STEFAN LORAX - ARQUIVOS 2006

Até quando esperar
Stefan Lorax - 18/12

Quando o Chelsea vai deslanchar no futebol Mundial?

O melhor treinador do mundo. Com um time português limitado nas mãos, Mourinho, contanto também com alguma sorte, fez o Carlos Alberto ser eficiente no ataque, transformou Deco em craque, e contou com jogadores medianos como Nuno Valente, Costinha ou Maniche para ganhar a Liga dos Campeões da UEFA.

Os melhores atacantes do mundo atualmente – que se completam de forma impressionante. Um atacante inteligente, com noção de espaço e veloz como Schevchenko. Ao seu lado, um homem forte e físico, o Drogba. No meio, a visão de jogo e chutes perfeitos de Joe Cole. A determinação, os lançamentos, a capacidade de armar de Ballack. A liderança de um grande marcador como Lampard. E o apoiando, Makélélé e Essien. Na defesa, os melhores zagueiro e goleiro do mundo: John Terry e Petr Cech, respectivamente.

Como esse timaço não pode funcionar? Compare com qualquer time no mundo. Defesa melhor que Real Madrid, Barcelona, Milan. Meio-campo e ataque superior a Manchester United, Barcelona e até mesmo a Internazionale? O que há com o Chelsea afinal?

Analisando a “Era Abramovic”, iniciada em 2003, o Chelsea viu o Arsenal tomar sua prioridade naquele ano. Com um grande time – time que o próprio Chelsea viria a se tornar – o Arsenal venceu a Liga Inglesa e deixou os “Azuis” na segunda colocação. Ainda assim, mostrando a potência que viria a se tornar, o clube então treinado por Cláudio Ranieri chegou às semi-finais da Liga dos Campeões, eliminado pelo Monaco.

A maldição da Liga dos Campeões
No mesmo ano, o Chelsea chegou novamente às semi-finais da Liga dos Campeões. Fora eliminado pelo Liverpool com, segundo Mourinho, um “gol que não existiu”. Mesmo assim, o Chelsea fez uma temporada perfeita na Inglaterra e levou a Copa da Liga e novamente o título da Liga.

Para a temporada 05/06, novamente uma temporada nacional perfeita. Iniciou a temporada vencendo o Escudo Comunitário e depois levantou título que importa, da Liga, foi conquistado. O time estava animado para a Liga dos Campeões e a esperança era que naquele ano o título finalmente viria. E o Chelsea era, inegável, melhor time daquele torneio – com o melhor treinador no banco de reservas. Desta vez não foi longe. Em duas partidas que o jovem Lionel Messi fez a diferença, um embalado, e nem por isso melhor Barcelona superou os Azuis de Londres. O sonho acabara mais uma vez.

A temporada atual
Contando com o melhor elenco do mundo atualmente – e também com o melhor time, uma vez que o conjunto funciona – o Chelsea agora vê o fraco Manchester United seguir a todo vapor à sua frente na Liga Inglesa. Por um motivo ou outro, este time fechado não tem conseguido resultados que reflitam o que a equipe rende. Qual será a do Chelsea?

É complicado analisar o que há de errado quando não há nada de errado. O time joga bem. Os jogadores cumprem seus papéis. Aplicar as derrotas do Chelsea em partidas decisivas da Liga dos Campeões ao azar? Este céptico canadense não acredita nisto...

Então, Chelsea? Quando virá a conquista da Europa e a prova – este é o melhor time do mundo, treinado pelo melhor técnico do mundo. Eu estou a esperar. Mas até quando esperar? Até me ajoelhar esperando a ajuda de Deus? Este céptico canadense não acredita nisto...

Quem te viu, quem Tevez
Stefan Lorax - 11/12

O atacante mostra a fragilidade do futebol argentino - e brasileiro.

Argentino sofre. Muito mais que o tal do brasileiro. Além de um país economicamente quebrado desde 2000, os argentinos vivem, desde 94, ocaso do semideus Maradona, a eterna espera do surgimento de um novo ídolo. E, para esta árdua tarefa de “novo Maradona”, já se apresentaram (ou foram apresentados) nomes como Riquelme, Crespo, Saviola, Cláudio Lopez, Verón e até mesmo gente patética como D’Alessandro. Ou, mais recentemente, o Messi. Em comum, todos têm no mínimo uma coisa: não agüentam sequer metade da responsabilidade que aqueles que os argentinos chamavam de Deus carregava tranquilamente sobre os ombros – ou, às vezes, nas mãos.

E exatamente assim é a figura a ser tratada nesta coluna. Este canadense, fã do Sport Club Corinthians Paulista, tem em Carlos Alberto “Carlitos” Tevez um ídolo, pela temporada impecável feita em 2005 e até mesmo pelo esforço em campo antes de deixar o clube, já ingrato, em 2006. Ainda assim, há de se admitir: Tevez é um jogador medíocre – e, quando digo medíocre, não estou sendo pejorativo, e sim quero dizer que Tevez está na média, não acima dela, como muita gente quis vender, e muita gente comprou.

Depois da temporada impecável que viveu no Brasil, Tevez cometeu a burrice de ir jogar na liga mais difícil do mundo: a Inglesa. Não que as defesas na Ilha da Rainha sejam fortes como na Itália ou duras como na Alemanha. Mas o futebol britânico tem uma característica peculiar: ele não se adapta a você. Você tem que se educar a uma escola que trabalha da mesma forma desde o século XIX. Um craque de fato não terá nenhum problema nisso. Afinal de contas, o jogador completo, como, hoje em dia, o Ryan Giggs, o Ruud Van Nistelrooy ou o Didier Drogba não teria problemas em jogar no futebol local. E nenhum desses teve. Mas vejamos o Tevez. Baixinho, não tem habilidades para o jogo de cabeça. Isso já é uma perda de pontos considerável na Ilha. E é culpa DELE. Vale lembrar que Romário é baixinho e, quando jogador, sabia se virar de cabeça. O mesmo vale para Maradona. Ou seja, o bom jogador tem que superar adversidades como a altura.

O outro fator é justamente o estilo do Tevez. Sua habilidade consiste em se aproximar do defensor, para assim ter noção do espaço que tem. E só nessas condições, conseguir receber a bola e realizar o drible, completar a jogada. O futebol britânico não abre esses espaços. O alemão também não, o italiano muito menos. O brasileiro abre! E muito! O espanhol idem! Ou seja... Tevez teria muito mais futuro na Espanha. Como diz o chefinho... “Na Espanha é fácil. Até o Júlio Baptista vira craque!”. E não é??

Como grande fã pessoal do Tevez, fico triste por isso que ele passa na Europa. Mas, como fã do bom futebol, não é de se admirar. Um jogador limitado não rende num país de bom futebol. E este mesmo jogador limitado estava BEM ACIMA do nível dos jogadores brasileiros e arrebentou no campeonato local. Isso mostra o nível do futebol que é jogado aqui hoje em dia...

A queda dos paulistas
Stefan Lorax - 05/12

Estado de São Paulo fica comum no futebol brasileiro.

Fim da era em que São Paulo tinha equipes fortes oriundas do interior, capaz de intimidar qualquer grande equipe do Brasil. Com o rebaixamento de Ponte Preta e São Caetano, o futebol do Estado agora se segura apenas nas suas grandes potências: Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos serão os únicos Paulistas no Brasileirão 2007. O número de clubes de São Paulo agora se assemelha aos de times do Rio de Janeiro. Os dois estados, historicamente rivais, agora dividem o mesmo número de equipes depois de anos com liderança maciça paulista.

Os paulistas de anos atrás
Comparando com os demais anos, São Paulo teve seis representantes este ano de 2006 e também em 2005. Em 2004, foram sete equipes - quando caiu o Guarani. Até agora não voltou. 2003, ano em que não tivemos o Palmeiras, foram novamente seis participantes. 2002 teve oito, caíram dois. Palmeiras, que retornou; Portuguesa, que não deu mais as caras. Em 2001 foram nove participantes - número considerável que não se repetia desde 95. O Botafogo de Ribeirão Preto caiu e também não deu mais sinal de vida. 2000 teve oito equipes. Mesmo número de 99, 98 e 97. E em 96, oito clubes. Ou seja: há dez anos que não temos menos de cinco paulistas no Brasileirão - ano do rebaixamento do Bragantino. Aliás, o Brasil nunca teve menos de cinco Paulistas em sua primeira divisão. Desde a atual fórmula do Campeonato Brasileiro, disputado em 71, que temos no mínimo cinco participantes - número de 71 e 72. Daí em diante, o número sempre foi superior, chegando ao máximo em 78 com 12 participantes. Este número cai drasticamente em 2007.

A força do interior
O que fica claro nesta crise é a queda do interior Paulista. Outrora, clubes como Guarani e Portuguesa se impunham entre os grandes, roubando seus lugares. Isto veio a ocorrer pela primeira vez em 78, quando o Guarani levantou a taça de Campeão Brasileiro. Em 81, estava a Ponte Preta em 3º lugar. Em 82, o Guarani ficou em 3º e em 86 foi vice-campeão. O Guarani voltou a ser vice em 87, no conturbado ano dos Módulos Verde, Amarelo, Azul e Branco. Em 91, o Bragantino viçou com o vice-campeonato. Em 92, último ano sem Paulistas na final, o Bragantino repetiu boa campanha e ficou em 4º. Em 94, o Guarani se enfiou em 3º lugar. Em 96, a Portuguesa foi a vice-campeã. Em 98, voltou a aparecer entre os quatro finalistas, ficando em 4º lugar. 2000, ano da conturbada João Havelange, o São Caetano ficou em 2º - colocação que viria a repetir em 2001, em 2003 ficaria em 4º, último canto do futebol do interior paulista entre os grandes no Brasileirão.

Prejuízo: mudança de fórmula
O número de surpresas do interior Paulista surgiu com a mudança de fórmula entre partidas eliminatórias e pontos corridos - apesar da campanha do São Ceateno em 2003. O fato não é coincidência. Num campeonato com duração de nove meses, as equipes precisam abrir a mão e colocá-la no bolso para fazer grande campanha. Convenhamos, as equipes do interior não detém deste privilégio. E, sempre que revela algum grande jogador, acaba perdendo-o ao fim ou mesmo durante a competição. Não existe mais a possibilidade da zebra, como nos campeonatos eliminatórios - onde uma Portuguesa ou uma Ponte Preta, com organização e alguma sorte, conseguiria tirar um Corinthians ou São Paulo numa quarta-de-final e daí embalar até a final.

A Série B e a esperança para 2008
Os Paulistas agora dominam a Série B do Campeonato Brasileiro. Apesar da baixa com a queda do Guarani, ano que vem a competição terá oito equipes - Grêmio Barueri, Ituano, Marília, Paulista, Ponte Preta, Portuguesa, Santo André e São Caetano. Com a maioria de equipes na Série B, sem nenhuma grande equipe disputando a competição - apenas com times de médio porte, como o Coritiba, e equipes menores, a esperança é que ano que vem subam dois ou mais paulistas para a Série A. É só isso que resta ao futebol do interior paulista... alguma esperança.

Confiram comigo no replay...
Stefan Lorax - 28/11

Fifa começa a aderir à ajuda da TV... e eu não gostei nada disso.

Sou a favor de uma coisa no futebol. Em campo, autoridade do árbitro é máxima e só ele tem o poder de decisão sobre os lances do jogo. E os erros de arbitragem? Tudo bem, erro faz parte do esporte! Afinal, quando toma um frango, um goleiro também erra. Quando perde um pênalti, o jogador também erra. Quando marca um gol contra, o Júnior Baian... digo,  zagueiro também erra. Então por que o árbitro não pode errar?

João Havelange, então presidente da FIFA, declarou uma vez que se acabássemos com todos os erros de arbitragem, o futebol perderia a graça, pois aí acabaríamos também com as discussões pós-jogo. Pois bem. Agora Joseph Blatter, preocupados em agradar a gregos, troianos e americanos, começa a abrir as pernas para as exigências da mídia. A princípio, se pensava em colocar um novo bandeirinha atrás de cada gol para determinar se a bola entrou ou não. Uma bela idéia. Agora a coisa ganhou proporções maiores, e o Presidente já admite usar a ajuda do vídeo em caso de dúvida se a bola entrou ou não no gol. A idéia será testada no Mundial de Clubes 2007 – prepara-te para mais um Tetra, Bâmbi.

O problema é, amigos, como todo bom canadense, este colunista adora um jogo de hóquei no gelo. E a NHL, National Hockey League, principal liga do mundo com equipes dos EUA e Canadá, adota a ajuda do vídeo em caso de dúvida se o disco entrou ou não desde a temporada 2003/04. E é um saco quando acontece! Pára tudo, vai analisar o vídeo, se demora analisando, consulta-se um monte de gente. A mesma tática é utilizada pela NFL, National Football League, liga de futebol americano. E, mesmo assim, na decisão do último Super Bowl, a final do Campeonato, um erro de arbitragem garantiu o título do Pittsburgh Steelers sobre o Seattle Seahawks. Mesmo em um esporte onde a tecnologia já é utilizada.

Sem falar que essa realidade faz parte da história do esporte americano. O vídeo é utilizado na terra do melhor futebol (americano) do mundo desde 1963, num jogo de futebol entre o time da Marinha contra o time do Exército. O esporte americano, com toda sua cara empresarial, tem, além disso, um intervalo de 2 minutos para cada vez que o jogo é parado – seja em beisebol, hóquei, futebol americano ou basquete. Ou seja... imagina que cada vez que a bola saísse para tiro-de-meta, tivéssemos uma pausa de 2 minutos na TV. Quem agüentaria? Mas isso é a cara do esporte americano. Esse apego à tecnologia. O futebol não precisa desse tipo de ajuda, pois se caracteriza por si só como um jogo único.

Concordo que o uso da TV seria mais justo. Ajudaria a evitar certos erros. Mas quem disse que o futebol deve ser justo? Fosse assim, a Seleção Brasileira não seria eliminada na Copa de 82. A Holanda não perderia o título em 74, nem a Hungria em 54. Futebol é, desde suas regras e princípios, injusto. Os erros de arbitragem contribuem para isso e, por bem ou por mal, fazem parte do jogo. Não fossem esses erros, não teríamos lances históricos como o gol de mão do Maradona, a pênalti que Nilton Santos cometeu em 62 e saiu da área, fazendo que fosse marcada falta ou o pênalti sofrido por Zico, cometido por Gentile, não marcado pelo árbitro na derrota para a Itália em 82.

Começa assim. Logo vai estar se dando brecha para a tecnologia entrar cada vez mais no futebol. Aí se perde a graça. O esporte começa a se modernizar, perde seu charme. Daqui a pouco se usará proteções para que os jogadores não se machuquem – se machucar é injusto; as traves serão gigantescas e em forma de Y para que a bola não vá para a fora nunca – errar chute é injusto; a bola passará a ser oval e o uso das mãos liberado, para evitar que o jogador cometa pênalti – cometer pênalti é injusto. E nosso esporte ganhará um sub-título: americano.

Deixem que a tecnologia fique por conta das “câmeras exclusivas” da Globo. No campo, quem manda é o árbitro. Erre, ou não. Afinal, todo mundo erra. Até a FIFA agora está errando feio!

Fim de uma era?
Stefan Lorax - 20/11

O título do São Paulo é uma prova de superioridade e sua competência e organização

Amigos leitores, sejam sinceros. Onde esse time do São Paulo daria frutos? Vejam o Danilo... o que Danilo faria no Corinthians? No Flamengo? No Palmeiras? No Real Madrid? No Manchester United? E Mineiro, melhor jogador deste Brasileirão. O que Mineiro acrescentaria ao Barcelona ou à Internazionale de Milão? Ou mesmo ao Vasco da Gama e ao Cruzeiro?

À exceção de um bom goleiro com o anexo de ser um excelente cobrador de faltas... qual jogador do São Paulo não é comum?

Como tirar uma prova do que estou dizendo? Vejam o Amoroso. Campeão da Libertadores e Mundial. Destaque no São Paulo. Jogou muito. E o que Amoroso fez no Milan? E no Sport Club Corinthians Patético?

Esse título do São Paulo, que fecha um ciclo iniciado ano passado com o Paulistão, passando pelo ápice da Libertadores e do Mundial da FIFA. É a prova que a organização do São Paulo, que sucede desde o Paulistão e do Brasileirão de 91, passando pelo auge da Libertadores e Copa Toyota de 92 e 93 é o principal fator para as glórias do clube – que vêm do passado e se firmam no presente.

Em 2002, com um time cheio de pseudo-estrelas mascaradas, como Kaká, Luís Fabiano, Ricardinho ou Fábio Simplício, o São Paulo tinha como base sua soberba em se achar o melhor time do Brasil. Colecionou tropeços. Perda da Copa do Brasil, do Rio-São Paulo e do Brasileirão 2002. Perda do Paulistão e Brasileirão 2003, do Brasileirão, Paulistão e Libertadores 2004...

Aí que a diretoria do São Paulo passou a ter outra mentalidade. Ter o melhor clube, não o melhor time. Contratar bem, não contratar caro. Para que tentar trazer o Roger se bem ali em Goiás temos o Grafite? Mais barato, mais eficaz, menos estrela. Para que buscar o Edmílson se temos o Mineiro. Para que boatar que se trará Ronaldo se o Amoroso se encaixa melhor? Para quê o Cafu se temos o Cicinho? Opa! Não tem mais? Ah, agora o Cafu? Não... tem o Ilsinho. Claro que o São Paulo não perdeu a soberba... isso fica a cargo do Marco Aurélio Cunha.

