
Inglesa.
Os demais jogadores islandeses atuam em clubes suecos,
noruegueses ou do próprio país. Seu futuro é comprometido pela estrutura do
futebol local, prejudicado pelo frio – assim como meu país natal, o Canadá, que
não deslancha para o futebol.
Ainda assim, nos do Fanático botamos fé:
ISLÂNDIA NA EURO 2008.
O caminho mais fácil - parte 2 Stefan Lorax - 26/02
Semana passada,
comentamos o problema da Copa do Brasil oferecer uma vaga na Taça Libertadores.
Esta semana, comentaremos o outro problema da Copa do Brasil – que a torna
uma competição cada vez mais desinteressante.
A Copa do Brasil,
infelizmente, não inclui os clubes brasileiros que tomam parte na Taça
Libertadores do ano em questão. Tudo bem nos anos 90 quando eram apegas duas
vagas na Libertadores... logo, se iam pra Libertadores Palmeiras e Grêmio
(1995), a Copa do Brasil ainda estava aí para São Paulo, Flamengo, Corinthians,
Santos e tantos outros grandes. E as equipes de menor expressão, que, em se
tratando de uma copa, muitas vezes conseguiam chegar longe, não passavam de uma
zebra.
O problema é que agora o Brasil tem
cinco vagas na Libertadores – três diretas, o Campeão e Vice Brasileiro e o
Campeão da Copa do Brasil, e duas indiretas, na fase classificatória, para 3º e
4º colocados no Brasileirão. E, se ocorre como nos últimos dois anos, quando um
time brasileiro venceu também a Libertadores, são seis
times grandes brasileiros fora da competição.
Flamengo e Paraná, com
equipes medianas, não chegam a ser um desfalque por estar fora da Copa do
Brasil. No entanto, São Paulo, Santos, Internacional e Grêmio – em especial o
Grêmio, que tanto adora a competição – ah, sim... estes, sim, são desfalques de
fato.
Sem as melhores equipes do futebol brasileiro atualmente, a Copa do
Brasil perde seu nível e os teóricos favoritos, como Corinthians, Atlético
Mineiro, Fluminense... são equipes extremamente medíocres que acabam tropeçando
em equipes menores – vide o caso Pirambu e Corinthians, ou Cruzeiro e
Veranópolis.
O exemplo europeu A Copa do Brasil é uma
competição única na América, e copia uma fórmula de sucesso na Europa, que são
as copas nacionais. Entretanto, as Copas do Velho Continente funcionam do mesmo
modo que eu defendo a fórmula para uma nova Copa do Brasil. Primeiro, não vale
vaga na Liga dos Campeões da UEFA, e sim na Copa da UEFA. Afinal de contas, em
copas, zebras acontecem. Ano passado, por exemplo, a Copa do Rei da Espanha foi
decidida entre Espanyol e Real Zaragoza, vencido pelo primeiro. E em 2003 foi o
Mallorca que derrotou o Recreativo Huelva na final da tradicional competição
espanhola. Agora já imaginaram Mallorca ou Huelva jogando a Liga dos Campeões ao
invés do Barcelona – o quarto colocado em 2002.
E, claro, as equipes que
disputam a Liga dos Campeões podem também disputar as copas nacionais – a
exemplo de 1999, quando, além da Liga dos Campeões, o Manchester United venceu o
Campeonato Inglês e a FA Cup, vencendo assim sua tríplice coroa.
Em suma,
a Europa tem um formato muito mais adequado às suas Copas, e que não custaria
nada a CBF imitá-la. Mas, para isso, seria necessário também que a Conmebol
tornasse a Copa Sul-Americana um torneio mais interessante. Mas, se
isso acontecer... acreditem... vai demorar!
O caminho mais fácil - 1 Stefan Lorax -
20/02
A semana passou e,
em seus trâmites, teve início a Copa do Brasil. A competição, que conta com a
participação de 64 clubes é, como definiu meu bom amigo romeno Dimitri Haldol, o
torneio “mais democrático do Brasil”, por envolver clubes de todas as regiões,
sem descriminação com tamanho ou finanças dos times relacionados.
O
problema da Copa do Brasil atualmente, o qual já foi seu maior trunfo, é... seu
título vale também uma vaga na cobiçada Taça Libertadores da América.
Mas
qual o problema nisso? Afinal de contas, um time, para ganhar a Copa do Brasil,
tem competência o bastante para jogar a Libertadores, certo?
