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Até quando esperar Stefan Lorax -
18/12
Quando o Chelsea vai deslanchar no futebol Mundial?
O melhor treinador do
mundo. Com um time português limitado nas mãos, Mourinho, contanto também com
alguma sorte, fez o Carlos Alberto ser eficiente no ataque, transformou Deco em
craque, e contou com jogadores medianos como Nuno Valente, Costinha ou Maniche
para ganhar a Liga dos Campeões da UEFA.
Os melhores atacantes do mundo
atualmente – que se completam de forma impressionante. Um atacante inteligente,
com noção de espaço e veloz como Schevchenko. Ao seu lado, um homem forte e
físico, o Drogba. No meio, a visão de jogo e chutes perfeitos de Joe Cole. A
determinação, os lançamentos, a capacidade de armar de Ballack. A liderança de
um grande marcador como Lampard. E o apoiando, Makélélé e Essien. Na defesa, os
melhores zagueiro e goleiro do mundo: John Terry e Petr Cech,
respectivamente.
Como esse timaço não pode funcionar? Compare com
qualquer time no mundo. Defesa melhor que Real Madrid, Barcelona, Milan.
Meio-campo e ataque superior a Manchester United, Barcelona e até mesmo a
Internazionale? O que há com o Chelsea afinal?
Analisando a “Era
Abramovic”, iniciada em 2003, o Chelsea viu o Arsenal tomar sua prioridade
naquele ano. Com um grande time – time que o próprio Chelsea viria a se tornar –
o Arsenal venceu a Liga Inglesa e deixou os “Azuis” na segunda colocação. Ainda
assim, mostrando a potência que viria a se tornar, o clube então treinado por
Cláudio Ranieri chegou às semi-finais da Liga dos Campeões, eliminado pelo
Monaco.
A maldição da Liga dos Campeões No mesmo ano, o Chelsea chegou novamente às semi-finais da
Liga dos Campeões. Fora eliminado pelo Liverpool com, segundo Mourinho, um “gol
que não existiu”. Mesmo assim, o Chelsea fez uma temporada perfeita na
Inglaterra e levou a Copa da Liga e novamente o título da Liga.
Para a
temporada 05/06, novamente uma temporada nacional perfeita. Iniciou a temporada
vencendo o Escudo Comunitário e depois levantou título que importa, da Liga, foi
conquistado. O time estava animado para a Liga dos Campeões e a esperança era
que naquele ano o título finalmente viria. E o Chelsea era, inegável, melhor
time daquele torneio – com o melhor treinador no banco de reservas. Desta vez
não foi longe. Em duas partidas que o jovem Lionel Messi fez a diferença, um
embalado, e nem por isso melhor Barcelona superou os Azuis de Londres. O sonho
acabara mais uma vez.
A temporada
atual Contando com o melhor elenco do
mundo atualmente – e também com o melhor time, uma vez que o conjunto funciona –
o Chelsea agora vê o fraco Manchester United seguir a todo vapor à sua frente na
Liga Inglesa. Por um motivo ou outro, este time fechado não tem conseguido
resultados que reflitam o que a equipe rende. Qual será a do Chelsea?
É
complicado analisar o que há de errado quando não há nada de errado. O time joga
bem. Os jogadores cumprem seus papéis. Aplicar as derrotas do Chelsea em
partidas decisivas da Liga dos Campeões ao azar? Este céptico canadense não
acredita nisto...
Então, Chelsea? Quando virá a conquista da Europa e
a prova – este é o melhor time do mundo,
treinado pelo melhor técnico do mundo. Eu
estou a esperar. Mas até quando esperar?
Até me ajoelhar esperando a ajuda de Deus?
Este céptico canadense não acredita nisto...
Quem te viu, quem Tevez Stefan Lorax -
11/12
O
atacante mostra a fragilidade do futebol argentino - e
brasileiro.
Argentino sofre. Muito
mais que o tal do brasileiro. Além de um país economicamente quebrado desde
2000, os argentinos vivem, desde 94, ocaso do semideus Maradona, a eterna espera
do surgimento de um novo ídolo. E, para esta árdua tarefa de “novo Maradona”, já
se apresentaram (ou foram apresentados) nomes como Riquelme, Crespo, Saviola,
Cláudio Lopez, Verón e até mesmo gente patética como D’Alessandro. Ou, mais
recentemente, o Messi. Em comum, todos têm no mínimo uma coisa: não agüentam
sequer metade da responsabilidade que aqueles que os argentinos chamavam de Deus
carregava tranquilamente sobre os ombros – ou, às vezes, nas mãos.
E
exatamente assim é a figura a ser tratada nesta coluna. Este canadense, fã do
Sport Club Corinthians Paulista, tem em Carlos Alberto “Carlitos” Tevez um
ídolo, pela temporada impecável feita em 2005 e até mesmo pelo esforço em campo
antes de deixar o clube, já ingrato, em 2006. Ainda assim, há de se admitir:
Tevez é um jogador medíocre – e, quando digo medíocre, não estou sendo
pejorativo, e sim quero dizer que Tevez está na média, não acima dela, como
muita gente quis vender, e muita gente comprou.
Depois da temporada
impecável que viveu no Brasil, Tevez cometeu a burrice de ir jogar na liga mais
difícil do mundo: a Inglesa. Não que as defesas na Ilha da Rainha sejam fortes
como na Itália ou duras como na Alemanha. Mas o futebol britânico tem uma
característica peculiar: ele não se adapta a você. Você tem que se educar a uma
escola que trabalha da mesma forma desde o século XIX. Um craque de fato não
terá nenhum problema nisso. Afinal de contas, o jogador completo, como, hoje em
dia, o Ryan Giggs, o Ruud Van Nistelrooy ou o Didier Drogba não teria problemas
em jogar no futebol local. E nenhum desses teve. Mas vejamos o Tevez. Baixinho,
não tem habilidades para o jogo de cabeça. Isso já é uma perda de pontos
considerável na Ilha. E é culpa DELE. Vale lembrar que Romário é baixinho e,
quando jogador, sabia se virar de cabeça. O mesmo vale para Maradona. Ou seja, o
bom jogador tem que superar adversidades como a altura.
O outro fator é
justamente o estilo do Tevez. Sua habilidade consiste em se aproximar do
defensor, para assim ter noção do espaço que tem. E só nessas condições,
conseguir receber a bola e realizar o drible, completar a jogada. O futebol
britânico não abre esses espaços. O alemão também não, o italiano muito menos. O
brasileiro abre! E muito! O espanhol idem! Ou seja... Tevez teria muito mais
futuro na Espanha. Como diz o chefinho... “Na Espanha é fácil. Até o Júlio
Baptista vira craque!”. E não é??
Como grande fã pessoal do Tevez, fico
triste por isso que ele passa na Europa.
Mas, como fã do bom futebol, não é de se
admirar. Um jogador limitado não rende num
país de bom futebol. E este mesmo jogador
limitado estava BEM ACIMA do nível dos jogadores
brasileiros e arrebentou no campeonato local.
Isso mostra o nível do futebol que é jogado
aqui hoje em dia...
A queda dos paulistas Stefan Lorax -
05/12
Estado de São Paulo fica comum no futebol brasileiro.
Fim da era em que São Paulo tinha
equipes fortes oriundas do interior, capaz de intimidar qualquer grande equipe
do Brasil. Com o rebaixamento de Ponte Preta e São Caetano, o futebol do Estado
agora se segura apenas nas suas grandes potências: Corinthians, São Paulo,
Palmeiras e Santos serão os únicos Paulistas no Brasileirão 2007. O número de
clubes de São Paulo agora se assemelha aos de times do Rio de Janeiro. Os dois
estados, historicamente rivais, agora dividem o mesmo número de equipes depois
de anos com liderança maciça paulista.
Os paulistas de anos
atrás Comparando com os demais anos, São Paulo teve seis representantes
este ano de 2006 e também em 2005. Em 2004, foram sete equipes - quando caiu o
Guarani. Até agora não voltou. 2003, ano em que não tivemos o Palmeiras, foram
novamente seis participantes. 2002 teve oito, caíram dois. Palmeiras, que
retornou; Portuguesa, que não deu mais as caras. Em 2001 foram nove
participantes - número considerável que não se repetia desde 95. O Botafogo de
Ribeirão Preto caiu e também não deu mais sinal de vida. 2000 teve oito equipes.
Mesmo número de 99, 98 e 97. E em 96, oito clubes. Ou seja: há dez anos que não
temos menos de cinco paulistas no Brasileirão - ano do rebaixamento do
Bragantino. Aliás, o Brasil nunca teve menos de cinco Paulistas em sua primeira
divisão. Desde a atual fórmula do Campeonato Brasileiro, disputado em 71, que
temos no mínimo cinco participantes - número de 71 e 72. Daí em diante, o número
sempre foi superior, chegando ao máximo em 78 com 12 participantes. Este número
cai drasticamente em 2007.
A força do interior O que fica claro
nesta crise é a queda do interior Paulista. Outrora, clubes como Guarani e
Portuguesa se impunham entre os grandes, roubando seus lugares. Isto veio a
ocorrer pela primeira vez em 78, quando o Guarani levantou a taça de Campeão
Brasileiro. Em 81, estava a Ponte Preta em 3º lugar. Em 82, o Guarani ficou em
3º e em 86 foi vice-campeão. O Guarani voltou a ser vice em 87, no conturbado
ano dos Módulos Verde, Amarelo, Azul e Branco. Em 91, o Bragantino viçou com o
vice-campeonato. Em 92, último ano sem Paulistas na final, o Bragantino repetiu
boa campanha e ficou em 4º. Em 94, o Guarani se enfiou em 3º lugar. Em 96, a
Portuguesa foi a vice-campeã. Em 98, voltou a aparecer entre os quatro
finalistas, ficando em 4º lugar. 2000, ano da conturbada João Havelange, o São
Caetano ficou em 2º - colocação que viria a repetir em 2001, em 2003 ficaria em
4º, último canto do futebol do interior paulista entre os grandes no
Brasileirão.
Prejuízo: mudança de fórmula O número de surpresas
do interior Paulista surgiu com a mudança de fórmula entre partidas
eliminatórias e pontos corridos - apesar da campanha do São Ceateno em 2003. O
fato não é coincidência. Num campeonato com duração de nove meses, as equipes
precisam abrir a mão e colocá-la no bolso para fazer grande campanha.
Convenhamos, as equipes do interior não detém deste privilégio. E, sempre que
revela algum grande jogador, acaba perdendo-o ao fim ou mesmo durante a
competição. Não existe mais a possibilidade da zebra, como nos campeonatos
eliminatórios - onde uma Portuguesa ou uma Ponte Preta, com organização e alguma
sorte, conseguiria tirar um Corinthians ou São Paulo numa quarta-de-final e daí
embalar até a final.
A Série B e a esperança para 2008 Os
Paulistas agora dominam a Série B do Campeonato Brasileiro. Apesar da baixa com
a queda do Guarani, ano que vem a competição terá oito equipes - Grêmio Barueri,
Ituano, Marília, Paulista, Ponte Preta, Portuguesa, Santo André e São Caetano.
Com a maioria de equipes na Série B, sem nenhuma grande equipe disputando a
competição - apenas com times de médio porte, como o Coritiba, e equipes
menores, a esperança é que ano que vem subam dois ou mais paulistas para a Série
A. É só isso que resta ao futebol do interior paulista... alguma
esperança.
Confiram comigo no replay... Stefan Lorax -
28/11
Fifa
começa a aderir à ajuda da TV... e eu não gostei nada disso.
Sou a favor de uma coisa
no futebol. Em campo, autoridade do árbitro é máxima e só ele tem o poder de
decisão sobre os lances do jogo. E os erros de arbitragem? Tudo bem, erro faz
parte do esporte! Afinal, quando toma um frango, um goleiro também erra. Quando
perde um pênalti, o jogador também erra. Quando marca um gol contra, o Júnior
Baian... digo, zagueiro também erra. Então por que o árbitro não pode
errar?
João Havelange, então presidente da FIFA, declarou uma vez que se
acabássemos com todos os erros de arbitragem, o futebol perderia a graça, pois
aí acabaríamos também com as discussões pós-jogo. Pois bem. Agora Joseph
Blatter, preocupados em agradar a gregos, troianos e americanos, começa a abrir
as pernas para as exigências da mídia. A princípio, se pensava em colocar um
novo bandeirinha atrás de cada gol para determinar se a bola entrou ou não. Uma
bela idéia. Agora a coisa ganhou proporções maiores, e o Presidente já admite
usar a ajuda do vídeo em caso de dúvida se a bola entrou ou não no gol. A idéia
será testada no Mundial de Clubes 2007 – prepara-te para mais um Tetra,
Bâmbi.
O problema é, amigos, como todo bom canadense, este colunista
adora um jogo de hóquei no gelo. E a NHL, National Hockey League, principal liga
do mundo com equipes dos EUA e Canadá, adota a ajuda do vídeo em caso de dúvida
se o disco entrou ou não desde a temporada 2003/04. E é um saco quando acontece!
Pára tudo, vai analisar o vídeo, se demora analisando, consulta-se um monte de
gente. A mesma tática é utilizada pela NFL, National Football League, liga de
futebol americano. E, mesmo assim, na decisão do último Super Bowl, a final do
Campeonato, um erro de arbitragem garantiu o título do Pittsburgh Steelers sobre
o Seattle Seahawks. Mesmo em um esporte onde a tecnologia já é
utilizada.
Sem falar que essa realidade faz parte da história do esporte
americano. O vídeo é utilizado na terra do melhor futebol (americano) do mundo
desde 1963, num jogo de futebol entre o time da Marinha contra o time do
Exército. O esporte americano, com toda sua cara empresarial, tem, além disso,
um intervalo de 2 minutos para cada vez que o jogo é parado – seja em beisebol,
hóquei, futebol americano ou basquete. Ou seja... imagina que cada vez que a
bola saísse para tiro-de-meta, tivéssemos uma pausa de 2 minutos na TV. Quem
agüentaria? Mas isso é a cara do esporte americano. Esse apego à tecnologia. O
futebol não precisa desse tipo de ajuda, pois se caracteriza por si só como um
jogo único.
Concordo que o uso da TV seria mais justo. Ajudaria a evitar
certos erros. Mas quem disse que o futebol deve ser justo? Fosse assim, a
Seleção Brasileira não seria eliminada na Copa de 82. A Holanda não perderia o
título em 74, nem a Hungria em 54. Futebol é, desde suas regras e princípios,
injusto. Os erros de arbitragem contribuem para isso e, por bem ou por mal,
fazem parte do jogo. Não fossem esses erros, não teríamos lances históricos como
o gol de mão do Maradona, a pênalti que Nilton Santos cometeu em 62 e saiu da
área, fazendo que fosse marcada falta ou o pênalti sofrido por Zico, cometido
por Gentile, não marcado pelo árbitro na derrota para a Itália em
82.
Começa assim. Logo vai estar se dando brecha para a tecnologia entrar
cada vez mais no futebol. Aí se perde a graça. O esporte começa a se modernizar,
perde seu charme. Daqui a pouco se usará proteções para que os jogadores não se
machuquem – se machucar é injusto; as traves serão gigantescas e em forma de Y
para que a bola não vá para a fora nunca – errar chute é injusto; a bola passará
a ser oval e o uso das mãos liberado, para evitar que o jogador cometa pênalti –
cometer pênalti é injusto. E nosso esporte ganhará um sub-título:
americano.
Deixem que a tecnologia fique por conta das “câmeras
exclusivas” da Globo. No campo, quem manda é o árbitro. Erre, ou não. Afinal,
todo mundo erra. Até a FIFA agora está errando feio!
Fim de uma era? Stefan Lorax -
20/11
O
título do São Paulo é uma prova de superioridade e sua competência e
organização
Amigos leitores, sejam sinceros. Onde esse time do São
Paulo daria frutos? Vejam o Danilo... o que Danilo faria no Corinthians? No
Flamengo? No Palmeiras? No Real Madrid? No Manchester United? E Mineiro, melhor
jogador deste Brasileirão. O que Mineiro acrescentaria ao Barcelona ou à
Internazionale de Milão? Ou mesmo ao Vasco da Gama e ao Cruzeiro?
À
exceção de um bom goleiro com o anexo de ser um excelente cobrador de faltas...
qual jogador do São Paulo não é comum?
Como tirar uma prova do que estou
dizendo? Vejam o Amoroso. Campeão da Libertadores e Mundial. Destaque no São
Paulo. Jogou muito. E o que Amoroso fez no Milan? E no Sport Club Corinthians
Patético?
Esse título do São Paulo, que fecha um ciclo iniciado ano
passado com o Paulistão, passando pelo ápice da Libertadores e do Mundial da
FIFA. É a prova que a organização do São Paulo, que sucede desde o Paulistão e
do Brasileirão de 91, passando pelo auge da Libertadores e Copa Toyota de 92 e
93 é o principal fator para as glórias do clube – que vêm do passado e se firmam
no presente.
Em 2002, com um time cheio de pseudo-estrelas mascaradas,
como Kaká, Luís Fabiano, Ricardinho ou Fábio Simplício, o São Paulo tinha como
base sua soberba em se achar o melhor time do Brasil. Colecionou tropeços. Perda
da Copa do Brasil, do Rio-São Paulo e do Brasileirão 2002. Perda do Paulistão e
Brasileirão 2003, do Brasileirão, Paulistão e Libertadores 2004...
Aí que
a diretoria do São Paulo passou a ter outra mentalidade. Ter o melhor clube, não
o melhor time. Contratar bem, não contratar caro. Para que tentar trazer o Roger
se bem ali em Goiás temos o Grafite? Mais barato, mais eficaz, menos estrela.