E, obviamente, com essa organização, essa política de não alimentar estrela ou egos, o São Paulo acaba trazendo o Ilsinho do Palmeiras – que tinha lá os egos de Juninho, Edmundo, Marcinho Guerreiro, fez o Lenílson preferir o tricolor ao Santos com o ego de Luxemburgo, Zé Roberto, Marcelo Teixeira...

E com essa política, o São Paulo transforma seu melhor clube também em melhor time. Sem pressão, faz os jogadores comuns funcionarem melhor que “craques”. Traz o jogo bem jogado, traz resultados. Ponto fraco tem, é claro, como a ausência de um bom meio-campo, a fragilidade do time sem os volantes. Ainda assim, o clube é time suficiente para ser campeão. E o ego? Bom... isso pode ficar com os torcedores... ganharam tudo mesmo.

E agora? O que vai ser desse time de sucesso que já ganhou tudo? Os jogadores ficam? Se transferem? A Era São Paulina vai acabar?

Bom... ide onde foram, sem dúvidas, não terão metade do sucesso que tiveram no São Paulo. Afinal... esse é um clube de estrela. De muitas estrelas. Estrelas essas que se resumem a títulos... não a “pseudo-craques” de egos inflados.

Sayonara, críticas!
Stefan Lorax - 13/11

Obina surgiu no Vitória como uma possível promessa. Em 2004, quando o Vitória eliminou o Corinthians (Rá! Grande coisa!) e chegou às semifinais da Copa do Brasil (Rá! Grande coisa!²). E Obina pintava como um Nadson, revelado um ano antes. Teve até gente dizendo que aquele Vitória teria o 5º melhor elenco do Brasil...

Esse jovem Obina então virou a opção do irregular ataque do Flamengo. Sem grandes jogadores e resultados, o irregular rubro-negro seguiu sua tradição de contratar errado. E foi buscar o Obina lá na Arábia, no All-Ittihad (time de craque) para reforçar o Brasileirão 2005. No mínimo, uma pisada na jaca!

Reconheçam... o Obina nem sequer sabe chutar uma bola! Basta relembrar o Fla X Flu do segundo turno deste ano. Num dos maiores clássicos do futebol brasileiro, onde marcou dois gols, o lance que lembro do Obina é... recebendo livre na entrada da área... entrando na área... cara-a-cara com Fernando Henrique... chutando e... nossa! Entrou em órbita! A bola não tirou tinta da trave! Não tirou nem tinta da plataforma de concreto que cobre o Maracanã!

No entanto... mesmo ruim de bola, o Obina tem um ponto positivo: o esforço. Depois do fracasso de 2005, de quase ser dispensado... o jovem atacante começou a se portar como um verdadeiro homem borracha em campo. Vai em qualquer bola. Chuta de onde der. Se estica. Se rala no chão! Ou seja... já dizia a Superinteressante... sorte é uma ciência. Quanto mais oportunidades você buscar, mais chances terá de vencer, mais sorte parecerá ter. E Obina vai em todas! Por isso seus 11 gols até aqui. Para entender como Obina funciona, basta lembrar o gol que marcou no clássico contra o Vasco, também no segundo turno. Se esticou inteiro para uma bola que sairia para tiro-de-meta.

E agora? Como vamos criticar o Obina? Com 11 gols, o rapaz está a 5 da artilharia do Campeonato Brasileiro (Rá! Grande coisa!³). Obina é ruim? Bom... faz gol! E no futebol, o que faz um time vencer é gols, certo? Com essa propriedade, o jogador acaba calando as críticas! "O Obina é ruim e..." faz gol! Pronto! Me calei!

Com seu número atual de gols, Obina pode provar o contrário do que a crítica fala. Ou, claro... pode ser sinal de que o futebol brasileiro está cada vez pior. Mas ninguém vai levar isso em consideração! Pelo menos até que o Flamengo passe por defesas argentinas na Libertadores... aí vamos ver o que vão dizer. Mas por enquanto, o que todo mundo diz é... Obina é melhor que o Eto'o. E ele e sua filhinha, Sayonara - homenageada no gol desta quarta, contra o Goiás - podem dar tchauzinho para quem critica.

(Que fique bem claro... Eto'o é o apelido de um flanelinha que guarda carros aqui no prédio do meu trabalho)

Entre tapas e beijos
Stefan Lorax - 07/11

Não é de hoje que Ronaldo passa por má fase no futebol. Desde 98 quando rompeu os ligamentos do joelho e passou a dar despesas sem fim a Internazionale de Milão que o atacante parece ter caído num poço sem fim. De um homem rápido e com alguma habilidade, Ronaldo passou a parecer um desses jogadores do chamado "futebol de areia" ou "futebol de praia", lento e desajeitado.

Chegando em Real Madrid em 2002, o atacante trouxe mais problemas que soluções. Ou melhor... trouxe apenas problemas ao clube merengue. De títulos, apenas uma Liga Espanhola pelas temporadas 2002/03 e a Supercopa da Espanha em 2003 - além da xoxa Copa Intercontinental, ou Copa Toyota, ou Mundial Interclubes em 2002. Nos quatro anos antes dele, o retrospecto do clube de Madrid inclui três Ligas dos Campeões - o maior título que o Real Madrid disputa - além de manter os mesmos títulos de uma Supercopa da Espanha, um Campeonato Espanhol e uma xoxa Copa Toyota.

Além do mais, o jogador insistiu em fazer bico para ser o mais querido de Madrid - querendo concorrer, injustamente, com um jogador criado no clube, o atacante e capitão Raúl, o acusando inclusive de manipular a torcida contra sua pessoa.

A passagem de Ronaldo por Madrid inclui inúmeras contusões, questionamentos quanto a pedidos de dispensa para se "brincar carnaval" no Rio de Janeiro e o jogador chama mais atenção por namoros e casamentos que por seu futebol e deixou apenas uma partida na memória - sua bela atuação em Old Trafford pela Liga dos Campeões 2002-03, quando marcou três gols e liderou a eliminação do Manchester United nas quartas-de-final da competição.

O ponto positivo
Em dados oficiais, até maio deste ano, ao fim da temporada 2005/06, Ronaldo somava 114 gols em 181 jogos pelo Madrid - uma média de 0,62 gols por partida. Uma boa média para quem já se submeteu a duas cirurgias no joelho. A temporada 2002/03 teve um saldo de 29 gols em 42 jogos pelo Real Madrid e a média de 0,69 gols por partida. Em 2003/04, apesar da temporada controversa, marcou 24 gols sendo o principal artilheiro da Liga Espanholha no ano. Juntando os 4 gols na Liga dos Campeões - uma atuação ruim para quem disputou 9 partidas -, Ronaldo teve um total de 28 gols em 40 jogos. Foi uma média de 0,68 gols por partida. Dava a entender que se recuperaria e voltaria a ser "o velho Ronaldo".

O fim que começou em 2004/05
A média caiu para 0,53 gols por partida. O que pode ser uma boa média para um meio-campo não é nada agradável em se tratando de um centroavante. Passando para a Liga dos Campeões... foram apenas 3 gols em 10 jogos. O maior torneio do mundo, que é o xodó do torcedor madridista, reflete a imagem que o jogador adquire na cidade. E Ronaldo começou a ser visto com desconfiança. A época coincidiu com o começo do romance entre Ronaldo e Daniela Cicarelli.

O desastre de 2005/06
Fim do relacionamento com Cicarelli, início de namoro com Raica... e Ronaldo passou a se contundir com freqüência. Apesar da média de 0,6 gols por partida, o jogador disputou míseros 23 jogos na temporada. Convenhamos, isso não vale à pena. O jogador recebe caro. Joga pouco. E não marca de forma excepcional. Além de continuar em desavenças com o elenco e com a torcida - fora os boatos de que deixaria o time. Ronaldo apresenta em campo menos entrosamento para com o time de que os demais jogadores da equipe.

Capello acontece
Chega ao time galáctico o exigente treinador Fabio Capello, com carta branca para mexer como quiser no time. E a primeira atitude de Capello é afastar Robinho e Ronaldo. Mantém os dois de molho e chama atenção para a pré-temporada irregular que Robinho tenha feito.

A questão é... Capello percebeu o quanto Ronaldo tem a render desde 2004/05. Ainda mais contando com dois centroavantes do quilate de Ruud Van Nistelrooy e Antonio Cassano - ambos com fases bem mais regulares que Ronaldo, além de cabeça um pouco mais no lugar. Ronaldo com menos cabeça no lugar que Cassano! Vejam só!

Não há como acusar Capello de anti-brasileiros... afinal... Capello mantém o lento Emerson no time. Por um fator: disciplina. E trouxe junto ao elenco o afastado Robinho, por comprometimento - afinal, o menino enganador vem se esforçando e rendendo em campo. Melhor um palhaço pedalando que um gordo se arrastando.

Resumo da ópera
Ronaldo rendeu no Real Madrid. Rendeu pouco. Como resultado, nos últimos dois anos fica chorando pelos cantos dizendo estar triste no clube e se queixando de problemas amorosos. Mas o que o clube tem a ver com a vida sentimental de um jogador? A filosofia a se sequir é o que Capello vem fazendo. Não há de se querer jogadores felizes em campo. Há de se querer jogadores que rendem. Fim de papo.

Série C, Classe A
Stefan Lorax - 30/10

A Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro torna-se um dos maiores atrativos deste fim de ano

Pela Série A, uma bela briga pelo título. Ainda assim, São Paulo tem uma vantagem de 7 pontos sobre o vice-líder, o que o deixa com uma vantagem segura rumo ao título. Pela Série B, o cerco se fecha em torno de Atlético Mineiro e Sport Recife. Náutico, América de Natal, Coritiba e Paulista ainda brigam pela vaga. Os demais parecem distantes.

A Série C, aberta ainda para seis clubes, acaba sendo a mais interessante das três divisões atuais do Campeonato Brasileiro - pelo menos em termos de disputa.

O líder atualmente é o Ipatinga, com uma impressionante campanha de 5 vitórias em seis partidas. Soma 15 pontos e é o time mais próximo dos 21 pontos - que devem ser suficientes para garantir, matematicamente, a classificação. O Criciúma, que há dois anos chegou a liderar a Série A e desceu em queda livre rumo a Série C, mostra uma boa recuperação. Tem quatro vitórias, soma 13 pontos e, aos poucos, vem levantando o bom futebol catarinense. De São Paulo, o Grêmio Barueri mostra a força do futebol do interior paulista. Sábado passado, derrotou o Vitória em Salvador. Assume a terceira colocação com 12 pontos. Esses três têm sido os melhores times do Octagonal Final da competição.

Em quarto lugar, o Treze de Campina Grande da Paraíba têm mostrado uma incrível regularidade em casa, onde está invicto há 42 partidas - desde 2005 o "Galo" não perde um jogo em casa. Fora de seu mando de campo, no entanto, tem sido extremamente irregular. Perdeu todos os jogos desta Chave Final, embora tenha se apresentado bem e seja um possível nome entre os 4 classificados para a Série B 2007. Atualmente, se abraça à quarta colocação com 9 pontos.

O Vitória da Bahia é a salvação para o estado. Em 5º, o rubro-negro mantinha a mesma regularidade do Treze até que perdeu para o Barueri em casa neste sábado e começa a se complicar. Soma 7 pontos e é a atual icógnita da competição. Eu apostava no Vitória até uma semana atrás. Resolvi poupar meu dinheiro. E logo atrás do Leão da Boa Terra, vem o Tubarão Cearense - o Ferroviário, ou, como é carinhosamente chamado, "Ferrim", vem em 6º lugar com 6 pontos e alimenta uma remota chance de classificação. Seu problema é enfrentar o Treze em Campina Grande durante esta semana.

Daí pra baixo, a situação está complicada. Com 4 pontos, Bahia e Brasil de Pelotas têm chances mínimas de classificação. Precisariam vencer cinco dos oito jogos restantes para alimentar alguma chance de classificação. A julgar pela campanha que ambos estão fazendo até aqui... bem... convenhamos, isso NÃO vai acontecer. O Brasil, há muito de fora do cenário e dos holofotes do futebol brasileiro, está fazendo uma campanha honrosa - vá lá, daremos uma chance aos caras. Mas o Bahia, com a melhor média de público da Série C, vem fazendo esse papelão. Inclusive, com o vexame de ter jogo interrompido aos 30 do segundo tempo por invasão de campo. Patético... seu sonho parece estar acabando. Alguém ainda acredita no Bahia?

Bom, essa é a breve história e situação da Série C que, com clubes e histórias humildes, alimenta o humilde sonho de uma vaguinha na Série B do Campeonato Brasileiro. Seis dos oito finalistas parecem ter alguma vez neste sonho. Os dois últimos, estão cada vez mais distantes.

Mesmo assim, sem muito espaço na TV e na grande mídia, a Série C vem trazendo uma temporada interessante do futebol das menores divisões do Brasil.
(Nota: Esta coluna serve como upgrade da pequena matéria sobre a Série C que o torcedor do Barueri, Hector Diazepan, fez no último dia 18. Boa sorte para seu time, Hector!)

O fantasma de Adriano
Stefan Lorax - 23/10

Se no mundo existisse macumba & afins - qualquer ser humano com 0,1% de seu cérebro funcionando sabe que isso e merda é a mesma coisa -, sem dúvida, teriam feito uma carregada para o atacante Adriano.

Como todos nós sabemos, revelado (e recusado) pelo Flamengo, Adriano, tido como magro, alto demais e desengonçado, encontrou abrigo na Internazionale de Milão, sendo emprestado ao Parma e Fiorentina. Antes de se contundir, teve uma passagem espetacular pelos dois clubes menores. De volta ao neroazzurri, confirmou o status promissor sendo um dos principais artilheiros do Campeonato Italiano, marcando 15 vezes em 16 jogos pelo Campeonato Italiano 2004/05 - além de grande passagem pela Seleção Brasileira na Copa América (2004) e Copa das Confederações (2005).

Depois disso, o artilheiro que, a longo prazo, já era considerado o futuro maior jogador do mundo e sucessor de Ronaldo, vem colecionando uma sucessão de insucessos. Primeiro, despertou fama de brigão e violento por repetidas agressões e faltas carniceiras que o garantiam cartões vermelhos desnecessários; depois, seu jejum de gols e as declarações públicas de Roberto Mancini, treinador da Inter, de que não tem planos para o atacante brasileiro, que só continuaria no clube por imposição do então presidente Facchetti - falecido este ano.

Agora Adriano acumula a impressionante marca de 200 jogos sem marcar além de ter passado por um pífio desempenho na Copa do Mundo, abafado pela atuação ruim do time como um todo.

Bom... dar murro em bêbado é fácil, mas, se é pra explicar o que não funciona em adriano... Vamos em frente.

Primeiramente, as qualidades do jogador. Adriano tem um bom chute e é um jogador de força. Leva vantagem em bolas divididas e, na área, isso tem seu diferencial. Brigar com Adriano na cabeça ou no chute é ficar em desvantagem. Além disso, seu porte físico (que está ligado à qualidade já citada) o garante um bom fôlego num jogo corrido demais.

No entanto, habilidade é o que Adriano menos tem. Comparemos o "Imperador" com o outro atacante da Internazionale, Ibrahimovic - é como Ibra, com capacidade de sair facilmente da marcação com a bola nos pés e driblar com facilidade, tem mais desenvoltura que Adriano. O fator posicionamento é mais um levado em consideração. Não podemos colocar o Ibrahimovic como um exemplo neste setor, já que o sueco-eslavo se posiciona mal; mas até mesmo um tropeço como Crespo tem mais posicionamento com Adriano - e saber onde se posicionar é fundamental para um centroavante, a não ser que você tenha o gênio de Ibrahimovic. E isto, Adriano não tem.

Ou seja... juntando as duas hipóteses, temos um atacante físico e "matador" que não tem o mínimo de leveza para dar um drible ou mesmo a consciência de procurar uma boa marcação. O resultado disso é... bem marcado esse atacante some. E aí... lá vão 200 dias sem marcar um gol... e assim a Inter vai... dizem que o Real Madrid o quer. Duvido que Capelo o queira!

E Adriano é a primeira prova de que o futebol brasileiro não passa por boa fase e não é esse futebol superior que muita gente por aí acha que é e tenta convencer a Deus e o mundo..

(Nota do editor: a coluna foi escrita antes deste final de semana, então, o afastamento do roliço Adriano ainda não tinha sido de conhecimento público. Neste sábado, a diretoria da Inter chegou a conclusão de que Adriano precisa de recuperação psicofísica. Ou seja, precisa entrar em forma e parar de pensar em baboseiras. Vai ser difícil...)