Errado.
Primeiramente, convenhamos: a Copa do Brasil tem um nível menor.
Este ano, por exemplo, São Paulo, Santos e Internacional estarão ausentes.
Talvez apenas Cruzeiro seja uma grande força no torneio, uma vez que
Corinthians, Palmeiras, Fluminense e Vasco jogando me fazem ter dor de barriga!
Ou seja, o desafio é menor e, de repente, o clube finalista não enfrenta um
adversário de peso até às finais. Bem tranqüilo, não é?
Em
2004 a Copa do
Brasil foi vencida pelo Santo André, clube do ABC Paulista. Sem nenhum
preconceito para com o “Ramalhão”, o Santo André na Libertadores significaria
bem menos que, por exemplo, o Corinthians ou o Palmeiras... ou o Internacional
ou Fluminense, clubes que, por alguma zebra costumeira de copas, caíram fora
durante a competição. Tudo bem, o Santo André tem méritos de ter ganho tal
título. Mas não tem estrutura para jogar uma Libertadores. E, quando me refiro à
estrutura, quero dizer a falta de condições financeiras, de apoio – tanto de
patrocinadores quanto de torcida, da mídia... – para disputar o
torneio.
Em2005,
a história se repetiu com o Paulista, equipe de Jundiaí.
Sem falar que a Libertadores correu o risco de ter como representante brasileiro
o 15 de Novembro – RS (2004), o Brasiliense – DF (2002) ou o Ipatinga – MG
(2006). Nada contra o clubes, já falei! Penso até que eles devem ter a
oportunidade de jogar um torneio internacional e conquistar a tal experiência.
Mas para isso... serviria a Copa Sul-Americana.
Ambas, chegando na
Libertadores, não fizeram feio para equipes do seu tamanho. Mas bem que poderiam
ter feito melhor. Poderiam ter passado da primeira fase. Seria um clube
brasileiro a mais com chances de título. Coisa que um Fluminense, um Palmeiras
ou um Internacional fariam com certeza – Corinthians eu já não sei, porque é
amarelão.
O que eu gostaria que fosse feito, e acho que muita gente
divide da minha opinião, é... a vaga da Libertadores migrasse da Copa do Brasil
para o Campeonato Brasileiro. Um clube que termina em 5º no Campeonato
Brasileiro, sendo este de pontos corridos (totalizando 38 partidas), têm muito
mais méritos que um campeão da Copa do Brasil, quando o máximo de partidas que
se disputa é 11! Não concordam?
Assim, a Copa do Brasil abriria vaga na
Copa Sul-Americana. Nada mais justo que um Santo André ou Paulista ganhar “cara
de gente grande” começando na Sul-Americana, enfrentando equipes menores de
outros países sul-americanos também.
O problema disso é que o torneio se
tornaria “desvalorizado”, devido à pequena importância da Copa Sul-Americana
para os clubes brasileiros. Quem sabe quando a Conmebol decidir tornar a
Sul-Americana um campeonato decente...
Até lá, convivamos com o riscos de
equipes menores – repito, com todo mérito – representar o Brasil na
Libertadores.
Esta matéria foi revisada pela namorada do colunista,
Natália Damião, que tinha em mãos um rolo de macarrão, usada em cada erro de
digitação.
Semana que vem, comentaremos o outro
problema da Copa do Brasil.
Maiores que o Sul Stefan Lorax -
12/02
Como o tricolor
paulista caminha para o posto de maior clube da América
Primeiro fator: Dureza O São Paulo Futebol Clube endureceu. Não é mais o time de estrelas
bi-campeão da Libertadores e Mundial que, ao perder os talentos, se desmanchou.