Para que buscar o Edmílson se temos o Mineiro. Para que boatar que se trará
Ronaldo se o Amoroso se encaixa melhor? Para quê o Cafu se temos o Cicinho? Opa!
Não tem mais? Ah, agora o Cafu? Não... tem o Ilsinho. Claro que o São Paulo não
perdeu a soberba... isso fica a cargo do Marco Aurélio Cunha.
E,
obviamente, com essa organização, essa política de não alimentar estrela ou
egos, o São Paulo acaba trazendo o Ilsinho do Palmeiras – que tinha lá os egos
de Juninho, Edmundo, Marcinho Guerreiro, fez o Lenílson preferir o tricolor ao
Santos com o ego de Luxemburgo, Zé Roberto, Marcelo Teixeira...
E com
essa política, o São Paulo transforma seu melhor clube também em melhor time.
Sem pressão, faz os jogadores comuns funcionarem melhor que “craques”. Traz o
jogo bem jogado, traz resultados. Ponto fraco tem, é claro, como a ausência de
um bom meio-campo, a fragilidade do time sem os volantes. Ainda assim, o clube é
time suficiente para ser campeão. E o ego? Bom... isso pode ficar com os
torcedores... ganharam tudo mesmo.
E agora? O que vai ser desse time de
sucesso que já ganhou tudo? Os jogadores ficam? Se transferem? A Era São Paulina
vai acabar?
Bom... ide onde foram, sem dúvidas, não terão metade do sucesso
que tiveram no São Paulo. Afinal... esse
é um clube de estrela. De muitas estrelas.
Estrelas essas que se resumem a títulos...
não a “pseudo-craques” de egos inflados.
Sayonara, críticas! Stefan Lorax -
13/11
Obina surgiu no
Vitória como uma possível promessa. Em 2004, quando o Vitória eliminou o
Corinthians (Rá! Grande coisa!) e chegou às semifinais da Copa do Brasil (Rá!
Grande coisa!²). E Obina pintava como um Nadson, revelado um ano antes. Teve até
gente dizendo que aquele Vitória teria o 5º melhor elenco do
Brasil...
Esse jovem Obina então virou a opção do irregular ataque do
Flamengo. Sem grandes jogadores e resultados, o irregular rubro-negro seguiu sua
tradição de contratar errado. E foi buscar o Obina lá na Arábia, no All-Ittihad
(time de craque) para reforçar o Brasileirão 2005. No mínimo, uma pisada na
jaca!
Reconheçam... o Obina nem sequer sabe chutar uma bola! Basta
relembrar o Fla X Flu do segundo turno deste ano. Num dos maiores clássicos do
futebol brasileiro, onde marcou dois gols, o lance que lembro do Obina é...
recebendo livre na entrada da área... entrando na área... cara-a-cara com
Fernando Henrique... chutando e... nossa! Entrou em órbita! A bola não tirou
tinta da trave! Não tirou nem tinta da plataforma de concreto que cobre o
Maracanã!
No entanto... mesmo ruim de bola, o Obina tem um ponto
positivo: o esforço. Depois do fracasso de 2005, de quase ser dispensado... o
jovem atacante começou a se portar como um verdadeiro homem borracha em campo.
Vai em qualquer bola. Chuta de onde der. Se estica. Se rala no chão! Ou seja...
já dizia a Superinteressante... sorte é uma ciência. Quanto mais oportunidades
você buscar, mais chances terá de vencer, mais sorte parecerá ter. E Obina vai
em todas! Por isso seus 11 gols até aqui. Para entender como Obina funciona,
basta lembrar o gol que marcou no clássico contra o Vasco, também no segundo
turno. Se esticou inteiro para uma bola que sairia para tiro-de-meta.
E
agora? Como vamos criticar o Obina? Com 11 gols, o rapaz está a 5 da artilharia
do Campeonato Brasileiro (Rá! Grande coisa!³). Obina é ruim? Bom... faz gol! E
no futebol, o que faz um time vencer é gols, certo? Com essa propriedade, o
jogador acaba calando as críticas! "O Obina é ruim e..." faz gol! Pronto! Me
calei!
Com seu número atual de gols, Obina pode provar o contrário do que
a crítica fala. Ou, claro... pode ser sinal de que o futebol brasileiro está
cada vez pior. Mas ninguém vai levar isso em consideração! Pelo menos até que o
Flamengo passe por defesas argentinas na Libertadores... aí vamos ver o que vão
dizer. Mas por enquanto, o que todo mundo diz é... Obina é melhor que o Eto'o. E
ele e sua filhinha, Sayonara - homenageada no gol desta quarta, contra o Goiás -
podem dar tchauzinho para quem critica.
(Que fique bem claro... Eto'o é o
apelido de um flanelinha que guarda carros aqui no prédio do meu
trabalho)
Entre tapas e beijos Stefan Lorax -
07/11
Não é de hoje que
Ronaldo passa por má fase no futebol. Desde 98 quando rompeu os ligamentos do
joelho e passou a dar despesas sem fim a Internazionale de Milão que o atacante
parece ter caído num poço sem fim. De um homem rápido e com alguma habilidade,
Ronaldo passou a parecer um desses jogadores do chamado "futebol de areia" ou
"futebol de praia", lento e desajeitado.
Chegando em Real Madrid em 2002,
o atacante trouxe mais problemas que soluções. Ou melhor... trouxe apenas
problemas ao clube merengue. De títulos, apenas uma Liga Espanhola pelas
temporadas 2002/03 e a Supercopa da Espanha em 2003 - além da xoxa Copa
Intercontinental, ou Copa Toyota, ou Mundial Interclubes em 2002. Nos quatro
anos antes dele, o retrospecto do clube de Madrid inclui três Ligas dos Campeões
- o maior título que o Real Madrid disputa - além de manter os mesmos títulos de
uma Supercopa da Espanha, um Campeonato Espanhol e uma xoxa Copa
Toyota.
Além do mais, o jogador insistiu em fazer bico para ser o mais
querido de Madrid - querendo concorrer, injustamente, com um jogador criado no
clube, o atacante e capitão Raúl, o acusando inclusive de manipular a torcida
contra sua pessoa.
A passagem de Ronaldo por Madrid inclui inúmeras
contusões, questionamentos quanto a pedidos de dispensa para se "brincar
carnaval" no Rio de Janeiro e o jogador chama mais atenção por namoros e
casamentos que por seu futebol e deixou apenas uma partida na memória - sua bela
atuação em Old Trafford pela Liga dos Campeões 2002-03, quando marcou três gols
e liderou a eliminação do Manchester United nas quartas-de-final da
competição.
O ponto positivo Em dados oficiais, até maio deste
ano, ao fim da temporada 2005/06, Ronaldo somava 114 gols em 181 jogos pelo
Madrid - uma média de 0,62 gols por partida. Uma boa média para quem já se
submeteu a duas cirurgias no joelho. A temporada 2002/03 teve um saldo de 29
gols em 42 jogos pelo Real Madrid e a média de 0,69 gols por partida. Em
2003/04, apesar da temporada controversa, marcou 24 gols sendo o principal
artilheiro da Liga Espanholha no ano. Juntando os 4 gols na Liga dos Campeões -
uma atuação ruim para quem disputou 9 partidas -, Ronaldo teve um total de 28
gols em 40 jogos. Foi uma média de 0,68 gols por partida. Dava a entender que se
recuperaria e voltaria a ser "o velho Ronaldo".
O fim que começou em
2004/05 A média caiu para 0,53 gols por partida. O que pode ser uma boa
média para um meio-campo não é nada agradável em se tratando de um centroavante.
Passando para a Liga dos Campeões... foram apenas 3 gols em 10 jogos. O maior
torneio do mundo, que é o xodó do torcedor madridista, reflete a imagem que o
jogador adquire na cidade. E Ronaldo começou a ser visto com desconfiança. A
época coincidiu com o começo do romance entre Ronaldo e Daniela
Cicarelli.
O desastre de 2005/06 Fim do relacionamento com
Cicarelli, início de namoro com Raica... e Ronaldo passou a se contundir com
freqüência. Apesar da média de 0,6 gols por partida, o jogador disputou míseros
23 jogos na temporada. Convenhamos, isso não vale à pena. O jogador recebe caro.
Joga pouco. E não marca de forma excepcional. Além de continuar em desavenças
com o elenco e com a torcida - fora os boatos de que deixaria o time. Ronaldo
apresenta em campo menos entrosamento para com o time de que os demais jogadores
da equipe.
Capello acontece Chega ao time galáctico o exigente
treinador Fabio Capello, com carta branca para mexer como quiser no time. E a
primeira atitude de Capello é afastar Robinho e Ronaldo. Mantém os dois de molho
e chama atenção para a pré-temporada irregular que Robinho tenha feito.
A
questão é... Capello percebeu o quanto Ronaldo tem a render desde 2004/05. Ainda
mais contando com dois centroavantes do quilate de Ruud Van Nistelrooy e Antonio
Cassano - ambos com fases bem mais regulares que Ronaldo, além de cabeça um
pouco mais no lugar. Ronaldo com menos cabeça no lugar que Cassano! Vejam
só!
Não há como acusar Capello de anti-brasileiros... afinal... Capello
mantém o lento Emerson no time. Por um fator: disciplina. E trouxe junto ao
elenco o afastado Robinho, por comprometimento - afinal, o menino enganador vem
se esforçando e rendendo em campo. Melhor um palhaço pedalando que um gordo se
arrastando.
Resumo da ópera Ronaldo rendeu no Real Madrid.
Rendeu pouco. Como resultado, nos últimos dois anos fica chorando pelos cantos
dizendo estar triste no clube e se queixando de problemas amorosos. Mas o que o
clube tem a ver com a vida sentimental de um jogador? A filosofia a se sequir é
o que Capello vem fazendo. Não há de se querer jogadores felizes em campo. Há de
se querer jogadores que rendem. Fim de papo.
Série C, Classe A Stefan Lorax -
30/10
A Terceira
Divisão do Campeonato Brasileiro torna-se um dos maiores atrativos deste fim de
ano
Pela Série A, uma bela briga pelo título. Ainda assim, São Paulo
tem uma vantagem de 7 pontos sobre o vice-líder, o que o deixa com uma vantagem
segura rumo ao título. Pela Série B, o cerco se fecha em torno de Atlético
Mineiro e Sport Recife. Náutico, América de Natal, Coritiba e Paulista ainda
brigam pela vaga. Os demais parecem distantes.
A Série C, aberta ainda
para seis clubes, acaba sendo a mais interessante das três divisões atuais do
Campeonato Brasileiro - pelo menos em termos de disputa.
O líder
atualmente é o Ipatinga, com uma impressionante campanha de 5 vitórias em seis
partidas. Soma 15 pontos e é o time mais próximo dos 21 pontos - que devem ser
suficientes para garantir, matematicamente, a classificação. O Criciúma, que há
dois anos chegou a liderar a Série A e desceu em queda livre rumo a Série C,
mostra uma boa recuperação. Tem quatro vitórias, soma 13 pontos e, aos poucos,
vem levantando o bom futebol catarinense. De São Paulo, o Grêmio Barueri mostra
a força do futebol do interior paulista. Sábado passado, derrotou o Vitória em
Salvador. Assume a terceira colocação com 12 pontos. Esses três têm sido os
melhores times do Octagonal Final da competição.
Em quarto lugar, o Treze
de Campina Grande da Paraíba têm mostrado uma incrível regularidade em casa,
onde está invicto há 42 partidas - desde 2005 o "Galo" não perde um jogo em
casa. Fora de seu mando de campo, no entanto, tem sido extremamente irregular.
Perdeu todos os jogos desta Chave Final, embora tenha se apresentado bem e seja
um possível nome entre os 4 classificados para a Série B 2007. Atualmente, se
abraça à quarta colocação com 9 pontos.
O Vitória da Bahia é a salvação
para o estado. Em 5º, o rubro-negro mantinha a mesma regularidade do Treze até
que perdeu para o Barueri em casa neste sábado e começa a se complicar. Soma 7
pontos e é a atual icógnita da competição. Eu apostava no Vitória até uma semana
atrás. Resolvi poupar meu dinheiro. E logo atrás do Leão da Boa Terra, vem o
Tubarão Cearense - o Ferroviário, ou, como é carinhosamente chamado, "Ferrim",
vem em 6º lugar com 6 pontos e alimenta uma remota chance de classificação. Seu
problema é enfrentar o Treze em Campina Grande durante esta semana.
Daí
pra baixo, a situação está complicada. Com 4 pontos, Bahia e Brasil de Pelotas
têm chances mínimas de classificação. Precisariam vencer cinco dos oito jogos
restantes para alimentar alguma chance de classificação. A julgar pela campanha
que ambos estão fazendo até aqui... bem... convenhamos, isso NÃO vai acontecer.
O Brasil, há muito de fora do cenário e dos holofotes do futebol brasileiro,
está fazendo uma campanha honrosa - vá lá, daremos uma chance aos caras. Mas o
Bahia, com a melhor média de público da Série C, vem fazendo esse papelão.
Inclusive, com o vexame de ter jogo interrompido aos 30 do segundo tempo por
invasão de campo. Patético... seu sonho parece estar acabando. Alguém ainda
acredita no Bahia?
Bom, essa é a breve história e situação da Série C
que, com clubes e histórias humildes, alimenta o humilde sonho de uma vaguinha
na Série B do Campeonato Brasileiro. Seis dos oito finalistas parecem ter alguma
vez neste sonho. Os dois últimos, estão cada vez mais distantes.
Mesmo
assim, sem muito espaço na TV e na grande mídia, a Série C vem trazendo uma
temporada interessante do futebol das menores divisões do Brasil. (Nota:
Esta coluna serve como upgrade da pequena matéria sobre a Série C que o torcedor
do Barueri, Hector Diazepan, fez no último dia 18. Boa sorte para seu time,
Hector!)
O fantasma de Adriano Stefan Lorax -
23/10
Se no mundo
existisse macumba & afins - qualquer ser humano com 0,1% de seu cérebro
funcionando sabe que isso e merda é a mesma coisa -, sem dúvida, teriam feito
uma carregada para o atacante Adriano.
Como todos nós sabemos, revelado
(e recusado) pelo Flamengo, Adriano, tido como magro, alto demais e
desengonçado, encontrou abrigo na Internazionale de Milão, sendo emprestado ao
Parma e Fiorentina. Antes de se contundir, teve uma passagem espetacular pelos
dois clubes menores. De volta ao neroazzurri, confirmou o status promissor sendo
um dos principais artilheiros do Campeonato Italiano, marcando 15 vezes em 16
jogos pelo Campeonato Italiano 2004/05 - além de grande passagem pela Seleção
Brasileira na Copa América (2004) e Copa das Confederações (2005).
Depois
disso, o artilheiro que, a longo prazo, já era considerado o futuro maior
jogador do mundo e sucessor de Ronaldo, vem colecionando uma sucessão de
insucessos. Primeiro, despertou fama de brigão e violento por repetidas
agressões e faltas carniceiras que o garantiam cartões vermelhos desnecessários;
depois, seu jejum de gols e as declarações públicas de Roberto Mancini,
treinador da Inter, de que não tem planos para o atacante brasileiro, que só
continuaria no clube por imposição do então presidente Facchetti - falecido este
ano.
Agora Adriano acumula a impressionante marca de 200 jogos sem marcar
além de ter passado por um pífio desempenho na Copa do Mundo, abafado pela
atuação ruim do time como um todo.
Bom... dar murro em bêbado é fácil,
mas, se é pra explicar o que não funciona em adriano... Vamos em
frente.
Primeiramente, as qualidades do jogador. Adriano tem um bom chute
e é um jogador de força. Leva vantagem em bolas divididas e, na área, isso tem
seu diferencial. Brigar com Adriano na cabeça ou no chute é ficar em
desvantagem. Além disso, seu porte físico (que está ligado à qualidade já
citada) o garante um bom fôlego num jogo corrido demais.
No entanto,
habilidade é o que Adriano menos tem. Comparemos o "Imperador" com o outro
atacante da Internazionale, Ibrahimovic - é como Ibra, com capacidade de sair
facilmente da marcação com a bola nos pés e driblar com facilidade, tem mais
desenvoltura que Adriano. O fator posicionamento é mais um levado em
consideração. Não podemos colocar o Ibrahimovic como um exemplo neste setor, já
que o sueco-eslavo se posiciona mal; mas até mesmo um tropeço como Crespo tem
mais posicionamento com Adriano - e saber onde se posicionar é fundamental para
um centroavante, a não ser que você tenha o gênio de Ibrahimovic. E isto,
Adriano não tem.
Ou seja... juntando as duas hipóteses, temos um atacante
físico e "matador" que não tem o mínimo de leveza para dar um drible ou mesmo a
consciência de procurar uma boa marcação. O resultado disso é... bem marcado
esse atacante some. E aí... lá vão 200 dias sem marcar um gol... e assim a Inter
vai... dizem que o Real Madrid o quer. Duvido que Capelo o queira!
E
Adriano é a primeira prova de que o futebol brasileiro não passa por boa fase e
não é esse futebol superior que muita gente por aí acha que é e tenta convencer
a Deus e o mundo..
(Nota do editor: a coluna foi escrita antes deste
final de semana, então, o afastamento do roliço Adriano ainda não tinha sido de
conhecimento público. Neste sábado, a diretoria da Inter chegou a conclusão de
que Adriano precisa de recuperação
psicofísica. Ou seja, precisa entrar em forma e parar de pensar em baboseiras.
Vai ser difícil...)