Pequeno "Padawan", futuro Mestre Jedi?
Stefan Lorax - 16/10

Antes de mais nada, uma explicação nerd para o título. No "Universo Star Wars", criado pelo segundo maior nerd de todos os tempos, o cineasta George Lucas (que só perde para o escritor J.R.R.Tolkien, autor de Senhor dos Anéis), existem uma ordem na galáxia chamada Cavaleiros Jedi, composta por guerreiros que visam zelar pela paz do Universo. Um aprendiz de Jedi, chamado "Padawan" costuma usar um corte de cabelo curioso: curto, com apenas um pequeno e fino rabo-de-cavalo. O mesmo corte que usa o jovem RODRIGO PALÁCIO, atacante do Boca Juniors da Argentina.

Não dá para saber se o jovem Rodrigo é, de fato, fã da saga Star Wars - não imagino que seja tão idiota para tanto, mesmo sendo argentino. Mas que é uma promessa do futebol a ponto de ser um dos principais jogadores da América do Sul, assim como os Jedi para galáxia, isso, sem dúvida, Palacio o é.

O jovem camisa 14 do Boca ainda é um tanto quanto desconhecido no Brasil. Motivo? Brasileiro só olha para o próprio umbigo. Se brasileiro só percebeu o Tevez quando ele veio ao Corinthians, mal se importa de conhecer um jogador argentino ainda melhor, que é o Palácio. Surpresa na convocação de Pekerman para a Seleção Argentina que jogou a Copa do Mundo, Palácio entrou apenas no segundo tempo da partida contra a Costa do Marfim e marcou um gol que fora anulado por posição irregular.

Veloz, com um chute preciso e autor de bons cruzamentos, Palácio também se posiciona bem dentro da área - e mesmo fora dela - o que o faz parecer o saudoso ponta-de-lança que mal vemos no futebol de hoje em dia, e cairia como uma luva nas seleções Italiana e Holandesa, por exemplo. Seu forte, os gols, têm ainda o reforço das belas assistências, e, combinados com a vontade e garra do argentino, tornam "Drigo" uma verdadeira arma mortal.

Palácio foi o destaque do Boca Juniors nos jogos contra o São Paulo pela Re-Copa Sul-Americana e, muito provavelmente, será o nome dessa próxima Taça Libertadores da América.

E o brasileiro só vai ter uma breve noção de quem é Palácio, hoje aos 22 anos de idade, na decisão da Libertadores 2007, quando massacrar um time brasileiro?

E depois disso? Será o quê? Quando Palácio se destacar na Copa do Mundo de 2010 pela Argentina?

Se o brasileiro se preocupasse menos com seu prórpio umbigo e com o pseudo-marketing dos clubes brasileiros que alavancam jogadores como Rafael Sobis e o patético Lenny, perceberia quem são as verdadeiras jóias do futebol Sul-Americano...

Para inglês (não) ver
Stefan Lorax - 09/10

Seleção Inglesa comete patética apresentação em casa

Há algo de podre no reino da Inglaterra - parafraseando famoso escritor inglês que, em seu texto, deslocou a expressão para o reino da Dinamarca. No momento atual do futebol, no entanto, um reino dinamarquês sequer existe. E, no inglês, parece, de fato, haver algo de podre - no sentido figurado, claro.

Seja lá o que for, fedeu muito neste sábado. A Inglaterra ferrou com todos nós, participantes do Bolão FEC - nossa página superior - quando se deixou empatar com a fraca Macedônia num patético 0x0.

Sem Beckham, capitaneada por John Terry, o time inglês parece não ter entrado em campo. Assim como seu adversário. Com a leve diferença... o time da Mecedônia não existe mesmo. O inglês, sim.

Há de se ilustrar dois belos momentos. Uma falta cobrada por Joe Cole no primeiro tempo defendida pelo goleiro macedônio e chutasso do Gerrard já no segundo tempo que carimbou o travessão - após bela jogada do jovem talento Wright-Philips. Peter Crouch, com um mínimo de categoria (que, no seu caso, é o máximo), bem que tentou ao fim da etapa complementar, quando matou uma bola levantada no peito mas arrematou mal. Fora isso, o time inglês foi um grande nada em campo.

Claramente com um misto de falta de vontade e, oh, Deus, talento... a Inglaterra insistia em jogadas pelo alto. Lampard e Cole abusavam dos cruzamentos, quando o grandalhão Crouch parece até ter mais talentos com os pés que com a cabeça - já que o poste nem sabe cabecear. Mesmo assim, ao lado de Wright-Philips, que entrou apenas no segundo tempo, Pete foi o único com alguma vontade. Gerrard, como na Copa, estava apático. Parece não saber mais ser volante. Além de continuar usando, muitas vezes, de entradas duras e violentas desnecessárias. Cole e Lampard pareciam estar com a cabeça no Chelsea. Gary Neville já não consegue dar apoio na lateral e funciona mais como um zagueiro. Faltou ao time inglês uma boa articulação de seus meio-campos, um melhor apoio dos laterais e alguém de talento para arrematar a gol. O pouco de articulação que o time teve aconteceu com Wright-Philips.

E fico com três questões na cabeça. A primeira... o que acontece com essa articulação que não existe desde o amistoso contra a Bielo-Rússia nas vésperas da Copa do Mundo? A segunda... seria incompetência do McLaren em treinar a equipe ou o elenco que trava na hora de defender a Inglaterra? E a terceira... Onde estava o promissor Aaron Lennon? (estava lesionado - o editor)

Bom, uma coisa dá pra ter certeza: Eriksson não foi responsável pelo fracasso do English Team na Copa. Há alguma coisa fedendo muito mais por trás. Se é o elenco ou a Federação... ou mesmo o McLaren... isso já não dá pra saber.

Grandes sonhos, pequenos interesses
Stefan Lorax - 03/10

Boca e Sevilla cogitam a possibilidade de uma Re-Copa Mundial.

José Maria del Nido, presidente da equipe "menor" espanhola Sevilla, afirmou essa semana que está estudando junto ao Boca Juniors da Argentina a possibilidade de jogar uma Re-Copa Mundial - disputa entre o Campeão da Re-Copa Sul-Americana, que é decidida entre o Campeão da Libertadores e o Campeão da Copa Sul-Americana; e o Campeão da Supercopa da Europa, que é disputada entre o Campeão da Liga dos Campeões da UEFA e o Campeão da Copa da UEFA.

Caso confirmado esse torneio, Boca Juniors, atual Campeão da Copa Sul-Americana e da Re-Copa, ao vencer o São Paulo; e o Sevilla, Campeão da Copa da UEFA e da Supercopa da Europa derrotando o Barcelona, se enfrentariam na chamada Re-Copa Mundial - ou Mundial Interclubes.

O jogo muito possivelmente aconteceria em uma única partida entre os dois campeões. Provavelmente, seria em campo neutro - provavelmente um campo neutro que atraísse torcedores e curiosos... havendo apenas dois lugares assim no mundo: os Estados Unidos e o... Japão! Isso reeditaria a desinteressante Copa Intercontinental, chamada aqui no Brasil de Mundial Interclubes - aquela que era jogada entre Campeão da Libertadores e Campeão da Liga dos Campeões. Confiante, del Nido afirmou que no próximo dia 04 de outubro, já com aprovação das partes interessadas, a UEFA estudará a proposta deste novo campeonato.

No ar... ficam duas perguntas:

A primeira... consideremos um visível interesse por parte da equipe européia. Sem a boa-vontade do clube do Velho Continente, sem dúvidas o jogo nunca aconteceria. Mas será que se o Barcelona vencesse a Supercopa, esse jogo iria acontecer - levando ainda em consideração que o Barça jogará o (também desinteressante) Mundial de Clubes da FIFA no Japão? Ou seja... formulando melhor a pergunta... a Copa, aspiração do Sevilla, equipe menor que não tem chances de vencer a Liga Espanhola ou a Liga dos Campeões, seria mesmo disputada caso o Barcelona fosse o representante europeu?

A segunda... agora teremos dois "mundiais" desinteressantes em disputa? Ou seja... vamos ter aquele questionamento idiota de quem é o verdadeiro Campeão Mundial?

Para este colunista, nem Corinthians (2000), nem São Paulo (2005), nem nenhum dos outros que outrora venceram aquela infame Copa Toyota podem ser considerados campeões mundiais. Campeão mundial é única e exclusivamente aquele que ganha uma certa taça a cada quatro anos - e, merecidamente, hoje descança na Europa, bordando a quarta estrela numa tradicional camisa azul.

P.S.: Peço desculpas por não cumprir o que afirmei semana passada - seguir falando sobre a Copa Sul-Americana. Com o surgimento desse assunto, foi necessário "atropelar" a pauta. Semana que vem, Mundial de 2000 em pauta. Só então falemos sobre a Sul-Americana novamente.

A conquista da América?
Stefan Lorax - 25/09

Essa semana é a hora da verdade para duas equipes "virgens" a nível de América: Corinthians e Fluminense.

time paulista se encontra numa situação delicada: o seus rivais somam uma penca de competições no continente. O Palmeiras tem a Libertadores e uma Mercosul. O Santos, duas Libertadores. E o São Paulo... bem... esse é hors-concours. Três Libertadores, duas Conmebol e duas Recopas. Enquanto isso, a nível internacional, além de competições pequenas como troféu Teresa Herrera e Torneio de Nova York, o Corinthians tem apenas aquele duvidoso e questionado Mundial de Clubes da FIFA - nada ganho na América do Sul. Nem mesmo a final da Libertadores - coisa que até o São Caetano disputou - o Corinthians chegou a jogar.

O Fluminense vê apenas Vasco com uma Libertadores e uma Mercosul e Flamengo com uma Libertadores e uma Mercosul à sua frente. O Botafogo, no entanto, continua tão "cabaço" quanto o tricolor, lhe fazendo companhia na zona daqueles que nunca ganharam nada na América do Sul. Ainda assim, a situação certamente incomoda.

Corinthians e Fluminense disputam essa semana, novamente, a fase internacional da Copa Nissan Sul-Americana. Para os Brasileiros, esse torneio ainda é considerado uma competição caça-níquel e desnecessária - embora todo ano o Cruzeiro faça uma camisa especial para jogar a Sul-Americana e fracasse. Eu já defendi a disputa da Sul-Americana, por ser um bom torneio, embora tenha enfatizado a necessidade de mudar sua fórmula - e termos assim, uma equivalente da Copa da Uefa em nosso continente.

O Timão enfrenta o Lanús, da Argentina. A primeira partida a ser disputada quarta-feira, em São Paulo, no Canindé. O Fluminense enfrentará o Gymnasia Y Esgrima, também da Argentina, no Maracanã, na quinta-feira. Resta ver, durante a semana, qual será o posicionamento dos dois em campo.

Encarando a realidade, o Corinthians não briga pelo título Brasileiro. E, dificilmente, chegará à Libertadores. Por que não abrir mão então de pontos importantes no Brasileirão - sem descuidar para não desandar - e lutar pela conquista da Sul-Americana? O mesmo vale para o Fluminense que, no começo da competição apontado ao título e que hoje, dificilmente, jogará a Libertadores, quando perde de três em casa do Fortaleza - e eu sempre enfatizei que esse Fluminense não iria a lugar nenhum. Basta conferir a coluna "Cavalos Cariocas".

O Boca Juniors já mantém seu olho aberto para a Sul-Americana. Ganhou o torneio duas vezes - e o consagrou com a conquista da ReCopa. E, num desses campeonatos, comemorou junto a conquista da Apertura.

E os Brasileiros? Vão ignorar por décadas, como se fez com a Libertadores? Por que não abrir o olho para essa competição "menor"?

Corinthians e Fluminense, que não têm nada? Vão se fazer de equipes cheias de conquistas continentais e ignorar a competição? Por que não se tornar o primeiro Brasileiro a ganhar uma Sul-Americana?

Semana que vem... mais críticas sobre a Sul-Americana.

Murivicy?
Stefan Lorax - 18/09

Há muito eu e um amigo questionamos o talento do tal do Muricy Ramalho. Aclamado como um dos melhores treinadores do Brasil, o treinador de muita gana e pouco raciocínio tático assume um dos times mais vencedores nos últimos dois anos para levá-lo a uma sucessão de quase sucessos. É justo criticar o Muricy?

De 92 a 97, Muricy foi auxiliar técnico no Tricolor Paulista. Em 1997, assumiu o Guarani. Em 1998, o Shangaï Shenhua, onde venceu a Copa da China e o Campeonato de Hong Kong. Depois de passagens pelo futebol do interior paulista, assumiu o Náutico, com uma passagem que rendeu dois títulos pernambucanos e o carinho dos torcedores capibaribes.

Só em 2003, Muricy veio ganhar um título de fato expressivo: o Campeonato Gaúcho, pelo Internacional. Teve mais um título, o Campeonato Paulista, com o São Caetano (finalmente saindo da fila, depois de três "quases") - num ano que viu o pior paulistão desde 1990. Após a conquista, voltou ao Inter onde ganhou mais um Campeonato Gaúcho, em 2005.

Nesse mesmo Internacional, se dá início à polêmica: Muricy é um grande treinador? Armou o Internacional com Jorge Wagner na "ala", aderindo ao 3-5-2 (que grande treinador não-italiano joga no 3-5-2?)... e fez um belo Campeonato Brasileiro. Belo o suficiente para ganhar o vice-campeonato. E aí chia torcida colorada, chia imprensa dizendo que o Inter merecia ganhar o Campeonato no STJD após o tribunal permitir que jogos fossem refeitos e que o Corinthians ganhasse 4 pontos que havia perdido. Mas ninguém lembra que Muricy não teve competência para fazer o Inter vencer o Paraná e o Coritiba (este já rebaixado), o que lhe daria vantagem de pontos sobre o Corinthians com ou sem STJD. E por que um time que chega na última rodada e enfrenta um Coritiba já rebaixado, perde, merece ser campeão? Não foi algo errado com o esquema tático de um time não-ofensivo?

Muricy deixa o Inter por opção - ele quis sair - e assume o São Paulo. Abel, vice na história, com dois vices de Copa do Brasil seguidos, assume o Internacional. O que acontece? Muricy ganha os três clássicos paulistas que disputa, mas não é competente o suficiente para levar o São Paulo ao título - o time termina com o vice-campeonato. Depois... perde a Libertadores para o Internacional quando arma o SPFC à imagem e semelhança do adversário - quem joga às custas do adversário merece perder. E, em seguida... perde a Recopa para o Boca. Cometendo o mesmo erro, chegando ao ponto de mudar o esquema do time para um 4-4-2 xoxo. E aí, no que dá?

Muito se fala de Muricy. Mas sua carreira o coloca como mediano - e, em termos de títulos, inferior a Oswaldo de Oliveira e Geninho, treinadores com a mesma bagagem de Muricy. Então, por que se adora tanto o Muricy e se esculhacha tanto o Geninho? Menos o céu para Muricy, gente... menos!

O calcanhar de Aquiles?
Stefan Lorax - 12/09

Há alguns meses, o São Paulo Futebol Clube se mostrava uma equipe quase invencível. Todos apontavam o Tricolor Paulista como favorito em toda e qualquer competição que se metesse. Desde a derrota na primeira partida da Libertadores, para o Internacional, em pleno Morumbi, ficou de praxe falar mal do tricolor e apontar seus pontos fracos. Ora... façam-me o favor! Bater em "bêbo" é fácil! Por que não apontaram esses pontos fracos quando ainda dava tempo do Palmeiras eliminar os Bâmbis na Libertadores ou de o Corinthians derrotá-los no Paulistão?

Após os problemas no meio-campo serem apontados como a principal causa da derrocada na Libertadores - "sem volante, o SPFC não joga" - agora é a vez do esquema defensivo ser responsabilizado.

Já faz algum tempo, o São Paulo se encontrou no esquema 3-5-2. Sua defesa logo se tornou mais segura que a do Corinthians de 2002 e do primeiro semestre de 2003 e seus "alas" (que termo horrível!) viraram chave de sucesso.

Quando o São Paulo fraquejou diante do Internacional (mais um com um horrível 3-5-2), Muricy passou a temer pela formação do clube e a encontrar deficiências na marcação. Para encarar o Boca em La Bombonera, passou a usar o 4-4-2 pela primeira vez desde que me lembro. O resultado não foi pior porque o Boca estava jogando MUITO MAL. Mas o meio-campo do São Paulo se tornou uma avenida. Os laterais não encontravam espaço para jogar com os volantes devido à alta necessidade de marcar e Danilo (aquele que há alguns meses era comparado a Zidane...) voltou a ser o mesmo do Goiás, incapaz de liderar o time.

Derrota do 4-4-2 do São Paulo para o 4-4-2 do Boca, clássico no final de semana contra o Corinthians - e era a hora de enfrentar o time brasileiro outrora mais parecido com o Boca. De volta ao "bom" (bom??) e velho 3-5-2. Logo aos 5 minutos de jogo, o Corinthians perde seu primeiro lateral - o estreante César, vindo da Lazio. E o meia Roger tem que ser sacrificado para a entrada do bom pseudo-lateral Gustavo Nery. Aos 20, sai o outro lateral, Ratinho. E o Corinthians fica com dois a menos. O que se espera? Um massacre são-paulino, certo?

Errado. Mesmo no seu 3-5-2, o São Paulo não sabia o que fazer. Meias não funcionavam para encontrar espaço na retranca corinthiana. Laterais (ou "alas"?) não acertavam cruzamento na área. E o SPFC passou 70 minutos extremamente inválidos contra 9 jogadores corinthianos. Resultado? Empate heróico corinthiano.
E o calcanhar de Aquiles tricolor? Calcanhar? Cada vez mais aquilo parece o
Aquiles inteiro! Mas... vou ficar calado. Bater em "bêbo" é muito fácil!