Não é mais o clube que revelava nomes como Denílson, Dodô, Kaká, Luís Fabiano e
os perdia, sem nem ao menos dar uma grande conquista ao clube. Hoje o São Paulo
conta principalmente com a gestão eficiente, sob tutela de Portugal Gouvêa,
Juvenal Juvêncio e Marco Aurélio Cunha. O São Paulo não precisa formar
jogadores. Seus homens de frente sabem ir buscar homens formados quando
precisam. O São Paulo não precisa manter um elenco. Seus dirigentes sabem
renová-lo. O São Paulo já se parece a máquina alviverde do Palmeiras dos anos
90. Um time mutante, forte, que nunca perde o gás.
Segundo fator:
Trabalho De que adianta ter o Roger, um
jogador extremamente habilidoso, com lampejos esporádicos de craque, se o mesmo
é preguiçoso e trabalha apenas quando quer, em meio à bagunça que vive nos
clubes que joga. Pro São Paulo bastou o humilde Danilo. Pro Danilo, não precisou
ser craque. Bastou trabalhar. Pra que contratar o jovem Nilmar, com altas cifras
da França, e viver impasse financeiro? O São Paulo só precisou buscar Amoroso e
Luizão. Podres. Velhos. Cheios de contusão nas costas. E daí? O Departamento
Médico fez seu trabalho. Curou os dois. E a organização do time fez os dois
jogarem. Resultado? Título da Libertadores. O que Amoroso fez no Corinthians? E
Luizão no Flamengo? Coincidência? Sugestão... levem Dagoberto pro São Paulo. Lá
ele se recupera. E ele joga. Vai voar. Vai ser maior que o Nilmar. Ah, se o
Rivaldo e Alex quisessem voltar ao Brasil...
Terceiro fator:
Finanças Buscar o Amoroso de graça. Com
sua participação fundamental, vencer Libertadores e Mundial da FIFA. Lucro.
Estádio grande, que lota e vende ingressos. Lucro. Vender camisas 5 do Lugano.
Lucro. Investir em atletas baratos como Danilo, Grafite, Aloísio, Ilsinho, ao
invés de ir buscar emprestado nomes caros como Nilmar, Roger, Carlos Alberto, Zé
Roberto, Juninho Paulista. Lucro. Resulta em saúde financeira. Resulta em time
que paga.
Quarto fator: Perspectiva de presente Enquanto os clubes se preocupam com o futuro, o São Paulo
pensa com os pés no chão. Pensa no presente. O São Paulo não especula
contratação de Tevez e Nilmar para a Libertadores. Quando vemos, o São Paulo já
contratou Jorge Wagner e Jadílson. Sem boatos. O São Paulo não precisa temer a
saída de Mineiro, como certos times temem saída de Magrão, Zé Roberto ou de
Obina. O São Paulo já contratou o Fredson. O São Paulo não diz o que vai fazer.
O São Paulo já o fez.
Quinto fator:
Ódio O Corinthians e o Flamengo são
odiados porque têm a torcida maior e mais chata. O São Paulo é odiado porque tem
títulos. Os dirigentes de Corinthians e Flamengo são odiados porque falam muita
besteira. O do São Paulo é odiado porque faz um bom trabalho e esfrega isso na
cara dos rivais. O Corinthians e o Flamengo têm líderes esnobes, milionários e,
teoricamente, corruptos, que trabalham COM o nome do clube. O futebol no São
Paulo é liderado por um médico que trabalha EM nome do clube.
Meninos,
sentem na frente da TV. E, independentemente de por quem vocês torcem, assistam
a esse São Paulo do presente. Porque assim como quem viu o Santos,
Internacional, Flamengo e Palmeiras, vocês estão vendo a história ser escrita na
década de 2000.
A América não precisa mais temer o Boca Juniors. O São
Paulo endureceu.
A fera vem aí... Stefan Lorax -
05/02
Atualmente, dentre
os muitos impasses de transações de jogadores que estamos vendo, tanto no Brasil
quanto no exterior - Nilmar, Romário, Ronaldo, Mascherano, Jorge Wágner... -
nenhum caso é tão complicado quanto o do jovem Dagoberto. E, bom... nenhum dos
jogadores citados acima têm tanto futuro quanto o Dagoberto.
Revelado
pelo PSTC - clube especialista em revelar jovens atletas - com apenas 14 anos de
idade, Dagoberto se transferiu para o Atlético Paranaense em 2001, após ter
vencido o Campeonato Paranaense Juvenil de 2000. Então com 18 anos, o jovem
ruivo e sardento teve uma pequena participação no timaço de Kléberson, Kléber e
Alex Mineiro que venceu o Brasileirão daquele ano. Em 2002, o garoto é lembrado
por um lance incomum: no jogo contra o Botafogo, pelo Brasileirão, entrou em
campo e recebeu a bola assim que pisou no gramado. Em 11 segundos, correu até a
área botafoguense e marcou pelo rubro-negro paranaense.