Pequeno "Padawan", futuro Mestre Jedi? Stefan Lorax - 16/10
Antes de mais nada,
uma explicação nerd para o título. No "Universo Star Wars", criado pelo segundo
maior nerd de todos os tempos, o cineasta George Lucas (que só perde para o
escritor J.R.R.Tolkien, autor de Senhor dos Anéis), existem uma ordem na galáxia
chamada Cavaleiros Jedi, composta por guerreiros que visam zelar pela paz do
Universo. Um aprendiz de Jedi, chamado "Padawan" costuma usar um corte de cabelo
curioso: curto, com apenas um pequeno e fino rabo-de-cavalo. O mesmo corte que
usa o jovem RODRIGO PALÁCIO, atacante do Boca Juniors da Argentina.
Não
dá para saber se o jovem Rodrigo é, de fato, fã da saga Star Wars - não imagino
que seja tão idiota para tanto, mesmo sendo argentino. Mas que é uma promessa do
futebol a ponto de ser um dos principais jogadores da América do Sul, assim como
os Jedi para galáxia, isso, sem dúvida, Palacio o é.
O jovem camisa 14 do
Boca ainda é um tanto quanto desconhecido no Brasil. Motivo? Brasileiro só olha
para o próprio umbigo. Se brasileiro só percebeu o Tevez quando ele veio ao
Corinthians, mal se importa de conhecer um jogador argentino ainda melhor, que é
o Palácio. Surpresa na convocação de Pekerman para a Seleção Argentina que jogou
a Copa do Mundo, Palácio entrou apenas no segundo tempo da partida contra a
Costa do Marfim e marcou um gol que fora anulado por posição
irregular.
Veloz, com um chute preciso e autor de bons cruzamentos,
Palácio também se posiciona bem dentro da área - e mesmo fora dela - o que o faz
parecer o saudoso ponta-de-lança que mal vemos no futebol de hoje em dia, e
cairia como uma luva nas seleções Italiana e Holandesa, por exemplo. Seu forte,
os gols, têm ainda o reforço das belas assistências, e, combinados com a vontade
e garra do argentino, tornam "Drigo" uma verdadeira arma mortal.
Palácio
foi o destaque do Boca Juniors nos jogos contra o São Paulo pela Re-Copa
Sul-Americana e, muito provavelmente, será o nome dessa próxima Taça
Libertadores da América.
E o brasileiro só vai ter uma breve noção de
quem é Palácio, hoje aos 22 anos de idade, na decisão da Libertadores 2007,
quando massacrar um time brasileiro?
E depois disso? Será o quê? Quando
Palácio se destacar na Copa do Mundo de 2010 pela Argentina?
Se o
brasileiro se preocupasse menos com seu prórpio umbigo e com o pseudo-marketing
dos clubes brasileiros que alavancam jogadores como Rafael Sobis e o patético
Lenny, perceberia quem são as verdadeiras jóias do futebol
Sul-Americano...
Para inglês (não) ver Stefan Lorax -
09/10
Seleção Inglesa
comete patética apresentação em casa
Há algo de podre no
reino da Inglaterra - parafraseando famoso escritor inglês que, em seu texto,
deslocou a expressão para o reino da Dinamarca. No momento atual do futebol, no
entanto, um reino dinamarquês sequer existe. E, no inglês, parece, de fato,
haver algo de podre - no sentido figurado, claro.
Seja lá o que for,
fedeu muito neste sábado. A Inglaterra ferrou com todos nós, participantes do
Bolão FEC - nossa página superior - quando se deixou empatar com a fraca
Macedônia num patético 0x0.
Sem Beckham, capitaneada por John Terry, o
time inglês parece não ter entrado em campo. Assim como seu adversário. Com a
leve diferença... o time da Mecedônia não existe mesmo. O inglês, sim.
Há
de se ilustrar dois belos momentos. Uma falta cobrada por Joe Cole no primeiro
tempo defendida pelo goleiro macedônio e chutasso do Gerrard já no segundo tempo
que carimbou o travessão - após bela jogada do jovem talento Wright-Philips.
Peter Crouch, com um mínimo de categoria (que, no seu caso, é o máximo), bem que
tentou ao fim da etapa complementar, quando matou uma bola levantada no peito
mas arrematou mal. Fora isso, o time inglês foi um grande nada em
campo.
Claramente com um misto de falta de vontade e, oh, Deus,
talento... a Inglaterra insistia em jogadas pelo alto. Lampard e Cole abusavam
dos cruzamentos, quando o grandalhão Crouch parece até ter mais talentos com os
pés que com a cabeça - já que o poste nem sabe cabecear. Mesmo assim, ao lado de
Wright-Philips, que entrou apenas no segundo tempo, Pete foi o único com alguma
vontade. Gerrard, como na Copa, estava apático. Parece não saber mais ser
volante. Além de continuar usando, muitas vezes, de entradas duras e violentas
desnecessárias. Cole e Lampard pareciam estar com a cabeça no Chelsea. Gary
Neville já não consegue dar apoio na lateral e funciona mais como um zagueiro.
Faltou ao time inglês uma boa articulação de seus meio-campos, um melhor apoio
dos laterais e alguém de talento para arrematar a gol. O pouco de articulação
que o time teve aconteceu com Wright-Philips.
E fico com três questões na
cabeça. A primeira... o que acontece com essa articulação que não existe desde o
amistoso contra a Bielo-Rússia nas vésperas da Copa do Mundo? A segunda... seria
incompetência do McLaren em treinar a equipe ou o elenco que trava na hora de
defender a Inglaterra? E a terceira... Onde estava o promissor Aaron Lennon?
(estava lesionado - o editor)
Bom, uma coisa dá pra ter certeza:
Eriksson não foi responsável pelo fracasso do English Team na Copa. Há alguma
coisa fedendo muito mais por trás. Se é o elenco ou a Federação... ou mesmo o
McLaren... isso já não dá pra saber.
Grandes sonhos, pequenos interesses Stefan Lorax - 03/10
Boca e Sevilla
cogitam a possibilidade de uma Re-Copa Mundial.
José Maria del Nido,
presidente da equipe "menor" espanhola Sevilla, afirmou essa semana que está
estudando junto ao Boca Juniors da Argentina a possibilidade de jogar uma
Re-Copa Mundial - disputa entre o Campeão da Re-Copa Sul-Americana, que é
decidida entre o Campeão da Libertadores e o Campeão da Copa Sul-Americana; e o
Campeão da Supercopa da Europa, que é disputada entre o Campeão da Liga dos
Campeões da UEFA e o Campeão da Copa da UEFA.
Caso confirmado esse
torneio, Boca Juniors, atual Campeão da Copa Sul-Americana e da Re-Copa, ao
vencer o São Paulo; e o Sevilla, Campeão da Copa da UEFA e da Supercopa da
Europa derrotando o Barcelona, se enfrentariam na chamada Re-Copa Mundial - ou
Mundial Interclubes.
O jogo muito possivelmente aconteceria em uma única
partida entre os dois campeões. Provavelmente, seria em campo neutro -
provavelmente um campo neutro que atraísse torcedores e curiosos... havendo
apenas dois lugares assim no mundo: os Estados Unidos e o... Japão! Isso
reeditaria a desinteressante Copa Intercontinental, chamada aqui no Brasil de
Mundial Interclubes - aquela que era jogada entre Campeão da Libertadores e
Campeão da Liga dos Campeões. Confiante, del Nido afirmou que no próximo dia 04
de outubro, já com aprovação das partes interessadas, a UEFA estudará a proposta
deste novo campeonato.
No ar... ficam duas perguntas:
A
primeira... consideremos um visível interesse por parte da equipe européia. Sem
a boa-vontade do clube do Velho Continente, sem dúvidas o jogo nunca
aconteceria. Mas será que se o Barcelona vencesse a Supercopa, esse jogo iria
acontecer - levando ainda em consideração que o Barça jogará o (também
desinteressante) Mundial de Clubes da FIFA no Japão? Ou seja... formulando
melhor a pergunta... a Copa, aspiração do Sevilla, equipe menor que não tem
chances de vencer a Liga Espanhola ou a Liga dos Campeões, seria mesmo disputada
caso o Barcelona fosse o representante europeu?
A segunda... agora
teremos dois "mundiais" desinteressantes em disputa? Ou seja... vamos ter aquele
questionamento idiota de quem é o verdadeiro Campeão Mundial?
Para este
colunista, nem Corinthians (2000), nem São Paulo (2005), nem nenhum dos outros
que outrora venceram aquela infame Copa Toyota podem ser considerados campeões
mundiais. Campeão mundial é única e exclusivamente aquele que ganha uma certa
taça a cada quatro anos - e, merecidamente, hoje descança na Europa, bordando a
quarta estrela numa tradicional camisa azul.
P.S.: Peço desculpas por não
cumprir o que afirmei semana passada - seguir falando sobre a Copa
Sul-Americana. Com o surgimento desse assunto, foi necessário "atropelar" a
pauta. Semana que vem, Mundial de 2000 em pauta. Só então falemos sobre a
Sul-Americana novamente.
A conquista da América? Stefan Lorax -
25/09
Essa semana é a hora
da verdade para duas equipes "virgens" a nível de América: Corinthians e
Fluminense.
time paulista se encontra numa situação delicada: o seus
rivais somam uma penca de competições no continente. O Palmeiras tem a
Libertadores e uma Mercosul. O Santos, duas Libertadores. E o São Paulo...
bem... esse é hors-concours. Três Libertadores, duas Conmebol e duas Recopas.
Enquanto isso, a nível internacional, além de competições pequenas como troféu
Teresa Herrera e Torneio de Nova York, o Corinthians tem apenas aquele duvidoso
e questionado Mundial de Clubes da FIFA - nada ganho na América do Sul. Nem
mesmo a final da Libertadores - coisa que até o São Caetano disputou - o
Corinthians chegou a jogar.
O Fluminense vê apenas Vasco com uma
Libertadores e uma Mercosul e Flamengo com uma Libertadores e uma Mercosul à sua
frente. O Botafogo, no entanto, continua tão "cabaço" quanto o tricolor, lhe
fazendo companhia na zona daqueles que nunca ganharam nada na América do Sul.
Ainda assim, a situação certamente incomoda.
Corinthians e Fluminense
disputam essa semana, novamente, a fase internacional da Copa Nissan
Sul-Americana. Para os Brasileiros, esse torneio ainda é considerado uma
competição caça-níquel e desnecessária - embora todo ano o Cruzeiro faça uma
camisa especial para jogar a Sul-Americana e fracasse. Eu já defendi a disputa
da Sul-Americana, por ser um bom torneio, embora tenha enfatizado a necessidade
de mudar sua fórmula - e termos assim, uma equivalente da Copa da Uefa em nosso
continente.
O Timão enfrenta o Lanús, da Argentina. A primeira partida a
ser disputada quarta-feira, em São Paulo, no Canindé. O Fluminense enfrentará o
Gymnasia Y Esgrima, também da Argentina, no Maracanã, na quinta-feira. Resta
ver, durante a semana, qual será o posicionamento dos dois em
campo.
Encarando a realidade, o Corinthians não briga pelo título
Brasileiro. E, dificilmente, chegará à Libertadores. Por que não abrir mão então
de pontos importantes no Brasileirão - sem descuidar para não desandar - e lutar
pela conquista da Sul-Americana? O mesmo vale para o Fluminense que, no começo
da competição apontado ao título e que hoje, dificilmente, jogará a
Libertadores, quando perde de três em casa do Fortaleza - e eu sempre enfatizei
que esse Fluminense não iria a lugar nenhum. Basta conferir a coluna "Cavalos
Cariocas".
O Boca Juniors já mantém seu olho aberto para a Sul-Americana.
Ganhou o torneio duas vezes - e o consagrou com a conquista da ReCopa. E, num
desses campeonatos, comemorou junto a conquista da Apertura.
E os
Brasileiros? Vão ignorar por décadas, como se fez com a Libertadores? Por que
não abrir o olho para essa competição "menor"?
Corinthians e Fluminense,
que não têm nada? Vão se fazer de equipes cheias de conquistas continentais e
ignorar a competição? Por que não se tornar o primeiro Brasileiro a ganhar uma
Sul-Americana?
Semana que vem... mais críticas sobre a
Sul-Americana.
Murivicy? Stefan Lorax -
18/09
Há muito eu e um
amigo questionamos o talento do tal do Muricy Ramalho. Aclamado como um dos
melhores treinadores do Brasil, o treinador de muita gana e pouco raciocínio
tático assume um dos times mais vencedores nos últimos dois anos para levá-lo a
uma sucessão de quase sucessos. É justo criticar o Muricy?
De 92 a 97,
Muricy foi auxiliar técnico no Tricolor Paulista. Em 1997, assumiu o Guarani. Em
1998, o Shangaï Shenhua, onde venceu a Copa da China e o Campeonato de Hong
Kong. Depois de passagens pelo futebol do interior paulista, assumiu o Náutico,
com uma passagem que rendeu dois títulos pernambucanos e o carinho dos
torcedores capibaribes.
Só em 2003, Muricy veio ganhar um título de fato
expressivo: o Campeonato Gaúcho, pelo Internacional. Teve mais um título, o
Campeonato Paulista, com o São Caetano (finalmente saindo da fila, depois de
três "quases") - num ano que viu o pior paulistão desde 1990. Após a conquista,
voltou ao Inter onde ganhou mais um Campeonato Gaúcho, em 2005.
Nesse
mesmo Internacional, se dá início à polêmica: Muricy é um grande treinador?
Armou o Internacional com Jorge Wagner na "ala", aderindo ao 3-5-2 (que grande
treinador não-italiano joga no 3-5-2?)... e fez um belo Campeonato Brasileiro.
Belo o suficiente para ganhar o vice-campeonato. E aí chia torcida colorada,
chia imprensa dizendo que o Inter merecia ganhar o Campeonato no STJD após o
tribunal permitir que jogos fossem refeitos e que o Corinthians ganhasse 4
pontos que havia perdido. Mas ninguém lembra que Muricy não teve competência
para fazer o Inter vencer o Paraná e o Coritiba (este já rebaixado), o que lhe
daria vantagem de pontos sobre o Corinthians com ou sem STJD. E por que um time
que chega na última rodada e enfrenta um Coritiba já rebaixado, perde, merece
ser campeão? Não foi algo errado com o esquema tático de um time
não-ofensivo?
Muricy deixa o Inter por opção - ele quis sair - e assume o
São Paulo. Abel, vice na história, com dois vices de Copa do Brasil seguidos,
assume o Internacional. O que acontece? Muricy ganha os três clássicos paulistas
que disputa, mas não é competente o suficiente para levar o São Paulo ao título
- o time termina com o vice-campeonato. Depois... perde a Libertadores para o
Internacional quando arma o SPFC à imagem e semelhança do adversário - quem joga
às custas do adversário merece perder. E, em seguida... perde a Recopa para o
Boca. Cometendo o mesmo erro, chegando ao ponto de mudar o esquema do time para
um 4-4-2 xoxo. E aí, no que dá?
Muito se fala de Muricy. Mas sua carreira
o coloca como mediano - e, em termos de títulos, inferior a Oswaldo de Oliveira
e Geninho, treinadores com a mesma bagagem de Muricy. Então, por que se adora
tanto o Muricy e se esculhacha tanto o Geninho? Menos o céu para Muricy,
gente... menos!
O calcanhar de
Aquiles? Stefan Lorax -
12/09
Há alguns meses, o
São Paulo Futebol Clube se mostrava uma equipe quase invencível. Todos apontavam
o Tricolor Paulista como favorito em toda e qualquer competição que se metesse.
Desde a derrota na primeira partida da Libertadores, para o Internacional, em
pleno Morumbi, ficou de praxe falar mal do tricolor e apontar seus pontos
fracos. Ora... façam-me o favor! Bater em "bêbo" é fácil! Por que não apontaram
esses pontos fracos quando ainda dava tempo do Palmeiras eliminar os Bâmbis na
Libertadores ou de o Corinthians derrotá-los no Paulistão?
Após os
problemas no meio-campo serem apontados como a principal causa da derrocada na
Libertadores - "sem volante, o SPFC não joga" - agora é a vez do esquema
defensivo ser responsabilizado.
Já faz algum tempo, o São Paulo se
encontrou no esquema 3-5-2. Sua defesa logo se tornou mais segura que a do
Corinthians de 2002 e do primeiro semestre de 2003 e seus "alas" (que termo
horrível!) viraram chave de sucesso.
Quando o São Paulo fraquejou diante
do Internacional (mais um com um horrível 3-5-2), Muricy passou a temer pela
formação do clube e a encontrar deficiências na marcação. Para encarar o Boca em
La Bombonera, passou a usar o 4-4-2 pela primeira vez desde que me lembro. O
resultado não foi pior porque o Boca estava jogando MUITO MAL. Mas o meio-campo
do São Paulo se tornou uma avenida. Os laterais não encontravam espaço para
jogar com os volantes devido à alta necessidade de marcar e Danilo (aquele que
há alguns meses era comparado a Zidane...) voltou a ser o mesmo do Goiás,
incapaz de liderar o time.
Derrota do 4-4-2 do São Paulo para o 4-4-2 do
Boca, clássico no final de semana contra o Corinthians - e era a hora de
enfrentar o time brasileiro outrora mais parecido com o Boca. De volta ao "bom"
(bom??) e velho 3-5-2. Logo aos 5 minutos de jogo, o Corinthians perde seu
primeiro lateral - o estreante César, vindo da Lazio. E o meia Roger tem que ser
sacrificado para a entrada do bom pseudo-lateral Gustavo Nery. Aos 20, sai o
outro lateral, Ratinho. E o Corinthians fica com dois a menos. O que se espera?
Um massacre são-paulino, certo?
Errado. Mesmo no seu 3-5-2, o São Paulo
não sabia o que fazer. Meias não funcionavam para encontrar espaço na retranca
corinthiana. Laterais (ou "alas"?) não acertavam cruzamento na área. E o SPFC
passou 70 minutos extremamente inválidos contra 9 jogadores corinthianos.