(E que fique bem claro: o São Paulo ainda é o meu favorito ao título brasileiro. Não me decepcionem, bâmbis!).

Os maiores do mundo
Stefan Lorax - 04/09

No maior palco do futebol mundial - a Inglaterra - Brasil e Argentina se "pegaram".

Em virtude de seus cinco títulos mundiais, não é injusto classificar o Brasil como "o maior do mundo" do futebol - o que é bem diferente de ser maior. E se estamos falando de qualidade, é injusto colocar a Argentina nesse patamar - são só dois títulos mundiais. No entanto, pela rivalidade histórica em vigor desde 1916, o confronto entre Brasil e Argentina pode ser considerado "o maior do mundo" do futebol.

No entanto, desde 1990 que as Seleções em questão não apresentam um grande futebol. Desde a vitória da Seleção de Maradona e Cannigia sobre o fraco time de Careca na Copa da Itália, Brasil e Argentina têm se alternado no papel de "amarelão" dos jogos. Sempre é um grande desnível.

E hoje foi assim. Carente de um craque, a Argentina depende única e exclusivamente de seu jogo coletivo. Quando funciona, a equipe é capaz das melhores apresentações de um time de futebol hoje no mundo - e esse brilho, vimos em alguns momentos na Copa do Mundo e nas Eliminatórias para o Mundial. Quando não funciona, acontece o que aconteceu hoje.

Riquelme se mostra um incompetente. Messi já mostrou seu talento em amarelar e ameaça não passar de um bom jogador sub-20. O mesmo pode se tornar realidade para Zabaleta. Tevez, um bom jogador - para América do Sul. Ainda não jogou o que deve em nível mundial e pode fraquejar no futebol europeu. Para o fraco futebol brasileiro, craque - a exemplo de seu ídolo Riquelme. Para o exigente futebol europeu, talvez uma decepção - a exemplo de seu ídolo, Riquelme.

A Seleção Argentina, logo, não se encontrou em campo. E o confronto de "maiores do mundo" acabou dominado por um dos lados. O brasileiro. Tudo graças a atuação de dois bons nomes do futebol verde-amarelo: Elano e Kaká que, com sua genialidade, decidiram o jogo. Daniel Carvalho também se mostrou bem - e das grandes expectativas, só Fred decepcionou. E o que o Brasil precisa - um bom ataque - acabou insuficiente no jogo.

Mas ficou provado uma coisa: Como a Seleção Brasileira joga bem sem o tal do Ronaldinho.

No mais, o time brasileiro foi irregular e tão fraco quanto o argentino. As laterais, fracas. Os volantes, idem. A zaga, segura, fez o arroz-com-feijão lá atrás e, com um ataque argentino ao mesmo tempo ruim e pouco inspirado, não foi difícil para o Brasil garantir a vitória.

E o clássico bem que merece outro nome: Os maiores irregulares do mundo.

Futuro
Stefan Lorax - 28/08

Rafael Sóbis se revelou nos últimos dois anos um dos mais promissores jogadores do futebol brasileiro, OK? Então... que futuro tem o garoto?

Sóbis é loiro, metrossexual - e tenta explorar a beleza como David Backham - além de ter algum talento. Pode não ser o jogador mais habilidoso (se comparado ao Daniel Carvalho) ou ter uma capacidade de finalização combinados com uma velocidade matadora, como o Nilmar... mas é, de longe, mais talentoso que jovens como Robinho e Diego. Ou seja... Sóbis desponta para um grande futuro certo? Certo? Vamos lá, respondam!

Vejamos o que tem acontecido com os talentos recentes do futebol brasileiro... Daniel Carvalho, revelado pelo Internacional. Foi parar no Clube das Forças Armadas Russas, conhecido por CSKA. Um jogador excelente. O mesmo destino tomou o Vágner, revelado na Série B pelo Palmeiras - mas de qualidade duvidosa. O CSKA Moskov... pode não ser a melhor vitrine do mundo. Mas pelo menos deu aos dois uma Copa da UEFA e alguma visibilidade - a mínima que seja. Já Elano... talvez o melhor meia brasileiro revelado nos últimos 5 anos... bom, foi parar no Shaktar Donetski da Ucrânia. Boa sorte para o garoto que, com muito custo, não passa da 1ª fase da Liga dos Campeões ou da 1ª fase da Copa da UEFA a cada temporada. Nilmar, também revelado pelo Internacional, ancorou-se no Olympique Lyonaiss, aqui conhecido por Lyon, onde estreou bem, marcando dois gols. Depois, ficou com a bunda quadrada de tanto sentar no banco. Voltou ao Corinthians onde voltou a ser destaque, até que quebrou a perna e está parado. Nadson... mais um de qualidade duvidosa foi parar na Coréia. Voltou agora ao Corinthians. É pagar para ver. Talvez (TALVEZ...) uma boa revelação do futebol brasileiro estragado no subúrbio do futebol mundial.

Desses listados acima... Daniel Carvalho, Elano e Nilmar - junto a Sóbis, formado no Corinthians e revelado pelo Internacional - e mais Ânderson, jovem promessa do Grêmio que já se mandou para o Porto, onde não faz boa fama - são, de fato, bons jogadores. No entanto, acabam mendigando papéis medíocres em times medíocres.

Daniel Carvalho e Elano, sem dúvida os papéis mais sentidos.

Agora foi o Sóbis. Primeiro, falou-se em Milan. Depois, baixaram a bola do garoto. E falaram em Valência ou Sevilla... times de segundo escalão. Aí que o menino vai parar no Racing Santander e brigar, no máximo, por vaga na patética Copa Intertoto. E aí? Que futuro esses meninos têm?

Pois é... parece que, assim como brasileiro sabe vender MAL seus talentos... os Europeus sabem comprar pior ainda. Enquanto um picareta como Robinho vai com todo marketing do mundo para o Real Madrid e jóias como Elano e Daniel Carvalho param no Shaktar Donnetski e CSKA Moskov... até mesmo os jogadores apenas bons caem em equipes de terceira, como o Racing Santander. Será que o que se precisa fazer para ir a um clube grande europeu é saber pedalar, ter o nome iniciado com "R" e arrancar berros da boca de Galvão Bueno? Esse é o futebol brasileiro...

Avalanche Colorada
Stefan Lorax - 21/08

O Internacional de Porto Alegre finalmente vence a Taça Libertadores da América. Justiça seja feita... depois de 20 anos de disputar sua primeira decisão, e, liderado pelo gênio Falcão, perder o título ante o Nacional do Uruguai, o Colorado entra no hall da fama do futebol sul-americano - como merece um time que foi um dos quatro grandes do futebol brasileiro, ao lado o Santos de Pelé, o Botafogo de Garrincha e o Flamengo de Zico - o São Paulo do bi Libertadores/Mundial e o Corinthians e Palmeiras dos bis/Brasileiros estão abaixo desses quatro citados.

Na primeira partida da decisão da Libertadores, há mais de uma semana atrás, o Inter contradisse este comentarista quando esmigalhou o São Paulo e seu favoritismo. O tricolor paulista se revelou, surpreendentemente, uma equipe frágil na ausência do volante Josué, expulso, deixando Mineiro perdido em campo com as funções de desarme, marcação e contra-ataque - e o meio-campo são-paulino foi facilmente envolvido pelo ala Jorge Wágner, grande destaque da partida, seguido de uma jovem estrela: Rafael Sóbis. Seu brilho, incontestável em 2005, esteve ausente durante todo esse ano de 2006, até que voltou com força total na grande decisão da Libertadores. Marcou os dois gols do primeiro jogo e, só não calou o Morumbi pois a torcida tricolor pela primeira vez agiu como uma torcida do porte do time que representa, e incentivou a equipe até o apito final - matendo as esperanças para o jogo de volta.

Ironicamente, a partida seria o Beira Rio, onde o São Paulo fez questão de jogar em 2005, contra o Atlético Paranaense na final, por se recusar a jogar na Arena da Baixada - estádio do Furacão com capacidade inferior a 40 mil torcedores. E, dessa vez, o São Paulo foi vítima de problemas extra-campo, quando o Real Bétis bateu o pé e se recusou a liberar Ricardo Oliveira para a partida final.

Ainda assim, o São Paulo não se entregou e vendeu caro a derrota. Em campo num Beira Rio completamente vermelho, o Tricolor dominou os primeiros 10 minutos de jogo e só não abriu o placar por azar, com várias oportunidades cara a cara com o gol colorado. E, claro, voltando a campo após uma paralisação devido à fumaça dos sinalizadores, frio, o São Paulo foi vítima do oportunismo do Inter e de uma falha trágica do goleiro Rogério Ceni, que largou a bola nos pés de Fabiano Eller após cobrança de falta de Jorge Wágner. O zagueiro passou para Fernandão que completou, Inter 1x0. Bravo, o SPFC buscou o empate, que só conseguiu no início do segundo-tempo, com gol de Fabão após toque de Lugano. Aos 20 minutos, Tinga daria um golpe fatal no tricolor ao marcar 2x1 - mas foi expulso por levantar a camisa. Com um homem a mais, o São Paulo empatou novamente aos 39 minutos, após falha de Clêmer em cobrança de falta de Júnior e gol de Lenílson. Dos 40 em diante, minutos de sofrimento colorado e esperança tricolor, que seguiu buscando a virada e só não a conseguiu graças à atuação heróica de Clêmer, fechando o gol nos minutos finais.

Em dois jogos, o Internacional provou que, mesmo com três zagueiros, pode jogar de forma ofensiva, quando seus alas são mais meio-campo que laterais, assumindo logo uma formação mais ofensiva que defensiva - algo semelhante ao que a Argentina fez na Copa do Mundo e quase deu certo.

E essa taça colorada é mais que merecida. Mais uma vez, no futebol, Davi bate Golias. E é por isso que amamos o futebol - um esporte que foge do óbvio. E muito obrigado ao Internacional, gata-borralheira e não favorita, que deu sua volta por cima.

Interrogações para traíras e filhos da p**a
Stefan Lorax - 07/08

Qual será o Dunga da Seleção Brasileira de agora em diante? Será aquele volantão aguerrido, que gritava com Deus e o mundo e teve a ousadia de se virar para os jornalistas, ao levantar a Taça do Mundo em 94, gritando "essa aqui é para vocês, seus traíras filhos da puta"... ou será apenas um "boi-de-piranha" para breve demissão e contratação de Vanderlei Luxemburgo?

Sem experiência nenhuma como treinador, Dunga foi escolhido por Ricardo Teixeira por sua personalidade vibrante e justamente por seu jeito "duro" (no bom sentido) de ser. Há quem diga que o ex-capitão será apenas um "boi-de-piranha", para ficar no cargo até que termine o contrato de Luxemburgo com o Santos. Notem que Luxemburgo nunca negou que iria à Seleção... apenas desconversa quando perguntado sobre o assunto.

Em campo, Dunga compensava sua completa falta de classe com seu comportamento guerreiro e espírito de liderança. Não tinha medo de peitar ninguém - afinal de contas, encarava até o Romário e Júnior Bahiano. Teria Dunga colhões suficientes para encarar Teixeira, encara público e crítica diante desta Seleção Brasileira em princípio de crise?

Sua experiência como treinador se resume ao programa Joga Dez, da Rede Bandeirantes e da Nike, quando cuidou de crianças. Com elas Dunga não gritava - era ríspido, mas sem gritos e sua brutalidade peculiar. Agora, passará de crianças promissoras à estrelas boas, ruins e enganadoras. A rispidez que Dunga tive para com os jovens futuros craques Rique e Juan será mantida quando o ex-Capitão tiver pela frente Ronaldo e Ronaldinho?

E a coragem de renovar a equipe? Dunga mostrou política em sua primeira convocação, chamando jogadores fracos de Vasco e Flamengo só pelo fato dos dois terem jogado a final da Copa do Brasil - e recebendo (injustas e exageradas) ovação da mídia esportiva (leia-se Globo). O Dunga da Seleção, para valer, será esse político... ou será corajoso ao ponto de, por exemplo, pôr Ronaldinho no banco de reservas e usar o Alex no time titular?

E seu prazo de validade na Seleção? O trabalho de Dunga será realmente avaliado e mantido enquanto for bem... ou será, de fato, "boi-de-piranha" esperando apenas o fim do contrato de Luxemburgo com o Santos?

As questões e interrogações formuladas sobre o novo treinador da nossa Seleção são muitas. As respostas, certamente, não virão a curto-prazo. E duvido muito que haja um longo-prazo para que ele nos chame, jornalistas, profissionais ou amadores, de "traíras filhos da puta novamente". No mais, tudo que se diga sobre o Dunga... é precipitado e mera especulação.

Bambi 4
Stefan Lorax - 31/07

E finalmente aconteceu. Depois de 13 anos, o São Paulo Futebol Clube voltou a dominar o Brasil.

Goleada levada este domingo em casa diante do rival Santos à parte, o SPFC é, de fato, o melhor time do Brasil. Um processo evolutivo iniciado em 2000 que, com planejamento a longo prazo, resultou nesta equipe vencedora.

Em 2000, quando vencia o Campeonato Paulista e revelava um garoto chamado Kaká, o SPFC ainda era um time que causava risadas - nem sombra da equipe avassaladora de até 94. E, o máximo que conseguia era ganhar o Campeonato Paulista - para, no Campeonato Brasileiro, chegar diante de Corinthians, Palmeiras e Santos e fraquejar, como mandava o figurino desde 90 (com exceção de 91, quando foi campeão).

A primeira grande equipe que o São Paulo viria a montar nos novos tempos foi em 2002 - e despontou como favorita ao título Brasileiro, após perder a Copa do Brasil (semifinal) e o torneio Rio-São Paulo (final) para o rival Corinthians. Já reforçado por Ricardinho e ainda com Kaká, o São Paulo de Osvaldo de Oliveira foi uma máquina no Campeonato Brasileiro, vindo a cair diante do Santos de Elano e Renato nas quartas-de-final e dando fim ao sonho.

2003 bateu na trave novamente, mas a vaga na Libertadores conquistada pelo Campeonato Brasileiro fez o torcedor sonhar novamente. Em 2004, o sonho do tri foi castrado pelo esquema vergonhoso do Once Caldas, já nas semi-finais da Libertadores - que, caso o SPFC passasse, certamente sucumbiria ante o Boca Juniors na final. A vaga na Libertadores, no entanto, voltou após mais uma boa campanha no Campeonato Brasileiro pelas mãos do interino Rojas.

2005 sim, foi o ano para o torcedor tricolor sorrir. Sob comando de Leão, venceu o Paulistão com sobra - de forma quase invicta. Leão não quis ficar no time... e se mandou. Aí apareceu a estrela da direção são-paulina que catou no Peru uma excelente peça de reposição: Paulo Autuori, Campeão Brasileiro em 95 pelo Botafogo e da Libertadores em 97 pelo Cruzeiro, que estava sofrendo absurdos da imprensa peruana devido ao desempenho irregular ante a fraca seleção do país. Autuori chega, o São Paulo em sua boa campanha perde Grafite. Tudo bem. A administração foi e trouxe o Amoroso e confiou num irregular Luisão. Deu certo e veio o tri da Libertadores após vitórias incontestáveis sobre River Plate, inslusive na Argentina, e sobre o Atlético Paranaense. O clube então fez a escolha de abrir mão de um caótico e bagunçado Campeonato Brasileiro para jogar o Mundial no Japão. Deu certo. São Paulo tri Mundial.

Para 2006, o clube perde Amoroso. E perde Grafite. Tudo bem. Já contava com a revelação Tiago, trouxe Alex Dias do Vasco e apostou na recuperação de Ricardo Oliveira para conseguir o atacante por empréstimo. Deu certo? Bom... vice-campeonato paulista vencendo os três clássicos, semi-finalista da Libertadores decidindo vaga em casa após vencer a primeira partida fora e um dos líderes do Campeonato Brasileiro.

Meu palpite? Tenho até pena do Barcelona com sua defesa desorganizada e com o enganador Ronaldinho (muito provavelmente, marcado pelo Mineiro ou pelo Lugano) caso os dois se enfrentem no Japão, em dezembro deste ano.

Será o ano dos Bambis (apelidado assim por torcedores rivais invejosos e inconformados) ganharem, de uma vez só... três tetras?

Joga Déi
Stefan Lorax - 24/07

Antes de mais nada... o título foi sugerido por um amigo que, ao ver a eliminação do Brasil diante da França... comentou "Joga dez nada. Ronaldinho está mais para um Joga Déi".

Analisando a participação de Ronaldinho na Copa do Mundo... o que determina o fracasso do jogador?