Em 2003,
Dagoberto integrou a Seleção Brasileira Sub20, campeã do Torneio de Toulon,
vice-campeão Pan-Americano e Campeão Mundial Sub20. Em 2004, fez parte da
Seleção Sub-23 que viveu a decepção do Torneio Pré-Olímpico, sendo eliminada
pelo Paraguai. Dagoberto, no entanto, não foi titular daquela equipe, que tinha
como estrela o pouco objetivo e enganador Robinho. Talvez um jogador com a mesma
velocidade e mais objetividade, além de um chute mais colocado, como Dagoberto,
tivesse dado à Seleção o que faltou: gols.
Depois desse período, no
entanto, Dagoberto passou a viver a maldição das contusões, que vez por outra
assolam jovens talentos - Pedrinho, Ronaldo... O rompimento do nosso amado
ligamento cruzado do joelho. Em recuperação, Dagoberto passou um ano parado, em
meio a uma controversa história envolvendo empresário e clube. O empresário do
jogador, Marcos Malaquias, afirmara que o Atlético não estaria dando atenção ao
jogador em sua recuperação, enquanto o clube afirmou estar bancando todo o
processo de fisioterapia do jogador. A controversa história até gerou matéria na
revista Placar, com direito de resposta da direção atleticana. O sítio
não-oficial Furacão, (http://www.furacao.com) afirma que Dagoberto
manchou sua história no clube quando se aliou a empresários da Marcosul Massa
Sports, que teriam uma estratégia de causar conflitos entre direção e jogador e
forçar sua saída.
De volta aos gramados, ainda com a camisa do Furacão,
Dagoberto voltou a se lesionar. Enquanto trabalhava na sua recuperação, a
batalha nos bastidores pela liberação do jogador continuava.
Hoje, Mauro
César Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do clube, afirma que, em
todos os seus anos no Atlético, Dagoberto tem sido sua maior decepção. O
jogador, por outro lado, diz ter sido enganado por Petraglia. E o Atlético não
quer liberar Dagoberto a um outro clube interessado - o São Paulo Futebol Clube
- e a cláusula de recisão do jogador baixa consideravelmente em março, baixando
para R$5 milhões. Valor que o jogador estaria disposto a pagar.
Com
tantas contusões e confusões, Dagoberto já perdeu três anos em sua promissora
carreira. Ao lado de Nilmar, talvez sejam os dois melhores atacantes brasileiros
revelados nos anos 2000 (o outro seria Alexandre Pato?). Ainda assim, ambos
entraram num caminho que mancha suas carreias e dificulta seu futuro.
É
inegável que o São Paulo seria o melhor lugar para um jogador como Dagoberto.
Talentoso, se encaixaria como uma luva no esquema do clube. Seria o caminho para
garantir os anos 2000 novamente a década do SPFC. E, frágil, Dagoberto não teria
problemas em se tratar no excelente CT do São Paulo - que já fez milagres
recuperando Luizão e Amoroso. Ou seja... lá, Dagoberto teria sergurança para com
seus ossos frágeis.
E tudo que eu queria é ver Dagoberto jogando... seja
por São Paulo ou Atlético Paranaense.
Cuidado: Frágil (?) Stefan Lorax -
30/01
São 17:37 da tarde
de domingo no Nordeste (18:37, horário de Brasília) e, aos 13 minutos de jogo,
Pedrinho perde uma chance clara de gol enquanto o Santos empata em 0x0 com o
estreante Guaratinguetá pelo Paulistão 2007.
Mais uma vez, Pedrinho tem
sua chance no futebol profissional. O mesmo Pedrinho que explodia no Vasco da
Gama entre 1997 e 2000 e despontava como um dos futuros grandes craques do
futebol brasileiro. Quem sabe o destino de Pedrinho seria outro caso o
meio-campo magro e franzino tivesse continuado com as atuações daquele Vasco da
Gama, Campeão Brasileiro (97), da Libertadores (98) e da conturbada Taça João
Havelange (2000).
Promissor, o jovem Pedrinho, no Vasco desde 1995,
chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira em 98, com o então treinador
Vanderlei Luxemburgo. A idéia era preparar Pedrinho para os Jogos Olímpicos de
Sydney, quando o meia integraria a Seleção Sub-23. No entanto, Pedrinho sofreria
a primeira de sua série de contusões ainda em 1998, rompendo o famoso ligamento
cruzado do joelho direito, durante a disputa do Brasileirão. Comaçava a história
de "amor" entre Pedrinho e suas contusões.