Resultado? Empate heróico corinthiano. E o calcanhar de Aquiles tricolor?
Calcanhar? Cada vez mais aquilo parece o Aquiles inteiro! Mas... vou ficar
calado. Bater em "bêbo" é muito fácil!
(E que fique bem claro: o São
Paulo ainda é o meu favorito ao título brasileiro. Não me decepcionem,
bâmbis!).
Os maiores do
mundo Stefan Lorax -
04/09
No maior palco do
futebol mundial - a Inglaterra - Brasil e Argentina se "pegaram".
Em
virtude de seus cinco títulos mundiais, não é injusto classificar o Brasil como
"o maior do mundo" do futebol - o que é bem diferente de ser maior. E se estamos
falando de qualidade, é injusto colocar a Argentina nesse patamar - são só dois
títulos mundiais. No entanto, pela rivalidade histórica em vigor desde 1916, o
confronto entre Brasil e Argentina pode ser considerado "o maior do mundo" do
futebol.
No entanto, desde 1990 que as Seleções em questão não apresentam
um grande futebol. Desde a vitória da Seleção de Maradona e Cannigia sobre o
fraco time de Careca na Copa da Itália, Brasil e Argentina têm se alternado no
papel de "amarelão" dos jogos. Sempre é um grande desnível.
E hoje foi
assim. Carente de um craque, a Argentina depende única e exclusivamente de seu
jogo coletivo. Quando funciona, a equipe é capaz das melhores apresentações de
um time de futebol hoje no mundo - e esse brilho, vimos em alguns momentos na
Copa do Mundo e nas Eliminatórias para o Mundial. Quando não funciona, acontece
o que aconteceu hoje.
Riquelme se mostra um incompetente. Messi já
mostrou seu talento em amarelar e ameaça não passar de um bom jogador sub-20. O
mesmo pode se tornar realidade para Zabaleta. Tevez, um bom jogador - para
América do Sul. Ainda não jogou o que deve em nível mundial e pode fraquejar no
futebol europeu. Para o fraco futebol brasileiro, craque - a exemplo de seu
ídolo Riquelme. Para o exigente futebol europeu, talvez uma decepção - a exemplo
de seu ídolo, Riquelme.
A Seleção Argentina, logo, não se encontrou em
campo. E o confronto de "maiores do mundo" acabou dominado por um dos lados. O
brasileiro. Tudo graças a atuação de dois bons nomes do futebol verde-amarelo:
Elano e Kaká que, com sua genialidade, decidiram o jogo. Daniel Carvalho também
se mostrou bem - e das grandes expectativas, só Fred decepcionou. E o que o
Brasil precisa - um bom ataque - acabou insuficiente no jogo.
Mas ficou
provado uma coisa: Como a Seleção Brasileira joga bem sem o tal do
Ronaldinho.
No mais, o time brasileiro foi irregular e tão fraco quanto o
argentino. As laterais, fracas. Os volantes, idem. A zaga, segura, fez o
arroz-com-feijão lá atrás e, com um ataque argentino ao mesmo tempo ruim e pouco
inspirado, não foi difícil para o Brasil garantir a vitória.
E o clássico
bem que merece outro nome: Os maiores irregulares do mundo.
Futuro Stefan Lorax -
28/08
Rafael
Sóbis se revelou nos últimos dois anos um dos mais promissores jogadores do
futebol brasileiro, OK? Então... que futuro tem o garoto?
Sóbis é loiro,
metrossexual - e tenta explorar a beleza como David Backham - além de ter algum
talento. Pode não ser o jogador mais habilidoso (se comparado ao Daniel
Carvalho) ou ter uma capacidade de finalização combinados com uma velocidade
matadora, como o Nilmar... mas é, de longe, mais talentoso que jovens como
Robinho e Diego. Ou seja... Sóbis desponta para um grande futuro certo? Certo?
Vamos lá, respondam!
Vejamos o que tem acontecido com os talentos
recentes do futebol brasileiro... Daniel Carvalho, revelado pelo Internacional.
Foi parar no Clube das Forças Armadas Russas, conhecido por CSKA. Um jogador
excelente. O mesmo destino tomou o Vágner, revelado na Série B pelo Palmeiras -
mas de qualidade duvidosa. O CSKA Moskov... pode não ser a melhor vitrine do
mundo. Mas pelo menos deu aos dois uma Copa da UEFA e alguma visibilidade - a
mínima que seja. Já Elano... talvez o melhor meia brasileiro revelado nos
últimos 5 anos... bom, foi parar no Shaktar Donetski da Ucrânia. Boa sorte para
o garoto que, com muito custo, não passa da 1ª fase da Liga dos Campeões ou da
1ª fase da Copa da UEFA a cada temporada. Nilmar, também revelado pelo
Internacional, ancorou-se no Olympique Lyonaiss, aqui conhecido por Lyon, onde
estreou bem, marcando dois gols. Depois, ficou com a bunda quadrada de tanto
sentar no banco. Voltou ao Corinthians onde voltou a ser destaque, até que
quebrou a perna e está parado. Nadson... mais um de qualidade duvidosa foi parar
na Coréia. Voltou agora ao Corinthians. É pagar para ver. Talvez (TALVEZ...) uma
boa revelação do futebol brasileiro estragado no subúrbio do futebol
mundial.
Desses listados acima... Daniel Carvalho, Elano e Nilmar - junto
a Sóbis, formado no Corinthians e revelado pelo Internacional - e mais Ânderson,
jovem promessa do Grêmio que já se mandou para o Porto, onde não faz boa fama -
são, de fato, bons jogadores. No entanto, acabam mendigando papéis medíocres em
times medíocres.
Daniel Carvalho e Elano, sem dúvida os papéis mais
sentidos.
Agora foi o Sóbis. Primeiro, falou-se em Milan. Depois,
baixaram a bola do garoto. E falaram em Valência ou Sevilla... times de segundo
escalão. Aí que o menino vai parar no Racing Santander e brigar, no máximo, por
vaga na patética Copa Intertoto. E aí? Que futuro esses meninos têm?
Pois
é... parece que, assim como brasileiro sabe vender MAL seus talentos... os
Europeus sabem comprar pior ainda. Enquanto um picareta como Robinho vai com
todo marketing do mundo para o Real Madrid e jóias como Elano e Daniel Carvalho
param no Shaktar Donnetski e CSKA Moskov... até mesmo os jogadores apenas bons
caem em equipes de terceira, como o Racing Santander. Será que o que se precisa
fazer para ir a um clube grande europeu é saber pedalar, ter o nome iniciado com
"R" e arrancar berros da boca de Galvão Bueno? Esse é o futebol
brasileiro...
Avalanche Colorada Stefan Lorax -
21/08
O
Internacional de Porto Alegre finalmente vence a Taça Libertadores da América.
Justiça seja feita... depois de 20 anos de disputar sua primeira decisão, e,
liderado pelo gênio Falcão, perder o título ante o Nacional do Uruguai, o
Colorado entra no hall da fama do futebol sul-americano - como merece um time
que foi um dos quatro grandes do futebol brasileiro, ao lado o Santos de Pelé, o
Botafogo de Garrincha e o Flamengo de Zico - o São Paulo do bi
Libertadores/Mundial e o Corinthians e Palmeiras dos bis/Brasileiros estão
abaixo desses quatro citados.
Na primeira partida da decisão da
Libertadores, há mais de uma semana atrás, o Inter contradisse este comentarista
quando esmigalhou o São Paulo e seu favoritismo. O tricolor paulista se revelou,
surpreendentemente, uma equipe frágil na ausência do volante Josué, expulso,
deixando Mineiro perdido em campo com as funções de desarme, marcação e
contra-ataque - e o meio-campo são-paulino foi facilmente envolvido pelo ala
Jorge Wágner, grande destaque da partida, seguido de uma jovem estrela: Rafael
Sóbis. Seu brilho, incontestável em 2005, esteve ausente durante todo esse ano
de 2006, até que voltou com força total na grande decisão da Libertadores.
Marcou os dois gols do primeiro jogo e, só não calou o Morumbi pois a torcida
tricolor pela primeira vez agiu como uma torcida do porte do time que
representa, e incentivou a equipe até o apito final - matendo as esperanças para
o jogo de volta.
Ironicamente, a partida seria o Beira Rio, onde o São
Paulo fez questão de jogar em 2005, contra o Atlético Paranaense na final, por
se recusar a jogar na Arena da Baixada - estádio do Furacão com capacidade
inferior a 40 mil torcedores. E, dessa vez, o São Paulo foi vítima de problemas
extra-campo, quando o Real Bétis bateu o pé e se recusou a liberar Ricardo
Oliveira para a partida final.
Ainda assim, o São Paulo não se entregou e
vendeu caro a derrota. Em campo num Beira Rio completamente vermelho, o Tricolor
dominou os primeiros 10 minutos de jogo e só não abriu o placar por azar, com
várias oportunidades cara a cara com o gol colorado. E, claro, voltando a campo
após uma paralisação devido à fumaça dos sinalizadores, frio, o São Paulo foi
vítima do oportunismo do Inter e de uma falha trágica do goleiro Rogério Ceni,
que largou a bola nos pés de Fabiano Eller após cobrança de falta de Jorge
Wágner. O zagueiro passou para Fernandão que completou, Inter 1x0. Bravo, o SPFC
buscou o empate, que só conseguiu no início do segundo-tempo, com gol de Fabão
após toque de Lugano. Aos 20 minutos, Tinga daria um golpe fatal no tricolor ao
marcar 2x1 - mas foi expulso por levantar a camisa. Com um homem a mais, o São
Paulo empatou novamente aos 39 minutos, após falha de Clêmer em cobrança de
falta de Júnior e gol de Lenílson. Dos 40 em diante, minutos de sofrimento
colorado e esperança tricolor, que seguiu buscando a virada e só não a conseguiu
graças à atuação heróica de Clêmer, fechando o gol nos minutos finais.
Em
dois jogos, o Internacional provou que, mesmo com três zagueiros, pode jogar de
forma ofensiva, quando seus alas são mais meio-campo que laterais, assumindo
logo uma formação mais ofensiva que defensiva - algo semelhante ao que a
Argentina fez na Copa do Mundo e quase deu certo.
E essa taça colorada é
mais que merecida. Mais uma vez, no futebol, Davi bate Golias. E é por isso que
amamos o futebol - um esporte que foge do óbvio. E muito obrigado ao
Internacional, gata-borralheira e não favorita, que deu sua volta por
cima.
Interrogações para traíras e filhos da p**a Stefan Lorax - 07/08
Qual será o Dunga da
Seleção Brasileira de agora em diante? Será aquele volantão aguerrido, que
gritava com Deus e o mundo e teve a ousadia de se virar para os jornalistas, ao
levantar a Taça do Mundo em 94, gritando "essa aqui é para vocês, seus traíras
filhos da puta"... ou será apenas um "boi-de-piranha" para breve demissão e
contratação de Vanderlei Luxemburgo?
Sem experiência nenhuma como
treinador, Dunga foi escolhido por Ricardo Teixeira por sua personalidade
vibrante e justamente por seu jeito "duro" (no bom sentido) de ser. Há quem diga
que o ex-capitão será apenas um "boi-de-piranha", para ficar no cargo até que
termine o contrato de Luxemburgo com o Santos. Notem que Luxemburgo nunca negou
que iria à Seleção... apenas desconversa quando perguntado sobre o
assunto.
Em campo, Dunga compensava sua completa falta de classe com seu
comportamento guerreiro e espírito de liderança. Não tinha medo de peitar
ninguém - afinal de contas, encarava até o Romário e Júnior Bahiano. Teria Dunga
colhões suficientes para encarar Teixeira, encara público e crítica diante desta
Seleção Brasileira em princípio de crise?
Sua experiência como treinador
se resume ao programa Joga Dez, da Rede Bandeirantes e da Nike, quando cuidou de
crianças. Com elas Dunga não gritava - era ríspido, mas sem gritos e sua
brutalidade peculiar. Agora, passará de crianças promissoras à estrelas boas,
ruins e enganadoras. A rispidez que Dunga tive para com os jovens futuros
craques Rique e Juan será mantida quando o ex-Capitão tiver pela frente Ronaldo
e Ronaldinho?
E a coragem de renovar a equipe? Dunga mostrou política em
sua primeira convocação, chamando jogadores fracos de Vasco e Flamengo só pelo
fato dos dois terem jogado a final da Copa do Brasil - e recebendo (injustas e
exageradas) ovação da mídia esportiva (leia-se Globo). O Dunga da Seleção, para
valer, será esse político... ou será corajoso ao ponto de, por exemplo, pôr
Ronaldinho no banco de reservas e usar o Alex no time titular?
E seu
prazo de validade na Seleção? O trabalho de Dunga será realmente avaliado e
mantido enquanto for bem... ou será, de fato, "boi-de-piranha" esperando apenas
o fim do contrato de Luxemburgo com o Santos?
As questões e interrogações
formuladas sobre o novo treinador da nossa Seleção são muitas. As respostas,
certamente, não virão a curto-prazo. E duvido muito que haja um longo-prazo para
que ele nos chame, jornalistas, profissionais ou amadores, de "traíras filhos da
puta novamente". No mais, tudo que se diga sobre o Dunga... é precipitado e mera
especulação.
Bambi 4 Stefan Lorax -
31/07
E finalmente
aconteceu. Depois de 13 anos, o São Paulo Futebol Clube voltou a dominar o
Brasil.
Goleada levada este domingo em casa diante do rival Santos à
parte, o SPFC é, de fato, o melhor time do Brasil. Um processo evolutivo
iniciado em 2000 que, com planejamento a longo prazo, resultou nesta equipe
vencedora.
Em 2000, quando vencia o Campeonato Paulista e revelava um
garoto chamado Kaká, o SPFC ainda era um time que causava risadas - nem sombra
da equipe avassaladora de até 94. E, o máximo que conseguia era ganhar o
Campeonato Paulista - para, no Campeonato Brasileiro, chegar diante de
Corinthians, Palmeiras e Santos e fraquejar, como mandava o figurino desde 90
(com exceção de 91, quando foi campeão).
A primeira grande equipe que o
São Paulo viria a montar nos novos tempos foi em 2002 - e despontou como
favorita ao título Brasileiro, após perder a Copa do Brasil (semifinal) e o
torneio Rio-São Paulo (final) para o rival Corinthians. Já reforçado por
Ricardinho e ainda com Kaká, o São Paulo de Osvaldo de Oliveira foi uma máquina
no Campeonato Brasileiro, vindo a cair diante do Santos de Elano e Renato nas
quartas-de-final e dando fim ao sonho.
2003 bateu na trave novamente, mas
a vaga na Libertadores conquistada pelo Campeonato Brasileiro fez o torcedor
sonhar novamente. Em 2004, o sonho do tri foi castrado pelo esquema vergonhoso
do Once Caldas, já nas semi-finais da Libertadores - que, caso o SPFC passasse,
certamente sucumbiria ante o Boca Juniors na final. A vaga na Libertadores, no
entanto, voltou após mais uma boa campanha no Campeonato Brasileiro pelas mãos
do interino Rojas.
2005 sim, foi o ano para o torcedor tricolor sorrir.
Sob comando de Leão, venceu o Paulistão com sobra - de forma quase invicta. Leão
não quis ficar no time... e se mandou. Aí apareceu a estrela da direção
são-paulina que catou no Peru uma excelente peça de reposição: Paulo Autuori,
Campeão Brasileiro em 95 pelo Botafogo e da Libertadores em 97 pelo Cruzeiro,
que estava sofrendo absurdos da imprensa peruana devido ao desempenho irregular
ante a fraca seleção do país. Autuori chega, o São Paulo em sua boa campanha
perde Grafite. Tudo bem. A administração foi e trouxe o Amoroso e confiou num
irregular Luisão. Deu certo e veio o tri da Libertadores após vitórias
incontestáveis sobre River Plate, inslusive na Argentina, e sobre o Atlético
Paranaense. O clube então fez a escolha de abrir mão de um caótico e bagunçado
Campeonato Brasileiro para jogar o Mundial no Japão. Deu certo. São Paulo tri
Mundial.
Para 2006, o clube perde Amoroso. E perde Grafite. Tudo bem. Já
contava com a revelação Tiago, trouxe Alex Dias do Vasco e apostou na
recuperação de Ricardo Oliveira para conseguir o atacante por empréstimo. Deu
certo? Bom... vice-campeonato paulista vencendo os três clássicos,
semi-finalista da Libertadores decidindo vaga em casa após vencer a primeira
partida fora e um dos líderes do Campeonato Brasileiro.
Meu palpite?
Tenho até pena do Barcelona com sua defesa desorganizada e com o enganador
Ronaldinho (muito provavelmente, marcado pelo Mineiro ou pelo Lugano) caso os
dois se enfrentem no Japão, em dezembro deste ano.
Será o ano dos Bambis
(apelidado assim por torcedores rivais invejosos e inconformados) ganharem, de
uma vez só... três tetras?
Joga Déi Stefan Lorax -
24/07
Antes de mais
nada... o título foi sugerido por um amigo que, ao ver a eliminação do Brasil
diante da França... comentou "Joga dez nada. Ronaldinho está mais para um Joga
Déi".
Analisando a participação de Ronaldinho na Copa do Mundo... o que
determina o fracasso do jogador?
1. Posição em campo Há quem reclame
do fato de Ronaldinho ter jogado no meio-campo, dizendo que teria sido
sacrificado por no Barcelona jogar na ponta-esquerda, como um atacante
tradicional. Mas Ronaldinho não rendeu no ataque da Seleção Brasileira - também.
E antes que digam "ah, mas num jogo só não dá para o cara render", quando digo
isso, não me refiro ao jogo contra a França, quando foi escalado no ataque.