1. Posição em campo
Há quem reclame do fato de Ronaldinho ter jogado no meio-campo, dizendo que teria sido sacrificado por no Barcelona jogar na ponta-esquerda, como um atacante tradicional. Mas Ronaldinho não rendeu no ataque da Seleção Brasileira - também. E antes que digam "ah, mas num jogo só não dá para o cara render", quando digo isso, não me refiro ao jogo contra a França, quando foi escalado no ataque. Durante as eliminatórias, Ronaldinho era a opção de Parreira no ataque. Com essa formação, o Brasil venceu quatro partidas. Perdeu uma. E, o que caracteriza o pior desempenho... empatou cinco vezes. Ronaldinho foi deslocado para o meio-campo. Foram cinco vitórias e dois empates. O rendimento melhorou e em quatro dessas partidas o tal "quarteto mágico" foi usado. Foram quatro vitórias com tal formação. Ronaldinho, no entanto, em momento algum convenceu. Não participou dos dois melhores jogos do Brasil nas eliminatórias - a estréia por 2x1 contra a Colômbia e a goleada de 5x0 sobre o Chile. Sua única grande atuação com a camisa da Seleção Brasileira segue sendo a vitória sobre a Inglaterra na Copa de 2002 - e, jogando no ataque ou de armador, Ronaldinho seguiu com péssimas atuações.

2. A responsabilidade
Kaká chamou para si a responsabilidade do jogo durante as Eliminatórias e durante os dois primeiros jogos da Copa do Mundo - até que seu rendimento caiu. Alex chamou para si a responsabilidade durante a Copa América. Adriano o fez durante a Copa das Confederações, ao lado, novamente, de Kaká. Ronaldinho, no entanto, sempre foi apático. Em seus jogos... apesar de conseguir, vez por outra um passe genial e uma bola enfiada, o camisa 10 sempre mostrou dificuldades para com a marcação que recebia - o que TAMBÉM acontece no Barcelona, relembrem jogos como a partida contra o Real Madrid em Barcelona, a partida contra o Chelsea em Londres e a partida final da Liga dos Campeões quando foi marcado. Suas jogadas individuais também não funcionam e o pior é... Ronaldinho não se apresenta para jogo. Não busca a bola, não chama a responsabilidade para si. É incrível como, durante a Copa do Mundo, até mesmo o gordo e desmotivado Ronaldo e o palhaço sem talento Robinho se apresentavam para receber passes enquanto Ronaldinho seguia apático diante de sua (boa marcação). Cadê a responsabilidade do melhor do mundo?

3. A fama
Nem Pelé em 70, nem Cruyff em 74, nem Zico em 82, nem Maradona em 90, nem Baggio em 94, nem Ronaldo em 98, nem Rivaldo e Zidane em 2002... nenhum jogador causou tanta expectativa quanto o que mídia e torcedores tinham criado para com Ronaldinho nesta Copa do Mundo. O camisa 10 virou personagem de Maurício de Souza e até sabor de picolé da Kibom. As expectativas de Ronaldinho chegaram ao absurdo de quererem colocá-lo ao lado de Pelé e Maradona. Quando, o que se viu foi um garoto tímido que nem mesmo repetiu a classe de um Zico, Michel Platini ou Karl Rumenigge que, por algum capricho do destino, não ganharam suas Copas do Mundo. E, mesmo assim, fizeram história, jogaram bonito, emocionaram... marcaram uma geração. Ronaldinho ganhou a Copa de 2002... e o que ele ganhou naquele time abafado pela atuação monstruosa de Rivaldo - um verdadeiro camisa 10 - e a recuperação surpreendente de Ronaldo?

Muito já foi dito sobre Ronaldinho antes e após essa Copa. Mas faltavam meus dois centavos sobre este caso. O caso do nosso... camisa déi!!

O efeito do Lorax sobre Vanucci
Stefan Lorax - 17/07

No último dia 13... nosso colunista Stefan Lorax... ou seja, eu, completou 22 anos. E teve que receber os parebéns do chefe Fanático com os seguintes dizeres: "Parabéns, Lorax. 22 anos para ser comido pelo Vanucci!" What the fuck?

Ah, claro... entendi. Creio que todos tenham visto... nessa última semana... que o Fernando Vanucci apresentou de forma descontrolada o seu programa na Rede TV! após a final da Copa do Mundo. Enquanto passavam as imagens da bela (e justa) festa do time italiano, comemorando seu belo (e justo) tetracampeonato... Vanucci apenas se lamentava, de forma redundante, da eliminação da Seleção Brasileira - e em momento algum parabenizou ou ovacionou a Squadra Azzurra pelo belo campeonato.

Famoso por suas gafes no ar e fora dele... como o choro após a eliminação do Brasil para a Argentina na Copa de 90... ou por ter sofrido um acidente de carro ao dirigir embreagado depois de afogar as mágoas pela morte do Ayrton Senna... e a mais célebre... ser demitido da Rede Globo por entrar ao vivo comendo uma bolacha... o Vanucci nos coroou com essa pérola.

Durante a semana... quanto mais o vídeo corria solto na web graças às maravilhas do YouTube, mais os boatos aumentavam sobre o que teria ocorrido com o Vanucci. Até que o mesmo deu a declaração. "A culpa foram dos dois comprimidos Lorax que tomei". Segundo o apresentador... estava passando mal e teve de ingerir a medicação e... opa!! Peraí! Lorax? Ô!! Inclua-me fora dessa! Eu não tenho nada a ver com essa história!!

Lorax é um comprimido tranqüilizante com características semelhantes ao Procimax (que, por sinal... é meu nome do meio. Stefan P. Lorax... ou Stefan Procimax Lorax... herança da minha mãe) que deixa aquele que o ingere com sonolência. Mas de forma alguma, grogue a ponto de cambalear e falar sílabas sem sentido no palco enquanto apresenta seu programa. Lembrando que em momento algum o Vanucci bocejou durante seu delírio... apenas repetia insistentemente seus lamentos sobre a eliminação da Seleção Brasileira e dava paradas sinistras enquanto pensava o que ia dizer... e repetia tudo.

Dessa forma... pela honra da família... posso garantir... Vanucci não ingeriu Procimax. E MUITO MENOS LORAX!! Das duas uma... ou foi uma bela dosagem de álcool (pela minha experiência, diria whiskey)... ou de algum outro medicamento. Diazepan, Buscopan, Gardenal... Lexotan... algum desses. Lorax? Não!!!

E nós já sabíamos
Stefan Lorax - 10/07

Foram as conversas com o patrão Fanático que me levaram à coluna "Cheiro de Pizza", publicada aqui no Futloucos! (confiram no meu histórico). E nela, fui categórico e sem nenhuma firula, afirmei: Itália é a minha favorita ao título. Listei coincidências com a Itália de 82 e o Brasil de 94, quando conquistou o tetra (ironicamente, sobre a Itália) e com mais alguns dados do ótimo time italiano, afirmei que a Azzurra seria campeã. Bom, OK. Chefe... nós já sabíamos.

A Itália fez exatamente o esperado nesta Copa do Mundo. A defesa, desfalcada de Nesta, encontrou em Cannavaro seu braço forte! Capitão ao estilo coragem, carregou o coração do time, tendo a seu lado um Materazzi determinado e, na partida contra a inofensiva Ucrânia, o Barzagli, devido a injusta expulsão do Materazzi na partida anterior, contra a Austrália. Pelas laterais, dois grandes nomes da campanha: Zambrotta e Grosso, que garantiram velocidade às laterais - a velocidade que a Itália não tem em seu meio-campo e no ataque. E essa velocidade era responsável pela perigosa descida ofensiva italiana. Detalhe: usei aqui o termo LATERAIS. Sim, esta Itália jogava defensivamente, mas num esquema macho: 4-4-2. Sem essa de 3-5-2, sem termos idiotas como ALAS. O meio-campo viveu um momento único: tido como apenas um corredor, Gattuso foi um ás na marcação (e que a torcida do Milan não espere que ele volte a viver tal momento). Pirlo, talvez o melhor jogador da Itália, não fosse Cannavaro. O argentino Camoranesi e Perrota fecharam o meio italiano, responsável por um jogo cadenciado, um bom toque de bola e as enfiadas excelentes para Gilardino e Toni. Totti, recuperado de sua brutal contusão, foi um símbolo dessa raça italiana. E no gol, aquele que, como Paolo Rossi em 82, está sendo investigado por envolvimento com manipulação de resultados: Gianluigi Buffon, o melhor goleiro do mundo, que evitou que o time sofresse grandes sustos. Seguro e confiante.

Confiança. Essa foi, sem dúvida, a principal arma italiana para esta Copa. Um futebol desacreditado e judiado pelos esquemas de manipulação que pode rebaixar quatro de seus principais times. Diante dessa adversidade, o time se uniu. Pirlo, abraçado o tempo todo a Cannavaro durante as cobranças de pênalti, mostrou o quanto era forte essa união. Não havia individualidade neste time - como na Seleção Brasileira. Todos abraçaram esta causa. E a Itália abriu mão de um artilheiro - que conseguiu em 82 com Rossi e em 90 com Schilacci. Desta vez, todos se revezavam no ataque. O importante era vencer. E os seis atacantes - até mesmo o "Pipo" Inzaghi - marcaram seus gols. Todos úteis ao título. Del Piero, sempre polêmico, abriu mão de sua vaidade e aceitou a reserva. Assim como Totti em vários momentos, sem reclamar de substituições. E pareceram não se importar quanto Iaquinta virou a principal opção de banco. Quando entravam em campo, davam o sangue. Isso fechava o ataque italiano. Calmo, sereno... e matador quando se precisou.

O responsável por tudo isso, um cara chamado Marcello Lippi. Que liderou de forma genial a Juventus durante anos - não vamos querer manchar o time do Lippi com as investigações de esquemas de resultados. Este treinador conseguiu uma proeza: transformou todo time que teve em mãos em verdadeiras fortalezas. Jogo seguro e sem dustos. O que era a arma da Juventus, se tornou a principal arma da Itália. E Lippi ainda conseguiu a proeza de quebrar com essa máxima de que a Itália não ataca. Por vários momentos nesta Copa, transformou seu 4-4-2 defensivo em um 4-3-3 ofensivo - incluindo na semi-final, o fantástico jogo contra a Alemanha quando a Itália renasceu de forma avassaladora na prorrogação - e a final. Para fechar com chave de ouro, a Itália venceu a trauma dos pênaltis. Título mais que justo ao futebol italiano. Eles mereciam isso. E a Copa do Mundo também.

Com todo esse trabalho, de tão judiada que foi nos últimos 12 anos, a Itália renasceu e mostrou que seu futebol ainda é o melhor do mundo. Talvez não tão bonito, talvez não tão "artístico". Ainda assim, futebol de quem quer sempre a vitória. Se segurando atrás, com um ótimo goleiro (todo grande time começa com um grande goleiro), com ótimos zagueiros. Passando pelo meio-campo seguro como sempre, com bons volantes e meias com grande capacidades de armação, chegando a um ataque sempre talentoso, sempre matador. Dessa forma, finalmente, a Itália recebe aquilo que nunca deveria ter perdido: a Copa do Mundo. E sabe o que é o melhor disso, patrão?? Nós já sabíamos!!

O pulo do campeão
Stefan Lorax - 03/07

Bola cruzada na área - bem ao estilo alemão. E Miroslav Klose, nosso querido germano-polaco manda para o gol. A Alemanha empata o dificílimo jogo com a forte Seleção Argentina - dona do até então melhor futebol desta Copa. 1x1.

Neste momento, Jürgen Klinsmann, o técnico tão constatado por todos, como relatado aqui na primeira coluna do Stefan Lorax pela nova fase do Futloucos, quebra todos os protocolos de frieza alemã e pula feito criança. Comemora. Como disse José Trajano na ESPN Brasil... o Klinsmann "marcou o gol".

Em campo, Michael Ballack arrasta sua perna com caimbras. E a agüenta até o fim, como o líder, capitão e exemplo de força que tem que ter. Seu nível de armação na partida superou qualquer outra que fez nesta Copa - diferentemente de Schweinsteiger, que dessa vez decepcionou. Assim como Schneider - mas Lahm estava cobrindo o lado esquerdo com perfeição. O azar do Schweinsteiger era que, ao seu lado, na esquerda, estava o Friedrich. Ballack acabou sobrecarregado pelo meio. Não reclamou. Foi até o fim.

A defesa quase deixou a desejar. Metesacker cometeu muitas falhas, por cima e por baixo, mesmo sendo alto e fazendo jogo duro. Só que lá atras estava Jens Lehmann, fazendo o que podia. Foi quase perfeito. Só não pegou a cabeçada fatal do Ayala. Será que fez falta?

Na frente, Klose e Podolski não trabalharam tão bem juntos como em partidas anteriores. Mas Klose marcou o gol de empate que abre este capítulo e, se desta vez não deu pra ser o homem do jogo, deu sorte por seu time contar com Ballack.

Acabada fisicamente, a Alemanha, empurrada por sua torcida, suportou a prorrogação e foi aos pênaltis. E aí mais uma demonstração de força - quando o mascarado Oliver Kahn foi apertar a mão do Lehmann e desejar-lhe o melhor na cobrança de penais. OK. Máscara. Grande. Mas serviu para levantar a torcida. Acendeu a força alemã. E, quem sabe, de fato passou forças a Lehmann - herói do jogo, pegando dois pênaltis.

A Alemanha, desacreditada por muitos, chega às semi-finais. Treinada por um ex-centroavante que pode estar sendo um divisor de águas para o futebol alemão - e europeu? Não basta ser uma máquina de eficiência. Jogar bem conta. E dá pra fazer isso sendo ofensivo - o time de Klinsmann vem fazendo.

Nunca vi uma Alemanha tão ofensiva! Mesmo a Alemanha que fez 2x0 na Suécia conseguiu ser mais ofensiva que aquela que em 2002 fez 8x0 na Arábia Saudita.

Klinsmann, desajeitado, constatado, morando em Los Angeles, está mudando a cara do futebol alemão. Que bom seria para ele ganhar essa copa - "ele", não o Klinsmann. O futebol alemão. Porque futebol não se joga só com resultados.

Nem eficiência. Nem gols. Se joga bem. Não precisa ser lindo, bonito. Basta ser bem-feito. E dar gosto de se ver jogar. E o Klinsmann, com essa Alemanha, está conseguindo. Ponto para eles! E, como foi que eu disse mesmo?

Ah... depois não digam que eu não avisei. Nota do Stefan Lorax: as duas Seleções que creditei como favoritas se enfrentam agora nas semi-finais. A Alemanha na força e emoção da torcida. A Itália na confiança de sempre. Quem vai à final?

Enfim... em casa!
Stefan Lorax - 26/06

Acabaram-se as turbulências - pelo menos por hora. Jürgen Klinsmann já ganhou o carinho da torcida alemã. A seleção já caiu nas graças do povo e, com quatro vitórias, 100% de aproveitamento e sem sofrer gols nos últimos três jogos, finalmente a Alemanha ganha sua merecida condição de favorita ao título. Alguém acredita?

Os responsáveis são filhos de outra terra: a dupla Miroslav Klose e Lukas Podolski, poloneses filhos de pais alemães - ou seja, atletas bi-nacionais. Têm sangue alemão de fato, não são meros cidadãos naturalizados. E, juntos, têm uma química tão forte quanto Romário e Bebeto em 94, ou Rivaldo e Ronaldo em 2002. Será que isso cheira a título?

O homem de meio-campo não tem sido Michael Ballack. OK, o capitão alemão vem jogando bem. Mas o trunfo mesmo tem sido Bastian Schweinsteiger. Revelado durante as eliminatórias, o meia do Bayern de Munique tem sido um dos grandes destaques da Seleção. É eficiente na marcação da saída de bola e faz cruzamentos perfeitos. Além de armar jogadas pelo chão - e os homens à frente, Klose e Podolski, já mostraram que sabem jogar pelo chão também.

A maior revelação, talvez, venha do lado esquerdo. A Copa do Mundo direcionou seus holofotes para o talentoso Philip Lahm. Rápido, habilidoso e com uma boa visão de jogo. Nas palavras de Eric Cantoná, "Lahm joga com o coração", e tem dado o sangue do lado esquerdo do time alemão. Grande destaque da primeira partida, o jogo "heróico" contra a Costa Rica, Lahm fez sua melhor partida neste sábado, contra a Suécia.

E lá atrás, se Metesacker e Metzelder têm cometido falhas imperdoáveis para aquela que seria a grande dupla de zaga do Mundial, Jens Lehmann tem sido seguro debaixo dos paus - para infelicidade de Oliver Kahn, o tempo todo sendo mostrado com cara emburrada no banco de reservas alemão.

A saga alemã, então, se constitui de dois capítulos distintos. O heróico, nas partidas contra Costa Rica e Polônia, vencidas por um gol de diferença (3x2 e 1x0, respectivamente), onde a Alemanha ainda cometia muitas falhas de marcação, abusava dos passes errados e ainda era uma escrava do jogo aéreo - vulgo "chuveirinho". O outro capítulo seria a força, mostrada nas partidas contra o Equador e a Suécia, respectivamente 3 e 2 a 0. Já era uma outra Alemanha. Tudo bem que Equador e Suécia não foram grandes rivais, mas já podemos ver melhor o toque de bola alemão, e a eficiência do lado esquerdo, que, como toda boa Seleção nesta Copa, conta com um "quarteto fantástico": Lahm, Schneider, Ballack e Klose. Pela direita, o trabalho de Schweinsteiger e Podolski só não é facilitado pela incompetência do lateral Friedrich.