Sempre fora de forma, sempre
machucado, Pedrinho se mostrou um jogador frágil - e essa fragilidade, que o
impedia de jogar regularmente, deixou de ser meramente física e passou a ser
também mental. Pedrinho começou a sofrer de depressão - doença psicosomática,
crônica, ou seja... não tem cura. "Pensei em suicídio, e só não me matei por
falta de coragem", confessou o jogador, que sonha em escrever um livro de
auto-ajuda para pessoas que sofrem de depressão.
Suas passagens pelo
Palmeiras (2002-2005) e Fluminense (2006) foram apagas justamente pelos poucos
momentos de brilhantismo, alternados com as inúmeras contusões que o jogador
sofre. Os problemas de Pedrinho, tanto físicos quanto psicológicos, acabam
gerando medo e preconceito nas demais pessoas - como o árbitro que, durante uma
partida com o Paysandu, agrediu Pedrinho verbalmente, o chamando de "doente". Ou
adversários que já confessaram ter medo de jogar duro contra Pedrinho, para não
causá-lo mais uma contusão. Este último exemplo, uma mistura de preconceito e
respeito, sem dúvida, uma bela demonstração de fair play no futebol
atual.
Empolgado com sua estréia no Santos, Pedrinho diz apostar que este
será o ano de sua recuperação. A chance, oferecida por Vanderlei Luxemburgo, que
tanto confia em Pedrinho talvez seja sua última. A última chance de um grande
jogador, com momentos de puro brilhantismo. No entanto, um jogador que carrega
um sofrimento - tanto física quanto psicologicamente - sem fim nesta
vida.
O nascimento do maior Rubro-Negro de todos os tempos Stefan Lorax - 23/01
Coincidentemente,
enquanto fecho esta coluna, o tempo passa num belo domingo de sol (na verdade,
já é noite) - o vigésimo primeiro dia de janeiro de 2007. Coincidentemente, hoje
é aniversário do Patrão, coisa e tal. E, juro, isso não tem nada a ver com esta
coluna. Afinal de contas, estou exaltando o Associazione Calcio Milan porque
este é o maior time de todos os tempos - e não que isto seja um presente de
aniversário ao Fanático, rossonero fanático, para conseguir, em troca, aumento
de salário ou algo do tipo.
Defendo o título de maior clube de todos os
tempos do AC Milan não só por seus 47 títulos - entre eles 17 scudettos e 6
títulos europeus -, mas pela história gloriosa deste clube europeu, fundado em
16 de dezembro de 1899 - data inclusive que um certo clube fresco tricolor
tentou imitar, mas não vale - nem deve - ser citada.
Como os grandes
clubes fundados ao redor do mundo, o Milan não podia deixar de ter suas raízes
bretãs. Além das ligações inglesas que possuem a cidade de Milão (notem a Cruz
de São Jorge no brasão da cidade), o britânico Alfred Edwards fundou esta
singular agremiação desportiva no final do Século XIX. Daí o nome "Milan", forma
inglesa de pronunciar "Milano", cidade italiana onde este colosso foi erguido. A
princípio, o clube deveria ser usado para a prática também do críquete,
tradicional esporte inglês. Fundado como Milan Cricket and Football Club, só em
1938 o clube foi forçado a mudar de nome, devido ao regime facista de Benito
Mussolini. Como a Inglaterra era uma das rivais italianas durante a II Guerra
Mundial, o clube passou a se chamar Associazione Calcio Milano. O Associazione
Calcio foi mantido, mas o "Milano" voltou a ser "Milan" logo após o período
bélico.
Desde sua fundação, o Milan mantém as cores vermelho (rosso) e
preto (nero) de seu uniforme, numa forma de mostrar o furor com o qual seus
atletas o defendem, além de serem cores fortes que intimidam adversários. O
brasão em seu uniforme, além das cores do clube, mostram o Brasão da Comunidade
de Milão.
Mas a grande importância deste clube, sem dúvida, se deu graças
ao apoio do povo. Embora tenha começado como uma sociedade aristocrática voltada
ao críquete, o Milan passou a atrair os operários e trabalhadores proletários
que davam duro nas docas às margens dos rios Lambro, Olona e Seveso,
interessados na prática do futebol. Essa gente, as mãos que construíam a Itália
(perdoe-me pelo plágio, Bono), ergueram junto deste país promissor o maior clube
rubro-negro do mundo.