Durante as eliminatórias, Ronaldinho era a opção de Parreira no ataque. Com essa
formação, o Brasil venceu quatro partidas. Perdeu uma. E, o que caracteriza o
pior desempenho... empatou cinco vezes. Ronaldinho foi deslocado para o
meio-campo. Foram cinco vitórias e dois empates. O rendimento melhorou e em
quatro dessas partidas o tal "quarteto mágico" foi usado. Foram quatro vitórias
com tal formação. Ronaldinho, no entanto, em momento algum convenceu. Não
participou dos dois melhores jogos do Brasil nas eliminatórias - a estréia por
2x1 contra a Colômbia e a goleada de 5x0 sobre o Chile. Sua única grande atuação
com a camisa da Seleção Brasileira segue sendo a vitória sobre a Inglaterra na
Copa de 2002 - e, jogando no ataque ou de armador, Ronaldinho seguiu com
péssimas atuações.
2. A responsabilidade Kaká chamou para si a
responsabilidade do jogo durante as Eliminatórias e durante os dois primeiros
jogos da Copa do Mundo - até que seu rendimento caiu. Alex chamou para si a
responsabilidade durante a Copa América. Adriano o fez durante a Copa das
Confederações, ao lado, novamente, de Kaká. Ronaldinho, no entanto, sempre foi
apático. Em seus jogos... apesar de conseguir, vez por outra um passe genial e
uma bola enfiada, o camisa 10 sempre mostrou dificuldades para com a marcação
que recebia - o que TAMBÉM acontece no Barcelona, relembrem jogos como a partida
contra o Real Madrid em Barcelona, a partida contra o Chelsea em Londres e a
partida final da Liga dos Campeões quando foi marcado. Suas jogadas individuais
também não funcionam e o pior é... Ronaldinho não se apresenta para jogo. Não
busca a bola, não chama a responsabilidade para si. É incrível como, durante a
Copa do Mundo, até mesmo o gordo e desmotivado Ronaldo e o palhaço sem talento
Robinho se apresentavam para receber passes enquanto Ronaldinho seguia apático
diante de sua (boa marcação). Cadê a responsabilidade do melhor do
mundo?
3. A fama Nem Pelé em 70, nem Cruyff em 74, nem Zico em 82, nem
Maradona em 90, nem Baggio em 94, nem Ronaldo em 98, nem Rivaldo e Zidane em
2002... nenhum jogador causou tanta expectativa quanto o que mídia e torcedores
tinham criado para com Ronaldinho nesta Copa do Mundo. O camisa 10 virou
personagem de Maurício de Souza e até sabor de picolé da Kibom. As expectativas
de Ronaldinho chegaram ao absurdo de quererem colocá-lo ao lado de Pelé e
Maradona. Quando, o que se viu foi um garoto tímido que nem mesmo repetiu a
classe de um Zico, Michel Platini ou Karl Rumenigge que, por algum capricho do
destino, não ganharam suas Copas do Mundo. E, mesmo assim, fizeram história,
jogaram bonito, emocionaram... marcaram uma geração. Ronaldinho ganhou a Copa de
2002... e o que ele ganhou naquele time abafado pela atuação monstruosa de
Rivaldo - um verdadeiro camisa 10 - e a recuperação surpreendente de
Ronaldo?
Muito já foi dito sobre Ronaldinho antes e após essa Copa. Mas
faltavam meus dois centavos sobre este caso. O caso do nosso... camisa
déi!!
O efeito do Lorax sobre Vanucci Stefan Lorax - 17/07
No
último dia 13... nosso colunista Stefan Lorax... ou seja, eu, completou 22 anos.
E teve que receber os parebéns do chefe Fanático com os seguintes dizeres:
"Parabéns, Lorax. 22 anos para ser comido pelo Vanucci!" What the
fuck?
Ah, claro... entendi. Creio que todos tenham visto... nessa última
semana... que o Fernando Vanucci apresentou de forma descontrolada o seu
programa na Rede TV! após a final da Copa do Mundo. Enquanto passavam as imagens
da bela (e justa) festa do time italiano, comemorando seu belo (e justo)
tetracampeonato... Vanucci apenas se lamentava, de forma redundante, da
eliminação da Seleção Brasileira - e em momento algum parabenizou ou ovacionou a
Squadra Azzurra pelo belo campeonato.
Famoso por suas gafes no ar e fora
dele... como o choro após a eliminação do Brasil para a Argentina na Copa de
90... ou por ter sofrido um acidente de carro ao dirigir embreagado depois de
afogar as mágoas pela morte do Ayrton Senna... e a mais célebre... ser demitido
da Rede Globo por entrar ao vivo comendo uma bolacha... o Vanucci nos coroou com
essa pérola.
Durante a semana... quanto mais o vídeo corria solto na web
graças às maravilhas do YouTube, mais os boatos aumentavam sobre o que teria
ocorrido com o Vanucci. Até que o mesmo deu a declaração. "A culpa foram dos
dois comprimidos Lorax que tomei". Segundo o apresentador... estava passando mal
e teve de ingerir a medicação e... opa!! Peraí! Lorax? Ô!! Inclua-me fora dessa!
Eu não tenho nada a ver com essa história!!
Lorax é um comprimido
tranqüilizante com características semelhantes ao Procimax (que, por sinal... é
meu nome do meio. Stefan P. Lorax... ou Stefan Procimax Lorax... herança da
minha mãe) que deixa aquele que o ingere com sonolência. Mas de forma alguma,
grogue a ponto de cambalear e falar sílabas sem sentido no palco enquanto
apresenta seu programa. Lembrando que em momento algum o Vanucci bocejou durante
seu delírio... apenas repetia insistentemente seus lamentos sobre a eliminação
da Seleção Brasileira e dava paradas sinistras enquanto pensava o que ia
dizer... e repetia tudo.
Dessa forma... pela honra da família... posso
garantir... Vanucci não ingeriu Procimax. E MUITO MENOS LORAX!! Das duas uma...
ou foi uma bela dosagem de álcool (pela minha experiência, diria whiskey)... ou
de algum outro medicamento. Diazepan, Buscopan, Gardenal... Lexotan... algum
desses. Lorax? Não!!!
E nós já sabíamos Stefan Lorax -
10/07
Foram
as conversas com o patrão Fanático que me levaram à coluna "Cheiro de Pizza",
publicada aqui no Futloucos! (confiram no meu histórico). E nela, fui categórico
e sem nenhuma firula, afirmei: Itália é a minha favorita ao título. Listei
coincidências com a Itália de 82 e o Brasil de 94, quando conquistou o tetra
(ironicamente, sobre a Itália) e com mais alguns dados do ótimo time italiano,
afirmei que a Azzurra seria campeã. Bom, OK. Chefe... nós já sabíamos.
A
Itália fez exatamente o esperado nesta Copa do Mundo. A defesa, desfalcada de
Nesta, encontrou em Cannavaro seu braço forte! Capitão ao estilo coragem,
carregou o coração do time, tendo a seu lado um Materazzi determinado e, na
partida contra a inofensiva Ucrânia, o Barzagli, devido a injusta expulsão do
Materazzi na partida anterior, contra a Austrália. Pelas laterais, dois grandes
nomes da campanha: Zambrotta e Grosso, que garantiram velocidade às laterais - a
velocidade que a Itália não tem em seu meio-campo e no ataque. E essa velocidade
era responsável pela perigosa descida ofensiva italiana. Detalhe: usei aqui o
termo LATERAIS. Sim, esta Itália jogava defensivamente, mas num esquema macho:
4-4-2. Sem essa de 3-5-2, sem termos idiotas como ALAS. O meio-campo viveu um
momento único: tido como apenas um corredor, Gattuso foi um ás na marcação (e
que a torcida do Milan não espere que ele volte a viver tal momento). Pirlo,
talvez o melhor jogador da Itália, não fosse Cannavaro. O argentino Camoranesi e
Perrota fecharam o meio italiano, responsável por um jogo cadenciado, um bom
toque de bola e as enfiadas excelentes para Gilardino e Toni. Totti, recuperado
de sua brutal contusão, foi um símbolo dessa raça italiana. E no gol, aquele
que, como Paolo Rossi em 82, está sendo investigado por envolvimento com
manipulação de resultados: Gianluigi Buffon, o melhor goleiro do mundo, que
evitou que o time sofresse grandes sustos. Seguro e confiante.
Confiança.
Essa foi, sem dúvida, a principal arma italiana para esta Copa. Um futebol
desacreditado e judiado pelos esquemas de manipulação que pode rebaixar quatro
de seus principais times. Diante dessa adversidade, o time se uniu. Pirlo,
abraçado o tempo todo a Cannavaro durante as cobranças de pênalti, mostrou o
quanto era forte essa união. Não havia individualidade neste time - como na
Seleção Brasileira. Todos abraçaram esta causa. E a Itália abriu mão de um
artilheiro - que conseguiu em 82 com Rossi e em 90 com Schilacci. Desta vez,
todos se revezavam no ataque. O importante era vencer. E os seis atacantes - até
mesmo o "Pipo" Inzaghi - marcaram seus gols. Todos úteis ao título. Del Piero,
sempre polêmico, abriu mão de sua vaidade e aceitou a reserva. Assim como Totti
em vários momentos, sem reclamar de substituições. E pareceram não se importar
quanto Iaquinta virou a principal opção de banco. Quando entravam em campo,
davam o sangue. Isso fechava o ataque italiano. Calmo, sereno... e matador
quando se precisou.
O responsável por tudo isso, um cara chamado Marcello
Lippi. Que liderou de forma genial a Juventus durante anos - não vamos querer
manchar o time do Lippi com as investigações de esquemas de resultados. Este
treinador conseguiu uma proeza: transformou todo time que teve em mãos em
verdadeiras fortalezas. Jogo seguro e sem dustos. O que era a arma da Juventus,
se tornou a principal arma da Itália. E Lippi ainda conseguiu a proeza de
quebrar com essa máxima de que a Itália não ataca. Por vários momentos nesta
Copa, transformou seu 4-4-2 defensivo em um 4-3-3 ofensivo - incluindo na
semi-final, o fantástico jogo contra a Alemanha quando a Itália renasceu de
forma avassaladora na prorrogação - e a final. Para fechar com chave de ouro, a
Itália venceu a trauma dos pênaltis. Título mais que justo ao futebol italiano.
Eles mereciam isso. E a Copa do Mundo também.
Com todo esse trabalho, de
tão judiada que foi nos últimos 12 anos, a Itália renasceu e mostrou que seu
futebol ainda é o melhor do mundo. Talvez não tão bonito, talvez não tão
"artístico". Ainda assim, futebol de quem quer sempre a vitória. Se segurando
atrás, com um ótimo goleiro (todo grande time começa com um grande goleiro), com
ótimos zagueiros. Passando pelo meio-campo seguro como sempre, com bons volantes
e meias com grande capacidades de armação, chegando a um ataque sempre
talentoso, sempre matador. Dessa forma, finalmente, a Itália recebe aquilo que
nunca deveria ter perdido: a Copa do Mundo. E sabe o que é o melhor disso,
patrão?? Nós já sabíamos!!
O pulo do campeão Stefan Lorax -
03/07
Bola
cruzada na área - bem ao estilo alemão. E Miroslav Klose, nosso querido
germano-polaco manda para o gol. A Alemanha empata o dificílimo jogo com a forte
Seleção Argentina - dona do até então melhor futebol desta Copa.
1x1.
Neste momento, Jürgen Klinsmann, o técnico tão constatado por todos,
como relatado aqui na primeira coluna do Stefan Lorax pela nova fase do
Futloucos, quebra todos os protocolos de frieza alemã e pula feito criança.
Comemora. Como disse José Trajano na ESPN Brasil... o Klinsmann "marcou o
gol".
Em campo, Michael Ballack arrasta sua perna com caimbras. E a
agüenta até o fim, como o líder, capitão e exemplo de força que tem que ter. Seu
nível de armação na partida superou qualquer outra que fez nesta Copa -
diferentemente de Schweinsteiger, que dessa vez decepcionou. Assim como
Schneider - mas Lahm estava cobrindo o lado esquerdo com perfeição. O azar do
Schweinsteiger era que, ao seu lado, na esquerda, estava o Friedrich. Ballack
acabou sobrecarregado pelo meio. Não reclamou. Foi até o fim.
A defesa
quase deixou a desejar. Metesacker cometeu muitas falhas, por cima e por baixo,
mesmo sendo alto e fazendo jogo duro. Só que lá atras estava Jens Lehmann,
fazendo o que podia. Foi quase perfeito. Só não pegou a cabeçada fatal do Ayala.
Será que fez falta?
Na frente, Klose e Podolski não trabalharam tão bem
juntos como em partidas anteriores. Mas Klose marcou o gol de empate que abre
este capítulo e, se desta vez não deu pra ser o homem do jogo, deu sorte por seu
time contar com Ballack.
Acabada fisicamente, a Alemanha, empurrada por
sua torcida, suportou a prorrogação e foi aos pênaltis. E aí mais uma
demonstração de força - quando o mascarado Oliver Kahn foi apertar a mão do
Lehmann e desejar-lhe o melhor na cobrança de penais. OK. Máscara. Grande. Mas
serviu para levantar a torcida. Acendeu a força alemã. E, quem sabe, de fato
passou forças a Lehmann - herói do jogo, pegando dois pênaltis.
A
Alemanha, desacreditada por muitos, chega às semi-finais. Treinada por um
ex-centroavante que pode estar sendo um divisor de águas para o futebol alemão -
e europeu? Não basta ser uma máquina de eficiência. Jogar bem conta. E dá pra
fazer isso sendo ofensivo - o time de Klinsmann vem fazendo.
Nunca vi uma
Alemanha tão ofensiva! Mesmo a Alemanha que fez 2x0 na Suécia conseguiu ser mais
ofensiva que aquela que em 2002 fez 8x0 na Arábia Saudita.
Klinsmann,
desajeitado, constatado, morando em Los Angeles, está mudando a cara do futebol
alemão. Que bom seria para ele ganhar essa copa - "ele", não o Klinsmann. O
futebol alemão. Porque futebol não se joga só com resultados.
Nem
eficiência. Nem gols. Se joga bem. Não precisa ser lindo, bonito. Basta ser
bem-feito. E dar gosto de se ver jogar. E o Klinsmann, com essa Alemanha, está
conseguindo. Ponto para eles! E, como foi que eu disse mesmo?
Ah...
depois não digam que eu não avisei. Nota do Stefan Lorax: as duas Seleções que
creditei como favoritas se enfrentam agora nas semi-finais. A Alemanha na força
e emoção da torcida. A Itália na confiança de sempre. Quem vai à
final?
Enfim... em casa! Stefan Lorax -
26/06
Acabaram-se as turbulências - pelo menos por hora. Jürgen Klinsmann já
ganhou o carinho da torcida alemã. A seleção já caiu nas graças do povo e, com
quatro vitórias, 100% de aproveitamento e sem sofrer gols nos últimos três
jogos, finalmente a Alemanha ganha sua merecida condição de favorita ao título.
Alguém acredita?
Os responsáveis são filhos de outra terra: a dupla
Miroslav Klose e Lukas Podolski, poloneses filhos de pais alemães - ou seja,
atletas bi-nacionais. Têm sangue alemão de fato, não são meros cidadãos
naturalizados. E, juntos, têm uma química tão forte quanto Romário e Bebeto em
94, ou Rivaldo e Ronaldo em 2002. Será que isso cheira a título?
O homem
de meio-campo não tem sido Michael Ballack. OK, o capitão alemão vem jogando
bem. Mas o trunfo mesmo tem sido Bastian Schweinsteiger. Revelado durante as
eliminatórias, o meia do Bayern de Munique tem sido um dos grandes destaques da
Seleção. É eficiente na marcação da saída de bola e faz cruzamentos perfeitos.
Além de armar jogadas pelo chão - e os homens à frente, Klose e Podolski, já
mostraram que sabem jogar pelo chão também.
A maior revelação, talvez,
venha do lado esquerdo. A Copa do Mundo direcionou seus holofotes para o
talentoso Philip Lahm. Rápido, habilidoso e com uma boa visão de jogo. Nas
palavras de Eric Cantoná, "Lahm joga com o coração", e tem dado o sangue do lado
esquerdo do time alemão. Grande destaque da primeira partida, o jogo "heróico"
contra a Costa Rica, Lahm fez sua melhor partida neste sábado, contra a
Suécia.
E lá atrás, se Metesacker e Metzelder têm cometido falhas
imperdoáveis para aquela que seria a grande dupla de zaga do Mundial, Jens
Lehmann tem sido seguro debaixo dos paus - para infelicidade de Oliver Kahn, o
tempo todo sendo mostrado com cara emburrada no banco de reservas
alemão.
A saga alemã, então, se constitui de dois capítulos distintos. O
heróico, nas partidas contra Costa Rica e Polônia, vencidas por um gol de
diferença (3x2 e 1x0, respectivamente), onde a Alemanha ainda cometia muitas
falhas de marcação, abusava dos passes errados e ainda era uma escrava do jogo
aéreo - vulgo "chuveirinho". O outro capítulo seria a força, mostrada nas
partidas contra o Equador e a Suécia, respectivamente 3 e 2 a 0. Já era uma
outra Alemanha. Tudo bem que Equador e Suécia não foram grandes rivais, mas já
podemos ver melhor o toque de bola alemão, e a eficiência do lado esquerdo, que,
como toda boa Seleção nesta Copa, conta com um "quarteto fantástico": Lahm,
Schneider, Ballack e Klose. Pela direita, o trabalho de Schweinsteiger e
Podolski só não é facilitado pela incompetência do lateral
Friedrich.