Resumindo... hoje, a Alemanha conta com um lado esquerdo matador, um ataque fatal, um bom lado direito. Se corrigir suas falhas de defesa, pode oferecer muito trabalho ao eficiente ataque argentino. E teremos na próxima sexta o melhor jogo desta Copa do Mundo - um verdadeiro duelo de titãs. E será, de fato, o jogo da vida alemã. Se conseguir triunfar sobre a forte Argentina, o caminho para o título estará aberto. E, convenhamos... qualidades a Alemanha já provou que tem pra isso. Agora é ver se a força da torcida alemã e o coração de seus jogadores serão suficientes para chegar lá. E pensar que, antes da Copa, ninguém acreditava neles...

O jogo Bonito
Stefan Lorax - 19/06

A Argentina encantou o mundo na última sexta-feira com um futebol que, como eu já disse em outra publicação, não vejo em Copas do Mundo há um bom tempo.

Os seis gols marcados contra a Sérvia foram de uma beleza única. Cada um com sua particularidade, construindo, passo a passo, o show argentino contra a boa equipe européia. Há quem pense que "a Sérvia não joga nada", devido ao resultado. Mas basta assistir ao jogo com calma e... a Sérvia tentou jogar. Mas não deu! A marcação argentina, já eficiente na primeira partida contra Costa do Marfim, foi implacável contra os sérvios. E os responsáveis por isso não foram outros, se não Mascherano e Cambiasso.

Este segundo, por sinal, marcou um gol antológico, que deve entrar para a história das Copas do Mundo. A bola, de pé em pé argentino, exigindo a participação de cada jogador do time. Saiu da defesa, passou pelos pés dos volantes - e um deles, o Cambiasso, se adianta - chega ao meio-campo, entra na área para os pés do grosso atacante Crespo. Quando todos esperavam um chute para gol com a marca do artilheiro... sai um passe de calcanhar com a arte de um Sócrates. A bola encontrou Cambiasso que entrava na área e carimbou: fora o segundo gol argentino no jogo. Uma pintura.

Maxi Rodríguez, meio-campo que joga nas vezes de um terceiro atacante, fazendo a formação argentina variar entre 4-4-2 quando o time se defende, 4-3-3 quando ataca, foi o destaque da partida, marcando dois gols no primeiro tempo - liquidando, desde já, a partida. E o Saviola, bom... aquela eterna promessa juvenil do River Plate que rodou a Europa sem muito sucesso parece, finalmente, ter encontrado o bom futebol.

O segundo tempo ainda teve o tempo de apresentar ao mundo a categoria do garoto Carlitos Tevez, e a genialidade do jovem Lionel Messi. E o Crespo ainda pôde marcar seu golzinho...

Para quem não entende o esquema de Pekerman... não é muito difícil. Prestem atenção:
Os dois zagueiros, Heinze e Ayala. A defesa é fechada com Sorín e Burdisso nas laterais. Os dois sobem para apoiar o ataque. Sorín, muitas vezes, atua como meia-atacante. Na subida dos laterais, os volantes Mascherano e Cambiasso recuam, garantindo a segurança da defesa. No meio-campo, Mascherano e Cambiasso, já citados. Os dois volantes têm a função de dar o primeiro combate, desarmanto o contra-ataque (Mascherano) e assim ligar o ataque argentino (Cambiasso). A sua frente estão o armador Riquelme e o meia-atacante Maxi Rodríguez. No ataque, Crespo e Saviola. Assim, o 4-4-2 argentino é armado. E com essa formação, Pekerman mostra sua genialidade: após o combate de Mascherano, Sorín e Burdisso sobem pelas laterais, dando apoio ao ataque. E Maxi Rodríguez, que joga no meio-campo, avança e encosta em Crespo e Saviola. O esquema logo vira um 4-3-3 ofensivo, com o apoio dos laterais, já na cabeça-de-área. Dessa forma, a Argentina simplesmente desmontou Sérvia & Montenegro, com um detalhe: jogou MUITO bonito.

Desde Romênia X Argentina em 94 não se via um futebol tão refinado em Copa do Mundo - sendo, desta vez, unilateral, apenas por parte dos Argentinos. Mas a Seleção, com o talento de seus jogadores, jogou tão bem, mas tão bem, que, tudo que eu escrevo sobre este time, termina da mesma forma: foi tão bonito que até deu vontade de chorar.

Cheiro de Pizza
Stefan Lorax - 12/06

Tudo está do avesso. Tudo está contra. Já são 24 anos sem ganhar uma Copa do Mundo, somado aos traumas de eliminações e fracassos recentes... a eliminação precoce na última Copa, ainda nas oitavas-de-final... traumas de decisão de pênaltis contra a França...

Se esse texto houvesse sido escrito em 94, qualquer um poderia jurar que estava falando da Seleção Brasileira. Mas hoje, essas frases acima referem-se a um outro país: a Itália.

Após listar a série de coincidências que podem favorecer a Alemanha, farei a mesmo pela Itália - minha candidata nº1 ao título mundial deste ano.

Primeiramente, as coincidências com a Copa de 1982. Uma Seleção Italiana desacreditada e tida como fraca. Um jogador da Juventus envolvido em escândalo de loterias. À epoca, o atacante Paolo Rossi. Hoje, o goleiro Gianluigi Buffon.

Em seguida, as coincidências com a Seleção Brasileira de 94: São 24 anos sem ganhar um título. Equipe desacreditada, até pela própria imprensa. Eliminação nas oitavas-de-final na última Copa. A Itália, pela Coréia do Sul em 2002. O Brasil, pela Argentina em 90. E, se voltarmos duas Copas no tempo de cada Seleção... em 86, o Brasil foi eliminado nas quartas-de-final pela França. Nos pênaltis. Em 98, a história se repetiu. Com a Itália.

Coincidência não ganha jogo. Muito menos Copa do Mundo. Mas que assustam, assustam.

Se juntarmos essas coincidências com o fato de que a Itália tem um bom time, a coisa complica. A defesa, um cadeado com Alessandro Nesta e Cannavaro - mesmo que o primeiro seja dúvida para as primeiras partidas da azzurra. Pela lateral direita, o bom ala Zambrotta. No meio-campo, o talento de Pirlo e Camoranesi. Gattuso é, talvez, o nome mais irregular do time. Totti joga avançado. Volta motivado após uma contusão que quase o tirou da Copa. E mordido pela expulsão pra lá de injusta na Copa de 2002. E, na sua reserva, o injustiçado Del Piero, louco para provar seu valor.

A possibilidade impossível: Lippi recuar um pouco Totti, entrar com Del Piero e jogar com dois meias, dois volantes e três atacantes. Ou a mesma opção, recuando, ao invés disso, Del Piero e enfiando Totti no ataque? Ousado demais. Não vai acontecer. Ou, pelo menos, ninguém acredita que vá.

No ataque, Luca Toni e Alberto Gilardino. Respectivamente, grandes revelações do último e do penúltimo Campeonato Italiano. Dois grandes atacantes que poderiam ter o reforço de Antonio Cassano, não fosse sua fase terrível em Madrid, junto com aquele time de branco. Ainda assim, no ataque, Filippo "Pippo" Inzaghi que, na falta de talento, marca seus gols surpreendentes.

Somando tudo, o que o time italiano deve a Brasil, Argentina e Inglaterra - os três melhores times, em tese, desta Copa?

O Fanático, nosso patrão, comentou comigo que a Itália precisaria de um homem de velocidade no ataque para fechar o time. Um Paolo Rossi de 82. Um Salvatore "Totó" Schillaci de 90. Não existe esse homem, no entanto, desde 94. Seria esse o problema da Itália?

E se houver um Brasil-Itália nas oitavas-de-final? Coincidência? Repetiremos 82? Ou 2002? Ou 90? Como brasileiro, desejo que isso não aconteça. Afinal... como falei aqui, acredito que esta Itália, desacreditada, inferior, com seus problemas in e out field, seja a Campeã do Mundo. E, há muito, a tradicional e lendária camisa azzurra merece levantar novamente a Copa do Mundo. Mas por que me preocupo com isso? Eu sou é Neo Zelandês...

Forza Azzurra!

Cavalos Cariocas
Stefan Lorax - 29/05

Os times do Rio empolgam a imprensa com "belas campanhas" a nível nacional, neste primeiro semestre de 2006. Flamengo e Vasco farão a final da Copa do Brasil, enquanto o Fluminense foi semi-finalista. Este mesmo Fluminense que vem bem, até então, no Brasileirão. Hoje, lidera o Campeonato Brasileiro de forma isolada, com a Rede Globo de Televisão e a SporTV, que faz parte das filiadas da Globo por seu programa de TV por assinatura GloboSat, não cansam de elogiar o futebol carioca. Pena que não vá durar muito...

O que ninguém quer ver é, Flamengo está, hoje, na zona de rebaixamento. Tem um time muito fraco, que joga ruim, sem padrão de jogo. Seus grandes destaques são Renato - um Renato que, por sua falta de qualidade técnica, foi dispensado do Corinthians e não evoluiu deste então - e o goleiro Diego. Também fraco, mas que vem segurando a onda. Claro. Há também Válter Minhoca, vindo do Ipatinga. Vem jogando bem. Mas ainda é insuficiente para o que o Flamengo precisa no meio-campo.

Já o Vasco, é o primeiro time do lado de fora da zona de rebaixamento. Ao contrário do Flamengo, apresentou uma evolução desde o Campeonato do Rio de Janeiro e a saída de Romário. Renato Gaúcho, treinador promissor, deu um padrão de jogo ao Vasco que se segura na defesa e consegue armar contra-ataques rápidos e perigosos com Morais, Valdiram e Edílson. Insuficiente, no entanto, para qualquer sucesso a nível de Brasil.

E este Fluminense que lidera... bem... basta lembrar que o Palmeiras começou voando no Campeonato Paulista. E depois, foi identificado como um cavalo paraguaio autêntico. O Fluminense está num nível melhor que Flamengo e Vasco. Mas também não funciona. Petkovic não vem jogando bem. Rogério também. Pedrinho machucado como sempre. Diego, outrora grande goleiro, caiu demais de nível. E o Lenny? Bom... há quem enxergue talento no garoto. Uma coisa ele tem: vontade. Talento? Lenny está abaixo de Rafael Sobis (Internacional), Rafael Moura (Corinthians), Thiago (SPFC) e até mesmo Jô (CSKA, ex-Corinthians) ou do jovem meia Wagner (Cruzeiro). Comparar o Lenny com Nilmar então não tem nem condições. Lenny é, sim, uma jovem promessa. Boa, para o futebol do Rio. Mas muito menos, AINDA, do que Globo e SporTV querem que o menino seja. Responsabilidade demais ainda.

E a Copa do Brasil? Bem. Venhamos e convenhamos. OK, Vasco e Flamengo estão na final por seus méritos. Mas nenhum dos dois enfrentou pelo caminho equipes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Apenas o Vasco que pegou, na semi-final, o Fluminense - e, em clássico regional, tudo pode acontecer. O Fluminense, como já disse, melhor dos três, teve capacidade de passar por Cruzeiro. Coisa que, certamente, Flamengo e Vasco não fariam. Ambos dificilmente também passariam pelo Santos. Mas este Santos não caiu diante do Ipatinga? E o Flamengo não eliminou o Ipatinga? OK, é bem verdade. Mas o Flamengo foi beneficiado por erros de arbitragem nos dois jogos contra o Ipatinga. Vasco e Flamengo estão na final por seus méritos. Mas deram sorte.

Então, pela primeira vez desde 2002, o Rio terá novo representante na Copa Libertadores. Apenas um. O Campeão da Copa do Brasil. Porque, pelo Brasileirão, nenhum time carioca conseguirá vaga na Libertadores. Nenhum. Nem mesmo o Fluminense - que conseguirá, no máximo, vaga à Sulamericana. E ainda ficam me colocando o Fluminense como favorito ao título? Bom... depois não digam que eu não avisei.

Onde foi que tudo deu errado?
Stefan Lorax - 22/05

Em 2003, Geninho chegou ao Corinthians sob forte pressão - afinal, no ano anterior o Timão conquistara Torneio Rio-São Paulo, à época alçado a um patamar mais alto que os estaduais; Copa do Brasil e vice do Brasileirão. O treinador tinha sido o Parreira, que abriu mão do Corinthians para treinar a Seleção Brasileira. Geninho, Campeão Brasileiro em 2001 pelo Atlético Paranaense (um time armado pelo Mário Sérgio, justiça seja feita), tinha feito grande campanha pelo Atlético Mineiro - levando um time modesto às quartas-de-final do último Campeonato Brasileiro em sistema mata-mata, sendo eliminado pelo próprio Corinthians. Com olhares de desconfiança, Geninho chegou ao Parque São Jorge.

A estréia de Geninho, no entanto, foi positiva. Vitória sobre o Marília fora de casa por 2x0 pelo Paulistão - e título Paulista no final do Campeonato, com duas vitórias sobre o São Paulo. 2x0 e 3x2. O Corinthians tinha um bom elenco, com Rogério, Liédson, Gil, Jorge Wangner e dava esperanças a sua torcida de conquistar a Taça Libertadores de 2003, grande sonho da Fiel Corinthiana.

A crise de Geninho começou justamente na Libertadores. Em Buenos Aires, vencia o River por 1x0 e levou a virada por 2x1. No jogo de volta, em São Paulo, Geninho se mostrou nervoso e inexperiente para garantir a classificação. Começou novamente com a vitória por 1x0. O Corinthians sofre o empate e Geninho, ao invés de acalmar a equipe, a deixou mais nervosa em campo, resultando na expulsão do lateral Roger por agressão no meia D'Alessandro e nova virada do River, 2x1.

Esse nervosismo e inexperiência de Geninho o atrapalhou não só no Corinthians, mas também no Vasco, em 2004, fazendo-o perder o título estadual para o Flamengo. O treinador logo se mostrou um péssimo líder e incapaz de guiar bem um elenco bom, médio ou fraco. A qualidade não importa. Geninho era o problema.

Após passagem no Oriente Médio, Geninho voltou ao Brasil, mais experiente e muito mais calmo. Se mostrando consciente, Geninho liderou o Goiás de forma exemplar. Falava com confiança a seus jogadores, pôs o time para liderar o Brasileirão 2005 que tinha o rico Corinthians da MSI, o poderoso São Paulo tri-campeão da Libertadores e um renascido Internacional, novamente um time temido no Brasil. Ciente das limitações no elenco, Geninho levou o Goiás à surpreendente 3ª colocação na competição e a sua primeira e honrosa Libertadores, ficando invicto pelas 4 primeiras rodadas - inclusive um jogo épico contra o Newell's Old Boys em Rosário, Argentina, com empate por 3x3 e uma eliminação honrosa nas oitavas-de-final da competição, vencendo o Estudiantes da Argentina por 3x1 em casa, após perder por 2x0 em Santa Fé, território argentino.

Com a nova eliminação do Corinthians na Libertadores diante do River, Geninho se tornou o único nome disponível do mercado. Voltou ao Corinthians se dizendo mais experiente - a experiência que faltou em 2003, quando tudo deu errado. Já prometeu a volta à Libertadores e sonhar com esse título, tão almeijado no Parque São Jorge. Será que dessa vez dá certo, Geninho?.

Um pontinho aos Porcos
Stefan Lorax - 15/05

Nunca... NUNCA o Palmeiras viveu fase tão ruim. Nem mesmo em 2002, quando foi rebaixado.

Começar um Campeonato Brasileiro com quatro derrotas consecutivas é, sem dúvida, a pior coisa que já aconteceu ao Palmeiras na história da competição - pior mesmo que ser rebaixado?

O Verdão começou o ano voando, enfileirando cinco vitórias consecutivas no Paulistão - exatamente o inverso do Brasileirão - e conseguindo vaga na Libertadores, após bater o Deportivo Táchira da Venezuela. E, no Parque Antarctica, já se falava em título Paulista. E um amigo, com pulga na orelha, sempre me dizia: "Esse time do Palmeiras não é bom, mas está dando muita sorte".

Logo vieram as derrotas e a queda do alvi-verde. No clássico contra o São Paulo, primeiro do ano, uma derrota por 4-2 que mostrava a superioridade do Tricolor - ou seria a inferioridade do Verdão? Perdeu mais um clássico, para o Santos, com um pênalti duvidoso, e empatou aos trancos e barrancos com o Corinthians, no polêmico jogo do ponto eletrônico que anulou um golaço do Carlitos Tevez.

O caminho na Libertadores, tortuoso, classificou o Palmeiras em segundo lugar do seu grupo, o 7. Um grupo difícil, OK. Cerro Porteño do Paraguai, Atlético Nacional da Colômbia e Rosário Central da Argentina. Todos eles, no entanto, visivelmente fracos. E o Palmeiras, muitas vezes, se mostrou inferior.

O ponto alto seria a partida contra o São Paulo, pela Libertadores. A bagagem que o Palmeiras trazia para essa partida eram duas derrotas nas duas primeiras rodadas do Brasileirão. 3x2 para a Ponte e os expressivos 6x1 para o Figueirense, em Florianópolis. Leão caiu e o interino Marcelo Vilar assumiu o time - a partida contra o São Paulo, ao invés de parecer um bicho-papão, se tornou, na verdade, um fio de esperança para a recuperação do Palmeiras.