E já em 1901, com apenas dois anos de idade, uma
demonstração de que estaríamos vendo o meior clube de futebol do mundo surgir: o
Milan conquistou seu primeiro título, derrotando Gênova e a poderosa Juventus
num triangular final. Era o primeiro dos 17 scudettos que o Milan venceria. Era
o início de uma história de glória que geraria lágrimas de alegria em todo o
mundo - inclusive, um certo rapaz na Mooca que hoje completa 24 (uiui!) anos de
idade, repletos de títulos e conquistas, graças as listras rossoneri que cobrem
seu corpo. (Nota do editor: Completei 23 anos. O Uiui! eu deixo para os
amigos são paulinos)
Sete anos depois de seu primeiro título, o Milan
viria surgir seu pretenso rival - o Football Club Internazionale Milano. Juntos,
os dois protagonizam o Dérbi da Madonna (Derby della Madonnina), e claro que,
com Madonna, me refiro à Nossa Senhora, não àquela loira promíscua americana. E
claro que, por mais que tenha sempre corrido atrás, a Internazionale nunca
chegou aos pés de seu rival urbano.
Nos anos seguintes, o Milan viria a
conquistar o mundo e vestir nomes importantes do futebol como Franco Baresi,
Christian Abbiati, Carlo Ancelotti, Roberto Baggio, Marco van Basten e,
principalmente, o pai Cesare e o filho Paolo Maldini que carrega a tradição de,
sentado no banco de reservas, se enrolar com o pavilhão do clube. Mas isso já é
uma outra história, a ser contada bem mais adiante...
Que o maior
rubro-negro de todos os tempos continue superando obstáculos, menores ou maiores
que uma Guerra Mundial, e fazendo chorar de alegrias torcedores desde as margens
fluviais de Milão até o bairro da Mooca em São Paulo...
E, ah, claro...
feliz aniversário, Patrão! (sem puxa-saquismo, claro!)
Golaço da Conmebol? Stefan Lorax -
15/01
Quem acha Ricardo
Teixeira e a CBF uma organização patética (na minha opinião, não é), devia olhar
com um pouco mais de cuidado para a Conmebol. O órgão que rege o futebol
Sul-Americano chega a ser amador. Estragou a Copa Libertadores inflando-a com um
monte de times, na tentativa de fazer uma Liga dos Campeões no Hemisfério Sul –
e ainda convidando as chatas equipes mexicanas; com a boa-vontade de fazer uma
Copa da UEFA como prêmio de consolação aos times que não jogam Libertadores,
cria diversas competições pra lá de inúteis – Copa Conmebol, Copa Mercosul, Copa
Sul-Americana, que, com um pouco mais de organização, poderiam ser torneios
interessantes; e, talvez o pior de tudo, organiza torneios patéticos entre
seleções nacionais.
Organização continental mais antiga do futebol,
fundada em 1916, ano em que também começou a Copa América – a princípio chamado
Campeonato Sul-Americano – a Conmebol parece ter pouco poder de persuasão dentro
das federações nacionais de futebol. E parece não estar nem aí para isso.
Enquanto a Uefa vive em pé de guerra com as poderosas federações européias, a
Conmebol se porta como uma servente da CBF, AFA e demais organizações na América
do Sul.
Assim, a Conmebol seguia em frente com a sua desorganização. Uma
bagunçada Taça Libertadores todo ano; a cada dois anos a porcaria da Copa
América e a cada quatro anos o inútil Torneio Pré-Olímpico de futebol para
jogadores Sub-23. Claro que, entre essas competições, ocorriam os campeonatos de
categorias de base – talvez a única coisa com um mínimo de decência organizada
pela Conmebol. A Copa América era um torneio desinteressante, sempre com algum
convidado como México, Estados Unidos ou Honduras; os juvenis garantiam sempre
Brasil, Argentina e mais algum que poderiam ser Colômbia, Chile, Uruguai ou
Paraguai no Mundial de categoria de base da Fifa; e a Libertadores é o sonho que
a cada três anos todo corinthiano alimenta e perde. E o Pré-Olímpico? Um
campeonato nervoso e chato.