Resumindo... hoje, a Alemanha conta com um lado esquerdo
matador, um ataque fatal, um bom lado direito. Se corrigir suas falhas de
defesa, pode oferecer muito trabalho ao eficiente ataque argentino. E teremos na
próxima sexta o melhor jogo desta Copa do Mundo - um verdadeiro duelo de titãs.
E será, de fato, o jogo da vida alemã. Se conseguir triunfar sobre a forte
Argentina, o caminho para o título estará aberto. E, convenhamos... qualidades a
Alemanha já provou que tem pra isso. Agora é ver se a força da torcida alemã e o
coração de seus jogadores serão suficientes para chegar lá. E pensar que, antes
da Copa, ninguém acreditava neles...
O jogo Bonito Stefan Lorax -
19/06
A
Argentina encantou o mundo na última sexta-feira com um futebol que, como eu já
disse em outra publicação, não vejo em Copas do Mundo há um bom tempo.
Os
seis gols marcados contra a Sérvia foram de uma beleza única. Cada um com sua
particularidade, construindo, passo a passo, o show argentino contra a boa
equipe européia. Há quem pense que "a Sérvia não joga nada", devido ao
resultado. Mas basta assistir ao jogo com calma e... a Sérvia tentou jogar. Mas
não deu! A marcação argentina, já eficiente na primeira partida contra Costa do
Marfim, foi implacável contra os sérvios. E os responsáveis por isso não foram
outros, se não Mascherano e Cambiasso.
Este segundo, por sinal, marcou um
gol antológico, que deve entrar para a história das Copas do Mundo. A bola, de
pé em pé argentino, exigindo a participação de cada jogador do time. Saiu da
defesa, passou pelos pés dos volantes - e um deles, o Cambiasso, se adianta -
chega ao meio-campo, entra na área para os pés do grosso atacante Crespo. Quando
todos esperavam um chute para gol com a marca do artilheiro... sai um passe de
calcanhar com a arte de um Sócrates. A bola encontrou Cambiasso que entrava na
área e carimbou: fora o segundo gol argentino no jogo. Uma pintura.
Maxi
Rodríguez, meio-campo que joga nas vezes de um terceiro atacante, fazendo a
formação argentina variar entre 4-4-2 quando o time se defende, 4-3-3 quando
ataca, foi o destaque da partida, marcando dois gols no primeiro tempo -
liquidando, desde já, a partida. E o Saviola, bom... aquela eterna promessa
juvenil do River Plate que rodou a Europa sem muito sucesso parece, finalmente,
ter encontrado o bom futebol.
O segundo tempo ainda teve o tempo de
apresentar ao mundo a categoria do garoto Carlitos Tevez, e a genialidade do
jovem Lionel Messi. E o Crespo ainda pôde marcar seu golzinho...
Para
quem não entende o esquema de Pekerman... não é muito difícil. Prestem
atenção: Os dois zagueiros, Heinze e Ayala. A defesa é fechada com Sorín e
Burdisso nas laterais. Os dois sobem para apoiar o ataque. Sorín, muitas vezes,
atua como meia-atacante. Na subida dos laterais, os volantes Mascherano e
Cambiasso recuam, garantindo a segurança da defesa. No meio-campo, Mascherano e
Cambiasso, já citados. Os dois volantes têm a função de dar o primeiro combate,
desarmanto o contra-ataque (Mascherano) e assim ligar o ataque argentino
(Cambiasso). A sua frente estão o armador Riquelme e o meia-atacante Maxi
Rodríguez. No ataque, Crespo e Saviola. Assim, o 4-4-2 argentino é armado. E com
essa formação, Pekerman mostra sua genialidade: após o combate de Mascherano,
Sorín e Burdisso sobem pelas laterais, dando apoio ao ataque. E Maxi Rodríguez,
que joga no meio-campo, avança e encosta em Crespo e Saviola. O esquema logo
vira um 4-3-3 ofensivo, com o apoio dos laterais, já na cabeça-de-área. Dessa
forma, a Argentina simplesmente desmontou Sérvia & Montenegro, com um
detalhe: jogou MUITO bonito.
Desde Romênia X Argentina em 94 não se via
um futebol tão refinado em Copa do Mundo - sendo, desta vez, unilateral, apenas
por parte dos Argentinos. Mas a Seleção, com o talento de seus jogadores, jogou
tão bem, mas tão bem, que, tudo que eu escrevo sobre este time, termina da mesma
forma: foi tão bonito que até deu vontade de chorar.
Cheiro de Pizza Stefan Lorax -
12/06
Tudo está do avesso.
Tudo está contra. Já são 24 anos sem ganhar uma Copa do Mundo, somado aos
traumas de eliminações e fracassos recentes... a eliminação precoce na última
Copa, ainda nas oitavas-de-final... traumas de decisão de pênaltis contra a
França...
Se esse texto houvesse sido escrito em 94, qualquer um poderia
jurar que estava falando da Seleção Brasileira. Mas hoje, essas frases acima
referem-se a um outro país: a Itália.
Após listar a série de
coincidências que podem favorecer a Alemanha, farei a mesmo pela Itália - minha
candidata nº1 ao título mundial deste ano.
Primeiramente, as
coincidências com a Copa de 1982. Uma Seleção Italiana desacreditada e tida como
fraca. Um jogador da Juventus envolvido em escândalo de loterias. À epoca, o
atacante Paolo Rossi. Hoje, o goleiro Gianluigi Buffon.
Em seguida, as
coincidências com a Seleção Brasileira de 94: São 24 anos sem ganhar um título.
Equipe desacreditada, até pela própria imprensa. Eliminação nas oitavas-de-final
na última Copa. A Itália, pela Coréia do Sul em 2002. O Brasil, pela Argentina
em 90. E, se voltarmos duas Copas no tempo de cada Seleção... em 86, o Brasil
foi eliminado nas quartas-de-final pela França. Nos pênaltis. Em 98, a história
se repetiu. Com a Itália.
Coincidência não ganha jogo. Muito menos Copa
do Mundo. Mas que assustam, assustam.
Se juntarmos essas coincidências
com o fato de que a Itália tem um bom time, a coisa complica. A defesa, um
cadeado com Alessandro Nesta e Cannavaro - mesmo que o primeiro seja dúvida para
as primeiras partidas da azzurra. Pela lateral direita, o bom ala Zambrotta. No
meio-campo, o talento de Pirlo e Camoranesi. Gattuso é, talvez, o nome mais
irregular do time. Totti joga avançado. Volta motivado após uma contusão que
quase o tirou da Copa. E mordido pela expulsão pra lá de injusta na Copa de
2002. E, na sua reserva, o injustiçado Del Piero, louco para provar seu
valor.
A possibilidade impossível: Lippi recuar um pouco Totti, entrar
com Del Piero e jogar com dois meias, dois volantes e três atacantes. Ou a mesma
opção, recuando, ao invés disso, Del Piero e enfiando Totti no ataque? Ousado
demais. Não vai acontecer. Ou, pelo menos, ninguém acredita que vá.
No
ataque, Luca Toni e Alberto Gilardino. Respectivamente, grandes revelações do
último e do penúltimo Campeonato Italiano. Dois grandes atacantes que poderiam
ter o reforço de Antonio Cassano, não fosse sua fase terrível em Madrid, junto
com aquele time de branco. Ainda assim, no ataque, Filippo "Pippo" Inzaghi que,
na falta de talento, marca seus gols surpreendentes.
Somando tudo, o que
o time italiano deve a Brasil, Argentina e Inglaterra - os três melhores times,
em tese, desta Copa?
O Fanático, nosso patrão, comentou comigo que a
Itália precisaria de um homem de velocidade no ataque para fechar o time. Um
Paolo Rossi de 82. Um Salvatore "Totó" Schillaci de 90. Não existe esse homem,
no entanto, desde 94. Seria esse o problema da Itália?
E se houver um
Brasil-Itália nas oitavas-de-final? Coincidência? Repetiremos 82? Ou 2002? Ou
90? Como brasileiro, desejo que isso não aconteça. Afinal... como falei aqui,
acredito que esta Itália, desacreditada, inferior, com seus problemas in e out
field, seja a Campeã do Mundo. E, há muito, a tradicional e lendária camisa
azzurra merece levantar novamente a Copa do Mundo. Mas por que me preocupo com
isso? Eu sou é Neo Zelandês...
Forza Azzurra!
Cavalos Cariocas Stefan Lorax -
29/05
Os times do Rio
empolgam a imprensa com "belas campanhas" a nível nacional, neste primeiro
semestre de 2006. Flamengo e Vasco farão a final da Copa do Brasil, enquanto o
Fluminense foi semi-finalista. Este mesmo Fluminense que vem bem, até então, no
Brasileirão. Hoje, lidera o Campeonato Brasileiro de forma isolada, com a Rede
Globo de Televisão e a SporTV, que faz parte das filiadas da Globo por seu
programa de TV por assinatura GloboSat, não cansam de elogiar o futebol carioca.
Pena que não vá durar muito...
O que ninguém quer ver é, Flamengo está,
hoje, na zona de rebaixamento. Tem um time muito fraco, que joga ruim, sem
padrão de jogo. Seus grandes destaques são Renato - um Renato que, por sua falta
de qualidade técnica, foi dispensado do Corinthians e não evoluiu deste então -
e o goleiro Diego. Também fraco, mas que vem segurando a onda. Claro. Há também
Válter Minhoca, vindo do Ipatinga. Vem jogando bem. Mas ainda é insuficiente
para o que o Flamengo precisa no meio-campo.
Já o Vasco, é o primeiro
time do lado de fora da zona de rebaixamento. Ao contrário do Flamengo,
apresentou uma evolução desde o Campeonato do Rio de Janeiro e a saída de
Romário. Renato Gaúcho, treinador promissor, deu um padrão de jogo ao Vasco que
se segura na defesa e consegue armar contra-ataques rápidos e perigosos com
Morais, Valdiram e Edílson. Insuficiente, no entanto, para qualquer sucesso a
nível de Brasil.
E este Fluminense que lidera... bem... basta lembrar que
o Palmeiras começou voando no Campeonato Paulista. E depois, foi identificado
como um cavalo paraguaio autêntico. O Fluminense está num nível melhor que
Flamengo e Vasco. Mas também não funciona. Petkovic não vem jogando bem. Rogério
também. Pedrinho machucado como sempre. Diego, outrora grande goleiro, caiu
demais de nível. E o Lenny? Bom... há quem enxergue talento no garoto. Uma coisa
ele tem: vontade. Talento? Lenny está abaixo de Rafael Sobis (Internacional),
Rafael Moura (Corinthians), Thiago (SPFC) e até mesmo Jô (CSKA, ex-Corinthians)
ou do jovem meia Wagner (Cruzeiro). Comparar o Lenny com Nilmar então não tem
nem condições. Lenny é, sim, uma jovem promessa. Boa, para o futebol do Rio. Mas
muito menos, AINDA, do que Globo e SporTV querem que o menino seja.
Responsabilidade demais ainda.
E a Copa do Brasil? Bem. Venhamos e
convenhamos. OK, Vasco e Flamengo estão na final por seus méritos. Mas nenhum
dos dois enfrentou pelo caminho equipes da primeira divisão do Campeonato
Brasileiro. Apenas o Vasco que pegou, na semi-final, o Fluminense - e, em
clássico regional, tudo pode acontecer. O Fluminense, como já disse, melhor dos
três, teve capacidade de passar por Cruzeiro. Coisa que, certamente, Flamengo e
Vasco não fariam. Ambos dificilmente também passariam pelo Santos. Mas este
Santos não caiu diante do Ipatinga? E o Flamengo não eliminou o Ipatinga? OK, é
bem verdade. Mas o Flamengo foi beneficiado por erros de arbitragem nos dois
jogos contra o Ipatinga. Vasco e Flamengo estão na final por seus méritos. Mas
deram sorte.
Então, pela primeira vez desde 2002, o Rio terá novo
representante na Copa Libertadores. Apenas um. O Campeão da Copa do Brasil.
Porque, pelo Brasileirão, nenhum time carioca conseguirá vaga na Libertadores.
Nenhum. Nem mesmo o Fluminense - que conseguirá, no máximo, vaga à Sulamericana.
E ainda ficam me colocando o Fluminense como favorito ao título? Bom... depois
não digam que eu não avisei.
Onde foi que tudo deu errado? Stefan Lorax -
22/05
Em 2003, Geninho
chegou ao Corinthians sob forte pressão - afinal, no ano anterior o Timão
conquistara Torneio Rio-São Paulo, à época alçado a um patamar mais alto que os
estaduais; Copa do Brasil e vice do Brasileirão. O treinador tinha sido o
Parreira, que abriu mão do Corinthians para treinar a Seleção Brasileira.
Geninho, Campeão Brasileiro em 2001 pelo Atlético Paranaense (um time armado
pelo Mário Sérgio, justiça seja feita), tinha feito grande campanha pelo
Atlético Mineiro - levando um time modesto às quartas-de-final do último
Campeonato Brasileiro em sistema mata-mata, sendo eliminado pelo próprio
Corinthians. Com olhares de desconfiança, Geninho chegou ao Parque São
Jorge.
A estréia de Geninho, no entanto, foi positiva. Vitória sobre o
Marília fora de casa por 2x0 pelo Paulistão - e título Paulista no final do
Campeonato, com duas vitórias sobre o São Paulo. 2x0 e 3x2. O Corinthians tinha
um bom elenco, com Rogério, Liédson, Gil, Jorge Wangner e dava esperanças a sua
torcida de conquistar a Taça Libertadores de 2003, grande sonho da Fiel
Corinthiana.
A crise de Geninho começou justamente na Libertadores. Em
Buenos Aires, vencia o River por 1x0 e levou a virada por 2x1. No jogo de volta,
em São Paulo, Geninho se mostrou nervoso e inexperiente para garantir a
classificação. Começou novamente com a vitória por 1x0. O Corinthians sofre o
empate e Geninho, ao invés de acalmar a equipe, a deixou mais nervosa em campo,
resultando na expulsão do lateral Roger por agressão no meia D'Alessandro e nova
virada do River, 2x1.
Esse nervosismo e inexperiência de Geninho o
atrapalhou não só no Corinthians, mas também no Vasco, em 2004, fazendo-o perder
o título estadual para o Flamengo. O treinador logo se mostrou um péssimo líder
e incapaz de guiar bem um elenco bom, médio ou fraco. A qualidade não importa.
Geninho era o problema.
Após passagem no Oriente Médio, Geninho voltou ao
Brasil, mais experiente e muito mais calmo. Se mostrando consciente, Geninho
liderou o Goiás de forma exemplar. Falava com confiança a seus jogadores, pôs o
time para liderar o Brasileirão 2005 que tinha o rico Corinthians da MSI, o
poderoso São Paulo tri-campeão da Libertadores e um renascido Internacional,
novamente um time temido no Brasil. Ciente das limitações no elenco, Geninho
levou o Goiás à surpreendente 3ª colocação na competição e a sua primeira e
honrosa Libertadores, ficando invicto pelas 4 primeiras rodadas - inclusive um
jogo épico contra o Newell's Old Boys em Rosário, Argentina, com empate por 3x3
e uma eliminação honrosa nas oitavas-de-final da competição, vencendo o
Estudiantes da Argentina por 3x1 em casa, após perder por 2x0 em Santa Fé,
território argentino.
Com a nova eliminação do Corinthians na
Libertadores diante do River, Geninho se tornou o único nome disponível do
mercado. Voltou ao Corinthians se dizendo mais experiente - a experiência que
faltou em 2003, quando tudo deu errado. Já prometeu a volta à Libertadores e
sonhar com esse título, tão almeijado no Parque São Jorge. Será que dessa vez dá
certo, Geninho?.
Um pontinho aos Porcos Stefan Lorax -
15/05
Nunca... NUNCA o
Palmeiras viveu fase tão ruim. Nem mesmo em 2002, quando foi
rebaixado.
Começar um Campeonato Brasileiro com quatro derrotas
consecutivas é, sem dúvida, a pior coisa que já aconteceu ao Palmeiras na
história da competição - pior mesmo que ser rebaixado?
O Verdão começou o
ano voando, enfileirando cinco vitórias consecutivas no Paulistão - exatamente o
inverso do Brasileirão - e conseguindo vaga na Libertadores, após bater o
Deportivo Táchira da Venezuela. E, no Parque Antarctica, já se falava em título
Paulista. E um amigo, com pulga na orelha, sempre me dizia: "Esse time do
Palmeiras não é bom, mas está dando muita sorte".
Logo vieram as derrotas
e a queda do alvi-verde. No clássico contra o São Paulo, primeiro do ano, uma
derrota por 4-2 que mostrava a superioridade do Tricolor - ou seria a
inferioridade do Verdão? Perdeu mais um clássico, para o Santos, com um pênalti
duvidoso, e empatou aos trancos e barrancos com o Corinthians, no polêmico jogo
do ponto eletrônico que anulou um golaço do Carlitos Tevez.
O caminho na
Libertadores, tortuoso, classificou o Palmeiras em segundo lugar do seu grupo, o
7. Um grupo difícil, OK. Cerro Porteño do Paraguai, Atlético Nacional da
Colômbia e Rosário Central da Argentina. Todos eles, no entanto, visivelmente
fracos. E o Palmeiras, muitas vezes, se mostrou inferior.
O ponto alto
seria a partida contra o São Paulo, pela Libertadores. A bagagem que o Palmeiras
trazia para essa partida eram duas derrotas nas duas primeiras rodadas do
Brasileirão. 3x2 para a Ponte e os expressivos 6x1 para o Figueirense, em
Florianópolis. Leão caiu e o interino Marcelo Vilar assumiu o time - a partida
contra o São Paulo, ao invés de parecer um bicho-papão, se tornou, na verdade,
um fio de esperança para a recuperação do Palmeiras.
Para o primeiro
jogo, Júnior deu a polêmica declaração de que "o São Paulo só teme o Barcelona".