Para o primeiro jogo, Júnior deu a polêmica declaração de que "o São Paulo só teme o Barcelona". Com muita raça, o Palmeiras arrancou um empate heróico e, ao final do jogo, Edmundo declarou que jogaria a partida seguinte com a camisa do Barcelona por baixo. E, mais uma vez, o Palmeiras perde às vésperas do jogo decisivo. 2x1 para o Santos, em casa. E, para a Libertadores, o decisivo jogo de volta contra o São Paulo, mais uma vez um Palmeiras raçudo que segurava um empate por 1x1, garantindo decisão por pênaltis, até os 38 do segundo tempo, quando Wilson de Souza Mendonça apitou um pênalti polêmico de Cristian sobre Júnior. Rogério Ceni bateu e converteu - duas vezes, pois a cobrança teve que ser refeita. O Palmeiras perdeu a cabeça após o gol, arrumando confusões durante e após o jogo, culminando nas expulsões de Paulo Baier e Marcinho Guerreiro.

Os palmeirenses reclamaram do pênalti com uma ferocidade como se o lance tivesse sido absurso. Não foi. Lance apenas duvidoso. Tudo dava a pinta de que, então, o time iria usar a derrota para reverter sua situação no Brasileirão. Ledo engano. No final de semana seguinte o Palmeiras mostra novamente sua fraqueza - e sucumbe diante do São Caetano, quarta derrota consecutiva do time do Parque Antarctica.

A verdade é que só agora cai a ficha de algo que era muito óbvio. O time do Palmeiras é fraco, muito fraco - com um elenco extremamente limitado onde Marcinho Guerreiro, jogador apenas regular, é o principal nome da equipe, ao lado do veterano Edmundo e de um Marcinho que não joga mais metade do que jogou ano passado. Isso sem falar nas lesões de Marcos e Juninho, afastados do time desde o início do ano - Juninho jogando apenas na primeira partida contra o São Paulo.

A crise no Parque é grande e o lateral esquerdo Lúcio, relatando que vem sofrendo ameaças de torcedores, pede para se desligar do time.

Só neste domingo, 5ª rodada do Campeonato, o Palmeiras marca um ponto: empate em casa sofrido contra o Cruzeiro, com arbitragem duvidosa. Um ponto que acaba tendo o valor de migalha. E o Palmeiras segue em último na tabela, atrás até mesmo do fraco Santa Cruz.

É bom que o Verdão abra o olho! É cedo, mas assim que as campanhas pífias começam - Grêmio em 2003, quando escapou, e em 2004, quando caiu. Atlético Mineiro em 2004, quando escapou, e ano passado, quando caiu. E até mesmo o Palmeiras em 2002, quando tentou escapar, mas caiu. E uma coisa garanto: uma coisa que o torcedor palmeirense não quer é um bi-campeonato da Segunda Divisão.

Febre Amarela
Stefan Lorax - 08/05

Há alguns anos, uma síndrome de febre amarela assola alguns times - alguns, diga-se de passagem, que recebem bom investimento financeiro em vias de cumprir com suas obrigações: ganhar títulos.

Seja no futebol - vide exemplos do novo-poderoso Chelsea na Liga dos Campeões ou Real Madrid e Manchester United em todo lugar; ou até mesmo em outros esportes, como o clube de basquete Los Angeles Lakers, o de hóquei Detroit Red Wings ou o popular time de beisebol New York Yankees - todos ricos, cheios de estrelas, todo fracassando em suas ligas nacionais desde 2003.

Recentemente, o Corinthians vem protagonizando a maior crise amarela do Brasil. Sonho de consumo, viu a Libertadores escapar de suas mãos em 99, 2000, 2003 e, agora, na mais traumática situação, 2006. Os rivais? Palmeiras, Palmeiras, River Plate e River Plate, respectivamente. E, nas três ocasiões, o Corinthians apontado como franco-favorito.

O jogo da quinta foi uma tragédia já anunciada na quarta-feira, em Buenos Aires, quando o Corinthians, que começara vencendo por 1x0, leva a virada para 3x1. O gol marcado aos 47 do segundo tempo, por Xavier, diminuindo o placar do jogo para 3x2, foi comemorado como um título - e o Corinthians crente que havia vencido a série e se classificado. Não dá pra dizer que houve salto alto do Corinthians nos primeiros 45 minutos da recente "Tragédia do Pacaembu". Mas, no segundo tempo, o Corinthians era só vitória. E a defesa, que trabalhou tão bem na etapa inicial, dormiu. Resultado? Virada traumática, 3x1 River, e a torcida, tão inflamada quanto La Doce do Boca ou os ingleses e que, muito bem, fazia se papel de incentivar o time, perdeu a cabeça e partiu para violência. Caos total.

Como toda boa crise corinthiana, o golpe de misericórdia é dado pelo São Paulo Futebol Clube. Novamente de virada, novamente 3x1.

Não é cedo para MSI/Corinthians acordar e ver que o planejamento do time desde o ano passado é patético. Com o dinheiro investido, com o que se foi gasto, o Corinthians se arrastou para conquistar o título - e, na soma final de pontos, só conseguiu o Tetra graças aos jogos anulados com o Escândalo Edílson Pereira de Carvalho.

Desde 2005 o Corinthians é um time desorganizado que faz gols com Tevez e Nilmar - e a defesa tem que se confiar na proteção dos volantes, sempre ineficiente. Já passaram pela tutela Tite, Daniel Passarela, Márcio Bittencourt, Antônio Lopes e Ademar Braga e, até hoje, o Corinthians não ganhou um padrão de jogo.

Falta ao Timão, acima de tudo, organização. Raça pode ser muito bom para ganhar um jogo por 3x2 da Universidad Católica ou para diminuir um 3x2 contra o River fora de casa - mesmo com erros de arbitragem, que não justificam o resultado do jogo. Mas, a mesma raça não é suficiente para ganhar um campeonato como a Libertadores. Aí, a raça ajuda. Mas tem que ser unida a uma outra coisa: qualidade. E esta, meu amigo, o Corinthians, até agora, só tem mostrado individualmente, e no papel.

O menino de ouro do Marketing
Stefan Lorax - 01/05

Dia 15 de dezembro de 2002. Final do Campeonato Brasileiro deste mesmo ano. Um garoto entra na área do Corinthians e, ao ver na sua frente o experiente lateral-direito Rogério, começa a passar os pés em cima da bola. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito vezes e... pênalti. O moleque conseguiu se jogar na perna do Rogério e ser derrubado na área. Nascia, naquele momento, uma lenda do futebol brasileiro: Robinho.

Destaque maior do Santos campeão naquele ano, que ainda contava com Diego, Paulo Almeida, Léo e Alex, todos alçados à condição de craque (sabe Deus por quê...), Robinho foi apontado como resgate do "futebol-moleque" e o futuro do futebol brasileiro. O problema, o que pouca gente percebe é... Robinho não passa do garoto que "pedalou" na frente do Rogério. E não chega aos pés do verdadeiro talento daquele Santos: Elano.

Usando as tais "pedaladas" como peça de marketing, Robinho passou a ser ovacionado no Brasil e em países de futebol menos expressivo na América do Sul, como Colômbia e Equador. Robinho virou craque do dia pra noite, um verdadeiro ídolo - tendo até a mãe sendo vítima de sequestro e ganhando mais um título nacional, em 2004. Um verdadeiro carrasco contra o Corinthians, não perdendo nenhuma das 10 partidas que jogou conta o grande rival do Santos.

Mas se, a nível nacional, Robinho arrebentava, seu futebol se mostrou insuficiente sempre que colocado diante de uma prova mais difícil: Em 2003, quando teve pela frente o Boca Juniors de Tevez e dos irmãos Barros-Schelloto, Robinho foi patético. Não jogou nada nas duas partidas finais e percebeu que suas tais "pedaladas" não funcionam quando existe zaga no time adversário. Resultado? Boca 2 X 0 na Argentina, Boca 3 X 1 em São Paulo. Robinho fracassou novamente diante da Argentina de Tevez e D'Alessandro no Pré-Olímpico de 2004. Pior. Perdeu a vaga nos Jogos Olímpicos para o Paraguai, entregando a inédita medalha de ouro de bandeja aos argentinos. Ainda em 2004, falhou mais uma vez em levar o Santos ao sonhado tri da Libertadores - e ainda viu a conquista ir parar nas mãos do rival São Paulo.

Em 2005, participou junto com a Seleção Brasileira da conquista da Copa das Confederações - um título duvidoso, com a vitória sobre uma Argentina incompleta na final, por 4x1 - lembrando que, no mesmo torneio, o Brasil conseguiu perder do México por 1x0 e suou para empatar em 2x2 com o "grande" Japão de Zico. Após o torneio, Robinho bateu o pé que queria trocar a Vila Belmiro pelo Santiago Bernabeu, com o apoio do Vanderlei Luxemburgo, então técnico da equipe Merengue. E conseguiu. Robinho saiu por 30 milhões de reais, venda mais cara da história do futebol brasileiro.

As atuações de Robinho no Real Madrid mostram o quanto o jovem atacante ainda é impotente. Mesmo num país de defesas historicamente fracas, Robinho não consegue fazer nada. Suas pedaladas não dão certo e o jogador se mostra incapaz de armar jogadas com outro jogador que não seja Ronaldo ou Júlio Baptista. OK, Robinho ainda é jovem. Mas compare seu desempenho, por exemplo, com Cristiano Ronaldo - tão jovem quanto e jogando no time, talvez, com a torcida mais fanática do mundo. O Manchester United. E, mesmo diante da pressão, joga muito bem. Dribla, "pedala", chama a responsabilidade para si, arma jogadas - coisa que Robinho se mostra incapaz de fazer.

Pouco objetivo, Robinho encantou com seu futebol fácil num país de futebol fácil, e agora sofre pressão na Europa. Infelizmente, hoje Robinho é mais marketing que futebol - e foi através deste marketing que conseguiu chegar ao Real Madrid - quando seu futebol seria bom o bastante para o Real Bétis. E nós somos obrigado a ouvir coisas como "pedalada neles" e achar que isso é futebol. Alguém chamado Garrincha deve chorar de desgosto com o nível do futebol que um garoto precisa jogar nos dias de hoje para receber a alcunha de "craque".

Quem te viu, quem te vê, Edmundo!!
Stefan Lorax - 24/04

Há dez anos, quando nos perguntávamos sobre Edmundo... poderíamos nos lembrar dos seis gols que ele marcou em uma única partida, pelo Vasco, contra o União São João de Araras. Lembrar dos 29 gols marcados por ele no Campeonato Brasileiro de 97. Lembrar de seus dribles desconcertantes e arrancadas fenomenais. Mas não... o Edmundo que preferíamos ver era aquele cara que chutou um câmera caído no chão no Equador... que esbofeteou o Zandoná na cara para depois levar um soco como resposta... o Edmundo que causou um acidente automotivo na lagoa Rodrigo de Freitas deixando três mortos - e que, até hoje, traz problemas na justiça para o "Animal".

O infame apelido "Animal", acompanhado dos gritos "Au Au Au Edmundo é Animal" surgiram justamente do comportamento agressivo do jogador. Revelado pelo Vasco, o "Animal" Edmundo teve passagens pelo Palmeiras onde virou ídolo e craque, pelo Flamengo, onde era o grande amor da vida de Romário - e logo se tornou desafeto, depois, uma rápida passagem pelo Corinthians, voltou ao Vasco onde atingiu seu ápice no Campeonato Brasileiro 97. Em seguida, se transferiu para a Fiorentina. Retornou ao Vasco e deixou o clube após perder a coroa para Romário. Passou pelo Santos. Voltou à Itália, onde defendeu o Napoli. Voltou ao Brasil onde defendeu o Cruzeiro - demitido após perder um pênalti contra o Vasco e declarar que não se sentiria bem marcando um gol no seu time do coração. Foi ao Japão, jogou pelo Verdy Tokio e Urawa Red Diamonds. Aterrisou novamento ao Brasil em acordo com o Vasco; reatou seu "casamento" com Romário ao defender o Fluminense. Pensando em encerrar a carreira, atendeu ao pedido do amigo Zinho e foi jogar pelo Nova Iguaçu, na segunda divisão do Estadual do Rio. Não chegou a jogar. Foi contratado pelo Figueirense - e, em passagem pelo Parque Antarctica, fez juras de amor ao Palmeiras. Não deu outra. Voltou ao alvi-verde paulista.

O contrato de Edmundo vai até o fim de 2006. O atacante espera renová-lo até 2007, quando pretende encerrar a carreira. Por isso, o Animal amansou. Em conversa com um outro animal (quase literalmente), o técnico Leão, Edmundo prometeu que se comportaria, treinaria corretamente, não chegaria atrasado aos treinos, não arrumaria confusão extra-campo. E, caso isso aconteça, conforme está em seu contrato: recisão na hora, por justa causa, sem multa ou indenização.

O resultado disso tudo é um Edmundo completamente diferente. Sempre que batia boca com Marcinho ou Washington em alguma partida da Libertadores 2006, os "anti-Edmundo" poderiam pensar: "Ih, o velho Edmundo voltou". Ledo engano. A confusão no jogo Palmeiras X Cerro Porteño, pela primeira fase da Libertadores, se tornou um símbolo do novo Edmundo. Enquanto o pau comia solto no campo, com até mesmo o técnico Leão envolvido... Edmundo estava ao lado do trio de arbitragem, parado no meio do campo, com as mãos na cintura... não esboçava nenhuma reação. Resumindo. É, sim, um novo Edmundo.

Ligando essa imagem ao Edmundo do Figueirense, que enchia os olhos de lágrimas ao falar do Palmeiras, temos a idéia do quanto o craque se disciplinou. "Se arrependimento matasse", dizia Edmundo. O fato é... craque, Edmundo foi, mesmo sem brilhar com a camisa da Seleção. Sua faceta Animal o transformou em lenda. No entanto, prejudicou sua carreira, criou desafetos, inclusive da mídia - mídia que tanto inflamou Edmundo, e hoje se recusa a mostrar um animal domesticado.

Hoje em dia, quem diria, Edmundo virou craque modelo. Tarde demais, talvez, para salvar sua carreira. No entanto, em tempo de se tornar um exemplo - e passar a mensagem, tão desgastada, mas nesse caso, tão eficiente. "Façam o que eu digo, mas não façam o que eu fiz".

Elefante em Fúria
Stefan Lorax - 17/04

Há 22 anos um homem mudaria a história do futebol africano. Roger Milla, atacante camaronês, fazia sua estréia em Copas do Mundo. Discreto em uma participação apenas razoável de Camarões - que, por pouco não mudou a história daquela Copa, sofrendo um empate contra a Itália. Os africanos foram prejudicados por um erro de arbitragem que, se não houvesse causado o empate italiano, eliminaria a seleção azzurra.

Só em 1990 Milla chocou o mundo, quando, aos 38 anos de idade, marcou dois gols sobre a Romênia. Se tornou o homem mais velho a marcar gols em Copas do Mundo. Em 94, Milla, já aos 42, marcou um gol na Rússia - derrota humilhante por 6 X 1 com 5 gols do russo Salenko. O gol de honra do camaronês, no entanto, manteria seu recorde imbatível.

Em 96, foi a vez de George Weah, libanês, mudar o mundo ao se tornar a grande estrela do Milan. Ganhou, naquele ano, a Bola de Ouro da revista France Football de melhor jogador em atividade na Europa e prêmio de Melhor Jogador do Mundo na cerimônia FIFA Gala. Weah viria a se tornar o maior jogador africano de todos os tempos e um símbolo para seu país - sendo inclusive candidado a presidente recentemente. Mesmo sem nunca ter jogado uma Copa do Mundo. Weah reescrevia assim mais uma página para o futebol africano.

O grande destaque dos africanos viria a ser a Olimpíada de Atlanta, naquele mesmo ano, quando Kanu liderou a Nigéria numa vitória milagrosa sobre o Brasil de Ronaldo - e, na final, bateu a Argentina, levando o ouro. Em 2000, a história se repetiu, e a seleção Camarões, com Eto'o, eliminou, com dois homens a menos, o Brasil nas quartas-de-final. E ganhou o ouro na final sobre a Espanha.

Hoje este mesmo Eto'o é o grande nome do futebol africano em atividade, fazendo gol atrás de gol no Barcelona. No entanto, o grande goleador falhou em levar seu país a mais uma Copa do Mundo - camarões fracassou diante do Egito e acabou eliminada, quando precisava apenas de uma vitória. Em casa. Eto'o também perdeu o pênalti que eliminou Camaões da Copa da África, nas quartas-de-final do torneio. A seleção que se sagraria vitoriosa e chegaria a ser vice-campeã do torneio foi a Costa do Marfim. De um tal Didier Drogba.

Estrela do Chelsea, tendo sua carreira iniciada no futebol francês com a camisa do LeMans. Recusou cidadania francesa porque queria defender sua Seleção - a Costa do Marfim.

A imagem de Drogba chegando à Costa do Marfim passa uma imagem esnobe e arrogante da estrela do Chelsea. O atacante mal olhava para seu povo e se recusava a dar entrevistas. Em campo, no entanto, a atitude era outra. Antes mesmo da partida contra Camarões, Drogba circulou todo estádio cumprimentando seus torcedores. Era mais uma vitória e Costa do Marfim estaria garantido na Copa. Os donos da casa começaram ganhando por 2x0 - mas cederam a virada para 3x2 no segundo tempo. Drogba estava desolado. Não acreditava. Mal cumprimentou Eto'o após a partida.