As coisas só melhoraram quando a Fifa
interveio. Em 2003, a Copa América, a ser realizada no Peru, foi transferida
para 2004. E Blatter ordenou: a competição, que desde 1987 era realizada a cada
dois anos, sempre em anos ímpares, deveria começar a ser realizada a cada quatro
anos. Esse deveria ser o período padrão para torneios entre seleções nacionais –
embora a Concacaf e a Caf não tenham, sabe Deus porque, aderido à fórmula. Na
mesma época, Ricardo Teixeira disse que levaria ao paraguaio Nicolás Leoz,
presidente da confederação, as propostas de que a Copa América servisse como
critério classificatório para a Copa do Mundo; e que os Jogos Pan-Americanos
passassem a definir o representante Sul-Americano nos Jogos Olímpicos. A
primeira idéia, embora corajosa, não é uma boa idéia e não teria aprovação da
Fifa. A segunda, no entanto, é bem melhor que o chato Torneio Pré-Olímpico –
além de dar mais importância aos Jogos Pan-Americanos, que esse ano ocorrerão no
Brasil. A Conmebol rejeitou as duas propostas.
Esse ano, no entanto, com
uma pressãozinha da CBF e da AFA – alegando, sabiamente, que o Pré-Olímpico
sempre ocorre em plena época de definição dos Campeonatos Europeus, fora da Data
Fifa, e muitas seleções perdem jogadores importantes – a Conmebol acabou cedendo
ao pedido das duas maiores federações no continente e resolveu extinguir o
Torneio Pré-Olímpico. E a Conmebol finalmente teve uma boa idéia: Copiar a Uefa.
A partir de agora, a vaga no Torneio Olímpico de Futebol será definida pelo
Campeonato Sul-Americano Sub20, assim como a Uefa que define as seleções
classificadas a partir de seu Campeonato Europeu Sub-21.
Dessa forma, o
Sul-Americano Sub20, que ocorre numa época em que o futebol sul-americano não
tem grande movimentação, se torna um pouco mais interessante; e as equipes
européias e federações não precisam brigar pela liberação de atletas. Assim,
ambas as partes ficam mais felizes. Viu, Conmebol? Dói copiar a Uefa? Não é bem
melhor quando as coisas são feitas com um pouco de... organização?
Sonhos Adolescentes Stefan Lorax -
09/01
Sul-Americano Sub20 representa o futuro das jovens estrelas
brasileiras e argentinas
No momento em que esta coluna é
fechada, Brasil empata em 0x0 com o Chile pelo Sul-Americano Sub20 2007, sediado
no Paraguai. Se o leitor quiser saber o resultado, leia amanhã a coluna Brasil,
no FEC, que tratará do torneio - pois este colunista não terá paciência de
esperar o fim da partida.
Disputada a cada dois anos, a competição deste
ano verá a Colômbia defender o título, conquistado em casa em 2005. Mas terá
como favoritos Brasil e Argentina, respectivamente os últimos 2º e 3º colocados
da última edição.
O torneio vale vaga no Mundial Sub-20, que este ano
ocorre no Canadá. Jogar um Mundial Juvenil significa para muitos jovens a
oportunidade de aparecer nos holofotes e chamar a atenção de clubes
internacionais - e jovens argentinos, brasileiros e das demais localidades lutam
para se destacar e, quem sabe, começar uma carreira internacional bem cedo, às
vezes antes de se profissionalizar no seu próprio país.
Além desta
oportunidade, o Sul-Americano Sub20 2007 dará ao jogador um aperitivo extra: o
primeiro passo para o ouro olímpico. Com apoio da CBF e da AFA, a Conmebol
encerrou o inútil Torneio Pré-Olímpico, que ocorreria em janeiro de 2008, e
passou para este Sul-Americano as duas vagas nos Jogos de Pequim. Sendo assim,
além de três vagas no Canadá, o torneio valerá os dois lugares sul-americanos no
chato Torneio Olímpico de Futebol de 2008.
As esperanças brasileiras
estão em Alexandre Pato (Internacional), Fagner e William (Corinthians), Amaral
(Palmeiras), Leandro Lima (São Caetano), Fabiano Oliveira (Flamengo), Carlinhos
(Santos) e no capitão e estrela maior Lucas Leiva (Grêmio). Os argentinos no
entanto têm Insúa e Mouche (Boca Juniors) e Sánchez e Morález (Racing). O River
Plate não terá nenhum representante seu em campo.
O jogo entre Brasil e
Chile continua 0x0. Os jovens jogadores brasileiros, que agora representam não
só o sonho pessoal de se tornarem estrelas, mas também o sonho do povo
brasileiro do ouro olímpico, não vêm fazendo boa partida na estréia do
campeonato onde deve ser sensação ao lado da Argentina.
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