Com muita raça, o Palmeiras arrancou um empate heróico e, ao final do jogo,
Edmundo declarou que jogaria a partida seguinte com a camisa do Barcelona por
baixo. E, mais uma vez, o Palmeiras perde às vésperas do jogo decisivo. 2x1 para
o Santos, em casa. E, para a Libertadores, o decisivo jogo de volta contra o São
Paulo, mais uma vez um Palmeiras raçudo que segurava um empate por 1x1,
garantindo decisão por pênaltis, até os 38 do segundo tempo, quando Wilson de
Souza Mendonça apitou um pênalti polêmico de Cristian sobre Júnior. Rogério Ceni
bateu e converteu - duas vezes, pois a cobrança teve que ser refeita. O
Palmeiras perdeu a cabeça após o gol, arrumando confusões durante e após o jogo,
culminando nas expulsões de Paulo Baier e Marcinho Guerreiro.
Os
palmeirenses reclamaram do pênalti com uma ferocidade como se o lance tivesse
sido absurso. Não foi. Lance apenas duvidoso. Tudo dava a pinta de que, então, o
time iria usar a derrota para reverter sua situação no Brasileirão. Ledo engano.
No final de semana seguinte o Palmeiras mostra novamente sua fraqueza - e
sucumbe diante do São Caetano, quarta derrota consecutiva do time do Parque
Antarctica.
A verdade é que só agora cai a ficha de algo que era muito
óbvio. O time do Palmeiras é fraco, muito fraco - com um elenco extremamente
limitado onde Marcinho Guerreiro, jogador apenas regular, é o principal nome da
equipe, ao lado do veterano Edmundo e de um Marcinho que não joga mais metade do
que jogou ano passado. Isso sem falar nas lesões de Marcos e Juninho, afastados
do time desde o início do ano - Juninho jogando apenas na primeira partida
contra o São Paulo.
A crise no Parque é grande e o lateral esquerdo
Lúcio, relatando que vem sofrendo ameaças de torcedores, pede para se desligar
do time.
Só neste domingo, 5ª rodada do Campeonato, o Palmeiras marca um
ponto: empate em casa sofrido contra o Cruzeiro, com arbitragem duvidosa. Um
ponto que acaba tendo o valor de migalha. E o Palmeiras segue em último na
tabela, atrás até mesmo do fraco Santa Cruz.
É bom que o Verdão abra o
olho! É cedo, mas assim que as campanhas pífias começam - Grêmio em 2003, quando
escapou, e em 2004, quando caiu. Atlético Mineiro em 2004, quando escapou, e ano
passado, quando caiu. E até mesmo o Palmeiras em 2002, quando tentou escapar,
mas caiu. E uma coisa garanto: uma coisa que o torcedor palmeirense não quer é
um bi-campeonato da Segunda Divisão.
Febre Amarela Stefan Lorax -
08/05
Há alguns anos, uma
síndrome de febre amarela assola alguns times - alguns, diga-se de passagem, que
recebem bom investimento financeiro em vias de cumprir com suas obrigações:
ganhar títulos.
Seja no futebol - vide exemplos do novo-poderoso Chelsea
na Liga dos Campeões ou Real Madrid e Manchester United em todo lugar; ou até
mesmo em outros esportes, como o clube de basquete Los Angeles Lakers, o de
hóquei Detroit Red Wings ou o popular time de beisebol New York Yankees - todos
ricos, cheios de estrelas, todo fracassando em suas ligas nacionais desde
2003.
Recentemente, o Corinthians vem protagonizando a maior crise
amarela do Brasil. Sonho de consumo, viu a Libertadores escapar de suas mãos em
99, 2000, 2003 e, agora, na mais traumática situação, 2006. Os rivais?
Palmeiras, Palmeiras, River Plate e River Plate, respectivamente. E, nas três
ocasiões, o Corinthians apontado como franco-favorito.
O jogo da quinta
foi uma tragédia já anunciada na quarta-feira, em Buenos Aires, quando o
Corinthians, que começara vencendo por 1x0, leva a virada para 3x1. O gol
marcado aos 47 do segundo tempo, por Xavier, diminuindo o placar do jogo para
3x2, foi comemorado como um título - e o Corinthians crente que havia vencido a
série e se classificado. Não dá pra dizer que houve salto alto do Corinthians
nos primeiros 45 minutos da recente "Tragédia do Pacaembu". Mas, no segundo
tempo, o Corinthians era só vitória. E a defesa, que trabalhou tão bem na etapa
inicial, dormiu. Resultado? Virada traumática, 3x1 River, e a torcida, tão
inflamada quanto La Doce do Boca ou os ingleses e que, muito bem, fazia se papel
de incentivar o time, perdeu a cabeça e partiu para violência. Caos
total.
Como toda boa crise corinthiana, o golpe de misericórdia é dado
pelo São Paulo Futebol Clube. Novamente de virada, novamente 3x1.
Não é
cedo para MSI/Corinthians acordar e ver que o planejamento do time desde o ano
passado é patético. Com o dinheiro investido, com o que se foi gasto, o
Corinthians se arrastou para conquistar o título - e, na soma final de pontos,
só conseguiu o Tetra graças aos jogos anulados com o Escândalo Edílson Pereira
de Carvalho.
Desde 2005 o Corinthians é um time desorganizado que faz
gols com Tevez e Nilmar - e a defesa tem que se confiar na proteção dos
volantes, sempre ineficiente. Já passaram pela tutela Tite, Daniel Passarela,
Márcio Bittencourt, Antônio Lopes e Ademar Braga e, até hoje, o Corinthians não
ganhou um padrão de jogo.
Falta ao Timão, acima de tudo, organização.
Raça pode ser muito bom para ganhar um jogo por 3x2 da Universidad Católica ou
para diminuir um 3x2 contra o River fora de casa - mesmo com erros de
arbitragem, que não justificam o resultado do jogo. Mas, a mesma raça não é
suficiente para ganhar um campeonato como a Libertadores. Aí, a raça ajuda. Mas
tem que ser unida a uma outra coisa: qualidade. E esta, meu amigo, o
Corinthians, até agora, só tem mostrado individualmente, e no papel.
O menino de ouro do Marketing Stefan Lorax -
01/05
Dia 15 de dezembro
de 2002. Final do Campeonato Brasileiro deste mesmo ano. Um garoto entra na área
do Corinthians e, ao ver na sua frente o experiente lateral-direito Rogério,
começa a passar os pés em cima da bola. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis,
sete, oito vezes e... pênalti. O moleque conseguiu se jogar na perna do Rogério
e ser derrubado na área. Nascia, naquele momento, uma lenda do futebol
brasileiro: Robinho.
Destaque maior do Santos campeão naquele ano, que
ainda contava com Diego, Paulo Almeida, Léo e Alex, todos alçados à condição de
craque (sabe Deus por quê...), Robinho foi apontado como resgate do
"futebol-moleque" e o futuro do futebol brasileiro. O problema, o que pouca
gente percebe é... Robinho não passa do garoto que "pedalou" na frente do
Rogério. E não chega aos pés do verdadeiro talento daquele Santos:
Elano.
Usando as tais "pedaladas" como peça de marketing, Robinho passou
a ser ovacionado no Brasil e em países de futebol menos expressivo na América do
Sul, como Colômbia e Equador. Robinho virou craque do dia pra noite, um
verdadeiro ídolo - tendo até a mãe sendo vítima de sequestro e ganhando mais um
título nacional, em 2004. Um verdadeiro carrasco contra o Corinthians, não
perdendo nenhuma das 10 partidas que jogou conta o grande rival do
Santos.
Mas se, a nível nacional, Robinho arrebentava, seu futebol se
mostrou insuficiente sempre que colocado diante de uma prova mais difícil: Em
2003, quando teve pela frente o Boca Juniors de Tevez e dos irmãos
Barros-Schelloto, Robinho foi patético. Não jogou nada nas duas partidas finais
e percebeu que suas tais "pedaladas" não funcionam quando existe zaga no time
adversário. Resultado? Boca 2 X 0 na Argentina, Boca 3 X 1 em São Paulo. Robinho
fracassou novamente diante da Argentina de Tevez e D'Alessandro no Pré-Olímpico
de 2004. Pior. Perdeu a vaga nos Jogos Olímpicos para o Paraguai, entregando a
inédita medalha de ouro de bandeja aos argentinos. Ainda em 2004, falhou mais
uma vez em levar o Santos ao sonhado tri da Libertadores - e ainda viu a
conquista ir parar nas mãos do rival São Paulo.
Em 2005, participou junto
com a Seleção Brasileira da conquista da Copa das Confederações - um título
duvidoso, com a vitória sobre uma Argentina incompleta na final, por 4x1 -
lembrando que, no mesmo torneio, o Brasil conseguiu perder do México por 1x0 e
suou para empatar em 2x2 com o "grande" Japão de Zico. Após o torneio, Robinho
bateu o pé que queria trocar a Vila Belmiro pelo Santiago Bernabeu, com o apoio
do Vanderlei Luxemburgo, então técnico da equipe Merengue. E conseguiu. Robinho
saiu por 30 milhões de reais, venda mais cara da história do futebol
brasileiro.
As atuações de Robinho no Real Madrid mostram o quanto o
jovem atacante ainda é impotente. Mesmo num país de defesas historicamente
fracas, Robinho não consegue fazer nada. Suas pedaladas não dão certo e o
jogador se mostra incapaz de armar jogadas com outro jogador que não seja
Ronaldo ou Júlio Baptista. OK, Robinho ainda é jovem. Mas compare seu
desempenho, por exemplo, com Cristiano Ronaldo - tão jovem quanto e jogando no
time, talvez, com a torcida mais fanática do mundo. O Manchester United. E,
mesmo diante da pressão, joga muito bem. Dribla, "pedala", chama a
responsabilidade para si, arma jogadas - coisa que Robinho se mostra incapaz de
fazer.
Pouco objetivo, Robinho encantou com seu futebol fácil num país de
futebol fácil, e agora sofre pressão na Europa. Infelizmente, hoje Robinho é
mais marketing que futebol - e foi através deste marketing que conseguiu chegar
ao Real Madrid - quando seu futebol seria bom o bastante para o Real Bétis. E
nós somos obrigado a ouvir coisas como "pedalada neles" e achar que isso é
futebol. Alguém chamado Garrincha deve chorar de desgosto com o nível do futebol
que um garoto precisa jogar nos dias de hoje para receber a alcunha de
"craque".
Quem te viu, quem te vê, Edmundo!! Stefan Lorax - 24/04
Há dez anos, quando
nos perguntávamos sobre Edmundo... poderíamos nos lembrar dos seis gols que ele
marcou em uma única partida, pelo Vasco, contra o União São João de Araras.
Lembrar dos 29 gols marcados por ele no Campeonato Brasileiro de 97. Lembrar de
seus dribles desconcertantes e arrancadas fenomenais. Mas não... o Edmundo que
preferíamos ver era aquele cara que chutou um câmera caído no chão no Equador...
que esbofeteou o Zandoná na cara para depois levar um soco como resposta... o
Edmundo que causou um acidente automotivo na lagoa Rodrigo de Freitas deixando
três mortos - e que, até hoje, traz problemas na justiça para o
"Animal".
O infame apelido "Animal", acompanhado dos gritos "Au Au Au
Edmundo é Animal" surgiram justamente do comportamento agressivo do jogador.
Revelado pelo Vasco, o "Animal" Edmundo teve passagens pelo Palmeiras onde virou
ídolo e craque, pelo Flamengo, onde era o grande amor da vida de Romário - e
logo se tornou desafeto, depois, uma rápida passagem pelo Corinthians, voltou ao
Vasco onde atingiu seu ápice no Campeonato Brasileiro 97. Em seguida, se
transferiu para a Fiorentina. Retornou ao Vasco e deixou o clube após perder a
coroa para Romário. Passou pelo Santos. Voltou à Itália, onde defendeu o Napoli.
Voltou ao Brasil onde defendeu o Cruzeiro - demitido após perder um pênalti
contra o Vasco e declarar que não se sentiria bem marcando um gol no seu time do
coração. Foi ao Japão, jogou pelo Verdy Tokio e Urawa Red Diamonds. Aterrisou
novamento ao Brasil em acordo com o Vasco; reatou seu "casamento" com Romário ao
defender o Fluminense. Pensando em encerrar a carreira, atendeu ao pedido do
amigo Zinho e foi jogar pelo Nova Iguaçu, na segunda divisão do Estadual do Rio.
Não chegou a jogar. Foi contratado pelo Figueirense - e, em passagem pelo Parque
Antarctica, fez juras de amor ao Palmeiras. Não deu outra. Voltou ao alvi-verde
paulista.
O contrato de Edmundo vai até o fim de 2006. O atacante espera
renová-lo até 2007, quando pretende encerrar a carreira. Por isso, o Animal
amansou. Em conversa com um outro animal (quase literalmente), o técnico Leão,
Edmundo prometeu que se comportaria, treinaria corretamente, não chegaria
atrasado aos treinos, não arrumaria confusão extra-campo. E, caso isso aconteça,
conforme está em seu contrato: recisão na hora, por justa causa, sem multa ou
indenização.
O resultado disso tudo é um Edmundo completamente diferente.
Sempre que batia boca com Marcinho ou Washington em alguma partida da
Libertadores 2006, os "anti-Edmundo" poderiam pensar: "Ih, o velho Edmundo
voltou". Ledo engano. A confusão no jogo Palmeiras X Cerro Porteño, pela
primeira fase da Libertadores, se tornou um símbolo do novo Edmundo. Enquanto o
pau comia solto no campo, com até mesmo o técnico Leão envolvido... Edmundo
estava ao lado do trio de arbitragem, parado no meio do campo, com as mãos na
cintura... não esboçava nenhuma reação. Resumindo. É, sim, um novo
Edmundo.
Ligando essa imagem ao Edmundo do Figueirense, que enchia os
olhos de lágrimas ao falar do Palmeiras, temos a idéia do quanto o craque se
disciplinou. "Se arrependimento matasse", dizia Edmundo. O fato é... craque,
Edmundo foi, mesmo sem brilhar com a camisa da Seleção. Sua faceta Animal o
transformou em lenda. No entanto, prejudicou sua carreira, criou desafetos,
inclusive da mídia - mídia que tanto inflamou Edmundo, e hoje se recusa a
mostrar um animal domesticado.
Hoje em dia, quem diria, Edmundo virou
craque modelo. Tarde demais, talvez, para salvar sua carreira. No entanto, em
tempo de se tornar um exemplo - e passar a mensagem, tão desgastada, mas nesse
caso, tão eficiente. "Façam o que eu digo, mas não façam o que eu
fiz".
Elefante em Fúria Stefan Lorax - 17/04
Há 22 anos um homem
mudaria a história do futebol africano. Roger Milla, atacante camaronês, fazia
sua estréia em Copas do Mundo. Discreto em uma participação apenas razoável de
Camarões - que, por pouco não mudou a história daquela Copa, sofrendo um empate
contra a Itália. Os africanos foram prejudicados por um erro de arbitragem que,
se não houvesse causado o empate italiano, eliminaria a seleção
azzurra.
Só em 1990 Milla chocou o mundo, quando, aos 38 anos de idade,
marcou dois gols sobre a Romênia. Se tornou o homem mais velho a marcar gols em
Copas do Mundo. Em 94, Milla, já aos 42, marcou um gol na Rússia - derrota
humilhante por 6 X 1 com 5 gols do russo Salenko. O gol de honra do camaronês,
no entanto, manteria seu recorde imbatível.
Em 96, foi a vez de George
Weah, libanês, mudar o mundo ao se tornar a grande estrela do Milan. Ganhou,
naquele ano, a Bola de Ouro da revista France Football de melhor jogador em
atividade na Europa e prêmio de Melhor Jogador do Mundo na cerimônia FIFA Gala.
Weah viria a se tornar o maior jogador africano de todos os tempos e um símbolo
para seu país - sendo inclusive candidado a presidente recentemente. Mesmo sem
nunca ter jogado uma Copa do Mundo. Weah reescrevia assim mais uma página para o
futebol africano.
O grande destaque dos africanos viria a ser a Olimpíada
de Atlanta, naquele mesmo ano, quando Kanu liderou a Nigéria numa vitória
milagrosa sobre o Brasil de Ronaldo - e, na final, bateu a Argentina, levando o
ouro. Em 2000, a história se repetiu, e a seleção Camarões, com Eto'o, eliminou,
com dois homens a menos, o Brasil nas quartas-de-final. E ganhou o ouro na final
sobre a Espanha.
Hoje este mesmo Eto'o é o grande nome do futebol
africano em atividade, fazendo gol atrás de gol no Barcelona. No entanto, o
grande goleador falhou em levar seu país a mais uma Copa do Mundo - camarões
fracassou diante do Egito e acabou eliminada, quando precisava apenas de uma
vitória. Em casa. Eto'o também perdeu o pênalti que eliminou Camaões da Copa da
África, nas quartas-de-final do torneio. A seleção que se sagraria vitoriosa e
chegaria a ser vice-campeã do torneio foi a Costa do Marfim. De um tal Didier
Drogba.
Estrela do Chelsea, tendo sua carreira iniciada no futebol
francês com a camisa do LeMans. Recusou cidadania francesa porque queria
defender sua Seleção - a Costa do Marfim.
A imagem de Drogba chegando à
Costa do Marfim passa uma imagem esnobe e arrogante da estrela do Chelsea. O
atacante mal olhava para seu povo e se recusava a dar entrevistas. Em campo, no
entanto, a atitude era outra. Antes mesmo da partida contra Camarões, Drogba
circulou todo estádio cumprimentando seus torcedores. Era mais uma vitória e
Costa do Marfim estaria garantido na Copa. Os donos da casa começaram ganhando
por 2x0 - mas cederam a virada para 3x2 no segundo tempo. Drogba estava
desolado. Não acreditava. Mal cumprimentou Eto'o após a partida.