Só na partida seguinte, com o empate de Camarões diante do Egito, Drogba pôde sorrir e ver seu país finalmente classificado a uma Copa. Classificação festejada pelo povo marfinês como se fosse um verdadeiro título mundial.

Voltando à Copa da África, Drogba viria a perder o pênalti na final - que acabou dando o título ao Egito. "Estou envergonhado", disse Drogba, se desculpando com seu país. Essa é a imagem que Drogba quer passar. O homem que Drogba quer ser. "Quero fazer mais pela Costa do Marfim, pelo meu povo, e o futebol é um dos caminhos", diz. "Quero ser como o George Weah para África". Drogba não esconde seu desgosto ao ver Eto'o ser considerado o melhor jogador da África na atualidade. "Somos o melhor time. Somos melhor que Camarões", afirma Drogba, preferindo o espírito coletivo.

Apesar de jogar uma Copa, coisa que Weah não fez, dificilmente Drogba repetirá o jogador Weah. Não tem a mesma habilidade, a mesma classe, o mesmo faro de gol. Nem joga no mesmo time que Boban, Albertini, Maldini e Baggio. No entanto, ao querer repetir o homem Weah, Drogba representa novamente o fio de esperança para África - o mesmo que já fora representado por Milla, Weah, e título que dividirá com Eto'o. Para isso, Drogba precisará fazer mais pelo seu país - mais que marcar gols com a camisa do Chelsea.

Infelizmente, a Costa do Marfim deu azar no sorteio dos grupos - e deve ser eliminada numa chave com Argentina, Holanda e Sérvia & Montenegro. Mas, para Drogba, levar o seu país à Copa já é uma vitória. E, para o povo da Costa do Marfim, cada vitória, por menor que seja, é um pedaço de esperança. E a África segue esperando por novos heróis.

Em Busca da eficiência perdida
Stefan Lorax - 10/04

Esta é a última parte da Trilogia Alemã - vale salientar - nas colunas do Stefan Lorax. Uma comparação entre os times de sucesso e de fracasso em Copas do Mundo e o time de 2006 da Alemanha.

O meio-campo
Quando ganhou a Copa de 90, o então Rei de Milão, último grande herói da Inter, Lothar Matthäus reformulou seu futebol. Vestia a camisa 10, mas foi jogar de líbero. A mudança de Matthäus viria a causar um grande atraso na Seleção Alemã - responsável, talvez, pelas derrotas em 94 e 98.

Tanto em 54 quanto em 74, a Alemanha precisou de um grande armador para conquistar a Copa. Fritz Walter na Copa da Suíça; o versátil Breitner na Alemanha, que, em uma seleção defensiva, fazia o papel de lateral/ala, armando as jogadas; e Matthäus na Itália. O êxito alcançado em 82 e 86 também foi devido a um homem forte no meio-campo: o mesmo Bretiner em 82, o mesmo Matthäus em 86. Com Matthäus recuado em 94, o meio-campo alemão ficou à mercê do complicado Matthias Sämmer, incapaz de liderar um time e armar um bom contra-ataque. Resultado? Sämmer parou diante de Soitchkov, e sua Bulgária. Em 98, novamente com Matthäus na zaga, Thomas Hassler, que esteve presente em 94, foi o homem encarregado da responsabilidade. Novo fracasso diante de um país forte onde a Alemanha era fraca: a Croácia de Boban. Só em 2002 a Alemanha se recuperou - graças a um bom meio-campo: Michael Ballack.

A previsão para 2006 anima, quando o meio-campo alemão conta com Ballack e Schweinsteiger. Uma dupla de armadores melhor que Sämmer-Hassler de 94 e Hassler-Möller em 98 - a mais fraca, no pior desempenho Alemão desde a Copa de 78.

A defesa
Em 74 havia o indescutível Franz Beckenbauer, capaz das proezas que todos conhecemos. Franz ajudou a Alemanha a manter uma defesa sólida e a sofrer poucos gols - apenas três durante toda a competição. Atrás de Franz, estava o goleiro Sepp Meier - conhecido como "o Gato", o responsável por fechar o gol alemão do eficiente ataque holandês. Em 82, a Alemanha só alcançou a final porque no gol estava Harold Schumacher. Havia um grande defensor, sim. O eficiente lateral Breitner, já citado aqui - numa Alemanha defensiva que liberava seu lateral para atacar e defender. Em 90, a defesa contava com Brehme e o goleiro Illgner, grande defensor de pênaltis.

A fragilidade da defesa em 94 e 98 obrigou Matthäus a recuar. Illgner estava novamente no gol. Mas em 98, a Alemanha não podia se gabar de um grande goleiro. Kopke vestia a camisa 1, e Oliver Khan e Jens Lehmann assistiram do banco à derrota diante da Croácia. Embora Khan tenha feito uma Copa fantástica em 2002, sendo o grande responsável pela campanha alemã, faltou na sua frente um grande zagueiro. As falhas de marcação de Metzelder e Ramelow foram imperdoáveis e custaram o campeonato aos europeus. Onde estavam os dois quando Rivaldo chutava livre e Ronaldo pegava sozinho o rebote?

Worns pode não ser a oitava maravilha do mundo para a Copa da Alemanha. Mas ao seu lado está a grande revelação Per Mertesacker. A defesa, mais sólida que em 2002, pode garantir uma Copa mais eficiente. E, no gol, se Kahn não é mais aquele, Lehmann atravessa grande fase no Arsenal e deve ser o goleiro titular.

O ataque
Aqui a situação complica. Em todos seus êxitos em Copa do Mundo, até hoje, a Alemanha precisou de um goleador. Coincidentemente, Rahn em 54, Müller em 74 e Klinsmann em 90 eram ruins de bola - mas extremamente eficientes em marcar gols. Em 82, Rummenigge foi o responsável pela campanha brilhante que levou o time à final. Em 2002, o plonês naturalizado alemão Miroslav Klose, marcando 5 gols, foi o homem responsável pelos triunfos alemães. Quando teve seu ataque liderado por Oliver Bierhoff, tecnicamente melhor que Rahn, Müller, Klinsmann e Klose, a Alemanha sofreu - se enganou ao conquistar a Euro 96, mas a decepção veio em 98. Bierhoff não era o milagreiro que levaria os alemães a um título. Hoje, o ataque alemão sofre com a ineficiência de Kevin Kuraniy e com a má-fase de Klose com a gloriosa camisa branca. Sem um atacante eficiente - não precisa ser bom, basta marcar gols - a Alemanha não chega ao seu sonhado tetra.

Resumindo, o time de 2006 alemão chega a ser melhor que o de 90, o de 82, o de 54 e, droga, que o de 74 também!! Mas, sem eficiência (a sonhada eficiência de Matthäus), um time com Lehmann, Mertesacker, Ballack, Schweinsteiger e Klose pode acabar fracassando, como uma geração tão talentosa quanto: Matthäus, Klinsmann, Sämmer, Illgner e Bierhoff: a geração 94-98.

Caixinha de surpresas Alemã
 Stefan Lorax - 03/04

Três seleções lideradas por três gênios do futebol. Três equipes favoritas a ganhar a Copa do Mundo.

Em 1954, a Hungria tinha Sandor Kocsis, Zoltan Czibor, Nandor Hidegkuti e um cara chamado Ferenc Puskas (hã??).
Em 1974, a Holanda tinha Rudolf Krol, Johan Neeskens, Pieter Rensenbrink e um tal Johan Cryff (quem??).
Em 1990, a Argentina tinha Cláudio Caniggia, Jose Burruchaga, Jose Basualdo e um certo Diego Maradona (Diego o quê??).

E as três favoritas caíram da mesma forma, diante de um mesmo adversário: a Alemanha.

Em 54, a Alemanha voltava à Copa do Mundo depois de ser banida da Copa de 50 - resquísios do Nazismo. Se reerguendo após a derrota na II Guerra Mundial, o povo alemão encontrou abrigo na sua seleção, que jogava na vizinha Suíça. Começou a Copa sem convencer e levou de 8-3 da Máquina Húngara de Ferenc Puskas, a atual campeã olímpica. Liderados por Fritz Walter, ex-paraquedista de guerra nazista, os alemães foram superando suas dificuldades ao longo do torneio. Após golear sua vizinha e ex-aliada Áustria na semifinal por 6-1, os alemães teriam pela frente novamente Puskas & cia. E a máquina húngara começou o jogo ao seu estilo. 2-0 com 8 minutos de jogo. Tudo caminhava para uma nova goleada, até que o jogo mecânico do time alemão, baseado em toques de bola, marcação dura e cruzamentos envolveu a Hungria. Aos 18 do primeiro tempo, o jogo estava empatado. Helmut Rahn, destaque naquela final, definiu o título alemão aos 39 do segundo tempo. Alemanha campeã do Mundo.

Em 74, a Alemanha jogava em casa. Mas assistia a Holanda de Cruyff e do técnico Rinus Michels mudar o mundo com seu futebol. A Alemanha passou toda a Copa disputando partidas apertadas definidas em detalhes, enquanto a Holanda encarava seus jogos com facilidade e sem dar aberturas aos adversários - à exceção do disputado empate em 0x0 com a Suécia. Chegando à final, a Holanda estava invicta e só havia sofrido um gol, enquanto a Alemanha trazia uma derrota na bagagem e um jogo bem inferior ao holandês. Os "laranjas" abriram o placar da decisão no primeiro minuto, num pênalti que Cruyff sofreu e Neeskens converteu. Mais uma vez, o mundo assistiria uma surpresa. Breitner e Muller cuidaram de virar a partida ainda no primeiro tempo, e a seleção mecânica alemã segurou a Holanda nos 45 minutos finais. Alemanha bi-campeã do Mundo.

Até 90, a Alemanha disputou mais duas finais de Copa do Mundo. Em 82, a equipe de Rumenigge e Schumacher perderam para a Itália de Paolo Rossi e Dino Zoff. E em 86, para a Argentina de Valdano e Maradona. Em 90, treinada por Beckenbauer, era novamente o Maradona que estava no caminho alemão. Diferentemente de 54 e 74, a Alemanha não tinha pela frente uma seleção esmagadora. Ainda que favorita, o time argentino passou por uma competição irregular e abusou da sorte em decisões por pênaltis. A Alemanha chegara à Final também depois de uma semi-final marcada por decisão de tiros livres. E, mesmo com suas deficiências, a Argentina tinha um time melhor, graças à mobilidade de Caniggia e à genialidade de Maradona. E ambos pararam diante da eficiência de um gênio discreto do futebol: Lothar Matthäus. Alemanha, com gol de Brehme cobrando pênalti, tri-campeã do Mundo.

Em 2002, se não foi possível bater o Brasil do infernal Rivaldo, a Alemanha mostrou novamente seu poder de superação. Fracasso na Euro 2000 e eliminada no grupo regular das Eliminatórias Européias, conseguindo a vaga apenas na repescagem, a Alemanha não encarou grandes adversários em sua jornada rumo à Final. Carregada por Oliver Kahn, a muralha, os alemães viram seus rivais Inglaterra, Argentina e França caírem. A Holanda nem na Copa estava. E os carrascos do leste europeu, que gostam de aprontar com os alemães (como Bulgária em 94 e Croácia em 98) não tiveram vez nessa Copa. Superando expectativas, o time liderado por Kahn e Klose chegou a final já derrotada pela superior Seleção Brasileira.

Somando tudo, a Alemanha traz em seu currículo sete finais de Copa do Mundo com três delas conquistadas. Foi surpresa em quatro ocasiões - três títulos e um vice-campeonato. Treinada por um ex-jogador (Jürgen Klinsmann), como em 90, liderada por um bom meia (Michael Ballack), como em 1954, a Alemanha joga a Copa em casa, como em 1974. Com tudo isso a seu favor, dá pra acreditar piamente que a ineficiência de seu time será capaz de impedir que os alemães conquistem um novo título? Pode ser... mas, quem pensou assim, quebrou a cara em 1954, 1974 e 1990...

Anti-Klinsmann na Alemanha
 Stefan Lorax - 28/03

O trocadilho é tão infame quanto o apelido que Jürgen Klinsmann tinha em seus tempos de matador ("Kataklinsmann"), mas ilustra perfeitamente a situação de anti-clímax que a Federação Alemã vive atualmente.

O casamento
Quando assumiu a Seleção de seu país, em 26 de julho de 2004, após a pífia campanha da Euro - com o técnico vice-campeão mundial Rudi Völler, Klinsmann causou um certo estranhamento no futebol mundial. "O Klinsmann?" A única experiência administrativa que o ex-artilheiro de gols feios tinha tido seria seu breve envolvimento com o Los Angeles Galaxy, time da Major League Soccer, a liga de futebol dos Estados Unidos da América. Ou seja... sem nenhuma bagagem, Jürgen veio de cara assumir a seleção do país. Responsabilidade, não?

A lua-de-mel
Klinsmann começou trazendo para seu lado o ex-companheiro de seleção Oliver Bierhoff. Armou um time com o que tinha nas mãos - um time aos moldes alemães: pouca criatividade e muito toque de bola duro, chuveirinho e chute de bico. Resultado? Em sua estréia, contra a seleção da Áustria, Klinsmann viu a Alemanha vencer com três gols de Kuranyi. Alemanha 3 X 1 Áustria. Opa!! Beleza!! "Kataklinsmann" é o salvador! (??)

A seqüência animaria torcida e crítica. Empate com o Brasil em 1 X 1, vitória sobre o Iran por 2 X 0, 3 X 0 sobre Camarões e depois sobre Japão. As criancinhas alemãs já dormiam sonhando com Klinsmann e Ballack levantando a Copa FIFA.

A primeira briga
Em 19 de dezembro, a Alemanha terminaria um estranho 1º tempo empatando em 1 X 1 com a Coréia do Sul, jogando em Busan, na Coréia. O jogo terminaria 3 X 1 para os Coreanos - e a Alemanha sofria seu primeiro susto. Dois dias depois, faria 5 X 1 na Tailândia em Bangkok.

Reconciliação
2005 começou com um empate em 2 X 2 com a Argentina. Depois, vitória por 1 X 0 sobre a Eslovênia e 4 X 1 sobre a Irlanda do Norte. Todos fora de casa. Klinsmann respirava aliado. Ora... todo mundo já perdeu da Coréia um dia, não??

A Copa das Confederações
15 dias antes do torneio que sediaria, a Alemanha empata com a Rússia em casa - 2 X 2. O placar desanima a torcida. Na estréia da Copa das Confederações, um sufoco! 4 X 3 numa Austrália aguerrida e valente. Klinsmann se recuperaria na vitória sobre a Turquia, 3 x 0. Empataria novamente em 2 X 2 com a Argentina.

O Brasil no caminho
Na semi-final da Copa das Confederações, a derrota para o Brasil - 3 X 2. O resultado revoltou Beckenbauer, que queria sua seleção ganhando o título em casa da miniatura de Copa do Mundo. Na disputa do bronze 4 X 3 na prorrogação contra o México. Bronze para os alemães - que estavam iguais as camisas que vestiam: vermelhos de vergonha.

Klinsmann desandou
Garantido na Copa, Klinsmann e sua Alemanha empatou com a rival Holanda em 2 X 2. Em seguida, perdeu para a Eslováquia por 2 X 0. O resultado revoltou a torcida e Klinsmann já tinha o cargo questionado na imprensa do mundo inteiro. A vitória de 4 X 2 na África do Sul de nada serviria. A Alemanha voltara a perder por 2 X 1 da Turquia - e, em casa, uma vitória sofrida por 1 X 0 sobre a fraca seleção da China. O ano terminou no empate sem gols com a França.

E o temido 2006 chegou...
Ano de Copa. Klinsmann e sua seleção recebem a Itália - e levam sonoros 3 X 0 no primeiro tempo. Torcida boquiaberta, Klinsmann coçando os cabelos e o jogo termina 4 X 1 para os rivais italianos. Enquanto Lippi era ovacionado na Itália, Klinsmann atingiu o apogeu (negativo) na Alemanha. A derrota, um tanto quanto ilusória até, deixou os alemães temerosos sobre a Copa do Mundo. "Faremos feio?"

A vitória por 4 X 1 sobre os EUA deixou Klinsmann respirar. Mas não resolve nada.

O "Kataklinsmann" ainda tem dificuldades de armar o time, se mostra indeciso sobre quem joga no ataque. Além do mais, numa profissão onde exige o máximo de empatia com seus "subordinados" que é a do técnico de futebol, Klinsmann mora na ensolarada California e se comunica com os jogadores por e-mail!! Pelos óculos do Bill Gates!!

Klinsmann tem culpa? A Deutschland Fussballbund escala um treinador sem experiência nenhuma para assumir nada mais nada menos que a Sleção Nacional em véspera de Copa. Espera o quê? Repetir o Brasil de 70?

Em se tratando de Alemanha, não dá pra duvidar piamente. Mas Klinsmann apresenta a si mesmo um futuro trágico como treinador. E quem é o favorito do Beckenbauer para assumir o cargo? Lothar Matthäus! Há!! Boa sorte para eles.

Semana que vem: por que a Alemanha pode surpreender e ser a grande campeã da Copa em casa.