Só na
partida seguinte, com o empate de Camarões diante do Egito, Drogba pôde sorrir e
ver seu país finalmente classificado a uma Copa. Classificação festejada pelo
povo marfinês como se fosse um verdadeiro título mundial.
Voltando à Copa
da África, Drogba viria a perder o pênalti na final - que acabou dando o título
ao Egito. "Estou envergonhado", disse Drogba, se desculpando com seu país. Essa
é a imagem que Drogba quer passar. O homem que Drogba quer ser. "Quero fazer
mais pela Costa do Marfim, pelo meu povo, e o futebol é um dos caminhos", diz.
"Quero ser como o George Weah para África". Drogba não esconde seu desgosto ao
ver Eto'o ser considerado o melhor jogador da África na atualidade. "Somos o
melhor time. Somos melhor que Camarões", afirma Drogba, preferindo o espírito
coletivo.
Apesar de jogar uma Copa, coisa que Weah não fez, dificilmente
Drogba repetirá o jogador Weah. Não tem a mesma habilidade, a mesma classe, o
mesmo faro de gol. Nem joga no mesmo time que Boban, Albertini, Maldini e
Baggio. No entanto, ao querer repetir o homem Weah, Drogba representa novamente
o fio de esperança para África - o mesmo que já fora representado por Milla,
Weah, e título que dividirá com Eto'o. Para isso, Drogba precisará fazer mais
pelo seu país - mais que marcar gols com a camisa do
Chelsea.
Infelizmente, a Costa do Marfim deu azar no sorteio dos grupos -
e deve ser eliminada numa chave com Argentina, Holanda e Sérvia &
Montenegro. Mas, para Drogba, levar o seu país à Copa já é uma vitória. E, para
o povo da Costa do Marfim, cada vitória, por menor que seja, é um pedaço de
esperança. E a África segue esperando por novos heróis.
Em Busca da eficiência perdida Stefan Lorax - 10/04
Esta é a última
parte da Trilogia Alemã - vale salientar - nas colunas do Stefan Lorax. Uma
comparação entre os times de sucesso e de fracasso em Copas do Mundo e o time de
2006 da Alemanha.
O meio-campo Quando ganhou a Copa de 90, o
então Rei de Milão, último grande herói da Inter, Lothar Matthäus reformulou seu
futebol. Vestia a camisa 10, mas foi jogar de líbero. A mudança de Matthäus
viria a causar um grande atraso na Seleção Alemã - responsável, talvez, pelas
derrotas em 94 e 98.
Tanto em 54 quanto em 74, a Alemanha precisou de um
grande armador para conquistar a Copa. Fritz Walter na Copa da Suíça; o versátil
Breitner na Alemanha, que, em uma seleção defensiva, fazia o papel de
lateral/ala, armando as jogadas; e Matthäus na Itália. O êxito alcançado em 82 e
86 também foi devido a um homem forte no meio-campo: o mesmo Bretiner em 82, o
mesmo Matthäus em 86. Com Matthäus recuado em 94, o meio-campo alemão ficou à
mercê do complicado Matthias Sämmer, incapaz de liderar um time e armar um bom
contra-ataque. Resultado? Sämmer parou diante de Soitchkov, e sua Bulgária. Em
98, novamente com Matthäus na zaga, Thomas Hassler, que esteve presente em 94,
foi o homem encarregado da responsabilidade. Novo fracasso diante de um país
forte onde a Alemanha era fraca: a Croácia de Boban. Só em 2002 a Alemanha se
recuperou - graças a um bom meio-campo: Michael Ballack.
A previsão para
2006 anima, quando o meio-campo alemão conta com Ballack e Schweinsteiger. Uma
dupla de armadores melhor que Sämmer-Hassler de 94 e Hassler-Möller em 98 - a
mais fraca, no pior desempenho Alemão desde a Copa de 78.
A
defesa Em 74 havia o indescutível Franz Beckenbauer, capaz das proezas
que todos conhecemos. Franz ajudou a Alemanha a manter uma defesa sólida e a
sofrer poucos gols - apenas três durante toda a competição. Atrás de Franz,
estava o goleiro Sepp Meier - conhecido como "o Gato", o responsável por fechar
o gol alemão do eficiente ataque holandês. Em 82, a Alemanha só alcançou a final
porque no gol estava Harold Schumacher. Havia um grande defensor, sim. O
eficiente lateral Breitner, já citado aqui - numa Alemanha defensiva que
liberava seu lateral para atacar e defender. Em 90, a defesa contava com Brehme
e o goleiro Illgner, grande defensor de pênaltis.
A fragilidade da defesa
em 94 e 98 obrigou Matthäus a recuar. Illgner estava novamente no gol. Mas em
98, a Alemanha não podia se gabar de um grande goleiro. Kopke vestia a camisa 1,
e Oliver Khan e Jens Lehmann assistiram do banco à derrota diante da Croácia.
Embora Khan tenha feito uma Copa fantástica em 2002, sendo o grande responsável
pela campanha alemã, faltou na sua frente um grande zagueiro. As falhas de
marcação de Metzelder e Ramelow foram imperdoáveis e custaram o campeonato aos
europeus. Onde estavam os dois quando Rivaldo chutava livre e Ronaldo pegava
sozinho o rebote?
Worns pode não ser a oitava maravilha do mundo para a
Copa da Alemanha. Mas ao seu lado está a grande revelação Per Mertesacker. A
defesa, mais sólida que em 2002, pode garantir uma Copa mais eficiente. E, no
gol, se Kahn não é mais aquele, Lehmann atravessa grande fase no Arsenal e deve
ser o goleiro titular.
O ataque Aqui a situação complica. Em
todos seus êxitos em Copa do Mundo, até hoje, a Alemanha precisou de um
goleador. Coincidentemente, Rahn em 54, Müller em 74 e Klinsmann em 90 eram
ruins de bola - mas extremamente eficientes em marcar gols. Em 82, Rummenigge
foi o responsável pela campanha brilhante que levou o time à final. Em 2002, o
plonês naturalizado alemão Miroslav Klose, marcando 5 gols, foi o homem
responsável pelos triunfos alemães. Quando teve seu ataque liderado por Oliver
Bierhoff, tecnicamente melhor que Rahn, Müller, Klinsmann e Klose, a Alemanha
sofreu - se enganou ao conquistar a Euro 96, mas a decepção veio em 98. Bierhoff
não era o milagreiro que levaria os alemães a um título. Hoje, o ataque alemão
sofre com a ineficiência de Kevin Kuraniy e com a má-fase de Klose com a
gloriosa camisa branca. Sem um atacante eficiente - não precisa ser bom, basta
marcar gols - a Alemanha não chega ao seu sonhado tetra.
Resumindo, o
time de 2006 alemão chega a ser melhor que o de 90, o de 82, o de 54 e, droga,
que o de 74 também!! Mas, sem eficiência (a sonhada eficiência de Matthäus), um
time com Lehmann, Mertesacker, Ballack, Schweinsteiger e Klose pode acabar
fracassando, como uma geração tão talentosa quanto: Matthäus, Klinsmann, Sämmer,
Illgner e Bierhoff: a geração 94-98.
Caixinha de surpresas Alemã Stefan Lorax - 03/04
Três seleções
lideradas por três gênios do futebol. Três equipes favoritas a ganhar a Copa do
Mundo.
Em 1954, a Hungria tinha Sandor Kocsis, Zoltan Czibor, Nandor
Hidegkuti e um cara chamado Ferenc Puskas (hã??). Em 1974, a Holanda tinha
Rudolf Krol, Johan Neeskens, Pieter Rensenbrink e um tal Johan Cryff
(quem??). Em 1990, a Argentina tinha Cláudio Caniggia, Jose Burruchaga, Jose
Basualdo e um certo Diego Maradona (Diego o quê??).
E as três favoritas
caíram da mesma forma, diante de um mesmo adversário: a Alemanha.
Em 54,
a Alemanha voltava à Copa do Mundo depois de ser banida da Copa de 50 -
resquísios do Nazismo. Se reerguendo após a derrota na II Guerra Mundial, o povo
alemão encontrou abrigo na sua seleção, que jogava na vizinha Suíça. Começou a
Copa sem convencer e levou de 8-3 da Máquina Húngara de Ferenc Puskas, a atual
campeã olímpica. Liderados por Fritz Walter, ex-paraquedista de guerra nazista,
os alemães foram superando suas dificuldades ao longo do torneio. Após golear
sua vizinha e ex-aliada Áustria na semifinal por 6-1, os alemães teriam pela
frente novamente Puskas & cia. E a máquina húngara começou o jogo ao seu
estilo. 2-0 com 8 minutos de jogo. Tudo caminhava para uma nova goleada, até que
o jogo mecânico do time alemão, baseado em toques de bola, marcação dura e
cruzamentos envolveu a Hungria. Aos 18 do primeiro tempo, o jogo estava
empatado. Helmut Rahn, destaque naquela final, definiu o título alemão aos 39 do
segundo tempo. Alemanha campeã do Mundo.
Em 74, a Alemanha jogava em
casa. Mas assistia a Holanda de Cruyff e do técnico Rinus Michels mudar o mundo
com seu futebol. A Alemanha passou toda a Copa disputando partidas apertadas
definidas em detalhes, enquanto a Holanda encarava seus jogos com facilidade e
sem dar aberturas aos adversários - à exceção do disputado empate em 0x0 com a
Suécia. Chegando à final, a Holanda estava invicta e só havia sofrido um gol,
enquanto a Alemanha trazia uma derrota na bagagem e um jogo bem inferior ao
holandês. Os "laranjas" abriram o placar da decisão no primeiro minuto, num
pênalti que Cruyff sofreu e Neeskens converteu. Mais uma vez, o mundo assistiria
uma surpresa. Breitner e Muller cuidaram de virar a partida ainda no primeiro
tempo, e a seleção mecânica alemã segurou a Holanda nos 45 minutos finais.
Alemanha bi-campeã do Mundo.
Até 90, a Alemanha disputou mais duas finais
de Copa do Mundo. Em 82, a equipe de Rumenigge e Schumacher perderam para a
Itália de Paolo Rossi e Dino Zoff. E em 86, para a Argentina de Valdano e
Maradona. Em 90, treinada por Beckenbauer, era novamente o Maradona que estava
no caminho alemão. Diferentemente de 54 e 74, a Alemanha não tinha pela frente
uma seleção esmagadora. Ainda que favorita, o time argentino passou por uma
competição irregular e abusou da sorte em decisões por pênaltis. A Alemanha
chegara à Final também depois de uma semi-final marcada por decisão de tiros
livres. E, mesmo com suas deficiências, a Argentina tinha um time melhor, graças
à mobilidade de Caniggia e à genialidade de Maradona. E ambos pararam diante da
eficiência de um gênio discreto do futebol: Lothar Matthäus. Alemanha, com gol
de Brehme cobrando pênalti, tri-campeã do Mundo.
Em 2002, se não foi
possível bater o Brasil do infernal Rivaldo, a Alemanha mostrou novamente seu
poder de superação. Fracasso na Euro 2000 e eliminada no grupo regular das
Eliminatórias Européias, conseguindo a vaga apenas na repescagem, a Alemanha não
encarou grandes adversários em sua jornada rumo à Final. Carregada por Oliver
Kahn, a muralha, os alemães viram seus rivais Inglaterra, Argentina e França
caírem. A Holanda nem na Copa estava. E os carrascos do leste europeu, que
gostam de aprontar com os alemães (como Bulgária em 94 e Croácia em 98) não
tiveram vez nessa Copa. Superando expectativas, o time liderado por Kahn e Klose
chegou a final já derrotada pela superior Seleção Brasileira.
Somando
tudo, a Alemanha traz em seu currículo sete finais de Copa do Mundo com três
delas conquistadas. Foi surpresa em quatro ocasiões - três títulos e um
vice-campeonato. Treinada por um ex-jogador (Jürgen Klinsmann), como em 90,
liderada por um bom meia (Michael Ballack), como em 1954, a Alemanha joga a Copa
em casa, como em 1974. Com tudo isso a seu favor, dá pra acreditar piamente que
a ineficiência de seu time será capaz de impedir que os alemães conquistem um
novo título? Pode ser... mas, quem pensou assim, quebrou a cara em 1954, 1974 e
1990...
Anti-Klinsmann na Alemanha Stefan Lorax - 28/03
O trocadilho é tão infame quanto o apelido que Jürgen Klinsmann tinha em
seus tempos de matador ("Kataklinsmann"), mas ilustra perfeitamente a situação
de anti-clímax que a Federação Alemã vive atualmente.
O
casamento Quando assumiu a Seleção de seu país, em 26 de julho de 2004,
após a pífia campanha da Euro - com o técnico vice-campeão mundial Rudi Völler,
Klinsmann causou um certo estranhamento no futebol mundial. "O Klinsmann?" A
única experiência administrativa que o ex-artilheiro de gols feios tinha tido
seria seu breve envolvimento com o Los Angeles Galaxy, time da Major League
Soccer, a liga de futebol dos Estados Unidos da América. Ou seja... sem nenhuma
bagagem, Jürgen veio de cara assumir a seleção do país. Responsabilidade,
não?
A lua-de-mel Klinsmann começou trazendo para seu lado o
ex-companheiro de seleção Oliver Bierhoff. Armou um time com o que tinha nas
mãos - um time aos moldes alemães: pouca criatividade e muito toque de bola
duro, chuveirinho e chute de bico. Resultado? Em sua estréia, contra a seleção
da Áustria, Klinsmann viu a Alemanha vencer com três gols de Kuranyi. Alemanha 3
X 1 Áustria. Opa!! Beleza!! "Kataklinsmann" é o salvador! (??)
A
seqüência animaria torcida e crítica. Empate com o Brasil em 1 X 1, vitória
sobre o Iran por 2 X 0, 3 X 0 sobre Camarões e depois sobre Japão. As
criancinhas alemãs já dormiam sonhando com Klinsmann e Ballack levantando a Copa
FIFA.
A primeira briga Em 19 de dezembro, a Alemanha terminaria
um estranho 1º tempo empatando em 1 X 1 com a Coréia do Sul, jogando em Busan,
na Coréia. O jogo terminaria 3 X 1 para os Coreanos - e a Alemanha sofria seu
primeiro susto. Dois dias depois, faria 5 X 1 na Tailândia em
Bangkok.
Reconciliação 2005 começou com um empate em 2 X 2 com
a Argentina. Depois, vitória por 1 X 0 sobre a Eslovênia e 4 X 1 sobre a Irlanda
do Norte. Todos fora de casa. Klinsmann respirava aliado. Ora... todo mundo já
perdeu da Coréia um dia, não??
A Copa das Confederações 15 dias
antes do torneio que sediaria, a Alemanha empata com a Rússia em casa - 2 X 2. O
placar desanima a torcida. Na estréia da Copa das Confederações, um sufoco! 4 X
3 numa Austrália aguerrida e valente. Klinsmann se recuperaria na vitória sobre
a Turquia, 3 x 0. Empataria novamente em 2 X 2 com a Argentina.
O
Brasil no caminho Na semi-final da Copa das Confederações, a derrota para
o Brasil - 3 X 2. O resultado revoltou Beckenbauer, que queria sua seleção
ganhando o título em casa da miniatura de Copa do Mundo. Na disputa do bronze 4
X 3 na prorrogação contra o México. Bronze para os alemães - que estavam iguais
as camisas que vestiam: vermelhos de vergonha.
Klinsmann
desandou Garantido na Copa, Klinsmann e sua Alemanha empatou com a rival
Holanda em 2 X 2. Em seguida, perdeu para a Eslováquia por 2 X 0. O resultado
revoltou a torcida e Klinsmann já tinha o cargo questionado na imprensa do mundo
inteiro. A vitória de 4 X 2 na África do Sul de nada serviria. A Alemanha
voltara a perder por 2 X 1 da Turquia - e, em casa, uma vitória sofrida por 1 X
0 sobre a fraca seleção da China. O ano terminou no empate sem gols com a
França.
E o temido 2006 chegou... Ano de Copa. Klinsmann e sua
seleção recebem a Itália - e levam sonoros 3 X 0 no primeiro tempo. Torcida
boquiaberta, Klinsmann coçando os cabelos e o jogo termina 4 X 1 para os rivais
italianos. Enquanto Lippi era ovacionado na Itália, Klinsmann atingiu o apogeu
(negativo) na Alemanha. A derrota, um tanto quanto ilusória até, deixou os
alemães temerosos sobre a Copa do Mundo. "Faremos feio?"
A vitória por 4
X 1 sobre os EUA deixou Klinsmann respirar. Mas não resolve nada.
O
"Kataklinsmann" ainda tem dificuldades de armar o time, se mostra indeciso sobre
quem joga no ataque. Além do mais, numa profissão onde exige o máximo de empatia
com seus "subordinados" que é a do técnico de futebol, Klinsmann mora na
ensolarada California e se comunica com os jogadores por e-mail!! Pelos óculos
do Bill Gates!!
Klinsmann tem culpa? A Deutschland Fussballbund escala um
treinador sem experiência nenhuma para assumir nada mais nada menos que a Sleção
Nacional em véspera de Copa. Espera o quê? Repetir o Brasil de 70?
Em se
tratando de Alemanha, não dá pra duvidar piamente. Mas Klinsmann apresenta a si
mesmo um futuro trágico como treinador. E quem é o favorito do Beckenbauer para
assumir o cargo? Lothar Matthäus! Há!! Boa sorte para eles.
Semana que
vem: por que a Alemanha pode surpreender e ser a grande campeã da Copa em
casa.
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